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Wednesday, June 11, 2008

Não há o que se discutir! É caso para "impeachment" e cadeia.


























Nós, os parvos, os néscios, os idiotas...
por Ricardo Noblat

Lula disse ontem assim:

- Acho abominável as ilações que estão sendo feitas sobre a Dilma. As pessoas que fazem essas críticas não têm autoridade moral para falar sobre isso.

Escaldada pelo caso dos gastos irregulares com cartão corporativo que deu em nada, a oposição está bem comportadinha até aqui quanto ao possível envolvimento da ministra Dilma Rousseff na venda suspeita da Varig.

É razoável imaginar, portanto, que Lula não disse o que disse pensando na oposição. É mais do que razoável supor que ele tenha se referido indiretamente a Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ela não teria autoridade moral para fazer ilações sobre Dilma.

Ora, quer dizer que Denise tinha autoridade moral para ser nomeada por Lula diretora da Anac com direito a mandato e tudo mais. Renunciou ao mandato depois que Nelson Jobim sucedeu Waldyr Pires no Ministério da Defesa.

Mas Denise perdeu a autoridade moral depois de ficar desempregada. Ou para ser mais exato: depois de ter dito que foi pressionada por Dilma para facilitar a vida dos compradores da Varig.

Repito, seu Lula: não somos parvos, néscios, idiotas como o senhor pode imaginar.

Denise não é nenhuma santinha. Por que não chiou na hora que foi pressionada por Dilma? Por que não renunciou ao mandato de diretora da Anac quando se viu forçada a avalizar um negócio que lhe parecia errado? Por que não abriu a boca tão logo foi mandada embora?

Mas nenhuma dessas questões que ela deveria responder, hoje, durante depoimento no Senado, desqualifica de antemão o que ela possa dizer a respeito da venda da Varig.

Na semana passada, um senador de partido do governo comentou assim com Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB:

- A Denise é uma desequilibrada, sempre foi.

Ouviu de volta:

- Pelo amor de Deus, não diga isso. Ela não pode ser desequilibrada. Durante anos voamos aos cuidados dela e dos demais diretores nomeados pelo governo. Vocês não manteriam em cargo tão delicado uma pessoa desequilibrada.


Ricardo Noblat, nasceu em 1949 na cidade de Recife-PE, formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, trabalhou como repórter dos jornais "Diário de Pernambuco" e "Jornal do Commercio", além das sucursais do "Jornal do Brasil" e revista "VEJA", também foi repórter e chefe da extinta revista "Manchete" no Recife. Chefiou a sucursal da revista "VEJA" em Salvador-BA, por dois anos, revista esta, onde depois foi editor-assistente em Sâo Paulo-SP. Trabalhou ainda em Brasília-DF, como editor regional da sucursal do "Jornal do Brasil" e repórter na também sucursal do jornal "O Globo", de onde saiu para chefiar a sucursal da revista "IstoÉ" e posteriormente a direção de redação do jornal "Correio Braziliense". De volta a Salvador-BA, chefiou a redação do jornal "A Tarde" por quase um ano. Ainda teve uma passagem pelo jornal "O Estado de S. Paulo", onde além de uma coluna aos domingos, manteve um blog. Atualmente Ricardo Noblat é editor-chefe do "Blog do Noblat" e publica uma coluna às segundas-feiras no jornal "O Globo". Noblat também é autor de vários livros na área de Jornalismo.
N.R. Além de política e atualidades o Blog do Noblat também é ótimo para quem gosta da boa música.


Publicado no Blog do Noblat.
Quarta-feira, 11 de junho de 2008, 09h24.





"MOMENTO HUMORÍSTICO" – Bootlead

Thursday, November 22, 2007

Todos os "istas", não passam de uns porcos fedorentos!










































IDIOTAS OU MALVADOS?
por Nivaldo Cordeiro*

Fez muito sucesso a expressão cunhada por Mário Vargas Llosa para retratar a marcha do esquerdismo na América Latina, a do perfeito idiota latino-americano relatado em diversos dos seus livros. É uma expressão divertida, mas perigosa, porque mais esconde do que revela os reais fatos políticos da região. O duelo que é travado por aqui se estende aos limites transcendentes e uma simplificação do mesmo equivale a esconder a verdade e a fazer o jogo do Inimigo.

Certo, quando você vê um conjunto de idiotas carregando bandeiras do PT ou do partido do Chávez, ostentando botons nas lapelas e fazendo discurso em prol da suposta “justiça social” certamente você estará confrontado com um conjunto de perfeitos idiotas latino-americanos, iguais aos idiotas de outros continentes. Não há aqui na região peculiaridade alguma. São idiotas porque têm os predicados dos idiotas: são pessoas que carecem de inteligência e discernimento, são tolos e estúpidos. Piormente porque estão convencidos de que são portadores da mais alta moralidade e que são os campeões na defesa dos pobres e oprimidos, quando a realidade é precisamente o contrário. E ainda acharão que aqueles que não se juntam ao séqüito idiota dos comunistas é que são os tolos, na medida em que ficam excluídos das oportunidades materiais que só os militantes do partido dispõem, como empregos públicos rendosos, contratos de serviços com o Estado, verbas para ONGs e coisas do gêneros. Não percebem, os idiotas, que as benesses de agora serão tomadas e os bens mais preciosos lhes serão arrancados na primeira oportunidade, a começar pela liberdade e a vida.

