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Tuesday, June 09, 2009

MONSIEUR "BAVARD" EM UM PAÍS COM HÍMEN COMPLACENTE.






























França elogia militares brasileiros
Apesar dos disparates do ministro Nelson "Jim das Selvas" Jobim (Defesa), virou unanimidade entre os leitores dos principais jornais franceses a atuação da Marinha e da Aeronáutica do Brasil na tragédia do voo 447. São só elogios pela rapidez e seriedade de nossos militares, ironizando a lentidão nas buscas do governo francês com mais recursos e equipamento moderno. Muitos agradecem, comovidos, aos brasileiros.

Publicado no site "claudiohumberto.com.br".
Quarta-feira 10 de junho de 1009, 00h00.


ENTENDEU MONSIEUR "BAVARD", OU PRECISA DESENHAR? MILITARES!
Aqueles que Vossa Excremência nunca foi , não é, como também nunca será!



O ministro insensato, o sino sumido e a Constituição violentada
por Augusto Nunes

Em outubro de 2003, o Brasil foi confrontado com um crime que, praticado 15 anos antes pelo deputado constituinte Nelson Jobim, assumiu dimensões bem mais perturbadoras ao ser revelado por um Nelson Jobim já vestindo a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Com a naturalidade de quem explica por que prefere chimarrão a café, o ex-parlamentar do PMDB gaúcho confessou ter infiltrado na Constituição de 1988, cujo texto definitivo lhe coube redigir, dois artigos que não haviam sido votados, muito menos discutidos no plenário.

Se o país tivesse juízo, a reação indignada obrigaria Jobim a devolver a toga, identificar os textos contrabandeados (para que fossem prontamente expurgados), pedir perdão ao povo em geral e a seus eleitores em particular, voltar aos Rio Grande do Sul e ali ficar à espera da intimação para explicar-se no tribunal. Se o Brasil fosse sensato, milhões de cidadãos ultrajados estariam tentando entender como pôde quem faz uma coisa dessas ter virado ministro da Justiça e depois ministro da corte incumbida de decidir o que é ou não é constitucional.

Como o país não tem juízo e raramente é sensato, fez de conta que Jobim continuava, na terceira idade, tão brincalhão quanto o estudante de direito que fez parte do grupo que furtou o sino da faculdade e, em vez de devolver o símbolo da instituição, transformou-o em troféu de uma confraria de marmanjos. Nações com hímen complacente não gritam nem quando a Constituição é afrontada.

Três dias depois da revelação, o réu confesso voltou espontaneamente ao tema para garantir que não agira sozinho. As infiltrações ilegais, alegou, foram encomendadas pelo deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembléia Nacional Constituinte morto no começo dos anos 90. Ulysses não viveu para confirmar ou desmentir a versão que o reduz a mandante do crime de falsificação de documento público.

Por se achar muito brincalhão, ele costuma tratar coisas sérias com a leviandade do garotão que ajudou a fundar a Ordem do Sino. Brinca de general, almirante, brigadeiro, até já incorporou o herói de araque Jobim das Selvas para duelar com a sucuri. Era previsível que acabasse brincando com o que mata, fere, espanta, dói, atormenta, traumatiza. Um acidente aéreo apavorante, por exemplo.


Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes, dos jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Zero Hora, além de diretor-executivo do Jornal do Brasil. Foi também apresentador do programa Roda Vida da TV Cultura e do programa "Verso & Reverso" da TVJB. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganho por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente, Nunes escreve uma coluna na edição eletrônica da Revista VEJA.




Publicado na seção Direto ao Ponto da "Coluna do Augusto Nunes".
Sábado, 06 de junho de 2009.



UMA BOIAÇU PARA DOIS BOIOLAS.











































Franceses criticam as declarações de Jobim.
por Andrei Netto (Paris)

Ministro da Defesa descartou explosão ou incêndio, mas investigadores e especialistas são mais prudentes.

As declarações do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, anteontem, descartando as hipóteses de uma explosão e de um incêndio no Airbus A330-200 foram vistas com ceticismo e críticas, ontem, na França, antes mesmo de a Marinha confirmar que os destroços recolhidos não eram do avião da Air France. Enquanto as autoridades dizem que nenhuma hipótese pode ser descartada, especialistas reiteraram que, mesmo em caso de explosão, o combustível transportado pela aeronave poderia não se pulverizar no oceano.

Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira no Rio de Janeiro, Jobim afirmou que a concentração de óleo em uma mancha no Oceano Atlântico - que depois foi descartada como sendo do avião - indicaria que o Airbus teria colidido contra a água e não se partido em pleno voo. "A existência de mancha de óleo pode eventualmente excluir uma explosão", avaliou Jobim.

Em Paris, a declaração repercutiu na imprensa porque, pela primeira vez, uma autoridade de um dos dois países envolvidos no caso descartou hipóteses relacionadas às causas do acidente com o voo AF 447. Procurada pelo Estado, a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA) se recusou a comentar a posição de Jobim. O órgão é o responsável pela investigação, já que o desastre aconteceu em águas internacionais e com avião matriculado na França.

Na manhã de quarta-feira, Paul-Louis Arslanidan, diretor da entidade, havia reafirmado que nenhuma hipótese poderia ser descartada no atual momento das investigações, antes da recuperação dos primeiros destroços e das caixas-pretas.

O silêncio também foi adotado pelo porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da França, Patrick Prazuck. Segundo ele, a instituição não se envolverá em questões técnicas, relativas à investigação do acidente, nem se posicionará sobre as declarações do ministro brasileiro.

Entre especialistas, a presteza com que Jobim descartou a possibilidade de uma explosão no Airbus A330 gerou críticas. Para Eric Derivry, porta-voz do Sindicato de Pilotos da França e comandante de um aparelho idêntico ao destruído no acidente, os comentários do ministro podem, mais do que serem precipitados, serem errados.

"Mesmo quando uma aeronave sofre uma explosão em pleno voo, partes importantes de sua fuselagem podem ficar inteiras. Este pode ter sido o caso dos reservatórios de querosene", estimou. "Eles podem não ter sido fragmentados até o choque com o mar, o que explicaria um vazamento posterior e uma mancha."

FALADOR?

A velocidade das conclusões do ministro Jobim também foi explorada pela imprensa do país. A maior parte dos veículos se agarrou à informação como um passo à frente nas investigações. Outros foram mais céticos. Na emissora de TV TF1, a mais importante rede da França, Jobim foi chamado de "bavard", que em francês significa "indiscreto" ou "falador". Na concorrente France 2, uma reportagem afirmou que "a França é mais prudente antes de falar".


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Cidades - Metrópole).
Sexta-feira, 05 de junho de 2009.










Jobim das Selvas ressurge no papel de especialista em desastres aéreos – Augusto Nunes





MONSIEUR "BAVARD" EM UM PAÍS COM HÍMEN COMPLACENTE.

Friday, June 05, 2009

Buscas ao Airbus: Agora vai… No comando o "almirante", "general" e
"brigadeiro" Jobim das Selvas. SERIA CÔMICO, SE NÃO FOSSE TRÁGICO!

Foto: Interpretando o personagem de piloto de C-130 Hercules, o multíloquo Nelson "ximango" Jobim.






























Jobim das Selvas ressurge no papel de especialista em desastres aéreos
por Augusto Nunes

Com uma farda de guerreiro da floresta no lugar do terno cinza-Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, invadiu Manaus no fim de 2007. Se tivesse um punhado de anos e algumas arrobas a menos, provavelmente teria aparecido fantasiado de Tarzan. Como o calendário e a balança o aconselharam a contentar-se com a imitação de Johnny Weissmuller já no crepúsculo da carreira, infiltrou duas letras no prenome do herói de cinema, transformou-se em Jobim das Selvas, proclamou que "a Amazônia tem dono", colocou em fuga uma tropa de saguis, reduziu uma sucuri de quartel a prisioneira de guerra, declarou-se vitorioso e voltou a Brasília. Mais um que não perde chance de ser ridículo, sorriu o país atormentado pelo apagão aéreo a caminho do 1° aniversário.

