Saturday, February 25, 2017

POVO "OVELHA", POVO ESCRAVO

















































SOBRE OVELHAS, LOBOS E CÃES PASTORES
por Dave Grossman

"A honra nunca fica velha, quanto maior a nossa idade, a honra mais alegra nosso coração. Digo-o, porque a honra é a meta final das causas nobres e dignas que mereçam serem defendidas, mesmo que venham a ter um custo elevado. No nosso tempo, a honra pode significar desaprovação social, desprezo público, dificuldades, perseguição, ou como sempre, até mesmo a própria morte.

Mas as questões permanecem: O que vale a pena ser defendido? Pelo que vale a pena morrer? Para que serve a vida?"
William J. Bennett

Um veterano do Vietnã, um velho coronel da reserva, certa vez me disse: "A maioria das pessoas em nossa sociedade são ovelhas. Eles são criaturas produtivas, gentis, amáveis que só machucam umas às outras por acidente". Isso é verdade. Lembre que a taxa de assassinatos é de seis por 100.000, por ano, e taxa de agressões sérias é de quatro por 1000, por ano. O que isso significa, é que a esmagadora maioria dos norte-americanos não são inclinados a machucarem uns aos outros.

Algumas estimativas dizem que dois milhões de americanos são vítimas de crimes violentos todo ano. Um número trágico, assustador, talvez um recorde em matéria de crimes violentos. Mas existem quase 300 milhões de americanos, o que significa que as chances de ser vítima de um crime violento ainda é consideravelmente menor que uma em cem, em qualquer ano. Ainda, como muitos dos crimes violentos são praticados pelas mesmas pessoas, o número real de cidadãos violentos é consideravelmente menor que dois milhões.

Há um paradoxo aí, e devemos pegar ambos os lados da situação: Nós podemos estar vivendo a época mais violenta da história, mas a violência ainda é surpreendentemente rara. Isso é porque a maioria dos cidadãos são pessoas gentis e decentes que não são capazes de machucarem umas às outras, exceto por acidente ou sob provocação extrema. Elas são ovelhas.

Eu não quero dizer nada negativo quando as chamo de ovelhas. Para mim a situação é como a de um ovo de passarinho. Na parte de dentro ele é gosmento e macio, mas algum dia ele se transformará em algo maravilhoso. Mas o ovo não pode sobreviver sem sua casca dura. Policiais, soldados e outros guerreiros são como essa casca, e algum dia a civilização que eles protegem tornar-se-á algo maravilhoso. Por enquanto, eles precisam de guerreiros para protegê-los dos predadores.

"E então há os lobos", disse o velho veterano de guerra, "e os lobos alimentam-se das ovelhas sem perdão". Você acredita que há lobos lá fora que irão se alimentar do rebanho sem perdão? É bom que você acredite. Há homens perversos nesse mundo que são capazes de coisas perversas. No instante em que você esquece disso, ou finge que isso não é verdade, você se torna uma ovelha. Não há segurança na negação.

"E então há os cães pastores", ele continuou, "e eu sou um cão pastor. Eu vivo para proteger o rebanho e confrontar o lobo". Ou, como está escrito em uma placa de uma Delegacia de Polícia na Califórnia: "Nós só intimidamos aqueles que intimidam os outros".

Se você não tem capacidade para a violência, então você é um cidadão saudável e produtivo: uma ovelha.

Se você tem capacidade para a violência e não tem empatia por seus concidadãos, então você é um sociopata agressivo, um lobo. Mas, e se você tem capacidade para a violência e um amor profundo por seus concidadãos? Então você é um cão pastor, um guerreiro, alguém que segue os passos dos heróis. Alguém que pode caminhar no coração da escuridão, dentro da universal fobia humana e sair ileso.

"O que se passa à sua volta... é pequeno se comparado ao que se passa dentro de você".
Ralph Waldo Emerson

A todos foi dado o dom da vida. Algumas pessoas têm um dom para a ciência e algumas outras têm o dom para as artes. Aos guerreiros foi dado o dom da agressão. Eles não podem fazer uso incorreto desse dom, como um médico não pode empregar de modo errado sua arte de curar, mas anseiam pela oportunidade de usar seu dom para poderem ajudar aos outros. Estas pessoas, os que foram agraciados com o dom da agressão e amor pelos outros, são os nossos cães pastores. São os nossos guerreiros.

Nós sabemos que as ovelhas vivem em negação da realidade, e isso é o que as tornam ovelhas. Elas não querem acreditar que existe o "Mal" no mundo. Eles podem aceitar o fato de que incêndios podem acontecer, e é por isso que elas querem extintores, sprinklers, alarmes contra incêndio e saídas de emergência na escola de suas crianças. Mas muitos deles ficaram chocados com a idéia de colocar um policial armado na escola de seus filhos. Nossos filhos têm dezenas de vezes mais probabilidades de serem mortos, e milhares de vezes mais probabilidades de serem gravemente feridos, pela violência escolar do que por incêndios na escola, mas a única resposta das ovelhas para a possibilidade de violência é a negação. A idéia de que alguém possa vir a matar ou prejudicar os seus filhos é muito dura, então elas escolhem o caminho da negação.

As ovelhas geralmente não gostam dos cães pastores. Eles se parecem muito com os lobos. Eles têm dentes afiados e a capacidade para a violência. A diferença, porém, é que os cães pastores não devem, não podem e não irão nunca prejudicar as ovelhas. Qualquer cão pastor que intencionalmente maltratar uma ovelhinha será punido e removido. O mundo não pode funcionar de outra forma, pelo menos não em uma democracia representativa ou uma república como a nossa (EUA).

Ainda assim, os cães pastores incomodam as ovelhas. Eles são uma lembrança constante que há lobos na terra. Elas preferem que eles não lhes digam para onde ir, não lhes dêem multas de trânsito, ou permanecessem em nossos aeroportos com uniformes camuflados e portando um M-16. As ovelhas prefeririam que os cães pastores guardassem suas garras e dentes, se pintassem de branco e dissessem: "Bééééééé...".

Até que o lobo aparece. Depois, todo o rebanho tenta se esconder atrás de um cão pastor solitário. Como disse KipIing no seu poema sobre "Tommy" o soldado britânico:

While it's Tommy this, an' Tommy that, an' "Tommy, fall be'ind,"
But it's "Please to walk in front, sir," when there's trouble in the wind,
There's trouble in the wind, my boys, there's trouble in the wind,
O it's "Please to walk in front, sir," when there's trouble in the wind.

































Os estudantes, as vítimas, na escola de Columbine eram adolescentes, grandes e durões. Sob circunstâncias habituais, elas nunca perderiam seu tempo para falar algo com um policial. Elas não eram crianças ruins, elas simplesmente não teriam nada a dizer a um policial. Quando a escola estava sob ataque, no entanto, e as unidades da SWAT estavam entrando nas salas e corredores, os policiais tinham praticamente que arrancar os adolescentes que se agarravam às suas pernas, chorando. É assim que as ovelhinhas se sentem quando a respeito de seus cães pastores quando o lobo está na porta.

Olhe o que aconteceu depois do 11 de Setembro, quando o lobo bateu forte na porta. Lembram-se de como a América, mais do que nunca, sentiu-se diferente a respeito de seus policiais e militares? Lembram-se de quantas vezes ouviu-se a palavra "herói"?

Entendam que não há nada moralmente superior em ser um cão pastor; é apenas aquilo que você escolhe ser. Entendam ainda que um cão pastor é uma criatura esquisita. Ele está sempre farejando o perímetro, latindo para coisas que fazem barulho durante a noite, e esperando ansiosamente por uma batalha. Os cães pastores jovens anseiam por uma batalha, melhor dizendo. Os cães pastores velhos são mais espertos, mas ao ouvir o som das armas e perceberem que são necessários eles se movem imediatamente, junto com os jovens.

É aqui que as ovelhas e cães pastores pensam diferentes. A ovelha faz de conta que o lobo nunca virá, mas o cão pastor vive por aquele dia. Depois dos ataques de 11 de Setembro, a maior parte das ovelhas, isto é, a maioria dos cidadãos na América disse "Graças a Deus que eu não estava em um daqueles aviões". Os cães pastores, os guerreiros, disseram, "Meu Deus, eu gostaria de ter estado em um daqueles aviões. Talvez eu pudesse ter feito a diferença". Quando você está verdadeiramente transformado em um guerreiro, você quer estar lá. Você quer tentar fazer a diferença.

Não há nada de moralmente superior sobre o cão pastor, o guerreiro, mas ele leva vantagem em uma coisa. Apenas uma. E essa vantagem é a de que ele é capaz de sobreviver em um ambiente ou situação que destrói 98% da população.

Houve uma pesquisa alguns anos atrás com indivíduos condenados por crimes violentos. Esses presos estavam encarcerados por sérios e predatórios atos de violência: Assaltos, homicídios e assassinatos de policias. A grande maioria disse que escolhia suas vítimas pela linguagem corporal: andar desleixado, comportamento passivo e falta de atenção ao ambiente. Eles escolhiam suas vítimas como os grandes felinos fazem na África, quando eles selecionam aquele que parece menos capaz de se defender.

Algumas pessoas parecem destinadas a serem ovelhas e outras parecem ser geneticamente escolhidas para serem lobos ou cães pastores. Mas eu acredito que a maior parte das pessoas pode escolher qual dos dois eles querem ser, e eu fico orgulhoso ao dizer que mais e mais americanos estão escolhendo serem cães pastores.

