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Thursday, June 21, 2007

Ele toca bumbo, ele toca violão, ele toca guitarra, ele até toca violino...
E NÓS DANÇAMOS!






























Click aqui para ver a imagem ampliada.


A culpa é do Lula
por Eliane Cantanhêde

Não há a mínima surpresa no novo apagão aéreo de ontem, terça-feira, 19/6: os controladores estão fortes, organizados e com boa mídia, depois de insuflados pelo presidente da República. Podem parar o país quando bem entenderem.

Militares são proibidos de fazer greve e qualquer funcionário público é proibido de fazer greve em setores essenciais. Mas os sargentos controladores de vôo fizeram operação-padrão nos aeroportos no ano passado e Lula desautorizou o Comando da Aeronáutica, mandando os ministros da Defesa e do Trabalho negociarem sindicalmente uma questão de disciplina militar.

Já neste ano e sob novo Comando da Aeronáutica, a operação-padrão evoluiu para uma greve que parou o país de ponta a ponta, uma greve realmente histórica. E Lula, direto dos EUA, mandou abortar a ida do novo comandante para a Base Aérea de Brasília, onde daria voz de prisão aos líderes. Em vez disso, o ministro do Planejamento (aliás, uma das raras autoridades então disponíveis em Brasília) foi enviado para acatar as reivindicações.

No final, nem os líderes foram punidos, nem as reivindicações foram aceitas. O resultado é que os líderes continuaram liderando e os motivos (pelo menos alegados) continuaram motivando.

Pronto. Quebrada a hierarquia militar e estimulada a insubordinação, era só esperar para novas operações-padrão e novas greves. Os controladores não têm apenas os radares, têm também a faca, o queijo e a leniência do governo nas mãos.

Enquanto isso, Lula continua sempre intocável e "incriticável", a ministra do Turismo recomenda que as vítimas "relaxem e gozem" e os radicais petistas enchem a internet dizendo bem-feito para essa elitezinha branca que anda de avião e que não apita mais nada no país.

Eu estava lá ontem em Congonhas, no meio do caos (inacreditável, mas é...), e tive algumas horas para observar quem é afinal essa elite branca, ou seja, quem são esses inimigos de Lula, do PT e do país. Eram homens e mulheres com roupa de trabalho, muitos carregando pastas executivas e laptops e quase todos tinham o ar cansado. Essa tal de elite parece estar trabalhando demais e passeando de menos.

A olho nu, observando a fila do check-in, a fila para o código do cartão de embarque, a fila da Polícia Federal e as imensas filas dos sanduíches, antes do embarque incerto, esses inimigos do país me pareceram bem inocentes. Eram funcionários e funcionárias, trabalhadores e trabalhadoras, executivos e executivas, profissionais liberais, atores e atrizes, músicos, estudantes, todos indo ou vindo para compromissos de trabalho, de reuniões a shows.

Antigamente, a esquerda falava na luta de classes, entre capital e trabalho. Na nova era, em que "tudo mudou", a luta é entre trabalho e trabalho, salário e salário, quem anda de avião e quem não anda.

Bem, mas Lula tem o Aerolula, o ministro da Defesa estava em Paris e a elite branca --ou seja, o inimigo-- está aguentando firme e forte o tranco, sem xingar, sem reclamar, sem ruídos.

Relaxem e gozem! E bem feito!



Eliane Cantanhêde, carioca, é jornalista formada pela UnB (Universidade de Brasília), foi repórter de "Veja", chefe de redação do "Jornal do Brasil", colunista de "O Estado de S.Paulo", diretora de redação de "O Globo", da "Gazeta Mercantil" e diretora da sucursal da Folha de S.Paulo de 1997 a 2003, sempre em Brasília. Atualmente é colunista da Folha de S. Paulo onde assina a coluna "Brasília" publicada aos domingos, terças, quintas e sextas-feiras. Escreve também para a Folha Online a coluna Pensata todas às quartas-feiras.





Publicado na Folha Online.
Quarta-feira, 20 de junho de 2007.



Saturday, June 02, 2007

A "Sala de Controle" do Brasil.






































Hugo Chávez e a “sala de controle” de Washington
por Josias de Souza

Hugo Chávez considera-se um gênio. Gênio do socialismo pós-pós. Em casos do gênero, só há três alternativas: ou o sujeito é maluco, ou é idiota, ou é gênio mesmo. As evidências encarregaram-se de refutar a última hipótese. Remanesce, porém, a dúvida: tolo ou débil mental?

Tudo leva a crer que o caso é de esquizofrenia. A maioria dos venezuelanos ainda acha que votou em São Jorge. Mas, em vez de salvar a donzela, Chávez casou-se com o dragão. Lança chamas em todas as direções. Na noite passada, esquentou os miolos dos congressistas do Brasil.

Entre uma explicação de Renan ‘Encrenca’ Calheiros e uma entrevista de Romeu ‘Quero Absolvê-lo’ Tuma, o Senado brasileiro encontrou tempo, no meio da semana, para aprovar uma mensagem dirigida a Chávez. No texto, pedia-se a São Jorge que recolocasse no ar emissora RCTV.

Abespinhado, o dragão venezuelano fumegou: “O Senado brasileiro age como um papagaio do Congresso americano”. Disse que é mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que o seu governo devolver a concessão ao canal retirado do ar. Em Brasília, houve repúdio e indignação. Lula, de passagem por Londres, também esboçou uma reação.

Chávez, por doido, tem dificuldade para enxergar a realidade. Há, de fato, uma salinha em Washington. Fica nos fundos do prédio do Departamento de Estado. Abriga os nossos controladores –três funcionários obscuros, que decidem o futuro do Brasil. Preocupam-se, porém, com o Executivo, não com o Legislativo.

Durante anos, os controladores do Brasil apostaram nos militares. Cansados, idealizaram a redemocratização lenta e gradual. Depois de uma seqüência de apostas erradas, decidiram que Fernando Henrique Cardoso era o homem para executar a tarefa no Brasil. Deram-lhe duas chances. Mas acharam que FHC não entregou tudo o que combinara.

Para punir o tucanato, autorizaram a eleição de Lula. O objetivo de nossos controladores era dar um susto de quatro anos. Depois, retomariam o “Tucano’s Project”. Porém, os três funcionários da sala de controle surpreenderam-se com Lula. Acharam que ele se revelou um FHC melhor do que o original.

Sem nenhuma combinação, Lula aparou a barba, vestiu Armani, manteve a abertura econômica, preservou o rigor fiscal e pagou a dívida com o FMI. De quebra, tornou-se amigo de Bush. Os controladores o rebatizaram de “Fernando Terceiro”. E lhe deram mais um mandato.

As declarações de Hugo Chávez levaram os controladores do Brasil às gargalhadas. Ninguém mais do que os funcionários da salinha do Departamento de Estado sabem da irrelevância do Congresso brasileiro. Sossegados em relação ao Brasil, eles decidiram que, nos próximos meses, para passar o tempo, vão se divertir assistindo às transmissões da venezuelana RCTV pela internet.


Josias de Souza, nascido em 1962, é jornalista desde 1984. Trabalha na Folha de S.Paulo há 20 anos. Nesse período, ocupou diferentes funções, de repórter a Secretário de Redação do jornal. Hoje, é colunista da Folha. Publicou em 1994 o livro "A História Real" (Editora Ática), em co-autoria com Gilberto Dimenstein. O trabalho revela os bastidores da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2001, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".





Publicado no blog "Josias de Souza".
Sexta-feira, 01 de junho de 2007, 16h36.


 
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