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Wednesday, July 01, 2009

YEMENIA (YEMEN AIRWAYS) FLIGHT IY 626 (SANAA – MORONI)
































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70-ADJ – Under the Flag of its last operator, the Yemenia - Yemen Airways

Foto acima: O Airbus A310-324 (70-ADJ), número de série (MSN) 535, taxiando no aeroporto de Joanesburgo-África do Sul em 03 de janeiro de 2004, logo após haver aterrizado proveniente da cidade de Sanaa-Iêmen. Até a presente data, a aeronave já havia cumprido um total de 17.300 vôos e voado aproximadamente 51.900 horas desde sua fabricação em 1990, vinha sendo operado por "Yemenia" desde Outubro de 1999.

Photo above: The Airbus A310-324 (70-ADJ), MSN (Manufacturer Serial Number) 535, taxiing at the Johannesburg, South Africa airport on January 03, 2004, soon after landed from the city of Sanaa, Yemen. To date, the aircraft had completed a total of 17,300 flights and flown approximately 51,900 hours since its manufacture in 1990, has been operated by "Yemenia" since October 1999.



152





























Click AQUI para ver esta foto da aeronave 70-ADJ em Alta Resolução (1600 x 1056).
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Aircraft Description















































A ROTA DO VÔO – THE FLIGHT ROUTE













































Gráfico acima: Rota completa do Vôo IY 626 da "Yemenia", iniciado em Paris-França (linha vermelha), como uma primeira escala em Marselha ainda na França, efetuado com equipamento Airbus A330 até a cidade de Sanaa-Iêmen, onde foi efetuado o transbordo dos passageiros para o equipamento Airbus A310, que após uma escala em Djibuti capital do Djibuti, de onde decolou para Moroni, capital das Ilhas Comoros, porém, quando a menos de 15 km do aeroporto de Moroni (destino final), aconteceu o desastre que deixou pelo menos 152 mortos e um sobrevivente(linha preta).


Graphic above: The complete route of the "Yemenia", Flight IY 626, started in Paris, France (red line) with a first stopover in Marseille still in France, accomplished with Airbus A330 equipment to the city of Sanaa, Yemen, where the transfer occurred of the passengers for the equipament Airbus A310, which after a stopover in Djibouti capital of the Djibouti, took off to Moroni, capital of Comoros Islands, however, when less than 15 km from the airport in Moroni (final destination), the disaster happened which left at least 152 dead and one survivor (black line).



ANTES NO BRASIL – BEFORE BRAZIL

Foto/Photo: © Normando Carvalho Jr.






























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Foto acima: O Airbus A310-324, número de série (MSN) 535, taxiando no Aeroporto dos Guararapes, cidade de Recife-PE (Brasil) em 1998, operando sob a bandeira da empresa aérea brasileira "Passaredo Linhas Aéreas", com o prefixo PP-PSE. No ano seguinte (1999) a aeronave foi transferida para a "Yemenia", onde vinha operando em condições precárias até o acidente em 30 de junho de 2009.

Photo above: The Airbus A310-324, serial number (MSN) 535, taxiing in the Guararapes Airport, city of Recife, Pernambuco (Brazil) in 1998, operating under the flag of the Brazilian airline "Passaredo Linhas Aéreas" with the prefix PP-PSE. The following year (1999) the aircraft was transferred to "Yemenia", which was working in precarious conditions before the accident on June 30, 2009.


SEE WORLD AIR TRAFFIC WITHIN 24 HOURS



Sir Ney, "sarney", se até o sobrenome da "famiglia" é falso...





Thursday, June 11, 2009

O BRASIL PRECISA SER "RESGATADO",
ANTES QUE SE PUTREFAÇA POR INTEIRO!
















































CLANDESTINOS A BORDO
por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Uma tragédia aérea abateu–se sobre diversos países com a terrível queda do Airbus que voava do Rio de Janeiro para Paris, no dia 31 de maio último. Os dados de vôo do Airbus AF 447 informam que foram vitimados os 228 passageiros e tripulantes. Uma catástrofe.

O terrível infausto ocorrido na madrugada de 31 para 01 de junho cobriu de luto, em particular, o Brasil e a França, origem natal da maioria dos passageiros. De início, pela falta de maiores ligações com a aeronave sinistrada, enormes eram as dúvidas quanto ao local e as causas da tragédia. Foi no vasto Oceano Atlântico. Aos poucos, contudo, o mar iniciou a devolver o que não lhe pertencia. E os corpos, destroços e bagagens começaram a emergir.

Famílias desesperadas, enlutadas clamam pelo que restou de seus entes queridos, para prestar- lhes a derradeira homenagem, o último e sentido adeus. Foram 228 almas, que esperamos estejam no regaço do Criador.

Entretanto, ao que tudo indica, com a intensificação das buscas, outros corpos foram sendo resgatados. Estranho foi o caso de duas senhoras, que foram encontradas boiando, de mãos dadas, praticamente abraçadas, num último suspiro. Feliz e milagrosamente não sofreram as ações do tempo, nem da água salgada, nem das intempéries, nem dos temíveis tubarões. Intactas estavam suas faces e, poderiam, segundo os encarregados do resgate, facilmente serem reconhecidas pelos seus parentes e amigos.

Ampla divulgação, retratos falados, caracteristicas pessoais, sinais corporais e nada. Nenhuma autoridade nacional, do executivo, do legislativo e do judiciário, indagados, exaustivamente, demonstrou o menor conhecimento das vítimas. "Nunca as vi nem mais gorda, nem mais magra", foi a declaração geral.

Talvez a caixa preta, no futuro, nos revele o que aquelas pobres vítimas, no seu derradeiro estertor, conversaram. Intensas investigações para elucidar o mistério comprovaram que elas não constavam da relação de passageiros. Logo, concluíram que eram clandestinas. De início, uma tremenda incógnita. Pessoas desconhecidas. Foram encontradas com trajes pobres, mas dignos. Não aparentavam ter posses, nem jóias. Mistério.

