Showing posts with label Enzo. Show all posts
Showing posts with label Enzo. Show all posts

Monday, November 30, 2009

NOVO CHURRASQUEIRO NA PRESIDÊNCIA. SAI LORENZETTI, ENTRA JOBIM!
AGORA DEVIDAMENTE UNIFORMIZADO PARA A "MISSÃO"...































Mais churrasqueada AQUI.


DESVARIOS SOBRE CHEFIA E LIDERANÇA E A SUBJUGAÇÃO NACIONAL
por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

"Cadete! Ides comandar, aprendei a obedecer"

A frase, emblemática, encima o prédio principal da Academia Militar das Agulhas Negras. É vista, digerida e encrua–se, inexoravelmente, na pele, na mente e no caráter do jovem cadete.

A frase é lapidar, peremptória, irretorquível, solene e educativa e tem sido a bússola que norteia o imaginário hierárquico e o de estrita obediência de todos os Oficiais do Exército Brasileiro.

Contudo, aquela esplêndida construção literária merece devaneios. Senão vejamos: tal qual bula de remédio poderia conter alertas sobre o seu uso indiscriminado, excessivo, em doses cavalares, fora de hora, e assim por diante. Ou ainda, caberia um aviso do tipo, em excesso pode acarretar efeitos colaterais, como a síndrome da subserviência. Ou mesmo, só vale no âmbito da caserna, ou só entre os militares, etc.

Em caso contrário, poderemos ter nas Instituições Militares um reduto de mudos, e ouviremos, defronte a qualquer disparate, um ensurdecedor silêncio.

A subserviência como a humildade, que no seu cerne é uma virtude, quando não aponta para a pequenez, facilmente pode ser diagnosticada como fraqueza, e os infectados por elas podem morrer de desmoralização, depois de engolirem cobras e lagartos ou testemunharem, sem retorquir, coisas de seu desagrado ou prejudiciais às suas instituições.

Destarte, cabe lembrar o filosofo Kant, que a propósito sentenciou: "Quem se transforma em minhoca não deve queixar–se, depois, de ser pisado".

A obediência irrestrita gera submissão a ordens repugnantes.




























Por isso, alguns julgam que a incorporação boçal e soberana daquele adágio pode germinar ao longo dos anos um mal que pode alastrar–se por qualquer militar, independentemente de sua posição hierárquica, levando–o a concordar com qualquer ato falho, desde que enunciado por uma "autoridade", o que soará ao incauto, como uma grande verdade, mesmo que seja uma insossa venalidade. Por exemplo:

– Sicrano, civil e político, pouco afeito às qualificações e características de um bom cassetete, com "autoridade" sobre a organização, pede à "Guarda de Segurança Aleatória", que necessita urgente de cassetetes, que na escolha do instrumento a ser adquirido por licitação internacional, não indique o melhor entre os analisados pela Corporação, alegando que a decisão sobre o cassetete poderá ser de cunho político, visando os interesses nacionais e blablablá... e, portanto, o que menos interessa é a eficiência e o preço do cassetete.

Assim, o devaneio, inconcebível no passado, poderá ser oportuno para os novos tempos.

Contudo, a perplexidade que perpassa na alma do soldado é a mesma que inunda hoje a amorfa Nação Brasileira. Assistimos, não apenas os militares, um assalto contínuo nas tradições democráticas, calamo-nos diante do infausto e do medonho como medrosos ratos.

Homens, de pretensas dignidades, de enaltecidas grandezas medram, não ousam, não reagem. Portanto, não cabe atirar a primeira pedra nos militares. É preciso virar a Nação de ponta cabeça, chutar seus fundilhos para que tenha vergonha, para que acorde.

Breve, muito breve, a sociedade brasileira se submeterá totalmente aos humores e preceitos do Estado, subjugada aos seus desmandos e aos seus ditames.

Alimentamos e acalentamos com extremado zelo um insaciável dragão. Sem destino vagaremos como mortos–vivos em pleno século XXI. Ainda, aparvalhados dançaremos a melodia que tocarem, cantaremos loas aos seus heróis de barro, saltitaremos ao estalar do chicote da besta, adoraremos falsos ídolos como na idade das trevas, e o pior, sem pejo, lamberemos os dedos.


Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.









Publicado no site "TERNUMA – Terrorismo Nunca Mais" – (Regional Brasília).
Sábado, 28 de novembro de 2009.




"O PIVÔ DO CRIME"





























Jobim pede à FAB que não indique qual o melhor caça.
por Igor Gielow (Secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo)

Ministro diz que, independentemente disso, decisão final será mesmo do presidente Em setembro, o presidente da comissão que avalia o negócio, brigadeiro Dirceu Noro, disse que iria apontar um vencedor do processo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que pediu à FAB (Força Aérea Brasileira) que não indicasse um vencedor em sua avaliação técnica dos concorrentes ao fornecimento de 36 novos caças ao Brasil.

Mais: afirmou por meio de sua assessoria que "a expectativa é que o relatório venha conforme solicitado", "mas, independentemente da forma [do texto]", "o que vale é a avaliação final feita pelo presidente da República".

