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Sunday, September 14, 2008

Wednesday, June 20, 2007

Bovino transgênico: Só produz “filé mignon”.


































Fazendas baratas, bois caros
por Carlos Sardenberg

Toda a operação para salvar Renan Calheiros revelam visão muito peculiar das elites brasileiras – ou de parte delas, vá lá. Como se trata de uma elite que nasceu e cresceu em torno do Estado, seus representantes não vêem separação entre o público e o privado. Eles se desenvolvem na política, vereadores, prefeitos, deputados, até chegar a Brasília. E quanto mais avançam na política, mais cresce sua, digamos, capacidade empresarial.

Tomem-se os negócios da família Calheiros em Alagoas. Como consegue comprar fazendas tão baratas e vender bois tão caros?

Tem sempre a intervenção de um órgão público, municipal, estadual ou federal, facilitando o negócio. E a administração pública no Estado é dominada por famílias e clãs, todas muito amigas, mesmo quando em partidos diferentes. Aliás, os partidos lá não guardam qualquer relação com a ideologia ou programas políticos. São siglas para acomodar pessoas e interesses.

O fato é que a elite de Alagoas enriquece enquanto a população vive na pobreza – e isso há tanto tempo. E quando alguém é apanhado, como Renan, é seu próprio pessoal encarregado da apuração.

Querem exemplo maior do que este?

Há dúvidas sobre os documentos apresentados pelo senador para justificar os lucros com a venda de gado. Pois quem foi despachado para Alagoas para checar os documentos? O diretor da Secretaria de Controle Interno do Senado, Shalom Granado, que deve o cargo a Renan.

E quem está providenciando os documentos? Autoridades estaduais entre as quais só há amigos e/ou correligionárias do senador.

Debates
Alguns internautas que gastam seu tempo comentando notas deste blog têm o hábito de desclassificar um argumento pelo seu autor. Ah! dizem em tom acusador, se foi fulano que falou, não vale. Ora, tal comentário não serve para nada. É preciso apontar o equívoco.


Publicado no Portal G1.
Segunda-feira, 18 de junho de 2007.


Os bois de Renan
por Carlos Sardenberg

De um leitor do blog e do site www.sardenberg.com.br, Dairo, economista, recebemos os seguintes cálculos. Passo como recebi. Façam as contas:

Dados informados pelo senador Renan Calheiros: Venda de 1.700 cabeças de gado; 3 fazendas próprias e três arrendadas; período, jan/2004 a junho/07 (42 meses). Receita líquida = lucro líquido de R$ 1.900.000,00.

Premissas para análise desses dados:

1) Custo na operação pecuária de 25% da receita bruta {compra-venda} - Mão de obra, Vacina, Sal mineral, Sementes de pastagens, óleo diesel, vermífugos, cercas etc.

2) Custo de arrendamento, pelo menos 1 arroba por animal por ano (de graça);

3) Gado 100% macho;

4) Nenhum animal morre no período {zero de perda};

5) Pastos mais férteis do Brasil, 0,9 animal/ha, ganho de 13 arrobas brutas por ano, ou 6,5 @ de carne;

6) Preço de compra e de venda médio da Cepa/USP {usado pela BM&F} dos últimos 42 meses = R$ 55,6842 a arroba;

7) compras e vendas sem intermediários, sem custos de comissão;

8) Sem considerar custos de transporte;

9) Boi gordo = 16,5 arrobas e boi magro, 10 arrobas {padrão BM&F);

Com estes dados e estas premissas podemos especular que o Exmo. Sr. Presidente do Senado pode ter realizado apenas três tipos de operações:

a) Tinha um estoque inicial de 1.700 cabeças de boi gordo em 2004, vendeu na sua totalidade a R$ 67,73 a arroba. E hoje não possui gado algum!

