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Monday, June 07, 2010

AQUELE QUE PREPARA UMA FORCA PARA ISRAEL, SERÁ PENDURADO NELA!


































Não temas, Israel!
por Carlos Vereza

"Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu Redentor é o Santo de Israel" (Is 41.14).

Uma promessa maravilhosa! Mas onde, como e quando esta ajuda para Israel pode ser encontrada hoje? Talvez, com os EUA? Não! Ou talvez com Deus, que permitiu o Holocausto e deixou ocorrer a "intifada" (rebelião dos palestinos)? Os inimigos, cegos de ódio, não poupam nenhum sacrifício, nem a própria vida para espezinhar o "vermezinho de Jacó" e provocar uma "solução final" para poder estabelecer o chamado Estado Palestino. E isso em Eretz Israel (a terra de Israel)! O mundo sem Deus prefere crer numa mentira histórica, ao invés de crer na Palavra de Deus eternamente válida.

Lembremo-nos mais uma vez do que Deus diz do "vermezinho de Jacó": "Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito" (Dt 7.6-8).

Do "vermezinho de Jacó" brotou Davi, o "Meleque (= rei) de Israel", que escolheu ser pequeno e humilde diante de Deus. Pela graça de Deus ele pôde subir ao "trono de Davi" como rei terreno e precursor do eterno Rei da Paz, Jesus Cristo.

Deus não escolhe quem busca poder, status e fama. Pelo contrário: "Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" (1 Co 1.27). Esse é um princípio divino, que se estende por todo o Plano de Salvação.

"Palestina", como Israel é chamado por muitos hoje, é uma designação falsa, pois essa palavra é uma derivação de "pelishtim" ou "Filístia". Na verdade Israel foi oprimido temporariamente pelo "povo do mar", os filisteus, mas os conhecedores da Bíblia sabem que Davi acertou as contas com Golias e os filisteus foram vencidos. Em tempo algum a terra de Israel pertenceu aos filisteus ou aos palestinos. Os moradores da terra, antes que Israel a ocupasse, foram as gerações dos cananeus: "Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zemareus e aos hamateus; e depois se espalharam as famílias dos cananeus. E o limite dos cananeus foi desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza, indo para Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa" (Gn 10.15-19), e a terra se chamava Canaã. "Habitou Abrão na terra de Canaã; e Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma" (Gn 13.12). Depois que Ló havia se separado de Abraão, este recebeu novamente uma confirmação da parte de Deus: "Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra (Canaã) que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre" (Gn 13.14-15).

Quando Israel entrou em Canaã, Josué recebeu a ordem divina: "Moisés, meu servo, é morto; dispõe-te, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés" (Js 1.2-3). Depois de quarenta anos de peregrinação pelo deserto, a terra de Canaã foi a pátria de Israel durante 1.500 anos até a destruição do templo no ano 70 d.C. Então Israel foi espalhado entre os povos – até que no ano de 1948, foi-lhe novamente concedida uma pátria por decisão da ONU, mas com a imposição (infeliz) de dividi-la com os árabes.

Mas de onde vem, então, o nome Palestina? O imperador romano Adriano, que odiava os judeus e os cristãos, deu esse nome à terra no ano de 135 d.C., com a intenção de que não se fizesse mais referência "ao nome Judéia de Israel". Assim foi cunhado o falso nome "Palestina" e ele ficou sendo usado desde então. Infelizmente, até as sociedades bíblicas aceitaram essa falsa denominação e a usaram nos mapas em diversas Bíblias: Palestina, ao invés de Canaã.

Aqueles que atualmente se chamam de palestinos são árabes, sejam eles muçulmanos ou cristãos. No fundo a polêmica atual entre árabes e judeus (Israel) não é um problema étnico nem político, mas um problema religioso. E por isso, na verdade, somente a Bíblia pode mostrar o caminho certo para a solução do conflito.

Israel (= Jacó) é uma designação que se refere tanto ao povo como também à terra. Povo e terra formam uma unidade inseparável. Desta forma, a terra deve pertencer aos palestinos, ou seja, aos árabes? Jamais, pois o próprio Deus garante que ela pertence a Israel. As nações deveriam prestar atenção àquilo que Deus diz do Seu "vermezinho Israel" e como Ele o protege: "Porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho" (Zc 2.8b).

A história trágica de Israel mostra que desde o início da sua existência foi oprimido continuamente por poderes inimigos e até ameaçado pelo holocausto. Holocausto significa extermínio em massa, extinção, solução final do problema judeu. Isso já começou antigamente no Egito com Faraó, que tentou dizimar os hebreus. Mas tão certo como Faraó e seus exércitos se afogaram no Mar Vermelho, também Deus acertará as contas com os atuais inimigos de Israel. Naquele tempo ainda era um único inimigo que ameaçava a Israel, hoje são as nações.

