Monday, April 09, 2007

"Apedeutis porigrota".



































VÔO CEGO
editorial da Folha de S. Paulo

"SE QUEDEN Tranquiles". Pronunciada em tom jocoso, e num castelhano menos castiço que o seu português, a frase do presidente Lula inspira tanta confiança quanto as informações de um comissário de bordo numa empresa aérea dirigida por Cantinflas.

O chefe do Executivo dedicava-se a desmentir os rumores em torno da saída do ministro da Defesa, seu co-piloto na errática e turbulenta condução da crise aérea brasileira. Assegurou não cogitar de novas mudanças na equipe ministerial.

"Tranquiles", portanto, quedem-se os brasileiros. Se houver alguma queda nos próximos dias, não será de ministro, a julgar pelo que diz o presidente; no máximo de um avião ou outro, poderiam acrescentar os espíritos mais aziagos.

O destino de um ministro é de todo modo assunto menos preocupante do que a continuidade de um estilo de governo caracterizado pela inapetência administrativa, pela verborragia e pela omissão.

A verdadeira trapalhada aeronáutica da última semana não foi o único episódio -embora, talvez, o mais grave até aqui- em que se revelou a incapacidade do governo Lula para traçar linhas coerentes e rápidas de atuação.

Perderam-se meses na composição de um ministério medíocre e fisiológico; a tarefa arrastava-se com a modorra típica dos dias de verão, interrompendo-se a toda oportunidade que oferecesse o calendário, pródigo em feriados nessa época do ano.

A elaboração do ministério não foi mais morosa que a do Plano de Aceleração do Crescimento, que, depois de anunciado com estrépito, continua sem sair do lugar. O caso não destoa do que ocorreu com o "Fome Zero", que depois de muita verborragia se viu objeto de uma série de recuos, tergiversações, desmentidos e esparrelas.

Desmentidos e esparrelas, tergiversações e recuos marcaram a atitude presidencial durante a crise do mensalão. Planos supostamente definitivos são prometidos pelo governo a cada emergência. Foi assim na área da segurança pública, está sendo assim na crise aeroviária.

Entre uma crise e outra, há quem se lembre de uma operação tapa-buracos nas rodovias federais ou de um plano de "TV pública" que ninguém sabe ou quer definir com clareza; o anúncio sempre precede a estratégia.

Num único ponto, talvez, o presidente tenha mostrado real clareza de propósitos e agilidade executiva: foi na compra do Aerolula. Nas atuais circunstâncias, não se pode acusá-lo de falta de espírito visionário.

Piruetas verbais, "loopings" decisórios e cortinas de fumaça em todas as direções constituem entretanto um espetáculo dificilmente capaz de deixar "tranquiles" os cidadãos brasileiros.

Que todos apertem os cintos, o piloto não sumiu. Continua sem saber para onde vai e, se algum passageiro lhe perguntar por que haveria de "quedarse tranquile", diante dessa situação, talvez só tenha a ouvir do presidente Lula uma outra frase em espanhol: "La garantía soy yo".



Publicado no jornal “Folha de S. Paulo”.
Domingo, 8 de abril de 2007.




5 comments:

FORA QUADRILHA DO LULA!! said...

Não vamos deixar que os "vermelhos" se aproveitem da situação, pois estão infiltrados em todas as FFAA.......E não se deixem levar e serem enganados pelos Sindicatos e Políticos corruptos afins. E vamos nos "policiar" com os políticos de plantão, para eles o que está acontecendo é uma oportunidade........Ao contrário para os Militares é enfraquecimento!

A palavra é uma só...UNIÂO.......Com ela conseguiremos separar os Comandantes que visam uma "boquinha" no final de carreira, fazendo todos os "favores" políticos do desgoverno, sem se preocupar com o sucateamento e a tropa!

Apoiemos estes novos Comandantes e vamos nos unir para criar uma parede, uma força em que cada militar deve se esforçar em fazer, para o bem das FFAA e consequentemente para seu próprio bem.

Portanto chega de atacarem as FFAA, pois o inimigo está em nossas portas!


Paulo G.

http://www.reservaer.com.br/

FORA CANALHA said...