Quem seriam? Só mesmo o espaçoso, precipitado e exibicionista Ministro da Defesa, com sua vareta fosfórica a apontar num mapa, pontos ignotos no Oceano Atlantico, arriscou um palpite em rede mundial, alegando, peremptóriamente, que poderiam ser duas senhoras, que tão logo ouviram falar na queda da aeronave, saíram nadando da costa da África do Sul para auxiliar no resgate das vítimas. O mundo ficou boquiaberto. Muita gente, de início, acreditou.

Finalmente, na 2ª feira, procuraram as autoridades uma simpática senhora, mas em deplorável estado, que apresentou–se como Dignidade da Pátria, acompanhada por um encarquilhado senhor que identificou–se como Caráter Nacional, que preocupados com o desaparecimento de suas amigas a Justiça Enxovalhada e a Vergonha Nacional, julgaram pelos indícios noticiados na mídia, que as desconhecidas vítimas, talvez pudessem ser as suas queridas amigas.

A Justiça e a Vergonha, conforme depoimento de sua amiga a Senhora Dignidade da Pátria e de seu primo o Senhor Caráter Nacional, de há muito pretendiam procurar outros ares; o Brasil, diziam, "era um covil de valhacoutos" e estava a cada dia mais insuportável, e o boato do terceiro mandato fora a gota d’água. Por isso, assim como a Soberania Nacional, irmã da senhora Vergonha, que fugira para a Sibéria, depois da decisão sobre a Reserva Raposa Serra do Sol, as duas pobres almas decidiram seguir alhures, custasse o que custasse.

Assim, sem dinheiro, pungado pelo desgoverno através de pesados impostos, aposentadas, sem lenço e poucos documentos, embarcaram sorrateiramente, no porão de carga do Airbus. Foi o que testemunharam, posteriormente, a Honestidade Perdida e a Honra Pessoal, também amigas das vítimas e suas diletas companheiras no clube recreativo da terceira idade "Brasil acima de Tudo", falida entidade onde, persistentemente, ainda se reúnem uns pingados membros daquela agremiação, denominados eufemisticamente, "os nacionalistas".

Procurados pela imprensa, os parentes das duas indigitadas abriram mão de qualquer indenização e alegaram que, se houvesse, fosse doada para a "Bolsa–Terrorismo", fundo destinado a amparar os terroristas que venham a necessitar de cuidados psicológicos e psiquiátricos, caso algum dia venham a ter problemas de consciência, etc.

Lamentavelmente, nada mais foi dito.

Desconhecem - se, o dia do enterro, cemitério, missas de sétimo dia e outras missas. Somente poucas pessoas, as que possuíam incondicional respeito e admiração pelas dignas anciãs, tomaram conhecimento das datas e locais, para prestarem, em sigilo, as suas respeitosas e sentidas despedidas àquelas saudosas e sempre lembradas personagens, que, ao que parece, um dia fizeram parte do imaginário nacional.

Felizmente, eu fui informado.


Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.








Publicado no site "TERNUMA – Terrorismo Nunca Mais" – Regional Brasília).
Segunda-feira, 08 de junho de 2009.













































O VAIVÉM DOS HELICÓPTEROS
por Maria Lucia Victor Barbosa

A tragédia do voo 447 da Air France continua a repercutir de forma incessante. Dia e noite as TVs se revezam no afã de apresentar o que até agora é inexplicável. Não existem explicações para a causa da queda do avião, uma espécie de Titanic voador mais que perfeito. Não há ainda identificação dos corpos achados. Não foi localizada a caixa preta e é difícil que o seja. Apenas permanece o horror das vidas ceifadas na celeridade de poucos minutos. Soam advertências de como carreiras promissoras, promessas de felicidade, sonhos são sepultados inexoravelmente no túmulo imenso e frio do oceano. A tragédia coletiva relembra de como somos frágeis e impotentes diante da morte.

O terrível acidente, entretanto, é mais do que luto e dor. Serve ao propósito de acobertar fatos inconvenientes para o governo, distrai atenções, alimenta conversas. Não se fala mais da gripe suína. Desapareceram como por encanto dos noticiários as enchentes do nordeste com suas vítimas anônimas. Não se toca na tragédia pessoal dos que morrem cruelmente sem atendimento em corredores de hospitais inadequados. Omite-se o aumento da violência urbana, a ser incrementada especialmente no Rio Grande do Sul porque juízes decretaram que bandido nenhum vai preso porque faltam prisões. Ninguém sabe como anda o caso Cesare Battisti, o terrorista e assassino italiano que o Brasil teima em proteger.

Assuntos, escândalos, espantos aparecem, somem e se perdem rapidamente na memória coletiva, que de resto retém muito pouco do que é noticiado. Desse modo, é de duvidar que ainda se pergunte: Existe mesmo um membro da alta hierarquia do Al-Qaeda vivendo em São Paulo? É verdade que a China tomou nosso comércio com a Argentina, apesar dos negócios da China que Lula da Silva foi fazer com pompas e honras naquelas terras distantes onde autoridades estão se lixando para direitos humanos? Aquele deputado castelão sofreu alguma punição ou foi mais um a se safar entre mensaleiros, sanguessugas, falcatruas num Congresso onde Renan Calheiros é exemplo a ser seguido, e o senador Sarney não sabe se recebe auxílio moradia sem disto necessitar? E sobre a CPI da Petrobrás, que inspira terror pânico aos companheiros presidenciais, vai ser de novo adiada por manobras governamentais? Vai acabar em nada como todas as outras? Para trás, sem abrir, vão ficando as caixas pretas da política nacional.