Desde 1948 Israel foi envolvido em cinco guerras, às quais sobreviveu vitoriosamente. Hoje um dos seus principais inimigos, que usa pedras, punhais e bombas, está bem no meio do seu território. Contra isso é difícil usar tanques, ou aviões. Por meio de guerras e atos terroristas morreram milhares de israelenses desde a fundação do Estado, e a desejada paz desvanece cada vez mais para o "vermezinho de Jacó". Altos dignitários da política vêm a Israel e se atrevem a dar "bons" conselhos e exortações, dizendo que os judeus deveriam ceder territórios. Mas nada nem ninguém anula as promessas que Deus deu a Jacó: "Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó, porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel. Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; sê fecundo e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis procederão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaque dar-te-ei a ti e, depois de ti, à tua descendência" (Gn 35.10-12). Mas nem o povo como um todo nem o governo se firma nessa promessa, e infelizmente segue o caminho da "angústia de Jacó", conforme Jeremias 30.7-10: "Ah! Que grande é aquele dia, e não há outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será livre dela. Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei os teus canzis; e nunca mais estrangeiros farão escravo este povo, que servirá ao Senhor, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhe levantarei. Não temas, pois, meu servo, Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó Israel; pois eis que te livrarei das terras de longe e à tua descendência, da terra do exílio; Jacó voltará e ficará tranqüilo e em sossego; e não haverá quem o atemorize".

Nosso coração anseia por isso! A nossa oração sempre deve ser que, sem demora, Israel seja conduzido ao encontro do destino que Deus planejou para ele! Para isso é preciso ter fé baseada nas Escrituras e perseverança, não se deixando determinar pelo mal e pelo que é atualmente visível, mas sim, firmando-se nas imutáveis promessas de Deus!

Deus o chama de "vermezinho de Jacó". O Israel moderno – e "vermezinho de Jacó", será que isso combina? Ou Deus deveria fazer uma correção e mudar-lhe o nome? Com essa humilde terminologia divina ofenderíamos Israel diretamente. No máximo, esta expressão talvez possa ser engolida nas piadas judaicas ou no humor do escritor satírico israelense Ephraim Kishon. Israel se orgulha dos seus progressos tecnológicos. E não só por isso, pois em todas as áreas os judeus realizam coisas inovadoras. Por exemplo, em tempo recorde eles criaram um jardim florido e belas cidades nas areias do deserto. Não se consegue enumerar tudo o que eles estão conseguindo e realizando. E nós nos admiramos e nos alegramos com o seu sucesso, e naturalmente também porque foram vitoriosos nas cinco guerras, das quais se viram obrigados a participar. E se houver guerra novamente, Israel está preparado – e como!

Contudo, falta o essencial ao povo de Deus hoje: a confiança no Deus de seus pais Abraão, Isaque e Jacó. Israel quer ser como todos os outros povos e esquece o seu Deus. Por isso, hoje em dia, há medo e perplexidade por toda parte. Alastram-se a anarquia e a imoralidade em Israel como acontece nas outras nações. No Knesset (Parlamento) ninguém se levanta e chama ao retorno para o Deus dos pais. Para onde isso vai levar? Para a "angústia de Jacó", a Grande Tribulação. Só se pode implorar: "Senhor, tenha misericórdia deles e abrevie esse tempo!" O próprio Deus é fiador da salvação e do renascimento de Israel, que o Messias, Yeshua, Jesus Cristo, trará. Então se cumprirá o que está escrito: "Eu, o Senhor, te chamei em justiça; tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios" (Is 42.6). Por isso: nós, que amamos o judeu Jesus, formemos uma muralha de orações ao redor do "vermezinho de Jacó"! Assim o problema com os vizinhos de Israel, hoje ainda inimigos, estará resolvido: "Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra das minhas mãos, e Israel, minha herança" (Is 19.25b).

Com absoluta certeza o "vermezinho de Jacó" pode contar com a ajuda do Senhor, pois seu Redentor, o próprio Santo de Israel, comprometeu-se com Sua promessa: "Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias; desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor" (Os 2.19-20).

Naquele tempo, segundo o direito judaico, o noivado era bem mais significativo do que nos costumes do Ocidente. Um casal de noivos ficava comprometido um com o outro, pois o noivo pagava um dote por ocasião do noivado. Com isso o acordo estava selado. Em que consiste o dote em relação a Israel? "Em justiça, em juízo, e em benignidade e em misericórdias... e em fidelidade!" Qual é o fundamento de um noivado? Evidentemente é o amor! Além disso, o Senhor ainda lhes deu Seu Filho unigênito. Portanto, o que mais Israel pode esperar de Deus? Encontramos a resposta em Romanos 11.29: "Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" e: "se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo" (2 Tm 2.13).

Deus cumpriu Seu juramento e continua cumprindo-o. – E Israel? "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1.11). E: "Não queremos que este reine sobre nós" (Lc 19.14b). Que tragédia para a própria desgraça! Que grande ofensa a Deus e a Seu Filho! Como deve ter sido dolorosa para Eles a recusa desse amor! Ouvimos como um lamento: "Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos" (Is 65.2). Por isso Israel ainda tem de passar pelo juízo redentor, pois Deus diz por meio de Samuel: "Se, porém, não derdes ouvidos à voz do Senhor, mas, antes, fordes rebeldes ao seu mandado, a mão do Senhor será contra vós outros, com foi contra vossos pais" (1 Sm 12.15). – "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça" (Is 59.1-2).