Afinal, são idiotas ou não? Os idiotas são os militantes miúdos e inconscientes dispersos na multidão encharcada pela propaganda revolucionária, que nunca dispuseram de qualquer instrumento que lhes ajudassem a ter um descortino da realidade. Dito de outra forma, vivem, os idiotas, mergulhados na realidade virtual criada pelos falsos discursos e pela propaganda enganosa, que se inicia nos meios de comunicação, é aprofundada nas escolas fundamentais e de ensino médio e tem a sua conclusão coroada nas escolas de nível superior. O idiota é laureado com pompa e circunstância no reconhecimento pelo Estado de sua completa idiotice diplomada. Depois a propaganda continua a agir nos jornais, nos livros e nos discursos políticos, que os idiotas passam a repetir feitos papagaios.

Hoje em dia até mesmo denominações religiosas de seitas pentecostais, como a do Edir Macedo, foram recrutadas para fazer a propaganda enganosa da causa revolucionária. Esse “bispo” satânico deu agora para defender o aborto, a liberação das drogas e seus apaniguados que dispõem de votos estão na tropa de choque da base de apoio do governo. O povo miúdo e ignorante não tem como escapar do alçapão que virou a seita, que arregimenta milhões. E o Macedo não é o único simoníaco na conta do governo. Se a ladainha revolucionária está no rádio, na TV, na boca dos professores e na boca dos bispos, então a mentira haverá que se tornar a verdade mais auto-evidente para a gente desprotegida pela couraça do Espírito. Mas a mentira será sempre mentira.

Essa idiotia, todavia, não pode ser atribuída aos líderes partidários, aos chefes da propaganda, aos que controlam o caixa rico do partido. Eles sabem perfeitamente o que estão fazendo. Esses são os homens maus, que mais das vezes são desconhecidos do grande público, agindo nos bastidores. Só ocasionalmente esses dirigentes nas sombras dão a cara a conhecer, como aconteceu com o então obscuro Antonio Palocci, surpreendendo a todos ao assumir o Ministério da Fazenda no primeiro governo Lula, sem ter formação econômica, sem ser uma liderança política nacional, sem ostentar experiência específica para lidar com finanças. Nada! Um raio em dia de céu azul. O mesmo podemos dizer da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que veio a substitui o todo poderoso José Dirceu. Seu melhor atributo terá sido colaborar com a guerrilha revolucionária em priscas eras.

Essa gente pratica o mal de caso pensado, com o único fito de conquistar e manter-se indefinidamente no poder. O coletivismo marxista não se sustenta nem no plano teórico e menos ainda no plano moral e eles sabem disso muito bem. Mas o discurso distributivista e supostamente libertário escrito pelos propagandistas da revolução faz dessa gente os únicos postulantes com êxito ao poder de Estado na ordem democrática. Um voto é um voto, dirão os cínicos, e uma gente idiotizada pela propaganda não haveria como escolher outros que não os mentirosos que o produziram. O apelo direto aos instintos básicos da fome e da sexualidade, ou seja, o uso deliberado da miragem da liberação da lei da escassez e das travas da moral natural, a libertinagem sem limites, mobiliza as massas infantilizadas naquilo que elas têm de mais vulnerável. Um ser humano adulto e bem formado sabe que os vícios não se confundem com virtudes e que deles só podem advir tragédia e morte, como aliás tem sido a saga em todos os lugares onde o marxismo triunfou. O discurso mentiroso mil vezes repetido toma o lugar da verdade e anestesia o senso de perigo da multidão. Depois de um certo ponto é impossível interromper o processo que transfere a esses sediciosos mentirosos todo o poder e apenas a conclusão sangrenta do mesmo poderá estanca-lo e dar um fim ao sofrimento. Aí será tarde demais e a pilha de mortos terá sido contada aos milhões. Poderíamos aqui repetir o verso de Walt Whitman, o poeta maldito: “Morte, morte, morte, morte, morte”. A morte é o mantra real desses criminosos do espírito.

Álvaro Vargas Llosa não faz essa distinção entre os condutores da multidão entorpecida e ela própria, por isso disse em entrevista que Che Guevara encarnava a própria figura do perfeito idiota latino-americano (ver matéria do G1 clicando aqui). Grande engano. Che é o protótipo do dirigente revolucionário que sabia exatamente o mal que fazia. Praticava o mal por escolha. Che é Lula, é Dirceu, é Palocci, é Chávez, é Fidel, gente que vendeu a alma ao Diabo e que fará o mesmo com aqueles que estiverem no seu caminho, o povo todo junto. O peruano involuntariamente contribuiu para esconder essa realidade trágica com seus livros e sua divertida expressão.


José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas."


* José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. (P.N.)

Publicado no site "Nivaldo Cordeiro".
Sábado, 17 de novembro de 2007.



