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Friday, October 23, 2009

CaLUguLA*: O tiranete demente.

Fotomontagem: Percebam a "olhadura" do desqualificado. São olhos que riem, riem de nós.






























Um fatalismo conveniente
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

O presidente Lula é um realista radical. Para governar o Brasil, afirma, quem quer que chegue ao Planalto, "pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista", não terá escolha. Deverá se resignar à realidade política, formando alianças com as forças partidárias dominantes no Congresso, qualquer que seja o perfil - ou a folha corrida - de seus líderes e qualquer que seja o custo dessas barganhas. "Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do Oceano Atlântico", justificou-se Lula numa entrevista à Folha de S.Paulo. E, para não deixar dúvida sobre os extremos a que chega o seu fatalismo, a sua crença no predomínio absoluto dos imperativos do poder sobre valores, princípios e afinidades, saiu-se com uma analogia que é puro Lula. "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer", imaginou, "Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão."

O sistema político brasileiro, de fato, conduz a isso - não se chamasse, em linguagem acadêmica, presidencialismo de coalizão. O modelo eleitoral, ao mesmo tempo que incentiva a proliferação de partidos, muitos dos quais mal se distinguem uns dos outros, praticamente impede que a legenda ou a coligação do candidato vitorioso ao Executivo receba, na disputa para as Câmaras legislativas, a proporção equivalente de votos, o que daria ao governante a maioria parlamentar natural. Mas, em sete anos no Planalto, Lula não moveu uma palha para reformar o sistema que obrigaria Jesus a negociar o apoio de Judas. Ao contrário, com os recursos de poder ao seu alcance, montou a mais enxundiosa base de sustentação da história do Congresso Nacional - e está perfeitamente confortável com a "realidade política" de que tirou proveito e que, em outra encarnação, prometia transformar. Nesse sentido, a teoria lulista da inexorabilidade dos pactos fisiológicos revela a sua conveniência: serve para legitimar a acomodação ao que está aí.

Lula não tem sentimento de culpa - ou o esconde admiravelmente. Perguntado, na mesma entrevista, se sentia algum aperto no peito por ter reatado com o ex-presidente e senador Fernando Collor, depois de todas as baixezas de que foi vítima da parte dele, na campanha de 1989, respondeu friamente que não tem razão para "carregar mágoa ou ressentimento". E tornou a teorizar: "Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno." Em abstrato, o argumento é perfeito. Mas, visto na perspectiva dos fatos desta Presidência, é mais uma racionalização. Está no mesmo departamento de sua justificativa para o apoio ao presidente do Senado, José Sarney, a quem considera um "grande republicano", envolvido em denúncias que, em outras circunstâncias, o teriam apeado do cargo. "A manutenção do Sarney era questão de segurança institucional", exagerou. Se caísse, a oposição faria "um inferno neste país".

Além de ostentar a costumeira autoindulgência, Lula não hesita em desqualificar quem se atreva a questionar os seus atos. O alvo, no caso, foi o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que chamou de "vale-tudo" a sua campanha antecipada, com recursos públicos, em favor da pré-candidata Dilma Rousseff - cujo maior evento até agora foram os 3 dias de "inspeções" das obras de transposição do Rio São Francisco, na semana passada. Primeiro, disse que "ninguém pode ser contra a Dilma ir às obras comigo". Depois, acusou o ministro de fazer "um debate pequeno". "Cada brasileiro tem o direito de falar o que bem entender", arrematou, "mas vamos continuar inaugurando." Isso também é puro Lula, no que contém de desprezo pela ética e de subordinação dos meios aos fins. (Num discurso, anteontem, ele foi ainda mais rombudo. "Agora desgraçou tudo", disparou, "porque os homens estão ficando nervosos porque nós estamos inaugurando obra.")

Confiante na sua supremacia política, ele se permite tudo. Enquanto isso, a oposição patina na definição de seu candidato para 2010 e frequentemente se mostra intimidada pelos 80% de aprovação popular ao presidente e o renovado clima de otimismo com a economia. Apenas a imprensa parece fazer sombra a Lula - a ponto de levá-lo a dizer que o seu papel não é de "fiscalizar" o poder, mas apenas de "informar". É o retrato de uma mentalidade.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" – (Editorial Opinião).
Sexta-feira, 23 de outubro de 2009.