Para Jobim, que diz ter pedido só os prós e contras de cada concorrente em itens como preço e transferência tecnológica, "tudo o mais são insumos para essa decisão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em setembro, o presidente da comissão que avalia o negócio de estimados R$ 10 bilhões, brigadeiro Dirceu Noro, afirmara que iria haver um vencedor do processo seletivo. A declaração foi dada após a gafe de Lula, que havia anunciado a escolha do francês Dassault Rafale durante visita do seu colega Nicolas Sarkozy, esquecendo de esperar a conclusão da avaliação técnica da FAB.

Desconforto

Houve desconforto na Força, e o comandante Juniti Saito chegou a ameaçar entregar o cargo. Os finalistas do processo, suecos e americanos, além dos franceses, já haviam entregado suas propostas finais. O processo foi reaberto e eles foram instados a revê-las.

Desde então o Planalto e a Defesa tentam capitalizar a confusão como uma forma de pressionar pela queda nos custos. Em especial o preço do Rafale, naquela altura 40% superior ao do Boeing F/A-18 americano e o dobro do oferecido pelo Saab Gripen NG sueco.

Ao mesmo tempo, em reiteradas declarações, o governo manteve sua preferência pelo Rafale. O Brasil, afinal, acabara de assinar um acordo militar para fornecimento de submarinos e helicópteros de R$ 22,5 bilhões e uma parceria estratégica com Paris.

Antes do anúncio de setembro, Jobim já havia dito que esperava um relatório indicativo, mas não conclusivo, da FAB. A declaração de então à Folha por Dirceu Noro colocou lenha na fogueira: se os militares escolhessem um avião que não o francês, colocariam os políticos em uma saia justa.

O "timing" da nova "solicitação" de Jobim não é fortuito. Todos os concorrentes reapresentaram propostas prometendo corte de custo. Questionada, a Aeronáutica não divulgou oficialmente, mas certamente o tema foi debatido na reunião de Alto Comando que ocorreu entre anteontem e ontem.

Há incômodo na FAB com o que alguns oficiais consideram desprezo civil por seu trabalho. O processo transcorreu com prazos fixos e produziu mais de 25 mil páginas sobre cada um dos aviões e suas propostas. Um representante de um dos concorrentes, experiente de outras campanhas de venda, diz nunca ter visto análise tão detalhista.

Nos bastidores, os concorrentes consideram que a reunião seria decisiva para o relatório da disputa, conhecida pelo código F-X2 -o "2" para diferenciá-la do malogrado programa abandonado em 2005.

Apesar das movimentações oficiais finais, como a visita do ministro da Defesa sueco a Jobim anteontem, os olhos do governo estão voltados para o quartel-general da Dassault.

Conforme a Folha apurou, para o caso ser dado por encerrado com os franceses, é tudo uma questão de a promessa política de Sarkozy a Lula tornar-se realidade da proposta empresarial. O presidente francês prometeu ao brasileiro que o Rafale seria barateado e que cargueiros em desenvolvimento pela Embraer seriam comprados pela França, ou seja, misturou decisões privadas e estatais na conversa, o que não é inusitado em negócios de defesa, mas que levanta dúvidas.

Havia a expectativa entre as empresas de que o encontro ontem de Lula e Sarkozy em Manaus, aliado à reunião da FAB, fechasse algum diagnóstico. Jobim, contudo, viajou para o encontro de ministros da Defesa no Equador, o que deverá adiar qualquer anúncio por mais alguns dias. Ou não.

Publicado no jornal "Folha de S. Paulo".
Sexta-feira, 27 de novembro de 2009.




SÍNTESE DO TÉTRICO ENREDO:

O "churrasqueiro" Nelson Jobim, "pede" (ordena) ao brigadeiro Saito-san, que participe de um conluio para fraudar (disso ele entende muito bem), uma licitação internacional que envolve R$ 10 bilhões, valor este, que seguramente gerará uma "comissão" (peita), por meio do agenciamento de compra e venda das aeronaves de combate fabricadas pela empresa francesa Dassault, o tal Rafale, que deve ultrapassar a ordem dos 5%, ou seja, mais de R$ 500 milhões, isso mesmo "meio bilhão de reais", que provavelmente serão divididos entre os intermediários (o proxeneta, monsieur Sarkozy e seus acólitos) e os seus representadores junto aos compradores (compradores = nós, a parte do povo brasileiro pagadores de escorchantes impostos, taxas e tributos), representantes estes que são encabeçados nada mais nada menos por v. excrescência o sr. lula da selva, sendo que o "churrasqueiro real", o "ximango jobim", nas horas vagas também general, almirante e brigadeiro é uma das partes interessadas naquela "bolada" de dinheiro que tal transação irá produzir (lembrem-se o sujeito esteve negociando pessoalmente com a principal parte interessada em um jantar "secreto" no Chateau Dassault). There is no free lunch!

Conforme o envolvimento dos partícipes em tal maracutaia e o grau hierárquico que ocupa dentro da quadrilha, com certeza os "felizes" aquinhoados devem receber entre R$ 10 e R$ 20 milhões cada um, imaginem o quinhão do "chefe". Falando em "chefe", não devemos nos esquecer do outro "chefe" (tête), que conforme as próprias palavras do tradutor de francês de Lula, testemunha privilegiada das conversas com Sarkozy, descreve a relação entre o presidente francês e o brasileiro desse modo: "Se entendem tão bem como dois pintos no lixo". Perfeito!