Brincando de presidir


Não faz muito tempo, Lula chamou os envolvidos no escândalo do Dossiê Cuiabá de aloprados. E nada aconteceu àqueles que agiram a mando do PT. Nesta segunda-feira, no programa Café com o Presidente, Lula agradeceu aos controladores de vôo pela paz nos aeroportos durante o feriadão da Páscoa. Os que mereceram os agradecimentos do presidente Lula são os mesmos que, na última segunda-feira, 2 de abril, foram chamados de irresponsáveis. Que Lula abusa da verborragia, todos sabem, mas é preciso lembrá-lo que Presidência da República não é brincadeira de final de semana. (Foto: desieni.com)

Governo de quinta


Ainda o agradecimento... Na verdade, ao invés desse agradecimento populista e barato, o Palácio do Planalto deveria se empenhar em pedir, oficialmente, desculpas aos brasileiros, pois o maior responsável pela crise aérea, que está a anos-luz da solução, é o governo do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Quando os controladores se amotinaram na sexta-feira, 30 de março, foi a única maneira encontrada de alertar a população sobre a precariedade dos equipamentos, jornada laboral além da legalidade e baixos salários. Mais: ciente da possibilidade de uma crise sem precedentes na aviação, irresponsável foi a equipe do presidente Lula de não estar a postos em Brasília por ocasião dos fatos. O presidente Lula estava a caminho dos EUA, o vice José Alencar, em Minas Gerais, o ministro Waldir Pires a caminho do Rio de Janeiro e a ministra Dilma Roussef estava longe de Brasília. E como o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi vítima do Apagão Aéreo estava na capital federal, a ele foi dada a missão de negociar com os controladores rebelados. Em tempo: a faca no pescoço a que Paulo Bernardo se referiu voltou-se contra ele próprio, depois do Café com o Presidente desta segunda.
UCHO.info

FORA CORJA DE CANALHAS! said...

EDITORIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO HOJE: 10/04/2007


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva completa os primeiros cem dias do segundo mandato sem uma só realização importante para exibir e sem haver avançado NADA!!!!

FOGO NESSA CAMBADA! said...

INJUSTIÇA CLAMOROSA
JARBAS PASSARINHO
foi ministro, senador, governador e é escritor
JB, 100407 (NOTIMP N° 100 10/04/2007)

A Quaresma findou sem solução à crise gerada pela insubordinação dos sargentos controladores de vôo. O pedido de perdão eles o fizeram ao povo e não à Aeronáutica, o que não teria cabimento na caserna, onde um IPM pode concluir por transgressão grave ou crime.

Passada a Páscoa, prefiro especular sobre algo que me parece inevitável: a anistia. A esboçada, já, em favor dos amotinados, mas principalmente a que a nação deve ao Suslov nacional, José Dirceu, vítima de "injustiça clamorosa" do Legislativo passado, como a vê a peremptória declaração do jovem recém-nomeado Advogado Geral da União. Clama pela anistia de seu emblemático amigo. Embora a AGU represente a União, e seja a defensora dos danos ao Executivo de que é consultora e assessora, entende o ilustre advogado que, punido livremente pelo Legislativo, José Dirceu deve ser anistiado, o que não é terreno da AGU, mas do próprio Parlamento.

Assiste-lhe razão, pois a União e José Dirceu são xifópagos. Ou pelo menos eram. Assim, a União que o defenda, já que não o fez antes. Está ele não exatamente no ostracismo e deve voltar a emprestar à União os favores do seu talento. Nunca, porém, esquecer que Aristides, posto em ostracismo, foi anistiado e posteriormente banido da Grécia. Vive Dirceu numa espécie de indesejada semiclandestinidade, mestre que foi da clandestinidade. Agora, porém, dispõe do blog, da internet, para instruir seus numerosos seguidores, de modo a ressarcir-se do tempo perdido em que ninguém com a mesma autoridade representava a União, com a competência de uma réplica do cardeal Richelieu.

Roberto Jefferson disse-o cerne do mensalão, imoralidade que amigos de Dirceu acham incompatível com a sua integridade. Afirmam que ele de nada sabia, como não o sabia o presidente Lula. Teria atribuído os votos ao patriotismo dos nobres parlamentares que colocavam em primeiro lugar, acima de seus próprios interesses, a governabilidade sem a qual o país paralisaria.

Alegando ofensa à sua dignidade, José Dirceu preferiu deixar o governo, voltar à Câmara e nela provar-se caluniado. Mas o Conselho de Ética por duas vezes não aceitou sua defesa, por 13 votos contra 1, no que foi acompanhado pelo plenário da Casa. Dirceu, impoluto para o advogado da AGU, teria sido vítima do despeito que o Padre Vieira já denunciava há centúrias atrás: "Não há maior delito no mundo do que ser o melhor". Teria pago o preço da inveja.

Tudo fazem por ele seus amigos e admiradores. Ouço que um é o presidente da Câmara dos Deputados. Tenho de José Dirceu um julgamento racional não motivado por paixão ideológica. Ele deputado e eu senador, demos uma longa, mas cordial entrevista ao Correio Braziliense há ano não muito distante. Ao fim, coube-nos fazer uma pergunta a cada um. Perguntei-lhe porque preferira a luta armada à conquista democrática do governo, contrariamente a Prestes, que a viu como aventura que só tivera um resultado: prolongar no tempo o regime autoritário.