Sete meses depois do ataque de 11 de Setembro, Todd Beamer foi homenageado (postumamente) em sua cidade natal, Cranbury, New Jersey. Todd, como vocês se lembram, era o homem no Vôo 93, sobre a Pensilvânia, que ligou de seu celular para alertar um operador da United Airlines sobre o seqüestro. Quando ele soube que outros três aviões haviam sido usados como armas, Todd largou o telefone e disse as palavras "let's roll" (vamos lá) o que as autoridades acreditam que tenha sido um sinal para os outros passageiros para confrontar os seqüestradores. Em uma hora, uma transformação ocorreu entre os passageiros - atletas, homens de negócios e pais - de ovelhas para cães pastores e juntos eles combateram os lobos, salvando um número indeterminado de vidas no chão.

"Não há salvação para o homem honesto, a não ser esperar todo o mal possível dos homens ruins".
Edmund Burke

Aqui é o ponto que eu gosto de enfatizar, especialmente para os milhares de policiais e soldados para os quais falo todo ano. Na natureza, as ovelhas, as ovelhas de verdade, nascem assim. Cães pastores nascem assim, bem como os lobos. Eles não têm uma chance. Mas você não é uma criatura. Você é um ser humano, e como tal pode ser o que quiser. É uma decisão moral consciente.

Se você quer ser uma ovelha, então você pode ser uma ovelha e está tudo bem, mas você deve entender o preço a pagar. Quando o lobo vier, você e as pessoas que você ama morrerão se não houver um policial por perto para protegê-los. Se você quer ser um lobo, tudo bem, mas os cães pastores o caçarão e você não terá nunca descanso, segurança, confiança ou amor. Mas se você quiser ser um cão pastor andar no caminho do guerreiro, então você deve tomar uma decisão consciente diária de dedicar-se, equipar-se e preparar-se para aquele momento tóxico, corrosivo, quando o lobo vem bater em sua porta.

Quantos policiais, por exemplo, levam armas para a igreja? Elas estão bem escondidas em coldres de tornozelo, coldres de ombro, dentro dos cintos ou nas costas. A qualquer hora em que você estiver no culto ou na missa, há uma boa chance que um policial na sua congregação esteja armado. Você nunca saberia se havia ou não um indivíduo assim em seu local de adoração, até que o lobo aparece para massacrar você e as pessoas que você ama.

Eu estava treinando um grupo de policiais no Texas e, durante o intervalo, um policial perguntou a seu amigo se ele levava a arma para a igreja. O outro respondeu "Eu nunca vou desarmado à igreja". Eu perguntei porque ele tinha uma opinião tão firme a esse respeito, e ele me contou a respeito de um policial que ele conhecia que estava em um massacre em uma igreja em Fort Worth, Texas, em 1999. Nesse incidente, uma pessoa desequilibrada mentalmente entrou na igreja e abriu fogo, matando quatorze pessoas. Ele disse que o policial acreditava que ele podia ter salvado todas as vidas naquele dia se ele estivesse carregando sua arma. Seu próprio filho foi atingido, e tudo o que ele pôde fazer foi atirar-se sobre o corpo do garoto e esperar a morte. Aquele policial me olhou nos olhos e disse: "Você tem idéia do quão difícil é viver consigo mesmo depois disso?"

Alguns ficariam horrorizados se soubessem que esse policial estava na igreja armado. Eles o chamariam de paranóico e provavelmente o admoestariam. Ainda assim, esses mesmo indivíduos ficariam enfurecidos e pediriam que "cabeças rolassem" se descobrissem os air bags de seus carros estavam defeituosos, ou que os extintores de incêndio nas escolas de seus filhos não funcionavam. Eles podem aceitar o fato que fogo e acidentes de trânsito podem acontecer e que devem haver medidas de segurança contra eles.

A única resposta deles ao lobo, no entanto, é a negação, e, freqüentemente, sua única resposta ao cão pastor é a chacota e o desdém. Mas o cão pastor pergunta silenciosamente a si mesmo "Você tem idéia do quão duro seria viver consigo mesmo se seus entes queridos fossem atacados e mortos, e você ficasse ali impotente porque está despreparado para aquele dia?"

O guerreiro deve remover a negação de seu pensamento. O instrutor Bob Lindsey, famoso na área de policiamento, diz que guerreiros precisam praticar pensando: "quando/então", não "se/quando". Ao invés de dizer, "Se isso acontecer, é quando eu vou agir", o guerreiro diz, "Quando isso acontecer, então eu vou estar pronto".

É negação que transforma as pessoas em ovelhas. Ovelhas são psicologicamente destruídas pelo combate porque sua única defesa é a negação, o que é contraproducente e destrutivo, resultando em medo, impotência e horror quando o lobo aparece.

A negação mata você duas vezes. Mata uma, no momento da verdade, quando você não está fisicamente preparado: você não trouxe sua arma, não treinou. Sua única defesa era o pensamento positivo. Esperança não é uma estratégia. A negação te mata uma segunda vez porque mesmo que você sobreviva fisicamente, você fica psicologicamente destroçado pelo seu medo, impotência e horror na hora da verdade.

Chuck Yeager, piloto de testes e primeiro homem a voar mais rápido do que a velocidade do som, sabia que poderia morrer. Mas para ele não havia a negação. Ele não se permitia o luxo da negação. Esta aceitação da realidade pode causar medo, mas este medo saudável, se controlado é o que irá mantê-lo vivo:

"Eu estava sempre com medo de morrer. Sempre. Era o meu medo que me fazia aprender tudo o que eu podia sobre o meu avião e o meu equipamento de emergência, que me manteve voando e respeitando minha máquina e sempre alerta na cabina".
Brigadeiro-General Chuck Yeager

Gavin de Becker coloca dessa maneira em "Fear Less", seu soberbo livro escrito após o 11 de Setembro, leitura requerida para qualquer um tentando entender a atual situação global: "... A negação pode ser sedutora, mas ela tem um efeito colateral insidioso. Apesar de toda a paz de espírito que aqueles que negam a realidade supostamente alcançam por dizerem que as coisas não são tão sérias assim, a queda que eles sofrem quando ficam cara a cara com a violência é muito mais perturbadora".

A negação é uma situação de "poupe agora pague mais tarde", uma enganação, um contrato escrito só em letras miúdas. Em longo prazo, a pessoa que nega acaba conhecendo a verdade em algum nível.

Assim, o guerreiro deve lutar para enfrentar a negação em todos os aspectos de sua vida, e preparar-se para o dia em que o "Mal" chegará.

Se você é um guerreiro que é legalmente autorizado a carregar uma arma e você sai sem levar essa arma, então você se transforma em uma ovelha, fingindo que o homem mau não virá hoje. Ninguém pode estar ligado 24 horas por dia, 7 dias por semana, a vida inteira. Todos precisam de tempo de repouso. Mas se você está autorizado a portar uma arma e você sai sem ela, respire fundo e diga para si mesmo:

"BÉÉÉÉÉÉÉ..."

Essa história de ser uma ovelha ou um cão pastor não é uma questão de sim ou não. Não é um tudo ou nada. É uma questão de degraus, um continuum. De um lado está uma desprezível ovelha com a cabeça totalmente enfiada na terra, e no outro lado está o guerreiro completo. Poucas pessoas existem que estão completamente em um lado ou outro. A maioria de nós vive no meio termo. Desde 11 de Setembro de 2001, quase todos na América deram um passo acima nesse continuum, distanciando-se da negação. A ovelha deu alguns passos na direção de aceitar e apreciar seus guerreiros, e os guerreiros começaram a tratar seu trabalho com mais seriedade. O grau para o qual você se move nesse continuum, para longe da "ovelhice" e da negação, é o grau no qual você estará preparado para defender-se e a seus entes queridos, fisicamente e psicologicamente, na hora da verdade.



O Tenente-Coronel Dave Grossman do Exército norte-americano (Reserva), é um estudioso em segurança reconhecido internacionalmente, autor, soldado e orador, é um dos principais especialistas mundiais nos campos da agressividade humana, origens da violência e sobre os crimes violentos. O Cel Grossman é também professor de Psicologia e Ciência Militar na Academia Militar dos EUA (USMA-West Point), serviu como oficial da infantaria pára-quedista no 75º Regimento Ranger do Exército dos Estados Unidos (importante tropa de elite), estas experiências somadas o levaram a fundar um empreendimento no campo científico, denominado "Killology". Área esta, a qual o Cel Grossman vem provocando algumas transformações revolucionárias, oferecendo novas contribuições para entendermos como é matar na guerra, os custos da guerra psicológica, as causas do "vírus" atual de violenta criminalidade que se espalha pelo mundo e o processo de cura, tanto na guerra como na paz. É também autor dos livros "On Killing", indicado para o Prêmio Pulitzer e "On Combat". Para conhecer mais sobre o trabalho do Cel Grossman visite seu site " Grossman Academy ".



Trecho do livro "On Combat: The Psychology and Physiology of Deadly Conflict in War and in Peace (2004) (ISBN 0-9649205-1-4)"








A ESQUERDA TE ODEIA.


Saturday, November 26, 2016













































Epitáfio no túmulo de Fidel Castro: "Foi uma tragédia para o gênero humano que tal homem tenha existido".

Finalmente o mundo foi libertado do barbudo e cruel ditador, Fidel Alejandro Castro Ruz. Castro, 90 anos, morreu quando seu ânus artificial teve problemas e explodiu, não havendo mais condições de ser reconstruido. Os médicos disseram que ele estava há dias com dor intensa no ânus e que nada podiam fazer para aliviar o sofrimento do paciente por falta de morfina, devido ao embargo imposto pelos EUA. Antes disso, o hospital havia sido evacuado devido ao forte cheiro emanado pelos regurgitos excrementícios do ditador, que já eram sentidos em toda Havana.

Foto: O ânus artificial de Fidel, logo após ser
implantado por um famoso cirurgião espanhol.
