Porém, o que mais me inquieta é qual será a reação do Alto-Comando da Aeronáutica, principalmente do seu comandante, o brigadeiro Saito-san, considerado pelo "chefe tupiniquim" como um homem de trato fácil, afinal o mesmo é um habitué das festas juninas promovidas pelo "chefe" para dançar com a "quadrilha" do Planalto. Assim sendo, à vista desarmada, pondero: Estaria o digníssimo Tenente-Brigadeiro-do-Ar da nobre Força Aérea Brasileira, Juniti Saito, conivente com toda essa sordidez? E o Alto-Comando da valente Força Aérea Brasileira, que teve a honra de contar nos seus Grupos de Caças com um verdadeiro Herói do Brasil, o Brigadeiro-do-Ar Helio Langsch Keller, coadunariam eles com essa ignomínia?
Bootlead





Os filhos do Brasil – César Benjamin






Tuesday, May 12, 2009

"ELES QUE VENHAM, POR AQUI NÃO PASSARÃO!"
(Marechal Emílio Luís Mallet)

Foto: General-de-Exército Paulo Cesar de Castro.































Íntegra do discurso proferido pelo General-de-Exército Paulo Cesar de Castro, por ocasião da Passagem do cargo de Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, realizada no dia 11 de maio de 2009 no Salão Nobre do Palácio Duque de Caxias, quando assumiu o cargo de Chefe do DECEX, o General-de-Exército Rui Monarca da Silveira.




PALAVRAS DE DESPEDIDA


Transcorridos quatro meia-dúzia anos de intenso, empolgante e gratificante efetivo serviço, aos quais acrescento sete outros plenamente vividos como Cadete de Tomaz Coelho, preparo-me para executar os comandos de "embainhar, espada!" e de, "no grupamento da Reserva, em forma!". Embainharei a réplica do Sabre de Caxias, mas mante-la-ei firmemente empunhada e afiada, a postos para manejá-la no combate a serviço dos dois sagrados compromissos que, como eu, todos os militares juraram atender, o da integral dedicação à Pátria e o do mais absoluto comprometimento com o Exército.

Volto-me para o altar de Deus e, em profunda oração, agradeço as copiosas graças com que Ele me protegeu: a saúde para empreender a marcha; a de manter a cadência firme e o passo certo; a de estar permanentemente coberto, alinhado e imóvel; a de ter-me permitido assumir compromissos e responsabilidades cada vez mais elevadas e tantas outras. Invoquei-O a cada desafio, pedindo Sua ajuda por intercessão de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Exército, de cujo altar Caxias, o Duque de Ferro, fazia-se acompanhar durante suas campanhas. Obrigado, meu Senhor e meu Deus!

Meu Comandante, muito obrigado por suas palavras amigas e camaradas, mas, sobretudo, por me ter permitido viver intensamente minha derradeira missão no serviço ativo à frente do então Departamento de Ensino e Pesquisa, hoje Departamento de Educação e Cultura do Exército e, portanto, ter sido responsável pela preparação dos recursos humanos de carreira para nossa queridíssima Força Armada. Obrigado por tudo, pelo apoio, prestígio e prioridade irrestritos concedidos ao ensino, aos desportos e à pesquisa no Exército. Para fortalecer o poder de combate da Força, formamos, especializamos, aperfeiçoamos, pós-graduamos e proporcionamos altos estudos militares, capacitando homens e mulheres para todos os escalões hierárquicos, e, por intermédio dos órgãos de formação de oficiais da reserva e do Sistema Colégio Militar do Brasil, preparamos cidadãos líderes para a Nação Brasileira, multiplicadores vitalícios dos valores transmitidos e praticados no Exército e que, sempre ao nosso lado, haverão de construir o Brasil dos nossos sonhos, mais forte, justo e honesto.

O Exército acolheu-me, ainda imberbe, ao matricular-me no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em 1956, após ter logrado êxito em exigente concurso de admissão, sem que jamais me tivesse sido exigida a cor da pele dos meus pais, avós e demais ascendentes, ou me tivessem acenado para integrar qualquer tipo de quotas, fossem elas quais fossem. E, tendo-me recebido cadete na Academia, abriu-nos, a mim e à minha mulher, as portas para o convívio amigo da Família Militar, da qual temos recebido manifestações seguidas de apreço, de carinho, de amizade e de fraternidade, ao longo de toda a carreira, em distintos rincões do País e, até mesmo, no exterior. Esta Família é a nossa Família, a qual tanto estimamos. Na AMAN, passei a integrar a Turma IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, a Turma de 65, cujos eternos cadetes são, passados tantos anos, eternos amigos e camaradas, aos quais tanto prezo e estimo. São irmãos que nem o tempo ou a distância física logrou separar. Reencontro-os e abraço-os, pelo Brasil afora, sempre com imensas e renovadas satisfação e alegria.

Volto-me para minha mulher, Maria Helena, meu eterno amor e escalão superior, ainda que, esclareço, superior é verdade, mas não escalão enquadrante. A ela carinho e gratidão. Como ela sempre me disse, digo-lhe agora, "estamos aí!". Este é, também, o momento de agradecer a toda a família, meus saudosos pais e irmão, e igualmente saudosos sogros. Meus avós, tios, cunhados, sobrinhos, sobrinhos-netos, primos e amigos. Na família sempre encontrei estímulo, compreensão e força. Gente, obrigado!

