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Tuesday, September 29, 2009

HONDURAS: LIVRE, SOBERANA E INDEPENDENTE!

Foto: Roberto Micheletti Bain, Presidente de Direito da República de Honduras.










































AS APARÊNCIAS OFUSCANDO A VERDADE
por Paulo Pimentel

1. INTRODUÇÃO

A imagem de militares invadindo a casa de um presidente legitimamente eleito, sua detenção e imediata expulsão do país, reveste-se de todos os ingredientes de algo que, hoje em dia, causa forte repugnância na comunidade internacional. Difícil de explicar, quase impossível de justificar.

O quadro de um golpe de Estado patrocinado por militares está tão bem pintado, e reflete tão claramente, que se torna desnecessário, para muitos, fazer um esforço em ver a cena de outro ponto de vista, o que ofusca a verdade. Em nome dela, e por acreditar que realmente nem sempre os fatos falam por si mesmos, vou me atrever a mostrar esta mesma imagem desde outro ângulo.

Definitivamente, o que aconteceu em Honduras (e segue acontecendo) não guarda relação com o que se noticia na imprensa internacional. Se realmente conceitos tais como autodeterminação dos povos e soberania têm algum significado - e estão acima do pragmatismo que rege a relação entre os Estados - talvez valesse a pena o esforço em enxergar a cena descrita no primeiro parágrafo sob a ótica dos demais poderes do Estado de Honduras, de sua Constituição e, principalmente, da grande maioria do seu povo.

2. O GIRO À ESQUERDA DE ZELAYA

Eleito pelo tradicional Partido Liberal de Honduras, Manuel Zelaya assumiu a presidência em janeiro de 2006. O primeiro ano e meio de governo foi marcado por algumas medidas louváveis na esfera social e pela aproximação do mandatário com as classes menos favorecidas. Mesmo nesse período, já se falava da grande desorganização administrativa e do altíssimo grau de corrupção do seu governo, o que redundou em uma completa desestruturação das contas públicas.

A crise mundial de alimentos e o elevado preço alcançado pelo barril de petróleo colocaram o governo de Zelaya à beira de um colapso. Sua tábua de salvação não tardou a surgir. Para um país que tem 80% de sua matriz energética baseada no petróleo, a generosa oferta que Chávez lhe fazia, por meio da PETROCARIBE, era mesmo tentadora: petróleo garantido, pagamento de 50% no ato da compra e os outros 50% num prazo de 20 anos.

Da PETROCARIBE até a adesão à ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da América) o caminho foi curto. Em 25 de agosto de 2008, pode-se dizer que começou uma segunda fase do governo Zelaya. Após forte resistência do Congresso Nacional, resistência essa vencida pela compra de consciências com petrodólares venezuelanos, Honduras tornou-se o mais novo membro do organismo de expansão do chamado "Socialismo do Século XXI".

A partir de então, Chávez passou sua conta e ocorreu o que a imprensa denominou de "giro à esquerda". Rompendo com o programa partidário que o elegeu, e para surpresa de muitos, Zelaya proclamou-se de esquerda. Adotou um discurso ofensivo contra o "imperialismo usurpador norte-americano", trazendo pânico aos mais de 800.000 mil hondurenhos que vivem nos Estados Unidos e as suas famílias, que dependem das remessas para sobreviverem. Atacou sistematicamente o que chama de grupos de poder, numa referência às famílias que historicamente dominaram a política de Honduras, sem se importar com o fato de ele mesmo ser aparentado de uma delas.

3. OS PRIMEIROS PASSOS CONTRA UMA CONSTITUIÇÃO BLINDADA

No início de 2009, Zelaya lançou a idéia de um plebiscito, a fim de promover reformas na Constituição e perpetuar-se no poder, seguindo a mesma estratégia vitoriosa no Equador e na Bolívia, constante da cartilha de Chávez. Esse plebiscito passou a ser conhecido como "quarta urna", numa referência às três outras já existentes nas eleições ordinárias, onde o povo vota em prefeitos, deputados e no presidente da República.

Para atingir seus objetivos, Zelaya implementou ações importantes. Em janeiro, visando a conquistar definitivamente a classe trabalhadora, numa medida claramente populista, que ignorou o delicado estado das finanças do país, majorou o salário mínimo em 60%.

Em fevereiro, efetuou mudanças em seu Gabinete. A mais importante delas consistiu na nomeação do Chanceler Edmundo Orellana Mercado, respeitado jurista e amigo de seu círculo mais íntimo, para a pasta da Defesa e sua substituição na chancelaria pela Sra. Patrícia Rodas Baca, conhecida por suas posições de extrema esquerda e admiradora declarada de Chávez.

No âmbito das Forças Armadas, tomou uma medida inusitada ao ordenar a substituição do Comandante do Exército, General José Rosa Doblado Padilla, a pretexto de nomeá-lo embaixador em Israel. Sem margem a dúvidas, o General Doblado era a liderança militar de maior prestígio, pessoal e profissional, junto à tropa e junto à oficialidade, conhecido por sua retidão de caráter e apego às instituições. Certamente um obstáculo para as pretensões continuistas do presidente. Ainda hoje, o general aguarda em casa as providências para a sua acreditação junto ao governo israelense.

Logo Zelaya percebeu que a cartilha de Chávez não trazia soluções muito claras para um presidente desgastado, já nos seus últimos meses de mandato, imerso em denúncias de corrupção e de associação com o tráfico de drogas e com a influência diminuída pela definição dos dois principais candidatos às eleições presidenciais de novembro, Pepe Lobo e Elvin Santos, respectivamente candidatos pelo Partido Nacional e Liberal.

Também a cartilha chavista não apontava caminho para um impasse constitucional, característico das leis de Honduras, que ainda não havia se apresentado nas experiências anteriores. A Carta Magna de Honduras pode ser alterada em 97% dos seus 375 artigos pelo próprio Congresso Nacional.

Artigo 373: "A reforma da Constituição poderá decretar-se pelo Congresso Nacional, em sessão ordinária, com dois terços dos votos da totalidade dos seus membros".