Além do terrível acidente do Airbus da Air France prevalece no momento outro assunto que entretém a massa: a Copa de 2014. Já se nota que serão cinco longos anos de massacrante e tediosa propaganda. Pão e circo funcionavam na Roma Antiga. No Brasil Futebol e cerveja bastam para a felicidade geral. Diga-se de passagem, que parecemos um país de bêbados, pois em quase todos os acidentes de trânsito se diz que o chofer estava bêbado, como no caso do deputado estadual paranaense, Fernando Ribas Carli Filho que, bêbado, matou dois rapazes e, certamente, ficará impune.

Contrastando com a overdose sobre o acidente aéreo a indiferença do presidente da República. Bem diferente na França onde o presidente Sarkozy, pessoalmente, prestou solidariedade às famílias das vítimas. Lula da Silva estava viajando para variar quando ocorreu a tragédia, mas mesmo em sua volta preferiu enviar seu dedicado chanceler Celso Amorim para prestar condolências em missa celebrada em memória dos que se foram. Tampouco Marco Aurélio Garcia, o mentor de nossa desastrada política externa, se pronunciou. Ainda bem, pois poderia fazer gestos obscenos.

Destacou-se no sinistro episódio o ministro da Defesa, Nelson Jobim, nosso "general da banda" que, fissurado por fardas as enverga sem a menor cerimônia. Idiólatra por natureza, falastrão por excelência, o ministro deixou correr a imaginação e pontificou para o mundo sacudindo uma vareta professoral. Diferente de suas inspeções em navios, quando deu aulas sobre o que não entende, a fala teve repercussão em outros países, mas não como desejava o ministro, pois foi tachado de "bavard". Mais um vexame para nosso bestialógico internacional já bem recheado com os discursos presidenciais.

Na TV, entre helicópteros trazendo restos das vítimas, eis que surge o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em mais um malabarismo verbal ele saudou a queda do PIB no primeiro trimestre, dizendo que foi menor do que esperava. Aproveitou e renovou a promessa de que no próximo trimestre tudo será melhor. O ministro que afirmou que o Brasil cresceria 5% em 2009, não se peja em cair constantemente em contradição. Afinal, quem vai se lembrar do que ele disse? Vale a palavra do presidente: é marolinha e ponto final.

Com Dilma ou Lula em terceiro mandato o PT pretende continuar no poder. Seus marqueteiros sabem que fatos são apenas versões, que mitos podem ser construídos com pinceladas de grossas mentiras. O PT se superou na arte da manipulação e compreendeu que opinião pública não existe. Portanto, para que respeito às vítimas do voo 447 e aos seus familiares? Basta mostrar o vaivém sinistro dos helicópteros e os futuros e virtuais estádios da Copa 2014.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Quarta-feira, 10 de junho de 2009, 11h47.













































Essa viagem para o vazio
por Eugênio Bucci

Para tudo na vida há um poema de Drummond. Para quase tudo na morte, também. Para um desastre aéreo, por exemplo, lá está ele, Carlos Drummond de Andrade, com as palavras necessárias:


"A morte dispôs poltronas para o conforto/ da espera. Aqui se encontram/ os que vão morrer e não sabem." (...)

"Sinto-me natural a milhares de metros de altura,/ nem ave nem mito,/ guardo consciência de meus poderes,/ e sem mistificação eu voo,/ sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,/ ligado à terra pela memória/ e pelo costume dos músculos,/ carne em breve explodindo." (...)

"Ó brancura, serenidade sob a violência/ da morte sem aviso prévio,/ cautelosa, não obstante irreprimível/ aproximação de um perigo atmosférico/ golpe vibrado no ar, lâmina de vento/ no pescoço, raio/ choque estrondo fulguração/ rolamos pulverizados/ caio verticalmente e me transformo em notícia."

Os versos de Morte no avião compareceram, ainda que em silêncio, ao noticiário da semana. Sempre é assim quando somos sobressaltados por um acidente aéreo de proporções tão graves como o do voo 447 da Air France. A gente quase não fala desses versos, talvez para não provocar mais dor sobre a dor já instalada, mas eles estão ali, presentes, doendo. O Airbus A330-200, que sumiu do mapa às 23h14 do domingo, quando sobrevoava o Atlântico, não pousou em Paris, como programado, mas nas páginas dos jornais. Cada uma das 228 pessoas a bordo "caiu verticalmente e se transformou em notícia". Exatamente como Drummond avisa.

A palavra "notícia" fecha o poema como se o cortasse bruscamente. Ela é chave para compreendermos como o jornalismo, nesses casos, nos ajuda a aplacar o sofrimento. No verso final, a palavra "notícia" subverte o que seria a ordem natural das coisas. A "notícia" ocupa o lugar de "cadáver" ou mesmo de "espírito": surge como o destino certo dos que encontram a morte no avião. Dificilmente eles poderão ter um funeral como outros mortos normais, pois seus corpos se perderam. Nessas circunstâncias tão "antinaturais", é pelas manchetes que eles são velados - e é assim, velando-os, que as notícias confortam os que ficam.

Os jornais os velam, verdadeiramente, mas os velam a seu modo: não pelo silêncio, mas pelo excesso de palavras, em letras garrafais. É o que se passa agora, com o voo 447. Os noticiários se desdobram para resgatar não os corpos, mas a biografia das vítimas. Suas histórias e suas fotografias ocupam o lugar dos restos mortais. São elas, as biografias sintéticas e as fotografias, que são pranteadas. A moça que tinha medo de avião - e que, por isso, adiou o embarque por vários dias - está lá. O casal em lua de mel, também. O tripulante brasileiro que falava muitas línguas sorri. Nós os vemos em seus álbuns de família. Os parentes comparecem às mesmas páginas, desolados em saguões. É uma cerimônia fúnebre e ruidosa ao mesmo tempo. É o modo que a notícia tem de fazer seu luto.

