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Saturday, August 08, 2009

Brasil: Jamais verás nenhum país como este. Não verás mesmo!

Figura Original: © M&M'S Candies.































Para ver a figura em detalhes, click AQUI. (tam. 1600 x 1200)


O "POVINHO" É SAFADO MESMO. NÃO HÁ ESPERANÇAS!

Neili Santos Ferreira, diarista: o Brasil do Bolsa Família (Parte 1)
entrevistada por Augusto Nunes


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Neili Santos Ferreira, diarista: o Brasil do Bolsa Família (Parte 2)
entrevistada por Augusto Nunes


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Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes, dos jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Zero Hora, além de diretor-executivo do Jornal do Brasil. Foi também apresentador do programa Roda Vida da TV Cultura e do programa "Verso & Reverso" da TVJB. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganho por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente, Nunes escreve uma coluna na edição eletrônica da Revista "VEJA".




Publicado na seção VEJA Entrevista da "Coluna do Augusto Nunes".
Sexta-feira, 07 de agosto de 2009.




Nenhum de nós lhes deve nada. Eles nos devem tudo, a começar pela vida. – Augusto Nunes






Monday, September 22, 2008

Era uma vez um "tucano" ...

Fotomontagem: © by Bootlead 2008



































"Saiu de moda fazer oposição" (Senador Sérgio Guerra, Presidente Nacional do PSDB - "Tucano")

Estão pensando que eu sou bobo
por João Ubaldo Ribeiro

Esta vida é um rude golpe atrás do outro. A gente pensa que conseguiu algum tempo de sossego e aí lá vem perturbação no juízo. E confesso a vocês que não esperava a revelação que me fizeram de chofre e sem misericórdia, na semana que passou. Dirão talvez muitos entre vocês que isto mostra como ando alienado, pois o que me contaram não devia ser surpresa para ninguém, muito menos para mim. Mas talvez alguma defesa inconsciente me viesse bloqueando a visão durante todo este tempo. Terei sido, ai de mim, o pior dos cegos, aquele que não quer ver.

O que me disseram foi ainda mais cruel, por simples e certeiro: "Você está fora da moda." Convenhamos que o sujeito ainda mal desperto, com uma certa ressaca do café da manhã e a perspectiva de mais um dia enfarruscado e frio, ouvir uma dessas é nocauteante. Como, eu estava fora da moda? Estava, estava. Estava, não; está. Já deu no jornal, já é conversa quase unânime, vai entrar para o politicamente correto em breve. Fazer oposição não está com nada mesmo, está inequívoca, inegável e ridiculamente fora da moda.

Creio haver saído cambaleante, em direção aqui ao escritório. Sim, sim, aquelas palavras ricocheteavam pelas paredes, ziguezagueavam pelo oco que parecia ser meu crânio. Podia esperar de tudo, até mesmo que o Bahia contratasse a Marta e a Cristiane e ganhasse o Brasileirão, mas isso era demais. Eu, um sujeito tão esforçado, que faz questão de cumprir sua obrigação com o maior empenho possível, estava assim fora da moda, um rebotalho, um fósforo queimado atirado no chão, como no samba-canção que Ângela Maria cantava?

Pois é, inútil tapar o sol com uma peneira. Agora que o fim está próximo, acho que posso abrir o peito com vocês sem reservas. Durante toda a minha vida, desde o menino tímido de calças curtas e óculos redondos até o - como direi? - estranho senhor que ora escreve para um público talvez demasiado indulgente, meu sonho sempre foi estar na moda. Ser chique, então, nem se fala, sempre foi tudo o que secretamente quis.

Sentei-me, o travo amargo da desilusão e da derrota na boca, o teclado agora me parecendo um traste transmissor de bobagens para o computador, a vida um deserto sem sentido. Avaliei deprimidamente o passado. Com todo o cuidado, fiz a coisa certa, ou o que fazem os ineptos e malfadados do meu quilate.
Procurei para onde ia o barco dos bem-pensantes e dos que ficam na moda, embiquei o meu também para lá, na mais pura obediência a meus interesses pessoais, querendo - meu Deus, será tão grave pecado assim? - desesperadamente entrar na moda ou ficar nela. E tive a paga dos vilões de novela, agora num mato sem cachorro, sem poder abrir o bico, para não ser vaiado, esnobado ou expulso da mesa do boteco. Isto para não falar nos que clamam por ostracismo ou exigem degredo. Acho que nem de escuta telefônica tenho mais que ter medo, nadir da degradação e da decadência, no Brasil.