Saturday, May 05, 2007

O Perfeito Idiota Latrino-Americano em ação.








































Abaixo reproduzimos uma reportagem publicada na seção TECNOLOGIA / Comércio eletrônico do Portal G1/Globo, trata-se no caso de um vídeo divulgado no YouTube, que além de engraçado é mais um fenômeno daqueles que cai na “Rede” e vira um sucesso da noite para o dia, efêmero mas sucesso, até aí nada demais, depois aparece outro e poucos se lembram do que o antecedeu, ou seja: Na “web”, a fila anda.

Leiam a reportagem e assistam o vídeo original (logo a seguir), divirtam-se e depois na continuação entenderão o motivo deste “post”.



Estrela do YouTube, Sônia ganha loja virtual
Faxineira de escritório em Campinas ganhou a Loja da Sônia, que funciona na web.
Ela ficou famosa após ter sido filmada tentando falar o endereço ‘www.youtube.com’.

Com mais de 750 mil acessos a seu vídeo “oficial”, Maria Sônia de Souza -- a protagonista do “Fala, Sônia” -- tornou-se uma estrela no site YouTube. Os internautas replicaram diversas vezes esse arquivo na página, criaram o Funk do Fala Sônia, criticaram a divulgação do conteúdo e também fizeram paródias em cima do vídeo. Depois de estrelar como protagonista na web tentando sem sucesso falar o endereço ‘www.youtube.com’, Sônia parte para o comércio com a recém-criada Loja da Sônia (uma loja virtual, é claro!).

A loja on-line -- com slogan "você não precisa saber de tudo para ser feliz" -- foi criado pela empresa de Indaiatuba (interior de São Paulo) onde Sônia trabalha como faxineira e também onde o funcionário Micael Lima fez o vídeo que virou moda no YouTube. “Não sei se vou ganhar dinheiro com isso. Eu deixo tudo na mão de Deus e olha o que está acontecendo na minha vida: eu fiquei famosa, já sai em jornal, ganhei a loja e até dou autógrafos na rua”, afirmou, lembrando que adora assistir a seu próprio vídeo.

O acesso diário a esse arquivo é feito com a ajuda de seus colegas da empresa, porque Sônia não sabe mexer na internet. Antes de seu vídeo, ela não fazia a menor idéia do que era a web: “não conhecia isso não, nem sabia o que era”, contou ao G1. Por isso, sua loja é gerenciada pelos funcionários da empresa onde ela trabalha: a função de Sônia é basicamente escolher os produtos vendidos na página que funciona como uma plataforma para o comércio eletrônico.

“Eu mostro todos os produtos para ela, que escolhe o que será vendido no site. Com base nessas vendas ela vai retirar uma comissão”, afirmou Lima, 19, que colocou o vídeo no YouTube. “Ainda não dá para saber quanto ela vai ganhar, porque tudo depende das vendas”, continou.

O jovem que ensina empresários a gerenciar suas lojas na internet afirma ainda estar surpreso com o sucesso que seu vídeo fez no universo virtual. “Eu coloquei no YouTube para poder mostrar para meus amigos do Orkut [os dois serviços do Google estão relacionados]. Numa sexta-feira, o vídeo tinha 40 acessos. Na segunda, quando voltei ao trabalho, tinha 200 mil”, conta, explicando que o crescimento está ligado à chamada que o arquivo teve no site humorístico Kibe Loco.

Publicado no Portal G1.
Sexta-feira, 04 de maio de 2007-05-05


VÍDEO DA SÔNIA

Click na seta ou no botão play (4) duas vezes, para ativar o vídeo.



Continuando, transcrevemos o artigo de Alvaro Vargas Llosa, entitulado “O retorno do Idiota”, (um pouco longo mas vale a pena ler) publicado na Revista “Veja” desta semana. O autor volta ao tema do livro “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, publicado há dez anos atrás, mas nunca tão atual, logo a seguir assistam um vídeo onde terão oportunidade de conhecer o “Perfeito Idiota Latino-Americano" em plena ação, uma mistura de ignorância, desonestidade e mau-caratismo e com certeza cheio de “Cannabis”.

“O retorno do Idiota”
por Alvaro Vargas Llosa

Durante o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores.

Dez anos atrás, o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, o cubano Carlos Alberto Montaner e eu escrevemos Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, livro que criticava os líderes políticos e formadores de opinião que, apesar de todas as provas em contrário, se apegam a mitos políticos mal concebidos. A espécie "Idiota", dizíamos então, era responsável pelo subdesenvolvimento da América Latina. Tais crenças – revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente da justiça social, paixão pelo regime do homem forte em lugar do regime da lei – tinham origem, em nossa opinião, no complexo de inferioridade. No fim dos anos 1990, parecia que os idiotas estavam finalmente em retirada. Mas o recuo durou pouco. Hoje, a espécie retornou na forma de chefes de estado populistas empenhados em aplicar as mesmas políticas fracassadas no passado. Em todo o mundo, há formadores de opinião prontos a lhes dar credibilidade e simpatizantes ansiosos por conceder vida nova a idéias que pareciam extintas.