*NR. O nosso CaLUguLA, tem tudo a ver com o verdadeiro Calígula, senão vejamos: Conforme escritos do filósofo do Império Romano, Sêneca, "O Moço": "Calígula transformou-se num homem arrogante, cheio de ódio e grosseiro na sua ascensão ao trono". Suetônio, filósofo e escritor latino (69 d.C.–141 d.C.), que escreveu a obra "A vida dos doze Césares", onde dedicou 21 capítulos a Calígula, definiu-o como "um monstro". Josefo, historiador romano de origem judaica afirmou que foi o poder que tornou Calígula um arrogante, fazendo-lhe acreditar que era "um deus". Juvenal, poeta e filósofo romano, o mesmo que cunhou a máxima: "As pessoas comuns - em vez de cuidar da sua liberdade - estão apenas interessados em pão e circo" (conhecemos isso, não?), afirmava que Calígula bebera uma poção que o tornara louco (seria 51?). Muitos historiadores defenderam que Calígula padecia de hipertiroidismo, diagnóstico este, baseado na irritabilidade e na "olhadura" do imperador. Também a política econômica de Calígula, pontuada pela generosidade (leia-se corrupção) e a extravagância, esgotou as reservas financeiras do império, levando Roma a bancarrota e o povo à miséria. Como podem ver o nosso CaLUguLA tem muita semelhança com o Calígula imperador romano, que pensava ser Deus, arruinou seu império e foi descrito por quases todas as fontes contemporâneas como como um demente irascível, caprichoso, derrocador e enfermo sexual (animais, menino do MEP, etc.). Na certa, nos dias de hoje, Calígula seria disgnosticado como um psicopata no grau máximo. É isso, esse é o nosso "cara". Calígula reencarnou!
Bootlead
E.T. Alguém saberia informar se Calígula possuía somente "nove" dedos?



O alerta de um soldado – J. R. Nyquist





Tuesday, August 25, 2009

Políticos brasileiros: Só pendurando-os no "varal"!






























Aprendemos de cabeça para baixo
por Arnaldo Jabor
Nunca nossos vícios ficaram tão visíveis

Os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Temos assistido, como nunca antes, a um show de verdades através do chorrilho de negaças, de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. O Brasil está evoluindo em marcha a ré! Nessas últimas semanas, só tivemos des-acontecimentos. O senador Mercadante ia sair da liderança do PT, irrevogavelmente.

Depois, oscilou, seu mestre deu-lhe um esculacho e ele voltou atrás. Marcha a ré.

Des-aconteceu.

A Dilma também. Ela "não" se encontrou com a Lina Vieira, não. Querem nos convencer que a Lina é maluca e resolveu inventar tudo aquilo para prejudicar a ministra. Ninguém se lembra que essa polêmica do "fui não fui" é útil para camuflar o fato de que a expulsão de Lina aconteceu somente por causa do questionamento à Petrobras...

Tudo marcha a ré. Tudo some. As fitas de VT do Planalto se apagaram. Ninguém existe mais nas fitas. Os atos secretos voltam pouco a pouco e deixam de sê-lo. O nosso Sarney foi absolvido de tudo; as 11 acusações foram arquivadas pelo mordomo-suplente – des-aconteceram, sumiram na descarga do Conselho de Ética. Sarney, o Comandante do Atraso, disse que não se sente culpado de nada. Está certo – seus servos decretaram que nada, houve. Nossa frágil república esta sumindo.

As tramoias e as patranhas de hoje são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira.

Está em andamento uma "revolução dentro da corrupção", tudo na cara da população, com o fito de nos acostumar ao horror.

Com a dissolução do PT, que hoje é o verdadeiro partido da "direita", com o derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a maçaroca informe do PMDB (Oba! Vem aí o tesouro da legislação do pré-sal, a ser entregue a seus malandros-chefes, que já devem estar babando).

No entanto, justiça ao narcisismo deslumbrado de Lula, com seu projeto de si mesmo: nunca nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo.

