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Monday, June 24, 2013

DIAGNÓSTICO DE PSICOPATIA – Parte 1





Tomando como ponto de partida o fato de que "o movimento" teve como seus criadores e mentores o Foro de São Paulo e a elite globalista condensada simbolicamente na pessoa do sr. George Soros, o seu objetivo geral já foi declarado muito antes de que o movimento eclodisse.

Caos e estratégia (I)
por Olavo de Carvalho

Nossos liberais e conservadores lêem Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek e, vendo que eles tratam o marxismo como uma pseudo-ciência econômica, concluem alegremente que ele não vale nada, não merece maior atenção. Acontece que o marxismo enquanto ciência e técnica da ação revolucionária não depende em nada da "base econômica" que nominalmente o sustenta. Essa ciência e essa técnica são de uma exatidão assustadora e não podem ser compreendidas só com a leitura dos "pais fundadores" do movimento ou com a da sua crítica liberal: requer o acompanhamento de toda uma evolução do pensamento estratégico marxista, que começa com Marx e se prolonga até Saul Alinsky e Ernesto Laclau. Este último, invertendo a fórmula clássica das relações entre "infra-estrutura" e "super-estrutura", propõe abertamente a tese de que a propaganda revolucionária cria livremente a classe da qual em seguida se denominará representante. Maior independência de toda "base econômica" não se poderia conceber. Aqueles que imaginam ter dado cabo do marxismo tão logo refutaram seus princípios econômicos se acreditam muito realistas, porque eles próprios são crentes devotos da "base econômica" do acontecer político, a qual os próprios marxistas já superaram há muito tempo. O marxismo deve ser estudado, em primeiro lugar, como uma "cultura", no sentido antropológico do termo. Remeto os interessados a três artigos em que resumo o que penso a respeito (v. A natureza do marxismo, Marxismo esotérico e Diferenças específicas). Em segundo lugar, deve ser estudado como ciência e técnica da ação revolucionária, da intervenção ativa da elite revolucionária na sociedade e na história. Essa ciência é tão veraz, e a técnica que nela se arraiga é tão eficiente, que delas resulta este fato, tão fundamental entre todos e tão solenemente ignorado pelos críticos do marxismo: há pelo menos um século e meio o comunismo é o único – repito: o único – movimento político organizado unitariamente em escala mundial e dotado de uma consciência clara da sua continuidade, bem como das suas metamorfoses estratégicas. Todos os seus pretensos adversários e concorrentes são fenômenos locais, inconexos e passageiros, espalhados no tempo e no espaço como grãos de poeira soltos no vento, incapazes não só de fazer face ao rolo compressor do movimento comunista, mas até de enxergá-lo como um todo.

Sem nenhuma presunção de expor aqui o fenômeno no seu conjunto, mas raciocinando antes em função exclusiva dos últimos acontecimentos no Brasil, destaco adiante alguns pontos que, se não forem levados em conta, tornarão inviável qualquer tentativa de compreender os lances mais recentes da história continental e nacional.

O primeiro desses pontos é o seguinte: nenhuma ação comunista tem jamais – repito: jamais – um objetivo único e linear. Todas as decisões do comando estratégico comunista são sempre de natureza dialética e experimental. De um lado, jogam sempre com uma multiplicidade de forças em conflito, não interferindo jamais no quadro antes de ter uma visão bem clara das contradições em jogo e dos múltiplos sentidos em que elas podem ser trabalhadas. Sob esse aspecto, o pensamento marxista não mudou muito desde o começo. Apenas aprimorou formidavelmente a sua visão das contradições, integrando no seu retrato mental da sociedade inúmeros tipos de conflitos novos que ou não existiam no tempo de Marx ou ele não julgou relevantes; por exemplo, o conflito entre os impulsos sexuais e a ordem social, ou entre pais e filhos. De outro lado, a essa visão dialética cada vez mais sutil e aprimorada o marxismo acrescenta o caráter experimental e não dogmático de todas as suas decisões e ações estratégicas. A articulação de dialética e experimentalismo permite que as ações do movimento comunista se beneficiem, por um lado, de uma multiplicidade de direções simultâneas que desnorteiam o adversário, e, por outro, de uma capacidade de agir por avanços e recuos mediante contínuas e não raro velocíssimas mudanças de rumo.

Quem quer que, ao analisar a recente explosão de protestos, concentre sua atenção nas reivindicações nominais – redução das tarifas de transporte público, "mais educação", "mais saúde" etc. – para discutir sua justiça e viabilidade já prova, só nisso, sua total incompetência para lidar com o assunto. Mas quem quer que, furando essa primeira barreira de aparências, procure encontrar por trás delas um objetivo determinado e único que explique o conjunto, se engana talvez ainda mais desastrosamente.

Se os protestos têm um objetivo político determinado, este só é definido, na mente dos seus planejadores estratégicos maiores, em termos muito gerais e vagos. Gerais e vagos o bastante para admitir, a cada momento, novas e – para o adversário – imprevistas mudanças de rumo.

Tomando como ponto de partida o fato de que "o movimento" teve como seus criadores e mentores o Foro de São Paulo e a elite globalista condensada simbolicamente na pessoa do sr. George Soros, o seu objetivo geral já foi declarado muito antes de que o movimento eclodisse e não requer nenhum esforço especial de interpretação. Trata-se, em resumo, de encerrar a fase "de transição" e partir para a "ruptura" ou destruição ativa de um "sistema" já cambaleante e debilitado pela onipresente "ocupação de espaços". Os slogans escolhidos para instigar a massa não têm, em si, a mais mínima importância. Podem ser trocados a qualquer momento, conforme o rumo que as coisas vão tomando. A técnica da mutação também não é rígida, mas adapta-se velozmente a uma conjuntura em constante transformação; transformação que o próprio movimento acelera por sua vez. Não se trata, portanto, de alcançar este ou aquele objetivo concreto em particular, mas de operar com um leque de possibilidades em aberto e conservar, na medida do possível, algum controle do conjunto.

Essas possibilidades são exploradas simultaneamente e, conforme uma ou outra se revele mais viável ou mais problemática, será intensificada ou refreada pelo comando do processo. As mais importantes, a meu ver, são as seguintes:

(a) Trocar a própria liderança visível da esquerda, substituindo os agentes da "transição" pelos agentes da "ruptura", decididos a ações mais drásticas.

(b) Espalhar o caos para justificar medidas de força, aproveitando para, no mesmo ato, testar os "agentes de transição": se conseguirem controlar repressivamente a situação e aumentar o poder do grupo dominante, sobreviverão; caso contrário, serão trocados.

(c) Incitar à ação pública as forças antagônicas (cristãos, patriotas, conservadores etc.), para mapeá-las e averiguar as possibilidades de controlá-las ou extingui-las.

(d) Caso a evolução do movimento se mostre majoritariamente favorável aos objetivos dos planejadores, fomentá-lo ainda mais para que a própria ação da militância enragée adquira autonomia e conquiste autoridade por si própria, transmutando-se em nova estrutura de governo.

Esta possibilidade, a mais ostensivamente "revolucionária", parece já ter sido excluída, na medida em que as forças antagônicas, malgrado sua total desorganização e ausência de comando, se mesclaram ao movimento, ocuparam as praças públicas e acabaram, em certos casos, por acuar e sobrepujar a militância esquerdista.

O próprio comando da esquerda militante ordenou que as manifestações cessassem, o que imediatamente deixa o campo livre para as massas antagônicas e favorece, ipso facto, a adoção da via repressiva para estrangular a ameaça de um "golpe teocrático e fascista". Se esse estrangulamento tomará a forma de uma repressão policial violenta ou de um simples incremento do aparato de investigação e controle social, é cedo para dizer.

O detalhe mais importante, aí, é que as forças antagônicas se constituem exclusivamente de massas amorfas e desorganizadas, sem o mais mínimo comando estratégico e até sem aquelas figuras de heróis improvisados que um erro terminológico denomina "líderes", quando o certo seria chamá-los apenas de "símbolos aglutinadores". Essa massa é numericamente superior, seja à militância organizada do Foro de São Paulo, seja às tropas de arruaceiros subsidiadas pelo sr. George Soros. Sua presença nas ruas, bem como a vaia multitudinária que despejou sobre a presidenta Dilma Rousseff, são, no sentido mais estrito do termo, explosões espontâneas e anárquicas no mais alto grau, contrastando, nisso, com a ação bem planejada dos militantes do outro lado, que ocupam o espaço público armadas de instruções precisas, de slogans bem ensaiados (em Brasília, viu-se até o texto de uma convocatória inteira recitado em côro pela multidão). Desse modo, o que se viu nas ruas não foi uma competição entre forças de um mesmo gênero – duas militâncias, duas ideologias, duas forças políticas –, mas entre dois tipos de multidão radicalmente heterogêneos: a massa e a militância, a revolta confusa e a ação premeditada.