Por causa da inexorável passagem do tempo, os jovens idiotas latino-americanos preferem as baladas pop de Shakira aos mambos do cubano Pérez Prado e não cantam mais hinos da esquerda, como A Internacional e Hasta Siempre, Comandante. Mas eles ainda são os mesmos descendentes de migrantes rurais, de classe média e profundamente ressentidos com a vida fútil dos ricos que vêem nas revistas de fofocas, folheadas discretamente nas bancas. Universidades públicas fornecem a eles uma visão classista da sociedade, baseada na idéia de que a riqueza precisa ser tomada das mãos daqueles que a roubaram. Para esses jovens idiotas, a situação atual da América Latina é resultado do colonialismo espanhol e português, seguido do imperialismo dos Estados Unidos. Essas crenças básicas fornecem uma válvula de segurança para suas queixas contra uma sociedade que oferece pouca mobilidade social. Freud poderia dizer que eles têm o ego fraco, incapaz de fazer a mediação entre seus instintos e a sua idéia de moralidade. Em lugar disso, suprimem o conceito de que a ação predatória e a vingança são erradas e racionalizam a própria agressividade com noções elementares do marxismo.

Os idiotas latino-americanos tradicionalmente se identificam com os caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Dois líderes, particularmente, inspiram o Idiota de hoje: os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia. Chávez é visto como o perfeito sucessor do cubano Fidel Castro (a quem o Idiota também admira): ele chegou ao poder pelas urnas, o que o libera da necessidade de justificar a luta armada, e tem petróleo em abundância, o que significa que pode bancar suas promessas sociais. O Idiota também credita a Chávez a mais progressista de todas as políticas – ter colocado as Forças Armadas, paradigma do regime oligárquico, para trabalhar em programas sociais. De sua parte, o boliviano Evo Morales tem um apelo indigenista. Para o Idiota, o antigo plantador de coca é a reencarnação de Tupac Katari, um rebelde aimará do século XVIII que, antes de ser executado pelas autoridades coloniais espanholas, profetizou: "Eu voltarei e serei milhões". O Idiota acredita em Morales quando ele alega falar pelas massas indígenas, do sul do México aos Andes, que buscam reparação pela exploração sofrida em 300 anos de domínio colonial e outros 200 anos de oligarquia republicana.

A visão de mundo do Idiota, vez por outra, encontra eco entre intelectuais ilustres na Europa e nos Estados Unidos. Esses pontificadores aliviam o peso na consciência apoiando causas exóticas em países em desenvolvimento. Suas opiniões atraem fãs entre os jovens do Primeiro Mundo, para os quais a fobia da globalização oferece a perfeita oportunidade de encontrar satisfação espiritual na lamentação populista do Idiota latino-americano contra o perverso Ocidente.

Não há nada de original no fato de intelectuais do Primeiro Mundo projetarem suas utopias sobre a América Latina. Cristóvão Colombo chegou por acaso à América em um tempo em que as idéias utópicas da Renascença estavam em voga. Desde o início, os conquistadores descreveram as terras encontradas como nada menos que paradisíacas. O mito do bom selvagem – a idéia de que os nativos do Novo Mundo tinham uma bondade imaculada, não manchada pelas maldades da civilização – impregnou a mente européia. A tendência de usar a América como uma válvula de escape para a frustração com os insuportáveis conforto e abundância da civilização ocidental continuou por séculos. Pelos anos 60 e 70, quando a América Latina estava repleta de organizações terroristas marxistas, esses grupos violentos encontraram apoio maciço na Europa e nos Estados Unidos entre pessoas que nunca teriam aceitado um regime totalitário no estilo de Fidel Castro em seu próprio país.

O atual ressurgimento do Idiota latino-americano precipitou o retorno de seus correspondentes: os idiotas paternalistas europeus e americanos. Mais uma vez, importantes acadêmicos e escritores estão projetando seu idealismo, sua consciência cheia de culpa ou as queixas contra sua própria sociedade no cenário latino-americano, emprestando seu nome a abomináveis causas populistas. Ganhadores do Nobel, incluindo o dramaturgo inglês Harold Pinter, o escritor português José Saramago e o economista americano Joseph Stiglitz, lingüistas americanos como Noam Chomsky e sociólogos como James Petras, jornalistas europeus como Ignacio Ramonet e alguns de veículos como Le Nouvel Observateur, na França, Die Zeit, na Alemanha, e Washington Post, nos Estados Unidos, estão mais uma vez propagando absurdos que moldam as opiniões de milhões de leitores e santificam o Idiota latino-americano. Esse lapso intelectual seria praticamente inócuo se não tivesse conseqüências. Mas, pelo fato de legitimar um tipo de governo que está no âmago do subdesenvolvimento econômico e político da América Latina, esse lapso se constitui numa forma de traição intelectual.