Existem, porém, algumas poucas cláusulas pétreas que não podem ser objetos nem mesmo de discussão, constituindo delito de traição à pátria o simples fato de propor sua revisão. A reeleição é uma delas. A Constituição de Honduras chega a ser redundante ao abordar o tema. Senão vejamos:

Artigo 374: "Não poderão ser reformados, em nenhum caso, o artigo anterior, os artigos constitucionais que se referem à forma de governo, território nacional, período presidencial, proibição para ser novamente presidente da república..." (grifo do autor)

Artigo 4: ...A alternabilidade no exercício da Presidência da República é obrigatória. A infração desta norma constitui delito de traição a Pátria. (grifo do autor)

Artigo 239: "O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser Presidente ou Designado. Aquele que ofender esta disposição ou propuser sua reforma, bem como aqueles que a apóiem direta ou indiretamente, terão cessado de imediato o desempenho de seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de toda função pública". (grifo do autor)

Aceito que tais artigos possam parecer pouco usuais. Mas assim está definido por decisão soberana do povo hondurenho. Juridicamente, não há espaço para a convocação de uma Assembléia Constituinte. No caso de Honduras, a Constituição encontra-se blindada contra pretensões de continuísmo, justamente como reação aos inumeráveis golpes de Estado e ditaduras pelas quais atravessou o país.

4. O DESENROLAR DA CRISE INSTITUCIONAL

Apesar dos cadeados constitucionais já assinalados, no dia 23 de março, em conselho de ministros, o presidente Zelaya emitiu o decreto Executivo PCM-005-2009, mediante o qual convocava uma consulta popular, cujo fim último era o estabelecimento de uma Assembléia Nacional Constituinte para formular uma nova Carta Magna, o que permitiria a eliminação de cláusulas pétreas.

Houve toda classe de reação contrária: o Colégio de Advogados de Honduras, Poder Judiciário, Ministério Público, Procuradoria Geral da República, Comissionado Nacional dos Direitos Humanos, Tribunal Superior Eleitoral, Comissão Nacional de Anticorrupção, Partidos Políticos, Igreja Católica, Igrejas evangélicas, Associação Nacional de Indústrias e Sociedade Civil.

A partir deste ponto, as opiniões se polarizaram e a crise institucional teve seus contornos delineados. De um lado, o presidente Zelaya e seus seguidores, mormente autoridades do governo, funcionários em cargos de confiança e organizações sindicais e campesinas que fomenta, custeia e orquestra em todo país, inclusive depondo suas estruturas dirigentes, quando o logra, ou criando entidades paralelas, quando nas existentes se mantêm diretorias que lhe são hostis.

De outra parte, começou a aglutinar-se uma ainda desestruturada oposição, abrangendo os dois candidatos às eleições presidenciais de novembro, personalidades civis, como o Arcebispo de Tegucigalpa, vários dos mais proeminentes líderes empresariais, magistrados de várias cortes, a promotoria pública, até advogados que teriam sido consultados pelos governistas, o ex-presidente Ricardo Maduro (a quem Zelaya sucedeu), órgãos influentes da imprensa, etc.

Em 08 de maio, o Ministério Público iniciou uma ação judicial ante o Tribunal de Letras do Contencioso Administrativo contra o Decreto Executivo de 23 de março. Em 20 de maio, a própria Procuradoria do Estado aderiu à dita iniciativa e posicionou-se contra as intenções de Zelaya.

Antes de o Tribunal revelar seu veredicto, mais precisamente no dia 14 de maio, Zelaya preparou uma grande festa na Casa Presidencial para o lançamento oficial da "Frente Patriótica de Defesa da Consulta Popular e da Quarta Urna", "dentro do processo de convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte que elaborará a nova Constituição da República". Na oportunidade, definiu-se a data da consulta, 28 de junho.

Para a cerimônia de anúncio foram convocados funcionários do governo até o terceiro nível, inclusive órgãos de administração indireta e autarquias. O comparecimento não foi apenas mandatório: cada pessoa convocada, obrigatoriamente, teria de trazer consigo outras três quaisquer. Mas nem tudo foi festa. Segundo observadores e comentaristas políticos, de certo modo foi uma demonstração de fraqueza do presidente Zelaya, posto que não conseguiu ali reunir qualquer liderança popular notoriamente importante.

Revelando considerável inabilidade no trato do assunto, o governo teve de reconhecer que mandara vir a Honduras o perito espanhol em matéria de direito constitucional Rubén Dalmau, que assessorou a Evo Morales e a Rafael Correa na elaboração das novas Constituições boliviana e equatoriana. Sua missão aqui, aconselhada por Chávez a Zelaya, seria a de preparar o projeto de uma nova Carta Magna que o Presidente apresentaria à Constituinte, "para facilitar e focalizar suas deliberações e expeditar o processo".

O plano de Zelaya também previa o enfraquecimento das demais instituições do Estado. No referente ao Congresso, o governo buscou neutralizá-lo, enquanto não lograva sua completa reforma – "quem não votar pela quarta urna não será reeleito", afirmava e reafirmava o presidente e seus porta-vozes.

O repasse de verbas ao Legislativo foi reduzido ao mínimo para pagar os salários de seus funcionários, dificultando o seu funcionamento normal. Mais que isto, a proposta de orçamento de 2009, que deveria ser enviada ao Congresso em setembro de 2008, nunca foi encaminhada para aprovação. Com essa manobra, Zelaya evitava a verificação pelos deputados do mau estado das contas públicas, com a receita em queda, como também impedia que os congressistas opinassem sobre a maneira com que o governo financiava suas atividades promocionais da "quarta urna", graças a um dispositivo que lhe permitia aplicar o orçamento do ano anterior, enquanto o Legislativo não votasse o do ano em curso.

Apesar da crise que atingia Honduras impiedosamente, o governo gastava tudo que podia em vasta campanha midiática em prol da "quarta urna" e em atividades afins por todo o país (a comissão que investiga os gastos do governo deposto contabilizou um dado parcial de 40 milhões de dólares). Por outro lado, não foram repassados recursos de contrapartida para manter atividades de cooperação bilateral e multilateral, como afirmou o Representante Permanente da União Européia, publicando extensa matéria paga em nome do Grupo dos 16 (constituído por todos os principais países doadores a Honduras). Não foram repassados recursos para o Tribunal Superior Eleitoral começar a organizar as eleições de novembro, nem para o Registro Nacional das Pessoas (RNP), órgão a quem compete proceder ao registro dos eleitores. Muitos outros compromissos deixaram de ser honrados: cerca de um quinto dos municípios não receberam o repasse obrigatório de recursos. Ficou claro que os municípios não contemplados eram justamente aqueles cujos prefeitos não haviam se incorporado ao projeto de Zelaya.