Quem não levar em conta esses fatores não entenderá absolutamente nada do que está acontecendo e estará privado até da mera possibilidade teórica de uma ação conseqüente.


O que acabo de dizer pode levar o leitor surpreso a concluir que no meu entender, ou mesmo na realidade das coisas, os mentores do movimento comunista são gênios fora do comum, capazes de pensar em todas as alternativas ao mesmo tempo e de manejar todas as peças do tabuleiro.

Decerto não é bem assim. Comparado com a vastidão do seu alcance, o movimento comunista teve um número relativamente pequeno de gênios estratégicos, a começar por Lênin e Stálin, e um número um pouco maior mas nada notável de talentos estratégicos secundários, como Saul Alinsky, Ernesto Laclau ou a dupla Cloward & Piven. Mas algumas regras explícitas e tácitas que esses e outros seguiram acabaram por se incorporar à "cultura" comunista, isto é, a um conjunto de hábitos reflexos de pensamento compartilhados por toda a militância, que os assimila sem grande exame crítico, às vezes até num nível semiconsciente e pré-verbal. Isso quer dizer que essas regras transparecerão nebulosamente na conduta de líderes e militantes como as regras da gramática transparecem, deformadas mas não abolidas, na fala de quem nunca estudou gramática.

Não é preciso dizer que, na passagem dos princípios estratégicos explícitos e criticamente elaborados às regras semiconscientes automatizadas, o que era tirocínio estratégico se rebaixa ao estatuto de cacoetes mentais e de uma espécie de estupidez astuta; a complexidade do raciocínio dialético aparece agora como pensamento dúplice e escorregadio, uma espécie de incompreensão maliciosa que tudo deforma, mas deforma num sentido coerente com os propósitos gerais do movimento comunista e benéfico aos interesses do Partido.

Quem estudou o livro do psiquiatra polonês Andrew Lobaczewski, Political Ponerology, reconhecerá aí a queda de nível desde uma liderança original psicopática a uma classe de epígonos histéricos. A psicopatia é compatível com elevado grau de inteligência e aguda consciência da situação real. O epigonato histérico copia a conduta psicopática sem compreendê-la muito bem e, por isso, não diferencia claramente o diagnóstico objetivo da situação e o discurso de auto-identidade partidária. Dito de outro modo: não percebe muito bem quando está descrevendo uma situação objetiva e quando a está deformando para reforçar o sentimento de unidade da militância, fomentar o ódio ao inimigo ou persuadir a militância a seguir determinada linha de ação. O psicopata, quando mente, sabe que mente. No histérico, a mentira conveniente já se interiorizou ao ponto de não poder ser discernida como tal. O resultado é que uma visão totalmente falsa da situação pode, paradoxalmente, produzir uma ação relativamente eficiente, na medida em que reflete ainda, de longe e obscuramente, a visão estratégica originária. É como se disséssemos que o epígono ou militante histérico é louco, mas não rasga dinheiro: tem uma visão deformada da realidade, mas deformada num sentido que, por força dos automatismos acumulados na cultura comunista e da sua raiz longínqua numa visão estratégica consciente, ainda favorece a ação partidária.

Um exemplo claríssimo desse fenômeno é o recente pronunciamento do sr. Valter Pomar, reproduzido abaixo como Apêndice 2.

Ele começa assim: "Quem militou ou estudou os acontecimentos anteriores ao golpe de 1964 sabe muito bem que a direita é capaz de combinar todas as formas de luta."

Historicamente isso é falso. A direita brasileira nunca teve, por exemplo, um partido de massas ou uma militância adestrada e organizada. Muito menos teve uma rede mundial de partidos aliados, uma "internacional". Nem teve uma rede organizada de editoras de livros como o Partido Comunista sempre teve. E, durante todo o tempo de ocupação esquerdista do governo, nunca teve à sua disposição centenas de jornais "nanicos" como a esquerda teve durante o regime militar. Muito menos uma militância estudantil significativa. Muitas são as "formas de luta" que lhe faltaram e faltam.

Pomar não parece ter a mínima consciência disso. No entanto, tomar a falsidade como um fato ajuda a fortalecer a unidade da militância esquerdista pelo temor a um inimigo comum evocado de um passado quase mítico.

Pomar não está mentindo intencionalmente. Está mesclando e confundindo os dois níveis de discurso – a descrição da realidade e o apelo à unidade do grupo ouvinte –, como é próprio dos epígonos histéricos e da "estupidez astuta" a que me referi, quase que uma "deficiência eficiente", expressão paradoxal que corresponde à natureza paradoxal do fenômeno mesmo.

[Continua]


Olavo Luís Pimentel de Carvalho nasceu em Campinas, SP em 29/04/1947 é escritor, jornalista, palestrante, filósofo, livre pensador e intelectual, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros, publica regularmente seus artigos nos jornais "Diário do Comércio", "Jornal do Brasil" e no site "Mídia Sem Máscara", além de inúmeros outros veículos do Brasil e do exterior. Já escreveu vários livros e ensaios, sendo que o mais discutido é "O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras" de 1996, que granjeou para o autor um bom número de desafetos nos meios intelectuais brasileiro, mas também uma multidão de leitores devotos, que esgotaram em três semanas a primeira edição da obra, e em quatro dias a segunda. Atualmente reside em Richmond-Virginia, EUA onde mantém o site "Olavo de Carvalho" em português e inglês, sobre sua vida, obras e idéias. E-mail: olavo@olavodecarvalho.org


Publicado no site "MÍDIA SEM MÁSCARA" – Artigos-Movimento Revolucionário.
Segunda-feira, 24 de junho de 2013.




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Monday, February 14, 2011

AS LEGIÕES DO DEMÔNIO




A esquerda e o Islã de mãos dadas – Parte I
por Leonardo Bruno

O professor idiota médio, aquele esquerdista encontrado em universidades e escolas, que choraminga horrores sobre a "falecida" (ou a falsa defunta) União Soviética e canta de coro e verso elogios sobre a ditadura de Fidel Castro e sua similar "bolivariana" na Venezuela de Hugo Chávez, nutre uma pernóstica admiração pelas ditaduras teocráticas islâmicas. A questão aí é confusa e necessita de uma visão mais apurada. O professor idiota médio não fala por osmose, por geração espontânea, até porque não tem miolo para tanto, mas fala por macaquices. Ele tem suas fontes de influência e desinformação: Revista Caros Amigos, Carta Maior, Le Monde Diplomatique, cartilhas do PT ou do Partido Comunista, etc.

Por que a esquerda ocidental defende, aprova e legitima a cultura politicamente correta homossexual e feminista no ocidente e contraditoriamente se posiciona a favor dos regimes islâmicos, que colocam mulheres feministas na cadeia e enforcam gays? Por que a esquerda ocidental odeia tanto o cristianismo, ao mesmo tempo em que aprova o fundamentalismo islâmico e o terrorismo? Por que uma militância ateísta e laicista, de repente, se torna aliada ao que há de pior no fanatismo e no atraso político totalitário religioso?

Uma coisa parece bastante óbvia: há uma aliança política entre o islã totalitário e os regimes comunistas. Ou melhor, há uma aliança tática entre o islã e os militantes comunistas e socialistas do ocidente. A Venezuela se aproxima do Irã para o desenvolvimento conjunto de armas nucleares, com a ajuda da Bolívia, que fornece o urânio. Os grupos terroristas islâmicos são armados com logística soviética e chinesa, além de norte-coreana, e seus excedentes de armas são disseminados na América Latina, através do narcotráfico das Farc e demais grupos terroristas de esquerda. Mesmo o proto-ditador Hugo Chávez compra armas soviéticas da Ucrânia e da Rússia.

Na verdade, o islã faz o mesmíssimo papel que Hitler fez na segunda guerra mundial. Um dos fatores que motivaram a aliança comunista com Hitler, através do Pacto Ribentropp-Molotov, era a perspectiva de que a Alemanha nazista, ao guerrear contra o oeste, se enfraqueceria, junto com as democracias ocidentais. Os regimes totalitários sabiam das fraquezas e da covardia das democracias ocidentais, temerosas em declarar uma guerra. Tanto os nazistas, como os comunistas exploravam esse medo, através de uma campanha de desinformação em massa na imprensa e na opinião pública. O regime nazista era vendido como a muralha contra as hordas bolchevistas do oriente. E os comunistas ocidentais usavam, tanto o regime nazista, como os sistemas democráticos, como espantalhos de "sociais-fascismos" e idolatravam a expansão e dominação da União Soviética.