Notícias recentes vindas diretamente do inferno dão conta que Castro já se adaptou muito bem às instalações oferecidas e está desfrutando a companhia de seus queridos amigos Che Guevara, Josef Stalin, Mao Tse-tung, Karl Marx, Vladimir Lenin, Néstor Kirchner, Antonio Gramsci e claro seu filhote Hugo Chávez. Disse ainda, estar ansioso para se reencontrar com seu irmão Raúl e seus mais diletos amigos, Lula, Morales, Correa, Bachelet, Dilma vulga "Janete" e Cristina Kirchner, o mais breve possível. Tomara!



O Último Charuto de Fidel: Um Obituário
por Mario Guerreiro

Em 12/8/1926, em Birán, leste de Cuba, numa família de latifundiários abastados, nasceu Fidel Alejandro Ruiz Castro, mais tarde conhecido como Fidel Castro. Em 1945 – como todo jovem latino-americano desejoso de por um anel de rubi no dedo e ser chamado de "dotô" - entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de Havana. Mas, em vez de assistir aulas regularmente, fez como o sub-comandante Zé Dirceu mais tarde faria: tornou-se ativista estudantil, fervoroso militante da Federação Estudantil Universitária. E como todo mundo sabe, quem estuda não tem tempo para fazer política universitária e vice-versa.

Em 1952, protestou contra o golpe de Estado dado por Fulgencio Batista cujo governo foi marcado pela violência e repressão, somente superável pelo regime ditatorial instalado em Cuba 7 anos mais tarde. No ano seguinte, em 26 de julho de 1953, Fidel reuniu uma dúzia de desordeiros, desajustados, desesperados e despreparados, formou um exército Brancaleone e - montado em Aquilante, bestia della mala sorte - atacou o quartel de Moncada em Santiago de Cuba. Foi uma verdadeira temeridade que os destemperados chamam de "coragem".

Seu objetivo era se apossar de armas militares do segundo maior arsenal do país. E é escusado dizer que o referido assalto foi uma quixotada das boas. Fidel conseguiu fugir, mas foi preso 8 dias mais tarde, levado a julgamento e justamente condenado a 15 anos de prisão. E os teria cumprido integralmente, apesar de existência dessa excrescência demagógica jurídica chamada "redução de pena por bom comportamento". (Ora, comportar-se bem é um dever do detento e ninguém deve ser recompensado por cumprir seu dever. Deve, isto sim, ser punido por não o cumprir, ou seja: mau comportamento, pena aumentada. Dura lex sed lex!) Xô Michel Foucault! Vade retro!

Advogado que era, Fidel fez questão de assumir sua própria defesa, posteriormente transformada em livro: A História me Absolverá. Se a história o absolverá ou não, tudo depende de todos os países do mundo se tornarem comunistas ou não. Mas a flácida e complacente Justiça cubana - como todas da América Latina sabem ser – não o absolveu: concedeu-lhe anistia em 1955. Ah! Se arrependimento matasse...

Tão logo anistiado, Fidel foi trabalhar como advogado pela primeira vez na vida, minto: fundou o Movimento Revolucionário 26 de Julho. Partiu então para o exílio no México de Pancho Villa, Zapata, Carranza e outros outrora combatentes de La Cucaracha, que ya no podía caminar, porque le faltaba marijuana que fumar. Foi aí que Fidel conheceu o-médico-e-o-monstro argentino Ernesto Che Guevara – criminoso patológico, que se comprazia em executar aqueles que ele mesmo condenava em tribunais populares; mas hoje símbolo da menopausa e estampa preferida de T-shirts de adolescentes do tipo: Hay gobierno, soy contra!

Em 1956, Castro decidiu voltar a Cubanacan, misterioso país del amor. Persuadiu o dono de um vetusto e carcomido iate, Stultifera Navis, a levá-lo do México para a Ilha, onde pretendia desembarcar e desembarcou de fato com 81 homens armados, para fazer La Revolución. Viva José Marti! Viva Marx ! Viva la tontería!

Curioso que o nome da referida embarcação era Granma (forma abreviada de grand-mother, em inglês, querendo dizer: "vovozinha"). Posteriormente, não podendo chamar o jornal do PCC de Pravda (em russo: "A Verdade"), só porque já existia um assim chamado, e na ausência de melhor nome para o pasquim: chamaram-no de Granma e reconheceram a sábia advertência de Fidel: "Mais do que um jornal é desperdício de papel".

Isto é que é governante preocupado com gastos extravagantes e supérfluos, geradores de déficit público! Admirável exemplo a ser seguido! Principalmente por portadores de cartão corporativo, como nossa primeira dama e nosso primeiro cavalheiro, aficionados ambos de um irrefreável consumismo. Quem nunca comeu melado quando se lambuza...mas quem paga a conta é o Velho Zuza, este grande otário chamado pelos políticos de "o contribuinte". De fato, ele contribui demais para uma festança para a qual jamais é convidado.

Em 1959, finalmente, Fidel desceu a Sierra Maestra e, só para festejar melhor o réveillon, em 1.o de janeiro de 1959 entrou vitorioso em La Habana com os barbudos cantando: Guantanamera, Guajira, Guantanamera (bis). Yo soy un hombre sincero, de donde nascen las palmas, etc. Conta-se que foi justamente aí que um famoso cantor de rumbas maneras, mambos calientes y otras cositas más, vendo a apoteótica entrada do hirsuto velhaco e seus hirsutos asseclas, proclamou: "Só se salvarão os que souberem nadar". Atualmente, ele é conhecido em Cubanacan como El Profeta.

No ano seguinte Fidel proferiu, pela primeira vez, um refrão que repetiria milhares de vezes em seus infindáveis discursos: Pátria o muerte, venceremos! (variação: Socialismo o muerte!) e para desfazer qualquer dúvida quanto à sua adesão ao comunismo, restabeleceu relações diplomáticas com a URSS firmando uma aliança político-econômica pela qual foi regiamente recompensado, uma vez que Cuba – incapaz de produzir máquinas de lavar roupa, bicicletas, liquidificadores e coisas do gênero - foi sustentada por aquela de quem foi teúda e manteúda, a URSS, até a dissolução da mesma como Sonrisal em copo d’água, no Annus Mirabilis de 1991. Marx estava certo: "Tudo que é sólido se dissolve no ar". (vide Manifesto do Partido Comunista).

E a revista Forbes insiste em afirmar que, após 50 anos de revolução, Cuba não enriqueceu...não enriqueceu seu povo, pois seu líder supremo - mesmo não sendo grande empresário no ramo da informática – tornou-se o Bill Gates do Caribe.

Bastou um ano para que, em 1961, os Estados Unidos, percebendo a aproximação de Fidel do comunismo – e não nos esqueçamos jamais que estávamos em pleno bipolarismo da Guerra Fria! - rompeu relações com Cuba, que neste mesmo ano declarou-se seguidora fiel do marxismo-leninismo-stalinismo. Sweet Jesus!

No ano seguinte, veio a Crise dos Mísseis. Descobrindo mísseis instalados em Cuba e apontando para os Estados Unidos, JFK exigiu a retirada dos mesmos. Depois de alguma relutância, Nikita Krushev acabou concordando, só para contrariar Fidel, que levou um puxão de orelha por sua reação passional à sensata medida do Primeiro-Ministro soviético. Ou seja: Advertido pelo mesmo de que a presença de mísseis em Cuba, poderia acabar desencadeando uma guerra atômica de proporções planetárias, Fidel teria dito: "Não me importa que Cuba saia do mapa, contanto que leve junto com ela El Monstruo" (Leia-se: os Estados Unidos) – o que é uma clara revelação de suas tendências ególatras, narcisistas e autodestrutivas, totalmente indiferentes à vida de seu próprio povo.

Em 1975, finalmente, graças aos poderes de Greyskull e da lógica dialética, Cuba tornou-se o maior país do mundo: tinha sua capital em Moscou, seu exército na África e seu povo livre em Miami. Influenciado pela malfadada idéia trotskysta de "revolução permanente" – idéia esta que lhe valeu o exílio para o México da bela e irresistível Frieda Kahlo por quem o ex-Comandante do Exército Vermelho expurgado se apaixonou perdidamente - Fidel exportou La Revolución primeiramente para a África e posteriormente para a América do Sul, começando pela Bolívia, onde foi delatado e deletado o Che, deixando muitas lacrimosas viúvas em toda a América Lat(r)ina. (O local de sua morte hoje é um santuário com peregrinações maiores do que as feitas ao mausoléu de Rodolfo Valentino, o mais famoso Latin lover de Hollywood depois de El Zorro, digo: Antonio Banderas).

Em1980, já se podiam notar os primeiros efeitos do mencionado empreendimento exportacionista: em maio, uma primeira leva de 120.000 cubanos foram autorizados a inaugurar o êxodo para os Estados Unidos, coisa posteriormente proibida, de modo a evitar o esvaziamento populacional de Cubanacan, misterioso país del amor. Número maior do que o mencionado acima é o dos mortos e presos pela Revolución, malgrado Fidel ter assegurado a um jornalista cor-de-rosa brasileiro: "En Cuba no hay prisioneros políticos, hay inimigos de la revolución!" Convenhamos que esta é uma ótima piada...de humor negro, perdão: "negro" não, "macabro", para ser politicamente correto.

Em 1985, o rei indicou o príncipe para ocupar o trono, perdão: Fidel indicou Raúl, seu irmão, para sucedê-lo no posto de El Coma Andante. Daí para diante, membros notáveis de nossa esquerda festiva não poderiam mais fumar um charuto com Fidel Castro, não porque não desejassem assim fazer e o próprio assim não quisesse, mas sim porque ele abandonou o tabagismo a conselho médico. Mas, quem será? Quem será? Quem será que dançou o último tango em Paris, ou seja: que fumou o último charutão com El Coma Andante? Lulla, Chico Buarque, Oscar Niemeyer, o sub-comandante Marcos de Chiapas ou sub-comandante Zé Dirceu da Bruzundanga???

