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Sunday, June 22, 2008

Suicídio Coletivo: Um país de cegos guiados por um doido!












































Pode ser que ele esteja maluco
por João Ubaldo Ribeiro

Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.

Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.

Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.

Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.

Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.

Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.

Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.

"É que, às vezes, me acomete a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia"

"Ao sugerir que o presidente não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito"



João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Iniciou no jornalismo trabalhando como repórter no Jornal da Bahia e, tempos depois, tornou-se editor-chefe do Jornal A Tribuna da Bahia. Participou de algumas coletâneas antes de publicar seu primeiro livro, intitulado Setembro Não Tem Sentido, em 1968. Com seu segundo livro, Sargento Getúlio, de 1971, ganhou o Prêmio Jabuti. Morou nos EUA, em Portugal e na Alemanha. Participou de adaptações de textos seus e de terceiros para televisão e cinema e foi premiado e homenageado em várias partes do mundo. Atualmente assina textos semanais nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. É um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, autor de clássicos como Viva o Povo Brasileiro, que já superou a marca dos 120 mil exemplares vendidos e é membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu mais de 15 livros, traduzidos em 16 países.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Domingo, 22 de junho de 2008.



O Testamento do Dr. Mabuse

"Quando a humanidade, subjugada pelo temor da delinqüência, se tornar louca por efeito do medo e do horror, e quando o caos se converter em lei suprema, então terá chegado o tempo para o Império do Crime." Dr. Mabuse

NR. O Dr. Mabuse é um personagem criado pelo escritor luxemburguês Norbert Jacques porém, quem deu fama ao Dr. Mabuse foi o diretor cinematográfico austríaco Fritz Lang em uma série de três filmes (a figura que antecede ao artigo de Ubaldo é uma reprodução do cartaz do primeiro filme de Lang com o personagem: "Dr. Mabuse - O Jogador" de 1924).

Dizia Mabuse então: "Só resta uma coisa de interessante: jogar com as pessoas e seus destinos". Quando seu império do crime desmorona, Mabuse enlouquece e é internado num manicômio em estado catatônico. Era o louco tomando conta do hospício, mas há método por trás da loucura; há planos traçados pela insanidade. Assim era o nazismo; assim é o comunismo; assim é o petismo. Mabuse foi profético.

Para o Dr. Baum, seu psiquiatra (e admirador secreto), Mabuse é acima de tudo, um cérebro para ser estudado, já que se caracteriza por sua absoluta singularidade, sua excepcionalidade, em algumas passagens Mabuse também é comparado com um "fantasma", cuja identidade é incerta, mutável, transitiva (uma metamorfose ambulante?). Interessante notar, que através de todo o filme de Fritz Lang, o Dr. Mabuse tem seu nome repetido pelo seus seguidores como se fosse um mantra (propaganda maciça?).

Seus projetos são complexos e envolvem, em última instância, a destruição das estruturas e instituições sociais. O seu maior disfarce é precisamente o que não esconde nada por detrás da máscara. O criminoso representa o pesadelo de um nome sem referência, numa perpétua e incômoda ausência do objeto nomeado.

O personagem Dr. Mabuse, com seus poderes hipnóticos e telepáticos, manipulava suas vítimas como marionetes, brincando com as vidas de todos os que caiam sob sua influência, cujos planos envolviam a utilização de diversas máquinas (que tal urnas eletrônicas?) e outros aparatos (bolsa-família?), capazes de auxiliá-lo no projeto de estabelecer o "Império do Crime".
Bootlead




Veja também: O "presidente" do Brasil é um louco de pedra!


"SERVIR", NÃO "SERVIL!" – ORDEM ERRADA NÃO SE CUMPRE!



Wednesday, June 11, 2008

Não há o que se discutir! É caso para "impeachment" e cadeia.


























Nós, os parvos, os néscios, os idiotas...
por Ricardo Noblat

Lula disse ontem assim:

- Acho abominável as ilações que estão sendo feitas sobre a Dilma. As pessoas que fazem essas críticas não têm autoridade moral para falar sobre isso.

Escaldada pelo caso dos gastos irregulares com cartão corporativo que deu em nada, a oposição está bem comportadinha até aqui quanto ao possível envolvimento da ministra Dilma Rousseff na venda suspeita da Varig.