5. A REAÇÃO DOS DEMAIS PODERES DO ESTADO

No dia 27 de maio, o Tribunal de Letras do Contencioso Administrativo suspendeu todos os efeitos do Decreto Executivo PCM-005-2009, por haver sido considerado inconstitucional. Buscando manter a legalidade no país, o Tribunal proibiu qualquer tipo de publicidade a respeito do assunto e, antecipadamente, emitiu um parecer considerando ilegal qualquer outra iniciativa do governo dedicada à implantação de uma consulta popular que tenha por finalidade instalar uma Assembléia Constituinte.

Apesar da decisão judicial, Zelaya seguia obstinado e, em claro desafio ao Tribunal, ordenou que a publicidade relacionada à "quarta urna" não fosse interrompida nos meios oficiais de comunicação.

Pressionado de todos os lados, o governo admitiu a ilegalidade do Decreto Executivo PCM-005-2009. Resolveu, então, apresentar um novo decreto (que não foi publicado até as vésperas da consulta, para evitar novo posicionamento por parte do Judiciário) com os mesmos vícios constitucionais, o PCM-019-2009. Basicamente, o novo decreto apresentado trocou a palavra "consulta" por "pesquisa" popular.

A finalidade da nova disposição era igual ao da anulada, quer dizer, fazer uma consulta nacional para responder à seguinte questão: "Está você de acordo que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte que emita uma Nova Constituição da República? Sim ou Não", segundo o Artigo 1°.

O Artigo 2° instrui às distintas instituições do Estado, centralizadas e descentralizadas, para que executem ativamente todas as tarefas que lhes sejam encomendadas para a realização da pesquisa.

As Forças Armadas que, até então, mantinham-se afastadas do conflito político, viram-se atraídas para o campo de disputa, uma vez que receberam ordem explicita, também por meio de um decreto presidencial, para apoiar logisticamente todas as atividades destinadas à consulta popular.

A Instituição Armada passou a ser alvo de forte pressão por parte de diferentes setores, que exigiam que a mesma não aceitasse participar de uma atividade claramente inconstitucional. As pressões não eram sem razão, uma vez que, por lei, as Forças Armadas são garantes da Constituição.

Artigo 272: "As Forças Armadas de Honduras são uma instituição nacional, de caráter permanente, essencialmente profissional, apolítica, obediente e não-deliberante".

"Se constituem para defender a integridade territorial e a soberania da República, manter a paz, a ordem pública, o império da Constituição, os princípios de livre sufrágio e a alternação no exercício da presidência da República". (grifo do autor)

Além disso, o mutismo da Instituição a respeito da ordem recebida, associada às conhecidas boas relações que a Junta de Comandantes mantinha com o presidente, gerou um clima de desconfiança a respeito do posicionamento das Forças Armadas em relação à ordem recebida.

O Ministro da Presidência, Enrique Flores Lanza, negava-se a dizer quando seria publicado em Diário Oficial o novo decreto (PCM-019-2009), para que o mesmo se convertesse em lei de cumprimento obrigatório. Por outro lado, assegurava que enquanto isso não ocorresse, as instituições do Poder Executivo deveriam obedecê-lo, "em razão de se estar em um regime presidencialista".

Na noite de 24 de junho, fortemente pressionado, o Chefe do Estado-Maior Conjunto, General de Divisão Romeo Orlando Vásquez Velásquez, comunicou ao presidente da República que, por impedimento judicial, as Forças Armadas não poderiam apoiar logisticamente a pesquisa popular.

Às 21h 55min, Zelaya, em cadeia de rádio e televisão, anunciou a destituição do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e a aceitação da renúncia do Ministro da Defesa. O Ministro Orellana, apesar de dileto amigo de Zelaya, já havia se convencido sobre a ilegalidade da consulta. Em solidariedade ao General Vásquez, os três comandantes de Força - Exército, Marinha e Aeronáutica – renunciaram aos seus comandos.

No mesmo pronunciamento, o presidente convocou sua base de apoio, conformada por movimentos sociais, a uma reunião na Casa Presidencial, às 12:00 de 25 de junho, para, de acordo com suas palavras, "definir os novos rumos democráticos a serem seguidos pelo país".

O conflito entre os poderes do Estado se extremou. Baseado no Artigo 323 da Constituição, a Corte Suprema de Justiça reintegrou o General Vasquez na manhã de 25 de junho.

Artigo 323: "Os funcionários são depositários da autoridade, responsáveis legalmente por sua conduta oficial, sujeitos à lei e jamais superiores a ela. Nenhum funcionário ou empregado, civil o militar, está obrigado a cumprir ordens ilegais ou que impliquem a execução de delito". (grifo do autor)

O dia 25 de junho de 2009 foi um dia intenso. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também resolveu declarar ilegal a pesquisa de opinião político-eleitoral convocada pelo Poder Executivo para o domingo 28 de junho, por violar o que estabelece a Constituição da República.

Nesse mesmo dia, magistrados do TSE e integrantes do Ministério Público apreenderam o material destinado à consulta, que havia sido trazido da Venezuela, e encontrava-se armazenado em um galpão dentro da Base Aérea Hernan Costa Mejia. Na oportunidade, o Coronel Castillo Brown, Chefe do Estado-Maior Aéreo, foi nomeado fiel depositário do material apreendido, o qual permaneceu nas instalações da base.

Por volta das 15 horas, o presidente da República, liderando uma turba de seus seguidores, desconhecendo completamente as resoluções da Justiça e abusando de sua autoridade, assaltou as instalações da Força Aérea e recuperou o material destinado à consulta popular. Na ocasião, expressou publicamente que não iria respeitar decisões do Poder Judiciário, que o Poder Legislativo não representava o povo, mas sim ele, que havia sido eleito presidente de Honduras.

Finalmente, às 24:00 horas, o novo Decreto Executivo (PCM-019-2009) foi publicado, sendo divulgado ao público somente no dia 26, por meio de cadeia de rádio e televisão.

Nesse mesmo dia, o Fiscal Geral da República apresentou ante a Corte Suprema de Justiça um requerimento fiscal e solicitou ordem de captura contra Manuel Zelaya Rosales, sob as acusações de conspirar contra a forma de governo, traição à pátria, abuso de autoridade e usurpação de função em prejuízo da administração pública e ao Estado de Honduras.

No dia 27 de junho, às 22:00 horas, a Corte Suprema de Justiça ordenou às Forças Armadas a captura do presidente da República pelos delitos já mencionados e a paralisação da consulta, o que foi realizado na manhã do dia 28.

Às 12 horas do dia 28, por 123 votos contra 5, o Congresso Nacional referendou a decisão da Corte Suprema e empossou Micheletti como o novo presidente constitucional de Honduras.