Na década de 90, Cuba esteve às portas da miséria com o fim da mesada dada pela União Soviética. Porém, é de bom alvitre sempre lembrar que, em 30 anos de aliança com Cuba, a União Soviética nada fez pelo desenvolvimento socioeconômico do país, que continuou sendo um país agrário produtor de tabaco, açúcar e rum. Além disso, a revista Forbes insiste em asseverar que, após 50 anos de revolução, Cuba não enriqueceu...não enriqueceu seu povo, mas sim seu líder supremo que - mesmo não sendo grande empresário no ramo da informática – tornou-se o Bill Gates do Caribe.

O mesmo está fazendo Lulla, ao criar eternos dependentes do Bolsa Família num descarado assistencialismo. E pensar que mais de 60% do povo o apóia cegamente... Que se pode fazer? Se não adianta mesmo mudar de governo, só resta a solução de mudar de povo!

Quanto a Cuba, se ela não adotou o regime de livre empresa, ao menos atenuou seu regime de economia puramente estatal, ao criar um de economia mista. Meno male! Criou também resorts para turistas em que a moeda é o dólar. Mais tarde, passou a contar com a ajuda monetária de Hugorila Chávez, o truculento caboclo enrricado de Maracaibo, que entrou no governo com US$ 10 o barril de petróleo e hoje está a mais de US$ 100, fornecendo boa prova de que o dinheiro é ótimo servo, porém péssimo senhor.

Em 1995, El Coma Andante tirou, pela primeira vez, seu quepe, suas botas e seu sua jaqueta verde-oliva, comparecendo de terno e gravata numa reunião da ONU na Dinamarca. E em 1998, recebeu o Papa João Paulo II numa visita histórica a Cuba. Sinais de uma grande mudança? Não, meras simulações de tal coisa em que a primeira foi amplamente superada pela segunda, pois temos de considerar que a maioria do povo cubano era e ainda é católica, independentemente da crença ou descrença de Fidel em matéria de religião.

Na década de 90, com o fracasso do comunismo no leste da Europa, a Internacional Comunista resolveu criar o Fórum de São Paulo, onde seriam elaboradas estratégias gramscianas para a hegemonia vermelha em toda a América do Sul. Isto marcou o surgimento de dois acontecimentos assaz preocupantes: (1) O triste retorno do idiota latino- americano. (2) A formação da Trindade do Mal: Belzebu, Mefistófeles e Ashmodeus, perdão: Castro, Lulla e Chávez.

Finalmente, em 2004, a queda de Fidel!

Após ter feito breve discurso de 6 horas, ele foi descer do palanque e tropeçou, dando com as fuças no chão. Nada grave, porém: fraturou o joelho esquerdo e a perna direita. Para os místicos, inequívoco indício da decadência e do fim. Mas, creiamos ou não neste transcendental sinal, a verdade é que, desde o tragicômico ocorrido, El Coma Andante só tem aparecido na tela da TV cubana de pijama, chinelos e com cara de cachorro fazendo cocô na chuva. Aguardemos, pois, o que fará Raulito de Las Candongas, agora que assumiu o posto de Coma Andante em exercício de Cubanacan.


Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC (Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência), da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos). Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica, membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista e membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de: "Problemas de Filosofia da Linguagem"; "O Dizível e O Indizível"; "Ética Mínima Para Homens Práticos"; "O Problema da Ficção na Filosofia Analítica"; "Ceticismo ou Senso Comum?"; "Deus Existe? Uma Investigação Filosófica" e "Liberdade ou Igualdade".
E-mail: xerxes39@gmail.com


Publicado no site "Parlata".
Segunda-feira, 05 de maio de 2008.



Tuesday, May 10, 2016

O preço do michê.



Saturday, May 07, 2016

Os mais desprezíveis maus-caracteres do planeta!






































Golpe constitucional
por Denis Lerrer Rosenfield

A prudência recomenda a desconfiança. Encenações, mentiras, desmentidos e desmentidos de desmentidos se tornaram o cotidiano dos brasileiros, aflitos com a falta de moralidade reinante na cena pública. O atual governo nem se ruboriza mais com o que faz, tendo desaparecido qualquer resquício de coerência entre o que é dito e o que é feito. O que vale num dia cessa de valer em outro. Não há a menor preocupação com o cumprimento da palavra e a retidão no comportamento. Neste contexto, como situar a discussão sobre um eventual terceiro mandato de Lula, seja sob a forma da pura e simples reeleição (acompanhada ou não de um plebiscito), seja sob a de um “novo” mandato de cinco anos, em que a partida estaria zerada?

Lula está em plena campanha pelo PAC, inaugurando obras inexistentes e criando símbolos, como se assim pudesse passar à opinião pública a idéia de que algo está sendo feito. O que, porém, está sendo feito senão a campanha de si mesmo, a campanha de alguém empenhado num processo eleitoral de promoção de si mesmo?

Não se pode creditar a Lula a virtude da coerência ou o cumprimento da palavra. A palavra só serve como instrumento retórico, de convencimento do “povo”. Eis por que acreditar num líder carismático como Lula é prova de ingenuidade. Ele diz uma coisa e outra sem o menor compromisso com a verdade.

Legítima é, pois, a pergunta: o que faz ele com seus discursos? Desde a sua eleição, jamais abandonou uma postura eleitoral, algumas vezes criticando o governo, como se não fosse o responsável por ele. O que fala é o seu comportamento. O seu fazer é o de alguém que tem um projeto pessoal de poder, pronto a tudo se as condições políticas lhe forem favoráveis. Lula não permanece em Brasília, na rotina própria de um presidente, mas faz campanha em todo o País, recolhendo os frutos de sua popularidade e criando condições para que esta suba ainda mais. Os seus altos índices mostram que o seu “fazer” produz bons resultados. Ele pode dizer pessoalmente que não quer a reeleição, mas, se o “povo” quiser, aí, sim, a coisa seria diferente.

O que está em processo, podendo ou não ser bem-sucedido, é o que poderíamos denominar “golpe constitucional”. Golpe porque se trata de uma mudança abrupta das regras do jogo, feita por um líder carismático que se aproveita de sua alta popularidade e de seu forte apoio em sindicatos (comprados) e movimentos sociais (por ele financiados), visando a alterar completamente os princípios da democracia representativa. Constitucional porque seguiria procedimentos constitucionalmente estabelecidos, aparentemente obedecendo à ordem da legalidade. A aparência de golpe desaparece, haja vista que as formalidades democráticas são mantidas, prescindindo do uso das armas. Trata-se, na verdade, de uma subversão da democracia por meios democráticos.

Uma das condições de um processo desse tipo reside num líder cujo perfil carismático o coloque acima das refregas partidárias e dos conflitos sociais. É precisamente o caso de Lula, que faz um discurso que agrada a empresários e outro, a movimentos sociais, aparentemente dando satisfação a ambos. No que diz respeito a alianças partidárias, elas lhe servem para mostrar que se situa acima do seu jogo. A divisão entre partidos ditos de esquerda e de direita tampouco é observada, pois coexistem em sua base de apoio o PP e o PCdoB, por exemplo. Sob esta ótica, os que se opõem a ele só podem ser “conspiradores”, como se estivessem cometendo um crime de lesa-majestade.

Um líder carismático deve ter uma ampla base social de sustentação. O recente veto à fiscalização pelo Tribunal de Contas da União dos novos recursos concedidos às centrais sindicais mostra toda a sua preocupação em contentar essa sua base. Primeiro, ele lhes concede uma forma específica de financiamento, propiciando-lhes um amplo espectro de atuação. Segundo, esses recursos são de livre utilização, não sendo objeto de nenhuma fiscalização. Desta maneira, os sindicatos estão cada vez mais amarrados ao próprio aparelho de Estado, fazendo parte dele. Os antigos discursos do sindicalista pela autonomia sindical e pelo fim da obrigatoriedade da contribuição sindical são simplesmente “esquecidos”. A meta agora é que todos se tornem igualmente pelegos, instrumentos do seu próprio poder.

Os movimentos sociais cumprem essa mesma função de controle de uma ampla massa de manobra, podendo ser requisitada a qualquer momento. Poderia ser, por exemplo, requisitada para uma ampla mobilização nacional por um plebiscito visando a uma reforma constitucional que permita a introdução da reeleição para um terceiro mandato. O recente episódio de financiamento do MST com verbas do Ministério da Educação é apenas a ponta de um imenso iceberg, que envolve outros Ministérios, como o de Desenvolvimento Agrário e o de Desenvolvimento Social. Os movimentos sociais são financiados pelo governo, que conta com esse grande trunfo. Podem, assim, invadir qualquer propriedade privada, prejudicar o agronegócio, ocupar rodovias e estradas de ferro. Ademais, estão com as mãos livres para agirem segundo as suas conveniências, pois a lei não é a eles aplicada. A impunidade é total.

Dentro desse projeto, é fundamental contar com uma ampla base social, sobretudo de desempregados ou empregados temporariamente, pois estes não são alcançados pelos sindicatos ou o são, imperfeitamente, pelos movimentos sociais. Eis a função cumprida pelo Bolsa-Família, que alavanca a alta popularidade do presidente entre os mais desfavorecidos, que vêem os recursos recebidos como uma forma de sobrevivência. Se seus alimentos são fornecidos pelo presidente, sua vida dele depende. Não convém menosprezar o poder de mobilização que pode estar aqui embutido, e a mobilização eleitoral seria um dos seus fatores.