Para alguns, a cobertura peca pelo sensacionalismo, mas não é bem assim. Nesses casos, pelo menos, não só assim. A própria poesia de Drummond fala em "choque, estrondo, fulguração", fala em "pulverização" de corpos humanos. Ela chama para si as cores espetaculares da catástrofe. Mais que denunciar "sensacionalismo", ela localiza na notícia a "morada final" desses mortos. A notícia sobre eles cumpriria uma função não declarada de consolar os que sobrevivem, atônitos. Sem o jornalismo nós talvez não tivéssemos como recobrir com palavras o vazio deixado pelos desaparecidos, e sem essas palavras não teríamos como superar a perda. Nessas ocasiões, as notícias seriam, então, o ritual que nos resta.

Assim é que, diante do que se passou com o voo AF 447, os jornais não descansam. Não conseguiriam descansar. As reportagens, as entrevistas com os especialistas - entrevistas exaustivas, mais que exclusivas -, as revelações das investigações sobre as causas do acidente, tudo se multiplica. Os jornais lidam com o trauma quase insuportável deixado por um avião que cai do ar e depois naufraga no oceano. Eles representam uma ansiedade que é de todos: a ansiedade de explicar o inexplicável, de processar a aceitação do inaceitável, simbolizar um sepultamento que na prática é inviável.

Na capa dos jornais de ontem apareceu a foto de um militar francês que, da janela de uma aeronave, olhava para o mar, com binóculos. Procurava sinais. Olhava para o que ainda não enxerga. Tentava ver o invisível. Estamos todos assim, à espera de um sinal, de uma forma de decifrar o desastre, precisamos de algo que nos convença de que existe, em algum lugar, de algum modo, uma explicação para o que aconteceu, uma falha mecânica, um erro humano. Precisamos de algo que nos autorize a acreditar que tudo não passou de um lamentável engano, uma distração que poderia ter sido evitada pela técnica e pela ciência.

Ainda ontem, no meio do dia, surgiram pistas: uma mancha de óleo, um objeto de sete metros de diâmetro, estilhaços flutuantes. A isso nos vamos apegar, a partir de agora. O noticiário vai-se abastecer desses resquícios e das ilações que eles permitirem. É assim que as notícias cuidarão de fechar a ferida que nos pôs cara a cara com o vazio que engoliu o Airbus 330-200. Cuidarão de soterrá-la. Quanto mais elas falarem do avião, menos pensaremos sobre o pesadelo que elas encobrem. Depois, a comoção vai passar. Aos poucos, saturados de notícias, nós vamos nos esquecer do acidente, do poema de Drummond e do vazio que nos espreita.


Eugênio Bucci é professor-doutor da Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade.







Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Opinião).
Quinta-feira, 04 de junho de 2009.









































Aproveite bem o seu dia
por Adriano Silva

Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.

Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.

Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Nem jogue seu lixo no ambiente. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. Só existe o hoje.






Adriano Silva é jornalista e publisher do "Gizmodo Brasil". Ele escreve sobre perplexidades, descobertas e insights que acontecem todo dia no mundo do trabalho e fora dele também. Adriano é o editor responsável pelo blog "Manual do Executivo Ingênuo".  E-mail: adriano@gizmodo.com.br






Publicado no blog "Manual do Executivo Ingênuo" – "Portal Exame".
Quinta-feira,04 de junho de 2009, 14h00.





O ministro insensato, o sino sumido e a Constituição violentada – Augusto Nunes




Tuesday, June 09, 2009

MONSIEUR "BAVARD" EM UM PAÍS COM HÍMEN COMPLACENTE.






























França elogia militares brasileiros
Apesar dos disparates do ministro Nelson "Jim das Selvas" Jobim (Defesa), virou unanimidade entre os leitores dos principais jornais franceses a atuação da Marinha e da Aeronáutica do Brasil na tragédia do voo 447. São só elogios pela rapidez e seriedade de nossos militares, ironizando a lentidão nas buscas do governo francês com mais recursos e equipamento moderno. Muitos agradecem, comovidos, aos brasileiros.

Publicado no site "claudiohumberto.com.br".
Quarta-feira 10 de junho de 1009, 00h00.


ENTENDEU MONSIEUR "BAVARD", OU PRECISA DESENHAR? MILITARES!
Aqueles que Vossa Excremência nunca foi , não é, como também nunca será!



O ministro insensato, o sino sumido e a Constituição violentada
por Augusto Nunes

Em outubro de 2003, o Brasil foi confrontado com um crime que, praticado 15 anos antes pelo deputado constituinte Nelson Jobim, assumiu dimensões bem mais perturbadoras ao ser revelado por um Nelson Jobim já vestindo a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Com a naturalidade de quem explica por que prefere chimarrão a café, o ex-parlamentar do PMDB gaúcho confessou ter infiltrado na Constituição de 1988, cujo texto definitivo lhe coube redigir, dois artigos que não haviam sido votados, muito menos discutidos no plenário.

Se o país tivesse juízo, a reação indignada obrigaria Jobim a devolver a toga, identificar os textos contrabandeados (para que fossem prontamente expurgados), pedir perdão ao povo em geral e a seus eleitores em particular, voltar aos Rio Grande do Sul e ali ficar à espera da intimação para explicar-se no tribunal. Se o Brasil fosse sensato, milhões de cidadãos ultrajados estariam tentando entender como pôde quem faz uma coisa dessas ter virado ministro da Justiça e depois ministro da corte incumbida de decidir o que é ou não é constitucional.

Como o país não tem juízo e raramente é sensato, fez de conta que Jobim continuava, na terceira idade, tão brincalhão quanto o estudante de direito que fez parte do grupo que furtou o sino da faculdade e, em vez de devolver o símbolo da instituição, transformou-o em troféu de uma confraria de marmanjos. Nações com hímen complacente não gritam nem quando a Constituição é afrontada.

Três dias depois da revelação, o réu confesso voltou espontaneamente ao tema para garantir que não agira sozinho. As infiltrações ilegais, alegou, foram encomendadas pelo deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembléia Nacional Constituinte morto no começo dos anos 90. Ulysses não viveu para confirmar ou desmentir a versão que o reduz a mandante do crime de falsificação de documento público.