Cabe ressaltar que a posse de Micheletti, então presidente do Congresso Nacional, deu-se pela ausência do vice-presidente, que havia renunciado meses antes para candidatar-se às eleições presidenciais de novembro.

6. ESCLARECIMENTOS

Acredito que a exposição realizada ainda possa não convencer a muitos que vêem a ação como um típico golpe de Estado. É certo que alguns pontos seguem sem uma justificativa convincente. A decisão de expulsar o ex-presidente do país, enviando-o para Costa Rica, é um deles.

A ordem emitida era clara: capturar Manuel Zelaya e colocá-lo à disposição da justiça para responder pelos delitos que lhe foram imputados. É preciso, no entanto, considerar as conseqüências de manter preso no país um ex-presidente disposto a tudo - como já havia dado mostras dias antes, ao invadir uma instalação militar liderando uma turba - e respaldado por Chávez e seus petrodólares. A questão não pode ser corretamente avaliada se nos distanciarmos da realidade do que é Honduras, um país de instituições ainda frágeis, onde seus agentes são suscetíveis a todo tipo de pressão e coação. Reconheço, no entanto, que, aos olhos de países mais avançados, com democracias e instituições consolidadas, essas argumentações não são suficientes para esgotar o assunto.

Talvez, mas só talvez, os hondurenhos tivessem muito mais a lamentar caso o ex-presidente permanecesse encarcerado em Honduras. A decisão foi tomada no fragor do combate, de comum acordo entre a Junta de Comandantes e o presidente da Corte Suprema. É possível que não tenha sido a mais acertada. Podemos apenas especular. De fato, jamais saberemos.

Como um segundo ponto, ainda se pode argumentar que o presidente não foi julgado por seus crimes e que tampouco foi seguido um desejado processo de "impeachment". Para tentar explicar esse aspecto, apresento o que consta da Constituição de Honduras, conforme o já citado Artigo 239, que me permito repetir para maior clareza.

Artigo 239: "O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser Presidente ou Designado. Aquele que ofender esta disposição ou propuser sua reforma, bem como aqueles que a apóiem direta ou indiretamente, terão cessado de imediato o desempenho de seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de toda função pública". (grifo do autor)

Observe-se que o artigo fala em intento e também diz "de imediato" – ou, "no mesmo instante", ou "sem necessidade de abertura de processo", ou de "impeachment". De acordo com a interpretação dos juristas hondurenhos, no momento em que Zelaya foi preso e expulso do país ele já não exercia a presidência da República. Encontrava-se em flagrante delito desde que se tomou conhecimento do decreto no dia 26 de junho e por isso "teve cessado de imediato o desempenho de seu respectivo cargo". Essa interpretação não foi inédita. Semelhante critério foi aplicado contra um presidente do Congresso Nacional deposto na década de 80.

Como um terceiro ponto obscuro, houve uma suposta carta de renúncia que teria sido firmada por Zelaya e apresentada por um deputado ao Congresso Nacional, momentos antes da posse de Micheletti. Para explicá-la, nada tenho a dizer. Poucos a viram e creio que ninguém a analisou. Muito provavelmente seja falsa. Em situações como essa, onde predominam a incerteza e a insegurança, algumas iniciativas individuais são tomadas de forma atabalhoada e em nada contribuem para que a verdade aflore.

7. REFLEXÕES

Resolvi escrever essas linhas diante da minha perplexidade pela unânime e contundente caracterização do que ocorreu em Honduras, por parte da comunidade internacional, como um golpe de Estado. Para alguns, golpe militar de Estado. Ficou muito evidenciada para mim a dicotomia entre as percepções interna e externa de um mesmo processo. Para a totalidade das instituições do Estado de Honduras e, sem nenhuma imprecisão, para a grande maioria da população, não foi golpe, muito menos militar.

Aceito, sem relutância, que possa haver dúvida sobre a legalidade do que ocorreu em Honduras, sobretudo para os que não acompanharam o processo e não estão muito afeitos à legislação interna. Por isso, entendo a veemência com que a comunidade internacional reagiu à cena descrita no parágrafo introdutório. Soluções à ponta de baioneta já não podem mesmo ser toleradas. O que não entendo é o absoluto desprezo da comunidade internacional pelos argumentos que Honduras vem tentando desesperadamente apresentar para justificar suas ações em vistas a salvar sua própria democracia.

Acho que uma grande desordem se estabeleceu em torno dos aspectos que conformam o conceito de democracia. Confunde-se democracia com eleição popular, olvidando-se que o sufrágio não é mais que apenas um dos seus componentes. Fundamental, mas não exclusivo. Diante dessa aceitação, indisfarçáveis ditadores, eleitos pelo povo, sentem-se inatingíveis, acima do bem e do mal, inclusive com licença para delinqüir.

No Brasil, é mais que evidente a dificuldade do Congresso Nacional em caracterizar a Venezuela como um país não-democrático e impedir sua incorporação ao MERCOSUL. A argumentação não foge ao roteiro: o ex-golpista está regenerado, foi eleito pelo povo. Valendo-se do mesmo raciocínio, o governo não vê grandes problemas em estreitar relações com o Irã, afinal, conforme asseverou Lula, Ahmadinejad foi eleito pelo povo em "eleições limpas".

A confusão não para por aí. Recentemente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) não viu a Carta Democrática como um obstáculo à reabilitação de Cuba, mas valeu-se deste mesmo documento para suspender Honduras dos seus quadros. Quando governadores da oposição de Chávez encontraram-se com o Secretario Geral para denunciar os abusos do presidente venezuelano contra a democracia, receberam como resposta que pouco se poderia fazer, pois a OEA era respeitosa da soberania dos Estados e atenta ao princípio da não-intervenção.

Confusões à parte, as relações internacionais seguem sendo governadas pelo pragmatismo e, no fim das contas, o que se pretende mesmo é preservar o "status quo". Assim, por que importaria a soberania ou a autodeterminação de Honduras? Para que ouvir a argumentação da sua gente? Afinal, Zelaya não foi eleito pelo povo?


Paulo Pimentel é Tenente-Coronel do Exército Brasileiro.








NR. O Ten Cel Paulo Pimentel, estava cursando a Escola de Estado-Maior do Exército de Honduras, quando após a deposição legal do ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, recebeu ordens para retornar ao Brasil. O TC Pimentel é irmão de um dos autores do livro "ELITE DA TROPA", Capitão (PMERJ-BOPE) Rodrigo Pimentel, cujo livro deu origem ao filme "TROPA DE ELITE – MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA". O Oficial do EB resolveu escrever este texto para ser lido por aqueles que amam a verdade e que detestam ser enganados por preconceitos e interesses escusos. Um texto imparcial, escrito por quem tem o conhecimento "in loco", da real situação política de Honduras.