Todo o cuidado é pouco!


Denis Lérrer Rosenfield, nasceu em 21 de novembro de 1950 em Porto Alegre. Fez seus estudos de graduação em filosofia na Universidade Nacional Autônoma do México e seus estudos de pós-graduação na França, tendo obtido o grau máximo de “Doutor de Estado” pela Universidade de Paris I Panthéon Sorbonne em 1982. É atualmente Professor Titular de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador I-A do CNPq. Autor de vários livros e artigos em português, francês e espanhol, além de professor visitante na França, Alemanha, Argentina e Estados Unidos. Também é articulista dos jornais Estado de São Paulo e O Globo, colaborador da Folha de São Paulo e editor da revista Filosofia Política. Atua também como consultor de análise política para empresas, grupos financeiros, associações empresariais e partidos políticos.
E-Mail: denisrosenfield@terra.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Segunda-feira, 14 de abril de 2008.



Raposa/Serra do Sol - Aos ministros do Supremo – Reinaldo Azevedo

Monday, June 24, 2013

DIAGNÓSTICO DE PSICOPATIA – Parte 1





Tomando como ponto de partida o fato de que "o movimento" teve como seus criadores e mentores o Foro de São Paulo e a elite globalista condensada simbolicamente na pessoa do sr. George Soros, o seu objetivo geral já foi declarado muito antes de que o movimento eclodisse.

Caos e estratégia (I)
por Olavo de Carvalho

Nossos liberais e conservadores lêem Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek e, vendo que eles tratam o marxismo como uma pseudo-ciência econômica, concluem alegremente que ele não vale nada, não merece maior atenção. Acontece que o marxismo enquanto ciência e técnica da ação revolucionária não depende em nada da "base econômica" que nominalmente o sustenta. Essa ciência e essa técnica são de uma exatidão assustadora e não podem ser compreendidas só com a leitura dos "pais fundadores" do movimento ou com a da sua crítica liberal: requer o acompanhamento de toda uma evolução do pensamento estratégico marxista, que começa com Marx e se prolonga até Saul Alinsky e Ernesto Laclau. Este último, invertendo a fórmula clássica das relações entre "infra-estrutura" e "super-estrutura", propõe abertamente a tese de que a propaganda revolucionária cria livremente a classe da qual em seguida se denominará representante. Maior independência de toda "base econômica" não se poderia conceber. Aqueles que imaginam ter dado cabo do marxismo tão logo refutaram seus princípios econômicos se acreditam muito realistas, porque eles próprios são crentes devotos da "base econômica" do acontecer político, a qual os próprios marxistas já superaram há muito tempo. O marxismo deve ser estudado, em primeiro lugar, como uma "cultura", no sentido antropológico do termo. Remeto os interessados a três artigos em que resumo o que penso a respeito (v. A natureza do marxismo, Marxismo esotérico e Diferenças específicas). Em segundo lugar, deve ser estudado como ciência e técnica da ação revolucionária, da intervenção ativa da elite revolucionária na sociedade e na história. Essa ciência é tão veraz, e a técnica que nela se arraiga é tão eficiente, que delas resulta este fato, tão fundamental entre todos e tão solenemente ignorado pelos críticos do marxismo: há pelo menos um século e meio o comunismo é o único – repito: o único – movimento político organizado unitariamente em escala mundial e dotado de uma consciência clara da sua continuidade, bem como das suas metamorfoses estratégicas. Todos os seus pretensos adversários e concorrentes são fenômenos locais, inconexos e passageiros, espalhados no tempo e no espaço como grãos de poeira soltos no vento, incapazes não só de fazer face ao rolo compressor do movimento comunista, mas até de enxergá-lo como um todo.

Sem nenhuma presunção de expor aqui o fenômeno no seu conjunto, mas raciocinando antes em função exclusiva dos últimos acontecimentos no Brasil, destaco adiante alguns pontos que, se não forem levados em conta, tornarão inviável qualquer tentativa de compreender os lances mais recentes da história continental e nacional.

O primeiro desses pontos é o seguinte: nenhuma ação comunista tem jamais – repito: jamais – um objetivo único e linear. Todas as decisões do comando estratégico comunista são sempre de natureza dialética e experimental. De um lado, jogam sempre com uma multiplicidade de forças em conflito, não interferindo jamais no quadro antes de ter uma visão bem clara das contradições em jogo e dos múltiplos sentidos em que elas podem ser trabalhadas. Sob esse aspecto, o pensamento marxista não mudou muito desde o começo. Apenas aprimorou formidavelmente a sua visão das contradições, integrando no seu retrato mental da sociedade inúmeros tipos de conflitos novos que ou não existiam no tempo de Marx ou ele não julgou relevantes; por exemplo, o conflito entre os impulsos sexuais e a ordem social, ou entre pais e filhos. De outro lado, a essa visão dialética cada vez mais sutil e aprimorada o marxismo acrescenta o caráter experimental e não dogmático de todas as suas decisões e ações estratégicas. A articulação de dialética e experimentalismo permite que as ações do movimento comunista se beneficiem, por um lado, de uma multiplicidade de direções simultâneas que desnorteiam o adversário, e, por outro, de uma capacidade de agir por avanços e recuos mediante contínuas e não raro velocíssimas mudanças de rumo.

Quem quer que, ao analisar a recente explosão de protestos, concentre sua atenção nas reivindicações nominais – redução das tarifas de transporte público, "mais educação", "mais saúde" etc. – para discutir sua justiça e viabilidade já prova, só nisso, sua total incompetência para lidar com o assunto. Mas quem quer que, furando essa primeira barreira de aparências, procure encontrar por trás delas um objetivo determinado e único que explique o conjunto, se engana talvez ainda mais desastrosamente.

Se os protestos têm um objetivo político determinado, este só é definido, na mente dos seus planejadores estratégicos maiores, em termos muito gerais e vagos. Gerais e vagos o bastante para admitir, a cada momento, novas e – para o adversário – imprevistas mudanças de rumo.

Tomando como ponto de partida o fato de que "o movimento" teve como seus criadores e mentores o Foro de São Paulo e a elite globalista condensada simbolicamente na pessoa do sr. George Soros, o seu objetivo geral já foi declarado muito antes de que o movimento eclodisse e não requer nenhum esforço especial de interpretação. Trata-se, em resumo, de encerrar a fase "de transição" e partir para a "ruptura" ou destruição ativa de um "sistema" já cambaleante e debilitado pela onipresente "ocupação de espaços". Os slogans escolhidos para instigar a massa não têm, em si, a mais mínima importância. Podem ser trocados a qualquer momento, conforme o rumo que as coisas vão tomando. A técnica da mutação também não é rígida, mas adapta-se velozmente a uma conjuntura em constante transformação; transformação que o próprio movimento acelera por sua vez. Não se trata, portanto, de alcançar este ou aquele objetivo concreto em particular, mas de operar com um leque de possibilidades em aberto e conservar, na medida do possível, algum controle do conjunto.

Essas possibilidades são exploradas simultaneamente e, conforme uma ou outra se revele mais viável ou mais problemática, será intensificada ou refreada pelo comando do processo. As mais importantes, a meu ver, são as seguintes:

(a) Trocar a própria liderança visível da esquerda, substituindo os agentes da "transição" pelos agentes da "ruptura", decididos a ações mais drásticas.

(b) Espalhar o caos para justificar medidas de força, aproveitando para, no mesmo ato, testar os "agentes de transição": se conseguirem controlar repressivamente a situação e aumentar o poder do grupo dominante, sobreviverão; caso contrário, serão trocados.

(c) Incitar à ação pública as forças antagônicas (cristãos, patriotas, conservadores etc.), para mapeá-las e averiguar as possibilidades de controlá-las ou extingui-las.

(d) Caso a evolução do movimento se mostre majoritariamente favorável aos objetivos dos planejadores, fomentá-lo ainda mais para que a própria ação da militância enragée adquira autonomia e conquiste autoridade por si própria, transmutando-se em nova estrutura de governo.

Esta possibilidade, a mais ostensivamente "revolucionária", parece já ter sido excluída, na medida em que as forças antagônicas, malgrado sua total desorganização e ausência de comando, se mesclaram ao movimento, ocuparam as praças públicas e acabaram, em certos casos, por acuar e sobrepujar a militância esquerdista.

O próprio comando da esquerda militante ordenou que as manifestações cessassem, o que imediatamente deixa o campo livre para as massas antagônicas e favorece, ipso facto, a adoção da via repressiva para estrangular a ameaça de um "golpe teocrático e fascista". Se esse estrangulamento tomará a forma de uma repressão policial violenta ou de um simples incremento do aparato de investigação e controle social, é cedo para dizer.

O detalhe mais importante, aí, é que as forças antagônicas se constituem exclusivamente de massas amorfas e desorganizadas, sem o mais mínimo comando estratégico e até sem aquelas figuras de heróis improvisados que um erro terminológico denomina "líderes", quando o certo seria chamá-los apenas de "símbolos aglutinadores". Essa massa é numericamente superior, seja à militância organizada do Foro de São Paulo, seja às tropas de arruaceiros subsidiadas pelo sr. George Soros. Sua presença nas ruas, bem como a vaia multitudinária que despejou sobre a presidenta Dilma Rousseff, são, no sentido mais estrito do termo, explosões espontâneas e anárquicas no mais alto grau, contrastando, nisso, com a ação bem planejada dos militantes do outro lado, que ocupam o espaço público armadas de instruções precisas, de slogans bem ensaiados (em Brasília, viu-se até o texto de uma convocatória inteira recitado em côro pela multidão). Desse modo, o que se viu nas ruas não foi uma competição entre forças de um mesmo gênero – duas militâncias, duas ideologias, duas forças políticas –, mas entre dois tipos de multidão radicalmente heterogêneos: a massa e a militância, a revolta confusa e a ação premeditada.