É razoável imaginar, portanto, que Lula não disse o que disse pensando na oposição. É mais do que razoável supor que ele tenha se referido indiretamente a Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ela não teria autoridade moral para fazer ilações sobre Dilma.

Ora, quer dizer que Denise tinha autoridade moral para ser nomeada por Lula diretora da Anac com direito a mandato e tudo mais. Renunciou ao mandato depois que Nelson Jobim sucedeu Waldyr Pires no Ministério da Defesa.

Mas Denise perdeu a autoridade moral depois de ficar desempregada. Ou para ser mais exato: depois de ter dito que foi pressionada por Dilma para facilitar a vida dos compradores da Varig.

Repito, seu Lula: não somos parvos, néscios, idiotas como o senhor pode imaginar.

Denise não é nenhuma santinha. Por que não chiou na hora que foi pressionada por Dilma? Por que não renunciou ao mandato de diretora da Anac quando se viu forçada a avalizar um negócio que lhe parecia errado? Por que não abriu a boca tão logo foi mandada embora?

Mas nenhuma dessas questões que ela deveria responder, hoje, durante depoimento no Senado, desqualifica de antemão o que ela possa dizer a respeito da venda da Varig.

Na semana passada, um senador de partido do governo comentou assim com Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB:

- A Denise é uma desequilibrada, sempre foi.

Ouviu de volta:

- Pelo amor de Deus, não diga isso. Ela não pode ser desequilibrada. Durante anos voamos aos cuidados dela e dos demais diretores nomeados pelo governo. Vocês não manteriam em cargo tão delicado uma pessoa desequilibrada.


Ricardo Noblat, nasceu em 1949 na cidade de Recife-PE, formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, trabalhou como repórter dos jornais "Diário de Pernambuco" e "Jornal do Commercio", além das sucursais do "Jornal do Brasil" e revista "VEJA", também foi repórter e chefe da extinta revista "Manchete" no Recife. Chefiou a sucursal da revista "VEJA" em Salvador-BA, por dois anos, revista esta, onde depois foi editor-assistente em Sâo Paulo-SP. Trabalhou ainda em Brasília-DF, como editor regional da sucursal do "Jornal do Brasil" e repórter na também sucursal do jornal "O Globo", de onde saiu para chefiar a sucursal da revista "IstoÉ" e posteriormente a direção de redação do jornal "Correio Braziliense". De volta a Salvador-BA, chefiou a redação do jornal "A Tarde" por quase um ano. Ainda teve uma passagem pelo jornal "O Estado de S. Paulo", onde além de uma coluna aos domingos, manteve um blog. Atualmente Ricardo Noblat é editor-chefe do "Blog do Noblat" e publica uma coluna às segundas-feiras no jornal "O Globo". Noblat também é autor de vários livros na área de Jornalismo.
N.R. Além de política e atualidades o Blog do Noblat também é ótimo para quem gosta da boa música.


Publicado no Blog do Noblat.
Quarta-feira, 11 de junho de 2008, 09h24.





"MOMENTO HUMORÍSTICO" – Bootlead

Wednesday, August 08, 2007

As circunstâncias é que determinam a causa.

"SE QUEDEN TRANQUILES": Lula em 04/04/2007, 104 dias antes da tragédia do vôo 3054.































O culpado é o mordomo
por João Nemo

O governo Lulla é uma coletânea interminável de paradoxos. Nunca tivemos um presidente tão ignorante e nunca algum tão apoiado por pretensos intelectuais e “produtores culturais”. Quem acha que Lulla é uma criação do povão inculto tem memória curta. Foi produto típico do meio sindical tornado mito por professores universitários, artistas, escritores e outros ditos “formadores de opinião”. Ouvi, várias vezes, pessoas semi-analfabetas dizerem às vésperas de eleições: "de ignorante já basta eu". A máquina de parasitismo ainda não havia alcançado escala que lhe permitisse distribuir “argumentos” da maneira como faz hoje. Mas o fato é que com empenho de uns e conivência de muitos o artefato está aí; tem e terá lamentáveis conseqüências para esta geração de brasileiros e, sendo muito otimista, pelo menos para mais uma. Não se instala impunemente a minuciosa teia de dominação que vem sendo construída e muito menos se escapa às seqüelas dos métodos que vêm sendo utilizados. Quando sairmos do governo Lulla – vejam que continuo otimista – talvez seja possível corrigir muitos rumos equivocados, mas algumas coisas poderão estar definitivamente destruídas.

