Showing posts with label Morte. Show all posts
Showing posts with label Morte. Show all posts

Monday, December 03, 2007

Principais contribuições do comunismo para a humanidade:
MORTE, MISÉRIA e BLASFÊMIAS!

Foto: Mural pintado em uma rua de Caracas-Venezuela pelos blasfemos seguidores de Hugo Chávez.






















Click aqui para ver a imagem ampliada.


Alimentando os delírios da besta.
por Conde Loppeux de la Villanueva

Curioso observar os sintomas de uma doença historicamente repetida. Impressiona como a esquerda latino-americana alimenta a sanha psicótica do presidente da Venezuela Hugo Chávez. Os aspectos essenciais da democracia, como a divisão e independência dos poderes, estão completamente ausentes, dentre outros detalhes. As garantias individuais, o respeito às minorias e oposições e as liberdades civis, de opinião, de imprensa, estão virtualmente ameaçadas de extinção no país. Desde que Chávez fechou a RCTV, a maior rede de televisão do país e criou leis para prender jornalistas dissidentes, criticar o presidente se tornou perigoso. De fato, as manifestações pacíficas da oposição são dispersas na bala. E uma sociedade deprimida, refém de um delinqüente, espera o desfecho de uma guerra civil ou de uma ditadura oficializada.

Se na política interna, o país está dividido e a democracia arruinada, no âmbito externo, Chávez ameaça espalhar o caos em toda América Latina. Crime organizado, terrorismo, narcotráfico, além de uma corrida armamentista, ameaçam a paz no continente. As crises diplomáticas da Venezuela com os Eua, Colômbia, México e Espanha, revelam que tipo mitomaníaco está governando o país. Recentemente, o incidente com o rei da Espanha está ameaçado de sofrer uma retaliação. Contrariando a aliança que o governo de Caracas tem com o governo espanhol, Chávez ameaça confiscar as empresas e propriedades de espanhóis. Quase declarou guerra à Colômbia de Uribe, por causa das guerrilhas narcotraficante das Farcs. E já hostiliza a Guiana, numa crise de fronteiras. No entanto, a despeito de todos esses incidentes gravíssimos que ocorrem naquela pobre nação, e mesmo no continente, a esquerda, em peso, apóia o futuro ditador.

A sociopatia que acomete às esquerdas não é de hoje. A bajulação quase demencial que o movimento esquerdista revolucionário tem para com Chávez lembra muito o culto de Stálin nos anos 40 do século XX. A grande maioria da esquerda mundial sabia dos crimes assombrosos que ocorriam na União Soviética. Os expurgos do Partido, a arma da fome em massa contra a Ucrânia, o Grande Terror, as deportações de populações inteiras para a Sibéria, os campos de concentração Gulags, e a prisão de milhões de pessoas, além do genocídio puro e simples, eram todos conhecidos pelos militantes comunistas e socialistas. Porém, eles mentiram, omitiram a realidade. O casal de socialistas ingleses Webb dizia que a Constituição Soviética era a mais democrática do mundo e que Stálin era menos poderoso do que o Presidente dos Eua. Sartre negou a existência dos campos de concentração soviéticos. Bertold Brecht aprovou os expurgos do Grande Terror, nos famigerados “julgamentos-farsa” de Moscou. Ele ainda pregava a mentira consciente em nome das “verdades” comunistas. O poeta Louis Aragon exaltava os tchekistas da GPU, implorando a ação da polícia política soviética na França. E muitos artistas alimentavam a sanha do psicopata que governava o país, declarando Stálin o Guia Genial dos Povos! Za Stalina!

Mas não só os artistas e admiradores. Até mesmo o circulo do poder de Moscou também alimentava as sandices psicóticas de um louco. Nem que para isso custasse a vida própria deles. Um pouco antes da morte de Stálin, já havia um temor assustador de um novo expurgo dentro da própria nomenclatura soviética, um novo terror. Béria, Molotov, Mikoian, Krushev, e demais colaboradores dos crimes stalinistas, estavam marcados para morrer. O ditador mataria seus cúmplices, tal como matou a velha elite do partido bolchevique. Porém, a morte do tirano salvou os seus asseclas do extermínio. De uma hora para outra, o Guia Genial dos Povos foi expurgado da memória do Partido. Foi o último expurgado de sua própria tirania. A esquerda, que outrora rendia homenagens, como se fosse uma espécie de deus encarnado, cuspiu no cadáver.