Por se achar muito brincalhão, ele costuma tratar coisas sérias com a leviandade do garotão que ajudou a fundar a Ordem do Sino. Brinca de general, almirante, brigadeiro, até já incorporou o herói de araque Jobim das Selvas para duelar com a sucuri. Era previsível que acabasse brincando com o que mata, fere, espanta, dói, atormenta, traumatiza. Um acidente aéreo apavorante, por exemplo.


Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes, dos jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Zero Hora, além de diretor-executivo do Jornal do Brasil. Foi também apresentador do programa Roda Vida da TV Cultura e do programa "Verso & Reverso" da TVJB. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganho por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente, Nunes escreve uma coluna na edição eletrônica da Revista VEJA.




Publicado na seção Direto ao Ponto da "Coluna do Augusto Nunes".
Sábado, 06 de junho de 2009.



UMA BOIAÇU PARA DOIS BOIOLAS.











































Franceses criticam as declarações de Jobim.
por Andrei Netto (Paris)

Ministro da Defesa descartou explosão ou incêndio, mas investigadores e especialistas são mais prudentes.

As declarações do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, anteontem, descartando as hipóteses de uma explosão e de um incêndio no Airbus A330-200 foram vistas com ceticismo e críticas, ontem, na França, antes mesmo de a Marinha confirmar que os destroços recolhidos não eram do avião da Air France. Enquanto as autoridades dizem que nenhuma hipótese pode ser descartada, especialistas reiteraram que, mesmo em caso de explosão, o combustível transportado pela aeronave poderia não se pulverizar no oceano.

Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira no Rio de Janeiro, Jobim afirmou que a concentração de óleo em uma mancha no Oceano Atlântico - que depois foi descartada como sendo do avião - indicaria que o Airbus teria colidido contra a água e não se partido em pleno voo. "A existência de mancha de óleo pode eventualmente excluir uma explosão", avaliou Jobim.

Em Paris, a declaração repercutiu na imprensa porque, pela primeira vez, uma autoridade de um dos dois países envolvidos no caso descartou hipóteses relacionadas às causas do acidente com o voo AF 447. Procurada pelo Estado, a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA) se recusou a comentar a posição de Jobim. O órgão é o responsável pela investigação, já que o desastre aconteceu em águas internacionais e com avião matriculado na França.

Na manhã de quarta-feira, Paul-Louis Arslanidan, diretor da entidade, havia reafirmado que nenhuma hipótese poderia ser descartada no atual momento das investigações, antes da recuperação dos primeiros destroços e das caixas-pretas.

O silêncio também foi adotado pelo porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da França, Patrick Prazuck. Segundo ele, a instituição não se envolverá em questões técnicas, relativas à investigação do acidente, nem se posicionará sobre as declarações do ministro brasileiro.

Entre especialistas, a presteza com que Jobim descartou a possibilidade de uma explosão no Airbus A330 gerou críticas. Para Eric Derivry, porta-voz do Sindicato de Pilotos da França e comandante de um aparelho idêntico ao destruído no acidente, os comentários do ministro podem, mais do que serem precipitados, serem errados.

"Mesmo quando uma aeronave sofre uma explosão em pleno voo, partes importantes de sua fuselagem podem ficar inteiras. Este pode ter sido o caso dos reservatórios de querosene", estimou. "Eles podem não ter sido fragmentados até o choque com o mar, o que explicaria um vazamento posterior e uma mancha."

FALADOR?

A velocidade das conclusões do ministro Jobim também foi explorada pela imprensa do país. A maior parte dos veículos se agarrou à informação como um passo à frente nas investigações. Outros foram mais céticos. Na emissora de TV TF1, a mais importante rede da França, Jobim foi chamado de "bavard", que em francês significa "indiscreto" ou "falador". Na concorrente France 2, uma reportagem afirmou que "a França é mais prudente antes de falar".


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Cidades - Metrópole).
Sexta-feira, 05 de junho de 2009.










Jobim das Selvas ressurge no papel de especialista em desastres aéreos – Augusto Nunes





MONSIEUR "BAVARD" EM UM PAÍS COM HÍMEN COMPLACENTE.

Friday, June 05, 2009

Buscas ao Airbus: Agora vai… No comando o "almirante", "general" e
"brigadeiro" Jobim das Selvas. SERIA CÔMICO, SE NÃO FOSSE TRÁGICO!

Foto: Interpretando o personagem de piloto de C-130 Hercules, o multíloquo Nelson "ximango" Jobim.






























Jobim das Selvas ressurge no papel de especialista em desastres aéreos
por Augusto Nunes

Com uma farda de guerreiro da floresta no lugar do terno cinza-Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, invadiu Manaus no fim de 2007. Se tivesse um punhado de anos e algumas arrobas a menos, provavelmente teria aparecido fantasiado de Tarzan. Como o calendário e a balança o aconselharam a contentar-se com a imitação de Johnny Weissmuller já no crepúsculo da carreira, infiltrou duas letras no prenome do herói de cinema, transformou-se em Jobim das Selvas, proclamou que "a Amazônia tem dono", colocou em fuga uma tropa de saguis, reduziu uma sucuri de quartel a prisioneira de guerra, declarou-se vitorioso e voltou a Brasília. Mais um que não perde chance de ser ridículo, sorriu o país atormentado pelo apagão aéreo a caminho do 1° aniversário.

Oito meses antes, no discurso de posse, o combativo gaúcho decolou no quinto parágrafo com a excitação de um piloto de caça na metade da pista do porta-aviões. Até então, tratara de justificar a fama de doutor muito sabido com a evocação de episódios protagonizados por nomes de rodovias, ruas, praças e avenidas. A aula foi encerrada com a frase atribuída a Benjamin Disraeli, duas vezes primeiro-ministro do império britânico no fim do século 19. "Never complain, never explain, never apologise", caprichou. Caridoso com os muitos monoglotas presentes, cuidou de traduzir: "Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe".