Oito meses antes, no discurso de posse, o combativo gaúcho decolou no quinto parágrafo com a excitação de um piloto de caça na metade da pista do porta-aviões. Até então, tratara de justificar a fama de doutor muito sabido com a evocação de episódios protagonizados por nomes de rodovias, ruas, praças e avenidas. A aula foi encerrada com a frase atribuída a Benjamin Disraeli, duas vezes primeiro-ministro do império britânico no fim do século 19. "Never complain, never explain, never apologise", caprichou. Caridoso com os muitos monoglotas presentes, cuidou de traduzir: "Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe".

Então, já no papel de brigadeiro encarregado de livrar do colapso a aviação civil, arremeteu espetacularmente: "Aja ou saia, faça ou vá embora". Formulada pela figura com mais de 100 quilos esparramados por quase 2 metros, a ameaça soou como um ultimato tremendo, quem tivesse culpa no cartório que se cuidasse, começaria naquele momento a contra-ofensiva reclamada pelo país desde outubro de 2006. Andorinhas voaram de costas, urubus ficaram brancos de medo, flagelados dos aeroportos correram para os portões de embarque, nuvens fugiram do céu ─ até ficar claro que Jobim não prestara atenção no próprio berreiro. Não agiu nem saiu. Não fez mas ficou. Só foi para a Amazônia brincar de encantador de sucuris.

Seis meses depois dos combates na mata, cada vez mais aflito com os sucessivos fiascos na guerra contra o apagão, foi embora de novo, agora para a França. No verão europeu de 2008, escoltado pelo ordenança Roberto Mangabeira Unger, ministro de problemas futuros, Jobim baixou em Paris fantasiado de almirante, submergiu num submarino, voltou à terra firme para deslocar-se até Moscou, fez cara de freguês exigente ao passar em revista a frota de submarinos russos, disse aos anfitriões ansiosos que precisava pensar melhor no negócio e retornou ao Brasil.

Sempre condescendentes, os compatriotas incluíram Jobim na categoria dos inimputáveis, ao lado dos loucos mansos, dos doidos de pedra e dos napoleões de hospício. Livre de vigilância, enfim resolveu agir e fazer. Negociou a venda de 300 mísseis ao Paquistão, divorciado desde a infância da vizinha Índia e em permanente noivado com terroristas, reiterou que o Brasil não assinaria o tratado que proíbe a fabricação de bombas de fragmentação e desapareceu nas coxias. Voltou repentinamente ao palco a bordo do acidente com a avião da Air France, desta vez no papel de especialista em desastres aéreos.

"A FAB detectou no mar uma faixa de cinco quilômetros com destroços de um avião. Não há dúvidas: são destroços do avião da Air France", decretou durante uma espantosa entrevista coletiva. "O que estamos fazendo aqui é a localização de sobreviventes, ou melhor, de restos", começou a procissão de atentados à inteligência, ao bom-senso e à compaixão. "Além dos corpos afundarem, a costa de Pernambuco tem o problema que vocês sabem", jogou a isca. Um jornalista mordeu: era alguma referência a tubarões? "Sim", respondeu Jobim, para produzir em seguida uma inverossímil dissertação sobre ruptura de abdomes. Há dois anos, Jobim sabia apenas que as poltronas dos aviões deveriam ser bem mais largas. "Um homem com o meu tamanho não cabe nelas", queixou-se. Já aprendeu um pouco mais, comprovou a entrevista. Mas não aprendeu a ter juízo.

Nem precisa aprender. No Brasil imerso na Era da Mediocridade, sensatez virou coisa de tempos remotos. Tanto assim que um Nelson Jobim foi deputado federal, chefiou o Supremo Tribunal Federal, hoje é ministro da Defesa e continua sonhando com a presidência da República. Por que não?


Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes, dos jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Zero Hora, além de diretor-executivo do Jornal do Brasil. Foi também apresentador do programa Roda Vida da TV Cultura e do programa "Verso & Reverso" da TVJB. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganho por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente, Nunes escreve uma coluna na edição eletrônica da Revista VEJA.




Publicado na seção Direto ao Ponto da "Coluna do Augusto Nunes".
Quinta-feira, 04 de junho de 2009.




A Al-Qaeda examina ataque biológico a partir do México.




Saturday, March 07, 2009

VASSALAGEM EXPLÍCITA!









































Que bela foto esta aí em cima não? Ela me faz sentir tremendamente orgulhoso do comandante do Exército Brasileiro, notem que postura, que galhardia, vejam senhores "passageiros" que belo tipo faceiro é este nosso general quando na proeminente companhia do bravo "patriota" e criminoso confesso, de haver enxertado artigos para beneficiar credores da dívida externa na Constituição de 1988. Vibrem camaradas, tendes um comandante à altura de vossa influência nos destinos do Brasil.
Bootlead


Sobre a Estratégia Nacional de Defesa (END)
por Luís Mauro Ferreira Gomes

Tenho evitado, a todo custo, fazer comentários que possam, de alguma forma, representar qualquer reparo à ação dos Comandantes Militares.

Considero, como não me canso de afirmar, que eles são, tanto quanto todos nós, outros brasileiros, particularmente os militares, vítimas desse governo incompetente, sectário, maniqueísta, corrupto e arbitrário.

Não me parece justo, cobrarmos de companheiros investidos de autoridade, o que nós mesmos, possivelmente, também não pudéssemos fazer em condições semelhantes.

Pelo contrário, venho exortando os leitores dos meus artigos a prestigiarem e apoiarem os Comandantes e os nossos colegas da ativa, como forma de fortalecê-los e protegê-los dos abusos e das violências, disfarçadas ou não, que sofrem dos revanchistas governamentais.

Obviamente, isso não quer dizer que tenhamos de concordar com tudo o que se faz nos níveis de comando das Forças Armadas. Parece-me, contudo, que devemos, sempre que possível, manifestar as nossas divergências, respeitosamente, e, de preferência, em caráter reservado. Isso é importante para preservá-los e ajudá-los a melhor comandar.

Com relação à notícia que circula na Internet de que o Comandante da Marinha teria “defendido a Estratégia Nacional de Defesa das críticas feitas por Generais em um documento apresentado anteontem, na reunião do Alto-Comando do Exército”, vou permitir-me fugir à regra.

Se o faço, é por não acreditar na veracidade do que se afirma.

Não é crível que o Comandante de uma Força deixasse de lado o que lhe compete para comentar documento apresentado por Oficiais-Generais ao Auto-Comando de outra.

Parece, igualmente, inacreditável que um chefe militar, em pleno domínio da razão, pudesse defender um trabalho primitivo; demagógico; cheio de erros conceituais e doutrinários; contaminado por ideologias espúrias; e irrealista, quanto possibilidade de se conseguirem os recursos indispensáveis à implementação. Não se poderia esperar mais do que isso, considerando-se que foi feito por dois analfabetos em Defesa, os ministros Nelson Jobim e Mangabeira Ungers, cuja grande preocupação parece ter sido a hipertrofia do ministério da defesa, com inaceitável avanço sobre as competências constitucionais do presidente da República e das Forças Armadas.

Não pretendo, aqui, analisar a Estratégia Nacional de Defesa. Tenho certeza de que isso já foi muito bem feito pelos Generais do Alto-Comando do Exército.

Assim, limitar-me-ei ao seguinte comentário: quem a leu, com atenção, logo percebeu que as únicas coisas aproveitáveis, em meio ao monte de bobagens que ela contém, não constituem novidade para os militares, pois já eram praticadas pelos governos da Revolução de 31 de Março e foram abandonadas, justamente, pelos governos ditos civis que se sucederam. Esta parte é para “inglês ver” ou, melhor, para enganar militar, e dificilmente terá curso.

Dito isso, volto a insistir em que devemos apoiar, fortemente, os nossos companheiros contra as investidas dos inimigos. Inimigos, sim, pois não merece outro tratamento quem nos quer destruir, e o fará, se continuarmos a nos hostilizar mutuamente. Devemos, igualmente, repelir, com grande intensidade, tudo o que nos divida.

Finalmente, por mais conveniente que possa parecer a composição com o universo antagônico, devemos resistir a essa tentação com todas as nossas forças. Ser disciplinado não é ser subserviente, e, menos ainda, conivente.

Os que traem os seus não merecem respeito nem daqueles a quem favorecem. A História mostra que cometem suicídio, a médio prazo. Serão, impiedosamente, eliminados, assim que não mais sejam úteis. E estarão sozinhos, então.


