Wednesday, March 12, 2008

Contagem regressiva para o confronto final.









































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Anos de crise pela frente
por J. R. Nyquist

No dia 23 de dezembro de 2007, o jornal inglês The Telegraph publicou um artigo de Ambrose Evans-Pritchard, sob o título "Crise pode fazer 1929 parecer um passeio no parque". O artigo começava assim: "Vinte bilhões de dólares aqui, vinte bilhões acolá... Baldes de liquidez monetária estão sendo jogados sobre o sistema bancário do Atlântico Norte, até agora com efeitos escassos ou fugazes". Grandes bancos estão em apuros. Vastas somas de dinheiro estão desaparecendo. O sistema capitalista está titubeando. Ao mesmo tempo, o "antigo" centro do comunismo global está borbulhando com nova confiança. A Rússia está posicionando navios de guerra no Mediterrâneo Oriental, além de estar construindo e testando mísseis intercontinentais e submarinos. A retórica do presidente russo, Vladimir Putin, tem um toque "neo-soviético". Ao visitar Cuba uns poucos anos atrás, foi questionado por um jornalista acerca de suas lealdades ideológicas. Ele era um comunista? "Podem me chamar de caldeirão", respondeu Putin, de forma enigmática, "mas não me esquente". Tal como Stalin após a Nova Política Econômica dos anos 20, Putin nacionalizou as principais indústrias russas. Putin restringiu severamente a liberdade de imprensa. De fato, ele reverteu o processo que desmantelou a União Soviética. Ele está juntando os pedaços do antigo império comunista e colocando-os de volta no lugar.

Vladimir Putin sabe que a derrota pode ser um expediente temporário. Uma nação quebrada pode dar a volta por cima. As mesas podem ser viradas sobre os velhos inimigos que acreditavam já terem vencido. Ele também sabe que a história tem ciclos; que a paz leva à guerra e o crescimento súbito ao fracasso. Enquanto políticos e empresários ocidentais têm implicitamente negado (em sua retórica) a inevitabilidade da guerra e da catástrofe financeira, existe há muito tempo um movimento político firmemente baseado na expectativa de ambas. Estou me referindo ao movimento político fundado por Karl Marx e continuado por Lênin, que existiu e existe em vários países, sob vários nomes e aparências. Marx ensinou a seus seguidores a esperar por uma futura e fabulosa crise financeira. Esta crise, dizia Marx, desacreditaria o capitalismo e abriria as portas para a revolução mundial. Depois de Marx veio Lênin, que ensinava que uma futura "guerra imperialista" contribuiria para a desestabilização do capitalismo, desacreditaria as lideranças dos países desenvolvidos e possibilitaria a revolução mundial dos trabalhadores. A astúcia de Marx e de Lênin pode ser encontrada na predição daquilo que sempre foi inevitável, fazendo com que eles parecessem mais competentes que outros pretendentes a revolucionários.

Marx e Lênin têm seguidores ao redor do mundo. E esses seguidores estão organizados; eles têm também imitadores islâmicos. As especificidades das doutrinas são desimportantes ao estudarmos países totalitários. O que importa são os sempre presentes ódio à civilização ocidental, assassinato em massa e uma obsessão pela guerra aniquiladora. Estes são os elementos comuns, as pontas soltas que servem como marcas que revelam o jogo, dizendo ao observador para o que é que ele está realmente olhando. O radical islâmico e o comunista buscam solapar o Ocidente de todas as formas: econômica, social, demográfica e politicamente. O equilíbrio militar também faz parte dos seus cálculos. É por isto que a aquisição de armas nucleares por países comunistas e islâmicos é alta prioridade. As políticas de Hugo Chávez, de Vladimir Putin, dos comunistas chineses e do regime clerical no Irã são todas coordenadas no mais alto escalão. A guerra econômica também está em consideração, especialmente quando diz respeito a petróleo e especulação e manipulação com moedas.

É neste contexto que deveríamos considerar as recentes declarações de importantes economistas e especialistas em finanças. Eles nos dizem que os dominós financeiros estão balançando. Se o medo de uma quebradeira geral não puder ser contido; se bancos e fundos de hedge estiverem à beira do colapso; se emprestadores estiverem estocando dinheiro em espécie e os tomadores sofrendo as dores agudas da angustiosa abstinência forçada; e se o aperto monetário se transformar num aperto torturante que leve a vítima a declarar a sua bancarrota aos berros, então o agrupamento marxista estará prestes a ver realizadas as velhas profecias e promessas. A revolução esperada está pronta para ser iniciada. Ela virá nos sobressaltos das crises do capitalismo.