Paradoxalmente insuflavam movimentos pacifistas de desarmamento unilateral das democracias, já que na ótica deles, tanto as democracias, como os fascismos eram apenas "fascismos", estavam no mesmo plano político. Quando a União Soviética invadiu a Finlândia em 1939, pouco depois do Pacto de aliança entre Hitler e Stálin, os intelectuais de esquerda, dentre os quais, Eric Hobsbawn, defenderam alegremente a expansão criminosa da Rússia naquele país. E quando Hitler invadiu a França em 1940, os comunistas franceses boicotaram o esforço de guerra francês contra o exército alemão.

A Alemanha, outrora bastião anti-bolchevique, tornou-se justamente a porta de entrada comunista na Europa. O exército alemão, que dependia largamente da logística e petróleo soviético, e envolvido em uma guerra longa, seria boicotado pelos russos, que invadiriam a Alemanha e dominariam a Europa. Na verdade, a Alemanha seria o quebra-gelo do exército vermelho sobre todo o continente europeu. Hitler percebeu isso a tempo e invadiu a União Soviética, pegando de surpresa os russos. A completa derrota do exército alemão e de seus aliados no Leste Europeu deu passe livre para que o exército vermelho ocupasse metade do continente. A única situação que impediu a total bolchevização da Europa foi a presença do exército americano, que evitou que todo um continente fosse perdido para o totalitarismo russo.

A situação atual não é muito diferente. É apenas mais complexa. A disputa atual não é entre democracia e ditadura apenas, mas envolve toda a estrutura de uma civilização. Tanto o islã, como o movimento comunista, são aliados na destruição completa da civilização cristã ocidental. Reitero, cristã, porque é o cristianismo que dá perfeita coerência aos nossos valores de direitos individuais e direitos humanos na democracia. Não se pode falar em sacralização da vida humana dentro do Estado laico que aprova o aborto. Nem a proteção da família com os "direitos" dos homossexuais e o decréscimo das famílias europeias e americanas. A perda de coerência de princípio das instituições europeias e ocidentais gerou essa crise de valores, essa crise hierárquica de princípios, que faz o continente europeu e o ocidente definharem para a barbárie islâmica. A campanha em massa de degradação, difamação e destruição sistemática do cristianismo já é antiga. Porém, ela ganha força quando os próprios Estados democráticos se tornam virulentamente hostis à religião cristã. Mas é só à religião cristã. Do lado islâmico, através da política do multiculturalismo, a tolerância dos Estados ocidentais é anormal, abusiva e até criminosa.

Muitos poderiam objetar que a disputa entre ocidente e oriente é entre laicismo e religião, democracia e totalitarismo. Nada mais falso. O conceito de governo laico é pura invenção do cristianismo medieval. Parte da dessacralização do poder político e da recusa saudável da divinização do Estado, do rei ou do imperador, comum ao mundo antigo e ao mundo islâmico. No entanto, o laicismo, que é uma ideologia que destrói qualquer fundamento na transcendência, tem sua forma de idolatria: o materialismo, na figura do próprio Estado encarnado, que se torna vontade última no plano dos valores e do direito.

O relativismo moral, ético e cultural do ocidente e o multiculturalismo são frutos cabais da militância laicista. A pregação intelectual laica gerou o esvaziamento ético e moral do ocidente. Foi ela a responsável pela relativização geral dos costumes, que faz com que os islâmicos imponham sua sharia ou cortem clitóris de muçulmanas no continente europeu, sem o menor escândalo de governos democráticos e entidades de direitos humanos. Ora, se todos os valores estão no mesmo plano de relativismo cultural, por que condenar as práticas bárbaras dos islâmicos? Por que defender os valores do ocidente? A democracia liberal não será capaz de proteger esses princípios. Os liberais não entendem que os conceitos formais da democracia não são suficientes para defender o ocidente das tiranias e dos totalitarismos. A democracia liberal no ocidente só sobreviveu em alguns países porque havia um esquema moral e ético cristão ancestral, que colocava os direitos naturais acima da vontade do Estado.

Atualmente, dominados por um esquema mental utilitarista, os liberais acabam por acatar qualquer subjetividade neurótica e irresponsável em nome do respeito ao indivíduo. A militância pró-aborto, pró-homossexualismo, pró-destruição da família só existe porque o esquema utilitário do individualismo liberal permitiu uma completa destruição dos valores comuns da vida e da família comungados até então pelo ocidente. Na sociedade ocidental, ninguém relativizava o direito à vida de um nascituro inocente. Tampouco as estruturas tradicionais da família e da sexualidade. As reinvindicações aparentemente "individualistas" de grupos desajustados, idiossincráticos ou mesmo criminosos tornaram-se armas poderosíssimas para destruir a democracia liberal, colocando em xeque todo seu sistema de liberdades, já que esse escopo só existe dentro do direito à vida e a proteção da família. Não é mera coincidência que estes grupos politicamente corretos sejam bancados ou apoiados pelos partidos comunistas. . .

As democracias liberais não foram poderosas o suficiente para se defenderem dos movimentos totalitários do tipo fascista ou comunista. E não serão poderosas o suficiente para derrotarem a expansão islâmica, junto com a aliança comunista. Ao acatarem o laicismo e o utilitarismo, os liberais dão armas prontas para todos os inimigos dos sistemas de liberdades. A democracia liberal pode acatar até a ditadura islâmica. Basta que os "indivíduos" islâmicos sejam maioria e votem em peso pela destruição das liberdades individuais. É o que de fato ocorre na Europa, com o crescimento vertiginoso da população muçulmana. Em outras palavras, o individualismo liberal, sem a tradição cristã que organiza uma hierarquia tradicional de valores comuns, é uma arma contra a própria democracia e a civilização.

Os islâmicos terroristas e os comunistas militantes sabem muito bem explorar o sistema de liberdades para destruí-lo. Eles tomam conta da opinião pública, intimidam as democracias e a chantageiam psicologicamente e invertem toda a crítica, a fim de desmoralizar moralmente o ocidente. As democracias são paralisadas pela sua covardia ou excesso de bom mocismo. Tal como na época da expansão nazista, os políticos ocidentais tremem de medo perante o Islã. Serão sugados por ele.

A desestruturação cultural do ocidente só tem uma meta: a sua completa destruição. E o Islã será o rolo compressor contra as democracias ocidentais, com o agravante de ter uma força cultural muito maior do que o nazismo. Enquanto isso, potências como Rússia e China vão explorar o caos de uma guerra contra o ocidente, para esmagarem os dois lados enfraquecidos. Os objetivos estão perfeitamente claros: destruir o Estado judeu; islamizar a Europa e destruir as referências cristãs e ocidentais da cultura; desestabilizar as democracias na América Latina e implantar regimes totalitários pró-comunistas e pró-islâmicos. E, por último, fazer prostrar a nação norte-americana contra a força conjunta do imperialismo islâmico e comunista.

O atual caos egípcio é apenas o prelúdio que poderá levar o Oriente Médio e até o mundo à guerra. A ascensão da Irmandade Islâmica e a ameaça de quebra de acordo de paz entre o Egito e o Estado judeu vai restaurar a mesma estrutura geopolítica que engendrou a guerra dos seis dias contra Israel. E expor um país democrático à sanha fanática dos islâmicos. O Irã e a Síria estão pedindo a guerra. Falta o Egito aderir. E a esquerda ocidental finge defender a democracia, ao acatar a derrubada do ditador Hosni Mubarak, quando na prática, quer que o circo pegue fogo, aprovando a ascensão de uma ditadura pior e bem mais antiocidental.

Quem vencerá essa luta? Ninguém sabe. Porém, quaisquer que sejam os destinos, eles serão negros. George Orwell dizia que o totalitarismo seria uma bota esmagando um rosto humano. O islã é a cimitarra no pescoço da humanidade.

Publicado no blog "Conde Loppeux de la Villanueva"
Segunda-feira, 07 de fevereiro de 2011.