UM AMOR ESTRANGEIRO

O exemplo mais notável da simbiose entre alguns intelectuais ocidentais e os caudilhos latino-americanos é a relação amorosa entre os idiotas americanos e europeus e Hugo Chávez. O líder venezuelano, apesar das tendências nacionalistas, não hesita em citar estrangeiros em seus pronunciamentos para fortalecer suas opiniões. Basta ver o discurso de Chávez na ONU, no ano passado, no qual exaltou o livro de Chomsky Hegemonia ou Sobrevivência: a Busca da América pelo Domínio Global. Do mesmo modo, em apresentações no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Chomsky apontou a Venezuela como um exemplo para o mundo em desenvolvimento, elogiando políticas sociais bem-sucedidas nas áreas de educação e assistência médica, que teriam resgatado a dignidade dos venezuelanos. Ele também expressou admiração pelo fato de "a Venezuela ter desafiado com sucesso os Estados Unidos, um país que não gosta de desafios, menos ainda quando são bem-sucedidos".

Na realidade, os programas sociais da Venezuela têm se tornado, com a ajuda dos serviços de inteligência cubanos, veículos para cooptar e criar dependência social do governo. Além disso, sua eficácia é suspeita. O Centro de Documentação e Análise Social da Federação Venezuelana de Professores, instituto de pesquisas do sindicato da categoria, relatou que 80% dos domicílios venezuelanos tinham dificuldades em cobrir as despesas com comida em 2006 – a mesma proporção de quando Chávez chegou ao poder, em 1999, e quando o preço do barril de petróleo era um terço do atual. Quanto à dignidade das pessoas, a verdade é que, desde que Chávez se tornou presidente, ocorrem 10.000 homicídios por ano na Venezuela, dando ao país a maior taxa de assassinatos per capita do mundo.

Outra nação pela qual alguns formadores de opinião americanos têm uma queda é Cuba. Em 2003, o regime de Fidel Castro executou três jovens que haviam seqüestrado um barco e tentado escapar da ilha. Fidel também mandou 75 ativistas democratas para a prisão por terem emprestado livros proibidos. Como resposta, James Petras, há anos professor de sociologia da State University of New York, em Binghamton, escreveu um artigo intitulado "A responsabilidade dos intelectuais: Cuba, os Estados Unidos e direitos humanos". Em seu texto, que foi reproduzido por várias publicações esquerdistas em todo o mundo, defendeu Havana argumentando que as vítimas estavam a serviço do governo americano.

Conhecido simpatizante de Fidel, Ignacio Ramonet, editor do Le Monde Diplomatique, jornal francês que advoga qualquer causa sem graça que tenha origem no Terceiro Mundo, sustenta que a globalização tornou a América Latina mais pobre. A verdade é que a pobreza foi modestamente reduzida nos últimos cinco anos. A globalização gera tanta receita aos governos latino-americanos com a venda de commodities e com os impostos pagos pelos investidores estrangeiros que eles têm distribuído subsídios aos mais pobres – o que dificilmente é uma solução para a pobreza a longo prazo.

Com duas décadas de atraso, Harold Pinter fez uma avaliação espantosa do governo sandinista em seu discurso de aceitação do Nobel em 2005. Acreditando talvez que uma defesa dos populistas do passado poderia ajudar os populistas de hoje, ele disse que os sandinistas tinham "aberto o caminho para estabelecer uma sociedade estável, decente e pluralista" e que não havia "registro de tortura" ou de "brutalidade militar oficial ou sistemática" sob o governo de Daniel Ortega, nos anos 80. Alguém pode se perguntar, então, por que os sandinistas foram apeados do poder pelo povo da Nicarágua nas eleições de 1990. Ou por que os eleitores os mantiveram fora do poder durante quase duas décadas – até Ortega se transformar num travesti político, declarando-se defensor da economia de mercado. Quanto à negação das atrocidades sandinistas, Pinter faria bem em lembrar o massacre dos índios misquitos, em 1981, na costa atlântica da Nicarágua. Sob a fachada de uma campanha de alfabetização, os sandinistas, com a ajuda de militares cubanos, tentaram doutrinar os misquitos com a ideologia marxista. Os índios recusaram-se a aceitar o controle sandinista. Acusando-os de apoiar os grupos de oposição baseados em Honduras, os homens de Ortega mataram cinqüenta índios, prenderam centenas e reassentaram à força outros tantos. O ganhador do Nobel deveria lembrar também que seu herói Ortega se tornou um capitalista milionário graças à distribuição dos ativos do governo e de propriedades confiscadas, que os líderes sandinistas repartiram entre si após a derrota nas eleições de 1990.

O entusiasmo com o populismo latino-americano se estende a jornalistas dos principais veículos de comunicação. Tome como exemplo algumas matérias escritas por Juan Forero, do Washington Post. Ele é mais equilibrado e informado do que os luminares mencionados acima, mas, de vez em quando, revela um estranho entusiasmo pelo populismo do tipo que está varrendo a região. Em um artigo recente sobre a generosidade estrangeira de Chávez, ele e seu colega Peter S. Goodman criaram uma imagem positiva da forma como Chávez ajuda alguns países a se desfazer da rigidez imposta por agências multilaterais quando emprestam dinheiro para essas nações poderem quitar suas dívidas. Defensores dessa política foram citados favoravelmente e nenhuma menção foi feita ao fato de que o dinheiro do petróleo da Venezuela pertence ao povo venezuelano, e não a governos estrangeiros ou entidades alinhadas com Chávez, ou que esses subsídios têm limitações políticas. É o que se vê no ataque do presidente da Argentina, Néstor Kirchner, aos Estados Unidos e na louvação a Chávez, respostas evidentes à promessa feita por Chávez de comprar novos bônus da dívida argentina.