Então, já no papel de brigadeiro encarregado de livrar do colapso a aviação civil, arremeteu espetacularmente: "Aja ou saia, faça ou vá embora". Formulada pela figura com mais de 100 quilos esparramados por quase 2 metros, a ameaça soou como um ultimato tremendo, quem tivesse culpa no cartório que se cuidasse, começaria naquele momento a contra-ofensiva reclamada pelo país desde outubro de 2006. Andorinhas voaram de costas, urubus ficaram brancos de medo, flagelados dos aeroportos correram para os portões de embarque, nuvens fugiram do céu ─ até ficar claro que Jobim não prestara atenção no próprio berreiro. Não agiu nem saiu. Não fez mas ficou. Só foi para a Amazônia brincar de encantador de sucuris.

Seis meses depois dos combates na mata, cada vez mais aflito com os sucessivos fiascos na guerra contra o apagão, foi embora de novo, agora para a França. No verão europeu de 2008, escoltado pelo ordenança Roberto Mangabeira Unger, ministro de problemas futuros, Jobim baixou em Paris fantasiado de almirante, submergiu num submarino, voltou à terra firme para deslocar-se até Moscou, fez cara de freguês exigente ao passar em revista a frota de submarinos russos, disse aos anfitriões ansiosos que precisava pensar melhor no negócio e retornou ao Brasil.

Sempre condescendentes, os compatriotas incluíram Jobim na categoria dos inimputáveis, ao lado dos loucos mansos, dos doidos de pedra e dos napoleões de hospício. Livre de vigilância, enfim resolveu agir e fazer. Negociou a venda de 300 mísseis ao Paquistão, divorciado desde a infância da vizinha Índia e em permanente noivado com terroristas, reiterou que o Brasil não assinaria o tratado que proíbe a fabricação de bombas de fragmentação e desapareceu nas coxias. Voltou repentinamente ao palco a bordo do acidente com a avião da Air France, desta vez no papel de especialista em desastres aéreos.

"A FAB detectou no mar uma faixa de cinco quilômetros com destroços de um avião. Não há dúvidas: são destroços do avião da Air France", decretou durante uma espantosa entrevista coletiva. "O que estamos fazendo aqui é a localização de sobreviventes, ou melhor, de restos", começou a procissão de atentados à inteligência, ao bom-senso e à compaixão. "Além dos corpos afundarem, a costa de Pernambuco tem o problema que vocês sabem", jogou a isca. Um jornalista mordeu: era alguma referência a tubarões? "Sim", respondeu Jobim, para produzir em seguida uma inverossímil dissertação sobre ruptura de abdomes. Há dois anos, Jobim sabia apenas que as poltronas dos aviões deveriam ser bem mais largas. "Um homem com o meu tamanho não cabe nelas", queixou-se. Já aprendeu um pouco mais, comprovou a entrevista. Mas não aprendeu a ter juízo.

Nem precisa aprender. No Brasil imerso na Era da Mediocridade, sensatez virou coisa de tempos remotos. Tanto assim que um Nelson Jobim foi deputado federal, chefiou o Supremo Tribunal Federal, hoje é ministro da Defesa e continua sonhando com a presidência da República. Por que não?


Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes, dos jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Zero Hora, além de diretor-executivo do Jornal do Brasil. Foi também apresentador do programa Roda Vida da TV Cultura e do programa "Verso & Reverso" da TVJB. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganho por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente, Nunes escreve uma coluna na edição eletrônica da Revista VEJA.




Publicado na seção Direto ao Ponto da "Coluna do Augusto Nunes".
Quinta-feira, 04 de junho de 2009.




A Al-Qaeda examina ataque biológico a partir do México.




Monday, June 01, 2009

AIR FRANCE FLIGHT AF 447 (RIO – PARIS)

































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F-GZCP – First flight under the flag of the Air France

Foto acima: O Airbus A330-203 (F-GZCP), número de série 660, decolando do aeroporto de Toulouse-França em 05 de abril de 2005, logo após haver sido entregue pela Airbus Industrie para a primeira operação sob a incumbência da Air France. Até a presente data, a aeronave já havia cumprido um total de 2500 vôos e voado aproximadamente 18.000 horas.

Photo above: The Airbus A330-203 (F-GZCP), serial number 660, taking off the airport of Toulouse, France on April 05, 2005 after having been delivered by Airbus Industrie for the first operation under the responsibility of Air France. To date, the aircraft had completed a total of 2,500 flights and flown approximately 18,000 hours.



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Click AQUI para ver esta foto, uma das mais recentes da aeronave F-GZCP (Alta Resolução - 1600 x 1056).
Click HERE to see this photo, one of the most recent of the aircraft F-GZCP (High Resolution - 1600 x 1056).



Aircraft Description
















































BANALIDADE DO MAL – Maria Lucia Victor Barbosa





Wednesday, August 08, 2007

As circunstâncias é que determinam a causa.

"SE QUEDEN TRANQUILES": Lula em 04/04/2007, 104 dias antes da tragédia do vôo 3054.































O culpado é o mordomo
por João Nemo

O governo Lulla é uma coletânea interminável de paradoxos. Nunca tivemos um presidente tão ignorante e nunca algum tão apoiado por pretensos intelectuais e “produtores culturais”. Quem acha que Lulla é uma criação do povão inculto tem memória curta. Foi produto típico do meio sindical tornado mito por professores universitários, artistas, escritores e outros ditos “formadores de opinião”. Ouvi, várias vezes, pessoas semi-analfabetas dizerem às vésperas de eleições: "de ignorante já basta eu". A máquina de parasitismo ainda não havia alcançado escala que lhe permitisse distribuir “argumentos” da maneira como faz hoje. Mas o fato é que com empenho de uns e conivência de muitos o artefato está aí; tem e terá lamentáveis conseqüências para esta geração de brasileiros e, sendo muito otimista, pelo menos para mais uma. Não se instala impunemente a minuciosa teia de dominação que vem sendo construída e muito menos se escapa às seqüelas dos métodos que vêm sendo utilizados. Quando sairmos do governo Lulla – vejam que continuo otimista – talvez seja possível corrigir muitos rumos equivocados, mas algumas coisas poderão estar definitivamente destruídas.

