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Tuesday, October 05, 2010

Quem colocou "mamãe 6%"  lá ?









































O súbito encanto de Marina Silva
por Arnaldo Jabor

Não, o Palácio de Inverno de São Petersburgo, em 1917, ainda não será tomado pela onda vermelha.

Não. Agora, o PT vai ter de encarar: estamos num país democrático, cultural e empresarialmente complexo, em que os golpes de marketing, os palanques de mentiras, os ataques violentos à imprensa não bastam para vencer eleições... (por decência, não posso mostrar aqui os e-mails de xingamentos e ameaças que recebo por criticar o governo).

O Lula vai ter de descobrir que até mesmo seu populismo terá de se modernizar. O povo está muito mais informado, mais online, mais além dos pobres homens do Bolsa Família, e não bastam charminhos e carismas fáceis, nem paz e amor nem punhos indignados para a população votar. Já sabemos que, enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as regras políticas vigentes, nada vai se resolver. Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas e nenhum carisma esconde isso para sempre. Já sabemos que administração é mais importante que utopias.

A campanha a que assistimos foi uma campanha de bonecos de si mesmos, em que cada gesto, cada palavra, era vetada ou liberada pelos donos da "verdade" midiática. Ninguém acreditava nos sentimentos expressos pelos candidatos. Fernando Barros e Silva disse bem na "Folha" : "Dilma parece uma personagem de ficção e Serra, a ficção de uma personagem". Na mosca.

Serra. Os erros da campanha do Serra foram inúmeros: a adesão falsa a Lula, que acabou rindo dele: "O Serra finge que me ama...".

Serra errou muito por autossuficiência (seu defeito principal), demorando para se declarar candidato, deixando todo mundo carente e zonzo, como num coito interrompido; Serra demorou para escolher um vice-presidente (com a gafe de dizer que vice bom é o que não aporrinha), fez acusações ligando as Farc a Dilma, esculachou o governo da Bolívia ainda no início, avisou que pode mexer no Banco Central e, quando sentiu que não estava agradando, fez anúncios populistas tardios sobre salário mínimo e aposentados.

Nunca vi uma campanha tão desagregada, uma campanha antiga, analógica numa época digital, enlouquecendo cabos eleitorais e amigos, todos de bocas abertas, escancaradas, diante do óbvio que Serra ignorou. Serra não mudou um milímetro os erros de sua campanha de 2002. Como os Bourbon, "não esqueceu nada e não aprendeu nada".

A campanha do primeiro turno resumiu-se a dois narcisismos em luta.

Dilma. Enquanto o Serra surfava em sua autoconfiança suicida, a Dilma, fabricada dos pés ao cabelo, desfilava na certeza de sua vitória, abençoada pelo "Padim Ciço" Lula.

Seus erros foram difíceis de catalogar racionalmente, mas os eleitores perceberam sutilezas na má interpretação da personagem, como atrizes ruins em filmes.

O sorriso sem ânimo, o riso esforçado, a busca de uma simpatia que escondesse o nítido temperamento autoritário, suas palavras sem a chama da convicção, ocultando uma outra Dilma que não sabemos quem é, sua postura de vencedora, falando em púlpitos para jornalistas, sua arrogância que só o salto alto permite: ser pelo aborto e depois desmentir, sua união de ateia com evangélicos, a voracidade de militante tarefeira, para quem tudo vale a pena contra os "burgueses de direita" que são os adversários, os esqueletos da Casa Civil, desde os dossiês contra FHC, passando pela Receita Federal (com Lina Vieira e depois com os invasores de sigilos), sua tentativa de ocultar o grande hipopótamo do Planalto que foi seu braço-direito e resolveu montar uma quadrilha familiar.

Além disso, os jovens contemporâneos, mesmo aqueles cooptados pelo maniqueísmo lulista, não conseguem votar naquela ostentada simpatia, pois veem com clareza uma careta querendo ser "cool".

Marina. Os erros dos dois favoritos acabaram sendo o grande impulso para Marina. No meio de uma programação mecânica de marketing, apareceu um ser vivo: Marina. Isso.

Uma das razões para o segundo turno foi a verdade da verde Marina. Sua voz calma, sua expressão sincera, o visível amor que ela tem pelo povo da floresta e da cidade tudo isso desconstruiu a imagem de uma candidata fabricada e de um candidato aferrado em certezas de um frio marqueteiro.

Marina tem origem semelhante à de Lula, mas não perdeu a doçura e a fé de vencer pelo bem. Isso passa nas imperceptíveis expressões e gestos, que o público capta.

Agora, teremos um segundo turno e talvez vejamos um PSDB fortalecido pela súbita e inesperada virada. Desta vez, o partido terá de ser oposição, defendendo-se e não desagregado, como foi no 1º turno, em que se esconderam todos os grandes feitos do próprio PSDB, durante o governo de FHC.

Desde 2002, convencionou-se (quem? por quê?) que Lula não podia ser atacado e que FHC não poderia ser mencionado. Diante dessa atitude, vimos o Lula, sua clone e seus militantes se apropriarem de todas as reformas essenciais que o governo anterior fez e que possibilitaram o sucesso econômico do governo Lula, que cantou de galo até no "Financial Times", assumindo a estabilização de nossa economia. E os gringos desinformados acreditam.

Além disso, com "medinho" de desagradar aos "bolsistas da família", ninguém podia expor mentiras e falsos dados que os petistas exibiam gostosamente, com o descaramento de revolucionários "puros". Na minha opinião, só chegamos ao segundo turno por conta dos deuses da sorte. Isso – foi sorte para o Serra e azar para a Dilma.

Ou melhor, duas sortes.

O grande estrago causado pela súbita riqueza da filharada de Erenice, ali, tudo exibido na cara do povo, e o reconhecimento popular do encanto sincero de Marina.

Isso salvou a campanha errática e autossuficiente de José Serra, que, apesar de ser um homem sério, competentíssimo, patriota, que conheço e respeito desde a UNE, mas é das pessoas mais teimosas do mundo.

Duas mulheres pariram o segundo turno. Se Serra ouvir seus pares e amigos, poderá ser o próximo presidente. Se não...


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Cultura).
Terça-Feira, 05 de outubro de 2010.





O mal a evitar – Estadão







Sunday, September 26, 2010

ATITUDE  HONRADA
































O mal a evitar
editorial do jornal "Estadão"

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apóia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.







































Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" – (Editorial – "Notas e Informações").
Domingo, 26 de setembro de 2010.










O BRASIL NÃO É DO PT !






Friday, August 27, 2010

E "eles", o que dizem? Ora, "batem" continência!

LEIA TAMBÉM: FILME VELHO

































O crime continuado do PT
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Foi preciso uma decisão judicial, tomada na terça-feira, para que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, pudesse exercer o direito elementar de acesso ao inquérito instaurado na Corregedoria-Geral da Receita para apurar a devassa nas suas declarações de renda - cópias das quais foram parar em mãos de pessoas ligadas à campanha da candidata petista Dilma Rousseff. E só assim o País ficou sabendo, já tardiamente, que o sigilo fiscal de outros contribuintes também foi quebrado na mesma ocasião, com a mesma sórdida intenção de atingir o candidato tucano ao Planalto, José Serra.

Em 16 minutos, na hora do almoço do dia 8 de outubro de 2009, na delegacia do Fisco em Mauá, na Grande São Paulo, foram abertas e impressas as declarações do ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique, Luiz Carlos Mendonça de Barros; do arrecadador informal da campanha de Serra ao Senado em 1994 e em seguida diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira; e do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.

