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Wednesday, October 31, 2007

Eis o 3º, o 4º, o 5º, o 6º ... mandatos!










































Se colar, colou
por Dora Kramer

Até agora, as negativas do presidente Luiz Inácio da Silva sobre o desejo de disputar um terceiro mandato já na próxima eleição soavam convincentes. Menos pela pregação em favor da alternância de poder e mais pela falta de condições objetivas para fazer uma mudança dessa natureza na Constituição.

Mas a entrada do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) em cena, defendendo clara e objetivamente a proposta sem ser desestimulado pelo maior (em tese) desinteressado, convenhamos, altera a crença na sinceridade presidencial.

Para usar uma expressão do agrado de Lula, o dado concreto é que o presidente não deixa esse samba morrer. Primeiro, fala de sucessão e eleição dia sim, outro também. Segundo, se não quisesse mesmo conversa sobre o assunto simplesmente diria ao amigo dos tempos de sindicalista no ABC para deixar isso para lá.

Lula tem intimidade e autoridade mais que suficientes para isso. Se nem adversários - ou contrariados como aqueles empresários que na semana passada entraram numa reunião com ele falando grosso e saíram falando fino - têm coragem de enfrentar Lula, que dirá um fiel camarada como Devanir Ribeiro.

No âmbito de governo, é preciso ter claro, nada se faz contra a vontade do presidente. Muito menos em se tratando de um presidente voluntarioso como Lula. É a notória frase de José Dirceu: “Nada fiz sem o conhecimento do presidente.”

É assim que a banda toca lá pelos lados do Planalto. Tocou assim quando o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, defendia a tese da reeleição, enquanto Fernando Henrique negava, e continua tocando assim, até em ritmo mais acentuado.

Não que Lula já tenha na cabeça o roteiro da tentativa de prosseguir na Presidência nem que dê sinais de empenho pessoal para levar adiante uma proposta institucionalmente indefensável.

Mas está claro que não desestimula. Parece agir na base do se colar, colou. Não colando, pode sempre dizer que não tem nada a ver com isso, como de resto está dizendo. Mas, e se por uma ínfima chance, prosperar?

Se acontecer, já está ficando fora de dúvida, o presidente surfará nessa onda.

Note-se o seguinte: o PT e Lula, tão pródigos na denúncia de golpes e conspirações, não aplicam o mesmo conceito à tese do terceiro mandato. Fosse outro o presidente e a proposta viesse de um aliado assim tão próximo, o que estariam dizendo os petistas? É golpe!

No entanto, o que se ouve do presidente Lula é a vontade inescapável de voltar a “fazer um coelhinho assado”, são alertas de que democracia não é brinquedo.

Postas na balança onde no outro prato se põe a proposta e a origem de seu autor, as declarações soam leves, prontas a se desmanchar, voláteis, no ar.

Reeleição, o retorno

O grão-tucanato arquivou, mas não desistiu da idéia de pôr fim a uma de suas criaturas, a reeleição. Leva o assunto em banho-maria agora e retoma o debate com vigor depois da eleição municipal de 2008.

Tirando os dois ou três tucanos que sempre foram contra a tese - mesmo quando criada para dar um segundo mandato a Fernando Henrique Cardoso -, a maioria se move pela conveniência eleitoral, já que o fim da reeleição teoricamente aplaca o apetite petista por um terceiro mandato, pois cria expectativa próxima (no pleito seguinte) de volta ao poder para Lula e facilita as negociações internas no PSDB.

Quem perder a indicação para candidato a presidente em 2010 fica seguro com a perspectiva de um horizonte mais curto para disputar o cargo. Não em 2014, mas 2015, porque o plano é ampliar o mandato do eleito em 2010 para cinco anos.

Delenda Berzoini

Candidato à presidência do PT pela chapa A Esperança é Vermelha, da esquerda petista, Valter Pomar faz algumas observações sobre a disputa interna em geral e sobre as críticas de partidários de José Eduardo Cardozo, mais exatamente o governador de Sergipe, Marcelo Déda, em particular.

São quatro os pontos destacados por Pomar.

1. “O chamado Campo Majoritário controlou o diretório nacional de 1995 a 2005, chegando a ter 70% dos votos, graças ao apoio de outras tendências e lideranças, inclusive Jilmar Tatto e José Eduardo.”

2. “Marcelo Déda fez parte do Campo Majoritário até 2005, o que não desmerece suas críticas, em alguns aspectos muito parecidas com as nossas.”