Enviado por A. C. Torres.
Segunda-feira, 28 de setembro de 2009, 09h05.




Yeeesss! Ganhei o dia. Ótimo trabalho "caçador", menos um!





Saturday, September 12, 2009

Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo – Diderot


































11 DE SETEMBRO DE 2001
por Maria Lucia Victor Barbosa

O tempo que parece passar cada vez mais rápido, escapando pelas frestas da vida nessa nossa era da pressa, deixou para trás, esmaecido na memória, o brutal ataque às torres do World Trade Center de Nova York e aos prédios do Pentágono, símbolos do poder financeiro e estratégico-militar dos Estados Unidos.

O hediondo atentado que vitimou centenas de norte-americanos, de estrangeiros, inclusive, de alguns brasileiros, foi arquitetado por Osama Bin Laden, inimigo número 1 dos Estados Unidos e quintessência do "islamismo mais enlouquecido" na expressão de Giles Lapouge. Cabeça do terrorismo mundial, Bin Laden exultou quando sua coreografia perfeita do horror foi assistida pelo mundo estarrecido. E esta figura sinistra continua a destilar peçonha onde a rede terrorista Al Qaeda estende seus tentáculos.

Viver com medo é tornar-se escravo e foi essa escravidão psicológica que Bin Laden, misto de fanático e psicopata, prometeu aos Estados Unidos depois de ter assumido a autoria dos atentados. Algo que pode ser mais bem entendido a partir do brilhante ensaio de Friedrich Nietzche sobre o ressentimento a significar a desforra dos "escravos morais", ou seja, dos desprivilegiados em dotes naturais ou oportunidades de vida contra o que consideram como privilegiados. Em suma, a vingança dos recalcados.

A teoria de Nietzche traduz o lado psicológico da teoria da luta de classes de Karl Marx. Isto porque, se indivíduos "explorados" nos primórdios do capitalismo industrial obtiveram melhorias sociais, não através da "ditadura do proletariado", mas sim através de conquistas da classe operária, hoje "escravos morais" que ideologicamente se posicionam como sendo de esquerda são movidos pelo recalque diante do êxito alheio, fenômeno muito comum na América Latina perante os Estados Unidos.

A teoria que analisa o recalque, a intrínseca inveja humana, mais conhecida entre nós como "complexo de vira-lata", é frequentemente demonstrada pela esquerda brasileira composta não pelo operariado, mas pela "pequena burguesia" onde se incluem estudantes, intelectuais, artistas, profissionais liberais e outras camadas sociais inseridas nas classes médias. Isto explica porque diante do monstruoso atentado um grupo de brasileiros entusiasmados saudou "Osama nas alturas" e se deliciou repassando um vídeo onde o choque dos aviões nas torres do World Trade Center era repetido.

Contraditoriamente, os socialistas tropicais, que chegaram a culpar o "Grande Satã Branco" pelo brutal atentado ao seu próprio povo, nunca deixaram de viajar aos Estados Unidos para estudar, tratar da saúde, fazer turismo ou mesmo ficar por lá em busca de uma vida melhor.

Para fins ideológicos, porém, os "escravos morais" cultuam figuras abomináveis que possuem o mesmo tipo de "ódio sagrado" aos norte-americanos, como é o caso de Mahmoud Ahmadinejad, que por tabela prega a destruição de Israel e nega o Holocausto.

Enquanto isso, Hugo Chávez, ditador de fato da Venezuela e também possuído pelo "ódio sagrado" aos Estados Unidos, depois de sua oitava viagem ao Irã declarou que reconhece o direito dos iranianos de desenvolver tecnologia nuclear e mencionou a construção na Venezuela de uma "zona nuclear" ou "cidade nuclear" com ajuda iraniana. Essas declarações, naturalmente, levam ao delírio seus fiéis seguidores, os socialistas do século 21, especialmente o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa.

O Brasil não se manifesta diante do pacto de Chávez com o Irã. Mesmo porque, Lula da Silva considera Chávez um democrata e espera Ahmadinejad de braços abertos, caso este resolva tentar de novo visitar o Brasil.

Há quem diga que terroristas habitam bem próximos de nós, ou mesmo que já estão em nosso meio, coisa que faz o gosto da esquerda tupiniquim, a mesma que defende Cesare Battisti, os países que desrespeitam os direitos humanos, as FARC, o MST, enfim, tudo que gera violência e ameaça a pessoas indefesas.

De todo modo, naquele já longínquo 11/09/2001, se símbolos do poder norte-americano foram atingidos, a Estátua da Liberdade permaneceu de pé. Em meio à tragédia isso foi um bom sinal. Traduziu a esperança de que podem vencer os que defendem a liberdade, a democracia, a prosperidade e não os recalcados do fanatismo, do terror, do desrespeito à vida.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br



Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Sábado, 12 de setembro de 2009, 14h39.




O lado bom (do meu pessimismo) – Carlos Reis





Wednesday, June 17, 2009

UM PINGUÇO SEM NENHUM CARÁTER, NADA MAIS DO QUE ISSO!
















































Um defensor da teocracia iraniana
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Se é que não o fez longe das vistas, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad bem que poderia ter aproveitado a presença do seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ontem na cidade russa de Ecaterimburgo, para a reunião dos chefes de governo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), da qual o Irã participou como observador, e dar-lhe um fraternal abraço de agradecimento. O motivo, as palavras de desdém com que o seu futuro anfitrião sul-americano escarneceu dos protestos que acabariam levando às ruas de Teerã centenas de milhares de pessoas e deixaram pelo menos 7 mortos, abatidos pela milícia do regime na mesma segunda-feira em que Lula, ainda em Genebra, desqualificava as manifestações. Elas exprimiram a revolta de legiões de iranianos contra os resultados oficiais da eleição presidencial que deram a Ahmadinejad uma vitória literalmente inacreditável de 63% a 34% dos votos sobre o reformista Mir Hossein Mousavi.