No momento, como nunca antes neste país, estamos nos transformando em especialistas em tráfego aéreo. Já somos todos técnicos de futebol; tornamo-nos mestres em economia a partir da hiperinflação; e agora nos dedicaremos, durante um bom tempo, ao novo assunto falando em “grooving”, malha aérea, manete, “spoilers”, reverso etc. As razões, desta vez, são as mais tristes possíveis, mas desde o primeiro momento, a grande preocupação da troupe que nos domina se resumiu em “tirar o seu da reta” para usar a linguagem que eles tanto apreciam e praticam, inclusive no gestual. Não digo isso agora. No artigo publicado em 19 de julho, logo após o acidente de Congonhas, comentei: a primeira medida do "planalto” foi uma reunião de emergência com três ministros de confiança, particularmente o da Comunicação Social, entenda-se “propaganda e contra-informação". Naturalmente eu não imaginava que essa coisa chegaria ao ponto de assistirmos dois aspones comemorando a nota esperada por eles no Jornal Nacional e que falava do tal reverso.

Pouco a pouco, uma fatia por vez, irão surgindo dados que nos levarão, ao fim e ao cabo, às evidências de que o verdadeiro culpado pelo acidente de Congonhas é o mordomo, ou seja, o piloto. Desta feita não dispomos de mordomos estrangeiros para acusar, então, teremos que nos contentar com o produto nacional mesmo. Pouco importa se tinha um milhão de horas de vôo e se era o principal interessado em não se espatifar. Nos últimos segundos terá sido ele que errou.

Quem conhece alguma coisa a respeito de grandes catástrofes, ou mesmo de acidentes comuns, sabe que dificilmente um único fator leva ao desfecho. Há sempre uma porção de “se” que poderiam ter evitado a tragédia. Mesmo que no momento final alguém tenha errado por ação ou omissão isso, isoladamente, não explica o ocorrido. Sabe-se também que desordem, confusão, disfunções nos processos de trabalho, concessões em procedimentos sob pressão, tolerâncias indevidas, referências decisórias confusas, negação parcial de limites etc. compõem, entre outras coisas, o ambiente ideal para ocorrências indesejáveis, incidentes e acidentes. Não é preciso ser um especialista: uma boa professora primária sabe que bagunça na sala ou no pátio facilita acidentes com as crianças.

Quando ocorreu o famoso desastre da nave espacial Challenger nos Estados Unidos, o relatório final do inquérito apontava as falhas técnicas e de projeto identificadas, mas demonstrava que a base fundamental do ocorrido estava num sistema de gestão equivocado e nos defeitos do processo decisório. Nós, ninguém mais se lembra, já cometemos a façanha inédita de matar mais de vinte pessoas com um foguete no chão e desligado. Na ocasião, o nosso presidente agradeceu as condolências da comitiva ucraniana com uma das suas pérolas: "há males que vêm para bem". Um contraste considerável com o pronunciamento* do então Presidente Reagan que se tornaria um clássico.

Diversas ocorrências desnudam a natureza das prioridades e o perfil de caráter dessa gente em cujas mãos, infortunadamente, a nossa deplorável maneira de fazer política colocou os destinos do país e de nós mesmos. A primeira foi a já comentada preocupação imediata de defesa da imagem, patrimônio que consideram o bem mais valioso dos seus ativos e que a reunião de primeira hora revelava; segunda, aquela cena flagrada dos gestos obscenos, cuja verdadeira imoralidade está menos nos gestos do que na mentalidade que os motivou. Terceira,... bem... a terceira ocorrência talvez o futuro nos revele: quem será que "vazou" dados parciais de gravação da caixa-preta para a imprensa ferindo, pela antecipação, inclusive tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário? Que Deus me perdoe os maus pensamentos.