Ao agradecer ao Comandante, reverencio em solene continência, todos os comandantes dos quais recebi constantes exemplos de homens de caráter, de brasileiros de brio e de líderes militares na mais pura acepção deste conceito. Impossibilitado de enumerá-los, sob pena de irreparável omissão, registro meu primeiro comandante na Academia Militar das Agulhas Negras, o, então, General-de-brigada Emílio Garrastazú Médici, exemplo de honestidade, de coragem moral e de audácia. Sob sua liderança, nós da Turma IV Centenário participamos da memorável campanha do Vale do Paraíba, durante as operações militares vitoriosas na Revolução Democrática de 31 de março de 1964, o que me valeu elogio assim consignado em minhas alterações, textualmente, por ter participado do movimento de descomunização do Brasil. Quando Presidente da República, sua popularidade era medida, não por frios indicadores numéricos, mas por prolongados aplausos, espontânea ovação com que era recebido a cada vez que comparecia à tribuna do Estádio do Maracanã. Sendo, pois, Comandante Supremo, sob seu comando nós, os democratas brasileiros, derrotamos o inimigo interno e subversivo durante a Guerra Fria e evitamos que o poder pudesse vir a ser transferido, no Brasil, de irmão para irmão, como recentemente aconteceu em paradisíaca ilha caribenha, vítima remanescente da falecida ditadura marxista.

Aos meus comandantes e instrutores, professores e monitores, obrigado por tudo. Nunca serei suficientemente agradecido pelas lições que me transmitiram na caserna verde-oliva e que me fortaleceram o caráter que me havia sido forjado em casa, por meus saudosos pais, Léia e Coronel Silva Castro. No Exército encontrei a escola de valores, de atributos e de exemplos éticos que bem poderiam servir a tantos que freqüentam os noticiários quotidianos. São as demonstrações de honestidade; de probidade; de dedicação aos estudos; de patriotismo; de civismo; de lealdade; de senso do cumprimento do dever; de prática da verdade; de camaradagem; de ascensão profissional fundamentada única e exclusivamente no mérito; de respeito aos interesses da Nação brasileira, acima de quaisquer outros, inclusive os pessoais ou ideológicos; de aversão à corrupção e à demagogia; de cumprir e de fazer cumprir todas as leis, a exemplo da Lei Áurea, da Lei do Serviço Militar e da Lei de Anistia, todas as leis, enfim; virtudes como a do pleno cumprimento da palavra empenhada; da solidariedade; e da dignidade. Em resumo, a lição de "Ordem e Progresso!"

Expresso, de público, gratidão e agradecimento aos meus comandados de todos os tempos, aos quais procurei servir, sob a inspiração do juramento de "tratar com afeição os irmãos de armas e com bondade os subordinados". No DEP e no DECEx, muito obrigado Generais Ronald e Arantes, meus vice-chefes. Muito obrigado aos meus assistentes, chefes de gabinete, de assessorias e de seções; muito obrigado aos oficiais, praças e servidores civis do Departamento. Em particular, agradeço ao meu Auxiliar do Estado-Maior Pessoal, que me acompanha desde as montanhas alterosas. Agradeço, ainda, no Estado-Maior Pessoal, aos sargentos auxiliares, aos motoristas e aos taifeiros. E uma mensagem de apreço às bandas de música que sempre me fizeram vibrar e marchar com cadência firme. Que Deus a todos proteja e abençoe, assim como a seus entes queridos.

Abraço fraternalmente meus irmãos de armas do Alto Comando do Exército, com os quais muito aprendi sempre que, reunidos, discutimos assuntos do mais elevado interesse da Instituição. Sempre que a eles recorri, encontrei a mão amiga que me ajudou a vencer desafios e a transpor obstáculos. Aos que permanecem nesse elevado órgão de assessoria do Comandante, minha absoluta confiança, certo estou de que haverão de perseverar contribuindo para que o Exército permaneça invicto e vencedor, atendendo aos legítimos anseios da brasilidade e tão-somente aos dela. Expresso minhas gratidão e apreço à Fundação Marechal Trompowski, por seu apoio e ajuda constantes, cujo socorro tanto tem contribuído para minorar a grave escassez de recursos que tem impactado nossos planejamentos e adiado o acalentado sonho de dispor do Exército necessário à segurança e à defesa da Terra de Santa Cruz.

Menção particular a todos os generais que me antecederam, não apenas no DEP, mas àqueles com os quais entrarei em forma a partir de agora. Reconhecimento e gratidão aos meus generais diretores e comandantes que, em conjunto com os comandantes, chefes e diretores de organizações militares subordinadas e vinculadas, deram vida ao processo ensino-aprendizagem, aos desportos, às pesquisas e às atividades de preservação e divulgação do riquíssimo patrimônio cultural da Força. Vocês foram perfeitos ao cumprir a diretriz, indispensável nos dias de hoje, de patrulhar e de defender! De defender nossos subordinados e sagradas casernas das investidas constantes do revisionismo histórico brasileiro e das mensagens tão freqüentes contrárias aos valores, às tradições, aos feitos, aos vultos e às lições do Exército de sempre. De patrulhar para que a lepra ideológica fosse mantida bem afastada de nossos currículos, salas de aula e locais de instrução. Os arautos da sarna marxista bem que tentaram, mas foram derrotados por todos nós, que seguimos a ordem do bravo Mallet, em Tuiuti: "eles que venham, por aqui não passarão!". Meus generais, perseverai no combate, o inimigo é astuto e insidioso, mas capitulará ante nós, como derrotado tem sido até agora. Cuidado, ele procurará afirmar e convencer os inocentes e incautos de que o Exército 2009 é diferente do Exército que os derrotou no passado. Pobres almas, nós somos o Exército de Caxias, uno, coeso, indivisível, merecedor dos elevadíssimos índices de credibilidade que a tantos causam inveja e que em nós fortalecem a auto-estima e o orgulho de sermos soldados verde-olivas.

