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Tuesday, February 01, 2011

Jabor: "En attendant Godot"




Facebook, o bem e o mal
por Arnaldo Jabor

Eu estava em Paris, em férias. Claro que fui ver a maravilhosa exposição de Claude Monet no Grand Palais e mergulhei na imensa galeria de auroras, crepúsculos, falésias, jardins, flores, arvoredos, lagos e ninfeias – um cântico de amor à natureza boa e calma que nos protege.

Chego ao hotel e vejo na TV a natureza matando mil brasileiros afogados na lama, com o mesmo destino de ratos ou vermes da terra.

Medo, pena, culpa de estar vivo em Paris, impotência – tudo se abateu sobre mim. Sempre confiamos no Deus brasileiro, como também acreditávamos nos poderes infalíveis do Ocidente, ferido desde o 11 de Setembro.

Era a mesma natureza, vista no êxtase sublime dos quadros de Monet que devastava três cidades no Brasil – era o sublime ao avesso, o terror incompreensível das forças sem controle.



Ferido por esta dor, fui no dia seguinte à exposição de Jean-Michel Basquiat, no Museu de Arte Moderna. Eu, que desconfiava da genialidade do neguinho, tive uma revelação: ali estava retratado o sentimento do mundo atual, o impacto da dor de um "excluído", pela casual união entre o mais miserável e o mais profundo: filho de haitiano, homeless, pele preta, drogado, mas com um talento "picassiano". Ali estava o ódio à feiura do progresso, ali estava um desgraçado pintando não como vítima, mas com os dentes agudos, com olho de profeta, com o desespero dos grafites atacando a normalidade da monumental Manhattan.

Basquiat morreu de overdose aos 28 anos e via o mundo ao avesso de Monet. O sentimento de paz burguesa do impressionista nos acolhe no sonho de beleza do século 19 e a visão de Basquiat nos aterroriza com a caricatura trágica de um futuro terrível já contido num presente sem controle.

Realmente, dá medo. Hoje em dia as coisas têm vida própria e seus criadores não controlam mais os produtos. Somos levados por uma tumultuosa marcha de fatos sem causa aparente, de acontecimentos sem origem, de objetos sem sujeitos. Cada vez temos mais ciência e menos entendimento. Temos um acesso à informação infinita, mas nada se fecha em conclusões coerentes, nada acaba, nada se define. O socialismo não deu certo, o capitalismo global não trouxe paz, tudo que depende da vontade dos homens e de seus sonhos de controle não chega a um final feliz. Pensadores sofrem porque veem que é impossível mudar o curso da vida que se transforma sozinha, pouco se lixando para nós, assim como a lama das encostas, as cinzas dos vulcões, como as marés assassinas.

As teorias políticas não deram certo; Kafka e outros escritores do século 20, como Beckett, sacaram o lance. Esperando Godot é mais profético que 100 anos de esperança política.

Viramos objetos de um "sujeito" imenso, sem nome, sem olho, misterioso, secreto, que talvez só vamos entender depois do tempo esgotado, quando for tarde demais. Não temos mais culpados nítidos pelo Mal. Essa é a sensação dominante.

Mas, eis que, depois de sair do mundo eletrizante de Basquiat, chego ao hotel e vejo na TV a súbita irrupção da revolução na Tunísia, contaminando Egito e outras tiranias. Estavam ali os dentes em faca de Basquiat, os oprimidos se erguendo em revolta por obra e graça do Facebook.

Isso: um garoto nerd de Boston queria ver os peitinhos de meninas em Harvard e aí inventou um troço, ficou bilionário e deflagrou uma mudança histórica no mundo árabe. Isso ninguém previu, nenhum pensador horrorizado pensou neste "bem".

Uma revolução saída da web. A produção material da tecnociência gerando anticorpos contra o futuro sem saída.

Nos noticiários vemos também o Julian Assange sendo investigado pelo WikiLeaks, piração transgressiva que abre buracos nas muralhas protegidas do poder.

E já dá para ver que estamos diante do imprevisível total, mas com alguns sinais no ar. Começa um tempo de progressiva porosidade entre Estado e sociedade, uma época de reis nus, de impotência da razão para resolver impasses históricos. Sem dúvida, as equações de mil incógnitas que a política armou já nos trouxeram de volta o "tempo do trágico", como escreveu Jean-Marie Domenach. Agora, não temos mais a progressiva ascensão de um mal resistível como foi Hitler, por exemplo, mas a explosão do horror no equilíbrio ecológico ou em inesperada guerra nuclear.

Sente-se no ar o desejo inconsciente por uma tragédia qualquer que pareça uma "revelação". Sim. Diante de tantos fatos insolúveis, surge a fome por algo que ponha fim ao "incontrolável", a coisa que o Ocidente mais odeia.

Há o perigo de que toda a teia de aranha dos grandes impasses políticos possa reviver o sonho de um autoritarismo rápido, eficaz, que identifique os "culpados" pelo mal do mundo; pode voltar a saudade por regimes que restaurem certezas, crenças familiares como: futuro, ordem, nação, identidade, povo. Já temos uma fome de irracionalismo religioso, mas é possível também o irracionalismo laico, que é bem legível para paranoicos.

No entanto, a progressiva ligação entre as redes sociais e políticas pode sugerir um cenário melhor.

Suspeito, com otimismo talvez ingênuo, que as coisas que comandam a vida possam produzir antígenos para si mesmas, que contra um "mal" sem sujeito possam surgir, "dialeticamente", alguns "bens" sem dono. Assim como o Osama em 2001 lançou aviões como torpedos, usando a tecnologia contra nós, fenômenos como o Facebook na Tunísia podem ajudar a corroer a estupidez do terrorismo e até inventar soluções para graves perigos contra a natureza.