E aí, nossa única esperança: talvez estejamos aprendemos sobre a dura verdade nacional nesse rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Por exemplo: uma visão do cabelo do Wellington, a cara dura de seres como o Almeida Lima, o rosto feliz do Renan e Jucá, ensinam-nos muito. Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos! Já sabemos que a corrupção no país não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas.

Aprendemos a mecânica da sordidez: a técnica de roubar o Estado para fazer pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, orgasmos entre empreiteiras e políticos. Querem nos acostumar a isso, mas, pode ser, (oh Deus!) que isso seja bom: perdermos o autoengano, a fé. Estamos descobrindo que temos de partir da insânia e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.

Até que enfim nossa crise endêmica está sujamente clara, em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades imundas, tão fecundas como um adubo sagrado, belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. Como é educativo vermos as falsas ostentações de pureza e candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a bilontragem nas cumbucas, nos esgotos da alma..Que emocionante esse sarapatel entre o público e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, fazendas imaginárias, açougues fantasmas, netinhas e netinhos, filhinhos ladrões, a ditadura dos suplentes, cheques podres, piscinas em forma de vaginas, mandingas, despachos, as galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela, as diarreias secretas, as flatulências fétidas no Senado, diante das evidências de crime, os arrotos nervosos, os vômitos, tudo compondo o grande painel da nacionalidade.

Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que, enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver estatais com caixa preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, nunca haverá progresso. Já sabemos que, enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados e que enquanto não chegarem ao fim as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver.

Já sabemos que mais de R$5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas.

A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas, e mais: os que foram desonrados no Congresso voltaram fortes e mandam no Legislativo. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.

Só nos resta a praga. Isso. Meu desejo é maldizer, como já fiz aqui várias vezes.

Portanto, malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, trampistas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, marandubas, fraudes, lérias e aldravices se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarreias torrenciais.

Que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre! No entanto, além das maldições, sou um otimista inveterado; fico procurando algo de bom nessa bosta toda! Talvez essa vergonha seja boa para nos despertar da letargia de 400 anos. A esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno.

Através desse escracho, pode ser que entendamos a beleza do que poderíamos ser!


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "O Globo".
Terça-feira, 25 de agosto de 2009.




DIA DO SOLDADO??? QUEM SABE, DAQUI A UNS QUINZE OU VINTE ANOS...




Políticos brasileiros: Só pendurando-os no "varal"!

Wednesday, June 24, 2009

Sir Ney, "sarney", se até o sobrenome da "famiglia" é falso...














































O GRÃO MESTRE DA CLOACA DA ESBÓRNIA
por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Elevado à camada dos bem-aventurados, entes de gracioso estado de santidade e graça celestial pelo "bruxo do nordeste" (auto-intitulado o "maior estadista" que já transitou nestas plagas), o Exmo e desacreditado Senhor Presidente do Senado foi alçado aos píncaros dos deuses, e repousa, portanto, acima dos demais mortais. Faz companhia, entre outros, ao êmulo da honestidade e da retidão de caráter, o injustiçado ex-Deputado Federal Severino, considerado pelo nosso verboso monarca, um supimpa "cabra da peste". Não esqueçamos que o Severino foi eleito prefeito, graças ao valioso aval de sua integridade, endossada pelo imparcial pensador que dirige os destinos da Nação.

Diante do óbvio, ocorreu-nos que o recém inaugurado "Museu da Corrupção" está incompleto. Lastimosamente carece o singular acervo, das estátuas de seus venerandos heróis.

Por certo, faltará espaço naquele memorial para tantos homenageados. Podemos reclamar do esquecimento das figuras maiores da propina, do golpe, das licitações fajutas, dos desvios pecuniários, dos roubos escancarados, das tramóias e esbulhos, dos ilícitos praticados à larga e de roldão por astutos políticos do passado.

Realmente, daqueles, permanecem indícios de que eram contumazes ladravazes, entretanto, as provas se perderam na poeira dos tempos. Mas o que dizer dos exemplos de agora, dos ícones atuais? Onde estão o reconhecimento, as homenagens, os lauréis?

São tantos, dirão os Curadores do Museu. Mas, por que não imortalizar os atuais? Os que proliferaram com o fim da "dita branda"? Sim, são tantos. Como laureá–los sem cometer injustiças?