Luís Mauro Ferreira Gomes, é Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira.








Publicado no site "Ternuma - Terrorismo Nunca Mais".
Sábado, 07 de março de 2009.




Bombaim é aqui – Nelson Motta





Monday, December 29, 2008

Um engodo que renderá "gordas" comissões.


































Uma aventura cara
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Uma coisa são as manifestações de entusiasmo do ministro da Defesa, Nelson Jobim, pela assinatura do acordo entre o Brasil e a França para a construção de submarinos, um dos resultados da visita do presidente Nicolas Sarkozy. Outra é o frio texto do documento - que é o que vale. Pelos cálculos do ministro, "no vigésimo ano (de vigência do acordo), vamos terminar recebendo o submarino nuclear. Tudo isso com transferência total de tecnologia, inclusive treinamento de engenheiros brasileiros junto a fábricas francesas". Essa previsão, contudo, é um mero exercício de wishful thinking.

É política do governo brasileiro, nos últimos anos, só comprar equipamento militar acompanhado de transferência de tecnologia. Essa exigência cria graves limitações para o reequipamento das Forças Armadas de um país que não tem contenciosos internacionais que exijam meios militares abundantes e de última geração. Nenhum fornecedor se dispõe a transferir tecnologia em troca de uma venda relativamente pequena. É esse o caso dos 16 aviões de caça que a Força Aérea tenta comprar há mais de uma década.

No máximo, dependendo do tamanho e valor da encomenda, o fornecedor aceita produzir o armamento no país comprador, sob licença. Nesses casos, a transferência de tecnologia é limitada e o vendedor se beneficia com o prolongamento da vida útil de um produto que já entrou em fase de obsolescência ou enfrenta no mercado a concorrência de equipamentos mais modernos. É o caso dos 50 helicópteros franceses que serão montados pela Helibrás, ao custo de 1,899 bilhão.

O acordo para a construção de quatro submarinos convencionais Scorpéne e do casco de um outro, que poderá receber propulsão nuclear, num estaleiro a ser erguido no litoral do Rio de Janeiro, prevê, de fato, a transferência de tecnologia. Mas limita essa transferência à tecnologia de construção do estaleiro, de uma base de submarinos e do casco do submersível. Ou seja, refere-se a produtos e serviços que poderiam ser feitos pela engenharia nacional.

E como o quinto casco poderá acomodar um reator nuclear, o acordo está repleto de salvaguardas. A principal delas é que a França não repassará para o Brasil qualquer tipo de conhecimento que envolva a produção ou o uso de equipamentos nucleares. Isso começa com o estaleiro e a base. "A concepção, a construção e a manutenção das infra-estruturas e dos equipamentos necessários às operações de construção e manutenção da parte nuclear do submarino nuclear estão excluídas do âmbito do presente acordo" - esclarece o documento.

Além disso, "a parte brasileira não receberá assistência da parte francesa para a concepção, a construção e a colocação em operação do reator nuclear embarcado, das instalações do compartimento do reator nuclear e dos equipamentos e instalações cuja função seja destinada principalmente ao funcionamento do reator ou à segurança nuclear".

Da mesma forma, a França não fornecerá "equipamentos e instalações que contribuam de forma acessória ao funcionamento do reator ou à segurança nuclear" - e com isso a construção do estaleiro e da base de submarinos fica praticamente reduzida a uma questão de engenharia civil.

O Brasil, ao assinar o acordo, ainda aceitou condicionantes políticas. A tecnologia e os equipamentos fornecidos pela França não poderão ser repassados a terceiros e só poderão ser usados para os fins definidos no acordo. Além dessa cláusula de usuário final, a França - que se eximiu explicitamente de colaboração na parte nuclear - exigiu que o Brasil assumisse a responsabilidade exclusiva, em relação a terceiros, por danos nucleares causados pelo submarino ou instalações nucleares associadas ao apoio terrestre.

O acordo estabelece as bases da cooperação. A partir de agora, o governo brasileiro terá de negociar com empresas francesas os custos de construção do estaleiro, da base e dos submarinos - afinal, o acordo prevê que equipamentos, serviços e tecnologia serão vendidos. E, como o ministro Jobim pretende que em 20 anos o submarino nuclear esteja navegando, o Tesouro terá de providenciar recursos para o desenvolvimento da tecnologia de propulsão nuclear, ainda não dominada pela Marinha. Haja dinheiro!


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo".
Domingo, 28 de dezembro de 2008.









A liberdade e a esquerda – Thomas Sowell


Freedom and the Left – Thomas Sowell


Wednesday, June 25, 2008

Senhores! As "cartas" estão na mesa. Vamos ao "jogo"?











































A insensatez marcha no Morro da Providência
por José Nêumanne

A tragédia do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, poderia figurar como ilustração atualizada no clássico da historiografia A Marcha da Insensatez, de Barbara W. Tuchman, que relata como, desde Tróia até o Vietnã, alguns governos perseguem objetivos contrários aos próprios interesses.

Incapazes de enfrentar o problema da violência, anabolizada pelo crime organizado, que vende entorpecentes e contrabandeia armas, e de combater o mal endêmico da corrupção policial, governadores fluminenses sempre apelaram à União por uma intervenção militar nos territórios sem lei das favelas do Rio. Da mesma forma como não resistiu à tentação de mandar tropas cumprir a tarefa de Sísifo de impor a lei no Haiti, o governo federal, chefiado pelo petista Lula da Silva, cometeu a insensatez de atender ao pedido, contrariando a maioria dos oficiais das Forças Armadas e a unanimidade dos especialistas em segurança pública. Com a mesma fé que devota à própria infalibilidade e à capacidade de transferi-la à "companheirada" antiga ou moderna, o papa Lula Único se investiu da convicção inabalável de que a farda do Exército seria impermeável aos esgotos morais que infestam a periferia carioca. Mas não ficou nisso e foi além: em nome do "social", que tudo justifica, ele ungiu projeto do senador Marcelo Crivella, maioral da Igreja Universal do Reino de Deus, senador da República e um dos candidatos oficiais à Prefeitura da ex-Cidade Maravilhosa, permitindo que o Ministério das Cidades o bancasse e o da Defesa o protegesse. Seria injusto atribuir à permissão intenções sub-reptícias de desmoralizar uma instituição com a tradição do Exército Nacional, como vingança por causa dos sobrevôos de helicópteros nas assembléias de metalúrgicos grevistas sob o comando de Lula, então líder sindical, ou dos processos em que ele foi réu na Justiça Militar na ditadura. O que determinou a decisão foram intenções mais rápidas e rasteiras: o interesse eleiçoeiro e a garantia da futura falta de cobrança.

Dado o primeiro passo para a insensatez, os seguintes se tornaram inexoráveis: quem joga uma maçã no esgoto não pode esperar que ela seja retirada limpa e pronta para ser comida. A crônica dos três rapazes abordados pela patrulha encarregada de proteger a obra do candidato Crivella e entregues aos chefões do tráfico do morro rival foi mais anunciada que espetáculo de Paixão de Cristo em circo mambembe na Semana Santa. Contribuiu para o desfecho trágico a circunstância particular da infelicidade das vítimas de cruzarem com um tenente inconseqüente, assim como poderiam ter sido raptadas pelas hostes rivais ou atingidas por balas perdidas, tão comuns no cotidiano deles como a miséria com que conviviam. O Estado é responsável por haver abandonado o território das favelas dos Morros da Providência e da Mineira e entregado, na prática, as miseráveis comunidades que nelas moram à tirania sangrenta de delinqüentes que fazem o serviço sujo para o baronato do crime organizado.

A transformação de tropas do Exército em escolta para dar segurança a um projeto de promoção política de um candidato aliado foi o movimento seguinte na marcha da insensatez. Nesta ofensiva, o desatino do oficial e a cegueira obediente de seus subordinados foram meros aditivos à insensatez sistêmica do Estado incapaz, ineficaz e brutal e de seus gestores, que vendem a alma ao diabo pela permanência no poder em troca do absoluto abandono dos escrúpulos. Não se trata de inculpar apenas o Executivo. Os legisladores, mesmo os adversários de Crivella, nada fazem para garantir a igualdade de oportunidades nas normas que presidem as disputas eleitorais porque eles próprios esperam um dia poder delas se locupletar. A Justiça Eleitoral, seduzida pela possibilidade de exercer poderes censórios em plena democracia, multando quem entrevista candidatos, nada fez para impedir o abusivo uso da máquina pública para favorecer o candidato oficial e, depois da tragédia, embargou a obra, decisão tardia e questionável (e o PAC, hein?). Pois é mais fácil multar empresas de comunicação que enquadrar o poder maior, impedindo que o favorecimento de seus sequazes nele perpetuem seus atuais ocupantes.