A União Soviética, em 1953, era um país em frangalhos. Sentiu o assassinato de vinte milhões de seus cidadãos e a prisão em massa de outros milhões. Os campos de concentração estavam abarrotados de pessoas: quase três milhões de detentos. E o sistema totalitário tornava inviável qualquer prosperidade ao país, já que muitos quadros da indústria, das fábricas, das cidades e do campo estavam presos ou mortos. As leis criminalizavam a vida no país. Milhões de soviéticos foram presos ou mortos por coisas banais, como faltar ou atrasar-se ao trabalho numa fábrica, roubar uma espiga de cereal em épocas de fome, violar as leis de passaportes, criticar o governo, etc. Sim, a liberdade de ir e vir era inexistente na União Soviética. A população soviética tinha seus passos e suas residências controladas por passaportes, já que eram proibidos de sair de seus locais de trabalho e de habitação, sob pena de serem deportados para a Sibéria. Era uma nova espécie de servidão estatal, uma vez que o Estado impunha a obrigatoriedade do cidadão de permanecer em um local. Nas épocas mais ferozes da fome e da carestia de alimentos, em particular, a Grande Fome do Holomodor na Ucrânia, em 1932, os cidadãos do campo que fugiam para as cidades eram mandados de volta aos locais da fome e acabavam morrendo no local de origem. Stálin mandou fechar as fronteiras para eles. Isso custou a vida de seis milhões de soviéticos de inanição.

Nem por isso, uma parte do Partido Comunista se deixou levar pela mudança repentina do pensamento de sua mais alta burocracia partidária. Stalinistas fanáticos chegaram a romper com o Partido de Moscou e aderiram aos modelos socialistas mais tresloucados, violentos e radicais. Muitos chegaram a aderir à China de Mao Tse Tung, a Albânia de Enver Hoxa e mesmo Pol Pot, do Camboja, com suas famas de tiranias absolutistas e sanguinárias. A ditadura comunista chinesa matou 70 milhões de seus cidadãos; Pol Pot, em três anos de regime totalitário, exterminou 25% da população do Camboja; e Enver Hoxa, com sua ditadura pró-stalinista, fez da Albânia o país mais pobre da Europa. Era a Coréia do Norte do Leste Europeu. A Albânia e a China eram objetos de grande admiração de João Amazonas, até então, presidente do Partido Comunista do Brasil. O mesmo Partido Comunista que, junto com o PT, apóia Chávez e todos os movimentos revolucionários criminosos que despontam na América Latina.

A história dos movimentos revolucionários não muda muito neste ponto. A mesma demência, a mesma megalomania pelo poder, o mesmo culto dos ogros filantrópicos que se tornam monstros reais. As mesmas mentiras encontradas em Stálin e outros congêneres de tiranias socialistas, agora refletem no apoio aos governos da Venezuela, Bolívia e Equador. Inventam-se simulacros de democracia para disfarçar os despotismos. È surpreendente pensar que os comunistas, notórios inimigos das chamadas “democracias burguesas”, ou do Estado de Direito Democrático, façam cerimônias sobre a legalidade das eleições fraudulentas na Venezuela e outros demais países. Isso porque, o que está sendo julgado é a existência mesma das liberdades civis destas nações. Os comunistas estão querendo que o povo vote em favor da sua própria escravidão. Em nada difere do que Hitler fez com os alemães, ao legalizar a ditadura nazista, ou mesmo a farsa eleitoral dos países do Leste Europeu, quando os Partidos Comunistas subjugaram esses países em ditaduras sangrentas. O assustador é a defesa maciça de setores jornalísticos e intelectuais às loucuras do chavismo e demais processos totalitários no continente. Alimentam os delírios da besta para uma completa destruição. É o niilismo que ressurge em nossos tempos. A América Latina está sendo governada por psicopatas, dentro da loucura coletiva dos povos. Há Stálins ao redor de nós. A Venezuela é apenas um pequeno palco de grandes tragédias.



Conde Loppeux de la Villanueva é um reacionário hidrófobo e blogueiro da mídia golpista.








Publicado no blog "Conde Loppeux de la Villanueva".
Domingo, 02 de dezembro de 2007, 19h54.


Friday, November 09, 2007

Se real fosse, seria a melhor solução para:
O próprio Fidel, Lula, Chávez, Evo, Correa, Ortega, os Kirchner, etc


Click na seta ou no botão play (4) duas vezes, para ativar o vídeo.