Na multidão que se acotovela para inscrever seu nome no "Livro de Ouro", diante do descortino de seus sombrios passos nos escaninhos do poder, um se sobressai – o imortal José Sarney.

Click no banner abaixo para fazer uma visita virtual ao MuCo – Museu da Corrupção.






Sarney poderia ser entronizado como "o equilibrista", tal sua longevidade junto aos poderosos e ao poder. É um camaleão profissional. Por tudo o que o magnífico Sarney e sua prole legaram de ensinamentos para as futuras gerações como exemplos de sucesso, apesar de nadarem de braçada no mar da pusilanimidade, na sombra e na água fresca, sua gloriosa trajetória política é digna de ser cantada em prosa e verso. E sua imagem, esculpida em bronze.

Como Presidente da Nação, de 1985 a 1990, destacou-se como o pai da maior inflação gestada neste País. Não bastasse, em janeiro de 1987, decretou a moratória. Diante tantos e retumbantes fracassos, só podia dar no que deu; Sarney conquistou com méritos o seu diploma de "Homem de Visão", justo reconhecimento da sociedade agradecida, diante da virtuosa figura. É um monumento, asseveram seus correligionários.

Ao propormos, que o insigne cidadão, que conseguiu manter na pobreza e na ignorância dois estados da federação, tenha sua majestosa estátua no hall de entrada do "Museu da Corrupção", cumprimos um dever de justiça.

Sabemos, pelo "nosso guia", que o probo Senador, não é qualquer vivente e "merece respeito". Assim, dia-a-ia, o desgoverno vai criando a cota dos "desonestos inimputáveis", selecionadissima máfia da esquerdalha, simpatizantes e aderentes de ocasião. Sarney, o "maribondo de fogo", um imortal da Academia Brasileira de Letras (pobre Brasil), é "hors concours".

O Sarney, cognominado de "o epítome da bandalha enrustida", encabeça, por suas decantadas qualidades, reconhecida desfaçatez e proverbial capacidade de negar qualquer envolvimento em "maracutaias" e flagrantes abusos e usufrutos de poder, diante de contundentes e explícitas comprovações, sem mexer um músculo da face, encabeça com méritos, aquele rol de afamados cidadãos.

E merece ser perenizado. Daí... E, por exultação incontida, em face do que nos aguarda, bradamos convictos e rútilos de admiração "que viva a república socialista–cotista", futuro objetivo do "estado policialesco", que está sendo implantado através da "enrolação e da boçalização do politicamente correto".


Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.








Publicado no site "TERNUMA – Terrorismo Nunca Mais" – (Regional Brasília).
Segunda-feira, 22 de junho de 2009.




O BÊBADO E O EQUILIBRISTA










































O presidente e a mãe de preso
por Augusto Nunes

Tão recorrente quanto tiroteio em faroeste é o diálogo entre o repórter da TV e a mulher que chora na calçada do presídio conflagrado por uma rebelião.

– A senhora tem parente lá dentro?

– Meu filho ─ informa a voz aflita. ─ Fez umas besteiras porque andou em má companhia, mas é um menino muito bom.

Vai-se conferir a folha corrida e as besteiras não foram pouca coisa. Homicídio, latrocínio, assalto a mão armada, estupro, tentativa de assassinato, por aí. A mãe não sabe de nada, ou finge que de nada sabe. O filho é um menino muito bom.

Tão recorrente quanto essa conversa em dia de rebelião é a arbitrária absolvição pelo presidente Lula de todos os delinquentes de estimação. Peculato, furto, roubo, lavagem de dinheiro, estelionato, formação de quadrilha, estupro do sigilo bancário, um e outro assassinato de prefeito ─ seja qual for o crime cometido, os autores continuam inocentes. São bons companheiros. São meninos bons. Culpada é a imprensa, que sofre de denuncismo epidêmico e enxerga pecado onde só existe virtude.

José Dirceu, Antonio Palocci, Matilde Ribeiro, Benedita da Silva, Severino Cavalcanti, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Fernando Collor, Romero Jucá, todos os mensaleiros, todos os sanguessugas, todos os aloprados, agora José Sarney ─ a lista é tão extensa quanto o prontuário da turma. Lula faz de conta que não sabe de nada.