A culpa maior é de quem deu a ordem de partida para a marcha da insensatez. Mas convém lembrar que os subordinados também foram cúmplices. O comandante da Força nunca se disse contrariado por vê-la usada para proteger interesses subordinados. Nenhum oficial sob suas ordens imitou o capitão Sérgio Macaco, que, na ditadura, denunciou a loucura de seu comandante, que planejou explodir o gasômetro no Rio para, depois, inculpar os guerrilheiros de esquerda na guerra suja. Nenhum prócer de um partido da oposição denunciou a infâmia de uma obra financiada pelo erário com fins eleiçoeiros, a pretexto do "social", que tudo justifica e tudo permite. Nenhum desses promotores fanáticos por fama exigiu o fim dela.

A 11 dias da tragédia, o mandante das torturas e das mortes e seus executantes estão livres e comandam o tráfico na favela. A polícia fluminense, tão diligente em acusar os militares que entregaram as vítimas aos algozes, não prendeu nem processou o chefão do tráfico e seus esbirros. O ministro da Defesa subiu o morro para pedir desculpas, expediente grato ao atual governo e ao qual também apelaram os protagonistas militares, com idêntico oportunismo. O ministro da Justiça não perdeu a ocasião de bajular o chefe, dizendo que Lula se opunha a usar o Exército no combate ao tráfico. E este agiu como se fosse um ombudsman ao classificar de "injustificável" a presença das tropas sob seu comando no morro, além de ter prometido indenizar as famílias das vítimas, como se o vil metal bastasse para limpar a sujeira e a sangria desta tragédia impune e anunciadíssima.


José Nêumanne Pinto é um escritor, jornalista e poeta, nascido em Uiraúna (PB), em 18 de maio de 1951. Começou sua carreira jornalística no "Diário da Borborema", Campina Grande (PB), como repórter em 1968. Recebeu os prêmios Esso de Jornalismo Econômico em 1975, pela série "Perfil do Operário Brasileiro Hoje" e o Troféu Imprensa de Reportagem Esportiva, também em 1975, pela reportagem "Éder Jofre e o Boxe Brasileiro". Nêumanne foi colunista, com um artigo semanal sobre Brasil na edição em castelhano do jornal "Miami Herald" . Atualmente reside em São Paulo, onde é articulista periódico do jornal "O Estado de S. Paulo", do "Jornal da Tarde" e do "Jornal de Brasília", além de publicar seus artigos em diversos órgãos da imprensa nacional. Como escritor José Nêumanne tem diversos livros publicados, também é editor do blog "Estação José Nêumanne" sobre poesia, jornalismo e literatura. E-mail: neuman@estado.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo".
Quarta-feira, 25 de junho de 2008.






Pela porta dos fundos, não – "O Estado de S. Paulo"

Wednesday, January 09, 2008

O fanfarrão no mato sem cachorro.
Tira essa roupa camuflada, que você não é Soldado, você é moleque!













































Senhor Zero Um, peça pra sair!
por Paulo Carvalho Espíndola

O número um do Ministério da Defesa não comanda ninguém das Forças Armadas, na prática e ainda segundo a estrutura de comando. Essa coisa esdrúxula que o revanchismo político impôs aos militares no Brasil surtiu o efeito desejado. As Forças Armadas continuam comandadas por chefes legitimamente fardados e, mesmo sob a penúria a que são submetidas, permanecem disciplinadas e patrioticamente voltadas para a sua missão constitucional. Falta-lhes, entretanto, o peso específico que lhes fazia influir na vida nacional e, até, intervir no processo político, com o histórico estofo ético e moral sublimado desde a Independência e assegurador, até hoje, da confiança e da admiração do povo brasileiro. Golpismo nunca conformou a vocação dessa gente.

O Sr. Zero Um, nomeado ministro da deformidade chamada Ministério da Defesa, segue a mesma incompetência dos seus antecessores, seja do governo corrupto-socialistóide de Fernando Henrique, seja dessa excrescência alcunhada de “governo popular”, encabeçada por um apedeuta cego para as falcatruas dos “traidores” que o cercam e mudo-loquaz segundo as suas conveniências.

O Sr. Zero Um começou a mal falada gestão cheio de empáfia e de bravatas, começando por ameaçar a quem lhe desafiasse. Envergou uniforme de oficial-general, borrando a farda que não lhe pertence, nem por direito ou, muito mesmo, por um sagrado juramento que não fez, qual seja o de servir à Pátria com o sacrifício da própria vida. A primeira providência do Zero UM, no início do caos aéreo da aviação civil, foi determinar às companhias de aviação que aumentassem o tamanho das poltronas dos aviões, para que o seu corpanzil tivesse conforto. Nem as companhias mexeram nas configurações das aeronaves, nem o Zero Um sentou-se mais nessas espremidas poltronas. Deve ser porque os jatinhos da Força Aérea oferecem-lhe melhor comodidade. Ficou provado que autoridade nada tem a ver com avantajada estrutura corpórea de nenhum bravateiro.

O Sr. Zero Um prometeu mundos e fundos para as Forças Armadas, desde o premente reaparelhamento operacional, até o necessário e urgente reajuste de vencimentos dos militares e da família militar.

Depois de seguidos adiamentos de reuniões com o “companheiro” Lulla e adormecendo o traseiro em chás-de-cadeira impostos pela “equipe” econômica disso a que chamam de governo, o Zero Um manteve as suas promessas, falando a mesma linguagem dos geniais planejadores governamentais e acirrando a cizânia com que, de há muito, ameaçam os militares ativos, os inativos e as pensionistas, na perversidade da luta de classes. Desse modo, pela ótica marxista-leninista-imbecil, criar-se-ão remediados e oprimidos no público interno das Forças Armadas.

O Zero Um, agora, com a cara lavada pela incompetência, não tem coragem para admitir a nula autoridade do seu cargo, calando-se ante a cínica e infeliz declaração do ministróide do “pranejamento” lullista: “com o fim da CPMF, terão todos de fazer mais um furo em seus cintos”. Cintos de quem, cara pálida? Os seus, com a máxima certeza são largos o suficiente para envolver a barriga empanturrada por isso a que chamam de “poder”.

Sr. Zero Um, peça pra sair! O Sr. é um fanfarrão e, jamais, terá condições de fazer parte de nenhuma tropa de elite. Nem entre os escoteiros o Sr. obterá guarida, já que “sempre alerta e obediente”, para eles, é um compromisso sagrado de servidão, ao contrário da verdadeira compulsão de “V Exa” de enganar e de ser um servidor se si mesmo.

Sr. Zero Um, volta para o Congresso para fraudar, novamente, a Constituição, como o Sr. fez, fato do qual o Sr. se orgulha. Antes, no seu lugar, o sargento Garcia, o corpulento e disfarçado amigo do Zorro. Ao menos, teríamos uma espada certeira a marcar a cara dos caras-de-pau que desgraçam o Brasil.

Peça para sair, Sr. fanfarrão. Não ofenda mais a confiança de gente crédula e leal.

Assuma o Ministério do Turismo e viaje, confortavelmente, em camarotes de primeira classe, que o levem do nada a coisa nenhuma!

Relaxe e goze, antes que o Zorro venha aí.

Espada é coisa séria...


Paulo Carvalho Espíndola é Coronel do Exército Brasileiro.

Publicado no site "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Quarta-feira, 09 de janeiro de 2008.