Poderíamos continuar jogando sobre Israel muitas outras passagens bíblicas que falam de condenação. Esta é a nossa tarefa? De maneira nenhuma! Isso não compete a nós! Nesse sentido nos chama a atenção a insistente exortação do apóstolo Paulo: "Não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará" (Rm 11.20b-21). Por acaso será que nós temos sido continuamente fiéis ao Senhor? Infelizmente, não! Somos nós melhores do que o "vermezinho de Jacó?" De modo algum! É vergonhoso constatar que o anti-semitismo não se alastra apenas nos círculos políticos, mas até em igrejas isso tem acontecido – e contagiado membros de grupos cristãos.

Desde a escolha de Israel, como povo de propriedade de Deus, o inimigo tem sempre procurado destruí-lo. Ele costuma usar dirigentes políticos como Hitler, Nasser, Kaddafi, Yasser Arafat, mas também a imprensa de esquerda. O Holocausto começou com o Faraó. Na peregrinação pelo deserto foi o rei Balaque que usou os serviços do renomado adivinho e "vidente" Balaão. Este era uma sumidade no terreno do ocultismo. Balaão deveria amaldiçoar Israel por meio de suas temidas maldições mágicas, o que falhou apesar de diversas tentativas. Contra a vontade de Balaque e Balaão, ao invés de maldição, esse falso profeta teve de pronunciar as mais gloriosas palavras de bênção: "Benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem... uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro" (Nm 24.9b e 17a).

A história de Israel, em muitos trechos, é uma história de sofrimentos trágicos. Finalmente houve na Suíça e em alguns outros países uma disposição para rever a História e ressarcir danos materiais às vítimas do Holocausto e seus descendentes, e se fala de revisar o passado. Mas além disso também seria importante revisar a História de Israel, sua origem e suas promessas como são ensinadas em escolas e universidades. Para isso, porém, seria necessário estudar a Bíblia! Como, entretanto, as nações e seus dirigentes estão cegos e não têm mais compromisso com a Bíblia, continuam presos à velha e antiga culpa, que é impossível de ser reparada com quaisquer bens materiais. Ninguém pode resgatar sua culpa por meio de ouro ou dinheiro! Deus não aceita nenhuma negociação de indulgências. A Palavra de Deus diz que as nações se tornaram cegas: "obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração" (Ef 4.18).

Alguém que odiava os judeus perguntou a um velho judeu: "O que você pensa que acontecerá com o seu povo se nós continuarmos perseguindo vocês"? O judeu respondeu: "Haverá um novo feriado para nós!" "O que você quer dizer com isso?", perguntou o outro, "como vocês podem ter um novo feriado se continuarmos perseguindo vocês?" O velho judeu disse: "Veja bem, Faraó quis nos exterminar – e nós recebemos um feriado: a Páscoa! Hamã quis enforcar Mordecai e exterminar todos os judeus – e nós recebemos um novo feriado: Purim! Antiôco, o rei da Síria, quis exterminar os judeus. Ele ofereceu um porco ao deus Júpiter no templo – e Israel recebeu outro feriado: Hanucah! Hitler quis nos exterminar – e nós recebemos mais um feriado: Yom Ha’atzmaut, o Dia da Independência! Os jordanianos ocuparam Jerusalém Oriental durante 19 anos, impedindo-nos de orar no Muro das Lamentações, até que, no ano de 1967, nossos soldados libertaram Jerusalém Oriental. Desde então festejamos anualmente o Yom Yerushalaym, o Dia de Jerusalém! E caso continuarem nos perseguindo, receberemos mais feriados da parte de Deus!" E o velho judeu tem razão!

Esta história continua sendo escrita: Israel receberá outro feriado. O monumento já foi levantado. No mundo inteiro só existe um único monumento a uma guerra que ainda não aconteceu. Qualquer um tem a oportunidade de vê-lo em Megido, e a placa indicativa diz que, de acordo com Apocalipse 16.16, Deus reunirá as nações para a guerra em Armagedom. Mas não somente isso. Também se cumprirá Zacarias 14.12 assim que os inimigos de Israel atacarem Jerusalém, e a sentença está lavrada: "Esta será a praga com que o Senhor ferirá a todos os povos que guerrearem contra Jerusalém: a sua carne se apodrecerá, estando eles de pé, apodrecer-se-lhes-ão os olhos nas suas órbitas, e lhes apodrecerá a língua na boca." Por causa das armas químicas, esse cenário apocalíptico se torna compreensível. Mas nós cremos na promessa divina: "Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para salvar-te; por isso, darei cabo de todas as nações entre as quais te espalhei; de ti, porém, não darei cabo, mas castigar-te-ei em justa medida e de todo não te inocentarei" (Jr 30.11).

