Monday, April 02, 2007

A desconfiança é a sentinela da segurança! Por onde andará MAG?
































UM SILÊNCIO MUITO SUSPEITO
por Gilberto Barbosa Figueiredo

"O fanatismo é mais perigoso que o ateísmo e mil vezes mais prejudicial, pois este não inspira paixões sanguinárias, enquanto que aquele pode levar à prática de crimes" (Voltaire).

A Nação tomou conhecimento, com cauteloso júbilo, de uma declaração pública do Presidente da República, reafirmando sua fé no regime democrático, feita por ocasião do lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento. Auspiciosas e alentadoras palavras. No entanto, a referência à cautela não pode ser olvidada, pois, por mais que não tenhamos razões para duvidar da sinceridade do Presidente, sempre restará uma sombra de dúvida sobre quantos dos que o cercam pensam da mesma forma, quantos e quais abandonaram, realmente, suas convicções marxistas do passado.

De alguns, conhecemos as experiências pretéritas nada democráticas, quando lutaram para a implantação de ditadura socialista em nosso país. Entendo que muitos patrícios julgam que isso foi coisa do passado, que a todos deve ser dada a oportunidade de reverem suas posições e de se arrependerem dos crimes cometidos. Efetivamente, a evolução do pensamento é algo possível e, portanto, possível também é acreditar na conversão à democracia. Mas, se passaram a repudiar toda e qualquer forma de ditadura, por que o profundo silêncio sobre o que vêem em nosso continente e aqui mesmo no Brasil de práticas absolutamente fora dos padrões legais? Por que não se ouve uma única censura a Cuba, uma das ditaduras mais sanguinárias e violentas do planeta? Por que usar evasivas quando se referem ao aprendiz de ditador instalado em nossa vizinhança setentrional? Por que o interesse nacional não é defendido na Bolívia?

De fato, pelo comportamento observável fica difícil se acreditar em uma real conversão. O que se percebe é justamente o oposto: choros emocionados na presença de Fidel Castro; silêncio respeitoso sobre as estripulias de Hugo Chavez, que merece, no máximo, uma nota neutra de algum ministro. E o que fica mais incompreensível, a Petrobrás, mesmo depois da trombada que levou na Bolívia, parece nada temer em face das recentes iniciativas do Sr Chavez, em que pese o alto investimento mantido naquele país.

No campo interno, da mesma forma, nada é feito no governo, nem ao menos um comentário de desaprovação, quando arruaceiros, travestidos de movimentos sociais, infringem claramente as leis em monumentais ações de anarquia. Pode-se falar em democracia, admitindo-se o desrespeito à lei?

Outro fator que produz dúvida quanto à sinceridade desses dirigentes está nas constantes e despropositadas mentiras que elementos de proa do partido do governo tentam impingir ao povo brasileiro. Por muitos anos tentaram convencer os eleitores de que detinham o monopólio de um modo especial de governar, centrado na ética, moldado na competência, voltado para os reais interesses nacionais. Hoje, após a experiência do primeiro mandato, ficou a sensação de que de inédito, mesmo, restou apenas um novo impudor ao mentir. E a desfaçatez chega, às vezes, a tal nível, que expõem seus argumentos, normalmente ao avesso de uma evidente realidade, com a convicção de quem realmente acredita naquelas ilógicas explicações. A sabedoria de Confúcio já havia nos alertado: “O homem superior compreende o que é certo; o homem inferior só compreende o que pretende impingir”.

Para merecer integral crédito junto aos brasileiros, parece imprescindível que o Governo abandone seu viés ideológico e mostre claramente que não compactua com ditaduras, seja a do antigo ídolo Fidel Castro, seja as explicitadas pelas manobras dos amigos recentes, Chavez e Morales. Oportuno seria também mostrar que não aceita a pressão exercida por baderneiros, infratores da lei, como instrumento de ação política de seus partidos aliados.

Como é pouco provável que o governo, através de seu chefe ou de qualquer de seus auxiliares, venha a se manifestar com clareza sobre o assunto, teremos de conviver com esse estranho silêncio. Silêncio que, avaliado sob a perspectiva da ideologia que até pouco tempo abertamente professavam, torna-se muito mais do que suspeito.


Gilberto Barbosa de Figueiredo é General do Exército Brasileiro, da Arma de Cavalaria, nasceu em Porto Alegre-RS, em 10/10/1938. Formou-se pela Academia Militar das Agulhas Negras em 1959, possui os seguintes cursos militares: Escola de Equitação do Exército, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e Escola Superior de Guerra. Na área civil é formado em Administração de Empresas. Foi Assessor Parlamentar do Ministério do Exército, Assistente-Secretário do Ministro do Exército e Chefe da 5a. Seção do Comando Militar do Leste. Atuou como instrutor da Escola de Equitação do Exército, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Cumpriu missão no exterior junto à Missão Brasileira de Instrução no Paraguai. Como Oficial-General foi Chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, Comandante Militar do Oeste, Vice-Chefe do Departamento de Material Bélico e Chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército.Integrou o Alto Comando do Exército de novembro de 2000 a Março de 2003.Passou para a Reserva em 31 de março de 2003. Foi eleito Presidente do Clube Militar em 2006.


Publicado no site do Clube Militar .
Março de 2007.



1 comment:

Anonymous said...

Assustador não é Lula! É a historia pregressa de toda a cúpula que o cerca. Todos especialistas em guerrilhas, terrorismo e fiéis seguidores da doutrina Comuno/social/marxista!
Garanto, nos preocupa mais seus silêncios de que seus escândalos!

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