Wednesday, November 07, 2007

O riso exige em primeiro lugar sinceridade. Aqui não é o caso!









































PSDB, CPMF E TRAIÇÃO
por Maria Lucia Victor Barbosa

Não faz muito tempo lia-se na imprensa que o PSDB era o verdadeiro e mais forte opositor do PT, o único partido capaz de fazer frente a candidaturas petistas. Afinal, Fernando Henrique Cardoso havia derrotado Luiz Inácio duas vezes, o Plano Real fora um êxito entre tantas tentativas frustradas de outros governantes para acabar com o malefício da inflação, a política econômica trouxera a estabilidade desejada, os projetos sociais funcionaram e no exterior FHC foi considerado um estadista, ajudando a melhorar a imagem do Brasil. E não se pode negar que nos mandatos presidenciais do PSDB houve elevação do nível de vida dos brasileiros, uma vez que a contenção da inflação possibilitou o acesso a bens antes impossíveis de serem adquiridos. Com isso diminui a distância entre ricos e pobres, e a sociedade pode fazer planos para o futuro, pois a inflação já nos corroia os salários.

Naturalmente todo governo comete erros e FHC, por exemplo, errou ao dar início ao sucateamento das Forças Armadas. Como Luiz Inácio seguiu no mesmo rumo estamos vulneráveis militarmente enquanto o coronel Hugo Chávez tem o maior e mais forte exército latino-americano. Agora, já em segundo mandato, LILS promete reaparelhar as FFAA com investimentos feitos em suaves prestações diluídas em muitos anos, mas nada garante que mais uma de suas promessas será cumprida.

Em resumo, com suas atitudes, incluindo a de colocar no Ministério da Defesa não mais um militar, mas um civil, Fernando Henrique atraiu para si o ódio das Forças Armadas. Estas se voltaram para Luiz Inácio e ajudaram com seus votos a elegê-lo. No atual governo, com exceção de grupos militares da reserva, as FFAA parecem cooptadas não obstante as humilhações sofridas (entre outras, Luiz Inácio chamou os militares de bando de sem-pólvora), as promessas não cumpridas, os baixos soldos.

FHC errou também quando manobrou para instituir o segundo mandato, quando investiu em gás na Bolívia e não no Brasil. E errou feio ao sempre ajudar LILS em vez de fazer de seu partido o baluarte de uma verdadeira e enérgica oposição.

Durante oito anos de mandato Fernando Henrique sofreu oposição implacável, estridente e stalinista dos petistas que não se cansavam de gritar de forma histérica: “fora, FHC”. Mesmo assim, na quarta campanha de Luiz Inácio, quando este disputou com José Serra, disse que se seu candidato não chegasse ao segundo turno votaria no postulante do PT.

Uma vez consumada a vitória petista, FHC promoveu a chamada transição, ou seja: colocou à disposição da futura equipe de Luiz Inácio sua própria equipe que tentou ensinar aos despreparados petistas como se governa. Não contente, colocou no ministério da Fazenda seus técnicos mais preparados, os quais fizeram a fama de Antonio Palocci que parece não entender nem de medicina. A ajuda substancial foi chamada de “herança maldita” pelo PT, mas copiada de modo mais ortodoxo, e isso, mais condições favoráveis externas, manteve o Brasil no rumo certo e fez as glórias de Luiz Inácio que costuma apresentar as conquistas alheias como suas, e seus erros apenas como conseqüência dos desacertos dos outros.

Antes de ser empossado Luiz Inácio pediu a FHC que enviasse um navio com combustível para a Venezuela. O objetivo era o de torpedear a greve dos petroleiros daquele país que se insurgiam contra Hugo Chávez. Pedido atendido, o navio partiu.

Note-se, também, que os parlamentares do PSDB, autodenominando-se de “oposição responsável”, votaram tudo que o Executivo enviou ao Congresso, especialmente no primeiro ano do primeiro mandato de LILS. E quando as CPIs desencadeadas pelo deputado Roberto Jefferson mostraram que o rei estava nu, FHC não deixou que se pedisse o impeachment do presidente, alegando que era preciso deixá-lo sangrando para enfraquecê-lo e depois vencê-lo. Com isso salvou o amigo e lhe proporcionou o segundo mandato.

Recorde-se ainda, que na última campanha presidencial o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, foi cristianizado, ou seja, traído por seu próprio partido, o que possibilitou a vitória de Luiz Inácio.

Agora se trama o apoio que pode ser o derradeiro, pois se afigura como um suicídio político: Tucanos de alta plumagem, notadamente os governadores Aécio Neves (MG), José Serra (SP) e o trio Arthur Virgílio, Tasso Gereissati e Sérgio Guerra querem impor aos parlamentares de um PSDB dividido o voto pela continuidade da famigerada CPMF.

Se prevalecer o apoio tucano se configurará a mais alta traição aos eleitores que confiaram em candidatos do PSDB. Nesse caso, melhor será o partido se dissolver e engrossar as fileiras do PT. Que pensem nisso os parlamentares que deveriam ser oposição e que muito têm deixado a desejar nesse sentido.



Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo “O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem” e “América Latina – Em busca do Paraíso Perdido”.
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Publicado no site "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Segunda-feira, 05 de novembro de 2007.










FARINHA DO MESMO SACO

É tudo gente com o mesmo caráter. Geralmente mau.

Bootlead













Thursday, November 01, 2007

Um "general" e "O SARGENTO".

Na foto abaixo um "general melancia" ("verde" por fora, "vermelho" por dentro),
prestando continência aos seus algozes.









































Abaixo, a foto de um dos poucos Heróis do Brasil, Max Wolff Filho, Sargento do Exército Brasileiro, como
também o autor da carta transcrita neste "post", o Sargento do EB Abílio Teixeira.







































Quem foi o Sargento Max Wolff:

O Sargento Max Wolff Filho foi um militar voluntário da Força Expedicionária Brasileira (FEB), nascido em Rio Negro-PR, em 29 de julho de 1912, alistou-se, aos 18 anos, no 15º Batalhão de Caçadores, Curitiba-PR, unidade extinta cujas instalações são hoje ocupadas pelo 20º Batalhão de Infantaria Blindada ("Batalhão Sargento Max Wolff Filho"). Tornou-se conhecido pelo seu destemor, renúncia e espírito de sacrifício, oferecendo-se para as mais arriscadas missões das quais sempre se saia triunfante.

Suas façanhas eram proclamadas pelas partes em combate e por vários correspondentes de guerra das imprensas nacional e estrangeira. No dia 12 de abril de 1945 o 1ª Batalhão do 11º Regimento de Infantaria (11º RI), recebeu a missão de reconhecer a região de Monte Forte e Biscaia, a denominada “terra de ninguém”. O Sargento Wolff foi voluntário para comandar a patrulha de reconhecimento, que foi constituída por 19 militares que se haviam destacado por competência e bravura em outros combates. Nesta missão, foi fatalmente atingido na altura do peito por uma rajada de metralhadora alemã que tirou-lhe a vida. Somente vários dias após sua morte seu corpo do foi encontrado,

Por este ato de bravura, o Sargento Wolff, no ano de 1994 foi reconhecidamente homenageado pelo Exército Brasileiro como Denominador Histórico do 20º Batalhão de Infantaria Blindado. Foi também agraciado post mortem com as medalhas de Campanha de Sangue e Cruz de Combate, do Brasil; e com a medalha Bronze Star, dos Estados Unidos da América. Foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro, em Pistóia, na Itália; posteriormente, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil.


“ MAX WOLFF UM SÍMBOLO, QUASE UMA LENDA...”

(N.P.) Há uns poucos dias atrás aquela merda de "congresso nacional", prestou homenagens a um porco fedorento, assassino e pederasta, chamado de "che", aí então eu pergunto: Quando que aqueles párias da sociedade brasileira que trabalha e os sustenta prestaram ou prestarão uma homenagem ao Sargento Max Wolff, que morreu lutando bravamente pela liberdade e pela democracia? Eu mesmo respondo: NUNCA!
Bootlead



Brasília, 31 de outubro de 2007.

Prezados camaradas de armas,

Segue uma carta de um bravo brasileiro, que teve a coragem de dizer tudo o que precisava ser dito a essa pústula que se fantasia de militar e se diz Ministro da Defesa. O Sargento Abílio abrilhanta em muito a classe militar, sendo absolutamente digno de ser chamado um dos grandes bastiões da luta pela dignidade do Militar Brasileiro: um verdadeiro Herói!