Os sistemas de controle da Receita identificaram como pertencendo à analista fiscal Antonia Aparecida Neves Silva a senha utilizada para a invasão no computador da servidora Adeilda Ferreira dos Santos. Antonia, contra quem foi aberto processo administrativo, admitiu ter passado a senha a Adeilda e a outra colega, Ana Maria Caroto Cano. Todas negam envolvimento no caso. O processo depende de uma perícia que não tem data para terminar. É incerto igualmente se aparecerão os nomes dos autores e mandantes do crime. Se aparecerem, não será antes da eleição.

O que parece fora de dúvida é que a devassa foi ordenada de dentro do apparat petista para a formação de um dossiê a ser eventualmente usado contra Serra, conforme revelado pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao material. Na campanha de 2006, quando ele concorria ao governo paulista, o coordenador da campanha do então candidato ao Senado pelo PT, Aloizio Mercadante, envolveu-se com a malograda tentativa de um grupo de companheiros de comprar uma papelada para atacar o tucano. Eles foram presos em flagrante com uma bolada de dinheiro. O presidente Lula limitou-se a chamá-los de aloprados.

Não se sabe se desta vez também há dinheiro envolvido na sujeira afinal desmascarada. Ainda que haja, deve ter prevalecido na montagem da operação o mais autêntico espírito partidário do vale-tudo para tomar e permanecer no poder, como, por palavras e atos, o próprio Lula ensina sem cessar à companheirada. Esse espírito está na origem do mensalão, do escândalo dos aloprados e das demais baixarias que vieram à tona nestes 8 anos. Do PT se pode dizer, parafraseando uma citação clássica, que nada esqueceu e nada deixou de aprender em matéria de vilania política.

Aprendeu, sobretudo, que os fins não apenas justificam os meios, mas dependem de meios eficazes para ser alcançados. O principal deles é o controle - no sentido mais raso do termo - da máquina pública. Dos muitos objetivos a que serve o aparelhamento do Estado, um dos mais importantes é criar um disseminado e leal "exército secreto", como já se escreveu nesta página, pronto para fazer os trabalhos sujos que dele se demandem. A ordem tanto pode partir dos mais altos escalões do governo ou do partido como resultar da iniciativa de indivíduos e grupos que conhecem as regras do jogo na casa e sabem a quem recorrer numa ou em outra circunstância.

No caso da violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e a Serra, é até possível que Dilma só viesse a saber dela quando já estava em curso ou depois de escancarada. O que teria sido possível graças a inconfidências de membros da campanha em conflito com o setor de onde parece ter partido a decisão de arrombar o cofre de informações da Receita. Mas, na ordem das coisas que contam, o essencial, o assustador, é que se constituiu no governo uma rede de agentes que a qualquer momento pode funcionar como uma organização criminosa.

Essa estrutura, que se nutre do próprio Estado em que se encastelou, só deverá se fortalecer com a provável vitória da candidata presidencial do PT.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Editorial Opinião).
Sexta-Feira, 27 de agosto de 2010.











FILME VELHO


































Governo Lula violou sigilo fiscal de generais

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência fez a Receita Federal quebrar o sigilo fiscal de seis oficiais do Exército (três generais da ativa) que criticaram o governo Lula ou seriam indicados a cargos. "Nada consta", informou a Receita sobre todos eles. A ordem do GSI chegou ao Ministério da Fazenda pelo sistema "Note", de comunicação entre ministros, às 15h37 de 18 de janeiro. O pedido foi enviado à Receita às 13h08 de 23 de janeiro. Procurados pela coluna, GSI, Receita e Fazenda se recusaram a comentar a informação.

Fonte: claudiohumberto.com.br - 10/05/2010



DIÁLOGO ENTRE DOIS PAISANOS SOBRE A NOTÍCIA ACIMA:

– Caramba! E o que "eles" fizeram?

– Ora, ora! "Bateram" continência!

– O que "eles" irão fazer quando a terrorista, traidora da Pátria, ladra e assassina de soldados assumir a presidência devido a uma eleição eletronicamente fraudada e com os votos de uma massa de parasitas que vivem de esmolas, ajudas, auxílios e benefícios sem dar nada em troca ao país?

– Ora pois! "Baterão" continência, afinal "eles" são disciplinados (leia-se "amestrados") e a sacripanta terá sido "eleita" pela "maioria", de acordo com os resultados defecados das "urnas funerárias eletrônicas". Pois, como bem disse recentemente o atual comandante e supremo pinguço "deles", agora são todos "tovarishches".

– Cáspite! E o tal juramento "deles"?

– Foi modificado, agora ficou assim:

"Recebendo a nomeação de Aspirante a Oficial do Exército Bolivariano da URSAL*, assumo o compromisso de cumprir rigorosamente as ordens do PT a quem estou inteiramente subordinado; de respeitar os meus superiores hierárquicos, tais como: O Supremo Pinguço, o Comandante Chávez, a Comandante Stella e o Marechal Jobim; de tratar com desconfiança e permanente vigilância os "tovarishches" e com muita afeição os subordinados GLBTs; e de me dedicar inteiramente a causa do "Socialismo Bolivariano do Século XXI" cujos crimes, corrupções e déspotas, defenderei com o sacrifício da própria vida. PÁTRIA, SOCIALISMO OU MORTE!"

(*) URSAL: União das Repúblicas Socialistas da América Latrina, composta por Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai, Nicarágua entre outras merdas cucarachas.



NE: Já que me foi solicitado um esclarecimento, segue a explicação para os três zeros antes da vírgula no quepe da figura representando um militar prestando continência, conforme consta no dicionário Aulete:

Zero à esquerda

1 – Fig. Aquilo que nada acrescenta, que não faz diferença, que não tem significado, irrelevância de valor (como o zero, quando escrito à esquerda de um número).

2 – Pessoa que não tem valor próprio, que não cria, não trabalha, não ajuda outras, etc.

Obs.: Os três zeros = Marinha, Exército e Aeronáutica.

Understand now, friend?




Estadistas não consultam marqueteiros – Augusto Nunes







Sunday, May 16, 2010

ATENÇÃO SENHORES IDIOTAS! DIRIJAM-SE ÀS "URNAS ELETRÔNICAS" PARA PARTICIPAREM DE MAIS UMA ESPARRELA PATROCINADA PELOS COMUNAS.


































PSDB APÓIA PT
por Janer Cristaldo

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse em Recife que "Lula está acima do bem e do mal" e que a popularidade do petista em Pernambuco é merecida. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), declarou por sua vez que "Lula virou uma entidade. Lula não vai se repetir nem hoje nem amanhã nem nunca: é um episódio na história do Brasil".

Ora, nunca houve presidente na história do país que estivesse tão comprometido com a corrupção e com o acobertamento de corruptos. Dada sua popularidade graças às esmolas jogadas ao povão, político algum ousa denunciá-lo. Lula goza de uma imunidade conferida pelo populismo. Todos os crimes lhe são perdoados.

Com oposição assim, o PT pode até dispensar sua base aliada. Serra acha que está disputando o governo. Em verdade, está reforçando a candidatura de Dilma. E ainda há quem julgue que voto servirá para algo nestas eleições.


Janer Cristaldo nasceu em 02 de julho de 1947 em Santana do Livramento, graduou-se em Direito e Filosofia em Santa Maria e Porto Alegre, respectivamente, fez curso de língua sueca na Stockholms Universitet e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Janer Cristaldo também é escritor, tradutor, ensaísta, contista e articulista de diversos jornais e sites, destacando-se entre eles o "Baguete Jornalismo Digital" e o seu próprio blog: "Janer Cristaldo". E-mail: janercr@terra.com.br





Publicado no blog "Janer Cristaldo".
Sábado, 15 de maio de 2010, 20h16.