Da mesma maneira Deus procedeu com os israelitas na Pérsia. O livro de Ester relata uma história estranha, que soa como um conto de fadas das mil e uma noites. A vida majestosa e cheia de pompa do Oriente e as intrigas que faziam parte da corte real da Pérsia são descritas de maneira muito realista: uma grande parte de Israel não conseguia se decidir a obedecer aos profetas, Isaías e Jeremias, para deixar a Babilônia e voltar para a sua terra, embora a ordem do Senhor fosse clara: "Saí da Babilônia, fugi de entre os caldeus" (Is 48.20a), e "Saí do meio dela, ó povo meu, e salve cada um a sua vida do brasume da ira do Senhor" (Jr 51.45). O período de 70 anos de cativeiro no exílio, conforme os profetas haviam anunciado, estava no fim. O templo deveria ser novamente edificado em Jerusalém e os sacrifícios reinstituídos. Mas os judeus que haviam ficado não mostraram nenhuma vontade nesse sentido. Obviamente eles preferiram se assimilar e se acomodar na terra próspera onde se encontravam. Aí se manifestou novamente a desobediência obstinada: "Mas o meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos" (Sl 81.11-12). Isso teve por conseqüência inevitável: "Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a mão, e não houve quem atendesse; antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão, também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei" (Pv 1.24-26).

Esta não é uma séria advertência para nós? Quem pensa que sabe tudo melhor e persiste na teimosia, traz sobre si infortúnio e infelicidade. Foi a grande misericórdia de Deus que fez com que Ele, assim mesmo, aceitasse Seu povo desesperado e o salvasse para a Sua honra. A Sua misericordiosa providencial protegeu o resto do povo do aniquilamento total, e Ele também o fará no futuro! A decisão de Hamã de exterminar os judeus e enforcar Mordecai foi frustrada pelo corajoso ato da Hadassa (= Ester). "Se morrer, morrerei"! Com essa decisão corajosa ela não apenas frustrou o plano de Hamã, mas também do rei, agindo em favor do seu povo. E Hamã experimentou o dito: aquele que prepara uma forca para Israel será pendurado nela!

Mas hoje, quem tem coragem de falar a favor de Israel? Aquele que abençoa Israel será abençoado! Em memória do maravilhoso livramento da mão de Hamã, Israel festeja a cada ano, no dia 14 de adar, a Festa de Purim. Todavia, o dia de grande alegria ainda está por vir, pois Isaías anuncia ao "vermezinho de Jacó": "Em lugar da vossa vergonha, tereis dupla honra; em lugar da afronta, exultareis na vossa herança; por isso, na vossa terra possuireis o dobro e tereis perpétua alegria" (Is 61.7).


Carlos Alberto Vereza de Almeida, nasceu em 04 de março de 1939 na cidade do Rio de Janeiro. Nos mais de 50 anos de carreira o ator conta com um currículo extenso, com atuações em televisão (com destaque para as novelas na Rede Globo), cinema (estreou em "Massacre no Supermercado" - 1968) e teatro. De lá para cá são muitos os trabalhos de destaque na dramaturgia brasileira. Seus trabalhos mais recentes na televisão são: "O Cravo e a Rosa" (2000), "Começar de Novo" (2004), "Um Só Coração" (2004) e "Sinhá Moça" (2006). Em 2007, Carlos Vereza participa da novela "Duas Caras", da TV Globo, e do filme "Bezerra de Menezes – O Diário de Um Espírito", lançado em 2008. Carlos Vereza retorna à televisão, em 2009, para participar da novela "Paraíso". Vereza também é o editor do blog "Nas veredas do Vereza".
E-mail: carlosvereza@hotmail.com


Publicado no blog "Nas veredas do Vereza".
Sábado, 05 de junho de 2010.




IHH – İnsan Hak ve Hürriyetleri, mas pode chamar de Insani Yardim Vakfi. NADA DE HUMANOS, ELES SÃO INSANOS MESMO!




Thursday, September 27, 2007

Mulheres barbudas, uma faz a outra cuida.































Não precisamos defender o Irã
por William Waack

Como em todos os outros assuntos internacionais cujo alcance e significado ele pouco compreende, o presidente Lula acha que disse o mais correto e acaba não percebendo onde se meteu. Foi assim recentemente com a crise financeira internacional e, nesta terça-feira (25), com o programa nuclear iraniano. Alguém do Itamaraty brifou Lula sobre a intrincada questão, mas foi pouco o que ele guardou na cabeça, a julgar pelo que disse a repórteres em Nova York.

“Se o (presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad) quer enriquecer urânio, tratar a questão nuclear como coisa pacífica, como o Brasil faz, é um direito do Irã”, disse Lula. E acrescentou: “Agora, todos nós, o Brasil, o Irã e qualquer outro país estamos subordinados às orientações das Nações Unidas”. Parece tudo tão óbvio e cristalino, não? Pois não é.

Brasil e Irã são signatários do Tratado de Não Proliferação (TNP), de 1967, que “congelou” o então estado de disseminação de bombas atômicas e suas tecnologias de uma maneira simples. Quem tinha, ficava com tudo (na época, China, União Soviética, Estados Unidos, Reino Unido e França). Quem não tinha, ganhava o direito de acesso a tecnologias nucleares para fins pacíficos, em troca da obrigação, imposta pelo TNP, de não fabricar armas nucleares. É o famoso artigo IV desse tratado. Por seu lado, as potências atômicas se comprometiam a se desarmar, o que nunca fizeram.