A diferença entre o presidente e a mulher do presídio é que ela tenta socorrer um criminoso que está no xadrez porque é uma pessoa comum, ele só socorre criminosos que continuam em liberdade porque são pessoas incomuns. O destino transformou-a numa genuína mãe de bandido preso. A esperteza fez Lula virar mãe de bandido solto.


Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes, dos jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Zero Hora, além de diretor-executivo do Jornal do Brasil. Foi também apresentador do programa Roda Vida da TV Cultura e do programa "Verso & Reverso" da TVJB. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganho por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente, Nunes escreve uma coluna na edição eletrônica da Revista VEJA.




Publicado na seção Direto ao Ponto da "Coluna do Augusto Nunes".
Terça-feira, 23 de junho de 2009.



O "ALTER EGO" DO POVO BRASILEIRO – Gen Valmir Fonseca Azevedo Pereira





Wednesday, March 04, 2009

PMDB: Pomos a Mão no Dinheiro do Brasil!






































"Consciência social de brasileiro é medo da polícia"
por Arnaldo Jabor

Nelson Rodrigues previu a onda atual de neocanalhas

Uma das obsessões de Nelson Rodrigues era o canalha. Ele dizia: "Ninguém sai na rua e bate no peito berrando: "Eu sou um canalha"". O maior dos pulhas se achava um santo de vitral. Mas isso mudou muito.

Hoje, o canalha se orgulha de sê-lo. Veste-se de canalha, bigode e gravata de canalha, cabelo pintado, carantonhas ferozes. Antes, o canalha se ocultava pelos cantos, escondido da própria sombra. Hoje, os sem-vergonhas ostentam orgulho pelo que chamam de "realismo político" ou necessidade de alianças. Roubar são ossos do ofício. A pornopolítica tomou conta de tudo, e Nelson é que tem fama de pornográfico - logo quem... um moralista que corava diante de um palavrão. Mas, hoje, Nelson, revisto como estilo e como visão de mundo, traz uma lição política.

Filho do jornalismo policial com o fundo talento de Dostoievski caboclo, Nelson mostrava como um escritor deveria se posicionar diante do texto neste país. Uma vez ele me disse ao telefone que o "problema da literatura nacional era que nenhum escritor sabia bater escanteio". Ensolarada imagem esportiva para definir muito literato folgado.

Formado nas delegacias sórdidas, vendo cadáveres de negros plásticos e ornamentais, metido no cotidiano marrom do jornal do pai, Nelson flagrou verdades imortais que estavam ali, no meio da rua, na nossa cara, e que ninguém via.

Uma vez ele me disse: "Se Deus perguntar para mim se eu fiz alguma coisa que preste na vida para entrar no céu, eu responderei a Deus: "Sim, Senhor, eu inventei o óbvio!""

Sua literatura nos ensina o óbvio e isso é profundo numa literatura eivada de ambiciosos engajamentos "corretos" ou cheia de intenções formais desesperançadas que transformam o cinismo debochado numa visão de mundo.

Como criar (querem uns), sem denunciar o "mal latino", a miséria, como o chatola García Márquez, ou como criar (querem outros) sem babar o ovo de Joyce, Kafka ou Beckett?

Ele foi o primeiro a sacar o futuro dos marxistas de galinheiro do passado que hoje lutam por boquinhas e roubam no mensalão.

Até hoje, muita gente não entendeu que sua grandeza está justamente na sincronia com os detritos do cotidiano. A faxina que Nelson fez na prosa é semelhante à que João Cabral fez na poesia. Nelson baniu as metáforas a pontapés "como ratazanas grávidas" e criou o que podemos chamar de antimetáforas feitas de banalidades condensadas. Suas comparações sempre nos remetem a um "mais concreto" que denota comicamente a impotência da literatura. Shakespeare tinha isso, Cervantes também. Suas frases famosas nunca aspiravam ao sublime. Exemplos: "O torcedor rubro-negro sangra como um César apunhalado", "A mulher dava gargalhadas de bruxa de disco infantil", "Seu ódio era tanto que ele dava arrancos de cachorro atropelado", "Seu peito se encheu de um ar heroico como anúncio de fortificante", "A bola seguia Didi com a fidelidade de uma cadelinha ao seu dono", "O juiz correu como um cavalinho de carrossel", "A virtude é bonita, mas exala um tédio homicida. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera", "O sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura".