Assim como na novela do mensalão, um razoável número de membros do formigueiro poderão ser sacrificados, desde que se preserve a saúva rainha. Esse sacrifício é sempre bem recompensado, pois deixar ressentidos pelo caminho é perigoso. A imprensa costuma comentar as supostas dificuldades do apedeuta em demitir “companheiros” mas creio que o problema é outro. É preciso prudência e garantias de que o bom cabrito não berre.

Quando nada de mais lamentável parecia possível, o presidente Callamares não resistiu e voltou à sua justificativa predileta: "não sabia" que o problema aéreo brasileiro era tão sério. Incrível! Quando é que essa figura vai saber de alguma coisa? E ainda culpou, de certa forma, os adversários porque nas cinco eleições que disputou a questão não teria sido comentada. Eu também acho que a oposição é um bocado omissa, mas essa agora é de cabo de esquadra. Como é que na cabeça de um petralha ou filopetralha cabe, concomitantemente, a idéia de que Callamares é minimamente capaz para ser presidente, mas consegue ignorar a seriedade e complexidade de algo que vem assolando o país há, pelo menos, um ano? Tudo bem: ele dispõe do Aerolulla onde só viaja rodeado de puxa-sacos. Deve ser isso.

Os dois acidentes ocorridos representam o traço mais dramático e dolorido dessa confusão geral em que o país está metido, visível com mais clareza em áreas e aspectos cuja natureza crítica não permite camuflagem. A praga de gafanhotos está, com certeza, presente em muitas outras áreas menos visíveis e menos críticas. O imbróglio representa, também, uma demonstração didática do que acontece quando grandes empresas passam a viver de lobby. Há um preço pesado a pagar, inclusive para elas próprias, quando algo dá errado. Não adianta querer, depois, dizer que a culpa é do mordomo.



João de Oliveira Nemo é sociólogo e consultor de empresas em desenvolvimento gerencial.








Publicado no site MídiaSemMáscara.
Terça-feira, 07 de agosto de 2007


* Refere-se ao discurso do Presidente dos EUA, Ronald Reagan proferido em 28 de janeiro de 1986, devido a tragédia ocorrida com a explosão do ônibus espacial "Challenger", na qual morreram sete astronautas. (P.N.)

Para ler o discurso acima citado (original em inglês), click aqui.


Sunday, August 05, 2007

Transcript of Cockpit Voice Recorder from Flight 3054-TAM Airlines which crashed in Congonhas Airport, Brazil.

Foto: © Juliano Damásio




























Above a photo of the Airbus A320-233 (TAM PR-MBK) taking off in the Congonhas airport, in the same runway of
the disaster on July 17, 2007 (died around 200 persons).


Transcript of Cockpit Voice Recorder

Cockpit Voice Recorder – Legend.























































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 1 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 2 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 3 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 4 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 5 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 6 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 7 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 8 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 9 of 10.




































Cockpit Voice Recorder – Transcript of the Page 10 of 10.





































Links for other photos of the TAM PR-MBK. (Click on the thumbnail to see the original photo)


Tuesday, July 31, 2007

PARADOXAL!








































Os aviões andaram bebendo
por Arnaldo Jabor

As coisas é que têm a culpa de tudo, o piano andou bebendo, 'the piano has been drinking!' cantou Tom Waits, 'my necktie is asleep', minha gravata está dormindo, 'the jukebox is taking a leak', a vitrola foi mijar, o tapete precisa de um corte de cabelo, o afinador de pianos é surdo e eu, cá comigo, continuo: os Boeings e legacies e airbuses andaram enchendo a cara também, enquanto os jornais teimam em nos propagar catástrofes que, no dizer das autoridades, se produziram sozinhas como cogumelos autóctones, enquanto o presidente some sob as vaias do Pan e, magoado, se esconde sob os terçóis do palácio, iluminado pela aura do botox que resplende da primeira-dama muda e as pistas dos aeroportos rolam de porre debaixo de chuva, as turbinas se revoltam, as asas tatalam e se partem, os motores se recusam a rodar e destroncam a língua em palavrões, as medalhas vêm pousar como gafanhotos nos peitos dos canalhas, os pepinos se enfiam no rabo dos brigadeiros, os mortos berram com orgulho que são cadáveres verde-e-amarelo, cem por cento nacionais e os 'groovings' não são 'groovy', as ranhuras viram regos arrombados, os pneus rebolam como gelatina, os trens-de-aterrisagem são aleijados, os radares são morcegos drogados e os controladores são cegos de um olho e não enxergam com o outro.