Como saber se algum signatário do TNP, que não tenha armas nucleares, está tentando burlar o tratado? Através de um instrumento chamado salvaguardas, ou seja, vigilância. A mesma agência da ONU que faz essa vigilância (aplica salvaguardas), a Agência Internacional de Energia Atômica, com sede em Viena, é também o organismo encarregado de promover a cooperação entre os países que são signatários do TNP. Cabe à AIEA denunciar ao Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, se um signatário do TNP, como o Irã, está se comportando mal.

No caso do regime dos aiatolás, a AIEA até agora não condenou o país por burlar salvaguardas ou as cláusulas do TNP – em compensação, não deu a Teerã um atestado de boa conduta. Simplificando a questão, a AIEA está desconfiada, e reclama que seus inspetores não podem fazer no Irã tudo o que querem. Ela não vai ao ponto, como o fazem Estados Unidos e Israel, de dizer que os iranianos estão tentando desenvolver uma bomba atômica. Mas acaba de mandar aos responsáveis em Teerã longos questionários com perguntas ainda sem respostas, especialmente sobre recentes atividades no mercado negro de tecnologias e materiais nucleares.

A aplicação de salvaguardas já levou o Brasil mais de uma vez a contenciosos com as potências nucleares e a própria AIEA. Pouco depois da assinatura do famoso acordo nuclear entre o Brasil e a Alemanha (1975), por exemplo, os Estados Unidos insistiram e obtiveram dos alemães e seus parceiros europeus que ao programa brasileiro fossem aplicadas as chamadas “full scope safeguards”. E mais ainda: o Brasil foi o primeiro país do mundo a receber um tipo de vigilância baseada no critério da “contaminação”, ou seja, toda tecnologia que pudesse ser aplicada em outros setores levaria esses outros setores a serem supervisionados também.

Na época o Brasil não fazia parte do TNP. Resolveu aderir ao Tratado quando a Marinha de Guerra brasileira, num esforço paralelo, conseguiu desenvolver uma das tecnologias mais vigiadas e discutidas internacionalmente: a do enriquecimento de urânio, um dos pontos do ciclo de combustível nuclear a partir do qual se pode chegar à fabricação de material para bombas (o outro é o reprocessamento de combustíveis nucleares para se conseguir plutônio). E, para acabar com qualquer dúvida, o Brasil criou com a Argentina, que também tem um avançado programa nuclear, uma instância de controle comum que, por sua vez, chegou a um acordo de vigilância com a AIEA.

Quando Lula diz que se o Irã fizer como o Brasil faz, o presidente brasileiro quer acenar exatamente com o quê? Com a aplicação de salvaguardas hiper restritivas (que o Irã não aceita)? Que o Irã deveria abrir suas instalações para países vizinhos (como o Brasil faz para a Argentina, em regime de reciprocidade)? Que os inspetores da AIEA poderiam entrar e sair de lá quando quisessem (como acontece aqui)? Não, ele não fez isso. Só disse que o Irã não poder ser punido "antecipadamente". O raciocínio pode funcionar na política brasileira, mas não se aplica a questões nucleares internacionais.

Mais complicado ainda é quando Lula afirma que “estamos todos sob as orientações das Nações Unidas”. Provavelmente ele não se deu conta do fio desencapado no qual pisou. O Irã explorou com enorme astúcia uma brecha aberta entre a AIEA e o Conselho de Segurança. A AIEA mandou o tal questonário para Teerã e, enquanto isso, os iranianos podem (segundo a AIEA) continuar a enriquecer urânio – coisa que o Conselho de Segurança já mandou proibir duas vezes. Qual é a “orientação” da ONU que está valendo, então?

É muito grave do ponto de vista da experiente diplomacia nuclear brasileira, que tem décadas de prática, deixar a menor sombra de dúvida sobre qual lado o país está na crise internacional causada pelo programa nuclear iraniano. Nosso telhado não é de vidro. Para que deixar dúvidas sobre isso? Lula poderia ter aproveitado a ocasião dos microfones, que ele não desperdiça um só dia (quando lhe convém), para repetir um postulado muito antigo da diplomacia nuclear brasileira – e teria dado uma grande lição de moral aos fortões do planeta.

O Brasil se submete aos regimes de vigilância internacionais, mas espera que as potências nucleares cumpram também a sua parte, que é a de se desarmar. Formulada assim, nós é que temos a moral e a razão, o que não é pouca coisa em relações internacionais. Não precisamos defender o Irã. Precisamos defender o que nos interessa, e os nossos princípios.



William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Quarta-feira, 26 de setembro de 2007.






Sunday, March 25, 2007

Israel! "A maior loucura que um homem pode fazer, é deixar-se morrer".


































English version


Este holocausto será diferente
por Benny Morris

O segundo holocausto não será como o primeiro. Os nazistas industrializaram o massacre, claro. Mas, mesmo assim, eram obrigados a ter contato com as vítimas. Antes de as matarem efetivamente, podem tê-las desumanizado em suas mentes ao longo de meses e anos com recurso ao sofrimento de humilhações terríveis, mas, mesmo assim, tinham com as suas vítimas contatos visuais e auditivos, e alguns mesmo táteis.

