Thursday, June 11, 2009

O BRASIL PRECISA SER "RESGATADO",
ANTES QUE SE PUTREFAÇA POR INTEIRO!
















































CLANDESTINOS A BORDO
por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Uma tragédia aérea abateu–se sobre diversos países com a terrível queda do Airbus que voava do Rio de Janeiro para Paris, no dia 31 de maio último. Os dados de vôo do Airbus AF 447 informam que foram vitimados os 228 passageiros e tripulantes. Uma catástrofe.

O terrível infausto ocorrido na madrugada de 31 para 01 de junho cobriu de luto, em particular, o Brasil e a França, origem natal da maioria dos passageiros. De início, pela falta de maiores ligações com a aeronave sinistrada, enormes eram as dúvidas quanto ao local e as causas da tragédia. Foi no vasto Oceano Atlântico. Aos poucos, contudo, o mar iniciou a devolver o que não lhe pertencia. E os corpos, destroços e bagagens começaram a emergir.

Famílias desesperadas, enlutadas clamam pelo que restou de seus entes queridos, para prestar- lhes a derradeira homenagem, o último e sentido adeus. Foram 228 almas, que esperamos estejam no regaço do Criador.

Entretanto, ao que tudo indica, com a intensificação das buscas, outros corpos foram sendo resgatados. Estranho foi o caso de duas senhoras, que foram encontradas boiando, de mãos dadas, praticamente abraçadas, num último suspiro. Feliz e milagrosamente não sofreram as ações do tempo, nem da água salgada, nem das intempéries, nem dos temíveis tubarões. Intactas estavam suas faces e, poderiam, segundo os encarregados do resgate, facilmente serem reconhecidas pelos seus parentes e amigos.

Ampla divulgação, retratos falados, caracteristicas pessoais, sinais corporais e nada. Nenhuma autoridade nacional, do executivo, do legislativo e do judiciário, indagados, exaustivamente, demonstrou o menor conhecimento das vítimas. "Nunca as vi nem mais gorda, nem mais magra", foi a declaração geral.

Talvez a caixa preta, no futuro, nos revele o que aquelas pobres vítimas, no seu derradeiro estertor, conversaram. Intensas investigações para elucidar o mistério comprovaram que elas não constavam da relação de passageiros. Logo, concluíram que eram clandestinas. De início, uma tremenda incógnita. Pessoas desconhecidas. Foram encontradas com trajes pobres, mas dignos. Não aparentavam ter posses, nem jóias. Mistério.

Quem seriam? Só mesmo o espaçoso, precipitado e exibicionista Ministro da Defesa, com sua vareta fosfórica a apontar num mapa, pontos ignotos no Oceano Atlantico, arriscou um palpite em rede mundial, alegando, peremptóriamente, que poderiam ser duas senhoras, que tão logo ouviram falar na queda da aeronave, saíram nadando da costa da África do Sul para auxiliar no resgate das vítimas. O mundo ficou boquiaberto. Muita gente, de início, acreditou.

Finalmente, na 2ª feira, procuraram as autoridades uma simpática senhora, mas em deplorável estado, que apresentou–se como Dignidade da Pátria, acompanhada por um encarquilhado senhor que identificou–se como Caráter Nacional, que preocupados com o desaparecimento de suas amigas a Justiça Enxovalhada e a Vergonha Nacional, julgaram pelos indícios noticiados na mídia, que as desconhecidas vítimas, talvez pudessem ser as suas queridas amigas.

A Justiça e a Vergonha, conforme depoimento de sua amiga a Senhora Dignidade da Pátria e de seu primo o Senhor Caráter Nacional, de há muito pretendiam procurar outros ares; o Brasil, diziam, "era um covil de valhacoutos" e estava a cada dia mais insuportável, e o boato do terceiro mandato fora a gota d’água. Por isso, assim como a Soberania Nacional, irmã da senhora Vergonha, que fugira para a Sibéria, depois da decisão sobre a Reserva Raposa Serra do Sol, as duas pobres almas decidiram seguir alhures, custasse o que custasse.

Assim, sem dinheiro, pungado pelo desgoverno através de pesados impostos, aposentadas, sem lenço e poucos documentos, embarcaram sorrateiramente, no porão de carga do Airbus. Foi o que testemunharam, posteriormente, a Honestidade Perdida e a Honra Pessoal, também amigas das vítimas e suas diletas companheiras no clube recreativo da terceira idade "Brasil acima de Tudo", falida entidade onde, persistentemente, ainda se reúnem uns pingados membros daquela agremiação, denominados eufemisticamente, "os nacionalistas".