Quem não levar em conta esses fatores não entenderá absolutamente nada do que está acontecendo e estará privado até da mera possibilidade teórica de uma ação conseqüente.


O que acabo de dizer pode levar o leitor surpreso a concluir que no meu entender, ou mesmo na realidade das coisas, os mentores do movimento comunista são gênios fora do comum, capazes de pensar em todas as alternativas ao mesmo tempo e de manejar todas as peças do tabuleiro.

Decerto não é bem assim. Comparado com a vastidão do seu alcance, o movimento comunista teve um número relativamente pequeno de gênios estratégicos, a começar por Lênin e Stálin, e um número um pouco maior mas nada notável de talentos estratégicos secundários, como Saul Alinsky, Ernesto Laclau ou a dupla Cloward & Piven. Mas algumas regras explícitas e tácitas que esses e outros seguiram acabaram por se incorporar à "cultura" comunista, isto é, a um conjunto de hábitos reflexos de pensamento compartilhados por toda a militância, que os assimila sem grande exame crítico, às vezes até num nível semiconsciente e pré-verbal. Isso quer dizer que essas regras transparecerão nebulosamente na conduta de líderes e militantes como as regras da gramática transparecem, deformadas mas não abolidas, na fala de quem nunca estudou gramática.

Não é preciso dizer que, na passagem dos princípios estratégicos explícitos e criticamente elaborados às regras semiconscientes automatizadas, o que era tirocínio estratégico se rebaixa ao estatuto de cacoetes mentais e de uma espécie de estupidez astuta; a complexidade do raciocínio dialético aparece agora como pensamento dúplice e escorregadio, uma espécie de incompreensão maliciosa que tudo deforma, mas deforma num sentido coerente com os propósitos gerais do movimento comunista e benéfico aos interesses do Partido.

Quem estudou o livro do psiquiatra polonês Andrew Lobaczewski, Political Ponerology, reconhecerá aí a queda de nível desde uma liderança original psicopática a uma classe de epígonos histéricos. A psicopatia é compatível com elevado grau de inteligência e aguda consciência da situação real. O epigonato histérico copia a conduta psicopática sem compreendê-la muito bem e, por isso, não diferencia claramente o diagnóstico objetivo da situação e o discurso de auto-identidade partidária. Dito de outro modo: não percebe muito bem quando está descrevendo uma situação objetiva e quando a está deformando para reforçar o sentimento de unidade da militância, fomentar o ódio ao inimigo ou persuadir a militância a seguir determinada linha de ação. O psicopata, quando mente, sabe que mente. No histérico, a mentira conveniente já se interiorizou ao ponto de não poder ser discernida como tal. O resultado é que uma visão totalmente falsa da situação pode, paradoxalmente, produzir uma ação relativamente eficiente, na medida em que reflete ainda, de longe e obscuramente, a visão estratégica originária. É como se disséssemos que o epígono ou militante histérico é louco, mas não rasga dinheiro: tem uma visão deformada da realidade, mas deformada num sentido que, por força dos automatismos acumulados na cultura comunista e da sua raiz longínqua numa visão estratégica consciente, ainda favorece a ação partidária.

Um exemplo claríssimo desse fenômeno é o recente pronunciamento do sr. Valter Pomar, reproduzido abaixo como Apêndice 2.

Ele começa assim: "Quem militou ou estudou os acontecimentos anteriores ao golpe de 1964 sabe muito bem que a direita é capaz de combinar todas as formas de luta."

Historicamente isso é falso. A direita brasileira nunca teve, por exemplo, um partido de massas ou uma militância adestrada e organizada. Muito menos teve uma rede mundial de partidos aliados, uma "internacional". Nem teve uma rede organizada de editoras de livros como o Partido Comunista sempre teve. E, durante todo o tempo de ocupação esquerdista do governo, nunca teve à sua disposição centenas de jornais "nanicos" como a esquerda teve durante o regime militar. Muito menos uma militância estudantil significativa. Muitas são as "formas de luta" que lhe faltaram e faltam.

Pomar não parece ter a mínima consciência disso. No entanto, tomar a falsidade como um fato ajuda a fortalecer a unidade da militância esquerdista pelo temor a um inimigo comum evocado de um passado quase mítico.

Pomar não está mentindo intencionalmente. Está mesclando e confundindo os dois níveis de discurso – a descrição da realidade e o apelo à unidade do grupo ouvinte –, como é próprio dos epígonos histéricos e da "estupidez astuta" a que me referi, quase que uma "deficiência eficiente", expressão paradoxal que corresponde à natureza paradoxal do fenômeno mesmo.

[Continua]


Olavo Luís Pimentel de Carvalho nasceu em Campinas, SP em 29/04/1947 é escritor, jornalista, palestrante, filósofo, livre pensador e intelectual, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros, publica regularmente seus artigos nos jornais "Diário do Comércio", "Jornal do Brasil" e no site "Mídia Sem Máscara", além de inúmeros outros veículos do Brasil e do exterior. Já escreveu vários livros e ensaios, sendo que o mais discutido é "O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras" de 1996, que granjeou para o autor um bom número de desafetos nos meios intelectuais brasileiro, mas também uma multidão de leitores devotos, que esgotaram em três semanas a primeira edição da obra, e em quatro dias a segunda. Atualmente reside em Richmond-Virginia, EUA onde mantém o site "Olavo de Carvalho" em português e inglês, sobre sua vida, obras e idéias. E-mail: olavo@olavodecarvalho.org


Publicado no site "MÍDIA SEM MÁSCARA" – Artigos-Movimento Revolucionário.
Segunda-feira, 24 de junho de 2013.




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Monday, June 17, 2013

Ignorance isn't bliss

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Thursday, April 25, 2013

GLOBAL AFFAIRS - Anarchy and Hegemony



April 17, 2013 | 0901 GMT
Anarchy and Hegemony
By Robert D. Kaplan
Chief Geopolitical Analyst

Everyone loves equality: equality of races, of ethnic groups, of sexual orientations, and so on. The problem is, however, that in geopolitics equality usually does not work very well. For centuries Europe had a rough equality between major states that is often referred to as the balance-of-power system. And that led to frequent wars. East Asia, by contrast, from the 14th to the early 19th centuries, had its relations ordered by a tribute system in which China was roughly dominant. The result, according to political scientist David C. Kang of the University of Southern California, was a generally more peaceful climate in Asia than in Europe.

The fact is that domination of one sort or another, tyrannical or not, has a better chance of preventing the outbreak of war than a system in which no one is really in charge; where no one is the top dog, so to speak. That is why Columbia University's Kenneth Waltz, arguably America's pre-eminent realist, says that the opposite of "anarchy" is not stability, but "hierarchy."

Hierarchy eviscerates equality; hierarchy implies that some are frankly "more equal" than others, and it is this formal inequality -- where someone, or some state or group, has more authority and power than others -- that prevents chaos. For it is inequality itself that often creates the conditions for peace.

Government is the most common form of hierarchy. It is a government that monopolizes the use of violence in a given geographical space, thereby preventing anarchy. To quote Thomas Hobbes, the 17th century English philosopher, only where it is possible to punish the wicked can right and wrong have any practical meaning, and that requires "some coercive power."

The best sort of inequality is hegemony. Whereas primacy, as Kang explains, is about preponderance purely through military or economic power, hegemony "involves legitimation and consensus." That is to say, hegemony is some form of agreed-upon inequality, where the dominant power is expected by others to lead. When a hegemon does not lead, it is acting irresponsibly.

Of course, hegemony has a bad reputation in media discourse. But that is only because journalists are confused about the terminology, even as they sanctimoniously judge previous historical eras by the strict standards of their own. In fact, for most of human history, periods of relative peace have been the product of hegemony of one sort or another. And for many periods, the reigning hegemonic or imperial power was the most liberal, according to the standards of the age. Rome, Venice and Britain were usually more liberal than the forces arranged against them. The empire of the Austrian Hapsburgs in Central and Eastern Europe often protected the rights of minorities and prevented ethnic wars to a much greater degree than did the modern states that succeeded it. The Ottoman Empire in the Balkans and the Middle East frequently did likewise. There are exceptions, of course, like Hapsburg Spain, with its combination of inquisition and conquest. But the point is that hegemony does not require tyrannical or absolutist rule.

Stability is not the natural order of things. In fact, history shows that stability such as it exists is usually a function of imperial rule, which, in turn, is a common form of hierarchy. To wit, there are few things messier in geopolitics than the demise of an empire. The collapse of the Hapsburgs, of the Ottoman Turks, of the Soviet Empire and the British Empire in Asia and Africa led to chronic wars and upheavals. Some uncomprehending commentators remind us that all empires end badly. Of course they do, but that is only after they have provided decades and centuries of relative peace.

Obviously, not all empires are morally equivalent. For example, the Austrian Hapsburgs were for their time infinitely more tolerant than the Soviet Communists. Indeed, had the Romanov Dynasty in St. Petersburg not been replaced in 1917 by Lenin's Bolsheviks, Russia would likely have evolved far more humanely than it did through the course of the 20th century. Therefore, I am saying only in a general sense is order preferable to disorder. (Though captivating subtleties abound: For example, Napoleon betrayed the ideals of the French Revolution by creating an empire, but he also granted rights to Jews and Protestants and created a system of merit over one of just birth and privilege.)

In any case, such order must come from hierarchal domination.

