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Sunday, January 28, 2007

O perfeito idiota latrino-americano, porém armado e perigoso. Muito perigoso!
































A revolução dos tolos
por Ubiratan Iorio

O que é, o que é? É uma figura patética, mas perigosa. Banha-se em uma piscina de petrodólares, mas tem o aspecto de quem não é chegado a uma boa ducha. Tem cara de bobo, mas é esperto e anda armado... Refiro-me ao grotesco e paleolítico coronel Hugo Chávez - o "Chapolim de Miraflores" - que, mercê de uma farsa democrática, quer perpetuar-se no poder até - vejam! - o ano de 2030... E que, a cada reeleição - que vence, sabe-se lá como - apresta-se a mudar sua bíblia, a Constituição "bolivariana" de seu país, para moldá-la à sua ganância de poder.

Os escravos de Nabucodonosor da Babilônia ralavam 20 horas por dia porque não havia outro jeito, por causa das chibatadas e, em casos extremos, da morte, mas, se tivessem chance, colocariam veneno na lauta refeição do tirano. Hoje, os socialistas, comunistas e "teólogos" de falsas libertações criaram outra forma de servidão, desta vez consentida e, até, agradecida. Na América Latina, só são considerados intelectuais os artistas, cineastas, escritores, sociólogos, invasores de propriedades alheias e catadores de lixo que têm a aquiescência e complacência das esquerdas. Como disse Nelson Rodrigues, "não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer".

Até o século 19, os tolos eram apenas tolos, nada mais do que tolos e que se comportavam como tolos. Mas, com Marx e a ascensão das ideologias, descobriram que eram em maior número e revestiram-se de súbita sabedoria, passando a "pensar" pelos preparados e inteligentes, com o apoio da mídia socialista, que infesta os cadernos ditos "culturais" dos jornais. Em outros tempos, os melhores pensavam pelos idiotas. Hoje em dia, são os idiotas que pensam pelos melhores, porque ou estes se submetem aos primeiros ou são por eles engolidos.

Ser professor em uma universidade estatal, ou cineasta, escritor, sociólogo, artista ou socialista do Leblon, eis, com poucas exceções, os modos mais fáceis e diretos de ser intelectual sem ler, sem pensar e sem precisar esforçar-se para ligar duas simples idéias. Basta simular defender uma estranha liberdade, aplicável a eles, mas não aos demais, esganar-se de berrar contra todos os regimes de força de direita mas levar em sua algibeira a sua ditadurazinha particular e, naturalmente, socialista...

A Revolução dos Tolos acusa Pinochet, Médici e qualquer outro direitista (especialmente Bush) de carniceiros e ditadores, enquanto entoa hosanas a Lênin, Mao, Guevara, Fidel, Saddam, Morales, Chávez e outros monstros autores de crimes bem mais brutais, como se fossem deuses libertadores. Voltemos a Nelson Rodrigues: "A URSS, a China e Cuba são nações que assassinaram todas as liberdades, todos os direitos humanos, que desumanizaram o homem e o transformaram no anti-homem, na antipessoa. A história socialista é um gigantesco mural de sangue e excremento. Tão parecidos Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin".

Na América Latina o marxismo adquiriu uma forma difusa, volátil, caleidoscópica e etérea. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, nem - seria exigir demais - pensar, pois basta respirar e assumir ares de "socialmente engajado". Vêem-se em cada beco "amantes espirituais" de Hugo Chávez e outros idiotas perigosos, formados por jornalistas, sociólogos, intelectuais, ex-frades, poetas, cineastas, taxistas e bombeiros hidráulicos. Só falta pôr na parede retratos do pelintra, em uma pederastia fantasiada, idealizada, utópica, pornofotográfica...

Sua raiva contra a pobreza e a má distribuição de renda é altamente profissional. Essa gente vive da fome dos que morrem de fome, mas em plena abundância. "Bolivariana", é claro...


Ubiratan Jorge Iorio de Souza é Doutor em Economia pela EPGE/Fundação Getulio Vargas, ex-funcionário do Banco Central do Brasil, foi também articulista de Economia do "Jornal do Brasil" e do jornal "O DIA". Ubiratan Iorio tem cerca de quinhentos artigos publicados em jornais e revistas brasileiros, é Consultor em diversas instituições e já publicou os seguintes livros: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira", "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" e "Macroeconomia e Política Macroeconômica". Para saber mais sobre Ubiratan acesse seu site/blog pessoal "Ubiratan Iorio". E-mail: commenti@ubirataniorio.org




Publicado no "Jornal do Brasil".
Segunda-feira, 11 de dezembro de 2006.
































