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Sunday, August 17, 2008

Brasileiros: Um "povo" desconfiado de si mesmo.










































Como confiar?
por Mauro Chaves

Segundo pesquisa do Instituto Vox Populi, apenas 3% dos brasileiros acham que é possível confiar nos outros. A muitos isso parece estarrecedor, porque nas democracias civilizadas esse porcentual de confiança chega a 65%. Mas encontrar no Brasil três pessoas (em cem) que confiem em algo já seria um portento, dado o volume descomunal de desconfiança que inspiram instituições, Poderes, governos, leis, pessoas públicas, entidades de classe, organizações não-governamentais, veículos de comunicação, campanhas de publicidade, gestões de universidades e tantas coisas mais.

O brasileiro é profundamente desconfiado porque sabe o que lhe acontece quando confia. Como confiar nas leis que permitem a um assassino condenado ser libertado depois de cumprir apenas 1/6 de sua pena - punição que reduz a vida humana a menos de 17% de seu valor? Aliás, por que 1/6 - e não um 1/5, um 1/7 ou 1/10? Será uma homenagem ao número da Besta, já que dividindo 100 por 6 dá 16,666...?

Como confiar no poder público, se altos funcionários, mesmo flagrados, filmados - e exibidos na televisão - no momento em que estão recebendo propinas ou roubando dinheiro público, impetram habeas-corpus e se livram da cadeia, a ela jamais retornando, por "falta de provas"? Como confiar na Justiça, se um sujeito mata premeditada e covardemente a colega ex-namorada pelas costas, dando-lhe outro tiro quando ela já está no chão, confessa o crime, é condenado e fica mais de oito anos livre leve e solto - como está Pimenta Neves?

Como confiar em "medidas socioeducativas" em benefício de facínoras - do tipo Champinha - só "recuperáveis" pela hipocrisia legal que, ao contrário das leis de todos os países do mundo (menos Guiné, Venezuela e Colômbia), estabelece maioridade penal apenas aos 18 anos, como se a capacidade de recebimento de informações e de desenvolvimento de consciência nos jovens de hoje fosse igual à de 70 anos atrás?

Como confiar nas mensagens publicitárias que afirmam que as pessoas podem ser persistentes, batalhadoras, guerreiras, capazes de vencer os obstáculos da vida e permanecer fiéis às suas origens só porque tomam cerveja Brahma - como os "brameiros" Zeca Pagodinho e Carlinhos Brown?

Como confiar nas religiões, se tantas e tantas delas se tornaram gigantescas caixas registradoras de "dízimos", vendendo escandalosamente indulgências pelo rádio e pela televisão, explorando com a máxima falta de escrúpulos a credulidade e a ignorância do povo?

Como confiar na Segurança Pública, se há polícias que matam (até crianças) antes de pedir documentos, enquanto outras fazem vista grossa aos que praticam todo tipo de violência, nas invasões, nos esbulhos, depredações, cárceres privados, saques de pedágios e de caminhões, matança de animais, vandalismos contra sedes de propriedades rurais e laboratórios de experimentação agrícola, como fazem os ditos "movimentos sociais", do tipo MST e assemelhados?

Como confiar numa medicina que chegou ao cúmulo da venalidade, a ponto de médicos falsificarem exames, venderem lugares na fila de transplantes de órgãos, condenando à morte os que não têm condições de satisfazer sua abjeta ganância financeira - como acontece com a fila de transplantes de fígado do Rio de Janeiro?

Como confiar em produtores de alimentos, cujo falta absoluta de escrúpulos os fez adulterar o alimento básico das crianças - o leite -, pondo em risco a saúde dos próprios filhos e netos, misturando ao leite substâncias nocivas ou capazes de reduzir o seu valor nutricional (do tipo soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, água, sal, etc.), para aumentar seu volume e o prazo de validade, como é o caso das cooperativas de produtores de leite denunciadas pelo Ministério Público de Uberaba, em Minas Gerais?

Como confiar em intelectuais "idealistas", que lutaram contra a ditadura militar, mas se locupletaram com indenizações inacreditavelmente milionárias, como jamais se viu em país redemocratizado algum do mundo, nem em benefício de vítimas de genocídio?

Como confiar em valores da família, se as famílias são sempre apresentadas, nas "melhores" novelas de televisão, como verdadeiras aberrações antropológicas, sem traços de conexão afetiva, mas apenas como amontoados grupais de golpistas e portadores de ambições criminosas?

Como confiar em relações amorosas consistentes, se a comunicação eletrônica de massas massifica ao máximo o sexo barato, sem qualquer dignidade, banalizando ao extremo as ligações pessoais, a ponto de a sociedade poder ver-se pelo cretino buraco de fechadura dos BBBs da vida?

Como confiar numa internet infestada de grandes falsários, que adulteram textos alheios, violentam conceitos, opiniões e pesquisas, sob a camuflagem covarde do anonimato?

Como confiar na universidade, se importantes docentes permitem - e defendem até quanto podem - um reitor que desviou verbas destinadas à pesquisa científica para um esbanjamento decorativo doméstico, bem sintetizado na compra, com dinheiro público, de latas de lixo de quase R$ 1 mil e saca-rolhas de R$ 849?