RECADO AOS "CAMARADAS" ...
"Para o bom entendedor meia palavra basta!"

"O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que vêem e deixam o mal ser feito."

Albert Einstein








Wednesday, October 31, 2007

Eis o 3º, o 4º, o 5º, o 6º ... mandatos!










































Se colar, colou
por Dora Kramer

Até agora, as negativas do presidente Luiz Inácio da Silva sobre o desejo de disputar um terceiro mandato já na próxima eleição soavam convincentes. Menos pela pregação em favor da alternância de poder e mais pela falta de condições objetivas para fazer uma mudança dessa natureza na Constituição.

Mas a entrada do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) em cena, defendendo clara e objetivamente a proposta sem ser desestimulado pelo maior (em tese) desinteressado, convenhamos, altera a crença na sinceridade presidencial.

Para usar uma expressão do agrado de Lula, o dado concreto é que o presidente não deixa esse samba morrer. Primeiro, fala de sucessão e eleição dia sim, outro também. Segundo, se não quisesse mesmo conversa sobre o assunto simplesmente diria ao amigo dos tempos de sindicalista no ABC para deixar isso para lá.

Lula tem intimidade e autoridade mais que suficientes para isso. Se nem adversários - ou contrariados como aqueles empresários que na semana passada entraram numa reunião com ele falando grosso e saíram falando fino - têm coragem de enfrentar Lula, que dirá um fiel camarada como Devanir Ribeiro.

No âmbito de governo, é preciso ter claro, nada se faz contra a vontade do presidente. Muito menos em se tratando de um presidente voluntarioso como Lula. É a notória frase de José Dirceu: “Nada fiz sem o conhecimento do presidente.”

É assim que a banda toca lá pelos lados do Planalto. Tocou assim quando o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, defendia a tese da reeleição, enquanto Fernando Henrique negava, e continua tocando assim, até em ritmo mais acentuado.

Não que Lula já tenha na cabeça o roteiro da tentativa de prosseguir na Presidência nem que dê sinais de empenho pessoal para levar adiante uma proposta institucionalmente indefensável.

Mas está claro que não desestimula. Parece agir na base do se colar, colou. Não colando, pode sempre dizer que não tem nada a ver com isso, como de resto está dizendo. Mas, e se por uma ínfima chance, prosperar?

Se acontecer, já está ficando fora de dúvida, o presidente surfará nessa onda.

Note-se o seguinte: o PT e Lula, tão pródigos na denúncia de golpes e conspirações, não aplicam o mesmo conceito à tese do terceiro mandato. Fosse outro o presidente e a proposta viesse de um aliado assim tão próximo, o que estariam dizendo os petistas? É golpe!

No entanto, o que se ouve do presidente Lula é a vontade inescapável de voltar a “fazer um coelhinho assado”, são alertas de que democracia não é brinquedo.

Postas na balança onde no outro prato se põe a proposta e a origem de seu autor, as declarações soam leves, prontas a se desmanchar, voláteis, no ar.

Reeleição, o retorno

O grão-tucanato arquivou, mas não desistiu da idéia de pôr fim a uma de suas criaturas, a reeleição. Leva o assunto em banho-maria agora e retoma o debate com vigor depois da eleição municipal de 2008.

Tirando os dois ou três tucanos que sempre foram contra a tese - mesmo quando criada para dar um segundo mandato a Fernando Henrique Cardoso -, a maioria se move pela conveniência eleitoral, já que o fim da reeleição teoricamente aplaca o apetite petista por um terceiro mandato, pois cria expectativa próxima (no pleito seguinte) de volta ao poder para Lula e facilita as negociações internas no PSDB.

Quem perder a indicação para candidato a presidente em 2010 fica seguro com a perspectiva de um horizonte mais curto para disputar o cargo. Não em 2014, mas 2015, porque o plano é ampliar o mandato do eleito em 2010 para cinco anos.

Delenda Berzoini

Candidato à presidência do PT pela chapa A Esperança é Vermelha, da esquerda petista, Valter Pomar faz algumas observações sobre a disputa interna em geral e sobre as críticas de partidários de José Eduardo Cardozo, mais exatamente o governador de Sergipe, Marcelo Déda, em particular.

São quatro os pontos destacados por Pomar.

1. “O chamado Campo Majoritário controlou o diretório nacional de 1995 a 2005, chegando a ter 70% dos votos, graças ao apoio de outras tendências e lideranças, inclusive Jilmar Tatto e José Eduardo.”