A esquerda e o Islã de mãos dadas – Parte II
por Leonardo Bruno

No meu último artigo sobre a aliança entre o Islã totalitário e o movimento esquerdista, alguém objetou afirmando que tudo não passaria de "teoria da conspiração". A associação chinesa, russa, norte-coreana e mesmo latino-americana com os grupos terroristas islâmicos não teria força suficiente para derrotar o ocidente, considerado cultural, política e tecnologicamente superior. No entanto, a argumentação ignora vários aspectos básicos. Primeiramente, os inimigos da civilização ocidental sabem da supremacia do ocidente sobre o resto do mundo. Mas isso tampouco os intimida. Pelo contrário, embora saibam dessa superioridade, conhecem também suas fraquezas. Se a civilização superior fosse sinônima de perpetuidade e invulnerabilidade, o Império Romano jamais seria destruído pelas hordas bárbaras do leste.
Um detalhe essencial dessa fraqueza é de princípio. A democracia não está preparada para combater seus inimigos totalitários. O século XX inteiro é um retrato cabal dessa fragilidade. Da mesma forma que o sistema de liberdades é um elemento poderoso da força criativa do ocidente, por outro lado, o relativismo moral e ético pode colocar toda essa concepção de liberdade a perder. E por quê? Ao contrário do palavreado liberal, crente que os formalismos da democracia são fontes causais e asseguradoras da nossa concepção dos direitos civis, os conceitos de liberdade do ocidente são teológicos, frutos de uma tradição cultural cristã ancestral, que faz do livre arbítrio um dilema moral basilar das nossas escolhas entre o bem e o mal, o moral e o imoral, o verdadeiro e o falso, etc.

Em outras palavras, a liberdade, a voluntariedade, o consentimento e a responsabilidade individual têm sólido peso na formação religiosa do mundo ocidental, em épocas muito anteriores ao liberalismo político. Na verdade, o sistema liberal só deu certo dentro do prisma de uma estrutura cristã elementar. Quando o cristianismo definhou, a liberdade foi junto para o espaço. Alguém poderia objetar, afirmando que países como Japão e Coréia do Sul também adotaram sistemas liberais sem serem originalmente cristãos. Porém, muitos dos valores ocidentais foram absorvidos por esses povos, inclusive, os conceitos e dilemas éticos e morais do ocidente, adaptados à realidade deles. É claro que a mera existência da Cristandade, em si mesma, não significa que haja um sistema de liberdades. É perfeitamente possível que existam governos cristãos extremamente autoritários. Todavia, o ocidente, sem os valores cristãos, parece se degenerar em sistemas muito mais opressivos, mesmo dentro dos Estados democráticos, já que os valores morais transcendentes, que não dependem da gerência governamental, são colocados de lado, em nome da vontade estatal. No final, o Estado democrático se auto-sacraliza, auto-diviniza.

A liberdade só tem sentido a partir de um prisma ético e moral, dentro de um sistema de valores orientadores da conduta individual. A democracia liberal está naufragando, justamente porque esses princípios estão em crise. Liberdade individual no ocidente se tornou sinônimo de licenciosidade e as noções morais e éticas do dever estão sendo invertidas de cabeça para baixo. E como os grupos e sistemas totalitários exploram a fraqueza moral do ocidente? Será mera coincidência que os comunistas incentivam bandeiras idiossincráticas da ditadura cultural politicamente correta, do aborto, do casamento gay e demais elementos desmoralizadores, justamente para subverter os conceitos morais e éticos ancestrais da liberdade? Não será espantoso que esses movimentos explorem a liberdade de imprensa, de opinião e informação para subverter e deturpar completamente o sentido da realidade e mesmo propaguem a destruição das próprias liberdades pelas quais são beneficiárias? As liberdades democráticas estão sendo prostituídas e utilizadas para a destruição da própria democracia.

O laicismo é, atualmente, um proselitismo caro tanto a liberais, como a esquerdistas. Contudo, as ideias liberais clássicas, de Locke, Adam Smith a Montesquieu, de Tocqueville a Bastiat, só tiveram vigor e seguridade através da crença de que há valores transcendentes na política, inspirados pelo direito natural, seja este concebido pela razão ou por Deus. Ninguém, até então questionava o valor intrínseco da vida humana, da estrutura natural da família, da moral vigente ou mesmo os deveres e iniciativas do indivíduo, em favor de caprichos particulares e absurdos. Pelo contrário, o Estado liberal visava proteger os direitos. Ademais, o sábio Tocqueville afirmava que a consequência da falta de religião na vida pública democrática transformaria a democracia de uma nação cristã para uma nação de turcos obedientes. Nada mais profética sua análise. A Europa é uma legião de "turcos" obedientes à idolatria pagã da soberania popular do Estado. E com o crescimento populacional dos muçulmanos, é possível que virem turcos de fato. A propaganda da laicidade pelos liberais está levando a uma quebra moral do ocidente, já que os valores tradicionais estão sendo dissociados de sua origem mística, transcendente. Ingenuamente, eles acreditam que o Estado liberal é neutro de valores e crenças. Paradoxalmente, tanto para o liberal, como para o socialista, justiça não é algo acima do Estado. É o próprio Estado. O liberal laico é o idiota útil que faz tudo o que o socialista deseja.

O vazio moral do liberalismo político está sendo usado como a melhor arma para destruir a sociedade civil e os direitos individuais. E como? Ao relativizarem os valores da vida, da família e de toda uma estrutura moral em nome de qualquer subjetividade neurótica, os liberais estão contribuindo para destruir os alicerces da liberdade civil, que são as instituições privadas. Lembremos, as instituições da sociedade civil são morais, no sentido de que necessitam de valores para que elas tenham confiabilidade e sejam um meio de associação e diálogo entre os indivíduos. Da família à livre empresa, da livre associação à Igreja e à escola, todas essas associações e instituições estão sendo ameaçadas por uma campanha completa de desmoralização. É muita ingenuidade ou burrice achar que as leis formais da democracia liberal vão estar acima dos valores éticos e morais consagrados pela sociedade. Se dentro da própria sociedade há movimentos subversivos e delinquentes bem organizados, que deturpam os valores comuns da vida, da liberdade, da propriedade e da família, é claro que isso vai se refletir na conduta do Estado e das leis. A agendinha politicamente correta das esquerdas está atuante e sendo perfeita beneficiária da democracia liberal. Como anteriormente, os movimentos fascistas e o nazismo foram perfeitamente beneficiários da democracia liberal nos anos 30 do século passado. Não é o liberal que acha que todas as ideias podem ser respeitadas e niveladas no mesmo plano, já que tudo é uma questão de mera subjetividade?

A mídia atual é um perfeito instrumento que incentiva o ódio a tudo aquilo que nos identifica, representa e estrutura socialmente: a moral cristã, os valores familiares, o direito à vida, o direito à propriedade, o senso de dever e solidariedade, a livre iniciativa, etc. E contraditoriamente, esta mesma fábrica de desinformação e propaganda nos dita como bajular os nossos inimigos, no sentido pervertido de sujeitar-nos covardemente sob os caprichos de nossos algozes. Daí a Europa envergonhada de suas origens cristãs, rendendo loas ao Islão que a odeia ou à tirania comunista, que almeja escravizá-la como gado. Ou a democracia que aprova as atrocidades islâmicas de extirpação do clitóris ou espancamento de mulheres sob as vistas grossas das feministas e das organizações de direitos humanos, em pleno ocidente. Tudo em nome do multiculturalismo, naturalmente!

O islão terrorista também sabe se aproveitar da democracia liberal. Enquanto o método esquerdista é o da desinformação em massa e da escandalosa colaboração política com os governos e grupos fanáticos muçulmanos, as práticas islâmicas visam o terror e a intimidação, mescladas com a chantagem psicológica (embora esse expediente seja comum ao histórico dos movimentos comunistas). Na verdade, o islão aprendeu, e muito, com o movimento comunista. Os grupos terroristas muçulmanos atuais só existem porque foram treinados e armados através de uma elaborada organização logística da KGB soviética. Alguém duvida que as ditaduras islâmicas são armadas pelos países comunistas? A OLP, o Hammas, o Hezbollah, e outros, são produtos da guerra fria, crias subversivas da Rússia. Como as ditaduras da Síria, do Irã e mesmo antiga ditadura de Saddam Hussein foram inspiradas no modelo soviético.

É um erro e uma tolice acreditar que a população islâmica destes países esteja preparada para a democracia, nos moldes ocidentais. A "revolução árabe" no Egito, alardeada como uma luta pela democracia na mídia ocidental é tão somente um prelúdio para outra ditadura islâmica atroz, tal como é atualmente o Irã, com a ascensão do aiatolá Khomeini. Erro maior ainda foi a política ocidental com relação aos cidadãos islâmicos nascidos no continente europeu. A política multiculturalista das esquerdas, com a tolerância dos liberais, visou separá-los da comunidade e dos valores ocidentais. Ao invés de assimilá-los, acabou criando duas comunidades distintas, cujo abismo cultural é assustador. No final das contas, a população islâmica europeia é uma bomba-relógio pronta para explodir e incendiar o velho continente.