Com a mesma metáfora usada por Ahmadinejad no dia anterior, quando comparou os manifestantes a torcedores furiosos depois da derrota de seu time, Lula equiparou a crise a "apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos". A essa altura, quanto mais não fosse para apaziguar a indignação popular, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, já havia encaminhado ao Conselho de Guardiães o pedido de Mousavi para a anulação do pleito por fraude eleitoral. Ontem, talvez pelo mesmo motivo, o colegiado de 12 juristas islâmicos fez saber que determinará uma recontagem parcial dos votos, rejeitando embora a demanda pela anulação. Por menos que indique uma reviravolta no escandaloso desfecho da eleição iraniana, a concessão do conselho desmoraliza os desinformados - se não cínicos e, de toda maneira, indecentes - comentários de Lula.

Ele admitiu estar "muito distante do Irã", por isso só poderia externar uma "impressão". Nesse caso, antes tivesse calado, ou recorrido ao conhecido estoque de expressões anódinas de que se valem governantes e diplomatas para falar de acontecimentos em outros países sem, a rigor, dizer grande coisa. Naturalmente, seria pedir demais que ele se declarasse, como Barack Obama, "perturbado" pelos eventos iranianos, ou mesmo, como a chanceler alemã Angela Merkel, fizesse votos para que as denúncias de fraude fossem submetidas a um "exame transparente". Mas, boquirroto como sempre, disparou: "Não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã." Quem ele queria que também discordasse? A teocracia vitoriosa? Os observadores estrangeiros que foram impedidos de fiscalizar a votação e, especialmente, a apuração? As emissoras independentes que inexistem no país?

Pior ainda foi o seu argumento em favor da lisura dos resultados. "Ahmadinejad teve uma votação de 62,7%", começou. "É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude." Quem sabe o seu solícito assessor internacional Marco Aurélio Garcia poderia informá-lo, com todo o respeito, que na antiga União Soviética o Partido Comunista ganhava invariavelmente as eleições com quase 100% dos votos. É verdade que "não tem número, não tem prova" da fraude, como alegou Lula. Mas os relatos recolhidos pelos jornalistas estrangeiros em Teerã de funcionários do governo que pediam para não ser identificados dificilmente poderiam ser mais eloquentes. Um deles, do Ministério do Interior, responsável pela apuração, revelou que os chefes das equipes foram escolhidos a dedo com semanas de antecedência. "Não é que adulterassem os sufrágios. Eles nem sequer os olhavam", contou. "Simplesmente escreviam os nomes dos candidatos nas planilhas e punham números ao lado."

A crueza do processo foi tamanha que Mousavi, de etnia azeri, "perdeu" a disputa mesmo em Tabriz, a capital da província iraniana do Azerbaijão. Em toda parte, a vantagem do presidente era praticamente uniforme. A oposição tinha um fiscal para cada cinco seções eleitorais. Eles deveriam se comunicar por mensagens de celular. A rede ficou fora do ar, assim como as suas páginas na internet. E foram impedidos de acompanhar a compilação dos resultados em Teerã. Mas Lula não foi uma voz solitária a saudar a reeleição de Ahmadinejad. Ele está na adequada companhia do autocrata venezuelano Hugo Chávez, do ditador sírio Bashar Assad e do "querido líder" norte-coreano Kim Jong-il.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" – (Editorial Opinião).
Quarta-feira, 17 de junho de 2009.










FAMÍLIA OU BANDO?

Foto: A quadrilha "da silva" quando atuava em Vicente de Carvalho (Guarujá-SP), antes da fuga para
S.B. do Campo, motivada pelo "achado" de Cr$ 130 mil cruzeiros pelo membro alcunhado de "Vavá".





































O "driblador" de caráter
por Adriana Vandoni

Em reunião com prefeitos, Lula disse que obras suspeitas de irregularidades, não devem ser paralisadas. Claro, pelo bem da campanha eleitoral de 2010. Que se dane se o dinheiro público estiver sendo roubado.

Ele está errado? Depende. Mas depende de que? Depende da ótica. Para meus conceitos de ética ele está dando carta branca aos ladrões. Para os conceitos de ética dele...mas quais conceitos e qual ética Lula tem?

Quanto mais passa o tempo cada vez mais me convenço que este Luiz Inácio é um salafrário, ou pelo menos age como se fosse. Há tempos citei em um artigo a infame teoria que rege a vida de Lula, segundo suas próprias palavras, de que achado não é roubado. Em maio deste ano li uma matéria da revista IstoÉ com Denise Paraná, uma escritora que nada sei a seu respeito além de que é amiga de Lula e o admira, o que pra mim já basta para ter as piores impressões e acreditar que ela vê luzes quando Lula fala. A matéria é sobre o livro escrito pela Denise sobre a vida de Lula e como ele, segundo ela, "driblou o destino".

Ôpa! Qual foi o drible? E o destino, qual é? Uma das tristes lembranças de Lula, diz a escritora, foi que ele e sua família nunca comiam carne. "A carne que a gente comia era a mortadela que meu irmão roubava na padaria em que ele trabalhava", relatou Lula no livro.

Não é lindo? Quando o irmão roubava. Veja a singeleza do ato! Isto é de um drible fenomenal. Drible no caráter, na ética, na honestidade e na polícia. O irmão roubava do patrão, mas sempre se safou e nunca foi preso.

Que drible, pqp!

Esse mesmo irmão, um sortudo!!!, foi responsável pela mudança na vida da família. Sortudo, achou um pacote de dinheiro (cerca de 34 salários mínimos) embrulhado num jornal, embaixo de um carrinho. Como ninguém reclamou ele roubou o dinheiro. Mas ai a escritora amiga de Lula arremata, "usou-o para quitar o aluguel atrasado em cinco meses e financiar a mudança da família para a Vila Carioca, em São Bernardo do Campo". Como se fizesse diferença usar para pagar aluguel ou para beber com prostituta. Roubo é roubo, não interessa a causa nem a quantia. Ladrão é ladrão.

Ou seja, Lula foi criado em um ambiente delinqüente onde o roubo e o desvio de conduta eram encarados como sorte, como drible. Não tem em sua programação princípios fundamentais como o respeito ao próximo.

Lula não driblou seu destino, como afirma a escritora. Ele forjou uma vida se apossando do que não é dele. Foi programado para isso. Para não ter caráter.

Lula é uma massa amorfa moldada pelo que há de pior no ser humano.


Adriana Vandoni, é economista especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/EBAPE – Rio de Janeiro. Professora universitária e comentarista política e também editora-chefe do site "Prosa & Política".







Publicado no site "Prosa & Política".
Quarta-feira, 10 de junho de 2009, 18h31.





O BRASIL PRECISA SER "RESGATADO" ANTES QUE SE PUTREFAÇA POR INTEIRO!