Como confiar em organizações não-governamentais, com tanta pilantropia à solta e abnegados de causas "sociais" com bolsos cada vez mais cheios de subsídios governamentais?

Como confiar numa classe política que produz, impunemente, mensaleiros, sanguessugas, vampiros, aloprados, portadores de dólares na cueca e pornográficos cartões corporativos?

Quem souber como confiar em tudo isso é favor melhorar nossas estatísticas - e retirar-se do grupo dos gatos escaldados, formado por 97% da população brasileira.


Mauro Chaves é formado em Direito, Administração de Empresas, Filosofia, Cinema e Línguas, é jornalista, escritor, autor teatral, compositor e artista plástico. Mauro também é Editorialista e articulista do jornal "O Estado de S. Paulo", desde 1981 e comentarista político da Rede Gazeta de Televisão. Entre seus vários livros publicados, destacam-se "Três Contos Artificiais", "O Dólar Azul" e "Eu não disse?".
E-Mail: mauro.chaves@attglobal.net




Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Sábado, 16 de Agosto de 2008.




QUEM AGÜENTAR VERÁ - O Dia do Juízo Final – Gen Valmir Fonseca Azevedo Pereira





Tuesday, May 01, 2007

O "espectro" que domina o povo brasileiro.


































O HEGEMONISMO DA BESTA TRIUNFANTE
por Augusto de Franco

Formou-se a mais poderosa coalizão de forças de nossa história recente em apoio ao governo corrupto de Lula da Silva. O arco de alianças vai desde uma organização política clandestina disfarçada de movimento social (o MST), passando pelas centrais sindicais (agora anexadas como aparelhos do Estado e financiadas com dinheiro público), por organizações totalmente degeneradas que remanesceram da época da luta revolucionária contra o regime militar, até chegar à grande maioria dos partidos (inclusive o PV de Gabeira – vejam só! – faz parte da base do governo...).

Existem evidências importantes de que parte desse tenebroso ajuntamento tem raízes no crime organizado. E começam a surgir sinais preocupantes da existência de ramificações do submundo do crime no judiciário, no legislativo e em vários governos.

E tudo isso conta com o apoio de parte significativa do empresariado, em todos os setores da atividade produtiva, mas, em especial, nos bancos.

Também não são desprezíveis os contingentes de articuladores e analistas políticos que estão passando para o lado do governo. Alguns de forma explícita: o caso inaugural foi o de Ciro, mas – como a caçamba seguindo a corda – veio também o vira-casaca Mangabeira; até o Padilha – campeão das articulações congressuais no governo FHC – passou-se de armas e bagagens para o lado do vencedor. Outros, de modo tácito, trabalham para sustentar o governo "do lado de lá", como é o caso do Aécio (e, agora, ao que tudo indica, do próprio Tasso). Gente de mídia também anda doida para sentar no colo de Lula a partir dos empregos e outras prebendas que serão fornecidos pela TV estatal do "comissário" Franklin Martins.

Sobrou pouca coisa fora dessa formidável articulação de forças regressivas: uma parte da imprensa, uma parte dos partidos ditos de oposição e um contingente considerável, porém difuso, de cidadãos indignados com o processo de perversão da política e de degeneração das instituições em curso no país a partir de 2003.

Ora, ninguém monta uma estrutura desse porte – pagando o preço que tiveram que pagar quando vieram à tona os escândalos Waldomiro-Dirceu, Mensalão-Valerioduto, Palocci-Casa dos Prazeres, Falso Dossiê– Entourage de Lula – para abandonar o poder. Sim, eles não pretendem sair do poder em 2010. E não vão mesmo, a menos que façamos alguma coisa. Nós, quem?

Não é incrível que pessoas tão inteligentes, que dedicaram uma vida inteira à função pública ou à prática da política, não estejam vendo isso? Como se explica essa miopia pandêmica?

As explicações podem ser várias, mas do ponto de vista político existe uma que é central: a traição da oposição aos votos recebidos nas urnas de 2002 e 2006. Sem quem trave o combate político quotidiano, sem quem interprete e decodifique os atos do governo e do demagogo neopopulista que o chefia, sem quem defenda a democracia brasileira e as instituições republicanas da sanha lulopetista pelo controle do Estado e da sociedade, não há como fazer frente, nem no curto nem no médio prazo, ao hegemonismo da besta triunfante.



Augusto de Franco é Coordenador-Geral da AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, é autor de mais de 12 livros. Além de Coordenador Geral da AED é também Diretor Presidente da ARCA – Sociedade do Conhecimento. Augusto de Franco é professor convidado da Fundação Dom Cabral na área de responsabilidade corporativa, sustentabilidade empresarial e gestão de stakeholders, articulista do jornal Folha de São Paulo, conferencista, consultor senior de governos estaduais e municipais, empresas e organizações internacionais e professor de vários MBA nas áreas de terceiro setor e desenvolvimento local.
Site do autor: democracia.org.br.



Publicado no site DIEGOCASAGRANDE.COM.BR.
Terça-feira, 01 de maio de 2007.


 
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