Os arautos da democracia ocidental não sabem o que fazer contra essas artimanhas. Por um lado, os islâmicos provocam e hostilizam o sistema democrático, explorando seu sistema de liberdades para promover sua causa totalitária e ter passe livre para aterrorizar a população civil. E por outro lado, a imprensa ocidental, infestada de esquerdistas, boicota qualquer tipo de ação defensiva contra essas práticas. Na verdade, tanto islâmicos e esquerdistas exploram os sentimentos humanitários da democracia para jogá-los contra o ocidente. "Valores humanitários", por assim dizer, só valem para os ocidentais obedecerem, quando a relação é com o islão. Entretanto, os islâmicos fundamentalistas desprezam quaisquer causas humanitárias. Com a ajuda da opinião pública distorcida, subvertem a ordem da realidade e dos valores, imputando noções de moralidade que eles nem mesmo obedecem. Neste caso, a democracia vive um dilema sério: se se omitir contra a ação islâmica de intimidação, poderá se enfraquecer e perder a batalha contra o terrorismo. E se usar uma política dura de restrição aos direitos civis ou mesmo de expulsão dos islâmicos, será acusada de trair seus princípios individualistas e liberais. Eis o jogo perverso da chamada "guerra assimétrica". Nos dois casos, a intenção de desmoralizar e destruir a democracia é uma fórmula incrivelmente eficaz.

No geral, os liberais, idiotizados com a crença adocicada dos formalismos constitucionais e com as pregações do livre mercado, ignoram ou não percebem que as grandes disputas políticas do século XX e no século XXI foram verdadeiras lutas civilizacionais. Lutar contra o comunismo ou o nazismo não foi apenas uma guerra entre democracia liberal e totalitarismo, mas uma luta entre tudo que entendemos por civilização nos últimos dois mil anos e uma nova forma de vida e política destrutiva, perversa, que ameaçou levar a humanidade ao mais completo obscurantismo. Quem percebeu, com sabedoria, essa disparidade, foi o estadista Churchill. Pena que até então nada se aprendeu com essas lições históricas.

As cimitarras, mais uma vez, depois de séculos de guerras, estão apontadas para a Europa e o ocidente e ameaçam tudo aquilo que concebemos como civilização. A diferença é que agora os islâmicos estão armados com homens-bombas e fuzis kalashinikovs. E planejam construir até bombas atômicas, com o apoio do que foi a mais grotesca e destrutiva cria ideológica do ocidente, que é o comunismo. Entretanto, a pior crise do ocidente é interna, é moral. Ao que parece, o ceticismo domina as consciências políticas e intelectuais no quesito de seus próprios valores e não há alguém disposto a defendê-los. Essa nova guerra será menos vitoriosa pelas armas do que pela defesa dos valores em disputa. Uma delas é a Cristandade e suas estrutura de valores. Sem a moral necessária, sem a defesa apologética do arcabouço cultural que faz do ocidente uma civilização corajosa, criativa e superior, a guerra estará perdida antes de começar. E é só esperar o desastre. . .

Publicado no blog "Conde Loppeux de la Villanueva"
Quarta-feira, 09 de fevereiro de 2011.



Leonardo Bruno, "Conde Loppeux de la Villanueva", um reacionário hidrófobo, blogueiro da mídia golpista.











Morre em SP o jornalista Mauro Chaves – Estadão








Thursday, January 06, 2011

AVISO AOS "NAVEGANTES": EU NÃO TEMO "MAL" ALGUM !




A QUESTÃO DO MAL
por José Nivaldo Cordeiro

Passei as últimas semanas lendo o livro FAUSTO, de Goethe, e vasta literatura em torno do tema. Essas leituras são destinadas a fundamentar o curso que vou dar sobre o livro neste semestre. Não é uma obra simples, porque está carregada de simbolismos cujo sentido deixou de ser percepção corrente há muito tempo, provavelmente desde que foi escrito. É, por esse aspecto, uma obra muito difícil para os leitores de hoje. No centro do poema está a questão do Mal, da sua personificação. A sociedade laica e atéia que se tornou majoritária em nosso meio sequer dá-se conta da dimensão prática dessa discussão, que só teve algum interesse no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial e, ainda assim, sob a perspectiva atéia. Um exemplo conspícuo é a obra de Hanna Arendt, tentando entender o que se abateu sobre a Europa e, em especial, sobre o povo judeu. Creio que ela fracassou por tentar responder à questão escapando ao desafio teológico colocado pelos eventos.

[Hanna Arendt deu grande impulso à linha teórica que reforça a tese dos direitos humanos como fundamento da filosofia política e jurídica enquanto instrumento para combater o totalitarismo, sem perceber que esta tese já havia sido empolgada pelos cultuadores do mesmo totalitarismo então vencido. Vemos agora no Brasil o exemplo de como essa linha teórica desaguou na justificação da dissolução dos valores ocidentais, fundamentando todas as mazelas que precederam a eclosão do totalitarismo. Como herdeira dos valores iluministas e ateus, Arendt deixou-se cair na armadilha e certamente ficaria espantada sobre o que se fala em seu nome para justificar as novas gerações de "direitos", que na prática levam ao oposto de uma sociedade juridicamente organizada de forma sã, abrindo o flanco para que novos totalitarismos emerjam.]

Definitivamente, o problema do Mal se manifesta sobretudo na dimensão política, por causa da escala cataclísmica. Ele, todavia, é também uma experiência pessoal e ouso meditar que a vida humana, ao fim e ao cabo, é uma coleção de experimentos e confrontos com o Mal, mesmo que a pessoa individualmente não tenha consciência do que se passa consigo mesma. Os filósofos e cientistas políticos que viveram no pós-guerra não esconderam seu pasmo e seu terror diante dos acontecimentos do totalitarismo que se abateu sobre o mundo na primeira metade do século XX. O Estado tornou-se o grande e mais poderoso instrumento pelo qual as personalidades demoníacas puderam praticar as maldades no limite do paroxismo. Creio ser impossível discutir seriamente filosofia política sem enfrentar a questão teórica do Mal. Daí a atualidade perene da obra de Goethe, que colocou o problema de forma integral no seu poema. O objeto deste comentário, todavia, não é o FAUSTO, mas dois textos papais acerca do tema. Dois papas e duas visões do Mal, que, sob uma ótica estrita, são visões opostas, mas que se completam em algum grau.

O primeiro texto é de autoria de João Paulo II (MEMÓRIA E IDENTIDADE, Editora Objetiva, 2005), sendo o que mais nos interessa os seus dez primeiros capítulos. O essencial do livro está no relato da experiência do papa na sua Polônia natal e o confronto que ele pessoalmente fez com as duas formas de totalitarismo mais letais que a Europa viveu: o nazismo e comunismo. João Paulo II adotou a linha de pensamento que, de certa forma, é a oficial e preponderante na Igreja Católica, que vê o Mal como mera privação do Bem, na linha inaugurada por Santo Agostinho. É uma abordagem intelectual do Mal e creio ser ela insuficiente e inadequada para dar conta da sua realidade nefanda.

O segundo texto é um discurso do Papa Paulo VI proferido em 1971 e que pode ser acessado na página do Professor Felipe Aquino. Nesse discurso famoso, o Mal assume a forma personificada que está no poema de Goethe, deixando de ser uma abstração filosófica para ser uma figura atuante. Suas primeiras palavras foram cortantes: "Atualmente, quais são as maiores necessidades da Igreja? Não deveis considerar a nossa resposta simplista, ou até supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa daquele mal, a que chamamos Demônio". E, mais à frente: "O mal já não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor". Creio ser esta a mesma percepção de Goethe e que se encontra amplamente amparada nos textos bíblicos, desde o Gênesis até as Escrituras do Novo Testamento. Basta notar que uma das qualidades de Jesus em suas ações era o poder com que expulsava os demônios, tendo sido ele próprio tentado por Satã.

A visão intelectualista de Santo Agostinho e de João Paulo II deixa escapar o fato essencial de que o Mal é um sujeito que opera, tem vontade própria e capacidade de desencaminhar os homens individualmente, mas ele tem sobretudo a capacidade de influir sobre os homens de poder e de conhecimento. Ele sempre age por meio de homens e mulheres que se dispõem a fazer o pacto mefistofélico, como bem descrito na obra de Goethe. O enorme poder que os Estados atuais são detentores acaba por se tornar armas mortíferas contra a humanidade. Nesse sentido, os perigos dos tempos de hoje são maiores do que aqueles que antecederam as duas grandes guerras. Entender o Mal passou a ser elemento essencial para compreender como o mundo hoje está se movendo.