Friday, February 20, 2009

CLUBE DOS 16%: PARTIR PARA AÇÃO OU ACEITAR A RENDIÇÃO?











































SOS JUSTIÇA ELEITORAL
por Maria Lucia Victor Barbosa

Finalmente a oposição se mexeu. Entrou com ação junto ao TSE contra a campanha antecipada da ministra Dilma Rousseff. A ministra, que começa parecer uma réplica do seu cabo eleitoral, o presidente da República, retrucou como este fez em sua campanha de reeleição, que a oposição tenta "interditar" o governo, "judicializar as obras porque não têm projeto".

O governador José Serra, potencial candidato do PSDB à presidência da República, por sua vez afirmou com relação às obras do PAC, "que apesar de toda propaganda, 70% dos investimentos realizados no Brasil, não são feitos pelo governo federal".

Na verdade, Lula da Silva, a vinte meses das eleições, faz o que gosta: campanha. Quando não está viajando está no palanque, sempre acompanhado por sua candidata e no "púlpito" populista desaparece o lulinha paz e amor. Gritos, xingamentos, espasmos, rosto congestionado e rubro, ressurge o alterado líder sindicalista que joga fora a compostura, o terno Armani e deita falação atropelando o idioma para delírio da platéia, especialmente, a dos seus redutos nordestinos, onde funcionam melhor as bolsas-esmola, nova modalidade de compra de votos.

Vilma, com chamam os nordestinos, é mãe do PAC, esse amontoado confuso de projetos e intenções, de obras feitas e por fazer. Lula é o pai dos pobres. Par perfeito e divinizado que se entrega ao povo criança que gosta de tutela, que quer que as coisas mudem desde que não precise fazer força. Assim, pai e mãe, Lula e Dilma, se inserem na tradição paternalista implantada desde nossos tempos coloniais. Juntos empolgam especialmente os pobres que precisam de alguém que fale por eles, tome conta deles, cobre benefícios por eles.

Não se duvide, pois, que Dilma Rousseff consiga chegar lá. Rosto renovado apenas não irá ajudá-la, mas um bom marqueteiro pode transformar, pelo menos temporariamente, a mãe zangada, autoritária e ríspida em mãe carinhosa, engraçada como o pai. Quem sabe ela pode vir adotar em seu discurso um "menas" aqui, um "Ponto G" ali, e, porque não, um "sifu" acolá, já que esse linguajar vai se tornando oficial e politicamente correto.

O que parecia impossível faz pouco tempo pode se realizar: "Vilma" ser eleita. Afinal, inaugurando até escola do tempo de JK e pintura em meio-fio, o pai beneficia sua sucessora com um poder que nenhum adversário sonha possuir. Ao mesmo tempo, ela é a garantia de continuidade do PT, que entranhado na máquina estatal seguirá girando as engrenagens do poder. Contudo, a missão prioritária da mãe será a de preparar a volta gloriosa do pai, em 2014. Isto se ele não quiser o 3º mandato ou lançar outro candidato se achar que a mãe não se tornou Nossa Senhora Vilma.

Dia 15 passado, num festivo domingo, Hugo Chávez obteve finalmente o que queria. Através de referendo, 54 % dos eleitores venezuelanos, contra 46%, consagraram o projeto político do Mussolini latino-americano de se eternizar no poder. Ele conseguiu a revolução sem tiro, o golpe de Estado constitucional, a democracia despótica. Inovações dos novos tempos.

Naturalmente, não lhe faltou o uso da violência: não autorizou comícios da oposição, dissolveu passeatas dos estudantes com força policial, amedrontou opositores com suas milícias fascistóides, ameaçou funcionários públicos, enquanto agradava os pobres, beneficiários das "missiones", programas assistencialistas e eleitoreiros equivalentes as bolsas-esmola ou bolsas-voto do governo Lula da Silva.

Vitorioso, em que pesem as péssimas condições da economia venezuelana e a queda abrupta dos preços do petróleo, única riqueza do país, Chávez declarou que "está assumindo a vanguarda da América Latina". Na verdade, ele tem seguidores na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. De Fidel Castro parece se sentir sucessor. Sua aproximação com Cristina Kirchner é evidente.

Chávez lidera também o Brasil? Se a pergunta pode parecer descabida e ferir os brios pátrios, recorde-se que Lula da Silva sempre fez campanha para o companheiro Chávez, o chama de democrata, faz coro com ele contra os Estados Unidos, enquanto coloca o país de joelhos perante os chavistas Evo Morales e Rafael Correa, além de se acocorar diante do governo argentino.

Ademais, em matéria de estratégia eleitoral, a usada por Lula da Silva é, em alguns aspectos, muito parecida com a do companheiro da boina vermelha: amplo uso do Tesouro nacional e da máquina estatal, compra de votos através das bolsas-esmola e propaganda enganosa intensiva de fazer inveja a Hitler.

Difícil enfrentar tal poderio. Além do mais, exceto vozes isoladas, não existem reais oposições no Brasil. Portanto, é de se perguntar: será que estamos nos encaminhando para uma ditadura disfarçada de democracia? Não seria conveniente, que os 16% enviassem um SOS a Justiça Eleitoral? Afinal, a democracia ainda é a melhor forma de governo.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009, 12h07.


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Tanto riso, Oh! quanta alegria, Mais de cento e noventa milhões de palhaços no salão...











































Esse carnaval vai longe
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

O carnaval é o período consagrado à folia em que as coisas não são o que parecem, mas foi muito antes da inauguração do reinado de Momo que, sob o signo da fantasia, da farsa, do disfarce, em suma da carnavalização, começou a ganhar ritmo a campanha pela sucessão presidencial de 2010. Desfila nas ruas, desde o ano passado, com o samba-enredo composto pelo sempre folgazão - no bom sentido, evidentemente - Luiz Inácio Lula da Silva, o bloco da pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na sua roupagem mais vistosa, é a "mãe do PAC", agraciada pelas lantejoulas com que o cordão do lulismo exalta as suas virtudes maternais, o zelo incansável pela sublime missão que abraçou de nutrir o crescimento do Brasil. É também a "sacerdotisa do serviço público", na barroca declamação do senador José Sarney, promovido por ela, em retribuição, a "presidente para sempre do Brasil".