URNAS ELETRÔNICAS: UMA HIPER-FRAUDE, O SEU FUTURO ESTÁ EM JOGO!

VOCÊ SE PREOCUPA COM O FUTURO DO PAÍS, DOS SEUS FILHOS E DAS FUTURAS GERAÇÕES?
– SIM!
VOCÊ QUER QUE ELES VIVAM EM UM PAÍS DEMOCRÁTICO?
– SIM!
VOCÊ CONHECE O SISTEMA ELEITORAL BRASILEIRO POR DENTRO?
– NÃO?
ENTÃO CONHEÇA! CLICK NO BANNER ABAIXO:


















VÃO SE FODER, DUPLA DE FILHOS DA PUTA! TEM OTÁRIO QUE AINDA LEVA FÉ NESSE TAL DE SERRA. PUTZ!





Sunday, November 01, 2009

URGENTE: ÚLTIMA CHAMADA! A SITUAÇÃO JÁ ESTÁ QUASE IRREFREÁVEL!

*Atualizado em 02/11/2009.

Isso é muito sério: Até o pai da "criança" (FHC), já admite que gerou um "monstro".
E os milicos? Ora, continuam acovardados e "deitados em berço esplêndido"!










































Para onde vamos?
por Fernando Henrique Cardoso

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio "talvez" porque alguns estão de tal modo inebriados com "o maior espetáculo da terra", de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio, vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista" deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental em uma companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os "projetos de impacto" (alguns dos quais viraram "esqueletos", quer dizer obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: "Brasil, ame-o ou deixe-o". Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: "Minha casa, minha vida"; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo "Brasil potência". Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que tivesse se esquecido de acrescentar "l'État c'est moi". Mas não esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender "nosso pré-sal". Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no "dedaço" que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Ora dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso, os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil, os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas – mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou "privatizadas". Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde.


Fernando Henrique Cardoso (FHC), nasceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1931, é professor, sociólogo, cientista político e escritor. FHC, foi Senador da República, Ministro das Relações Exteriores, Ministro da Fazenda e Presidente da República por dois mandatos (1995-2002). Atualmente FHC, preside o Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) e participa de diversos conselhos consultivos em diferentes órgãos no exterior, além de ser presidente de honra do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), partido este, que foi co-fundador.





Publicado no jornal "Zero Hora" – (Edição Nº 16142).
Domingo, 01 de novembro de 2009.




NIVALDO CORDEIRO "TRADUZ" FHC. PERFEITO!










































FHC E O TEMA DE NOSSO TEMPO
por José Nivaldo Cordeiro

O tema de nosso tempo é o totalitarismo (que chamei de Estado Total) e o Brasil caminha a passos largos na sua direção. Os leitores que me acompanham estão perfeitamente cientes dos perigos que nos  rondam. E quero  confidenciar  aqui, que o artigo hoje  publicado em vários jornais pelo  ex-presidente  Fernando Henrique Cardoso (v. texto acima), ao mesmo tempo que me envaideceu, me deixou entristecido. Vejo que vários dos pontos preocupantes que tenho levantado em minhas análises foram plenamente endossados por ele. FHC também está muito preocupado com o futuro político do Brasil. Ter a concordância de FHC mostra que, de fato, não tenho errado nas análises, algo a envaidecer-me. Porém, fico triste porque acertar aqui é perder, pois os riscos emergem de todos os lados, as ameaças brotam, a sociedade treme inerme diante do Estado Total petista.

FHC inicia o artigo indo direto ao ponto principal, a plena alienação da sociedade brasileira diante da arrogância e exorbitância do governo Lula: "A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio 'talvez' porque alguns estão de tal modo inebriados com 'o maior espetáculo da terra', de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?"

FHC só não pode afetar surpresa por isso. Ele sabe perfeitamente bem que o grande eleitor de Lula e o pavimentador dos caminhos do PT ao poder foi ele mesmo. A alienação da sociedade aconteceu em larga medida em seu próprio tempo de poder e oriunda de seus próprios métodos. Não faz muito eu comentei a entrevista que FHC deu à revista Dicta&Contradicta (v. AQUI ), na qual ele se declarou partidário dos métodos políticos de Gramsci. Ora, o resultado disso não seria coroado no seu governo, socialista meia-boca, ainda com o ranço "burguês". A social-democracia sempre preparou o terreno para que os radicais desembarcassem no poder de Estado. Como teórico da revolução gramsciana ele tem perfeitamente claro como funciona a coisa toda.

FHC completou no exórdio do artigo: "Só que cada pequena transgressão, cada desvio, vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos".

Sim, tem método, o método usado por FHC ele mesmo e seu grupo, desde antes de chegar ao poder. Impessoal, a despeito do príncipe tresloucado, um estúpido com cara de torcedor e futebol. A revolução no ensino, alienando os jovens, a edição de material didático mentiroso, o agigantamento acelerado do Estado, do lado da receita e da despesa, o controle ideológico dos meios de comunicação, foi tudo que FHC realizou. Até mesmo as malditas bolsas em troca de votos foi criação sua. FHC se preocupa talvez porque um insensato é um príncipe despreparado. Ora, quando os demônios são soltos fazem coisas que se esperam deles. Afinal, são demônios. É o que estamos vendo. Nada do que Lula faz é diferente do que FHC fez, exceto que o processo é cumulativo e está em grau muito mais avançado, praticamente temos vinte anos nessa marcha forçada no rumo do totalitarismo. Que a revolução gramsciana se faz assim mesmo, "devagarinho, quase sem que se perceba". Agora FHC chama a isso de "pequenos assassinatos", figura notavelmente apropriada, mas ele é mais que cúmplice desses crimes, pode ser considerado o mandante. FHC poderia ter salvo o Brasil desse desastre, mas jamais quis isso. Como um Fausto tupiniquim achou que poderia negociar com Mefistófeles sem entregar a alma. O fogo arderá para todos. FHC deu-se conta da dimensão da tragédia que nos espera.

Completou: "Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do 'autoritarismo popular' vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os "projetos de impacto" (alguns dos quais viraram "esqueletos", quer dizer obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: "Brasil, ame-o ou deixe-o". Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: 'Minha casa, minha vida'; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos".

FHC teve a coragem de vir a público dizer essas coisas todas, uma surpresa para mim. Falar, como fez, em autoritarismo popular é ainda um eufemismo, mas uma figura de linguagem que já dá a dimensão trágica do real. Afinal, FHC carrega a autoridade de ex-presidente, patrono de todos os esquerdistas, inclusive e sobretudo de Lula e seu grupo. De uma maneira que me pareceu desapropriada comparou as ações de Lula com as dos governos militares, esquecendo-se de dizer que os militares implantaram o regime de força para livrar o Brasil das mesmas forças totalitárias aglutinadas em torno de Lula; e, depois, fizeram a abertura política e entregaram o poder aos civis, sem qualquer trauma. O processo agora é precisamente o inverso e mais paralelo, vejo como o período imediatamente anterior ao pré-64: as esquerdas se aproximando do poder total pela via democrática, objetivando destruir a ordem democrática para perpetuar-se. FHC não perdeu o sestro de falar mal dos militares, para cortejar talvez aqueles a quem denuncia no artigo. Seu medo ainda não alcançou as devidas dimensões.