É no Livro de Jó que Goethe buscará inspiração para seu poema. Jó é um personagem típico do Antigo Testamento, homem temente a Deus e capaz de resistir de forma santificada às investidas do Demônio. Sua vitória sobre o Mal é completa por força dessa santidade. Em Goethe, todavia, vemos um tipo diferente de homem: o moderno intelectual que se cansou da própria ciência e está mergulhado no tédio da razão. É a criatura que desdenha do criador e que busca no trinômio sexo, poder e dinheiro os meios para escapar de sua infelicidade de ser criado. Diferentemente de Jó, Fausto se entrega voluntariamente ao Demônio, pratica toda sorte de maldades e morre para, ao final, ser resgatado, ainda assim, do fogo dos infernos. Um final cristão.

Os preferidos de Deus no Antigo Testamento eram grandes homens santos, capazes de resistir ao Mal, como Jó, José e Daniel. Mas nem sempre. Devemos nos lembrar de Davi, aquele que praticou iniqüidades, mas manteve-se como um preferido de Deus. O mesmo pode ser dito de seu filho Salomão.

João Paulo II lembrou, no seu magnífico texto, que o limite imposto ao Mal é a Redenção, exemplificada na própria encarnação do Deus Vivo. Mas essa é uma conclusão ex post facto e está mais vinculada à trajetória do indivíduo isolado. Sua finalidade é escatológica, não serve para a ação prática cotidiana dos viventes. Outra questão é como o Estado se torna o instrumento para se fazer no flagelo e no verdugo das massas, experiência não conhecida antes do século XX. Voltamos então ao problema da política e do Estado como interfaces e instrumentos da ação do Mal. Se os homens podem fazer alguma coisa para deter a eficácia do Mal em larga escala é por meio da política, agindo organizadamente sobre os centros de poder. Penso ser impossível dissociar a discussão teológica da práxis em sociedade. Mas como discutir o assunto quando ninguém nem mais acredita em Deus? Quem haverá de acreditar na ação do Demônio? Essa será talvez a maior vitória do Negador e o desamparo absoluto das gerações atuais diante do Nefando.


José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas".



José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP e editor do site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado". E-mail: nivaldocordeiro@yahoo.com.br


Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Sábado, 01 de janeiro de 2011.





Cueca blindada para quem precisa – Jorge Serrão








Wednesday, October 27, 2010

E aí EB, qual é a explicação?
Trata-se "apenas" de um tubo lançador descartado? Conta outra.































Polícia de São Paulo encontra lança-míssil no meio da rua
do telejornal "Bom Dia Brasil"

Em Guarulhos, na Grande São Paulo, durante uma perseguição policial, dois homens abandonaram no meio da rua uma capa de violão. Dentro, tinha um lançador de míssil de uso restrito das Forças Armadas.

Os dois suspeitos conseguiram escapar.

O lançador foi fabricado na Suécia e é tão potente que pode destruir até tanques de guerra.



Reportagem apresentada pelo telejornal "Bom Dia Brasil" da Rede Globo.
Quarta-feira, 27 de outubro de 2010, 08h11.








O súbito encanto de Marina Silva – Arnaldo Jabor







Tuesday, October 05, 2010

Quem colocou "mamãe 6%"  lá ?









































O súbito encanto de Marina Silva
por Arnaldo Jabor

Não, o Palácio de Inverno de São Petersburgo, em 1917, ainda não será tomado pela onda vermelha.

Não. Agora, o PT vai ter de encarar: estamos num país democrático, cultural e empresarialmente complexo, em que os golpes de marketing, os palanques de mentiras, os ataques violentos à imprensa não bastam para vencer eleições... (por decência, não posso mostrar aqui os e-mails de xingamentos e ameaças que recebo por criticar o governo).

O Lula vai ter de descobrir que até mesmo seu populismo terá de se modernizar. O povo está muito mais informado, mais online, mais além dos pobres homens do Bolsa Família, e não bastam charminhos e carismas fáceis, nem paz e amor nem punhos indignados para a população votar. Já sabemos que, enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as regras políticas vigentes, nada vai se resolver. Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas e nenhum carisma esconde isso para sempre. Já sabemos que administração é mais importante que utopias.

A campanha a que assistimos foi uma campanha de bonecos de si mesmos, em que cada gesto, cada palavra, era vetada ou liberada pelos donos da "verdade" midiática. Ninguém acreditava nos sentimentos expressos pelos candidatos. Fernando Barros e Silva disse bem na "Folha" : "Dilma parece uma personagem de ficção e Serra, a ficção de uma personagem". Na mosca.

Serra. Os erros da campanha do Serra foram inúmeros: a adesão falsa a Lula, que acabou rindo dele: "O Serra finge que me ama...".

Serra errou muito por autossuficiência (seu defeito principal), demorando para se declarar candidato, deixando todo mundo carente e zonzo, como num coito interrompido; Serra demorou para escolher um vice-presidente (com a gafe de dizer que vice bom é o que não aporrinha), fez acusações ligando as Farc a Dilma, esculachou o governo da Bolívia ainda no início, avisou que pode mexer no Banco Central e, quando sentiu que não estava agradando, fez anúncios populistas tardios sobre salário mínimo e aposentados.

Nunca vi uma campanha tão desagregada, uma campanha antiga, analógica numa época digital, enlouquecendo cabos eleitorais e amigos, todos de bocas abertas, escancaradas, diante do óbvio que Serra ignorou. Serra não mudou um milímetro os erros de sua campanha de 2002. Como os Bourbon, "não esqueceu nada e não aprendeu nada".

A campanha do primeiro turno resumiu-se a dois narcisismos em luta.

Dilma. Enquanto o Serra surfava em sua autoconfiança suicida, a Dilma, fabricada dos pés ao cabelo, desfilava na certeza de sua vitória, abençoada pelo "Padim Ciço" Lula.

Seus erros foram difíceis de catalogar racionalmente, mas os eleitores perceberam sutilezas na má interpretação da personagem, como atrizes ruins em filmes.

O sorriso sem ânimo, o riso esforçado, a busca de uma simpatia que escondesse o nítido temperamento autoritário, suas palavras sem a chama da convicção, ocultando uma outra Dilma que não sabemos quem é, sua postura de vencedora, falando em púlpitos para jornalistas, sua arrogância que só o salto alto permite: ser pelo aborto e depois desmentir, sua união de ateia com evangélicos, a voracidade de militante tarefeira, para quem tudo vale a pena contra os "burgueses de direita" que são os adversários, os esqueletos da Casa Civil, desde os dossiês contra FHC, passando pela Receita Federal (com Lina Vieira e depois com os invasores de sigilos), sua tentativa de ocultar o grande hipopótamo do Planalto que foi seu braço-direito e resolveu montar uma quadrilha familiar.

Além disso, os jovens contemporâneos, mesmo aqueles cooptados pelo maniqueísmo lulista, não conseguem votar naquela ostentada simpatia, pois veem com clareza uma careta querendo ser "cool".

Marina. Os erros dos dois favoritos acabaram sendo o grande impulso para Marina. No meio de uma programação mecânica de marketing, apareceu um ser vivo: Marina. Isso.

Uma das razões para o segundo turno foi a verdade da verde Marina. Sua voz calma, sua expressão sincera, o visível amor que ela tem pelo povo da floresta e da cidade tudo isso desconstruiu a imagem de uma candidata fabricada e de um candidato aferrado em certezas de um frio marqueteiro.

Marina tem origem semelhante à de Lula, mas não perdeu a doçura e a fé de vencer pelo bem. Isso passa nas imperceptíveis expressões e gestos, que o público capta.

Agora, teremos um segundo turno e talvez vejamos um PSDB fortalecido pela súbita e inesperada virada. Desta vez, o partido terá de ser oposição, defendendo-se e não desagregado, como foi no 1º turno, em que se esconderam todos os grandes feitos do próprio PSDB, durante o governo de FHC.

Desde 2002, convencionou-se (quem? por quê?) que Lula não podia ser atacado e que FHC não poderia ser mencionado. Diante dessa atitude, vimos o Lula, sua clone e seus militantes se apropriarem de todas as reformas essenciais que o governo anterior fez e que possibilitaram o sucesso econômico do governo Lula, que cantou de galo até no "Financial Times", assumindo a estabilização de nossa economia. E os gringos desinformados acreditam.