Procurados pela imprensa, os parentes das duas indigitadas abriram mão de qualquer indenização e alegaram que, se houvesse, fosse doada para a "Bolsa–Terrorismo", fundo destinado a amparar os terroristas que venham a necessitar de cuidados psicológicos e psiquiátricos, caso algum dia venham a ter problemas de consciência, etc.

Lamentavelmente, nada mais foi dito.

Desconhecem - se, o dia do enterro, cemitério, missas de sétimo dia e outras missas. Somente poucas pessoas, as que possuíam incondicional respeito e admiração pelas dignas anciãs, tomaram conhecimento das datas e locais, para prestarem, em sigilo, as suas respeitosas e sentidas despedidas àquelas saudosas e sempre lembradas personagens, que, ao que parece, um dia fizeram parte do imaginário nacional.

Felizmente, eu fui informado.


Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.








Publicado no site "TERNUMA – Terrorismo Nunca Mais" – Regional Brasília).
Segunda-feira, 08 de junho de 2009.













































O VAIVÉM DOS HELICÓPTEROS
por Maria Lucia Victor Barbosa

A tragédia do voo 447 da Air France continua a repercutir de forma incessante. Dia e noite as TVs se revezam no afã de apresentar o que até agora é inexplicável. Não existem explicações para a causa da queda do avião, uma espécie de Titanic voador mais que perfeito. Não há ainda identificação dos corpos achados. Não foi localizada a caixa preta e é difícil que o seja. Apenas permanece o horror das vidas ceifadas na celeridade de poucos minutos. Soam advertências de como carreiras promissoras, promessas de felicidade, sonhos são sepultados inexoravelmente no túmulo imenso e frio do oceano. A tragédia coletiva relembra de como somos frágeis e impotentes diante da morte.

O terrível acidente, entretanto, é mais do que luto e dor. Serve ao propósito de acobertar fatos inconvenientes para o governo, distrai atenções, alimenta conversas. Não se fala mais da gripe suína. Desapareceram como por encanto dos noticiários as enchentes do nordeste com suas vítimas anônimas. Não se toca na tragédia pessoal dos que morrem cruelmente sem atendimento em corredores de hospitais inadequados. Omite-se o aumento da violência urbana, a ser incrementada especialmente no Rio Grande do Sul porque juízes decretaram que bandido nenhum vai preso porque faltam prisões. Ninguém sabe como anda o caso Cesare Battisti, o terrorista e assassino italiano que o Brasil teima em proteger.

Assuntos, escândalos, espantos aparecem, somem e se perdem rapidamente na memória coletiva, que de resto retém muito pouco do que é noticiado. Desse modo, é de duvidar que ainda se pergunte: Existe mesmo um membro da alta hierarquia do Al-Qaeda vivendo em São Paulo? É verdade que a China tomou nosso comércio com a Argentina, apesar dos negócios da China que Lula da Silva foi fazer com pompas e honras naquelas terras distantes onde autoridades estão se lixando para direitos humanos? Aquele deputado castelão sofreu alguma punição ou foi mais um a se safar entre mensaleiros, sanguessugas, falcatruas num Congresso onde Renan Calheiros é exemplo a ser seguido, e o senador Sarney não sabe se recebe auxílio moradia sem disto necessitar? E sobre a CPI da Petrobrás, que inspira terror pânico aos companheiros presidenciais, vai ser de novo adiada por manobras governamentais? Vai acabar em nada como todas as outras? Para trás, sem abrir, vão ficando as caixas pretas da política nacional.

Além do terrível acidente do Airbus da Air France prevalece no momento outro assunto que entretém a massa: a Copa de 2014. Já se nota que serão cinco longos anos de massacrante e tediosa propaganda. Pão e circo funcionavam na Roma Antiga. No Brasil Futebol e cerveja bastam para a felicidade geral. Diga-se de passagem, que parecemos um país de bêbados, pois em quase todos os acidentes de trânsito se diz que o chofer estava bêbado, como no caso do deputado estadual paranaense, Fernando Ribas Carli Filho que, bêbado, matou dois rapazes e, certamente, ficará impune.