No momento, como nunca antes neste país, estamos nos transformando em especialistas em tráfego aéreo. Já somos todos técnicos de futebol; tornamo-nos mestres em economia a partir da hiperinflação; e agora nos dedicaremos, durante um bom tempo, ao novo assunto falando em “grooving”, malha aérea, manete, “spoilers”, reverso etc. As razões, desta vez, são as mais tristes possíveis, mas desde o primeiro momento, a grande preocupação da troupe que nos domina se resumiu em “tirar o seu da reta” para usar a linguagem que eles tanto apreciam e praticam, inclusive no gestual. Não digo isso agora. No artigo publicado em 19 de julho, logo após o acidente de Congonhas, comentei: a primeira medida do "planalto” foi uma reunião de emergência com três ministros de confiança, particularmente o da Comunicação Social, entenda-se “propaganda e contra-informação". Naturalmente eu não imaginava que essa coisa chegaria ao ponto de assistirmos dois aspones comemorando a nota esperada por eles no Jornal Nacional e que falava do tal reverso.

Pouco a pouco, uma fatia por vez, irão surgindo dados que nos levarão, ao fim e ao cabo, às evidências de que o verdadeiro culpado pelo acidente de Congonhas é o mordomo, ou seja, o piloto. Desta feita não dispomos de mordomos estrangeiros para acusar, então, teremos que nos contentar com o produto nacional mesmo. Pouco importa se tinha um milhão de horas de vôo e se era o principal interessado em não se espatifar. Nos últimos segundos terá sido ele que errou.

Quem conhece alguma coisa a respeito de grandes catástrofes, ou mesmo de acidentes comuns, sabe que dificilmente um único fator leva ao desfecho. Há sempre uma porção de “se” que poderiam ter evitado a tragédia. Mesmo que no momento final alguém tenha errado por ação ou omissão isso, isoladamente, não explica o ocorrido. Sabe-se também que desordem, confusão, disfunções nos processos de trabalho, concessões em procedimentos sob pressão, tolerâncias indevidas, referências decisórias confusas, negação parcial de limites etc. compõem, entre outras coisas, o ambiente ideal para ocorrências indesejáveis, incidentes e acidentes. Não é preciso ser um especialista: uma boa professora primária sabe que bagunça na sala ou no pátio facilita acidentes com as crianças.

Quando ocorreu o famoso desastre da nave espacial Challenger nos Estados Unidos, o relatório final do inquérito apontava as falhas técnicas e de projeto identificadas, mas demonstrava que a base fundamental do ocorrido estava num sistema de gestão equivocado e nos defeitos do processo decisório. Nós, ninguém mais se lembra, já cometemos a façanha inédita de matar mais de vinte pessoas com um foguete no chão e desligado. Na ocasião, o nosso presidente agradeceu as condolências da comitiva ucraniana com uma das suas pérolas: "há males que vêm para bem". Um contraste considerável com o pronunciamento* do então Presidente Reagan que se tornaria um clássico.

Diversas ocorrências desnudam a natureza das prioridades e o perfil de caráter dessa gente em cujas mãos, infortunadamente, a nossa deplorável maneira de fazer política colocou os destinos do país e de nós mesmos. A primeira foi a já comentada preocupação imediata de defesa da imagem, patrimônio que consideram o bem mais valioso dos seus ativos e que a reunião de primeira hora revelava; segunda, aquela cena flagrada dos gestos obscenos, cuja verdadeira imoralidade está menos nos gestos do que na mentalidade que os motivou. Terceira,... bem... a terceira ocorrência talvez o futuro nos revele: quem será que "vazou" dados parciais de gravação da caixa-preta para a imprensa ferindo, pela antecipação, inclusive tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário? Que Deus me perdoe os maus pensamentos.

Assim como na novela do mensalão, um razoável número de membros do formigueiro poderão ser sacrificados, desde que se preserve a saúva rainha. Esse sacrifício é sempre bem recompensado, pois deixar ressentidos pelo caminho é perigoso. A imprensa costuma comentar as supostas dificuldades do apedeuta em demitir “companheiros” mas creio que o problema é outro. É preciso prudência e garantias de que o bom cabrito não berre.

Quando nada de mais lamentável parecia possível, o presidente Callamares não resistiu e voltou à sua justificativa predileta: "não sabia" que o problema aéreo brasileiro era tão sério. Incrível! Quando é que essa figura vai saber de alguma coisa? E ainda culpou, de certa forma, os adversários porque nas cinco eleições que disputou a questão não teria sido comentada. Eu também acho que a oposição é um bocado omissa, mas essa agora é de cabo de esquadra. Como é que na cabeça de um petralha ou filopetralha cabe, concomitantemente, a idéia de que Callamares é minimamente capaz para ser presidente, mas consegue ignorar a seriedade e complexidade de algo que vem assolando o país há, pelo menos, um ano? Tudo bem: ele dispõe do Aerolulla onde só viaja rodeado de puxa-sacos. Deve ser isso.

Os dois acidentes ocorridos representam o traço mais dramático e dolorido dessa confusão geral em que o país está metido, visível com mais clareza em áreas e aspectos cuja natureza crítica não permite camuflagem. A praga de gafanhotos está, com certeza, presente em muitas outras áreas menos visíveis e menos críticas. O imbróglio representa, também, uma demonstração didática do que acontece quando grandes empresas passam a viver de lobby. Há um preço pesado a pagar, inclusive para elas próprias, quando algo dá errado. Não adianta querer, depois, dizer que a culpa é do mordomo.



João de Oliveira Nemo é sociólogo e consultor de empresas em desenvolvimento gerencial.