Mas ainda tenho meus trunfos na manga. Se cair, caio de pé, o que não sei bem como se faz, mas já ouvi gente dizendo, de maneira que deve estar certo. E espero ser chique também, não esquecer que quero muito ser chique. E, assim, já estudo projetos para não fazer oposição. Acho algumas idéias um pouco exageradas, tais como a que me deu uma ex-fã (foi assim mesmo que ela assinou o e-mail), segundo a qual eu deveria subir a pé até o Redentor e de lá cantar "Errei, sim" o domingo inteiro. A caminhada até Brasília, para exibir ao público o cartaz "Perdão, Brasil", logo antes de beijar os pés do presidente, se ele deixar, também me pareceu um pouco forçada.

Não, creio que há caminhos mais simples e mais eficazes. Escrevo um livro com um título singelo como Memórias de Um Carreirista. Não será difícil, porque até nisso, sem eu perceber e muito menos agradecer, ele já vinha me ajudando. Porque meu modelo, mesmo fisicamente inexistente como livro, seria o volume que ele talvez pudesse escrever, com a diferença de que ele deu certo e que o título dele seria Memórias de Um Pelego. No meu, contarei toda a minha luta inglória para estar na moda, inclusive durante o governo Fernando Henrique, do qual também burramente falei mal.

Será que ele me perdoa? Podia perguntar "eles", me referindo ao PT, mas não tem mais PT. Será que encontrará lugar, em seu grande coração, de me dizer qualquer coisa tal como "Sim, te acolho e te perdôo, porque viste a Verdade e não é dado a quem encarna a Verdade negar o perdão a quem A reconhece". E, mais tarde, que me mande falar "vem, meu filho, que te darei o que dou a todo o meu rebanho: queres uns dois Bolsas Famílias ou um emprego num dos muitos lugares que reservo e crio todo dia, a fim de abrigar minhas ovelhas desgarradas?".

Sei que meus desafetos já previam o meu fim. Mas não contavam com a minha astúcia. Tão certo como, lá caladinhos e metendo a mão num rico faturamentozinho, estão secando o Rio São Francisco; tão certo como roubaram, roubam e roubarão no e do governo e ninguém vai preso; tão certo quanto vivemos bem e à tripa forra, principalmente em matéria de educação, saúde e segurança; tão certo como agora, com o Pré-Sal, vamos ter dinheiro até para comprar os Estados Unidos inteiros, se eles começarem a incomodar demais; tão certo quanto estou achando esse governo a solidificação de uma ditadura galhofeira dos poderosos de sempre, sobre a mesma massa ovina. Tão certo quanto tudo isso e muito mais, podem ter certeza de que voltarei triunfalmente à moda. Aderi. Oposição, meu caro amigo, minha encantadora amiga, vão procurar num lugar fora da moda por aí. Poderei ter de mentir um pouco, mas estarei na moda. Aliás, mentir também está, não está?

''Fazer oposição não está com nada mesmo, está inegável e ridiculamente fora de moda''

''Sei que meus desafetos já previam o meu fim. Mas não contavam com a minha astúcia''


João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Iniciou no jornalismo trabalhando como repórter no Jornal da Bahia e, tempos depois, tornou-se editor-chefe do Jornal A Tribuna da Bahia. Participou de algumas coletâneas antes de publicar seu primeiro livro, intitulado Setembro Não Tem Sentido, em 1968. Com seu segundo livro, Sargento Getúlio, de 1971, ganhou o Prêmio Jabuti. Morou nos EUA, em Portugal e na Alemanha. Participou de adaptações de textos seus e de terceiros para televisão e cinema e foi premiado e homenageado em várias partes do mundo. Atualmente assina textos semanais nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. É um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, autor de clássicos como Viva o Povo Brasileiro, que já superou a marca dos 120 mil exemplares vendidos e é membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu mais de 15 livros, traduzidos em 16 países.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" - (Caderno 2 – Ponto de Vista).
Domingo, 21 de setembro de 2008.



Curiosidades obâmicas – Olavo de Carvalho



 
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