Temos instituições mais do que parceiras, entidades amigas que conosco compartilham ideais. À Marinha e à Aeronáutica, às Forças Auxiliares, às universidades e fundações, aos institutos e academias, ao Clube Militar, demais clubes e personalidades, às associações e conselhos que conosco ombrearam e ombreiam, sou muitíssimo agradecido.

General Rui, minha convicção de que, sob seu experiente comando, capacidade profissional e sólido espírito militar, permanecerá o Ensino no Exército cada vez mais sério, reconhecido, validado, organizado, testado, normatizado e absolutamente independente de qualquer órgão estranho à Força. Parabéns por sua recente promoção ao posto máximo da hierarquia e por sua seleção para estar à frente do ensino, das atividades culturais, dos esportes e das pesquisas científicas no Exército.

Agradeço as bênçãos e as interseções de Santa Bárbara, padroeira da minha Artilharia. Prestes a executar os comandos de "alto, cessar fogo, mudança de posição!" e de "atracar a palamenta!", confesso que sentirei intensa saudade das linhas de fogo e do sibilar das granadas na trajetória, quer de Costa, Antiaérea ou de Campanha. Já de algum tempo, preparando-me, tenho realizado sucessivos REOP, reconhecimentos, escolhas e ocupações de posição. Na posição de manobra, estarei referido na vigilância, registrados os elementos da barragem normal. Os artilheiros do Século XXI que me comandem "fogo!".

A todos que me ajudaram a marchar, genuína e legitimamente fardado, sempre fardado, profunda gratidão por me terem permitido respeitar os superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de armas e com bondade os subordinados.

Muitíssimo obrigado, meus Comandantes, pares, subordinados, amigos e Família Militar! Até a próxima região de procura de posição. Assumo, agora, a responsabilidade de bater nova zona de fogos. E, desencadeada a eficácia NA, no alvo, transmito a mensagem final: "Aqui General Castro, missão cumprida!"

Muito grato.

Fonte: SEÇÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO COMANDO MILITAR DO LESTE.



Foto: O Gen Castro, sendo recepcionado pela guarda do Museu Militar Conde de Linhares (MMCL), que estão trajando o uniforme histórico oriundo da 6º Bateria Independente de Artilharia de Posição, primeira guarnição do Forte de Copacabana que o utilizava como uniforme de gala no ano de 1914.











































O General-de-Exército Paulo Cesar de Castro é natural da cidade do Rio de Janeiro. Foi aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ), de 1956 a 1962, e incorporado às fileiras do Exército, em 01 de março de 1963, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Foi declarado aspirante-a-oficial da arma de Artilharia em 18 de dezembro de 1965. Em 1968, especializou-se na Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, e aperfeiçoou- se em Artilharia, na Escola de Aperfeiçoamento de oficiais (EsAO), em 1976. Realizou o Curso de Comando e Estado-Maior na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), em 1980 e 1981, o Curso de Oficial de Estado-Maior, na Escola Superior de Guerra Tenente-General Luís Maria Campos, do Exército Argentino, em 1985 e 1986, e ainda o Curso de Política e Estratégia Marítimas, na Escola de Guerra Naval, em 1993.

Desempenhou as funções de instrutor dos Cursos de Artilharia da AMAN, da EsAO e ECEME. Comandou o 21º Grupo de Artilharia de Campanha, "Grupo Monte Bastione", unidade tradicional de sua arma, sediada no Rio de Janeiro. Como Oficial de estado-maior exerceu funções no Comando da 9a Brigada de Infantaria Motorizada Escola; no Estado-Maior do Exército; na Secretaria- Geral do Conselho de Segurança Nacional; na Secretaria de Assessoramento da Defesa Nacional, tendo sido membro da delegação brasileira à reunião bilateral Brasil-Argentina de energia nuclear; membro da delegação brasileira à reunião bilateral Brasil-China de energia nuclear, na China; e membro da delegação brasileira à Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, Áustria.

Como Oficial-General, foi Diretor de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA), Diretor de Promoções (DPROM), Comandante da ECEME, Diretor de Formação e Aperfeiçoamento (DFA), Comandante da 4a Região Militar/4a Divisão de Exército e Secretário de Economia e Finanças (SEF) e Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEX).


DOBRADO "GENERAL CASTRO" - Composição: ST Mus Gilbert Martins da Silva.
Banda do 1º Batalhão de Guardas
(1º BGD – "Batalhão do Imperador") CML – EB (Rio de Janeiro – RJ)











O CAÇADOR DA OSSADA PERDIDA





"ELES QUE VENHAM, POR AQUI NÃO PASSARÃO!" – (Marechal Emílio Luís Mallet)

Friday, August 15, 2008

SUBJUGADOS!























QUEM AGÜENTAR VERÁ - O Dia do Juízo Final
por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Lendo as últimas noticias, fiquei preocupado.

"Nosso guia", valha-me Deus, abandonou - nos (confesso que nunca, mas nunca esperava uma coisa destas, um homem tão bom, tão justo, um monumento de grandeza). Mas se fez, deve ter razão.