Às vezes, ele dá lições de arte e literatura: "Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. E vem a grande verdade: a obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão elitista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões".

Gilberto Freyre sacou sua "superficialidade profunda", assim como André Maurois entendeu que a genialidade de Proust era "a épica das irrelevâncias...". E isso é muito saudável, num país onde ninguém escreve um bilhete sem buscar a eternidade.

Em meio a esta crise, dominados pela mídia, sem projeto político claro, "somos uns Narcisos às avessas que cuspimos na própria imagem", "vivemos amarrados no pé da mesa bebendo água numa cuia de queijo Palmira", "hoje o brasileiro é inibido até para chupar um Chicabon". E uma das razões para estarmos "mergulhados em negra e cava depressão" é a visão épica, generalista, ideológica ou ambiciosa demais nos projetos e programas e utopias para o Brasil. Se bem que ele mesmo dizia: "Sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo".

A lição política de Nelson é de que talvez as coisas sejam muito mais simples. Não adianta nem nos "atolarmos em brutais euforias" nem vivermos com "complexo de vira-latas", atravessando a "aridez de três desertos".

O Brasil não se salvará com planos messiânicos ou ideias gerais de "epopeias de Cecil B. de Mille", sejam elas epopeias operárias ou epopeias neoliberais. O "óbvio ululante" é limpar a casa e cuidar do detalhe, do enxugamento do Estado, "chupando a carótida dos chefes das estatais como tangerinas" quando se mostrarem obviamente ladrões ou favorecendo correligionários, como vemos todo dia.

Salvar o Brasil é óbvio, tão simples e puro como a prosa do NR - é só pensar no presente e não sonhar com um futuro impossível. O PMDB, por exemplo, é um partido que extirpou o canalha e instituiu o pragmatismo dos delitos permitidos, de modo a nos anestesiar com a impossibilidade de solução ou de punições. A extraordinária entrevista de Jarbas Vasconcelos, fundamental para o país, teve até o sabor de algo arcaico, nostálgico dos parlamentos do Império. Seus colegas velhacos até riram da "inatualidade" de seu gesto - que coisa "antiga", denunciar ladrões...

O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-lata e protestar, como fez agora com sucesso na tentativa de assalto à mão armada do PMDB ao fundo Real Grandeza de Furnas.

Não conseguiram. Porque, como Nelson dizia: "Consciência social de brasileiro é medo da polícia." E, agora sabemos, da opinião pública também.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.



Publicado no jornal "O Globo".
Terça-feira, 03 de março de 2009.



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O caso Morel – Ipojuca Pontes"





Wednesday, February 18, 2009

CLUBE DOS 16%: COM MUITO ORGULHO!











































O Brasil virou um grande PMDB
por Arnaldo Jabor

Estamos anestesiados diante da vida política do país.

A entrevista de Jarbas Vasconcelos na revista "Veja" desta semana é uma rara ilha de verdade neste mar de mentiras em que naufragamos. Precisávamos dessas palavras indignadas que denunciam a rede de mediocridade política e de desagregação de poderes que assola o país, do Congresso ao Executivo.

De dentro de casa, Jarbas berrou: "O PMDB é corrupto!". E mostrou como esse partido nos manipula, sob o guarda-chuva do marketing populista de Lula.

O que Jarbas Vasconcelos atacou já era voz corrente entre jornalistas, inclusive o pobre diabo que vos fala.

Mas sua explosão é legítima e incontestável, vinda de um dos fundadores do MDB, depois transformado nesta anomalia comandada pelo Sarney, que é o líder sereno e hábil da manutenção do atraso em nossas vidas. Duvidam? Vão a São Luís para entender o que fez esse homem com seu jaquetão impecável há 40 anos no poder daquele estado. Jarbas aponta: "A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador Sarney, (...) que vai transformar o país em um grande Maranhão".

Mais que um partido, o PMDB atual é o sintoma alarmante de nossa doença secular. Era preciso que um homem de estatura política abrisse a boca finalmente, neste país com a oposição acovardada diante do ibope de Lula.