Indeed, from the end of World War II until very recently, the United States has performed the role of a hegemon in world politics. America may be democratic at home, but abroad it has been hegemonic. That is, by some rough measure of international consent, it is America that has the responsibility to lead. America formed NATO in Europe, even as its Navy and Air Force exercise preponderant power in the Pacific Basin. And whenever there is a humanitarian catastrophe somewhere in the developing world, it is the United States that has been expected to organize the response. Periodically, America has failed. But in general, it would be a different, much more anarchic world without American hegemony.

But that hegemony, in some aspects, seems to be on the wane. That is what makes this juncture in history unique. NATO is simply not what it used to be. U.S. forces in the Pacific are perceived to be less all-powerful than in the past, as China tests U.S. hegemony in the region. But most importantly, U.S. President Barack Obama is evolving a doctrine of surgical strikes against specific individuals combined with non-interference -- or minimal interference -- in cases of regional disorder. Libya and Syria are cases in point. Gone, at least for the moment, are the days when U.S. forces were at the ready to put a situation to rights in this country or that.

When it comes to the Greater Middle East, Americans seem to want protection on the cheap, and Obama is giving them that. We will kill a terrorist with a drone, but outside of limited numbers of special operations forces there will be no boots on the ground for Libya, Syria or any other place. As for Iran, whatever the White House now says, there is a perception that the administration would rather contain a nuclear Iran than launch a military strike to prevent Iran from going nuclear.

That, by itself, is unexceptional. Previous administrations have been quite averse to the use of force. In recent decades, it was only George W. Bush -- and only in the aftermath of 9/11 -- who relished the concept of large-scale boots on the ground in a war of choice. Nevertheless, something has shifted. In a world of strong states -- a world characterized by hierarchy, that is -- the United States often enforced the rules of the road or competed with another hegemon, the Soviet Union, to do so. Such enforcement came in the form of robust diplomacy, often backed by a threat to use military power. Richard Nixon, Ronald Reagan and George H.W. Bush were noted for American leadership and an effective, sometimes ruthless foreign policy. Since the Cold War ended and Bill Clinton became president, American leadership has often seemed to be either unserious, inexpertly and crudely applied or relatively absent. And this has transpired even as states themselves in the Greater Middle East have become feebler.

In other words, both the hegemon and the many states it influences are weaker. Hierarchy is dissolving on all levels. Equality is now on the march in geopolitics: The American hegemon is less hegemonic, and within individual countries -- Egypt, Syria, Libya, Iraq, Tunisia and so on -- internal forces are no longer subservient to the regime. (And states like Turkey, Saudi Arabia and Pakistan are not in the American camp to the degree that they used to be, further weakening American hegemony.) Moreover, the European Union as a political organizing principle is also weakening, even as the one-party state in China is under increasing duress.

Nevertheless, in the case of the Middle East, do not conflate chaos with democracy. Democracy itself implies an unequal, hierarchal order, albeit one determined by voters. What we have in the Middle East cannot be democracy because almost nowhere is there a new and sufficiently formalized hierarchy. No, what we have in many places in the Middle East is the weakening of central authority with no new hierarchy to adequately replace it.

Unless some force can, against considerable odds, reinstitute hierarchy -- be it an American hegemon acting globally, or an international organization acting regionally or, say, an Egyptian military acting internally -- we will have more fluidity, more equality and therefore more anarchy to look forward to. This is profoundly disturbing, because civilization abjures anarchy. In his novel Billy Budd (1924), Herman Melville deeply laments the fact that even beauty itself must be sacrificed for the maintenance of order. For without order -- without hierarchy -- there is nothing.

"Anarchy and Hegemony is republished with permission of Stratfor."

Monday, September 03, 2012

CHUCK NORRIS' DIRE WARNING FOR AMERICA





AUDIO TRANSCRIPTION

"We are here to talk about a growing concern we all share," Chuck Norris explains. "If we look to history, our great country and freedom are under attack. We're at a tipping point and, quite possibly, our country as we know it may be lost forever if we don't change the course in which our country is headed."

Gena warns that voter apathy among evangelicals in 2008 may have contributed to Obama's election in the first place.

"With our country at a crossroads, Chuck and I have asked ourselves what we can be doing to help support this great country we're blessed to live in and how we can encourage our like-minded American brothers and sisters to unite and let their voices be heard," she said. "It is estimated that in the 2008 election, 30 million evangelical Christians stayed home on voting day and Obama won the election by 10 million votes."

Chuck cautions Christians about the cost of doing nothing while the nation spirals into a state of socialism from which there will be no return.

"We know you love your family and your freedom as much as Gena and I do," he says in his appeal to Americans. "And it is because of that we can no longer sit quietly or stand on the sidelines and watch our country go the way of socialism or something much worse."

Gena urged Christians to register and cast their votes on Election Day to ensure "our voices will be heard."

Chuck recalled the cautionary words of great patriots on the subject of preserving liberty:

"As Edmund Burke said, 'All that is necessary for the triumph of evil is for good men (and women) to do nothing.'

"Our great president, Ronald Reagan said, 'Freedom is never more than one generation away from extinction. We didn't pass it to our children in the bloodstream. It must be fought for, protected and handed on for them to do the same.'"

Chuck and Gena Norris:

Likewise, Gena noted, "President Reagan went on to say that 'You and I have a rendezvous with destiny. We will preserve for our children this last best hope of man on earth, or we will sentence them to take the first step into a thousand years of darkness. If we fail, at least let our children and our children's children say of us we justified our brief moment here. We did all that could be done.'"

Chuck Norris concludes the announcement by encouraging Americans to close ranks and defend their great nation "for God and country."

"Please stand with us," he urges. "Let's unite for God and country. And may God continue to bless the United States of America. See you at the polls."



CHUCK NORRIS AN "HONORARY MARINE".

Monday, August 20, 2012

SPECIAL OPERATIONS SPEAKS (SOS)




SPECIAL OPERATIONS SPEAKS (SOS)

MISSION STATEMENT

We, as veterans, legatees, and supporters of the Special Operations communities of all the Armed Forces, have noted with dismay and deep alarm the recent stream of highly damaging leaks of information about various aspects of America’s shadow war in the overall War on Terror. Our principles are the same as when we were in active service — Duty, Honor, Country.

Our goals are:

To emphasize the pressing need for the nation and its representatives to understand the value of our Constitution and actively support a return to its application in all phases of government;

To illuminate the failed operational security environment of the Administration and to provide the public with accurate information about these repeated releases of highly classified information;

To restore accountability in government and with it the trust in our government that We The People deserve and demand.



Friday, August 12, 2011

Um "megaloblasto" no MD (Ministério da Derrota). A fardinha de
"bostivariano" já está pronta e a continência é com a "sinistra".





E POR QUE NÃO UM GENERAL NO CONCÍLIO DO VATICANO?
por Vania L. Cintra

No convite para as solenidades militares em comemoração ao dia 25 de agosto, aniversário de Caxias, a realizarem-se nas dependências de um certo Quartel do Exército, as palavras "dia" e "soldado" foram impressas com letra minúscula. O Oficial que comigo comentou isso não se demonstrava exatamente surpreso. Talvez eu também já não devesse me espantar. Porque estou acompanhando, e, isso sim me deixa estupefata, a "importante" discussão que se abriu entre os Oficiais militares das três Armas nobres, discussão orquestrada, como sempre pelos "grandes" jornalistas especialistas em fofocas e em tudo mais e mais um pouco, a respeito de qual político seria pior ou melhor que o já escolhido pela Presidência para ocupar o Ministério da Defesa.

Trocou-se um seis por uma meia-dúzia. E daí? Com a ("auto" ou não) defenestração de Nelson Jobim do Ministério da Defesa, para que, exatamente, deveriam os militares estar discutindo o nome do civil que o poderia substituir? Moreira Franco, Aldo, Amorim, Genoíno... uma mulher... (e por que não uma mulher? Juro que cheguei a imaginar que Dona Rousseff aproveitaria a oportunidade e indicaria mais uma dona-de-casa que bem administrasse um orçamento doméstico...) discutir esses e outros tantos nomes a troco de quê? Por quê? Porque quanto pior for melhor será? Para quem? Era só o que nos faltava!

Alguns ainda exclamam, ao saber da indicação de Amorim: é o fim! Não, isso não é o fim simplesmente porque o fim já ocorreu bem antes, faz tempo, um bocado de tempo já. Tudo se quebrou ao ser considerado "obsoleto" e foi jogado em um depósito de ferro velho, onde cada peça foi sendo carcomida pela oxidação em um longo período de mau tempo que ainda estamos atravessando. Só que ninguém percebeu, nem viu, nem ouviu. E todo mundo foi empurrando os cacos que sobraram aqui e ali para debaixo do tapete para que ninguém, mesmo, percebesse. Tudo o que agora ocorre é apenas decorrência do fim de tudo. E para, dessa cacaria toda, tentar montar alguma coisa que preste ou que nos seja útil seria preciso usar, mais que muita graxa, muita "solda", se aqui me permitem um trocadilho absolutamente sem graça.

Se aquela discussão a respeito do nome do civil melhor ou pior aos interesses militares (e quais são os interesses militares?) ficasse borbulhando apenas no caldeirão em que se cozinha a "carreira" já dada nos militares por jornalistas e políticos "de carreira", ainda dava para entender. Isso tudo agita os ânimos, parece até que está acontecendo alguma coisa que deva ser noticiada e discutida com estardalhaço. Mas essa discussão boboca contagiou muitos militares, inclusive os mais sérios, capacitados e conseqüentes. E vem apenas mais oferecendo argumentos e mais solidificando o discurso dos civis que vêem os militares como se vissem vampiros ao meio-dia – os que querem caracterizá-los como incivilizados e imbecis – mas também serve a alguns militares cretinos e incompetentes – que existem, sim, não duvidem! – que bem sabem, apesar de serem cretinos, que são incompetentes, e, por isso mesmo, não se respeitam, não respeitam suas carreiras e sua missão, não respeitam a sua própria inteligência porque não a encontram, nem reconhecem ou respeitam a inteligência de militar algum, e só querem mesmo é faturar seus proventos ao fim do mês ou talvez uma viagenzinha aqui ou ali a pretexto de "aperfeiçoarem-se" (razão por que a Reunião do Alto Comando dedicou recentemente espaço a esse importante item em sua pauta). Estão nas FFAA por "expediente", arrumaram uma "boquinha" durante um tempo, até sua merecida "aposentadoria".