O PROBLEMA COM O POPULISMO

Observadores estrangeiros estão deixando de compreender um ponto essencial: o populismo latino-americano nada tem a ver com justiça social. No início, no século XIX, era uma reação ao estado oligárquico na forma de movimentos de massa liderados por caudilhos, cujo mantra era culpar as nações ricas pela má situação da América Latina. Esses movimentos baseavam sua legitimidade no voluntarismo, no protecionismo e na maciça redistribuição de riqueza. O resultado, por todo o século XX, foram governos inchados, burocracias sufocantes, subserviência das instituições judiciais à autoridade política e economias parasitárias.

Populistas têm características básicas comuns: o voluntarismo do caudilho como um substituto da lei, a impugnação da oligarquia e sua substituição por outro tipo de oligarquia, a denúncia do imperialismo (com o inimigo sempre sendo os Estados Unidos), a projeção da luta de classes entre os ricos e os pobres para o terreno das relações internacionais, a idolatria do estado como uma força redentora dos pobres, o autoritarismo sob a aparência de segurança de estado e clientelismo, uma forma de paternalismo pela qual os empregos públicos – em oposição à geração de riqueza – são os canais de mobilidade social e uma forma de manter o voto cativo nas eleições. O legado dessas políticas é claro: quase metade da população da América Latina é pobre, com mais de um em cada cinco vivendo com 2 dólares ou menos por dia. E entre 1 milhão e 2 milhões de migrantes procurando os Estados Unidos e a Europa a cada ano em busca de uma vida melhor.

Mesmo na América Latina parte da esquerda está fazendo a transição, afastando-se da Idiotice – semelhante ao tipo de transição mental que a esquerda européia, da Espanha à Escandinávia, fez décadas atrás, quando, de má vontade, abraçou a democracia liberal e a economia de mercado. Na América Latina, pode-se falar em uma "esquerda vegetariana" e uma "esquerda carnívora". A esquerda vegetariana é representada por líderes como o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e o presidente costa-riquenho, Oscar Arias. Apesar da retórica carnívora ocasional, esses líderes têm evitado os erros da antiga esquerda, como uma barulhenta confrontação com o mundo desenvolvido e a devassidão monetária e fiscal. Eles se adaptaram à conformidade social-democrata e relutam em fazer grandes reformas, mas apresentam um passo positivo no esforço para modernizar a esquerda.

Em contrapartida, a esquerda "carnívora" é representada por Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales e pelo presidente do Equador, Rafael Correa. Eles se prendem a uma visão marxista da sociedade e a uma mentalidade da Guerra Fria que separa o Norte do Sul e buscam explorar as tensões étnicas, particularmente na região andina. A sorte inesperada com o petróleo obtida por Hugo Chávez está financiando boa parte dessa empreitada. A gastronomia de Néstor Kirchner, da Argentina, é ambígua. Ele está situado em algum ponto entre os carnívoros e os vegetarianos. Desvalorizou a moeda, instituiu controles de preços e nacionalizou ou criou empresas estatais nos principais setores da economia. Mas tem evitado excessos revolucionários e pagou a dívida argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ainda que com a ajuda do crédito venezuelano. A posição ambígua de Kirchner tem ajudado Chávez, que preencheu o vácuo de poder no Mercosul para projetar sua influência na região.

Estranhamente, muitos europeus e americanos "vegetarianos" apóiam os "carnívoros" da América Latina. Um exemplo é Joseph Stiglitz, que tem defendido os programas de nacionalização na Bolívia de Morales e na Venezuela de Chávez. Numa entrevista para a rádio Caracol, da Colômbia, Stiglitz disse que as nacionalizações não deveriam causar apreensão porque "empresas públicas podem ser muito bem-sucedidas, como é o caso do sistema de pensões da Seguridade Social nos Estados Unidos". Stiglitz, porém, não defendeu a nacionalização das principais empresas privadas ou de capital aberto de seu país e parece ignorar que, do México para baixo, nacionalizações estão no centro das desastrosas experiências populistas do passado.

Stiglitz também ignora o fato de que na América Latina não há uma separação real entre as instituições do estado e o governo. Empresas estatais rapidamente se tornam canais para patronato político e corrupção. A principal empresa de telecomunicações da Venezuela tem sido uma história de sucesso desde que foi privatizada, no início dos anos 1990. O mercado de telecomunicações experimentou um crescimento de 25% nos últimos três anos. Em contrapartida, a gigante estatal de petróleo tem visto sua receita cair sistematicamente. A Venezuela produz hoje quase 1 milhão de barris de petróleo menos do que produzia nos primeiros anos desta década. No México, onde o petróleo também está nas mãos do governo, o projeto Cantarell, que representa quase dois terços da produção nacional, vai perder metade de seu rendimento nos próximos dois anos por causa da baixa capitalização.