Sua resposta foi sucinta: não pertencera senão por pouco tempo ao Partido Comunista.

Em 2002, Lula venceu as eleições. Atentei para a conduta do poderoso ministro da Casa Civil e aí me vieram sucessivas razões de natureza moral que me chocaram. A primeira quando ele impediu, com decisivo aliado no Senado, a instalação da CPI, para apurar a flagrada e filmada desonestidade de seu amigo íntimo e subordinado Waldomiro Diniz, até hoje totalmente impune.

Depois, a suja tática de compra (ou aluguel, pois essa gente não se vende; aluga-se) de votos de desprezíveis parlamentares para apoiar o governo, de que ele era chefe, no exótico parlamentarismo em que Lula fazia o chefe de Estado.

Criou, sem deixar impressão digital, mas com irreparável dano moral, o mensalão, razão de sua cassação que se quer reverter. A indecorosa fraude é sabida, mas vale ler o capítulo 4 do livro Memorial do escândalo, de jornalismo investigativo, dos jornalistas Gerson Camaroti e Bernardo de La Peña, que põem Dirceu a nu. Quem discordar solidarize-se com os métodos sórdidos na tentativa de transformar o PT no governo, no PT no poder.

Anonymous said...

Esquema invencível

Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 5 de abril de 2007


Quaisquer que sejam as razões dos controladores de vôo – e elas sem dúvida existem --, uma coisa é óbvia: no momento em que militares prestam menos obediência a seus comandantes do que a agitadores sindicais, estamos em pleno estado pré-insurrecional, alimentado pelo governo para desmantelar o que resta das Forças Armadas e substituí-las por tropas paramilitares a serviço do Foro de São Paulo.

Quem quiser acreditar na sinceridade do recuo do sr. presidente da República, que acredite. As reservas de crédito desse cidadão parecem aumentar na proporção direta do seu invejável repertório de fintas e rodeios.

A comparação com os dias finais do governo Goulart é puramente eufemística: naquela época a sociedade civil organizada – incluindo a mídia -- era maciçamente conservadora, a direita tinha porta-vozes do calibre de um Carlos Lacerda, a Igreja Católica não era comunista, Jango não tinha o respaldo internacional que tem Lula, não havia uma militância esquerdista armada e adestrada com as dimensões do MST e sobretudo as Forças Armadas tinham líderes de verdade, investidos de prestígio histórico.

Hoje a situação da esquerda é tão confortável que já nem mesmo os políticos rotulados de direitistas têm a coragem de fazer ao governo uma oposição ideológica genuína, limitando-se a críticas administrativas menores, com o máximo cuidado de não ferir os preconceitos esquerdistas sacralizados por três décadas de falatório unânime. E mesmo esse direitismo residual, atrofiado, tímido, masoquista, já parece excessivo e intolerável à autoridade imperante, que conta os dias à espera de extirpá-lo como quem corta uma verruga.

Passar para o esquema petista o controle do espaço aéreo é apenas o complemento inevitável da apropriação, já totalmente consumada, do controle do tráfego rodoviário pelas tropas do MST. Fazer isso agora ou daqui a pouco dá na mesma. A técnica da revolução gramsciana é adiar a etapa insurrecional até o momento em que o adversário esteja tão fraco que já nem valha a pena matá-lo. Até lá, é preciso alternar sabiamente a ousadia na ocupação de espaços e o fornecimento de anestésicos para amortecer cada novo escândalo. O timing e o cálculo das dosagens têm sido perfeitos. Até aqueles que se revoltam contra o estado de coisas só conseguem expressar seu desconforto nos termos da retórica esquerdista, infringindo a regra número um da arte do debate – não falar na língua do inimigo – e assim fornecendo à esquerda mais uma vitória ideológica a cada miúda vantagem político-eleitoral que obtêm.

Ditando as regras do jogo, o esquema que nos domina é invencível. Mais um pouquinho de relutância covarde em partir para a oposição ideológica franca, e a oportunidade de fazê-lo terá ido embora para sempre.

***

Pergunta horrorosa: No momento em que a hierarquia militar é flagrantemente quebrada, onde estão os nossos oficiais ditos “nacionalistas”? Não se diziam os primeirões a defender a honra das Forças Armadas? Por que todo o silêncio imemorial dos sepulcros caiados baixou repentinamente sobre esse grupo de tagarelas incansáveis?

Share
 
Copyright © 2004-2017 Bootlead