Contrastando com a overdose sobre o acidente aéreo a indiferença do presidente da República. Bem diferente na França onde o presidente Sarkozy, pessoalmente, prestou solidariedade às famílias das vítimas. Lula da Silva estava viajando para variar quando ocorreu a tragédia, mas mesmo em sua volta preferiu enviar seu dedicado chanceler Celso Amorim para prestar condolências em missa celebrada em memória dos que se foram. Tampouco Marco Aurélio Garcia, o mentor de nossa desastrada política externa, se pronunciou. Ainda bem, pois poderia fazer gestos obscenos.

Destacou-se no sinistro episódio o ministro da Defesa, Nelson Jobim, nosso "general da banda" que, fissurado por fardas as enverga sem a menor cerimônia. Idiólatra por natureza, falastrão por excelência, o ministro deixou correr a imaginação e pontificou para o mundo sacudindo uma vareta professoral. Diferente de suas inspeções em navios, quando deu aulas sobre o que não entende, a fala teve repercussão em outros países, mas não como desejava o ministro, pois foi tachado de "bavard". Mais um vexame para nosso bestialógico internacional já bem recheado com os discursos presidenciais.

Na TV, entre helicópteros trazendo restos das vítimas, eis que surge o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em mais um malabarismo verbal ele saudou a queda do PIB no primeiro trimestre, dizendo que foi menor do que esperava. Aproveitou e renovou a promessa de que no próximo trimestre tudo será melhor. O ministro que afirmou que o Brasil cresceria 5% em 2009, não se peja em cair constantemente em contradição. Afinal, quem vai se lembrar do que ele disse? Vale a palavra do presidente: é marolinha e ponto final.

Com Dilma ou Lula em terceiro mandato o PT pretende continuar no poder. Seus marqueteiros sabem que fatos são apenas versões, que mitos podem ser construídos com pinceladas de grossas mentiras. O PT se superou na arte da manipulação e compreendeu que opinião pública não existe. Portanto, para que respeito às vítimas do voo 447 e aos seus familiares? Basta mostrar o vaivém sinistro dos helicópteros e os futuros e virtuais estádios da Copa 2014.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Quarta-feira, 10 de junho de 2009, 11h47.













































Essa viagem para o vazio
por Eugênio Bucci

Para tudo na vida há um poema de Drummond. Para quase tudo na morte, também. Para um desastre aéreo, por exemplo, lá está ele, Carlos Drummond de Andrade, com as palavras necessárias:


"A morte dispôs poltronas para o conforto/ da espera. Aqui se encontram/ os que vão morrer e não sabem." (...)

"Sinto-me natural a milhares de metros de altura,/ nem ave nem mito,/ guardo consciência de meus poderes,/ e sem mistificação eu voo,/ sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,/ ligado à terra pela memória/ e pelo costume dos músculos,/ carne em breve explodindo." (...)

"Ó brancura, serenidade sob a violência/ da morte sem aviso prévio,/ cautelosa, não obstante irreprimível/ aproximação de um perigo atmosférico/ golpe vibrado no ar, lâmina de vento/ no pescoço, raio/ choque estrondo fulguração/ rolamos pulverizados/ caio verticalmente e me transformo em notícia."

Os versos de Morte no avião compareceram, ainda que em silêncio, ao noticiário da semana. Sempre é assim quando somos sobressaltados por um acidente aéreo de proporções tão graves como o do voo 447 da Air France. A gente quase não fala desses versos, talvez para não provocar mais dor sobre a dor já instalada, mas eles estão ali, presentes, doendo. O Airbus A330-200, que sumiu do mapa às 23h14 do domingo, quando sobrevoava o Atlântico, não pousou em Paris, como programado, mas nas páginas dos jornais. Cada uma das 228 pessoas a bordo "caiu verticalmente e se transformou em notícia". Exatamente como Drummond avisa.

A palavra "notícia" fecha o poema como se o cortasse bruscamente. Ela é chave para compreendermos como o jornalismo, nesses casos, nos ajuda a aplacar o sofrimento. No verso final, a palavra "notícia" subverte o que seria a ordem natural das coisas. A "notícia" ocupa o lugar de "cadáver" ou mesmo de "espírito": surge como o destino certo dos que encontram a morte no avião. Dificilmente eles poderão ter um funeral como outros mortos normais, pois seus corpos se perderam. Nessas circunstâncias tão "antinaturais", é pelas manchetes que eles são velados - e é assim, velando-os, que as notícias confortam os que ficam.

