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Friday, June 13, 2008

"O comunismo destrói a democracia;
mas a democracia também pode destruir o comunismo"
— André Malraux.































ACORDA BRASIL
por Mayrseu Cople Bahia

Pressupõe-se que no regime democrático os Poderes da República, isto é que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário funcionem de maneira independente e harmônica e que interpretem o cumprimento dos preceitos Constitucionais de maneira séria e respeitosa, cabendo a cada um, nas esferas das suas atribuições, exercer o seu papel objetivando a governabilidade do país e, conseqüentemente, a busca do bem comum do povo brasileiro.

O que se observa é que a retórica política, seguindo uma ética e uma moral próprias do faz de conta, defende, em nome do povo, preceitos de uma verdade maquiada e deturpada. Na verdade agem em proveito próprio ou de grupos de interesses comuns, sem qualquer constrangimento com os resultados.

A falta de autoridade e o desrespeito à Constituição Brasileira é uma constante que vem sendo praticada por autoridades dos três poderes, por meio de intromissões indevidas nas atribuições legais de cada uma delas.

As medidas provisórias, por exemplo, vêem sendo editadas pelo Poder Executivo sem qualquer critério constitucional e em quantidades alarmantes, usurpando as atribuições do Legislativo que, por sua vez, as aprova mas recorre ao Judiciário, alegando a inconstitucionalidade dos procedimentos.

O Judiciário, em reunião solene e plena, reconhece a violação da Constituição, tanto pelo Executivo, que as emite, como pelo Legislativo, que as aprova. O próprio Judiciário, não sendo respeitado, silencia e não exige as providências legais para anular os atos do Executivo e do Legislativo

Assim sendo, passamos a incorporar um novo conceito de independência dos Poderes da República, isto é, cada um faz de conta que cumpriu os seus deveres e o povo finge que aceita, se omite e continua reelegendo os seus candidatos.

A sociedade esclarecida e de bem permanece anestesiada e calada sem saber o que fazer.

No final os privilegiados continuam recebendo os seus polpudos salários como se estivessem cumprindo, fielmente a Constituição Federal.

O povo permanece inculto, alienado, amorfo e cada vez mais dependente das esmolas governamentais, sem educação, saúde, segurança, transporte e, uma significativa parcela, alimentando a marginalidade.

Os movimentos ditos sociais fazem, ilegalmente, o que bem entendem, de maneira crescente e coordenada, com os seus objetivos declarados e sem serem penalizados pelo governo.

As instituições com competência legal para zelarem pelo cumprimento dos preceitos constitucionais visando o cumprimento da lei e da ordem, também se omitem.

O país virou um samba do crioulo doido. Até quando?


Mayrseu Cople Bahia é Tenente-Coronel do Exército Brasileiro.








Publicado no blog "A Continência".
Quinta-feira, 12 de junho de 2008, 17h18.



Nós, os parvos, os néscios, os idiotas... – Ricardo Noblat



Thursday, February 07, 2008

Está com um "troço" atravessado na garganta?
Vomita esse "troço", uai!










































A política-chanchada
por Ipojuca Pontes

"Quanto mais esperto o político, em mais coisas ele acredita – e menos acredita em qualquer delas"
H. L. Mencken

A atividade política na América Latina, ao contrário do que se praticava na antiguidade clássica, tornou-se uma espécie de chanchada grotesca. Os gregos pretendiam que a política se consolidava na cidade-estado como a arte de bem governar - uma ciência voltada para orientar com a soberania dos cidadãos livres os negócios públicos. Entre nós, latino-americanos, principalmente no Brasil atual, a política assumiu contornos de uma comédia barata, mas extremamente rendosa, onde predominam os ingredientes típicos do gênero debochado: o caráter histriônico dos protagonistas, as eternas trapaças costurando o enredo e, na forma, a mecânica vulgar da ação contínua sustentando a narrativa chula.

Os personagens principais da trama não comportam nuanças e, com efeito, são caricatos: há o líder sindical de origem humilde e de baixa instrução, sempre falante, empenhado em encarnar tout court o papel do Pai dos Pobres, via hipertrofia do Estado; há o coronel truculento, com ares de vilão insurgente, disposto a impor o “socialismo boliavariano” na base do palavrão e da porrada; há o índio de queixo duro que estima lutar pela igualdade da tribo injustiçada se apropriando da riqueza privada; há ainda a mocinha pouco ingênua, mas obediente, interposta no papel principal pela vontade do marido socialista e vesgo – todos, entre tantos espécimes do mesmo gênero, servidos sem exceção por um elenco de coadjuvantes engajados que entram e saem da cena de conformidade com o interesse dos protagonistas. São os sargentos Garcia da trama.

