Saturday, April 07, 2007

PT: Chacal hidrófobo disfarçado de cordeiro.































Esquema invencível
por Olavo de Carvalho

Quaisquer que sejam as razões dos controladores de vôo – e elas sem dúvida existem, uma coisa é óbvia: no momento em que militares prestam menos obediência a seus comandantes do que a agitadores sindicais, estamos em pleno estado pré-insurrecional, alimentado pelo governo para desmantelar o que resta das Forças Armadas e substituí-las por tropas paramilitares a serviço do Foro de São Paulo.

Quem quiser acreditar na sinceridade do recuo do sr. presidente da República, que acredite. As reservas de crédito desse cidadão parecem aumentar na proporção direta do seu invejável repertório de fintas e rodeios.

A comparação com os dias finais do governo Goulart é puramente eufemística: naquela época a sociedade civil organizada – incluindo a mídia -- era maciçamente conservadora, a direita tinha porta-vozes do calibre de um Carlos Lacerda, a Igreja Católica não era comunista, Jango não tinha o respaldo internacional que tem Lula, não havia uma militância esquerdista armada e adestrada com as dimensões do MST e sobretudo as Forças Armadas tinham líderes de verdade, investidos de prestígio histórico.

Hoje a situação da esquerda é tão confortável que já nem mesmo os políticos rotulados de direitistas têm a coragem de fazer ao governo uma oposição ideológica genuína, limitando-se a críticas administrativas menores, com o máximo cuidado de não ferir os preconceitos esquerdistas sacralizados por três décadas de falatório unânime. E mesmo esse direitismo residual, atrofiado, tímido, masoquista, já parece excessivo e intolerável à autoridade imperante, que conta os dias à espera de extirpá-lo como quem corta uma verruga.

Passar para o esquema petista o controle do espaço aéreo é apenas o complemento inevitável da apropriação, já totalmente consumada, do controle do tráfego rodoviário pelas tropas do MST. Fazer isso agora ou daqui a pouco dá na mesma. A técnica da revolução gramsciana é adiar a etapa insurrecional até o momento em que o adversário esteja tão fraco que já nem valha a pena matá-lo.

Até lá, é preciso alternar sabiamente a ousadia na ocupação de espaços e o fornecimento de anestésicos para amortecer cada novo escândalo. O timing e o cálculo das dosagens têm sido perfeitos. Até aqueles que se revoltam contra o estado de coisas só conseguem expressar seu desconforto nos termos da retórica esquerdista, infringindo a regra número um da arte do debate – não falar na língua do inimigo – e assim fornecendo à esquerda mais uma vitória ideológica a cada miúda vantagem político-eleitoral que obtêm.

Ditando as regras do jogo, o esquema que nos domina é invencível. Mais um pouquinho de relutância covarde em partir para a oposição ideológica franca, e a oportunidade de fazê-lo terá ido embora para sempre.

Pergunta horrorosa: No momento em que a hierarquia militar é flagrantemente quebrada, onde estão os nossos oficiais ditos “nacionalistas”? Não se diziam os primeirões a defender a honra das Forças Armadas? Por que todo o silêncio imemorial dos sepulcros caiados baixou repentinamente sobre esse grupo de tagarelas incansáveis?


Olavo Luís Pimentel de Carvalho nasceu em Campinas, SP em 29/04/1947 é escritor, jornalista, palestrante, filósofo, livre pensador e intelectual, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros, publica regularmente seus artigos no jornal "Diário do Comércio" e no site "Mídia Sem Máscara", além de inúmeros outros veículos do Brasil e do exterior. Já escreveu vários livros e ensaios, sendo que o mais discutido é "O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras" de 1996, que granjeou para o autor um bom número de desafetos nos meios intelectuais brasileiro, mas também uma multidão de leitores devotos, que esgotaram em três semanas a primeira edição da obra, e em quatro dias a segunda. Atualmente reside em Richmond-Virginia, EUA onde mantém um site em português e inglês, sobre sua vida, obras e idéias.
E-mail: olavo@olavodecarvalho.org


Publicado no "Jornal do Brasil"..
Quinta-feira, 05 de abril de 2007.



1 comment:

GRUPO GUARARAPES said...

AOS SENHORES SENADORES DA REPÚBLICA


Vossas Excelências ainda representam um tanto de seriedade na carcomida política brasileira. São pontuais os escândalos que respingam no SENADO, o que nos indica a possibilidade de ter esperanças no futuro do Brasil.


ESTAMOS VIVOS



O GRUPO GUARARAPES sabe muito bem que não é de bom tom lembrar às autoridades os seus deveres, mas não podemos deixar de advertir que, depois de legislar em benefício do País, o mais nobre DEVER DO PODER LEGISLATIVO é fiscalizar as ações do PODER EXECUTIVO, se este está cumprindo a Lei vigente. Quando isso não acontece, temos um legislativo de cócoras e o executivo passa a agir ditatorialmente, o que parece, lamentavelmente, ocorrer nos dias de hoje.



Os SENHORES SENADORES, que representam, em números iguais, os seus Estados, não podem esquecer de que a Nação e o povo não podem sofrer ações deletérias de Órgãos Públicos ou de organizações que se utilizam do BEM PÚBLICO para beneficiar GRUPOS ou pessoas.



Ao término do ano passado, o SENADO DA REPÚBLICA adiou para esta legislatura o início do trabalho da CPI das ONGs. Pelo que se sabe há inúmeras delas que são verdadeiras arapucas, que roubam o dinheiro público ou, até, ameaçam a nossa soberania. Há outras, contudo, que ajudam o desenvolvimento do País. Temos que separar o joio do trigo e não proteger as que são verdadeiras quadrilhas. Há que se acabar com a mania de nivelar por baixo. Todos sabem do efeito desagregador que as ONGs estão desenvolvendo na Amazônia, podendo-se afirmar que ameaçam até a SEGURANÇA NACIONAL.



O GRUPO GUARARAPES não tem intenções subalternas. Estamos somente buscando o bem do BRASIL. Estamos batendo à porta do SENADO DA REPÚBLICA por ser ainda um Órgão que merece respeito. Não chegamos à Câmara dos Deputados, por motivos óbvios.



Permitimo-nos chamar a atenção de V. Exas. para as responsabilidades que o povo lhes deu, com o seu voto.

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