As petistas eróticas gozam fumando charutos, os puteiros erupem como vulcões de esperma na beira das pistas, no caminho dos 'airbuses', as gargalhadas roncam nas gargantas dos ministros, a palma da mão de Deus bate contra seu sagrado punho fechado e um imenso 'top top' atroa os espaços e dedos imensos se esticam do céu e nos mandam enfiá-los, deus sabe aonde, e os mortos teimam em morrer e os traficantes de órgãos ficam desolados com o desperdício de corpos. Os vivos não cooperam e as pistas continuam em coma e os aviões fumam maconha e os pilotos aterram aterrados e os taxistas vigiam preocupados os negros céus de São Paulo, os pássaros vivem em pânico e resolvem andar a pé nas estradas esburacadas, com as verbas de recuperação roubadas no Ministério dos Transportes, os cachorros cagam nas pistas, o ministro da Defesa se derrete e escorre para o ralo, duzentos milhões de dólares fogem às gargalhadas dos cofres da Infraero e ninguém faz nada, ninguém investiga e a grana toda voa como chuva de confete sobre a Anac que gruda o rabo do diretor na cadeira para impedir sua demissão, pois ele diz que a competência é irrelevante e que seria covardia sair agora.

Entrementes: o presidente do Senado sob suspeita (lembram como é o nome dele?) exulta com as catástrofes pois, talvez, o olvidem para sempre, esqueçam os envelopes que voavam sozinhos para os bolsos, vindo das empreiteiras, dos açougues onde as carcaças de bois se esquartejavam em notas frias, a Gautama também comemora (como é o nome ?), o Zuleidão mergulha eufórico nos canais de esgoto a céu aberto, enquanto os viadutos interrompidos choram de solidão, as barragens morrem de sede, as lâmpadas do 'luz para todos' mergulham nas trevas, o Roriz roreja sua lama na falta de memória do povo, os intelectuais continuam calados, a USP dorme o sono dos injustos.

Em meio a isso tudo, o Rio São Francisco fervilha de piranhas e se recusa a ser desviado, o bispo exibicionista se empapuça de hóstias consagradas e se prepara para nova greve de fome, a opinião pública abraça lagoas e usa camisetas com a palavra paz, o Pan acaba, os traficantes comemoram o ouro que já vem vindo de novo por aí, nas linhas vermelhas e amarelas, enquanto os narizes de celebridades celebram e fazem surubas, felizes com o pó que vai voltar a chover em Ipanema e nos Jardins, as comissões de inquérito continuam a dizer que a culpa de tudo é do amigo do Homem Aranha, que tudo foi mais uma missão do 'Capitão Falha Humana', com sua caceta sobre o planeta, que tudo é erro dos pilotos, provavelmente pilotos mansos, com dor-de-corno, largados pela mulher, enchendo as caixas-pretas de lamúrias, lágrimas e sambas-canção, o que os fez deslocar manetes e manchos num desatino de ciúmes, empapuçados de Lexotans ou senão dores-de-corno de urubus traído por papagaios sem-vergonha, que cometeram suicídio, enfiando-se loucamente dentro das turbinas invertidas sobre os lixões.

Concomitantemente, os papéis onde o Executivo escreveu o PAC serão usados como papel higiênico no Planalto para poupar dinheiro, de modo a haver verba para contratar mais 600 imbecis para o Professor Pardal Mangabeira erguer o queixinho fascista com sotaque americano, em vez de contratar controladores de vôo novos, tudo isso rolando enquanto Renan não agüenta mais o tal recesso parlamentar, porque a esposa agora está se vingando no recesso do lar, emanando rancor e acusações mudas pelos cantos das fazendas imaginárias, enquanto continua a dúvida se veremos ou não as partes intimas de Mônica (dobrem a oferta, Playboy...), enquanto a dama do charuto da Anac diz que o acidente não foi no ar, ninguém bateu no ar, logo não tem nada a ver com ela.