Não obstante, foi capaz de escrever: "Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados". Nesse trecho podemos notar sua ansiedade e sua urgência. Partido e Estado formando uma unidade é o totalitarismo com todas as letras e o Brasil já vive isso, conforme ele observou. Infelizmente, é o que tenho escrito há bem mais tempo. Esse processo começou no dia da posse de Lula. Este artigo tardou a ser escrito.

Em meus artigos os leitores têm lido muito sobre o papel adquirido na economia pelos fundos de pensão e como eles se tornaram instrumentos para a chegada ao socialismo, a partir da resenha que fiz do livro de Peter Drucker (v. AQUI ). É a primeira vez que vejo o problema colocado nos mesmos termos que tenho escrito: "Ora dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso, os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil, os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas – mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou "privatizadas". Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde".

Pergunta: quem tem força para dar basta ao continuísmo? Ora, direis, as estrelas. Quais? As quatro, aquelas mesmas quatro que em 1964 tiveram a força e o discernimento para espantar os alucinados do poder. Que venham enquanto é tempo. Ora, direis, ouvir estrelas... Melhor ouvir clarins?

Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Domingo, 01 de novembro de 2009.




CONTRATO EM FASE DE CONCLUSÃO












































A MÃO QUE BALANÇOU O BERÇO
por José Nivaldo Cordeiro

Mais algumas palavras sobre o artigo de FHC (v. AQUI ) publicado no último domingo. A angústia do ex-presidente é a real possibilidade de se consolidar o continuísmo petista. Seu artigo é esse grito de desespero de alguém que construiu a revolução gamsciana achando que controlaria todo o processo e que ele mesmo e seus asseclas iriam manter-se no poder. Não podemos esquecer que na entrevista concedia à revista Dicta&Contradicta (v. AQUI ) FHC declarou que o PT estava apenas temporariamente no poder. Queimou a língua.

Brincou de feiticeiro, soltando os demônios revolucionários e agora não sabe mais como fazer para que eles retornem à caixa de Pandora. Fernando Henrique Cardoso é uma espécie de Zeus do petismo, tendo parido essa gente de sua própria cabeça. Foi um grande ato de irresponsabilidade política. A arte da política é combinar a legitimidade da democracia com a condução aristocrática dos negócios do Estado. Essa fórmula, esse regime misto, só é possível de ser obtido na chamada democracia burguesa, que pressupõe o respeito à propriedade privada e o Estado Mínimo. E o pluralismo político, que inclua as forças conservadoras com capacidade real de alcançar o poder.

O esforço pessoal e de seus correligionários foi o de precisamente destruir o conservadorismo no Brasil, mesmo a memória do conservadorismo, que nisso consiste a tal revolução gramsciana. Criou-se um artificial abismo de gerações, moldando um homem novo, sem passado, as multidões eleitoras do PT. Descambar para o populismo bolivariano de Lula era o passo lógico subseqüente. FHC achou-se o patrício-mor da Nação. Errou feio. Seu artigo foi a confissão desse erro e do desespero de ver o país caminhar para o abismo, sem nada a fazer. Resta ainda, como última instância, as supremas forças da ordem, as Forças Armadas, aquelas mesmas que FHC humilhou, criando o Ministério da Defesa, condenando seus comandantes à condição de subalternos. Ora, eles nunca foram subalternos e se tem alguém que se assemelhe aos patrícios romanos no Brasil são eles mesmos, os comandantes, não FHC.

Piora o quadro o fato de que FHC não mais controlar o processo político nem mesmo dentro de sua agremiação política, o PSDB. Estamos vendo a rebelião de Aécio Neves, que quer porque quer ser o cabeça de chapa na eleição que se aproxima. Se não o for, fará o que fez nas últimas eleições e trairá o próprio partido, consumando a derrota e o continuísmo petista. Até mesmo uma possível recondução ao governo de São Paulo, de José Serra, pode estar ameaçada, o que seria a suprema tragédia política. Tantas são as besteiras de seus aliados que acabarão por entregar a rapadura aos adversários.

Os demônios (uso o termo aqui no sentido que Dostoievsky usou no famoso romance) soltos e agindo vão pôr fogo no mundo. Fausto encarnado sob o manto de FHC não tem como controlá-los. Tempos de grandes perigos. Não deve FHC se queixar da mão pesada deste modesto escriba, mas dos seus próprios delírios revolucionários.

Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Segunda-feira, 02 de novembro de 2009.



José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas".



José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP e editor do site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado". E-mail: nivaldocordeiro@yahoo.com.br




NIVALDO CORDEIRO POR NIVALDO CORDEIRO





































QUEM SOU EU?

Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas.

Digo como o grande Ortega y Gasset:"Dou o que tenho; que outros, capazes de fazer mais, façam o seu mais, como eu faço o meu menos".

POR QUE ME DECLARO CRISTÃO

É muito difícil definir em que consiste o meu cristianismo. Em primeiro lugar, porque Cristo é, antes de tudo, uma expressão simbólica e como tal contém o Inefável, o Indizível, aquilo que escapa à compreensão humana. Lendo os belos textos das Escrituras vemos muitas metáforas e outra figuras de linguagem, pois a definição das coisas divinas não é fácil na linguagem humana. Gosto especialmente do discurso de Paulo no Areópago (At17,22 +) em que fala do Deus Desconhecido. Gosto quando Paulo fala do Deus Vivo, gosto quando Cristo disse que vem renovar a Aliança, mas vem também fazer valer a Lei, uma contradição aparente. Gosto quando Paulo diz que "Deus não faz acepção das pessoas" e gosto da vocação evangelizardora cristã, sua mais nobre missão.

O que mais me seduz no Cristianismo é a sua idéia fundamental de que a Humanidade é uma só, que Deus é um só, e que pela Graça haverá a Salvação. Sem isso a vida fica rigosoramente oca, não vale a pena, é transitória, dolorosa, contraditória, aterrorizante. A morte, diante de uma negação de Deus, é a única saída sensata para um ser inteligente, para escapar da horrenda condenação a que está submetida a Natureza, a vida a devorar-se a si mesma, eternamente, numa sucessão de dores inúteis.

Então a minha crença consiste em dar fé ao testemunho dos homens excepcionais que escutaram a mensagem de Cristo e outros, como Paulo, que viveram uma experiência avassaladora e irresistível, de "ver" Cristo. De homens modernos, como Jung, que nos afirmam que a experiência desses homens antigos é verdadeira e que o Deus Vivo continua vivo como sempre, em cada um de nós. De homens como Miguel de Unamuno, que ungidos da bênção da poesia, conseguem exprimir a fé como uma verdade filosófica. De homens como Olavo de Carvalho, que, a partir de intelectos excepcionais, dão-nos a garantia a nós outros de que Verdade e Fé são uma única e mesma coisa.

Mas o Cristianismo tem ainda outras belezas. Tem as virtudes, em especial a Caridade. E o que dizer do Perdão? Da Tolerância? Da Paciência? Uma religião que prega a prática desse conjunto de virtudes, dificílima, que por si só exige do vivente uma força interior de um gigante, tem algo de extraordinário e de transcendente.

Mas tenho também muitas perguntas, acho que todas elas sem respostas, dentro das limitações humanas. Por que "esse" plano de Salvação? Em que consiste precisamente a Salvação? Por que Deus permitiu que Satã tivesse força para ser a Sua negação? Etc, etc, etc.

O que me consola é ter aprendido com Unamuno que a fé pressupõe a dúvida e entre as duas fica o crente crucificado durante a sua existência. Era a sua maneira peculiar de ver no homem uma imitação do Cristo pregado à Cruz, "morriente".