Estou aguardando o dia em que a porta da minha casa será devidamente marcada, assinalando com um símbolo discriminatório, que ali mora um terrorista abominável ou um nojento militar (o que dá na mesma).

Este será o primeiro passo para o total linchamento moral e físico dos militares, que há muito deveriam levar uns cascudos, por falta de vergonha.

Breve, estaremos acuados como animais. É bom fugir para o campo ou fingir-se de índio e acoitar-se numa reserva indígena (pois ela poderá se transformar em uma "Nação", bem melhor do que a nossa).

Pelo andor dos acontecimentos, é fácil prever que logo, hordas de estudantes de todos os níveis (culturais?) estarão à nossa cata. Caras pintadas, bradando palavras de ordem, farão inveja aos Guardas Vermelhos do "cumpanhero" Mao.

Ontem, a metamorfose ambulante, alimentando o revanchismo, na moita, procura reabrir feridas, e diante de uma platéia da União Nacional dos Estudantes (UNE), no ato de assinatura de convênio que permitirá reconstruir a sede histórica da entidade, no Rio, destruída ao tempo da ditadura, citou Tiradentes, como o último herói nacional, esquecendo, propositadamente, Caxias e tantos outros.

Sindicatos e seus afiliados ocuparão seus lares (terrorista não tem lar , quando muito, um sujo covil), depredarão seus bens ou se apossarão deles.

Precavido e prevenido, na minha janela, há algum tempo, tremula a bandeira do PT. Quando não venta, eu e minha família nos revezamos na tarefa de tremular ao vento, graciosamente, o nosso novo vermelho pendão.

Não sei se adianta, pois, infelizmente, ainda recebo correspondências que denunciam a minha antiga e malfadada profissão. Já avisei ao porteiro de que elas não são minhas.

Procurei mudar de hábitos: chego atrasado aos meus compromissos, quando vou; cuspo no chão, atraso no pagamento das contas, não leio jornais, nem notícias que deponham contra o governo. Não cultivo nada, além da minha paixão, que é torcer pelo "curíntias" e acompanhar os pronunciamentos do "nosso guia" para tentar aumentar minha escassa bagagem cultural.

Sou ou fiquei grosseiro, jogo lixo no chão e cigarro aceso nas macegas. Procuro, enfim, misturar-me com a multidão. Boçalizando, entrei no universo da negação total. Nego valores, nego patriotismo, nego amor à pátria que eu não sou tatu. Nego e renego o meu passado. Espero que sirva de atenuante na hora do juízo. Acredito na Petrobras, na estatização da Vale do Rio Doce, da Siderúrgica Nacional e de tantas estatizações quanto possível, consciente de que só com o predomínio do Estado e com a moral do proletariado chegaremos às alturas. Abomino a meritocracia.

Telefone, não atendo a não ser da minha família, graças a um intrincado sistema de senhas e macetes, que adotamos para evitar qualquer grampo da Policia Federal, novel Gestapo empenhada na nobre missão de vigiar os inimigos do estado.

Cortei a assinatura da Inconfidência, sai do TERNUMA, nunca ouvi falar em Grupo Guararapes, Liga de Defesa Nacional, Andec, Tribuna e outras entidades que, maldosamente, teimam em opor-se ao inevitável.

Cancelei a internet. Agora posso acompanhar com total dedicação as novelas da Globo.

Sou favorável às imensas áreas indígenas e reservas florestais, pois um índio vale muito mais do que um bando de brancos ignorantes e usurpadores dos pobres silvícolas. Simpatizo com as FARC.

Hoje, preparo - me para ser um não-branco. Como minha avó era negra, creio que estou com um pé na comunidade quilombola. Penso, seriamente, em adotar um índio. Pelos impostos que pago com certeza já adotei a família do "Severino" há muito tempo. Só falta publicar o fato oficialmente no Diário Oficial, oficiosa já é.

Quando o presidente fala no seu programa de rádio às segundas feiras, levanto ao máximo o volume para que os vizinhos percebam que sou mais um deles.

Não canto mais o Hino Nacional. Qualquer música do Gil ou do Cae pega melhor. Levantar, nem pensar.

Não bebo. Ando de bicicleta para não ser multado, nem agüento mais dar esmola para flanelinha em qualquer lugar que eu estacione seja dia ou mesmo qualquer hora da noite. Eles são perenes. Aos sábados, domingos ou feriados, lá estão eles. Egoísta, fruto de um empedernido capitalismo que ainda me consome, nego - me a completar sua bolsa-família e assemelhadas. Para compensar, já comprei o kit do MST, boné, bandeirinha e foice para degolar a cabeça dos capitalistas e simpatizantes.

Estou muito quietinho no meu canto. Assim, não sou assaltado. Assustado, procuro respirar baixinho. Sem perturbar ninguém.

Para piorar, ultimamente, tenho um medo incontrolável de guarda de trânsito, de policia rodoviário,... na verdade, de qualquer tipo de "poliça", ainda mais agora, que eles foram designados como guardiões da moralidade nacional. Borro-me diante de um militar da Força Nacional de Segurança.

Arrependo–me, quando, boçalmente, apregoava minha situação de militar do EB. Tolo, assumo o "mea-culpa". Como eu poderia imaginar que desceríamos a tanto.