Estamos aceitando a paralisia mental que se instalou no país, sob a demagogia oportunista deste governo. O gesto de Jarbas é importante justamente por ser intempestivo, romanticamente bruto, direto, sem interesses e vaselinas.

É mais que uma entrevista - é um manifesto do "eu-sozinho", um ato histórico (se é que ainda sobra algo "histórico" na política morna de hoje). E não se trata de um artigo de denúncia "moral" ou de clamor por "pureza": é um retrato de como alianças espúrias e a corrupção "revolucionária" deformaram a própria cara da política brasileira. Com suas alianças e negaças, o governo do PT desmoralizou o escândalo!

Lula revalidou os velhos vícios do país, abrindo as portas para corruptos e clientelistas, em nome de uma "governabilidade" que nada governa, impedido pela conveniência e pelos interesses de seus "aliados". É como ser apoiado por uma máfia para combater o mal das máfias.

Jarbas não tem medo de ser chamado de reacionário pelo povão ou pelos intelectuais que ainda vivem com o conceito de "esquerda" entranhado em seus cérebros, como um tumor inoperável.

Essa palavra "esquerda" ainda é o ópio dos intelectuais e "santifica"qualquer discurso oportunista. Na mitologia brasileira, Lula continua o símbolo do "povo" que chegou ao poder. A origem quase "cristã" desse mito de "operário salvador", de um Getúlio do ABC, dá-lhe uma aura intocável. Poucos têm coragem de desmentir esse dogma, como a virgindade de Nossa Senhora.

A última vez que vimos verdades nuas foi quando Roberto Jefferson, legitimado por sua carteirinha de espertalhão, botou os bolchevistas malucos para correr.

Depois disso, chegou o lulo-sindicalismo, ou o peleguismo desconstrutivo, que empregou mais de cem mil e aumentou os gastos federais de custeio em 128 por cento.

O lulismo esvazia nossa indignação, nossa vontade de crítica, de oposição. Para ser contra o que, se ele é "a favor" de tudo, dependendo de com quem está falando - banqueiros ou desvalidos? Ele põe qualquer chapéu - é ecumênico, todas as religiões podem adorá-lo.

Ele ostenta uma arrogância "simpática" e carismática que nos anestesia e que, na mídia, cria uma sensação de "normalidade" sinistra, mas que, para quem tem olhos, parece a calmaria de uma tempestade que virá para o próximo governante.

Herdeiro da sensata organização macroeconômica de FHC, que, graças a Deus, o Palocci manteve (apesar dos ataques bolchevistas dos Dirceus da vida), Lula surfou seis anos na bolha bendita da economia internacional, mas não aproveitou para fazer coisa alguma nova ou reformista.

Lula tem a espantosa destreza de nos dar a impressão de que "tudo vai bem", de que qualquer critica é contra ele ou o Brasil.

Como disse Jarbas em sua entrevista, o governo do PT "deixou a ética de lado e não fez reformas essenciais, nem nada para a infraestrutura, e o PAC não passa de um amontoado de projetos velhos reunidos em pacote eleitoreiro" (...), e o Bolsa Família, que é o maior programa oficial de compra de votos do mundo, não tem compromisso algum com a educação ou com a formação de quadros para o trabalho".

A única revolução que deveria ser feita no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a nação, com gastos crescentes, inchado de privilégios, um Estado que só tem para investir 0,9% do PIB. A tentativa de modernização que FH tentou foi renegada pelo governo do PT. Lula fortaleceu o patrimonialismo das velhas oligarquias, e o PAC é uma reforma cosmética, como a plástica da Dilma, que ele quer eleger para voltar depois, em 2014. O único projeto do governo é o próprio Lula. Em cima dos 84% de aprovação popular, nada o comove. Só se comove consigo mesmo.

Lula se apropriou de nossa tradicional "cordialidade" corrupta para esvaziar resistências. Assim, ele revitalizou o PMDB - o partido que vai decidir nosso futuro! Hoje, não temos nem governo nem oposição - apenas um teatro em que protagonistas e figurantes são o PMDB.

E no meio disso tudo: o Lula, um messias sem programa, messias de si mesmo.