Por fim, há um conjunto de sonhos que tive, nos quais aparece a Cruz Resplandecente e que dão a minha própria sustentação empírica à minha fé. É a maneira com que o Bom Deus abençoou-me com uma dádiva, uma gota de Sua bondade. Como explicar isso para quem não viveu algo igual? É indizível, é o que nos torna sós, solitários em meio a multidão. Haveria ouvidos para ouvir? Duvido. Quem é mesmo o meu próximo? Hoje só há pseudos cristãos guerreiros (aonde está a paz de Cristo?) em busca de revolução, ninguém quer mais saber do Pão da Vida, mas do Reino desse Mundo, a ruina do Espírito na ensandecida busca da salvação pela política, vale dizer, pela matéria.

26/03/2001

DEVER DE CONSCIÊNCIA

Em conversa com amigos, perguntaram-me porque decidi me expor, escrevendo quase que diariamente sobre temas variados e opinando sobre os fatos da conjuntura. Resposta na ponta da língua: faço-o por dever de consciência. Por mim, por minha família, por meus amigos, por meu País.

O estilo que adoto nos meus curtos escritos é o da sobriedade, mesmo quando manipulo temas naturalmente polêmicos e explosivos. Sem ela, poderia acontecer dos textos tomarem o tom denuncista e, por isso mesmo, perderem a credibilidade. Mas sobriedade não significa fazer concessões: ela é um mero estilo de escrever. Minhas palavras são tão duras quanto merecem os temas trabalhados, sem fazerem concessão de espécie alguma. E não é sem esforço, pois os temas são candentes e a minha inclinação natural é a explosão verbal de indignação. Mas, assim, os textos teriam a eficácia diminuída.

Decidi escrever por dois motivos fundamentais. Primeiro, porque descobri que, no meio-dia da vida em que me encontro, eu tenho algo dizer. Mas decidi também fazer esse estafante – e gratificante – esforço porque a mentira e a desinformação tomaram conta das nossas fontes de informação e senti-me na responsabilidade de fazer o contraponto, no limite das minhas possibilidades. Tive que fazer um grande esforço pessoal para escapar da lavagem cerebral a que estamos submetidos e decidi somar esforços com os poucos gatos-pingados que também decidiram enfrentar a mentira institucionalizada, voluntária ou não, que domina os nossos meios de comunicação e de produção cultural.

Não escrevo por dinheiro, nem por vaidade, nem por projeto político pessoal. Escrevo como uma espécie de missão. Posso até dizer que o faço hoje não mais por escolha – se é que algum dia o fiz – mas por um impulso interior que só se controla diante da crônica do dia redigida. Por ser assim, desfruto da máxima liberdade, aquela liberdade inebriante que só a arte de escrever pode permitir. A sublime liberdade.

Algumas publicações, em diferentes regiões do Brasil, têm acolhido as minhas notas. Fico feliz e lisonjeado por isso. Mas me daria por satisfeito com a requintada platéia que tenho na Internet, essa grande maravilha, que permitiu juntar-me aos solitários de alma e unir-me àqueles que estavam irremediavelmente ilhados. Essa será talvez a maior revolução da rede, a de deixar que homens e mulheres que têm o que dizer, e o fazem por dever de consciência, amplifiquem a sua mensagem, fazendo-a chegar aos lugares mais distantes. É uma confraria dos solitários de alma.

Tenho feito novos e grandes amigos entre os seres mais especiais, não apenas em nosso País, mas também no exterior. É uma dádiva e uma recompensa trocar correspondência com essas pessoas e ocasionalmente encontrá-las. É uma graça divina partilhar da riqueza espiritual de tanta gente distinta, jovens e velhos, todos muito talentosos.

É por isso que escrevo com gosto. Mudei a minha rotina e aumentei a minha carga de trabalho, mas é o que faço de mais importante nesse instante da minha existência.
03/02/2002
José Nivaldo Cordeiro




Lealdade e disciplina – Cel Marcelo Oliveira Lopes Serrano





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Tuesday, August 25, 2009

Políticos brasileiros: Só pendurando-os no "varal"!






























Aprendemos de cabeça para baixo
por Arnaldo Jabor
Nunca nossos vícios ficaram tão visíveis

Os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Temos assistido, como nunca antes, a um show de verdades através do chorrilho de negaças, de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. O Brasil está evoluindo em marcha a ré! Nessas últimas semanas, só tivemos des-acontecimentos. O senador Mercadante ia sair da liderança do PT, irrevogavelmente.

Depois, oscilou, seu mestre deu-lhe um esculacho e ele voltou atrás. Marcha a ré.

Des-aconteceu.

A Dilma também. Ela "não" se encontrou com a Lina Vieira, não. Querem nos convencer que a Lina é maluca e resolveu inventar tudo aquilo para prejudicar a ministra. Ninguém se lembra que essa polêmica do "fui não fui" é útil para camuflar o fato de que a expulsão de Lina aconteceu somente por causa do questionamento à Petrobras...

Tudo marcha a ré. Tudo some. As fitas de VT do Planalto se apagaram. Ninguém existe mais nas fitas. Os atos secretos voltam pouco a pouco e deixam de sê-lo. O nosso Sarney foi absolvido de tudo; as 11 acusações foram arquivadas pelo mordomo-suplente – des-aconteceram, sumiram na descarga do Conselho de Ética. Sarney, o Comandante do Atraso, disse que não se sente culpado de nada. Está certo – seus servos decretaram que nada, houve. Nossa frágil república esta sumindo.

As tramoias e as patranhas de hoje são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira.

Está em andamento uma "revolução dentro da corrupção", tudo na cara da população, com o fito de nos acostumar ao horror.

Com a dissolução do PT, que hoje é o verdadeiro partido da "direita", com o derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a maçaroca informe do PMDB (Oba! Vem aí o tesouro da legislação do pré-sal, a ser entregue a seus malandros-chefes, que já devem estar babando).

No entanto, justiça ao narcisismo deslumbrado de Lula, com seu projeto de si mesmo: nunca nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo.

E aí, nossa única esperança: talvez estejamos aprendemos sobre a dura verdade nacional nesse rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Por exemplo: uma visão do cabelo do Wellington, a cara dura de seres como o Almeida Lima, o rosto feliz do Renan e Jucá, ensinam-nos muito. Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos! Já sabemos que a corrupção no país não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas.

Aprendemos a mecânica da sordidez: a técnica de roubar o Estado para fazer pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, orgasmos entre empreiteiras e políticos. Querem nos acostumar a isso, mas, pode ser, (oh Deus!) que isso seja bom: perdermos o autoengano, a fé. Estamos descobrindo que temos de partir da insânia e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.

Até que enfim nossa crise endêmica está sujamente clara, em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades imundas, tão fecundas como um adubo sagrado, belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. Como é educativo vermos as falsas ostentações de pureza e candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a bilontragem nas cumbucas, nos esgotos da alma..Que emocionante esse sarapatel entre o público e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, fazendas imaginárias, açougues fantasmas, netinhas e netinhos, filhinhos ladrões, a ditadura dos suplentes, cheques podres, piscinas em forma de vaginas, mandingas, despachos, as galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela, as diarreias secretas, as flatulências fétidas no Senado, diante das evidências de crime, os arrotos nervosos, os vômitos, tudo compondo o grande painel da nacionalidade.

Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que, enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver estatais com caixa preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, nunca haverá progresso. Já sabemos que, enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados e que enquanto não chegarem ao fim as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver.

Já sabemos que mais de R$5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas.

A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas, e mais: os que foram desonrados no Congresso voltaram fortes e mandam no Legislativo. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.