Os alemães, e os seus aliados não germânicos tiveram de tirar de suas casas homens, mulheres e crianças; tiveram de arrastá-los e de lhes agredir pelas ruas e de eliminá-los em bosques nas periferias das cidades, ou amontoá-los em vagões de gado, onde seriam transportados em comboios para os campos de concentração, onde eram escravizados ("O trabalho liberta!"), separando os aparentemente sadios dos completamente inúteis, "inúteis" estes que eram colocados sob "chuveiros" e mortos com gás, depois retiravam os corpos para receber a carga seguinte.

O segundo holocausto será bastante diferente. Numa radiante manhã, daqui a cinco ou dez anos, talvez durante uma crise regional, talvez sem qualquer motivo aparente, um dia ou um ano ou cinco anos após o Irã ter conseguido fabricar a "bomba", os mulás de Qom reunir-se-ão numa sessão secreta, sob um retrato do aiatolá Khomeini com olhar severo, e darão a luz verde ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, então no seu segundo ou terceiro mandato.

As ordens serão dadas e mísseis "Shihab III" e "Shihab IV" serão lançados contra Tel-aviv, Berseba, Haifa e Jerusalém e provavelmente contra alvos militares, incluindo meia dúzia de bases aéreas israelenses e (alegadas) bases de mísseis nucleares. Alguns dos mísseis "Shihab" terão ogivas nucleares. Outros serão meras iscas, carregados com agentes químicos e biológicos, ou simplesmente com jornais velhos, destinados a confundir as baterias antimísseis de Israel e as unidades de comando de defesa avançada.

Para um país com o tamanho e a forma de Israel (vinte mil e setecentos quilômetros quadrados, alongados), provavelmente quatro ou cinco ataques serão suficientes. Adeus Israel. Um milhão ou mais de israelenses nas áreas metropolitanas de Jerusalém, Tel-aviv e Haifa morrerão imediatamente. Milhões sofrerão os graves efeitos da radiação. Israel tem cerca de sete milhões de habitantes. Nenhum iraniano irá ver ou tocar um único israelense. Tudo será bastante impessoal.

Alguns dos mortos inevitavelmente serão árabes, cerca de 1,3 milhões dos cidadãos de Israel são árabes e outros 3,5 milhões vive nos territórios semi-ocupados da Cisjordânia (Judéia e Samaria) e na Faixa de Gaza.

Jerusalém, Tel-aviv e Haifa possuem igualmente minorias árabes substanciais. Existem igualmente grandes concentrações de populações árabes em torno de Jerusalém (em Ramallah-Al Bireh, Bir Zeit, Belém) e nos arredores de Haifa.

Aqui também, muitos morrerão, imediatamente ou aos poucos.

É duvidoso que um grande massacre de muçulmanos perturbe Ahmadinejad e os mulás. Os iranianos não gostam particularmente de árabes, especialmente de árabes sunitas, com quem têm guerreado intermitentemente por séculos. E eles têm um desprezo particular para com os (sunitas) palestinos que, apesar de tudo, mesmo sendo inicialmente em número dez vezes mais do que os judeus, não conseguiram impedir durante o longo conflito que eles criassem o seu próprio estado ou controlassem toda a Palestina.

Além de tudo isso, a liderança iraniana encara a destruição de Israel como um supremo mandamento divino, tal como um sinal da segunda vinda, e as muitas vítimas colaterais muçulmanas serão sempre encaradas como mártires na nobre causa. De qualquer forma, os palestinos, muitos deles dispersos por todo o mundo, sobreviverão enquanto povo, tal como o fará a grande "Nação Árabe" da qual fazem parte. E, com toda a certeza, para se livrarem de Israel, os árabes estarão dispostos a fazer alguns sacrifícios. No saldo cósmico das coisas, valerá a pena.

Uma questão pode mesmo assim ser levantada nos concílios iranianos: E Jerusalém? Afinal, a cidade é o terceiro lugar mais sagrado de culto ao islamismo (depois de Meca e Medina): a mesquita de Al Aksa e a Mesquita de Omar. Mas Ali Khamenei, o líder espiritual supremo, e Mahmoud Ahmadinejad muito provavelmente responderiam da mesma forma que o fariam em relação à questão mais crucial de destruir e poluir de forma radioativa a Palestina inteira. A cidade, tal como a terra, pela graça de Deus, em 20 ou 30 anos irá se recuperar. E será restaurada para o Islã (e para os árabes). E a outra poluição mais profunda terá sido erradicada.

A julgar pelas referências contínuas de Mahmoud Ahmadinejad à Palestina e à necessidade de destruir Israel, e à sua negação do primeiro holocausto, ele é um homem obcecado. E partilha a obsessão com os mulás, todos eles criados sob os ensinamentos de Khomeini, um prolífico anti-semita que freqüentemente proferia sentenças contra "o pequeno satã". A julgar pelo fato de Mahmoud Ahmadinejad ter organizado um concurso de "cartoons" sobre o holocausto e uma conferência para negar o mesmo, os ódios do presidente iraniano são profundos (e, claro, descarados).