Oitenta e quatro por cento do povo apoia um governo que acha progressista e renovador, quando na verdade é ultraconservador e regressista.

Nem o PT ele poupou para "conservar" a si mesmo. O PMDB é sua tropa de choque, seu "talibã" molenga e malandro.

Agora...tentem explicar este quadro que Jarbas sintetiza com a clara luz de sua entrevista para um pobre homem analfabeto que descola 150 reais por mês do Bolsa Família...

Vivemos um grande autoengano.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.



Publicado no jornal "O Globo".
Terça-feira, 17 de fevereiro de 2009.



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por Autor(a) desconhecido(a)

Pra começo de conversa, muitos não gostam de estudar. Foram péssimos estudantes, a maioria com várias repetências de ano. Mas são de família de classe média, onde sempre sofreram pressão pra "ser alguém na vida". Como são preguiçosos, sem disciplina e folgados precisam arrumar um jeitinho pra se dar bem, e se fazerem passar por coisas que não são.

Fingir que é culto, "engajado" e "crítico" rende pontos. Assim prestam vestibular sem concorrência, de preferência em um curso de Jornalismo, Geografia, Ciências Sociais, História ou Filosofia e começam sua carreira de charlatanismo.

Ali na universidade encontram todas as ferramentas: professores barbudinhos, livros de esquerda, palestras com "doutores" no assunto e até o assédio de políticos "guerreiros" do PT, do PC do B e assemelhados.

É claro que não estudam nada. Vivem o tempo todo no DCE, deitados no chão, passeando no campus com aquelas mochilas velhas, calças cargo, sandálias de couro, cabelos ensebados e, de vez em quando, um "lolozinho".

Alguns começam a se infiltrar nos sindicatos e nas reuniões dos sem-terra. Já começam a se achar revolucionários, reserva intelectual das massas proletárias exploradas e das causas revolucionárias.

Assim, se passam por intelectuais, cultos, moderninhos e diferentes. Sentem-se mais seguros para atacar as mulheres, achando que elas são doidas por esse tipo de gente.

Começam a ver os amigos que estão trabalhando ou cursando Engenharia, Medicina, Direito ou Administração como pobres coitados que não tiveram a chance da "iluminação".

Como não trabalham e vivem apenas de mesada e facadinhas, estão sempre lisos. Aí começa a brotar o ódio por quem se veste um pouco melhor ou tem um carrinho popular. São os eles chamam de "porcos capitalistas" ou "burgueses reacionários".

Começam uma fase mais aloprada da vida quando passam a ouvir Chico Buarque e músicas andinas. Nessa fase já começam a pensar em se tornar terroristas, lutar ao lado dos norte-coreanos etc. Não usam mais desodorante e a cada 5 minutos aparece nas suas mentes a imagem de um MacDonald's totalmente destruído.

Mas é claro que o que querem não é a revolução, isso é apenas uma desculpa. Como são incompetentes para quase tudo, até mesmo para bater um prego na parede, e sentem vergonha de fazer trabalhos mais simples, e são arrogantes o suficiente para não começar por baixo, querem saltar etapas. Querem no fundo a coisa que todo esquerdista mais deseja, mesmo que de forma subliminar: um emprego público!

Mas aí surge um outro problema: é a coisa mais difícil passar em um concurso. É preciso estudar (argh!).

Assim, sonham com a "revolução" proletária, com a tomada do poder por uma elite da esquerda, nas quais eles estão incluídos, obviamente, afinal são da mesma tribo.

Assim, ocuparão, por indicação, um cargo comissionado em alguma repartição qualquer, onde ganharão um bom salário para poder aplicar seus "vastos e necessários conhecimentos" adquiridos durante anos na luta pela derrubada do sistema capitalista imundo.

Nessa fase cortarão o cabelo, tomarão banho, usarão terno, passarão a apreciar bons vinhos e restaurantes e, dependendo do cargo, terão até motorista particular. E enfiarão a mão, sem dó, no dinheiro dos cofres do Estado. Claro que pela nobre causa socialista e para o bem dos trabalhadores.

(Autoria desconhecida, mas de quem sabe das coisas)


***Peguei emprestado do Félix Maier lá no "Resistência militar"




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