Só nos resta a praga. Isso. Meu desejo é maldizer, como já fiz aqui várias vezes.

Portanto, malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, trampistas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, marandubas, fraudes, lérias e aldravices se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarreias torrenciais.

Que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre! No entanto, além das maldições, sou um otimista inveterado; fico procurando algo de bom nessa bosta toda! Talvez essa vergonha seja boa para nos despertar da letargia de 400 anos. A esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno.

Através desse escracho, pode ser que entendamos a beleza do que poderíamos ser!


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "O Globo".
Terça-feira, 25 de agosto de 2009.




DIA DO SOLDADO??? QUEM SABE, DAQUI A UNS QUINZE OU VINTE ANOS...




Políticos brasileiros: Só pendurando-os no "varal"!

Monday, May 11, 2009

SÓ RESTARÁ UMA SOLUÇÃO: À FORÇA!































A Disputa pelo Poder
por Luís Mauro Ferreira Gomes

A Inicialmente, pedimos desculpa por nos termos alongado demais, contudo, preferimos esgotar essa matéria que, faz tempo, nos incomoda, escrevendo-a para aqueles que tiverem a paciência de lê-la até o fim.

Desculpamo-nos, também, por apresentarmos uma concepção excessivamente pessoal e, talvez, um pouco pessimista, mas é assim que vemos a nossa situação política.

Especular a partir dos dados conhecidos é fundamental para a compreensão da realidade, infelizmente, muitos perderam a capacidade de conjecturar, preferindo aceitar, passivamente, as verdades oficiais dos meios de comunicação.

Optamos por renunciar a essa comodidade, para apresentar algumas reflexões.

Faz algum tempo, dissemos, em um de nossos artigos, que a avaliação da conjuntura estava feita e a situação era conhecida de todos, restando, apenas, tomar a decisão, fazer o planejamento dela decorrente e executá-lo.

Isso continua verdadeiro de um modo geral, no entanto, alguns aspectos, antes não muito claros, tornaram-se cada vez mais explícitos. Voltaremos, portanto, ao assunto para comentar a evolução de tais acontecimentos.

Começaremos, nesta oportunidade, por abordar a disputa pelo poder, não necessariamente ligada às eleições de 2010.

Embora a maioria seja dissimulada e não o admita formalmente, alguns políticos de esquerda agem às escâncaras, enquanto outros atuam mais nos bastidores. Entre estes últimos estão José Dirceu e Cyro Gomes. Ainda que não sejam menos perigosos, não trataremos deles agora, pois não estão muito claros os caminhos que seguirão na disputa pelo poder. Por enquanto, aparentemente estão em franca preparação, procurando acumular dinheiro ou articular-se politicamente à espera do evoluir da situação para exporem as suas verdadeiras intenções.

Entre os explícitos estão Lula, Dilma Rousseff, Tarso Genro e Nelson Jobim.

Lula

Ao contrário do que afirma e do que pensam muitos, Lula pretende, sim, concorrer ao terceiro mandato. E ao quarto, e ao quinto, e ao sexto, enfim, indefinidamente, enquanto o demônio o permitir. Somente não o fará se for impedido ou se concluir que não se reelegerá.

Para facilitar-lhe a busca do objetivo primeiro, todos os políticos que tinham a possibilidade ou a pretensão de virem a concorrer à Presidência foram neutralizados. Vejamos alguns exemplos, entre outros de que trataremos mais tarde:

– Renan Calheiros, então todo-poderoso presidente peemedebista do Senado, envolvido em escândalos que ele mesmo criou, foi estimulado a resistir com a ajuda do governo federal, até desmoralizar-se completamente, quando lhe foi subtraído o apoio e teve de renunciar para não perder o mandato. Agora, qual fênix moderna, ressurge da lama, como aconteceu com todos os governistas envolvidos nos mais escabrosos casos de corrupção. Reabilitado, enfim, mas inviabilizado como candidato à Presidência.

– Jaques Vagner, governador da Bahia, começou a aparecer muito, e logo surgiu o seu nome como possível alternativa petista. Prontamente, os jornais noticiaram supostos envolvimentos em casos de corrupção ou em escândalos que passaram a assombrar-lhe o passado e o presente. Depois de alguns meses, nunca mais se ouviu falar de tais casos, que, certamente, poderão ser ressuscitados a qualquer momento. Coincidentemente, não mais se falou também na sua pré-candidatura presidencial. Nem os políticos do PT escapam.

– Geraldo Alckmin começou a ter a sua possível candidatura desconstruída, ainda quando concorria contra Lula em 2006, em um processo que culminou nas últimas eleições para a prefeitura de São Paulo, em 2008. Nesse caso, o presidente contou com a inestimável ajuda do PSDB, falso partido de oposição que, obcecado com a idéia de defender a postulação de Serra, não se furtou de fazer todo o trabalho sujo.

Dilma Rousseff

Dilma Rousseff tem-se comportado como candidata oficial e, sem qualquer vestígio de pejo, faz, sistematicamente, campanha em que usa o dinheiro público e a máquina do Estado para se promover fora dos prazos legais, com a conivência do TSE, acovardado, corrompido e infiltrado por militantes políticos.

Ela vem sendo apresentada como "a candidata do presidente" somente para ocupar o lugar e desestimular novos pretendentes nas bases do governo. Não seria razoável que Lula resolvesse arriscar tudo em uma candidata arrogante, antipática e sem carisma, ainda que, aparentemente, lhe seja fiel e não lhe represente qualquer perigo. Mesmo que a reeleição para o terceiro mandato se torne inviável, não nos parece que Dilma venha a ter a verdadeira preferência presidencial. Seria muito mais interessante tentar uma composição com José Serra, com quem tem grandes afinidades ideológicas (somente os separam a disputa pelo poder e as origens). Essa composição poderia render a participação em um possível governo do peessedebista, com a "apropriação indébita" de alguns ministérios e todas as benesses que isso implicaria.

Lula continuaria no poder e muitos militantes petistas infiltrados em funções do Estado manteriam seus cargos, enquanto o partido se encarregaria de sabotar a administração Serra, para que, quatro anos depois, o próprio Lula pudesse voltar apoteoticamente à Presidência. É claro que esse acordo poderia ser secreto, e Dilma, lançada como candidata de fachada. Se ganhar, ótimo, se perder, também.

Resta saber, como diria Garrincha, se seria possível combiná-lo com Serra. Isso somente aconteceria se ele concluísse que precisaria do apoio de Lula para vencer.

Se essa tentativa falhar, algo semelhante poderia ainda ser tentado com Aécio Neves. Essa possibilidade teria o condão de dividir de vez a enganadora oposição política brasileira.

Assim, é provável que Dilma somente seja verdadeiramente candidata, se fracassarem todas as outras possibilidades.

Em tal caso, se ela perdesse e não fosse possível a composição com o governo eleito, o PT voltaria a fazer oposição radical, visando à eleição de 2014. Se vencesse, desistiria da reeleição em favor do seu guia. De novo, resta saber se ela cumpriria o trato. Parece-nos que sim.

Em entrevista coletiva recente, a ministra informou que está em tratamento de grave enfermidade, felizmente detectada logo no início, quando os prognósticos de cura são favoráveis. As motivações e os desdobramentos dessa divulgação são ainda indetermináveis ou imprevisíveis. O certo é que o fato novo poderá estimular reações contra a candidatura dita oficial, por parte de postulantes petistas frustrados, mas, também, poderá servir como jogada de "marketing", para promovê-la, ao despertar a compaixão do eleitorado.