Finalmente, como não temos mais palavras para exprimir nossa indignação, ou melhor, como não temos mais indignação para exprimir em palavras, ou melhor ou pior ainda, como não há mais nada para exprimir ou espremer, precisamos saber urgentemente se o Olavo vai f... a vida de Fabio Assunção, se Taís vai estrangular a irmã Paula e principalmente questões fundamentais como saber se 'em trilha de paca, tatu caminha dentro, se jacaré no seco anda, se cavalo que galopa na bunda sua...', em suma, as coisas importantes da vida como, por exemplo, se o passaralho vai continuar voando ou se 'passarinho que come pedra sabe o c... que tem'? Será que já sabe?

E fica a certeza de que a única lei que é respeitada no País é a Lei de Murphy e que a única coisa profunda que ouvi ultimamente foi daquele americano expulso: 'Welcome to Congo!' O Congo é aqui mesmo.



Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.



Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Terça-feira, 31 julho de 2007.


Leia mais artigos de ARNALDO JABOR no BOOTLEAD:

¤ Pequenas bobagens traçam nosso destino

¤ A IRRESISTÍVEL SEDUÇÃO DO TERCEIRO MANDATO

¤ A irresistível sedução do terceiro mandato

¤ Em Tropa de Elite, queremos vingança

¤ 'Brasileiro tem de assumir a própria lepra!'

¤ Síndrome da incompetência generalizada

¤ O troço. O lulismo é uma nova categoria política

¤ Um bode preto assola o país

¤ Lula, o intocável

¤ Será possível que ninguém se toca?

¤ Qual é a origem do dinheiro (Comentário de Jabor censurado na Internet pelo TSE)




Sunday, July 22, 2007

FAB/CINDACTA (des)controlando "esquifes voadores" nos céus do Brasil.


































Situação poderia ter provocado nova tragédia, diz controlador
por Matheus Pichonelli

Uma pane ocorrida ontem em dois geradores de energia do Cindacta-4 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Manaus, obrigou os controladores de vôo do centro a trabalharem no escuro e a fazerem contato com órgãos de controle de aproximação por meio de seus telefones celulares.

Apenas duas linhas de telefones fixos funcionaram durante a pane elétrica, segundo um controlador disse à Folha. Rádios e radares ficaram inoperantes. Com medo de retaliações, ele pediu para não ter o nome publicado.

Ele disse que, após a falha, ocorrida por volta das 23h30, o sistema de "backup" geradores de reserva não funcionou. Segundo o controlador, a situação precária poderia ter levado a uma nova tragédia.

A energia só foi retomada por volta das 2h. O Cindacta-4 cuida do controle do tráfego aéreo no Amazonas, Roraima e Mato Grosso e em parte do Pará. Funciona como "porta de entrada" do país, responsável por 90% do tráfego aéreo que evolui dos Estados Unidos e da América Central.

Segundo o relato do controlador, havia 45 aeronaves sem condições de comunicação sobrevoando a região no momento da pane. "Tínhamos apenas dois telefones fixos, que funcionam em casos de emergência, para 12 controladores. A maioria dos contatos com outros órgãos de controle [de aproximação] em Belém, Manaus e Santarém, foi feita pelos nossos celulares."

De acordo com o controlador, um avião ABSA Cargo Airline, de rota internacional, entrou no sistema sem contato com os radares e, a partir de Manaus, deveria trocar de altitude e não o fez, passando a sobrevoar a área na contramão.

"A exemplo do que aconteceu com o Legacy [que colidiu com o Boeing da Gol no ano passado], poderia ter havido uma tragédia. A aeronave passou por Manaus sem contato e seguiu em nível incorreto. Só conseguimos fazer contato com a Venezuela para avisar da situação e a Venezuela foi quem teve que desviar as outras aeronaves do jato", disse.

Para garantir a segurança dos vôos, o controlador disse que a idéia era fechar o espaço aéreo. "Queríamos separar as aeronaves que já estavam voando e, do nosso setor, mandar que todas pousassem." A rota de aeronaves seria desviada e os aviões que estavam em Manaus não poderiam decolar. Mas, segundo o controlador, houve resistência do comando do centro a essa medida.

Ameaça

"O tenente-coronel Leonidas Medeiros de Araújo Jr., que é o subcomandante do Cindacta-4, ordenou que não fechássemos o espaço aéreo porque ninguém poderia saber o que estava acontecendo", disse.