No artigo do Telegraph, Evans-Pritchard cita o Professor Peter Spencer, que disse: "Os bancos centrais estão perdendo o controle rapidamente". Ele cita também especialistas britânicos e americanos que concordam que "a crise" moveu-se para além do colapso dos investimentos em hipotecas e agora ameaça todo o sistema financeiro. Em 12 de dezembro de 2007, o Wall Street Journal publicou um artigo intitulado "Banks Sound Grim Notes". De acordo com esse artigo, alguns dos "maiores bancos comerciais americanos" têm emitido alertas sobre o fato de que "os fundamentos essenciais para os negócios continuam a se deteriorar". Muitos bancos estão prevendo que 2008 será um ano de "inadimplência crescente" e de pesadas perdas por todos os lados. No mês passado, a Merrill Lynch aconselhou investidores a ficarem longe do Bank of America e do J.P. Morgan.

Os grandes economistas nos ensinaram a contar com uma expansão de crédito irresponsável. Mas quando a geração que passou pela experiência da Grande Depressão deixou o poder, a nova geração não acreditava que uma depressão como aquela pudesse acontecer a eles. Virando suas costas para a história, imaginaram-se superiores àqueles que os precederam. Os grandes sociólogos e historiadores nos ensinaram que os erros das gerações passadas seriam repetidos, de novo e de novo, a despeito dos alertas dos mais sábios. E assim, eles provaram estar certos. Somos humanos e fadados a andar errando. A geração dos baby boomers não está imune às leis da economia. Além disso, "o fim da história", tal como alegava Francis Fukuyama, não aconteceu. Agora, neste exato momento, estamos enfiados na história até o pescoço. O nosso não é "um mundo mais perfeito" do que aquele de nossos antepassados. O mundo ainda é o mesmo mundo, com os mesmos problemas de antes. Se nossos avós tiveram de combater Hitler e o Japão Imperial, nós temos de combater Putin e os comunistas chineses.

Em dezembro, a Rússia fez um bem-sucedido disparo de teste de um míssil ICBM com múltiplas ogivas e baseado numa plataforma "rodomóvel". Cada míssil RS-24 pode levar até três ogivas nucleares, utilizando tecnologia do avançado sistema Topol-M (já colocado em serviço). Sendo uma plataforma móvel de lançamento, o RS-24 pode se esconder em quase qualquer lugar, de modo que os Estados Unidos não podem determinar se estão ficando para trás numa nova corrida armamentista. Aqueles que riem da magra economia russa ficarão espantados com a regeneração das forças armadas da Rússia, uma vez que estão baseadas numa estratégia de (literalmente) "arrasar o campo de jogo" com mísseis.

O ano de 2008 irá deixar clara a posição dos Estados Unidos como grande potência em relação ao poder emergente da China e do supostamente defunto poder da Rússia. Se a crise financeira piorar (o que provavelmente acontecerá) uma crise política tende a sucedê-la. Poucos ousam falar sobre esta crise (mesmo agora), apesar de os comunistas terem estado a discuti-la por muitas décadas. Eles vêm considerando, principalmente, como explorarão uma grande crise econômica. Com a intelligentsia ocidental afundada no atoleiro do politicamente correto e a estupefação de um público apatetado pela televisão, os comunistas são o único grupo na Terra que está psicologicamente pronto, com respostas e slogans. Sua pólvora política está bem seca, e eles a têm em grande estoque. Há toda razão para acreditar que o público será confundido, que os políticos serão atingidos em meio à confusão e despreparo.

O ano de 2008 será um ano de decisão, não porque é um ano de eleições presidenciais, mas porque o Ocidente poderá ser abalado em suas fundações.

Tradução MSM.


J.R. Nyquist, é colunista, editor e um renomado expert em geopolítica e relações internacionais. Jeffery Nyquist é formado em sociologia política pela Universidade da Califórnia, é também o autor do livro “Origins of the Fourth World War”. Tem também vários artigos de sua autoria publicados em web sites tais como: sierratimes.com, worldnetdaily.com, financialsense.com, e newsmax.com. Nyquist defende o ponto de vista que a queda da União Soviética foi uma ação premeditada para incentivar o ocidente a se desarmar, e que os comunistas estão no controle até hoje. Este ponto de vista foi primeiramente exposto pelo desertor soviético, Anatoly Golitsyn, em seu livro “New Lies For Old: The Communist Strategy of Deception and Disinformation”. J.R. Nyquist mantém também o site JRNyquist.com



Publicado no site “FINANCIAL SENSE”.
Sexta-feira, 04 de janeiro de 2008.



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