Os jornais os velam, verdadeiramente, mas os velam a seu modo: não pelo silêncio, mas pelo excesso de palavras, em letras garrafais. É o que se passa agora, com o voo 447. Os noticiários se desdobram para resgatar não os corpos, mas a biografia das vítimas. Suas histórias e suas fotografias ocupam o lugar dos restos mortais. São elas, as biografias sintéticas e as fotografias, que são pranteadas. A moça que tinha medo de avião - e que, por isso, adiou o embarque por vários dias - está lá. O casal em lua de mel, também. O tripulante brasileiro que falava muitas línguas sorri. Nós os vemos em seus álbuns de família. Os parentes comparecem às mesmas páginas, desolados em saguões. É uma cerimônia fúnebre e ruidosa ao mesmo tempo. É o modo que a notícia tem de fazer seu luto.

Para alguns, a cobertura peca pelo sensacionalismo, mas não é bem assim. Nesses casos, pelo menos, não só assim. A própria poesia de Drummond fala em "choque, estrondo, fulguração", fala em "pulverização" de corpos humanos. Ela chama para si as cores espetaculares da catástrofe. Mais que denunciar "sensacionalismo", ela localiza na notícia a "morada final" desses mortos. A notícia sobre eles cumpriria uma função não declarada de consolar os que sobrevivem, atônitos. Sem o jornalismo nós talvez não tivéssemos como recobrir com palavras o vazio deixado pelos desaparecidos, e sem essas palavras não teríamos como superar a perda. Nessas ocasiões, as notícias seriam, então, o ritual que nos resta.

Assim é que, diante do que se passou com o voo AF 447, os jornais não descansam. Não conseguiriam descansar. As reportagens, as entrevistas com os especialistas - entrevistas exaustivas, mais que exclusivas -, as revelações das investigações sobre as causas do acidente, tudo se multiplica. Os jornais lidam com o trauma quase insuportável deixado por um avião que cai do ar e depois naufraga no oceano. Eles representam uma ansiedade que é de todos: a ansiedade de explicar o inexplicável, de processar a aceitação do inaceitável, simbolizar um sepultamento que na prática é inviável.

Na capa dos jornais de ontem apareceu a foto de um militar francês que, da janela de uma aeronave, olhava para o mar, com binóculos. Procurava sinais. Olhava para o que ainda não enxerga. Tentava ver o invisível. Estamos todos assim, à espera de um sinal, de uma forma de decifrar o desastre, precisamos de algo que nos convença de que existe, em algum lugar, de algum modo, uma explicação para o que aconteceu, uma falha mecânica, um erro humano. Precisamos de algo que nos autorize a acreditar que tudo não passou de um lamentável engano, uma distração que poderia ter sido evitada pela técnica e pela ciência.

Ainda ontem, no meio do dia, surgiram pistas: uma mancha de óleo, um objeto de sete metros de diâmetro, estilhaços flutuantes. A isso nos vamos apegar, a partir de agora. O noticiário vai-se abastecer desses resquícios e das ilações que eles permitirem. É assim que as notícias cuidarão de fechar a ferida que nos pôs cara a cara com o vazio que engoliu o Airbus 330-200. Cuidarão de soterrá-la. Quanto mais elas falarem do avião, menos pensaremos sobre o pesadelo que elas encobrem. Depois, a comoção vai passar. Aos poucos, saturados de notícias, nós vamos nos esquecer do acidente, do poema de Drummond e do vazio que nos espreita.


Eugênio Bucci é professor-doutor da Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade.







Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Opinião).
Quinta-feira, 04 de junho de 2009.









































Aproveite bem o seu dia
por Adriano Silva

Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.

Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.

Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Nem jogue seu lixo no ambiente. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. Só existe o hoje.






Adriano Silva é jornalista e publisher do "Gizmodo Brasil". Ele escreve sobre perplexidades, descobertas e insights que acontecem todo dia no mundo do trabalho e fora dele também. Adriano é o editor responsável pelo blog "Manual do Executivo Ingênuo".  E-mail: adriano@gizmodo.com.br






Publicado no blog "Manual do Executivo Ingênuo" – "Portal Exame".
Quinta-feira,04 de junho de 2009, 14h00.





O ministro insensato, o sino sumido e a Constituição violentada – Augusto Nunes




1 comment:

Anonymous said...

Resgatado?!
Por quem?!

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