Deputado Federal Jair Bolsonaro (Capitão do EB)



CARTA-RELATÓRIO S/Nº

De ABÍLIO TEIXEIRA
Ao Dr. NELSON AZEVEDO JOBIM (Ministro de Estado da Defesa)

Nesta Senhor Ministro, tenho a honra de dirigir-me a V. Exª. para apresentar os cumprimentos pela assunção de tão importante cargo. A julgar pelas suas primeiras ações e palavras, certamente será uma experiência que enriquecerá muito sua biografia. A finalidade precípua desta missiva é informar a V.Exª. a situação caótica por que passam as Forças Armadas.

Os militares federais são disciplinados, mas enganam-se os que pensam que são obtusos e não têm visão de Estado, além de conhecimento político suficiente pra separar o joio do trigo. Coincidências ou não, na época em que existiam os ministérios militares as instalações e as tropas não viviam em tanta penúria como atualmente. Exponho, abaixo, as ações de governo que, na minha ótica, foram responsáveis pelo atual descaso com as Forças Armadas do Brasil. Em países desenvolvidos elas são consideradas baluartes da soberania. A situação das Forças Armadas está insuportável em termos orçamentários. As perspectivas de melhorias estão cada vez mais distantes. O orçamento seguidamente vem sendo diminuído e os investimentos estão rareando. O que vemos hoje é a tentativa imunda de aniquilar a Instituição que é da Nação e que foi construída com sangue de heróis anônimos ao longo da história.

Segundo levantamento, o valor proposto pelas Forças Armadas para custeio da modernização dos equipamentos foi de R$ 14,6 bilhões, mas, como acontecem todos os anos, já estão previstos cortes em torno de 60% do valor. Só como exemplo, a Força Aérea Brasileira só consegue operar com 37% de seu poder aéreo e todos seus aviões têm mais de 15 anos de uso. Na Marinha, de toda sua frota, apenas 10 navios estão em condições de combate. No Exército, Força mais odiada pelos revanchistas, a sucatagem bélica é ainda maior. Segundo levantamento, por falta de investimentos, o Programa Nuclear Brasileiro já provocou um prejuízo de 1,1 bilhão de dólares.

As Forças Armadas do Brasil estão tão desmoralizadas que até o índio Evo Morales invadiu as instalações da Petrobrás. Nosso fraco presidente, que só se preocupa com o "di cumê", ainda deu razão a ele. Com esta demonstração de fraqueza, a qualquer momento o Paraguai poderá ocupar a Usina Hidrelétrica de Itaipu por saber que nossas Forças Armadas não estão em condições de reagir. Alguns atos perpetrados contra as Forças Armadas são frutos do revanchismo, da política de afastamento dos militares das decisões nacionais. Particularmente, até fico satisfeito com esse distanciamento. Afinal, termos contato com chorumes da vida pública como José Dirceu, José Genoíno, Severino Cavalcanti, Luiz Inácio Lula da Silva, Renan Calheiros, entre outros, além das sanguessugas e dos mensaleiros, causa-me asco. Aliás, muitos deles são seus amigos e recorrem aos seus préstimos jurídicos quando se vêem descobertos em suas vilanias, como tem sido amplamente publicado em grandes jornais e revistas. Sabemos que o advogado Eduardo Ferrão, que defende o senador Renan Calheiros, foi seu sócio em advocacia.

Na atual conjuntura política, onde quase tudo é fantasia, onde ninguém quer largar as "tetas da vaca", as autoridades não se preocupam se já ocorreram suicídios de militares em várias regiões do Brasil por não conseguirem saldar dívidas, tal qual o ocorrido aqui em Brasília no ano de 2005, onde um jovem sargento não possuía dinheiro suficiente para comprar remédios para a filha adoentada. Uma das reclamações que ouvi em seu velório foi de que ele almejava uma transferência para saldar suas dívidas, mas sempre lhe fora negada.

Enquanto isso, as verdades históricas estão sendo distorcidas. Fato notório foi o discurso que V. Exª. fez no lançamento de um livro patrocinado por esse governo marcado por escândalos. Tal livro começa a mentir no próprio título: "Direito à Memória e à Verdade". Não compreendo como pode posicionar-se de arauto de parte da esquerda bem remunerada com o dinheiro público. Os militares, digo pela formação que tenho, não se intimidarão com suas palavras ameaçadoras. Estão acostumados com a tentativa de igualá-los à laia dos péssimos políticos que, como urubus, sobrevoam a Praça dos Três Poderes, vindo de todas as regiões do País.

Entretanto, a sociedade conhece a verdade dos fatos. A credibilidade alcançada pelas Forças Armadas só aumenta. Não precisamos utilizar os mecanismos espúrios tal qual o de fazer "currais estomacais", coisa que o presidente da República é contumaz ao distribuir alimentos para conseguir votos. O que V. Exª. precisa saber é que seu cargo é político, não militar.

Só como exemplo, se um coronel com curso de Estado-Maior, mesmo estando a um dia da promoção, vestir a farda de general será punido. Já V. Exª., demonstrando a prepotência de sempre, infringiu o Estatuto dos Militares ao usar indevidamente a farda de general de quatro estrelas (posto máximo) e ainda se apresentar com ela no Exterior. Entendo que só pode ser frustração por não pertencer ao glorioso Exército Brasileiro, instituição ilibada e comprometida com a legalidade, com o patriotismo. Lembro que intervenção militar em prol do bem-estar do País é ato democrático.

Conheço sua atuação como Deputado Federal. Posteriormente, foi alçado à condição de "grande jurista", não por consenso, por votação, mas por escolha de FHC. Sua atuação no Supremo Tribunal Federal foi, segundo minhas observações, lastimável. São de domínio público seus pedidos de "vistas aos autos" quando o assunto necessitava ser esfriado nas votações. A revista Veja noticiou sua intervenção em julgamentos onde, na qualidade de presidente daquele Tribunal, tentava levar seus pares ao constrangimento.

Quando a história for escrita sobre este período, ficará a triste lembrança de sua atuação como político e como jurista. Político não dever ser juiz, é incoerência porque o magistrado competente deve ser imparcial, qualidade que não existe nos políticos do nosso País.

Informo a V. Exª. que os militares não têm medo de sua estatura física. Até porque ética não se avalia por este aspeto. O que necessitamos é de investimentos nas Forças Armadas e um salário digno, proporcional aos que estão sendo pagos a outros profissionais da União, apenas isto. Chega de pagar alto preço por ter evitado que este País se transformasse numa ditadura comunista.

Passo a expor alguns assuntos afetos à pasta dirigida por V. Exª., os quais considero responsáveis pelo caos nas Forças Armadas:

1. A QUESTÃO SALARIAL

O salário dos militares é algo espúrio porque expressa toda a sordidez, toda a cachorrada, toda a canalhice do governo federal em relação às Forças Armadas. Entendo que V. Exª. assumiu há pouco tempo o Ministério da Defesa.

Entretanto, nós militares acreditamos mais nas instituições do que nos homens que as conduzem. Tomei conhecimento dos gastos do governo federal com itens que julgo não serem prioritários, além de reajustes salariais para determinadas categorias que já são bem remuneradas, pra não citar o aumento salarial absurdo aos comissionados do governo federal que pagam dízimos ao PT. Enquanto isso, os militares federais permanecem com seus salários defasados há vários anos.

Muito se tem falado sobre a questão salarial militar. Entretanto, há considerações que ultrapassam a mera planilha de custos financeiros. O salário pago aos militares, em especial aos das Forças Armadas, refletem amplos fatores, os quais deveriam ser levados em consideração antes de qualquer análise conjuntural. São eles:

a. Distribuição de Rendas

Os militares das Forças Armadas estão em todos os pontos do território nacional. É uma classe de servidores que representam a presença do Estado nos mais diversos e longínquos pontos geográficos. Nos locais mais inóspitos, lá estão os militares. Este fator de unidade nacional tem de ser levado em consideração por ocasião da estruturação salarial. O Brasil possui uma abissal concentração de rendas.