2. “Marcelo Déda fez parte do Campo Majoritário até 2005, o que não desmerece suas críticas, em alguns aspectos muito parecidas com as nossas.”

3. “Ricardo Berzoini é favorito para ir ao segundo turno, mas não é favorito para vencer. Isto, claro, se as outras candidaturas, que deveriam anunciar desde já se estão mesmo dispostas a derrotar Berzoini, estiverem unidas na etapa final.”

4. “Por fim, não está claro quem irá ao segundo turno, não há pesquisas. O único parâmetro (as eleições internas de 2005) indicam que há três candidaturas disputando a vaga e não apenas duas (Tatto e Cardozo), como você cita.”

Incluída, pois, está a esquerda na ofensiva para derrubar o candidato de Lula à presidência do PT.



Dora Kramer é Jornalista especialista em política, comenta no jornal O Estado de S.Paulo os bastidores do poder e as análises das principais decisões políticas que mexem com nosso dia-a-dia. Passou pelo Diário Popular, pela Agência Folha e pelo Jornal do Brasil. Consagrou-se, nestes mais de vinte anos, como uma das jornalista mais influente do País






Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Terça-feira, 30 de outubro de 2007.



Friday, October 19, 2007

Corra "correria", corra... Corra para a morte!

No vídeo abaixo um exemplo de como deve agir uma verdadeira polícia (CORE),
quando bandidos e criminosos da pior espécie, ousarem partir para o confronto.
Têm de ser implacáveis. Missão Cumprida!

Essa é a minha Polícia, onde: "Bandido bom é bandido morto!"

Click na seta ou no botão play (4) duas vezes, para ativar o vídeo.





Wednesday, July 11, 2007

Jogos do PAN custaram R$ 3,7 bilhões. Viva os Jogos PANdemônicos!
















































Prioridades
por Ali Kamel

Li que as obras de “urbanização” do Pavão-Pavãozinho vão custar R$ 37 milhões. E que a “revolução” na Rocinha sairá por R$ 80 milhões. Comparei com os custos das obras do Engenhão: R$ 380 milhões. E ando me perguntando: nós, como sociedade, sabemos escolher as nossas prioridades? Às vezes eu tenho a impressão de que nos comportamos como aquele sujeito hiperativo (refiro-me ao termo clínico): movimenta-se para todos os lados, inicia mil projetos, tenta abraçar o mundo com as mãos, mas, sem medicação, acaba sempre fracassando em tudo.

Supondo que a reforma do Pavão-Pavãozinho vá resolver o problema daquela favela, o dinheiro gasto no Engenhão daria para melhorar a vida de mais 10 comunidades semelhantes (ou de mais cinco do porte da Rocinha).

Faz sentido? O trágico é que eu duvido que os projetos para as duas favelas estejam voltados realmente para torná-las habitáveis.

É por isso que coloquei entre aspas as palavras urbanização e revolução no início deste artigo. Porque não se trata nem de uma coisa nem de outra.

Vi a foto do projeto do Pavão-Pavãozinho no GLOBO e — desculpem-me os autores — é o mesmo truque de sempre. À esquerda, o retrato de barracos de alvenaria, caindo aos pedaços, um em cima do outro, num ambiente hostil; à direita, os mesmos barracos, consertados, pintados, parecendo casas dignas. Já vi projetos assim muitas vezes, e eles nunca se realizam.

Darcy Ribeiro, um intelectual brilhante, a quem sempre respeitei, mas que era um sonhador, dizia, em 1982, que os nossos morros acabariam causando inveja à classe média, porque iriam se parecer com as encostas de Nápoles ou com aquelas ilhas gregas com casas todas branquinhas e bem cuidadas. Prometeu dar a posse da terra aos favelados, prometeu urbanizar todos os morros, mas a única coisa que o Governo Brizola fez foi revogar um decreto que proibia construções de alvenaria. O objetivo do decreto era impedir que o temporário se tornasse perene: até então, os favelados, quando conseguiam juntar uma poupança, compravam um terreno legalizado e saíam daquela vida; depois de Brizola, passaram a investir tudo em seus barracos, porque viver protegido por tijolo é sempre melhor do que viver em barracos de madeira. Os favelados fizeram muito bem, mas a ação de Brizola era apenas um sinal: o Estado lavava as mãos. Ele não construiu um único conjunto habitacional, deixando que os próprios favelados se virassem como podiam. Essa é a tradução perfeita da famosa frase, perversa, mas que a muitos parece “humana”: “Favela não é problema, mas solução”.