Além disso, com "medinho" de desagradar aos "bolsistas da família", ninguém podia expor mentiras e falsos dados que os petistas exibiam gostosamente, com o descaramento de revolucionários "puros". Na minha opinião, só chegamos ao segundo turno por conta dos deuses da sorte. Isso – foi sorte para o Serra e azar para a Dilma.

Ou melhor, duas sortes.

O grande estrago causado pela súbita riqueza da filharada de Erenice, ali, tudo exibido na cara do povo, e o reconhecimento popular do encanto sincero de Marina.

Isso salvou a campanha errática e autossuficiente de José Serra, que, apesar de ser um homem sério, competentíssimo, patriota, que conheço e respeito desde a UNE, mas é das pessoas mais teimosas do mundo.

Duas mulheres pariram o segundo turno. Se Serra ouvir seus pares e amigos, poderá ser o próximo presidente. Se não...


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Cultura).
Terça-Feira, 05 de outubro de 2010.





O mal a evitar – Estadão







Sunday, September 26, 2010

ATITUDE  HONRADA
































O mal a evitar
editorial do jornal "Estadão"

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apóia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.







































Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" – (Editorial – "Notas e Informações").
Domingo, 26 de setembro de 2010.










O BRASIL NÃO É DO PT !






Tuesday, August 17, 2010

O que é a maioria? A maioria é tolice. O bom senso sempre tem sido de poucos.
Convém pesar os votos, não contá - los.

VALE A PENA VER DE NOVO – VEJA entrevista: O "povo brasileiro"


































Estadistas não consultam marqueteiros
por Augusto Nunes

A era dos marqueteiros produziu incontáveis espantos: acabou com todos os vincos e rugas, erradicou os cabelos brancos, instituiu a obrigatoriedade do uso do uniforme terno-azul-marinho-camisa-azul-celeste-gravata-vermelho-cheguei, aposentou os óculos de aros grossos, converteu arrogantes vocacionais em poços de humildade, permitiu a gargantas franzinas formularem incongruências com voz de tenor, transformou azarões em favoritos, elegeu perfeitas nulidades e promoveu bestas quadradas a gênios da raça. Mas não produziu um único estadista.

O sumiço dessa fina estirpe não pode ser debitado inteiramente na conta dos profissionais do marketing político. Mas é impossível imaginar um marqueteiro soprando o que deve ser feito aos ouvidos de um estadista. Gente assim sabe que pesquisas de opinião captam um estado de ânimo condicionado por circunstâncias passageiras – e pelo imaginário popular. Sabe que a voz do povo não é ditada pela Divina Providência: é apenas a voz do povo, e não traduz necessariamente o que é melhor para um país.

Como os políticos comuns, profissionais do marketing político pensam na próxima eleição. Estadistas pensam na próxima geração. Em 1938, já que a maioria dos britânicos queria um tratado de paz com a Alemanha, os marqueteiros teriam sugerido a Winston Churchill que fosse mais polido com Adolf Hitler. Nos anos seguintes, sobraçando levantamentos do Instituto Gallup, teriam implorado a Franklin Roosevelt que mantivesse os Estados Unidos fora de uma guerra que, para sete entre dez americanos, era um problema europeu.

Na eleição que se seguiu ao triunfo contra a Alemanha nazista, Churchill também seria aconselhado a livrar-se do charuto, beber menos, esconder que dormia depois do almoço, emagrecer pelo menos 15 quilos, usar fotografias que amputassem a calvície e, sobretudo, parar de denunciar com tanta veemência a política expansionista da União Soviética. Cansados de guerra, os ingleses não queriam sequer ouvir falar em Guerra Fria. Churchill talvez não tivesse perdido a eleição. Mas perderia a chance de voltar nos anos 50, o lugar que lhe coube na História e o respeito que sempre merecerá de todas as gerações.

A oposição brasileira precisa mais de líderes com visão histórica que de candidatos com chances de vitória. O país que presta está pronto para o combate frontal e sem prazo para terminar. Se o preço a pagar pela chegada ao poder for a rendição sem luta, os democratas preferem a derrota. O que está em jogo não é o Palácio do Planalto, é o futuro. Não se trata de escolher entre nomes, mas entre a liberdade e o autoritarismo. José Serra e todos os oposicionistas decentes devem mirar-se no exemplo do primeiro-ministro britânico. A farsa precisa ser desmascarada. A fraude não resiste ao confronto com a verdade. Quem se opõe tem o dever de denunciar com dureza os crimes e pecados do adversário.

Churchill perdeu as primeiras batalhas. Sabia, quando começou a guerra contra o inimigo primitivo e poderoso, que tinha o apoio declarado de menos que 5% dos ingleses. Mas também sabia que tinha razão. E a civilização sobreviveu.

Publicado na seção Direto ao Ponto da "Coluna do Augusto Nunes".
Segunda-feira, 16 de agosto de 2010, 18h44.




NÃO HÁ NADA MAIS ASSUSTADOR QUE O "POVO BRASILEIRO" EM AÇÃO!

Dna. Neili: A rematada representante da maioria (96%), obra-mestra da brasilidade ou,
uma mistura "pronta e acabada" de estupidez, cupidez e insensatez. Êta nóis aí otravez!

Recado para Dna. Neili: "Cuba" vem aí, sua renda mensal de US$ 1.050, vai ser só US$ 50, tá bom ou quer mais? Merece!
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Os brasileiros do Bolsa Família abdicaram do direito de sonhar
por Augusto Nunes

"Primeiro tenho de saber se a patroa deixa", condicionou Neili dos Santos Ferreira ao ser convidada pela produção do VEJA Entrevista. Liberada pela dona do apartamento de que cuida uma vez por semana, a diarista nascida na Bahia, 39 anos e dois filhos escolheu a melhor roupa, cobriu-se com uma contrafação de casaco de pele, incompatível com a tarde quente, e apareceu no estúdio pronta para contar o que pensa e como vive uma brasileira inscrita no Bolsa Família.

Incluído o salário do marido, a renda familiar é de R$1,8 mil. Pelos critérios dos alquimistas federais, pertencem à classe média os quatro brasileiros que, sem dinheiro para a casa própria, moram com a sogra de Neili. Ganha do governo R$ 20 por mês, mas se daria por satisfeita com a metade. "O Lula é um paizão", abre o sorriso a diarista, decidida a votar no sucessor escolhido pelo único político em quem confia. "Ele foi pobre igual à gente", explica.

Não sabe quem é Dilma Rousseff, mas a ministra pode contar com quatro votos se Lula quiser. Ouviu dizer que, se a oposição vencer, o Bolsa Família vai acabar. Não sabe muito sobre o mensalão e outros escândalos. Não lê jornais nem revistas, nunca leu um livro. Anda evitando os noticiários da TV "porque só falam em coisa ruim". Não vê diferenças entre os partidos, mas se declara fiel ao PT, "que mudou para melhor". Na última eleição, só votou num candidato a deputado. Não recorda o nome: "Foi meu irmão que indicou".

Sempre falta dinheiro no fim do mês. Se ganhasse na loteria, compraria uma casa. Sem tempo nem verba para qualquer tipo de lazer, nunca viu uma peça de teatro e foi ao cinema só uma vez. A filha quer ser cabeleireira, o filho tem jeito para futebol. O que faria se o menino se tornasse um craque internacional? Ajudaria o irmão alcóolatra. Parou de estudar ainda no segundo grau porque não gostava.

Não dá maior importância à formação escolar. Lula, por exemplo, não precisa aprender mais nada para lidar com qualquer problema, até mesmo complicações internacionais. Se for preciso, basta chamar um professor particular. Neili acompanha à distância as bandalheiras no Senado, não entende direito o que está acontecendo. O ser humano é muito ganancioso, generaliza. Num recado a José Sarney, recomenda ao senador que, se tiver culpa no cartório, confesse o que fez e peça desculpas. Lula não tem nada a ver com a confusão, ressalva.

A incursão pelo universo do Bolsa Família é reveladora e inquietante. Como a diarista, milhões de brasileiros admitem que a vida anda difícil, mas não têm queixas a fazer, muito menos exigências a apresentar: sobreviver é suficiente. Abdicaram do direito de sonhar. Conformam-se com pouco mais que nada.

Publicado na seção Vídeos: VEJA entrevista da "Coluna do Augusto Nunes".
Sexta-feira, 07 de agosto de 2009, 21h29.



Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes, dos jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Zero Hora, além de diretor-executivo do Jornal do Brasil. Foi também apresentador do programa Roda Vida da TV Cultura e do programa "Verso & Reverso" da TVJB. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganhado por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente, Nunes escreve uma coluna na edição eletrônica da Revista "VEJA".