Ele está disposto a pôr em jogo o futuro do Irã, ou mesmo o do Oriente Médio inteiro, em troca da destruição de Israel. Sem dúvida que ele acredita que Alá irá proteger o Irã, de alguma forma, de uma resposta nuclear israelense ou de uma contra-ofensiva americana. Mas, Alá à parte, ele pode muito bem acreditar que os seus mísseis pulverizarão o estado Judeu, destruindo a sua liderança e as suas bases nucleares terrestres, desmoralizando e confundindo de tal forma os comandantes dos submarinos dotados com artefatos nucleares de Israel que estes serão incapazes de responder. E, com o seu profundo desprezo pela indecisão frouxa do Ocidente, não levará a sério a ameaça de uma retaliação nuclear americana.

Ou poderá muito bem achar, de uma forma irracional (para nós), que uma contra-ofensiva é um preço que está disposto a pagar. Tal como o seu mentor, aiatolá Khomeini, disse num discurso em Qom em 1980: "Nós não adoramos o Irã, adoramos Alá… que esta terra (Irã) queime. Que esta terra desapareça em fumo desde que o Islã saia triunfante…".

Para estes adoradores do culto da morte, mesmo o sacrifício literal da pátria é aceitável se dai sair o fim de Israel.

O Vice-Ministro israelense da Defesa, Ephraim Sneh, sugeriu que o Irã nem sequer tem de utilizar a "bomba" para destruir Israel. A simples nuclearização do Irã poderá intimidar e deprimir os israelenses de tal maneira que eles perderão a esperança, emigrando gradualmente; com investidores e imigrantes evitando o estado judeu ameaçado de destruição. Conjugados, estes fatores contribuiriam para o fim de Israel.

Mas sinto que Mahmoud Ahmadinejad e os seus aliados não têm a paciência necessária para esperar pelo lento desenrolar desta hipótese; eles procuram a aniquilação de Israel aqui e agora, no futuro imediato, durante as suas vidas. Eles não querem deixar nada à mercê dos vagos ventos da História.

Tal como durante o primeiro, o segundo holocausto será precedido por décadas de preparação de corações e mentes, tanto pelos líderes iranianos e árabes, como por intelectuais e órgãos de comunicação social do ocidente (mídias). Diferentes mensagens foram dirigidas a diferentes audiências, mas todas (de forma concreta) têm servido o mesmo objetivo: a demonização de Israel. Muçulmanos em todo o mundo têm sido ensinados que "os sionistas-judeus são a personificação do mal" e que "Israel tem de ser destruído".

De forma mais sutil, o mundo ocidental foi ensinado que "Israel é um estado opressor racista" e que "Israel, nesta época de multiculturalismo, é um anacronismo supérfluo". Gerações de muçulmanos, e pelo menos uma geração no Ocidente, têm sido criados com estes catecismos.

A progressão para o segundo holocausto (que, curiosamente, irá provavelmente ter sensivelmente o mesmo número de vítimas que o primeiro) tem sido acompanhado por uma comunidade internacional fragmentada e conduzida pelos seus próprios apetites egoístas, a Rússia e a China obcecadas com os mercados muçulmanos; a França com o petróleo árabe; e os Estados Unidos, empurrados a um isolacionismo mais profundo pelo descalabro no Iraque. O Irã tem tido liberdade para prosseguir os seus sonhos nucleares, e Israel e o Irã foram deixados sozinhos para se enfrentarem.

Mas Israel, basicamente isolado, não estará à altura da tarefa, tal como um coelho paralisado pelos faróis de um carro que vem de encontro a ele. No verão passado, liderado por um primeiro-ministro incompetente e por um sindicalista fingindo-se de ministro da defesa, utilizando tropas treinadas para dominar gangues de palestinos, tropas estas, mal armadas e pior treinadas, bem como demasiados preocupados em não sofrer ou infligir baixas, Israel falhou numa mini-guerra de 34 dias contra um pequeno exército de guerrilha financiado pelos iranianos (ainda que bem treinado e bem armado). Essa mini-guerra desmoralizou totalmente as lideranças políticas e militares de Israel.

Desde então, ministros e generais, tal como os seus homólogos ocidentais, limitam-se a observar silenciosamente à medida que os patronos do Hezbollah constroem os arsenais do Apocalipse.

De forma perversa, os líderes de Israel podem até ter ficado satisfeitos com as pressões ocidentais apelando para a paralisação do programa nuclear iraniano. Muito provavelmente, eles querem acreditar profundamente nas garantias ocidentais de que alguém, a ONU, o G-8, irá tirar de suas mãos a batata quente radioativa. Há mesmo quem tivesse acreditado na bizarra idéia de que uma mudança de regime em Teerã, conduzida por uma classe-média laica, acabaria por parar os loucos mulás.

Mas de forma ainda mais concreta, o programa iraniano apresentava um complexo desafio para um país com um número limitado de recursos militares tradicionais. Aprendendo com a experiência do sucesso da destruição pela Força Aérea de Israel do reator nuclear iraquiano de Osirak em 1981, os iranianos duplicaram e dispersaram as suas instalações, enterrando-as em "bunkers" profundos. Para atacar as instalações nucleares iranianas com armas convencionais seria necessária uma força aérea do tamanho da americana, trabalhando 24 horas por dia durante mais de um mês.