A idéia da criação do Ministério da Defesa, dadas as circunstâncias sob as quais vicejou em nosso País, é, por si mesma, o triunfo dos "políticos" – quando não somente a submissão irrefletida aos ditames supranacionais – e impôs-se em processo que, por si mesmo, desmoralizou as FFAA, desmoralizando e, por fim, extinguindo o EMFA em suas funções, e liquidando a idéia de uma Política do Estado ao implodir os Ministérios militares. Temos agora Políticas de Governo, e nada mais. Mesmo assim, por ser um cargo definido como superior ao dos Comandantes das Armas, não poderá haver qualquer civil melhor ou pior que qualquer outro civil que possa assumir o cargo de Ministro da Defesa. Porque não há argumento capaz de explicar por que cargas d'água deva um civil – e somente um civil – ocupar esse cargo.

Muito menos terá cabimento o argumento de que teria havido um "acordo" tácito entre civis e militares no sentido de que a Defesa não deveria ser entregue a um Ministro militar porque este "privilegiaria o uso da força", nem a um diplomata porque este privilegiaria "a recusa, por princípio, do mesmo uso da força". Só quem não tenha a mais mínima noção do que seja e de a que serve a Diplomacia, nem tenha noção da história diplomática, não só a nossa como a de todos os Estados, no mundo inteiro, poderia supor existir, sugerir ou fazer tal acordo em qualquer tempo e lugar. Tal "acordo" não vale sequer como hipótese. Além de que, por esse raciocínio, qualquer civil, tivesse a formação que tivesse, desde que não a de um diplomata, estaria em condições de "resolver" os problemas de Defesa. E a discussão de seu nome seria inútil, uma vez que dependeria apenas da preferência pessoal do Governante (que alguns afirmam ser "soberano"), nada mais, entre os que pudessem ser "mais cuidadosos com as palavras".

Armas e Diplomacia não são instrumentos de Mercado, em que só valem a barganha e a capacidade de barganhar – Armas e Diplomacia são instrumentos de Estado. Ou andam juntas, lado a lado, harmoniosamente, buscando os mesmos objetivos – os de Estado – pelos mesmos meios, ou seus Ministérios, o das Relações Exteriores e, hoje, o chamado da Defesa, serão não mais que possibilidades a que títulos honoríficos e pequenos poderes sejam conferidos a indivíduos quaisquer em um Estado que não tenha qualquer expectativa de impor-se e impor seus interesses entre os demais Estados Nacionais. Em um Estado de faz-de-conta. Porque um Estado não é exatamente uma barraca instalada em feira-livre.

Essa discussão a respeito dos nomes dos melhores ou piores fulanos a ocupar o Ministério da Defesa não será importante, pois, nem mesmo inócua será – vem-nos sendo, desde que foi permitida, sempre muito nociva. Porque esses nomes se nos oferecem a partir de um crisol que apenas contém materiais inadequados a produzir qualquer liga forte. A fumaça poluída que dessa discussão se levanta mais avilta os militares, mais os desarticula, mais alimenta o processo de transformá-los em "entulho autoritário", portanto, em algo que nos é, de fato, desnecessário, e não nos leva a lugar algum. Se quisermos ter uma idéia do que vem a ser essa brincadeira de Ministério da Defesa nas mãos de juristas, filósofos, pacifistas, versejadores ou o que os valha e não quisermos usar a expressão "raposa cuidando do galinheiro" por considerarmos chula, bastará imaginar, raciocinando com um modelo ao revés, a confusão que se faria caso um General fosse designado pelo Papa a ocupar uma cadeira no Concílio do Vaticano e a decidir, entre Bispos e Cardeais, quais providências deveriam ser tomadas no sentido de promover a paz definitiva entre cristãos e não-cristãos. Nem se fantasiando de São Pedro esse General convenceria os fiéis à Santa Madre ou o resto do mundo de que ele era um iluminado e, ali, estava no lugar adequado. Muito menos os convenceria de que o Vaticano não estivesse pensando em desferir uma nova "cruzada contra os infiéis". E procurando se armar. No entanto, que tremendo sucesso fez Jobim na passarela desfilando com seu modelito camuflado...! Como? Por quê?

Imagino que não esteja exatamente falando sozinha no deserto, porque não me é possível imaginar que não mais haja nas FFAA um único General, um único Almirante, um único Brigadeiro capacitado a assumir o nosso Ministério da Defesa, que não haja um único sujeito minimamente lúcido e probo na Ativa, no pico da hierarquia, que saiba o que é contornar os obstáculos da pequena política, comandar batalhas diárias enfrentando todo tipo de adversidades, e ter que dar a cara a tapa frente à tropa quando porventura erre em suas táticas e lhe cause danos ou baixas desnecessárias; nem me é possível conceber que não haja pelo menos meia-tropa que não consiga compreender que o cargo de Comando desse Ministério é um cargo vital ao Estado, que deve escapar das futricas dos salões dos Governos, portanto, não pode ser entregue a um qualquer civil "de carreira". Não nos basta resumir idéias afirmando que "ideologia, não!" Ideologia sim! Pois negando-se à população nacional o direito e o dever de pensar em valores nacionais, de projetar o que deve o Brasil fazer estando em confronto com seus pares, este nosso País só encolhe, manifestando já sérias tendências a desaparecer ao ser devorado por si mesmo. E que é isso senão ideologia? Se acaso uma ideologia for motivo de vergonha para alguém, esse alguém que assuma uma outra, pois, a qualquer mortal, é impossível reconhecer-se e reconhecer o ambiente que o cerca sem recurso a qualquer ideologia. Aliás, creio mesmo que nem um anjo ou um super-homem conseguiria fazer isso. E os Oficiais Superiores estudaram tanto, afinal, para quê? Para concorrer a prebendas, assumir cargos, em empresas públicas ou em órgãos-chave de quaisquer Ministérios, tal como é o DNIT, que civis não estivessem à altura de assumir, e para agradecer à Presidência a oportunidade de arriscar-se a se queimar ou a mais queimar a Corporação e mesmo a Instituição, uma vez que, nesses cargos, deverão submeter-se aos interesses e aos caprichos governamentais? Ou para oferecer seus serviços à empresa privada?

A população nacional tem muito o que exigir de um Oficial militar, sempre teve, e pode e deve exigir – afinal é ela quem paga por seu preparo profissional – mas não pode exigir o que hoje lhe vem sendo exigido: que se submeta aos "políticos". Exige-o porque é ignorante, porque crê no que lhe dizem os "líderes" de curta e torta ambição. E enquanto a discussão de qual o melhor ou o pior nome civil para o Ministério da Defesa continuar a ser levantada a cada queda de um Ministro que se impõe sobre os militares, com toda a descontinuidade de planos, projetos e prazos que a sua substituição acarreta, visto que nenhum desses Ministros é oriundo do Corpo diretamente neles interessado, ela apenas visa a sufocar, a matar asfixiada e a soterrar uma outra discussão que, essa, sim, é fundamental – a que deveria estar rolando acaloradamente a respeito da capacitação específica para a pasta.

Por outro lado, enquanto a discussão sobre essa capacitação específica para o cargo de responsável pela Defesa e Segurança do Estado não se fizer, enquanto os Oficiais militares não exigirem que "seu" Ministério se volte apenas às Armas e ao que as Armas devem e podem fazer, que é cuidar realmente da Defesa do Estado e de sua Segurança (mas alguém mais lá ainda sabe que vem a ser isso?), sem se preocupar com alegorias, sambas-enredos ou com demonstrar jogo de cintura aos turistas, enquanto permitirmos, todos nós, que esse Ministério seja apenas mais um entre as dezenas e dezenas de Ministérios civis criados de acordo com o movimento das marés e sirva apenas para que quem for indicado Ministro adicione títulos indevidos ao seu currículo pessoal e intransferível, para absorver burocratas de outros Ministérios, que estejam sem função e sejam colocados à disposição, ou para que estudantezinhos deslumbrados e desinformados usem suas bolsas de estudo e componham suas tesezinhas de Mestrado ou Doutorado conforme as "novas regras do novo mundo globalizado" determinam, ninguém respeitará o Dia do Soldado. Simplesmente porque, embora no mundo inteiro os Soldados estejam fazendo o que Soldados devem fazer, contando com o respeito e o apoio da população consciente de quem é, em nosso País não se vêem mais Soldados a respeitar, e os que se fantasiam de Soldados e se colocam à porta das Catedrais da Esplanada dos Ministérios em Brasília mendigando alguma atenção continuarão sendo vistos por todos, aqui e no mundo inteiro, inclusive por eles próprios, como, literalmente, um zero à esquerda.

E o Brasil continuará marchando unido, em acelerado, para trás. Mesmo que ninguém perceba.


Vania Leal Cintra é socióloga, Bacharelada e Licenciada Plena pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUCCAMP, especializada em Docência no Ensino Superior pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUCCAMP, possui Mestrado em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo – USP e Doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Vania também é editora do site "MINHA TRINCHEIRA". E-mail: minhatrincheira@uol.com.br





Publicado no site "MINHA TRINCHEIRA".
Sábado, 06 de agosto de 2011.





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