É realmente importante o fato de que os intelectuais americanos e europeus matam sua sede pelo exótico promovendo idiotas latino-americanos? A resposta inequívoca é sim. Uma luta cultural está sendo deflagrada na América Latina – entre aqueles que querem colocar a região no firmamento global e vê-la emergir como um importante colaborador para a cultura ocidental, à qual seu destino está associado há cinco séculos, e aqueles que não conseguem aceitar essa idéia e resistem. Apesar de a América Latina ter experimentado algum progresso nos últimos anos, essa tensão está impedindo seu desenvolvimento em comparação com outras regiões do mundo – como o Leste Asiático, a Península Ibérica ou a Europa Central – que, há pouco tempo, eram exemplos de atraso. Nas últimas três décadas, a média de crescimento anual do PIB da América Latina foi de 2,8% – contra 5,5% do Sudeste Asiático e a média mundial de 3,6%.

Esse fraco desempenho explica por que quase 45% da população ainda está na pobreza e por que, depois de um quarto de século de regime democrático, pesquisas feitas na região revelam uma profunda insatisfação com instituições democráticas e partidos tradicionais. Enquanto o Idiota latino-americano não for relegado aos arquivos históricos – algo difícil de acontecer enquanto tantos espíritos condescendentes no mundo desenvolvido continuarem a lhe dar apoio –, isso não vai mudar.


Álvaro Vargas Llosa, escritor e jornalista liberal, formado em História internacional na London School of Economics é diretor do Centro para a Prosperidade Global do Instituto Independente, em Washington. Alvaro já recebeu diversos prêmios por seu trabalho jornalístico, como também é autor de diversos livros de sucesso, entre eles o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano” (1996), em parceria com os escritores Plinio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montaner. Alvaro Vargas Llosa tem proferidos numerosas palestras nas áreas de história e política, principalmente sobre o tema América Latina.





Publicado na
Revista “VEJA”.
Edição 2007
Sexta-feira, 05 de maio de 2007



VÍDEO DO PERFEITO IDIOTA LATRINO-AMERICANO (“PETRALHA”)
(Sentimos muito, mas o PILA removeu o vídeo do YouTube. Não aguentou a vergonha. É típico dessa gentalha não assume nada do que faz. Dá próxima nós copiamos e queremos ver quem vai remover. "Petralha+PILA", cambada de covardes. Porém a cara de bobo do "boneco" continua aqui para quem quiser ver.)


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ATENÇÃO PARA A DICA ELEITORES DO "MOLUSCO":
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Wednesday, October 25, 2006

Para a súcia suicida, o apedeuta, além de "mito" é "intocável".
































Lula, o intocável
por Arnaldo Jabor

Dia 29, Lula deverá ser reeleito. Favas contadas. Papo firme, sem bronca, na boa. Lula está reeleito, apesar de estar no centro de escândalos da pesada. Como se explica isso? Como explicar sua invulnerabilidade sob todos os ataques, provas, tudo?

Há um conjunto de motivos que vão resultar na vitória deste movimento na contramão das conquistas da democracia dos últimos 20 anos, um regresso em nome do 'progresso'.

Eis algumas razões:

'Lula' é um nome doce, carinhoso, familiar. Lula é fácil de entender, fácil de dizer. Na mitologia política brasileira, Lula continua o símbolo do 'povo' que chegou ao poder. A origem quase 'cristã' desse mito de operário ignorante lhe dá uma aura sagrada intocável. Poucos têm coragem de desmentir esse dogma, como a virgindade de Nossa Senhora. Assim é o fenômeno da Fé. Quanto mais denunciam o Lula, mais ele cresce, quanto mais inacreditável o fato, mais valorizado a Fé.

Alckmin está no oposto do mito. Sua imagem é lisa, gelada. Lula não precisa dizer a verdade; basta parecer. Pode mentir quanto quiser, que o que diz soa verdadeiro. É a 'mentira revolucionária'. Alckmin pode dizer a verdade que a maioria nem acredita. Mesmo quem sabe dos delitos que Lula presidiu, vota nele, 'mesmo assim'. Há também o voto 'segunda chance' - a compulsão à repetição freudiana do erro, na esperança de um acerto. Grandes intelectuais declaram que vão votar assim. Alckmin é um herege da religião da esquerda, enquanto Lula está 'acima' da política, acima de nós, intocável.

Os eleitores não votam em plataformas; votam em pessoas. O velho personalismo salvacionista continua vigente. E para muitos intelectuais e pessoas mais cultas, o conceito antigo de 'revolução' continua presente, como um tumor inoperável. No duro, grande parte da Academia acha que a 'vereda luminosa' é Morales ou Chaves. No Brasil, a palavra 'esquerda' continua o ópio dos intelectuais. Pressupõe uma 'substância' que ninguém mais sabe qual é, mas que 'fortalece', enobrece qualquer discurso. O termo é esquivo, encobre erros pavorosos e até justifica massacres. Uma esquerda moderna é vista como 'desvio' ou traição.