3. “Ricardo Berzoini é favorito para ir ao segundo turno, mas não é favorito para vencer. Isto, claro, se as outras candidaturas, que deveriam anunciar desde já se estão mesmo dispostas a derrotar Berzoini, estiverem unidas na etapa final.”

4. “Por fim, não está claro quem irá ao segundo turno, não há pesquisas. O único parâmetro (as eleições internas de 2005) indicam que há três candidaturas disputando a vaga e não apenas duas (Tatto e Cardozo), como você cita.”

Incluída, pois, está a esquerda na ofensiva para derrubar o candidato de Lula à presidência do PT.



Dora Kramer é Jornalista especialista em política, comenta no jornal O Estado de S.Paulo os bastidores do poder e as análises das principais decisões políticas que mexem com nosso dia-a-dia. Passou pelo Diário Popular, pela Agência Folha e pelo Jornal do Brasil. Consagrou-se, nestes mais de vinte anos, como uma das jornalista mais influente do País






Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Terça-feira, 30 de outubro de 2007.



Saturday, September 23, 2006

Somos todos apedeutas? O PT acha que sim...!



































Alegação de insanidade. Dizer que dossiê é obra de loucos ou burros é tentar tornar seus autores inimputáveis
por Dora Kramer

Até agora, o roteiro da reação governista ao escândalo do dossiê Vedoin não falhou, seguiu à risca os antecessores: a escalação de culpados no segundo time, as manifestações de indignação e de repúdio, os apelos à apuração rigorosa e punição exemplar 'doa a quem doer'.

Não faltou nem o argumento-chave do advogado criminalista - o governo dispõe de um dos melhores do mercado dando expediente no Ministério da Justiça. Neste caso, a defesa é concentrada na alegação de insanidade dos réus.

Mentecaptos rematados, Freud Godoy, Gedimar Passos, Expedito Veloso, Valdebran Padilha, Hamilton Lacerda, Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti e Ricardo Berzoini, armaram plano à revelia dos chefes - a saber, o presidente Luiz Inácio da Silva e o senador Aloizio Mercadante - para ajudá-los e, burros que dói, terminaram criando uma complicação sem tamanho.

Mas, como são estúpidos e tudo é fruto de presença reduzida de massa encefálica nas desorientadas cabeças, tome-se emprestado ao programa humorístico de televisão o título de Organizações Tabajara e teremos, no máximo, um grupo de idiotas que não sabem o que fazem.

A 'tese' de que tudo o que se passou seria fruto de delírio e incompetência dos acusados serve à conveniência dos acusadores. É atitude pouco séria e menos ainda digna de credibilidade.

Dizer que são estultos e insanos absolve a todos de antemão e os exime de responsabilidade. Tanto os mandantes quanto os executores, pois, já que nenhum deles sabia exatamente da conseqüência de seus atos, há uma chance de que não sejam por eles culpados criminalmente.

Sendo assim, as coisas ficam reduzidas a uma brincadeira de mau gosto quando, na realidade, é tudo fruto de um plano bem engendrado, cujo defeito foi ter dado errado.

PT e governo querem trocar de papel com seus acusadores, pretendendo que são vítimas de acusações injustas. Primeiro, condenam com veemência o dossiê, depois acusam a oposição de fazer uso eleitoral da operação - esquecendo-se da ação em si.

Não demora apontarão os veículos de comunicação que noticiam os fatos como integrantes de um movimento de conspiração, coisa que já fazem de forma transversa, mas, em breve, farão de maneira direta.

Em seguida, e este será o movimento vindouro, se a eleição for para o segundo turno vão gritar que o processo eleitoral está sob suspeição, pois, se contrariarem as pesquisas, na ótica oficial haverá suspeita de fraude.

Mas, como crer em fraude, se o processo eletrônico, resguardado ademais pela fiscalização dos partidos, é tido como dos mais seguros no âmbito internacional?

Não importarão as condições objetivas frente às conveniências subjetivas de imaginar que tudo é possível, se houver a mínima possibilidade de fazer crer ao eleitorado que um eventual resultado adverso é fruto da ação nefasta dos oposicionistas e não conseqüência dos atos inconseqüentes dos governistas.


Dora Kramer é Jornalista especialista em política, comenta no jornal O Estado de S.Paulo os bastidores do poder e as análises das principais decisões políticas que mexem com nosso dia-a-dia. Passou pelo Diário Popular, pela Agência Folha e pelo Jornal do Brasil. Consagrou-se, nestes mais de vinte anos, como uma das jornalista mais influente do País






Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Domingo, 24 de setembro de 2006.



 
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