Publicado no site MídiaSemMáscara.
Terça-feira, 07 de agosto de 2007


* Refere-se ao discurso do Presidente dos EUA, Ronald Reagan proferido em 28 de janeiro de 1986, devido a tragédia ocorrida com a explosão do ônibus espacial "Challenger", na qual morreram sete astronautas. (P.N.)

Para ler o discurso acima citado (original em inglês), click aqui.


Friday, July 20, 2007

Cenário de uma catástrofe mais que evidente.

Foto: © Copyright by TT – Air Team Images - PLANEPICTURES.NET




























Click aqui para ver a imagem ampliada.


IRRESPONSABILIDADE ASSASSINA
por Maria Lucia Victor Barbosa

Mais uma vez o luto e a dor se abatem sobre o País. Em setembro do ano passado foram 154 mortos no que se chamou de pior desastre da aviação brasileira. Nenhuma providência foi tomada pelas autoridades para resolver o caos aéreo. Apenas promessas vagas. Simulações de ordens partindo do presidente da República. Eleição de culpados como pilotos norte-americanos ou cachorro na pista. Bilhões gastos no PAN. Nenhum recurso para renovação dos aparelhos de controle aéreo. Nenhum treinamento para novos controladores de vôo. Obras suspeitas de superfaturamento em Congonhas.

Agora o pior acidente foi superado. Já se fala em quase 200 mortos, incluindo as pessoas que estavam no prédio da TAM. Mais uma vez emerge claramente a incompetência assassina, a indiferença brutal, a covardia das esquivas, o cinismo das explicações que não explicam. Tudo isso não vem do botequim da esquina, mas das autoridades constituídas que incluem, naturalmente, o presidente da República.

Onde está o sempre confuso e inoperante ministro da Defesa? Onde está o comandante da Aeronáutica para dar explicações adequadas à Nação? Onde estão os responsáveis pela Infraero e pela Anac? Onde está o presidente da República, que tão afeito a luzes e câmaras, a constantes aparições televisivas desta vez não entrou em cadeia de rádio e televisão para consolar as famílias enlutadas? Ou avião é coisa de rico e ele só se dirige aos pobres, aos grotões que digerem facilmente seu gesticular furioso e alucinado, que se empolgam com seus esgares e com seu palavreado chulo próprio dos demagogos que, sedutores de massas entusiasmam os mais carentes? As autoridades (in)competentes estão mergulhados em silêncio ensurdecedor.

Será que o presidente Lula da Silva não aparece por estar de ressaca cívica depois das vaias recebidas no Maracanã de 90 mil gargantas? Pode ser, pois, em que pesem as teorias delirantes e sem nexo dos seus áulicos, dos ptbulls hidrófobos que tentam explicar o monumental apupo, LILS sabe que por uns momentos, os mais constrangedores pelos quais já passou, ficou nu como o rei da história. O gigantesco palanque constituído para sua apoteose triunfal no PAN falhou miseravelmente. Simplesmente porque não houve controle oficial. Aquilo foi diferente dos auditórios fechados, das platéias selecionadas, das claques que o aplaudem em comícios encomendados e em inaugurações planejadas. E ele deve saber que a perniciosa e venenosa tese da “elite branca” especialmente postada no Maracanã para vaiá-lo, não passa de um blefe ideologicamente imbecil dos companheiros.

Por tudo isso, quem sabe, Sua Excelência está sem ânimo para se dirigir aos brasileiros nesse momento de tanta dor. Prefere convocar uma reunião no Palácio e chamar alguns de seus auxiliares. Eles discutem como poderão tirar partido da desgraça para exaltar ainda mais a figura luminosa do salvador da pátria. Decreta-se luto oficial. Aposta-se no esquecimento rápido de mais essa tragédia. Pede-se tempo para averiguar os fatos. Elabora-se algumas teorias idiotas para justificar o acidente, e pronto. E só aguardar a próxima queda de avião, porque a continuar a incompetência assassina governamental o horror irá fatalmente se repetir.

Pena que agora não tem pilotos americanos para levarem a culpa. Mas não é difícil incriminar o piloto que não conseguiu frear o avião. Alguém tem que ser culpado. Menos a Aeronáutica, a Infraero, a Anac, o tartamudeante ministro da Defesa e, principalmente, o presidente da República. Este, além de ser infalível como o Papa, de nada sabe, nada vê, por nada é responsável. Se fosse outro o presidente o que fariam os petistas? No mínimo pediriam o impeachment. Lula, porém, é intocável.

Mas quantos ainda morrerão assassinados oficialmente pela incompetência das autoridades? Não se sabe. Melhor recorrer às estradas. Mas com muito cuidado porque estão em péssimo estado. Como tudo nesse governo, a operação tapa-buraco na última campanha presidencial foi uma farsa. Mais uma como o fracassado Programa Fome Zero ou seu substituto Bolsa Família que tem problemas de fraudes em 90% das cidades recentemente auditadas. Sem falar nas inexistentes PPPs e outras propagandas enganosas.

Nas estradas ainda há chance de sobreviver. Nos aviões é quase impossível. Ainda que os pilotos sejam de uma habilidade e de uma competência incríveis para poder contornar todos os perigos oriundos do controle aéreo, das pistas molhadas, etc. Eis a condição dos meios de transporte num país com as dimensões do Brasil. E o presidente da República ainda tem o desplante de dizer que nunca estivemos tão bem desde a Proclamação da República.

Curva-se de dor o Brasil nesse momento. Até quando se curvará a pátria diante dos desmandos que ora presenciamos? Até quando os brasileiros serão enganados, intoxicados com a propaganda petista? O que somos, um rebanho imbecilizado ou um povo capaz de cobrar de seus governantes o cumprimento dos deveres para os quais os elegemos? Quantos ainda morrerão em desastres aéreos para que o Brasil possa acordar dessa letargia idiotizante?



Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo “O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem” e “América Latina – Em busca do Paraíso Perdido”.
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Quinta-feira, 19 de julho de 2007, 12h43.



 
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