A agenda do PSDB e de Alckmin é incompreensível para a maioria das pessoas, mesmo engravatadas. A complexidade de usar um 'choque de capitalismo' para enxugar o Estado, fazer reformas básicas na administração, nada disso empolga o leigo. As palavras de ordem do PT são curtas e grossas, mais fáceis de entender: 'Fome, rico e pobre, elites'...

O País tem um movimento 'regressista' natural, uma vocação reacionária além dos homens e dos discursos, automática, quase física. O verdadeiro Brasil é boçal, salvacionista. FHC foi um parêntesis acidental de racionalidade, assim como Clinton foi o último democrata numa América fundamentalista. FHC subestimou a força da burrice e da Fé.

O erro de comunicação dos tucanos começou no governo FHC. Foi seu maior equívoco. Jamais explicaram para a opinião pública a agenda de mudanças, os novos conceitos políticos de uma modernização. Tinha que ter sido uma cartilha de reeducação. Nada fizeram e, hoje, os tucanos não conseguem defender nem o Plano Real; nem eles acreditam em si. O povo só entendeu o Plano Real e olhe lá. O resto nunca foi explicado, a ponto de termos de ouvir que Lula fez a estabilização da moeda e que as essenciais privatizações foram ataques ao 'patrimônio' da nação, apesar do imenso sucesso da telefonia ou da Vale.

O PSDB tem meia dúzia de gatos ou tucanos pingados: FHC, Tasso, Serra, Arthur Virgílio, Aécio, Goldman e poucos mais, defendendo complexas ambivalências. Por outro lado, o PT tem milhares de militantes defendendo seus empregos.

Como disse Sérgio Buarque de Holanda: 'A democracia ainda é um mal-entendido no País.' No fundo, preferimos uma boa promessa de voluntarismo e populismo, na base do 'pau no burro' ou 'bota para quebrar'. No fundo, democracia é vista como veadagem, perda de tempo. Estamos prontos para ditadores e demagogos; para administradores e reformadores racionais, não. Outra razão da vitória foi a bonança econômico-financeira do mundo atual. Se Lula tivesse pegado as cinco crises da pesada do FHC, estaríamos batendo panelas na rua. Sorte dele e nossa...

Outro motivo: nenhum partido tem uma categoria chamada 'companheiros' (ou 'cumpanheiros'). Acima de erros, crimes, mentiras, existe um talismã secreto que todos carregam no peito ou no bolso: uma verdade maior, uma outra ética acima da nossa, uma 'superioridade' que os absolve e justifica. Os 'cumpanheiros' trabalham sincronizados no País todo, como um formigueiro. O sujeito pode até bater na mãe que continua 'companheiro'. Só deixa de sêlo se criticar o partido, como o Paulo Venceslau que ousou denunciar roubos das prefeituras. Como querer que tucanos dispersos vençam uma matilha de 'cumpanheiros'?

É claro que a vitória se deve também à genialidade maquiavélica do Lula, qualidade subestimada pelos tucanos. Lula deu um banho de competência neles todos. Competentíssima também a tática do governo de negar as verdades e provas pela criação de um labirinto de 'falsas verdades', formando uma rede de desmentidos, protelações e enigmas que vão desqualificando as investigações. Grande parte de seus eleitores não sabe nem o que é 'dossiê' - pensam que é um tipo de doce, como apontou José de Souza Martins, no Estadão.

Conseguiram também 'fulanizar' a ampla estratégia da 'corrupção revolucionária', transformando um plano de bolchevistas tardios em 'meia dúzia de cumpanheiros que cometeram erros'. As pessoas sem formação crítica acreditam, pois acham que 'sempre foi assim... Assim, elegeram Jânio, Collor e agora vamos continuar com Lula, o mascote de nossa utopia personalista e ibérica. Que Deus lhe dê a luz de, ao menos, não detonar a economia, senão, voltaremos a 1963, com a historiazinha do Brasil se 'repetindo como farsa' ?

É claro que a vitória se deve também à genialidade maquiavélica do Lula, qualidade subestimada pelos tucanos. Lula deu um banho de competência neles todos. Competentíssima também a tática do governo de negar as verdades e provas pela criação de um labirinto de 'falsas verdades', formando uma rede de desmentidos, protelações e enigmas que vão desqualificando as investigações. Grande parte de seus eleitores não sabe nem o que é 'dossiê' - pensam que é um tipo de doce, como apontou José de Souza Martins, no Estadão.

Conseguiram também 'fulanizar' a ampla estratégia da 'corrupção revolucionária', transformando um plano de bolchevistas tardios em 'meia dúzia de cumpanheiros que cometeram erros'. As pessoas sem formação crítica acreditam, pois acham que 'sempre foi assim... Assim, elegeram Jânio, Collor e agora vamos continuar com Lula, o mascote de nossa utopia personalista e ibérica. Que Deus lhe dê a luz de, ao menos, não detonar a economia, senão, voltaremos a 1963, com a historiazinha do Brasil se 'repetindo como farsa' ?


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.



Publicado no jornal "O Povo" de Fortaleza.
Terça-feira 24 de outubro de 2006.


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