Recentemente, passei a economizar o dízimo do Partidão, ao qual me filiarei no mais curto prazo.

Antes que alguém pergunte como atingi tal estado de insustentável leveza do ar, explico. É inútil resistir. O estupro é inevitável (e hoje, creio que a ex-Ministra do Turismo tinha razão ao se dirigir aos maltratados passageiros dos aeroportos).

Meus comandantes acreditam em Papai Noel, por que eu não? Eles não querem polemizar. Quem sou eu para...

Enquanto, eles aguardam que o "molusco-guia" de um "basta" na perseguição do Tarso e caterva, a Presidência financia o tremendo Seminário internacional "Direito à Memória e à Verdade" que será aberto pelo ministro Paulo Vanucci, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, cujo maior atrativo será o nefasto juiz espanhol Baltasar Garzón. Dá para combater?

Para piorar, se é possível, numa cabal demonstração de que o Tarso estava coberto de razões nas suas imprecações, um seleto número de magistrados, advogados, juízes, procuradores e assemelhados, recolhem assinaturas que endossarão, legalmente, o linchamento dos militares.

É a chamada pressão da sociedade conivente, em conluio com a imprensa revanchista e raivosa. Esta, nem o molusco resiste.

O duro não é tropeçar e cair. O trágico é ser incapaz de reagir ou levantar.

Meus superiores, pares e subordinados, minhas envergonhadas condolências.


Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.









Publicado no site "Ternuma - Terrorismo Nunca Mais" – (Regional Brasília).
Quinta-feira, 14 de agosto de 2008.




Tráfico monta nas matas cursos para jovens integrantes de quadrilhas aprenderem técnicas de guerrilha e uso de armas – O Globo






Wednesday, June 25, 2008

Senhores! As "cartas" estão na mesa. Vamos ao "jogo"?











































A insensatez marcha no Morro da Providência
por José Nêumanne

A tragédia do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, poderia figurar como ilustração atualizada no clássico da historiografia A Marcha da Insensatez, de Barbara W. Tuchman, que relata como, desde Tróia até o Vietnã, alguns governos perseguem objetivos contrários aos próprios interesses.

Incapazes de enfrentar o problema da violência, anabolizada pelo crime organizado, que vende entorpecentes e contrabandeia armas, e de combater o mal endêmico da corrupção policial, governadores fluminenses sempre apelaram à União por uma intervenção militar nos territórios sem lei das favelas do Rio. Da mesma forma como não resistiu à tentação de mandar tropas cumprir a tarefa de Sísifo de impor a lei no Haiti, o governo federal, chefiado pelo petista Lula da Silva, cometeu a insensatez de atender ao pedido, contrariando a maioria dos oficiais das Forças Armadas e a unanimidade dos especialistas em segurança pública. Com a mesma fé que devota à própria infalibilidade e à capacidade de transferi-la à "companheirada" antiga ou moderna, o papa Lula Único se investiu da convicção inabalável de que a farda do Exército seria impermeável aos esgotos morais que infestam a periferia carioca. Mas não ficou nisso e foi além: em nome do "social", que tudo justifica, ele ungiu projeto do senador Marcelo Crivella, maioral da Igreja Universal do Reino de Deus, senador da República e um dos candidatos oficiais à Prefeitura da ex-Cidade Maravilhosa, permitindo que o Ministério das Cidades o bancasse e o da Defesa o protegesse. Seria injusto atribuir à permissão intenções sub-reptícias de desmoralizar uma instituição com a tradição do Exército Nacional, como vingança por causa dos sobrevôos de helicópteros nas assembléias de metalúrgicos grevistas sob o comando de Lula, então líder sindical, ou dos processos em que ele foi réu na Justiça Militar na ditadura. O que determinou a decisão foram intenções mais rápidas e rasteiras: o interesse eleiçoeiro e a garantia da futura falta de cobrança.

Dado o primeiro passo para a insensatez, os seguintes se tornaram inexoráveis: quem joga uma maçã no esgoto não pode esperar que ela seja retirada limpa e pronta para ser comida. A crônica dos três rapazes abordados pela patrulha encarregada de proteger a obra do candidato Crivella e entregues aos chefões do tráfico do morro rival foi mais anunciada que espetáculo de Paixão de Cristo em circo mambembe na Semana Santa. Contribuiu para o desfecho trágico a circunstância particular da infelicidade das vítimas de cruzarem com um tenente inconseqüente, assim como poderiam ter sido raptadas pelas hostes rivais ou atingidas por balas perdidas, tão comuns no cotidiano deles como a miséria com que conviviam. O Estado é responsável por haver abandonado o território das favelas dos Morros da Providência e da Mineira e entregado, na prática, as miseráveis comunidades que nelas moram à tirania sangrenta de delinqüentes que fazem o serviço sujo para o baronato do crime organizado.