Stallone está certo – Olavo de Carvalho






Wednesday, June 09, 2010

MAGISTRALE   M.AESTRO!

Foto: O Seu Zé Mané, um "brasileiro" típico, um homem comum cuja capacidade cognitiva é comparável
à de uma ameba, mas quando transformado em eleitor, torna-se um perigoso "homem-massa".


































É isso, amigos.
por M.

"Quando uma tensão razoável é aplicada a partir do meio ambiente então todas as várias habilidades e faculdades do eu interno entram em alerta, prontas para uma ação efetiva. Porém, quando uma quantidade intolerável de tensão é aplicada, então essa geometria desaba em uma queda livre, indiferenciada, uma personalidade primitiva, regredida. A pessoa é reduzida a um animal, as habilidades altamente diferenciadas e versáteis desaparecem. O ambiente controlado domina a personalidade."
K. Lewin*

O texto acima explica claramente o porquê do empenho dos esquerdopatas – desenvolvido pacientemente ao longo das últimas décadas – em aparelhar todas as instâncias da ambiência nacional: mídias, escolas, igrejas – fontes formadoras de opinião; instâncias governamentais reitoras de estamentos jurídicos e policiais, de regulamentação econômica, de parâmetros didáticos escolares etc. Em suma, o domínio do ambiente social.

Isto é uma guerra psicológica em processo.

A criminalidade organizada, protegida e apoiada pelos comunistas – caboclos e forâneos – destruindo 50 mil vidas de civis a cada ano; a livre e crescente disseminação das drogas corrompendo nossa juventude, devastando famílias; o medo omnipresente induzindo à redução dos espaços de trocas sociais; a permanente insegurança empregatícia; instituições sociopolíticas arruinadas; o incompreensível alheamento por parte das Forças Armadas ante aos recorrentes crimes contra a Constituição; um estado confusional cuidadosamente alimentado pelas distorções das mídias; um sentimento de desesperança e impotência ante um mundo ameaçador e incompreensível têm produzido "uma quantidade intolerável de tensão" e conseqüente "distress" desagregador de personalidades e de relações sociais sadias.

A partir dos ecos deprimentes em clientes de psicoterapia, detectamos há tempos a generalização desta dificuldade exposta no anexo, agora tão comum, em reconhecer valores alheios, e aquela ainda maior, de reconhecê-los abertamente, "pari passu" com a aumentada freqüência do criticismo ácido e destrutivo, porque o mal-estar emocional, a falta de auto-estima, não suporta a alegria ou felicidade do outro.

E isso, entre outras concomitâncias, ocorre junto a atualíssimo fenômeno dentro das empresas – a curiosa seleção preferencial de maus caracteres para cargos de chefia, a eleição de absurdas metas de produtividade, redundando em massacre e humilhações. Subentendam-se, como fatores agravantes, nossas miserandas condições empregatícias e salariais, induzidas por uma política econômica estúpida e canhotamente viciosa punindo a produtividade e a geração de empregos com taxações castradoras.

Como resultado, cria-se uma sociedade de depressivos e estressados, com feridas emocionais em permanente supuração, baixíssima auto-estima, com conseqüências terríveis também sobre as novas gerações. Os resultados de pesquisa pelo canal Nickelodeon realizada há mais de cinco anos em catorze países com a finalidade de mensurar o equilíbrio emocional de crianças entre 8 e 15 anos, mereceu o seguinte comentário de Noel Gladstone, vice-presidente internacional de pesquisas do canal dedicado à infância:

"Esperávamos números elevados entre as crianças brasileiras nas questões relativas ao medo. Ainda assim, as proporções em que eles surgiram chegam a ser chocantes. As crianças do Brasil são as mais estressadas do mundo."

Nossa infância vive em medo constante!

Farpas lançadas de todos os lados induzem ao fechamento dentro de muros atitudinais defensivos, a uma solidão real, sufocante e esterilizante, mesmo, em grupo ou entre casais, criando-se relações corrompidas em cada um por si, contra todos os demais.

"Divide et impera" – pretende o Inimigo encastelado no Poder, origem e agente desta mortal guerra contra corações e mentes: Mantenha todos amedrontados, inseguros, confusos, alienados, desconfiados, sozinhos, divididos, desarmados, de antemão derrotados... e não haverá reação.

Somos hoje uma cultura doentia, com o egoísmo tacanho e a desconfiança generalizada eleitos como valores básicos de sobrevivência.

Não há espaço para a generosidade, para a tolerância afetuosa, para o estender de mãos amigas – fraternais – em ajuda e suporte: O "outro" é sempre o concorrente, o adversário, o inimigo. Hoje vivemos emocionalmente naquele pântano existencial que precede o caos social, a desagregação das relações humanas embasadas no respeito à humanidade e ao direito alheio. O "Divide et impera" está ganhando.

Neste terreno não medram a honestidade essencial que nasce do auto-respeito, ou, com a mesma origem, o saudável – admirável! – senso de honra, que nos leva a privilegiar o melhor em comportamentos... substituídos pela "lei do Gerson", de levar vantagens em tudo a qualquer custo.

O amor está condenado, "a priori".

Ainda estudamos as implicações de eventos variados no quadro maior, mas desde já, lhe adianto que também por isto devemos agradecer à hegemonia do "intelectuário comuno-gramsciano", o "pensador politicamente correto" e seu empenho em décadas de destruição de nossos valores morais e da fé religiosa num Deus de Amor.

Não obstante conhecê-los de há muito, ainda me espanto seguidamente ante a imensidão de sua demência, estupidez e cegueira, alimentadas por inveja, ódio e rancor e, em última instância, também suicidas.

São eles, na mais profunda acepção da expressão, inimigos do gênero humano. Isto precisa ser entendido por todos nós. Estes subumanos esquerdopatas, tão freqüentes no mundo e cá em casa, sequer alcançam perceber que, necessariamente, a colheita terá a natureza das sementes que são plantadas.

Deus (a Natureza, as Leis Maiores, como se queira chamar) não é, nunca foi, "bonzinho"; mas apenas justo – ação-reação, causa-conseqüência. Se não paramos – cada um de nós – para ponderarmos sobre nossa condição pessoal e as conseqüências da negatividade de nossas atitudes, o futuro próximo será sombrio.

Há que revermos nossas posturas ativas, inteligente e deliberadamente voltar-nos para a reconstrução de pontes relacionais, aproximando-nos dos amigos para debater, esclarecer-nos quanto ao atual "statu quo" e fortalecermo-nos uns aos outros com generosidade e valentia no coração; buscar informações confiáveis e tentar encontrar vias de solução preferencialmente dentro de grupos emocionalmente coesos – será bom início da batalha contra a insídia venenosa da esquerdopatia hegemônica, que intenta nos tranformar em escravos – vencidos e dóceis.

Então, esteja certo, Deus nos ajudará. Fiquem em Paz e com Ele!

M.

(*) O psicólogo alemão Kurt Lewin (1890-1947), foi um dos primeiros a dar importância à relação entre o ser humano e o ambiente. O seu objetivo era determinar a influência que o meio ambiente exercia sobre as pessoas, as relações que com ele estabelecem, o modo como as pessoas agem, reagem e se organizam conforme o meio ambiente.

Segundo a psicologia ambiental, (estudo do comportamento humano na relação com o meio ambiente ordenado e definido pelo homem) o meio ambiente pode ser definido como: todos os contextos em que se inserem os sujeitos (por exemplo: casas de habitação, escritórios, escolas, ruas, etc.) e que atuam mais sobre os comportamentos de grupo do que sobre o comportamento individual.

Este ramo da psicologia apresenta principalmente cinco princípios que se têm que ter em conta quando de alguma intervenção ou investigação baseada neste ramo: Primeiro, ter em conta que se é capaz de modificar o meio ambiente; segundo, é necessário que se esteja presente em todos os contextos do dia-a-dia; terceiro, considerar a pessoa e o meio como uma só entidade; quarto, considerar que o indivíduo atua sobre o meio assim como o meio influencia o indivíduo; quinto, e enfim, uma investigação ou intervenção desta índole deve ser sempre levada a cabo com a colaboração de outras ciências. São de autoria de K. Lewin as seguintes obras: A Dynamic Theory of Personality (1935) e Principles of Topological Psychology (1936).



Enviado por M., via e-mail.
Quarta-feira, 09 de junho de 2010, 13h33.





Não temas, Israel! – Carlos Vereza






 
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