Na melhor das hipóteses, a Força Aérea de Israel, os comandos e a marinha, podiam almejar a atingir apenas um dos componentes do projeto iraniano. Mas, no fim das contas, ele continuaria substancialmente intacto, e os iranianos ainda mais determinados (se tal for possível) a alcançar a "bomba" o quanto antes. Ao mesmo tempo, sem qualquer dúvida, seria gerada também uma campanha mundial de terrorismo islâmico contra Israel (e possivelmente contra os seus aliados ocidentais) e, claro, uma campanha quase universal de desprezo aos judeus. Orquestrados por Mahmoud Ahmadinejad, todos clamariam que o programa nuclear iraniano se destinava a propósitos pacíficos. Na melhor das hipóteses, um ataque convencional de Israel poderia apenas atrasar os iranianos em cerca de dois anos.

Imediatamente, as lideranças incompetentes de Jerusalém enfrentariam um cenário catastrófico, quer fosse depois do lançamento de uma ofensiva convencional ou, em vez dela, lançando um ataque nuclear preventivo e antecipado contra o programa nuclear iraniano, que tem algumas das suas instalações em torno de grandes cidades.

Teriam eles estômago para isso? Estaria a sua determinação em salvar Israel a enorme possibilidade de matar milhões de iranianos, na verdade, destruir o Irã? Este dilema foi há muito definido de forma certeira por um sábio general: o arsenal nuclear de Israel é inutilizável. Apenas pode ser usado demasiado cedo ou demasiado tarde. Nunca haverá um momento "certo". Usado "cedo demais", quer dizer antes do Irã produzir armas nucleares, Israel será colocado no papel de pária internacional, alvo de um ataque muçulmano universal, sem um amigo no mundo; "tarde demais" quereria dizer que os iranianos já atacaram. Que vantagem haveria?

Então os líderes de Israel cerrarão os dentes na esperança de que tudo corra da melhor maneira possível. Talvez, depois de terem a "bomba", os iranianos se portem de forma "racional"?

Mas os Iranianos são motivados por uma lógica transcendental. E lançarão os seus mísseis. E, tal como no primeiro holocausto, a comunidade internacional nada fará. Tudo acabará, para Israel, em poucos minutos, não como na década de quarenta, quando o mundo teve cinco longos anos para cruzar os braços e nada fazer.

Depois dos mísseis "Shihabs" caírem, o mundo enviará navios de salvamento e ajuda médica para os levemente carbonizados. Não atacará o Irã com armas nucleares. Com que objetivo e à que custos?

Uma resposta nuclear americana alienaria de forma permanente o mundo muçulmano, aprofundando e universalizando o atual choque de civilizações. E, claro, não traria Israel de volta. (enforcar um criminoso devolve à vida as suas vítimas?).

Então qual seria o propósito?

Ainda assim, o segundo holocausto será diferente no sentido em que Mahmoud Ahmadinejad não verá nem tocará naqueles que deseja ver mortos. Na verdade não haverá cenas como a seguinte, citada no recente livro de Daniel Mendelsohn, "The lost, a search for six of six million", na qual é descrita a segunda incursão nazista em Bolechow, na Polônia, em 1942:

Um episódio terrível aconteceu com a senhora Grynberg. Ucranianos e alemães invadiram sua casa e encontraram-na prestes a dar à luz. As lágrimas e as súplicas dos familiares não ajudaram e ela foi levada de casa vestindo somente uma camisola e arrastada para a praça em frente da Câmara Municipal.

Ali ela foi colocada em uma caçamba de lixo no pátio da Câmara, onde a multidão de ucranianos presentes faziam piadas e riam das suas dores do parto, até que ela deu à luz. A criança foi imediatamente arrancada dos seus braços, ainda com o cordão umbilical, e atirada para o ar, foi estraçalhada pela multidão e ela ficou ali, de pé à medida que sangue escorria do seu corpo, e permaneceu desta forma algumas horas encostada à parede da Câmara Municipal. Depois foi com todos os outros para a estação ferroviária de onde foi levada para o campo de extermínio de Belzec.

No próximo holocausto não haverá cenas destas de cortar o coração, de criminosos e vítimas ensopados em sangue (Se julgarmos através das fotografias de Hiroshima e de Nagasaki, os efeitos emocionais das explosões nucleares podem ser razoavelmente desagradáveis).

Mas mesmo assim, será um holocausto.


Benny Morris é professor de História do Oriente Médio na Universidade Ben-Gurion em Israel.

Publicado no "The Jerusalem Post".
Quinta-feira, 18 de janeiro de 2007.








"A fé é poderosa o bastante para imunizar as pessoas contra todos os sentimentos de compaixão, clemência e humanidade. Imuniza até contra o medo, se elas honestamente acreditarem que morrendo como mártires irão diretamente para o céu. Que arma! A fé religiosa merece um capítulo à parte na história da tecnologia de guerra, junto com o arco e a flecha, o cavalo, o tanque e a bomba atômica".

Richard Dawkins, em "O gene egoísta."















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