Nesse sentido, O Globo de 26 de abril diz que "o presidente avaliou que era preciso dar satisfação à opinião pública para evitar especulações" e que "os estrategistas políticos do governo temem prejuízo nas alianças, mas apostam em solidariedade da população".

A doença da ministra seria, ainda, no momento certo, uma ótima desculpa para justificar a desistência em favor de um terceiro mandato ou de outra composição partidária.

Nelson Jobim

Nelson Jobim foi colocado no Ministério da Defesa primariamente para sofrer desgaste político. No dia de sua nomeação, escrevemos o artigo "Seleção Antinatural" em que dissemos: O presidente da República encontrou um ótimo cabide, ou melhor, um excelente depósito para estocar o Nelson Jobim, arrefecendo-lhe, de imediato, a sede de poder, para, logo, inviabilizar – como conseqüência do fracasso que, sabidamente, colherá – qualquer pretensão de candidatura à Presidência da República que, por falta de autocrítica, pudesse ter. Excessivamente autoconfiante e soberbo, assumiu o Ministério "cheio de marra", crente de que havia recebido um passaporte para a Presidência. Vazio de conteúdo, procurou impressionar, assumindo a caricatura de machão "de cinco facas".

Por conta disso, no lançamento de um livreco vulgar e mentiroso, editado sob os auspícios da Presidência da República, ameaçou os militares que reagissem ao conteúdo da "obra". Pretendeu, ainda, dividir o Exército, insinuando uma dicotomia entre integrantes da Ativa e da Reserva. Esse é um de seus discursos favoritos.

O Alto-Comando do Exército emitiu nota memorável em que, não somente condenou o livro, como reafirmou o que todos sabemos: somente existe um Exército – o de Caxias. Sentindo-se confrontado, o ministro fanfarrão, inteiramente fora da realidade e dos limites de sua competência, ameaçou de demissão os integrantes do Alto-Comando. Sem conseguir o apoio do presidente para a retaliação pretendida, Jobim compreendeu, finalmente, que, se insistisse em afastar os generais, seria ele o afastado. Viu-se, então obrigado a "considerar o caso encerrado", como afirmou, publicamente, aos jornalistas que o questionaram.

Coerente com o seu caráter, deixou as bravatas de lado e aproximou-se dos Comandantes das Forças, procurando afinar o discurso com o daquelas autoridades a tal ponto que alguns militares mais ingênuos chegaram a ver nele um "amigo" das Forças Armadas". Em verdade, o que procurou foi blindar-se contra o próprio Lula, ameaçando-o, veladamente, com o respaldo que, supostamente, os militares lhe dariam.

Continuando com o seu plano maquiavélico, juntou-se ao ministro virtual Mangabeira Unger para elaborar uma "Estratégia Nacional de Defesa". Quem a lê logo percebe que a principal, senão única, finalidade do documento é aumentar o seu poder como ministro da Defesa, ao mesmo tempo em que descaracteriza as Forças Armadas, avilta os militares e usurpa a autoridade do presidente da República, enquanto comandante supremo. Nessa posição confortável, espera por uma situação favorável que lhe permita dar o bote e tornar-se presidente, seja por que via seja.

Tarso Genro

Inicialmente como ministro da Educação, presidente nacional do PT e ministro chefe da Secretaria de Relações Institucionais, teve uma atuação discreta, mas, com o passar do tempo, já no Ministério da Justiça, começou a afirmar-se como representante das alas mais radicais do PT, as quais, tudo indica, pretende liderar. Acostumado às intrigas palacianas e conhecedor dos companheiros com quem lida, rapidamente percebeu a vulnerabilidade da situação em que se encontrava e, da mesma forma que Nelson Jobim, tratou de encontrar uma blindagem que o tornasse invulnerável às investidas presidenciais. Não foi difícil. Tendo como subordinadas a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança Pública, logo as transformou em fonte de poder que garantisse a sua sobrevivência.

Dedutivelmente sob sua inspiração, a Polícia Federal, transformada em KGB pessoal, começou a colher, ilegalmente, farto material comprometedor contra várias autoridades da República, e a realizar operações policiais pirotécnicas para tornar explícito esse poder, que, uma vez conhecido, serviria como forte agente dissuasório contra quem quer que lhe pretendesse criar obstáculos.

A quem aproveitaria a coleta de informações sobre pessoas tão distintas quanto o presidente do STF Gilmar Mendes; o empresário Daniel Dantas que, supostamente, contribuíra para o rápido enriquecimento do filho do presidente; o senador oposicionista Demóstenes Torres; o deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, também advogado de Daniel Dantas; ou a ministra Dilma Rousseff?

O primeiro nome que nos ocorre é o do próprio ministro Tarso Genro que, possivelmente, as usaria para constranger os oposicionistas, neutralizar seus adversários políticos dentro do próprio PT e tornar-se indemissível, por saber demais sobre o presidente e sua família. Lula deve ter custado a perceber a manobra em toda a sua extensão, pois, de início, parecia que as ações truculentas e em desrespeito a todas as formalidades legais também lhe eram úteis, enquanto feitas contra alguns empresários ou políticos da oposição.

O perigo somente se tornou completamente claro quando vazaram as investigações do delegado Protógenes Queiroz e as relações duvidosas entre a PF e a ABIN, tornando públicas as escutas telefônicas clandestinas contra oposicionistas do governo, mas, também, contra seus aliados.

Disfarçadamente, o presidente tem dado farta quantidade de corda para Tarso enforcar-se. Assim é que deixou prosperar a campanha difamatória e revanchista contra as Forças Armada, que o ministro atrabiliário e seu companheiro de subversão Paulo Vanucci vêm patrocinando, com o objetivo de rever a lei da anistia. Isso é muito mais arriscado para os terroristas escondidos no poder do que para os militares propriamente. É provável que, pela mesma razão, tenha apoiado a iniciativa ministerial de negar a extradição do terrorista assassino Cesare Battisti pedida pela Itália, concedendo-lhe o "status" de refugiado político.

Detentor de forte aparato de comunicação para afastar de si a responsabilidade pelos erros do governo, Lula contaria com o agravamento das crises decorrentes da insatisfação dos militares brasileiros, dos terroristas aliados e do governo italiano para, se vierem tais tribulações, agir com a absoluta convicção de que quase todos o veriam como vítima. Ele se apresentaria como tendo sido enganado e induzido ao erro, mas diria que Tarso Genro fora injustiçado, que tem a sua irrestrita confiança, que praticara um ato bonito ao pedir exoneração para não comprometer o governo. Contudo, entregaria, com grande tranqüilidade, a cabeça do ministro, que fingiria acreditar em tudo isso, para, depois de uma pequena quarentena, voltar como se nada tivesse acontecido, não obstante, muito fraco para disputar qualquer parcela de poder. Quem viveu, já viu.

Notícias veiculadas pela imprensa há algum tempo sugerem que, sentindo-se ameaçado por tantos correligionários perigosos, o presidente tenha resolvido enviar uma mensagem codificada. Ainda está forte na nossa memória um desses boatos que circularam insistentemente na Internet. Segundo disseminou-se, Lula teria pretendido fazer, logo depois das eleições municipais, uma reforma ministerial em que Nelson Jobim deixaria o Ministério da Defesa pelo da Justiça, Tarso Genro sairia deste, possivelmente para concorrer a algum cargo eletivo e o deputado Aldo Rebelo, mais uma vez, estaria cogitado para assumir a pasta da Defesa.