A coisa sempre seguiu nesse ritmo.

César Maia lançou como grande projeto o favela-bairro, prometendo, como o nome diz, incorporar as comunidades à cidade, mas, após 15 anos de implementação, as coisas continuam na mesma, demonstrando que o projeto fracassou. Da mesma forma, temo que os atuais também fracassem.

Precisamos encarar de frente o problema: favelas em morros não são urbanizáveis. O Estado precisa desenvolver políticas conseqüentes que dêem à população de baixa renda acesso a habitações decentes, via financiamento subsidiado, em áreas com escolas, hospitais e demais serviços públicos, ligadas ao centro por transporte público de massa veloz, confortável e barato. Que uma cidade como a nossa aceite conviver com favelas diz muito de nossa visão de mundo. E nós deveríamos nos envergonhar dela. É inadmissível que aceitemos como um dado da vida que pobres morem em condições subumanas.

Qualquer sociedade, quando chega em certo nível de civilização, une todos os esforços para que concidadãos morem dignamente. Aqui, por culpa da esquerda, criou-se o pensamento torto de que o pecado é remover favelas e que a boa ação é deixá-las onde estão. E, o pior, como estão. Eu já disse em outro artigo: ninguém quer se livrar das favelas, mas livrar delas os favelados.

Para isso, não devemos nos mirar em exemplos como os da Colômbia.

Temos de ser mais ambiciosos. A idéia de teleféricos para que moradores de partes altas tenham acesso às baixas (e a transporte) é a consagração de um erro: as partes altas não podem e não devem ser habitadas — é o que a lei diz. Se há ricos morando em encostas de luxo, que sejam tirados de lá também. Todas as cidades do mundo têm as suas periferias, ligadas ao centro por sistemas de transporte que encurtam as distâncias. Os moradores desses lugares têm uma vida modesta, mas digna, com serviços públicos à disposição.

Por que no Brasil haveria de ser diferente? Simplesmente, porque não sabemos (ou não queremos) eleger prioridades.

Sei que o Pan é importante para a cidade, sei que trará benefícios secundários permanentes muito benéficos para o Rio, mas não creio que, tendo um milhão de favelados ao nosso redor, essa seja uma prioridade. Parece-me demasiado gastar R$ 3,2 bi com o evento (o gasto foi de R$ 3,7 bi, mas R$ 500 milhões foram para a segurança, um investimento necessário com ou sem Pan). Pelos números do Pavão-Pavãozinho, é um dinheiro que, investido em habitação popular e transporte, daria para tirar da indignidade muitas comunidades similares.

Agora com o dinheiro do PAC anunciado para as favelas do Rio, seriam mais R$ 2,1 bilhões. Se a cada quatro anos a nossa sociedade tivesse mais foco e conseguisse juntar ao menos um PAC e um PAN, em pouco tempo nossa vergonha diminuiria.

Há outras prioridades, claro.

Eu elegeria mais três: educação (sem o que ninguém sai da pobreza), reforma da previdência (no Brasil, 50% de todo o dinheiro pago em aposentadorias vão para pessoas que estão entre os 10% mais ricos da população) e a reforma trabalhista (reavaliando direitos, para que 60% de trabalhadores, que hoje não têm direito algum, sejam incorporados à formalidade).

Se nos concentrássemos nestas quatro tarefas, deixaríamos a hiperatividade para trás.


Ali Kamel, nasceu no Rio de Janeiro em 1962, formou-se em Sociologia e Jornalismo. Em 1982, estagiou no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e na “Rádio Jornal do Brasil”. Quando o contrato com o IBGE acabou, continuou a trabalhar na rádio. Com menos de três anos de profissão, assumiu o cargo de chefe da sucursal e repórter no Rio da revista “Afinal”. Já em 1986, Kamel tornou-se subchefe da sucursal da revista “Veja” no Rio. Em 1991, tornou-se chefe da sucursal de “O Globo”, onde permaneceu por 11 anos e em junho de 2001, transferiu-se para a TV Globo. Atualmente, é Diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo e colunista do jornal “O Globo”.




Publicado no jornal "
O Globo".
Terça-feira, 10 de julho de 2007.


 
Copyright © 2004-2019 Bootlead