Isto faz com que nosso País figure, tristemente, entre as piores nações em termos de distribuição de rendas, provocando um índice abaixo do crescimento econômico de outras nações menos importantes no contexto mundial. Uma das formas de distribuição de rendas é também o salário do militar. Há localidades em que a economia gira em torno dos quartéis. E quartéis não existem sem os militares. Eles são responsáveis pelo aumento do comércio de bens alimentícios, vestuários, aluguéis, venda de combustível, telefonia,serviços públicos, etc. Pode-se inferir que a má distribuição de rendas do País aumentou quando houve maior defasagem salarial em relação aos militares. Em alguns municípios esta relação é facilmente visível. Há cidades em que a manutenção de um ou dois quartéis é imposição, pressão política.
Este fato, infelizmente, não é levado em consideração quando se analisa a questão salarial do militar das Forças Armadas.

Para não ver seus familiares passando privações em conseqüência das despesas com aluguel, passagens, alimentação, vestuário, educação, etc., itens básicos para a sobrevivência de qualquer família, os militares de baixa patente e os graduados contraem dívidas junto a instituições financeiras ou caem nas mãos de agiotas. Será que V. Exª. sabe que toda queixa apresentada nos quartéis sobre dívidas é considerada transgressão disciplinar e pode ser punida até com prisão? Na minha ótica, os que deveriam ser presos são os responsáveis pela política revanchista praticada contra a classe.

Experimente V. Exª. sair de uma escala de serviço de 24 horas e ainda permanecer no expediente por no mínimo mais 8 horas e depois enfrentar mais três horas dentro de um ônibus ou trem no retorno ao lar. O militar, por falta de dinheiro para alugar uma residência próxima ao quartel, mora longe dele. Junte tudo isto e, de quebra, coloque ainda a sensação de não ter um comandante ou ministro que lute pela justiça salarial nas Forças Armadas.

Fazendo isto, com certeza, o senhor terá uma ligeira noção do que é ser militar na atualidade. Ser militar não é se fantasiar com uma farda de general e posar para os fotógrafos da imprensa.

A situação é desesperadora. Temo que a indisciplina ronde as ações dos militares que não acreditam nas promessas de melhoria salarial. Afirmo que a crise dos controladores de vôo deveu-se à péssima situação em que foram colocados: sem salário decente e trabalhando com civis que exercem as mesmas funções, mas que recebem cerca de três vezes mais que um sargento em início de carreira. Se houve erros dos controladores de vôo, houve também a motivação à indisciplina por parte da indiferença de algumas autoridades.

Um dia, com certeza, a mão que chicoteia receberá um duro golpe.

b. Educação

Os salários pagos, atualmente, não proporcionam condições para que os filhos dos militares tenham uma educação digna. Estamos vivendo em nossos dias a onda do conhecimento, ou seja, a escola, a cultura, o conhecimento é a base de tudo. As escolas públicas sofreram com o abandono dos governos. As praças das três Forças, salvo raríssimas exceções, já não conseguem manter filhos estudando, já não conseguem alimentar-se dignamente em virtude da necessidade de manter as contas em dia, mormente as taxas cobradas pelo próprio governo. Neste contexto, o militar que possui filhos fica num dilema: o salário é insuficiente, porém a educação é primordial. Neste conflito, ele opta, quando pode, por empréstimos financeiros.

Nos primeiros anos da carreira militar, há uma situação de dificuldade que se agravará no futuro. Dez anos depois de iniciada a carreira, o militar começa a ter que se preocupar com a educação de seus filhos. Estes entram numa fase do ensino em que o diferencial entre uma escola boa e uma escola ruim começa a produzir frutos no momento crucial: o ingresso numa instituição de ensino superior.

Os Colégios Militares eram uma boa opção para os filhos dos militares porque possuem excelência no ensino. Entretanto, a admissão foi estendida aos filhos de civis. Nisto não há nada de errado, mas as vagas foram limitadas para os filhos dos militares que já sofriam para conseguir matrículas.

A sociedade civil organizada deveria exigir melhor ensino nas instituições públicas, e não procurar os benefícios que a classe militar oferece.

Havia lei que assegurava aos dependentes de funcionários públicos (civis e militares) matrículas em universidades públicas. Tal dispositivo legal tinha por objetivo garantir uma melhor educação aos dependentes daqueles que, por imposição da carreira, estavam impedidos de se estabelecer em determinada localidade. Com o julgamento pelo STF, Corte da qual V. Exª. Foi presidente, este benefício foi injustamente extinto. Os mais prejudicados foram os militares. Os funcionários civis têm, em média, vencimentos superiores aos pagos aos militares. Desta forma, a maioria dos dependentes dos servidores civis, particularmente dos poderes Legislativo e Judiciário, tem condições de cursar uma universidade privada ou até mesmo ingressar, por concurso, em universidade pública porque pode pagar os melhores cursos preparatórios. A universidade pública tornou-se fator de exclusão social, mormente para os militares.

c. Moradia

Outro fator importante relacionado aos salários dos militares é a questão da moradia. Com o achatamento dos vencimentos, a situação se tornou caótica.

As transferências para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas punições. Naquelas cidades, os militares têm a certeza de que residirão bem distantes do local de trabalho. Quando o militar consegue morar perto dos quartéis, não tem uma situação mínima de conforto, pois a maioria vai morar em favelas. Há militares enviando suas esposas de volta à casa dos pais por não poderem oferecer-lhes vida digna; há muitas esposas e filhas de militares fazendo biscates como domésticas para aliviar a situação de penúria reinante nas famílias; há casos em que duas famílias de militares dividem o mesmo imóvel, para dividir também o valor do aluguel, numa franca agressão aos princípios da dignidade da pessoa humana.

Os Próprios Nacionais Residenciais (PNRs),principalmente aqueles ocupados pelas praças, estão sucatados, sem possuir a adequada manutenção. Quem mora em PNR está numa aparente melhor situação em relação aos que pagam aluguel.

Cabe ressaltar que as verbas de manutenção dos PNRs advêm de descontos em folha de pagamento do militar ocupante. Para exemplificar a situação perigosa em que vivem os militares de baixa patente e principalmente as praças, não é demais lembrar que o bloco "H" da SQN 306 teve, há pouco tempo, suas estruturas comprometidas, com possibilidade de desabamento.

O orçamento das Forças Armadas é um dos pontos a serem destacados. Sucessivos governos têm diminuído o orçamento do Ministério da Defesa. Por sucessivos anos tal situação vem se agravando. No ano de 2006, os
únicos ministérios que sofreram cortes em relação a 2005 foram o dos Transportes e o da Defesa. Em qualquer país civilizado o presidente da República seria responsabilizado por deixar a nação sem as condições mínimas de garantir a defesa do território nacional.

d. Empréstimos Financeiros

Há um segmento que lucra com a penúria dos militares: as instituições financeiras. De fato, pelos baixos salários recebidos, a quase totalidade dos militares está comprometida com empréstimos. Estas instituições utilizam o desconto em folha de pagamento, portanto o risco é quase zero. O militar recorre a esta estratégia porque, por disposição legal, está impossibilitado de exercer qualquer outra profissão. Torna-se assim o escravo perfeito: mesmo tendo inteligência, não pode ao menos procurar se libertar deste cativeiro. A principal instituição financeira que atua neste mercado é a Fundação Habitacional do Exército, por intermédio da POUPEX. Por coincidência, esta instituição é dirigida por oficiais-generais.

Ocorre o seguinte: quando o militar adquire um empréstimo, e por ter risco quase zero, os juros estão, na média, abaixo dos de mercado. Após um determinado número de prestações pagas, o militar renova o empréstimo, o que provoca uma verdadeira ciranda, com a qual todo banqueiro sonha.

Salário defasado, descontos em folhas de pagamento, imposto de renda, impossibilidade de se ter outra fonte de renda, etc., são fatores ideais para o enriquecimento dos bancos. Foi anunciado que um determinado banco popular teve o maior lucro de sua história. A POUPEX possui um grande número de associados porque, segundo fui informado, os comandantes de quartéis condicionam o prosseguimento na carreira a adesão do militar àquela instituição.

e. Plano de Saúde

Uma verdade que precisa ser proferida é que os militares custeiam o fundo de saúde que os atende. É mais uma incidência sobre os já combalidos vencimentos. Diferente de outros planos de saúde, a cada atendimento ao militar ou ao seu dependente são pagos 20% do valor, proporcionalmente ao posto ou graduação, além dos demais descontos mensais para manter seu fundo de saúde. Todos os atendimentos médico-hospitalares aos recrutas, além de medicamentos, são custeados por militares contribuintes do Fundo.