Na política-chanchada latino-americana não há tempo para reflexão ou maturação de idéias, salvo as que vêm empacotadas. A política como atividade superior do homem pouco importa. Negativa ou positiva, tanto faz. O negócio é deixar a população zonza com a saturação de propostas, projetos, planos, programas, prognósticos, obras, declarações bombásticas e promessas fabulosas – todos comprometidos com a “transformação social”. Trata-se, aqui, de agitar uma política de efeito rápido, impactante e imediato, capaz de obstruir o senso crítico do cidadão comum, debilitar o seu raciocínio, dificultar o uso da razão – em suma, envolvê-lo emocionalmente para camuflar os fins totalitários traçados pelos protagonistas da política-chanchada.

Na ordem prática das coisas, articulado o argumento popularizante, cabe roteirizar a fábula com a manha dos especialistas em propaganda e comunicação de massa. Embrenhada nas armações de um Duda Mendonça, a organização estabelecida no poder procura desde logo não apenas lograr, mas – o que é mais satânico - pautar o consciente e o inconsciente coletivo com a fabricação em cascata de factóides, juras e compromissos, para se consagrar a mística pública do Estado-intruso (pois, diz o slogan, “Este é um país de todos”). Neste espaço onde não cabe dúvidas de natureza ética, a ordem é sacar da cartola um coelho a cada minuto, pois a onda deve permanecer em movimento contínuo.

O que, convenhamos, não é coisa difícil, principalmente quando se conta com recursos, imaginação e muita cara-de-pau. Ali, por exemplo, para se desentravar uma economia de vôo curto, requenta-se um Programa de Aceleração do Crescimento, cujos recursos, considerados precários, mal são distribuídos, apesar do colossal volume da arrecadação. Mais adiante, para se conter a tempestade de violência que registra anualmente cerca de 50 mil homicídios dolosos (sem contar com milhões de furtos, roubos, crimes e lesões corporais que não são levados ao conhecimento da polícia), bola-se o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, Pronasci, que não protege ninguém, pois o seu objetivo real é ampliar a máquina estatal.

Convém lembrar ao leitor que uma das trapaças recorrentes do enredo da política-chanchada latino-americana é a incessante criação de leis, normas, portarias, dispositivos legais e reformas constitucionais. Há lei para tudo e para todos os gostos, nada fica de fora do escopo legislatório do Estado: lazer, vida empresarial, comércio, trabalho, previdência, saúde, relações familiares, sexuais, religiosas, beber, comer, viajar, casar, separar – tudo é indevidamente regulamentado na esfera da vida privada, o que termina por reduzir o indivíduo à mera condição de transgressor e pasto para o apetite tributário do governo, com sua espantosa e crescente indústria de aplicação de multas, tributos, taxas e contribuições obrigatórias.

A bem da verdade, grande parte do repertório das leis criadas (em profusão) pela vontade impositiva, não “pega”. De tão abundantes, ou absurdas, já nascem mortas ou para serem desrespeitadas. Na maioria dos casos, as leis específicas só estimulam a expansão do processo corruptor na estrutura fiscal do governo, como acontece, à exaustão, com o aparato de proteção ambiental na floresta amazônica que, em vez de reduzir, só faz ampliar o seu desmatamento. A mesma coisa ocorre no que se refere às leis do trânsito, de combate às drogas e controle das ONGs, consumo de bebidas alcoólicas, cigarro, contra a prostituição e o pátrio jogo do bicho.

Diante do avanço degenerativo da política-chanchada posta em prática no subcontinente, que tem por objetivo tumultuar e confundir a cabeça do eleitor com já testado grau de eficiência, o correto será interrogar sobre o destino da democracia representativa na América Latina.

Ela sobreviverá?


Ipojuca Pontes é jornalista, cineasta e escritor, nasceu em Campina Grande, na Paraíba, e ao longo de sua carreira conquistou mais de trinta prêmios nacionais e internacionais. Foi também Secretário Nacional da Cultura no governo Fernando Collor de Mello.






Publicado no site "MídiaSemMáscara".
Quarta-feira, 06 de fevereiro de 2008.






Diogo, O Terrível - João Pereira Coutinho (Folha Online)

Nem esmola, nem fortuna – Ternuma Brasília
 
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