Lembro de uma frase de Proust: "Para entender uma situação desconhecida, lançamos mão de elementos conhecidos e por causa disso não conseguimos entendê-la". O tempo atual é muito humilhante para os chamados "idiotas da objetividade". Talvez isso seja bom, para acabar com a folga. Seremos obrigados a confiar em que talvez haja uma razão dentro da loucura. Devemos acreditar em uma espécie de "inconsciente histórico" dentro da marcha das coisas, que nos protegerá contra o suicídio.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Cultura).
Terça-Feira, 01 de fevereiro de 2011.





A QUESTÃO DO MAL – José Nivaldo Cordeiro







Wednesday, July 01, 2009

YEMENIA (YEMEN AIRWAYS) FLIGHT IY 626 (SANAA – MORONI)
































Click AQUI para ver esta e outras fotos da mesma aeronave no tamanho original.
Click HERE to see this and other photos of the same aircraft in original size.


70-ADJ – Under the Flag of its last operator, the Yemenia - Yemen Airways

Foto acima: O Airbus A310-324 (70-ADJ), número de série (MSN) 535, taxiando no aeroporto de Joanesburgo-África do Sul em 03 de janeiro de 2004, logo após haver aterrizado proveniente da cidade de Sanaa-Iêmen. Até a presente data, a aeronave já havia cumprido um total de 17.300 vôos e voado aproximadamente 51.900 horas desde sua fabricação em 1990, vinha sendo operado por "Yemenia" desde Outubro de 1999.

Photo above: The Airbus A310-324 (70-ADJ), MSN (Manufacturer Serial Number) 535, taxiing at the Johannesburg, South Africa airport on January 03, 2004, soon after landed from the city of Sanaa, Yemen. To date, the aircraft had completed a total of 17,300 flights and flown approximately 51,900 hours since its manufacture in 1990, has been operated by "Yemenia" since October 1999.



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Click AQUI para ver esta foto da aeronave 70-ADJ em Alta Resolução (1600 x 1056).
Click HERE to see this photo of the aircraft 70-ADJ in High Resolution (1600 x 1056).



Aircraft Description















































A ROTA DO VÔO – THE FLIGHT ROUTE













































Gráfico acima: Rota completa do Vôo IY 626 da "Yemenia", iniciado em Paris-França (linha vermelha), como uma primeira escala em Marselha ainda na França, efetuado com equipamento Airbus A330 até a cidade de Sanaa-Iêmen, onde foi efetuado o transbordo dos passageiros para o equipamento Airbus A310, que após uma escala em Djibuti capital do Djibuti, de onde decolou para Moroni, capital das Ilhas Comoros, porém, quando a menos de 15 km do aeroporto de Moroni (destino final), aconteceu o desastre que deixou pelo menos 152 mortos e um sobrevivente(linha preta).


Graphic above: The complete route of the "Yemenia", Flight IY 626, started in Paris, France (red line) with a first stopover in Marseille still in France, accomplished with Airbus A330 equipment to the city of Sanaa, Yemen, where the transfer occurred of the passengers for the equipament Airbus A310, which after a stopover in Djibouti capital of the Djibouti, took off to Moroni, capital of Comoros Islands, however, when less than 15 km from the airport in Moroni (final destination), the disaster happened which left at least 152 dead and one survivor (black line).



ANTES NO BRASIL – BEFORE BRAZIL

Foto/Photo: © Normando Carvalho Jr.






























Click AQUI para ver esta foto no tamanho original.
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Foto acima: O Airbus A310-324, número de série (MSN) 535, taxiando no Aeroporto dos Guararapes, cidade de Recife-PE (Brasil) em 1998, operando sob a bandeira da empresa aérea brasileira "Passaredo Linhas Aéreas", com o prefixo PP-PSE. No ano seguinte (1999) a aeronave foi transferida para a "Yemenia", onde vinha operando em condições precárias até o acidente em 30 de junho de 2009.

Photo above: The Airbus A310-324, serial number (MSN) 535, taxiing in the Guararapes Airport, city of Recife, Pernambuco (Brazil) in 1998, operating under the flag of the Brazilian airline "Passaredo Linhas Aéreas" with the prefix PP-PSE. The following year (1999) the aircraft was transferred to "Yemenia", which was working in precarious conditions before the accident on June 30, 2009.


SEE WORLD AIR TRAFFIC WITHIN 24 HOURS



Sir Ney, "sarney", se até o sobrenome da "famiglia" é falso...





Monday, June 01, 2009

AIR FRANCE FLIGHT AF 447 (RIO – PARIS)

































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F-GZCP – First flight under the flag of the Air France

Foto acima: O Airbus A330-203 (F-GZCP), número de série 660, decolando do aeroporto de Toulouse-França em 05 de abril de 2005, logo após haver sido entregue pela Airbus Industrie para a primeira operação sob a incumbência da Air France. Até a presente data, a aeronave já havia cumprido um total de 2500 vôos e voado aproximadamente 18.000 horas.

Photo above: The Airbus A330-203 (F-GZCP), serial number 660, taking off the airport of Toulouse, France on April 05, 2005 after having been delivered by Airbus Industrie for the first operation under the responsibility of Air France. To date, the aircraft had completed a total of 2,500 flights and flown approximately 18,000 hours.



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Click AQUI para ver esta foto, uma das mais recentes da aeronave F-GZCP (Alta Resolução - 1600 x 1056).
Click HERE to see this photo, one of the most recent of the aircraft F-GZCP (High Resolution - 1600 x 1056).



Aircraft Description
















































BANALIDADE DO MAL – Maria Lucia Victor Barbosa





 
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