Assim, quando se fala em "soldado cidadão" está se falando em maior gasto do fundo de saúde e, conseqüentemente, o
sistema se torna de qualidade inferior. Mais um golpe na vida da família militar.

f. Transferências

Devido à diminuição do orçamento do Ministério da Defesa, as movimentações dos militares estão limitadíssimas. A unidade nacional necessita que oficiais e praças tenham uma visão ampla dos problemas nacionais para melhorar a defesa do País, caso sejam convocados para tal. Acontece que as movimentações funcionam também como um bálsamo na situação de penúria.

A indenização que o militar recebe pela transferência serve para o custeio da mudança e muitas vezes para o pagamento de dívidas. Se o orçamento continuar decaindo, só restará ao militar afrontar de forma aberta o Estatuto dos Militares, ou seja, arrumando uma segunda ocupação por absoluta legítima defesa da sobrevivência.

2. BREVES CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS

Quando nos baseamos nos salários pagos aos militares e a outras categorias do serviço público, constatamos que os mesmos estão defasados. Esta defasagem não é própria dos dias atuais. O que acontece é que os salários, concretamente, estão em processo decrescente há aproximadamente 20 anos.

Já havia um processo de estagnação no governo José Sarney, o qual foi agravado pelo Plano Cruzado.

Do Plano Cruzado até nossos dias:

O Plano Cruzado I (de fevereiro a novembro de 1986) foi considerado o primeiro choque heterodoxo dado na economia pelo então ministro Dilson Funaro. Foi o principal responsável pela atual penúria salarial das Forças Armadas. O congelamento de salários e de preços,conforme se propunha, alcançou apenas os salários do funcionalismo público. Os preços foram artificialmente sendo mantidos congelados. Na prática, o que ocorria era um aumento discreto, ou um desabastecimento generalizado. Em termos salariais, as Forças Armadas ficaram a reboque dos acontecimentos econômicos: salários congelados, como os de todos os funcionários públicos, e sem perspectiva de melhoria. Coincidentemente, iniciaram-se os preparativos para o pagamento de imposto de renda pelos militares, ou seja, mais um desconto nos combalidos salários da classe.

3. CONCLUSÃO

A questão salarial militar é algo complexo. Seu alcance perpassa os campos econômicos, sociais, educacionais e de defesa territorial. As nações desenvolvidas valorizam seus militares. O Brasil está na contramão da história. Um salário digno é o mínimo que se quer. Hoje os abnegados militares vivem de aparências, pois mesmo com os baixíssimos salários e proibidos de exercerem outras profissões, eles continuam com os sapatos engraxados, com o fardamento limpo e bem passado, além de manter a fivela do cinto brilhando igual a ouro.

O Poder Executivo paga os salários mais baixos entre os três Poderes e os militares estão entre as categorias onde há maior incidência dessas carências. Um bom começo seria colocar os militares no patamar da sua vocação de defender a Pátria com o sacrifício da própria vida, segundo seus juramentos.

Há quem diga, senhor ministro, que o orçamento do Exército só dá pra custear despesas com alimentação e pessoal, aliás, nem pra alimentação, haja vista que a meia jornada de trabalho (meio expediente) que vem sendo adotada, chamada de economia de rancho, é para economizar com alimentação. Sugiro a V. Exª., autoridade administrativa das Forças Armadas, procurar saber onde o governo aplica os milhões de reais arrecadados através dos descontos mensais de cada militar a título de Pensão Militar e Fundo de Saúde do Exército (FUSEX). Como não tenho a máquina pública à mão, não informo o total geral, mas posso me basear nos descontos efetuados no contracheque de um capitão meu amigo, da Reserva. Descontos de Pensão Militar e Fundo de Saúde do Exército, R$1.016,28 (mil e dezesseis reais e vinte e oito centavos). Veja, senhor ministro: este desconto mensal é de somente um capitão. Sugiro que V. Exª. multiplique este valor pelo número de capitães do Exército para chegar a um valor relativo a somente capitães. Faça o mesmo cálculo em relação aos generais de exército, de divisão, de brigada, aos coronéis, aos tenentes-coronéis, aos majores, aos primeiros e segundos tenentes, aos subtenentes, aos 1º sargentos, aos 2º sargentos, aos 3º sargentos, aos cabos, aos taifeiros e aos soldados que por motivos diversos conseguem ser reformados.

V. Exª. surpreender-se-á com a fortuna arrecadada dos militares. Insisto em perguntar: para onde vai todo esse dinheiro, toda essa fortuna?

Para o caixa 2 de campanha ou está sendo desviada para outras atividades?

Portanto, não se justifica o governo argumentar que o orçamento do Exército é somente para pagar vencimentos e alimentação. A fortuna que V. Exª. conhecerá com os cálculos deveria estar no Fundo do Exército, justamente para pagar as pensões, os salários da Reserva de Guerra e custear os gastos com a saúde e a alimentação dos militares.

Acredito que tudo está sendo arquitetado para nos levar à situação de receber somente cesta básica, nada mais. Dessa forma, nossos militares estão sendo conduzidos para a agricultura, para plantar abóboras, como aconteceu com um grande exército da Europa.

Acredito que quando os generais estiverem entrando também na fila da cesta básica reagirão, mas poderá ser tarde demais.

Portanto, senhor ministro, de nada resolverá V. Exª.vestir indevidamente uniforme de general e dizer com vaidade que tem 1,90m de altura. Afinal, só será interpretado como grande se resolver durante sua gestão o grave problema de falta de investimentos nas Forças Armadas e a questão salarial dos militares, mormente dos círculos mal remunerados como os oficiais de baixa patente e as praças das Forças Armadas.

Só pra lembrar a V. Exª., um dos maiores chefes militares que o mundo conheceu, e que sempre encabeçou a relação dos historiadores como gênio da arte da guerra, tinha somente 1,62m de altura.

Promovido ao posto de general-de-brigada aos 26 anos de idade, foi sinônimo de competência militar e liderança. Ele sim, Napoleão Bonaparte, não obstante sua baixa estatura física, foi grande!

Aproveitando o ensejo, posso citar outro que foi grande e que tem seu sobrenome: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Tom Jobim), criador da imortal "Garota de Ipanema".

Os revanchistas atualmente no poder conseguiram vencer uma batalha, mas a guerra está longe de terminar, haja vista que temos força moral e intelectual para continuar a luta.

Em face do exposto, pergunto às autoridades militares o seguinte: até quando os chefes militares ficarão amarrados ao açoite invisível dos cargos, das mordomias, das nomeações? Até quando continuaremos a segurar os chifres da vaca para que os falsos representantes do povo nos três Poderes continuem mamando em suas tetas?

Segundo Lula, no início de seu governo, "o capitão do time é José Dirceu", aquele ex-guerrilheiro que estudou em Cuba e foi recentemente cassado pela Câmara dos Deputados.

Já dá pra analisar que esse governo imoral pretende substituir as Forças Armadas por uma Guarda Nacional, como fez o sanguinário ditador Sadan Hussein, enforcado recentemente por violações dos direitos humanos no Iraque. Alerto: aqui não será diferente. Quem viver verá!

Por fim, informo a V. Exª. que desta vez prefiro estar errado, quero acreditar que esta situação salarial será corrigida.

Se o senhor contribuir para o fim desta agonia terá, de público, meus aplausos e os de milhares de pessoas que, direta ou indiretamente, aguardam com avidez o fim deste suplício.

Sinceramente, que Deus abençoe V. Exª. e que sua permanência à frente do Ministério da Defesa contribua para que a família militar não se decepcione mais uma vez.

Encerro dizendo que não tem sentido admitir que as Forças Armadas, por mais obedientes que sejam, e até por respeito à sociedade, morra de fome com um poderio bélico à mão.

Respeitosamente,

ABÍLIO TEIXEIRA
Sargento do Exército

Cidadão Honorário de Brasília

Ordem do Mérito do DF Grau Oficial

Identidade nº 014184111-4 (Min. Ex.)
SQS 210 - Bloco "K" - Ap. 505 - Asa Sul
70273-110 - Brasília - DF
Tel.(61) 3443-1599/9978-1599

E-mail: abilioteixeira@bol.com.br



Um "general" e "O SARGENTO"
 
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