"Ele ameaçou prender os controladores caso não cumpríssemos as medidas. Estava tudo escuro e ele passou a dar as ordens com uma lanterna."

Ele contou que, para que o espaço aéreo não fosse fechado, o subcomandante determinou que um grupo de cinco controladores se deslocasse à antiga torre de comando onde antes funcionava o centro de controle em Manaus e passasse a se comunicar por meio de um rádio de alta freqüência que não era utilizado desde 2002.

"A divisão técnica da Aeronáutica está negligenciando a manutenção de equipamentos. O sistema está doente e as autoridades teimam em não reconhecer. O problema de falta de 'backup' já tinha sido anunciada e não fizeram nada."

Outro lado

A reportagem tentou localizar comandantes do Cindacta-4 para comentar a pane e as declarações do controlador, mas não havia conseguido até a conclusão desta edição.


Matheus Pichonelli é jornalista da Agência Folha.

Publicado no site da "Folha Online".
Domingo, 22 de julho de 2007, 08h59.



Friday, July 20, 2007

Cenário de uma catástrofe mais que evidente.

Foto: © Copyright by TT – Air Team Images - PLANEPICTURES.NET




























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IRRESPONSABILIDADE ASSASSINA
por Maria Lucia Victor Barbosa

Mais uma vez o luto e a dor se abatem sobre o País. Em setembro do ano passado foram 154 mortos no que se chamou de pior desastre da aviação brasileira. Nenhuma providência foi tomada pelas autoridades para resolver o caos aéreo. Apenas promessas vagas. Simulações de ordens partindo do presidente da República. Eleição de culpados como pilotos norte-americanos ou cachorro na pista. Bilhões gastos no PAN. Nenhum recurso para renovação dos aparelhos de controle aéreo. Nenhum treinamento para novos controladores de vôo. Obras suspeitas de superfaturamento em Congonhas.

Agora o pior acidente foi superado. Já se fala em quase 200 mortos, incluindo as pessoas que estavam no prédio da TAM. Mais uma vez emerge claramente a incompetência assassina, a indiferença brutal, a covardia das esquivas, o cinismo das explicações que não explicam. Tudo isso não vem do botequim da esquina, mas das autoridades constituídas que incluem, naturalmente, o presidente da República.

Onde está o sempre confuso e inoperante ministro da Defesa? Onde está o comandante da Aeronáutica para dar explicações adequadas à Nação? Onde estão os responsáveis pela Infraero e pela Anac? Onde está o presidente da República, que tão afeito a luzes e câmaras, a constantes aparições televisivas desta vez não entrou em cadeia de rádio e televisão para consolar as famílias enlutadas? Ou avião é coisa de rico e ele só se dirige aos pobres, aos grotões que digerem facilmente seu gesticular furioso e alucinado, que se empolgam com seus esgares e com seu palavreado chulo próprio dos demagogos que, sedutores de massas entusiasmam os mais carentes? As autoridades (in)competentes estão mergulhados em silêncio ensurdecedor.

Será que o presidente Lula da Silva não aparece por estar de ressaca cívica depois das vaias recebidas no Maracanã de 90 mil gargantas? Pode ser, pois, em que pesem as teorias delirantes e sem nexo dos seus áulicos, dos ptbulls hidrófobos que tentam explicar o monumental apupo, LILS sabe que por uns momentos, os mais constrangedores pelos quais já passou, ficou nu como o rei da história. O gigantesco palanque constituído para sua apoteose triunfal no PAN falhou miseravelmente. Simplesmente porque não houve controle oficial. Aquilo foi diferente dos auditórios fechados, das platéias selecionadas, das claques que o aplaudem em comícios encomendados e em inaugurações planejadas. E ele deve saber que a perniciosa e venenosa tese da “elite branca” especialmente postada no Maracanã para vaiá-lo, não passa de um blefe ideologicamente imbecil dos companheiros.