O plano seria genial, se o presidente tivesse força para executá-lo. Imporia mais uma desmoralização aos militares, forçando-lhes sujeição a um comunista, não bastassem os corruptos, os incompetentes, e os fraudadores nomeados, anteriormente, para o Ministério da Defesa. A principal razão da genialidade, porém, estaria em afastar Jobim e Tarso de suas respectivas fontes de poder, colocando-os, ainda, em disputa mortal pelo controle da Polícia Federal, o primeiro, para assumi-lo de fato, e o outro, para mantê-lo, remota e informalmente.

Obviamente, a idéia não prosperou, por não estar Lula disposto a pagar o preço por implantá-la. Mas o recado estava dado. Seria alguma coisa mais ou menos assim: "olhem, eu estou acompanhando o movimento de vocês, não ultrapassem os meus limites, porque continuo com a caneta na mão e, em último caso, posso demiti-los sumariamente.

Recentemente, o assunto foi requentado, como adoram dizer os governistas, em um artigo de Jorge Serrão, o que induziu muitos a pensarem que se tratava de matéria nova. Não era. Por certo, hoje, não mais o presidente cometeria a imprudência de aproximar Aldo Rebelo dos militares. Não depois das posições surpreendentemente patriotas e corajosas que deputado assumiu com relação à demarcação das terras indígenas.

Mais uma vez, Lula

Lula foi o mentor da idéia difundida no Foro de São Paulo de implantar ditaduras de esquerda em toda a América Latina. Com o aumento do preço do barril de petróleo, que passou de cerca de US$ 12,00, em 1999, para quase US$ 150,00, em julho de 2008, e, também, com o lucro fácil do narcotráfico das FARC, Hugo Chávez passou a nadar em dinheiro e a financiar a eleição dos presidentes regionais, inclusive o nosso. Todos devem lembrar-se, ainda, daquela suposta "doação" de cinco milhões de dólares para a campanha da reeleição, jamais apurada, graças à atuação rápida e decidida da "base aliada".

Isso levou Lula a perder parte da liderança que exercia para o ditador venezuelano, que avançou, muito mais rapidamente, com a sua revolução bolivariana. Contudo, o presidente brasileiro não perdeu totalmente o controle da situação e continua com o objetivo de transformar-se no "Big Brother" da região. Com o recuo do preço do barril de petróleo, que, atualmente, oscila entre US$ 40,00 e US$ 50,00, a tendência será Hugo Chávez perder importância e Lula reafirmar-se novamente como o líder de todas as esquerdas do Hemisfério Sul.

E por favor, não se iludam. Se a ditadura venezuelana está mais avançada do que a nossa, não é porque, como querem algumas pessoas, Lula seja um líder moderado. Tal se deve exclusivamente a que essa tem sido a revolução possível no Brasil, até agora.

Lá como cá, os ditadores submeteram o congresso e o judiciário, corrompendo-os, coagindo-os, desmoralizando-os. Igualmente foram neutralizadas todas as forças de oposição, mas há uma diferença básica que ainda nos permite viver aqui, com certo grau de liberdade. O Tenente-Coronel Hugo Chávez, em boa parte, controla ou limita as Forças Armadas venezuelanas, o que lhe permite submeter toda a nação. Aqui, o sindicalista Lula não tem esse poder ainda, e a simples presença do Exército lhe tem imposto certos limites, assegurando um mínimo de independência às outras instituições. É por isso que estão em curso todas essas campanhas de desmoralização contra os militares.

A situação é muito mais grave do que parece. Existem duas cosmovisões antagônicas e excludentes, em franco enfrentamento, aproximando-se do confronto final. Uma, de natureza socialista e totalitária, a outra, liberal e democrática. Se nada for feito para impedi-lo, continuaremos nessa marcha inexorável rumo ao atraso, à escravidão e à morte.

Os nossos ideais de democracia e liberdade são incompatíveis com a ideologia totalitária dos governantes de quase todos os países sul-americanos e caribenhos, incluído o Brasil. Somente sobreviverá o vencedor. Se tivermos de pagar um preço muito caro pela vitória, este será insignificante, diante das conseqüências da derrota. Pelas mesmas razões pelas quais o nazismo foi e continua a ser reprimido, também essa praga ideológica deve ser destruída.

Alternativas eleitorais

Embora se torne cada vez mais difícil qualquer solução institucional para o caos político em que nos encontramos, uma eventual saída eleitoral implica livrarmo-nos dessa inaceitável opção ilusória entre PT e PSDB, que são, como temos afirmado, as duas faces de uma mesma moeda falsa e sem valor.

Inviabilizada por seu próprio partido, como vimos, a candidatura de Geraldo Alckmin, que pertence a uma nova geração de políticos que não participaram da Revolução de 31 de Março, mas também não foram terroristas nem subversivos, muito se tem falado em Aécio Neves, como uma possibilidade para interromper esse ciclo nefasto se iniciou com a eleição de Fernando Henrique Cardoso.

O governador de Minas Gerais tem um nome de grande tradição histórica e, por ocupar esse cargo importante, está em evidência para concorrer à sucessão presidencial. Muitos fatores contribuíram para que ele se tornasse um dos políticos mais influentes do País. Com a característica dos políticos mineiros, tem, na cautela e na segurança, as linhas mestras das suas ações, tendo sinalizado, em seu discurso de posse, que vai alinhar-se, cada vez mais, com os ideais de seu avô Tancredo Neves, falecido em 1984.

Como tem o controle sobre grande parte do eleitorado mineiro, o segundo maior do País, deverá abrir as portas para a aproximação com outros partidos políticos, em busca de apoio para a sua candidatura. Mesmo enfrentando a forte oposição de José Serra dentro do PSDB, ainda assim, aspira chegar à Presidência da República, em 2010.

O caminho se nos apresenta difícil, porquanto o próprio Lula o corteja com certo grau de reciprocidade, mas todas as possibilidades devem ser exploradas, inclusive essa, diante da gravidade da situação atual que deverá piorar a cada dia.

Outra possibilidade vislumbramos quando estivemos em Brasília, há cerca de dois meses, ocasião em que um amigo nos disse que circulavam, naquela cidade, comentários sobre a possibilidade de o ministro das Comunicações Hélio Costa vir a ser candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, como uma forma de conquistar votos da oposição para a candidata petista.

Não, isso nos parece muito pouco para o ministro. Ademais, seria grande ingenuidade imaginar-se que a presença de um político moderado da base aliada na chapa petista pudesse levar alguma pessoa esclarecida a votar em uma candidata extremista.

Não obstante, veríamos com simpatia a possível candidatura de Hélio Costa à Presidência, como cabeça de chapa. Tratasse de um tradicional político mineiro da muito querida cidade de Barbacena, conhecido como empreendedor e bom administrador, mas, sobretudo, como moderado, que, mesmo sendo ministro do governo, nada tem de radical, nem no presente nem no passado, que não tenha sido superado.

Quem sabe, poderia o ministro vir a ser uma solução que garantisse quebrar essa seqüência de governos de esquerda de vocação totalitária, ao mesmo tempo em que asseguraria aos governistas certa tranqüilidade, por ser o candidato oriundo de suas próprias bases, tornando-o, assim, aceitável para ambos os lados.

Sem dúvida, seria uma boa alternativa a Dilma Rousseff e a José Serra, e, talvez, a última possibilidade de obtermos a conciliação nacional.

Seja como for, neste momento, é importante que todas as forças da Nação se unam para abortar a ditadura em avançado estado de gestação no ventre do governo federal.


Luís Mauro Ferreira Gomes, é Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira.








Publicado no site "TERNUMA – Terrorismo Nunca Mais".
Terça-feira, 05 de maio de 2009.




O candidato Serra – Ipojuca Pontes





 
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