A transformação de tropas do Exército em escolta para dar segurança a um projeto de promoção política de um candidato aliado foi o movimento seguinte na marcha da insensatez. Nesta ofensiva, o desatino do oficial e a cegueira obediente de seus subordinados foram meros aditivos à insensatez sistêmica do Estado incapaz, ineficaz e brutal e de seus gestores, que vendem a alma ao diabo pela permanência no poder em troca do absoluto abandono dos escrúpulos. Não se trata de inculpar apenas o Executivo. Os legisladores, mesmo os adversários de Crivella, nada fazem para garantir a igualdade de oportunidades nas normas que presidem as disputas eleitorais porque eles próprios esperam um dia poder delas se locupletar. A Justiça Eleitoral, seduzida pela possibilidade de exercer poderes censórios em plena democracia, multando quem entrevista candidatos, nada fez para impedir o abusivo uso da máquina pública para favorecer o candidato oficial e, depois da tragédia, embargou a obra, decisão tardia e questionável (e o PAC, hein?). Pois é mais fácil multar empresas de comunicação que enquadrar o poder maior, impedindo que o favorecimento de seus sequazes nele perpetuem seus atuais ocupantes.

A culpa maior é de quem deu a ordem de partida para a marcha da insensatez. Mas convém lembrar que os subordinados também foram cúmplices. O comandante da Força nunca se disse contrariado por vê-la usada para proteger interesses subordinados. Nenhum oficial sob suas ordens imitou o capitão Sérgio Macaco, que, na ditadura, denunciou a loucura de seu comandante, que planejou explodir o gasômetro no Rio para, depois, inculpar os guerrilheiros de esquerda na guerra suja. Nenhum prócer de um partido da oposição denunciou a infâmia de uma obra financiada pelo erário com fins eleiçoeiros, a pretexto do "social", que tudo justifica e tudo permite. Nenhum desses promotores fanáticos por fama exigiu o fim dela.

A 11 dias da tragédia, o mandante das torturas e das mortes e seus executantes estão livres e comandam o tráfico na favela. A polícia fluminense, tão diligente em acusar os militares que entregaram as vítimas aos algozes, não prendeu nem processou o chefão do tráfico e seus esbirros. O ministro da Defesa subiu o morro para pedir desculpas, expediente grato ao atual governo e ao qual também apelaram os protagonistas militares, com idêntico oportunismo. O ministro da Justiça não perdeu a ocasião de bajular o chefe, dizendo que Lula se opunha a usar o Exército no combate ao tráfico. E este agiu como se fosse um ombudsman ao classificar de "injustificável" a presença das tropas sob seu comando no morro, além de ter prometido indenizar as famílias das vítimas, como se o vil metal bastasse para limpar a sujeira e a sangria desta tragédia impune e anunciadíssima.


José Nêumanne Pinto é um escritor, jornalista e poeta, nascido em Uiraúna (PB), em 18 de maio de 1951. Começou sua carreira jornalística no "Diário da Borborema", Campina Grande (PB), como repórter em 1968. Recebeu os prêmios Esso de Jornalismo Econômico em 1975, pela série "Perfil do Operário Brasileiro Hoje" e o Troféu Imprensa de Reportagem Esportiva, também em 1975, pela reportagem "Éder Jofre e o Boxe Brasileiro". Nêumanne foi colunista, com um artigo semanal sobre Brasil na edição em castelhano do jornal "Miami Herald" . Atualmente reside em São Paulo, onde é articulista periódico do jornal "O Estado de S. Paulo", do "Jornal da Tarde" e do "Jornal de Brasília", além de publicar seus artigos em diversos órgãos da imprensa nacional. Como escritor José Nêumanne tem diversos livros publicados, também é editor do blog "Estação José Nêumanne" sobre poesia, jornalismo e literatura. E-mail: neuman@estado.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo".
Quarta-feira, 25 de junho de 2008.






Pela porta dos fundos, não – "O Estado de S. Paulo"

Tuesday, June 17, 2008

Tuesday, March 25, 2008

Pergunta ao Gen Enzo:
QUANDO SERÁ DADO UM BASTA A ESSE CAFETÃO DAS FFAA?

Foto: O "general" (rolando-lero jobim) e a "generala" ("digníssima" esposa), vestindo "fantasias" de gente honrada.




























Mais um grande feito
por Jânio de Freitas

"Forças Armadas que tivessem de esperar pelo ministro civil para instalar hospitais não seriam forças nem armadas"

O ROL DE responsabilidades pelo drama das vítimas de dengue no Rio tem mais um nome: Nelson Jobim. Embora Marinha, Aeronáutica e Exército pudessem iniciar em 24 horas as instalações emergenciais para aumentar o atendimento a pacientes, Nelson Jobim determinou de Washington, na semana passada, que a colaboração dos militares esperasse por sua volta. O bombeiro, soldado da tropa amazônica, submarinista, especialista na escolha de aviões de caça, submarino e tanques e, de quebra, estrategista da defesa continental Nelson Jobim condicionou o início da assistência: só depois de uma reunião médico-militar (marcada para ontem) por ele presidida para "definir a participação das Forças Armadas". Participação a ser afinal divulgada televisivamente pelo doutor Nelson Jobim.

Forças Armadas que precisassem esperar pela presença de seu ministro civil para instalar uns quantos hospitais de campanha, com vista ao atendimento simples como o de dengue, não seriam forças nem armadas. Se desprovida de propósito oportunista, tal decisão estaria afeta, no máximo, aos comandos locais. O novo especialista em mobilização militar e em epidemia já comprovara sua habilitação com o comunicado, ainda lá de Washington, de que o Exército estava pronto para oferecer 30 leitos em suas futuras instalações de campanha. Ou seja, mobilização para menos de metade dos novos casos ocorridos em apenas uma hora.


Publicado no jornal "Folha de S. Paulo".
Terça-feira, 25 de março de 2008.



 
Copyright © 2004-2019 Bootlead