Por tudo isso, quem sabe, Sua Excelência está sem ânimo para se dirigir aos brasileiros nesse momento de tanta dor. Prefere convocar uma reunião no Palácio e chamar alguns de seus auxiliares. Eles discutem como poderão tirar partido da desgraça para exaltar ainda mais a figura luminosa do salvador da pátria. Decreta-se luto oficial. Aposta-se no esquecimento rápido de mais essa tragédia. Pede-se tempo para averiguar os fatos. Elabora-se algumas teorias idiotas para justificar o acidente, e pronto. E só aguardar a próxima queda de avião, porque a continuar a incompetência assassina governamental o horror irá fatalmente se repetir.

Pena que agora não tem pilotos americanos para levarem a culpa. Mas não é difícil incriminar o piloto que não conseguiu frear o avião. Alguém tem que ser culpado. Menos a Aeronáutica, a Infraero, a Anac, o tartamudeante ministro da Defesa e, principalmente, o presidente da República. Este, além de ser infalível como o Papa, de nada sabe, nada vê, por nada é responsável. Se fosse outro o presidente o que fariam os petistas? No mínimo pediriam o impeachment. Lula, porém, é intocável.

Mas quantos ainda morrerão assassinados oficialmente pela incompetência das autoridades? Não se sabe. Melhor recorrer às estradas. Mas com muito cuidado porque estão em péssimo estado. Como tudo nesse governo, a operação tapa-buraco na última campanha presidencial foi uma farsa. Mais uma como o fracassado Programa Fome Zero ou seu substituto Bolsa Família que tem problemas de fraudes em 90% das cidades recentemente auditadas. Sem falar nas inexistentes PPPs e outras propagandas enganosas.

Nas estradas ainda há chance de sobreviver. Nos aviões é quase impossível. Ainda que os pilotos sejam de uma habilidade e de uma competência incríveis para poder contornar todos os perigos oriundos do controle aéreo, das pistas molhadas, etc. Eis a condição dos meios de transporte num país com as dimensões do Brasil. E o presidente da República ainda tem o desplante de dizer que nunca estivemos tão bem desde a Proclamação da República.

Curva-se de dor o Brasil nesse momento. Até quando se curvará a pátria diante dos desmandos que ora presenciamos? Até quando os brasileiros serão enganados, intoxicados com a propaganda petista? O que somos, um rebanho imbecilizado ou um povo capaz de cobrar de seus governantes o cumprimento dos deveres para os quais os elegemos? Quantos ainda morrerão em desastres aéreos para que o Brasil possa acordar dessa letargia idiotizante?



Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo “O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem” e “América Latina – Em busca do Paraíso Perdido”.
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Quinta-feira, 19 de julho de 2007, 12h43.



Tuesday, October 03, 2006

Foto do Boeing 737 da GOL em Manaus (Vôo 1907)































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Estaria escrito?
por Bootlead

Acima uma foto tirada do Boeing 737 das Linhas Aéreas Gol em 24 de setembro último, justamente no aeroporto de Manaus-AM, portanto cinco dias antes do terrível acidente sobre a "Serra do Cachimbo" no Estado do Pará, quando veio a colidir em pleno ar com uma aeronave executiva do tipo "Legacy" fabricado pela brasileira Embraer, pertencente à empresa norte-americana ExcelAire Services. O acidente ocorreu quando a aeronave da Gol fazia a rota Manaus - Brasília - Rio de Janeiro, vôo 1907. No acidente houve 155* vítimas fatais, sendo 149 passageiros e 6 tripulantes do Boeing. No jato executivo da Embraer, que transportava 5 passageiros mais o piloto e o co-piloto não houve vítimas. Porém o jato executivo teve que fazer um pouso forçado no campo de pouso da Base de Testes do Cachimbo, pertencente às Forças Armadas do Brasil

Especificamente a aeronave da foto é um Boeing 737-800 (8EH), Prefixo PR-GTD, Matricula 34653/2039, fabricado pela The Boeing Company, que havia sido entregue a Linhas Aéreas Gol em 11 de setembro p.p., em Seattle (USA) e contava somente com 234 horas totais de vôo.


Foto: Marcio Gomes Rebello Ferreira

Foto publicada no site: AIRLINERS.NET
(Este site é imperdível para os aficionados em aviação, faça uma visita e comprove)

(*)N.R.: Nº total de vítimas 154 (Gol Linhas Aéreas)


 
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