SEM DÚVIDA, NA FOTO ACIMA, CHE GUEVARA ENCONTRA-SE NO SEU MELHOR MOMENTO.

Atenção bobocas adoradores de falsos-mitos, copiem esta foto e apliquem em camisetas, façam pôsteres e pendurem em seus quartos e levem sempre com vocês uma cópia da última foto do carrasco da "Fortaleza Cubana", assim vocês não correm o risco de esquecer qual é o fim dos aventureiros e assassinos.


Monday, December 25, 2006

De volta à África.










































O continente do atraso
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

As economias em desenvolvimento terão um papel central na próxima fase da globalização, segundo projeções para o próximo quarto de século recém-divulgadas pelo Banco Mundial (Bird). Cerca de 1,2 bilhão de habitantes desses países deverão participar da classe média global em 2030. Para isso, 800 milhões deverão sair da pobreza nesse período. No cenário básico, o Produto Mundial deverá dobrar, passando de US$ 35 trilhões em 2005 para US$ 72 trilhões no fim do período. O crescimento, pouco mais acelerado que o dos últimos 25 anos, será puxado pela integração econômica e pela rápida expansão do comércio. As trocas internacionais deverão triplicar, alcançando US$ 27 trilhões anuais. Passarão de cerca de um quarto para mais de um terço do PIB mundial. As economias em desenvolvimento fornecerão 65% das importações de manufaturados do mundo rico. Hoje fornecem 40%. Há 20 anos, supriam 14%. Mas esse quadro, na maior parte brilhante, contém áreas escuras: a desigualdade poderá aumentar tanto entre países quanto entre grupos de pessoas, e a América Latina, se não houver mudanças importantes, continuará perdendo terreno para os países do Extremo Oriente, da Ásia Central e da antiga Europa socialista.

Não se trata, obviamente, de um exercício de adivinhação. Mas há dificuldades enormes na construção de cenários para um período tão longo. Inovações tecnológicas podem proporcionar ganhos de produtividade inesperados e acelerar fortemente a expansão econômica. Os autores do trabalho apontam as suas limitações. Mesmo com ressalvas como essa, porém, projeções de longo prazo são indispensáveis para a formulação de agendas nacionais e internacionais.

A experiência do último quarto de século proporciona um bom fundamento para algumas apostas. A população mundial deverá crescer de 6,5 bilhões para 8 bilhões em 25 anos. A porcentagem de idosos continuará a aumentar em quase todos os países. A integração comercial deverá prosseguir, apesar dos impasses da Rodada Doha. Sem novo acordo global, poderão crescer algumas tendências protecionistas, mas haverá maior integração por meio de acordos bilaterais e regionais.

A parcela de pessoas integradas na economia global continuará a aumentar. A criação e a difusão de tecnologias avançadas afetará cada vez mais amplamente o perfil da mão-de-obra incorporada na produção. A exclusão econômica dos grupos menos educados será mais acentuada, impondo aos governos maiores encargos de assistência a esses trabalhadores.

O peso crescente da China, da Índia e de outras economias da Ásia no comércio internacional pressionará mais fortemente as condições de trabalho e de remuneração no mundo rico e nos países com padrões trabalhistas ocidentais. Esse efeito poderá ser, no entanto, atenuado pelas transformações em curso naquelas economias hoje caracterizadas pelo baixo custo da mão-de-obra. Mesmo na China as condições trabalhistas começam a mudar e poderão alterar-se mais velozmente nos próximos anos. A melhor estratégia, de toda forma, não será o recurso ao protecionismo, advertem os autores do trabalho; a saída mais eficiente será persistir na integração, socorrer os trabalhadores deslocados e prepará-los para uma nova inserção no mercado.

A América Latina - e isso vale obviamente para o Brasil - terá de persistir na agenda de reformas e de tornar-se menos dependente da exportação de produtos básicos. Nas projeções para 2007 e 2008 os latino-americanos continuam com crescimento menor que as do resto do mundo em desenvolvimento. O descompasso permanece no cenário global de longo prazo. A conclusão é evidente: é preciso apressar as mudanças, consolidar os fundamentos econômicos e criar condições para maiores investimentos, maior absorção de tecnologia e maior incorporação de mão-de-obra em atividades mais produtivas.

O mundo não ficou à espera do Brasil e dos latino-americanos no último quarto de século. O desafio será ainda mais duro nos próximos 25 anos, segundo as projeções do Bird. Nenhuma reunião de cúpula na América do Sul deterá a globalização. Hugo Chávez e Evo Morales podem ser fontes de sabedoria para o governo brasileiro, mas não para o resto do mundo.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Segunda-feira, 25 de dezembro de 2006.



 
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