b) Tinha 1.700 cabeças de boi gordo em 2004. Vendeu, recomprou boi magro nos 3,5 anos seguintes, girando 100% de seu estoque. Assim, venda de 1.700 bois x 16,5@ x 55,6842 = R$ 1.561.941 por ano. Compra 1.700 bois x 10,0@ x 55,6842 = R$ 946.631 por ano. Logo, receita bruta = R$ 615.310 por ano; Receita Bruta no período: R$ 615.310 x 3,5 anos = R$ 2.153.585; Menos os custos {25%} R$ 538.396; menos arrendamento 1.700:2 x 55,6842 x 3,5= R$ 165.660. Dá uma Receita liquida {lucro} de R$ 1.449.520;

c) Realizou lucro de R$ 1.900.000,00 engordando gado nos últimos 3,5 anos. Ou seja: vendeu líquidas 34.120 arrobas. Seguindo o raciocínio do calculo anterior, 50.690 arrobas brutas. Se cada cabeça de gado ganha 6,5 arrobas por ano, significa que foram vendidas 7.798 cabeças de boi gordo no período ou 2.228 cabeças por ano, 185 por mês ou 10 caminhões de gado/mês, um a cada três dias!

Na operação "a" trata-se do melhor vendedor de gado do Brasil, pois a arroba média nos melhores mercados foi de R$ 55,68 no período. Partindo das Alagoas, zona afetada pela febre aftosa, Renan vendeu seu gado a R$ 67,73, ou 21% acima do mercado.

d) Seu gerente afirma que ainda há 1.100 cabeças no pasto??? Então, na operação B teria uma receita líquida de apenas R$ 1.449.520, portanto abaixo dos 1.900.000,00 que afirma ter conseguido!!!!!

Na operação "c" seria o maior comerciante de gado das Alagoas, girando mais de 15.000 cabeças em 3,5 anos, tornando-se conhecido no mercado. Obviamente não venderia gado para açougues ou que tais. Lidaria diretamente com produtores e grandes frigoríficos. Estamos tratando com o verdadeiro REI DO GADO!

Mas todas as hipóteses colocadas são altamente improváveis, principalmente nas Alagoas. No interior dizemos que o gado engorda aos olhos do dono. Sua Exa., que mora em Brasília, a milhares de quilômetros de suas fazendas consegue o impossível, diz que seu gerente não sabe quantas cabeças possui, que quem sabe é seu veterinário, que mora em outra cidade e é Secretario do Município onde seu filho é prefeito!!!

Como consegue tamanha eficiência?

Conclusão: A atividade pecuária no Brasil é uma coisa seria, foi-se o tempo de se usar bois para esconder ou lavar dinheiro. Hoje temos de provar que o gado foi vacinado, temos rastreabilidade, nota de produtor rural tanto na compra quanto na venda, guia de transito de animais, declaração de estoque inicial e final no Imposto de Renda, pagamento de impostos. Frigoríficos dão recibos e não pagam mais em espécie e sim em cheques ou transferência eletrônica, portanto facílimo de provar. Vamos parar de atentar contra a inteligência dos brasileiros, notadamente de toda a cadeia da pecuária de corte que inclui exportadores, frigoríficos, produtores, pesquisadoras, grandes universidades, institutos como Embrapa, grandes multinacionais que pesquisam e produzem vacinas, antibióticos, vermífugos etc. A operação Collor (Uruguai) era menos risível que esta.


Publicado no Portal G1.
Terça-feira, 19 de junho de 2007.


Carlos Alberto Sardenberg é jornalista e âncora do programa CBN Brasil. Também é comentarista econômico do Jornal das Dez (da Globonews) e do Jornal da Globo, da TV Globo, além de manter colunas nos jornais “O Estado de S.Paulo” e no “O Globo”. Mantém ainda um blog no Portal G1 e o site Sardenberg.com.br. Foi apresentador do telejornal da Gazeta Mercantil e apresentador do Roda Viva da TV Cultura. Sardenberg também é palestrante na área de política e política econômica (conjuntura, cenário nacional e internacional, perspectivas políticas e econômicas). Em 37 anos de jornalismo, trabalhou como repórter, redator e editor nos jornais O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo. Nas mesmas funções, trabalhou ainda nas revistas Veja e IstoÉ. Já publicou três livros: "Aventura e Agonia nos Bastidores do Cruzado", "Jogo Aberto" e “O Assunto é Dinheiro”.



 
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