Um dos momentos altos da festa, que também pode ser comparada a um baile para uma debutante só, foi a consagração da ministra no recente Encontro Nacional com os Novos Prefeitos e Prefeitas. A quermesse política foi promovida em Brasília exatamente com aquela finalidade. Custou a bagatela de R$ 1,85 milhão em dinheiro público, que só muito relutantemente o Planalto admitiu ter gasto, depois de ser apanhado barateando a verdade em reportagem deste jornal. Peça importante do faz-de-conta é a teatral indignação do presidente Lula diante dos tépidos protestos da oposição sobre o caráter eleitoral das andanças de Dilma - que ainda tem muito a caminhar até o eleitor comum aprender a reconhecê-la, deixando, por exemplo, de chamá-la de Vilma, como ouviu ao incursionar, há pouco, ao semiárido nordestino (onde só faltou dizer que o sertanejo é antes de tudo um forte).

Ainda agora, reunido com o seu Conselho Político, Lula anunciou, como se necessário fosse, que ela continuará a viajar pelo País para acompanhar o andamento das obras do PAC. "Ela é a gerente do PAC. Tem não apenas o direito, mas a obrigação de acompanhar inaugurações e fiscalizar o andamento das obras", arrazoou Lula, fingindo que não a despacha para dar andamento à obra eleitoral que concebeu e da qual é o principal pilar, para uma plateia de leais operadores que fingiam acreditar no que escutavam. A ministra, por sua vez, já provou que aprende depressa. Aprendeu, entre outros predicados, a sintonizar com a predileção por metáforas do arquiteto do seu empreendimento político. "Fui para a cozinha fazer o prato e é natural que esteja presente na hora de servir", argumentou dias atrás, esquecida, porém, de que, segundo as estatísticas do PAC, há pouco a servir e muito ainda à espera de ir ao fogo.

Contagiada pela prosódia lulista, diz também, tentando fazer ironia, que "este governo tem a mania de falar com o povo e tem gente que não gosta". É quase isso, mas não é isso. Na realidade, o chefe deste governo tem, mais do que a mania, a calculada obsessão de falar ao povo - tirando todo o proveito possível do seu inigualável talento para produzir vibrantes monólogos em série que arrebatam as audiências mesmerizadas, porque a lógica do espetáculo é levá-las a se identificar com o dono do palanque. Mas a pré-candidata não está longe da verdade quando acusa a oposição de "judicializar" a atividade do governo, ao comentar as três representações protocoladas na quarta-feira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo PSDB e o DEM, que acusam o presidente e a ministra de crime eleitoral. A iniciativa é apenas uma forma de sair da penumbra e bater o bumbo. Mas não levanta a arquibancada.

Os queixosos sabem que é praticamente impossível caracterizar a ilicitude da deslavada mobilização do governo Lula em favor de Dilma, sob a fantasia de ação administrativa. É que a peculiar legislação brasileira diz quando pode começar a propaganda, proíbe a sua antecipação, mas não define o que é campanha eleitoral. Além disso, uma coisa é configurar o chamado uso da máquina em municípios e Estados de baixa densidade política, outra é fazer o mesmo no plano federal. Sem falar que o presidente da República e sua gente são mais espertos do que as autoridades provinciais em pôr a rodar os seus carros alegóricos sem dar margem a serem desmascarados - literalmente - pela Justiça Eleitoral. Eis por que esse carnaval irá longe.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Editorial Opinião).
Sexta-Feira, 20 de fevereiro de 2009.










SELEÇÃO NATURAL OU EVOLUÇÃO???






































Por que não sou fã de Charles Darwin
por Olavo de Carvalho

O darwinismo é uma idéia escorregadia e proteiforme, com a qual não se pode discutir seriamente: tão logo espremido contra a parede por uma nova objeção, ele não se defende – muda de identidade e sai cantando vitória.

As festividades bilionárias em comemoração aos duzentos anos de nascimento de Charles Darwin tornam momentaneamente invisíveis alguns fatos essenciais da vida e da obra desse homem de ciência.

Desde logo, Darwin não inventou a teoria da evolução: encontrou-a pronta, sob a forma de doutrina esotérica, na obra do seu próprio avô, Erasmus Darwin, e como hipótese científica em menções inumeráveis espalhadas nos livros de Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto. Tomás de Aquino e Goethe, entre outros.

Tudo o que ele fez foi arriscar uma nova explicação para essa teoria – e a explicação estava errada. Ninguém mais, entre os autoproclamados discípulos de Darwin, acredita em "seleção natural". A teoria da moda, o chamado "neodarwinismo", proclama que, em vez de uma seleção misteriosamente orientada ao melhoramento das espécies, tudo o que houve foram mudanças aleatórias. Que eu saiba, o mero acaso é precisamente o contrário de uma regularidade fundada em lei natural, racionalmente expressável. O darwinismo é uma idéia escorregadia e proteiforme, com a qual não se pode discutir seriamente: tão logo espremido contra a parede por uma nova objeção, ele não se defende – muda de identidade e sai cantando vitória. Muitas teorias idolatradas pelos modernos fazem isso, mas o darwinismo é a única que teve a cara de pau de transformar-se na sua contrária e continuar proclamando que ainda é a mesma.

Todos os celebrantes do ritual darwiniano, neodarwinistas inclusos, rejeitam como pseudocientífica a teoria do "design inteligente". Mas quem inventou essa teoria foi o próprio Charles Darwin. Isso fica muito claro nos parágrafos finais de A Origem das Espécies, que na minha remota adolescência li de cabo a rabo com um enorme encantamento e que fez de mim um darwinista, fanático ao ponto de colocar o retrato do autor na parede do meu quarto, rodeado de dinossauros (só agora compreendo que ele é um deles). Agora, graças à amabilidade de um leitor, tomei conhecimento dos estudos desenvolvidos por John Angus Campbell sobre a "retórica das ciências". Ele estuda os livros científicos sob o ponto de vista da sua estratégia de persuasão.

Num vídeo fascinante que vocês podem ver abaixo (em inglês), ele demonstra que o "design inteligente" não é apenas um complemento final da teoria darwinista, mas a sua premissa fundamental, espalhada discretamente por todo edifício argumentativo de A Origem das Espécies. O "design inteligente" é, portanto, a única parcela da teoria darwiniana que ainda tem defensores: e estes são os piores inimigos do darwinismo.


Click no botão PLAY (4) para ativar o vídeo.

É certamente um paradoxo que o inventor de uma explicação falsa para uma teoria preexistente seja celebrado como criador dessa teoria, porém um paradoxo ainda maior é que a premissa fundante da argumentação darwiniana seja repelida como a negação mesma do darwinismo.

Puramente farsesco, no entanto, é o esforço geral para camuflar a ideologia genocida que está embutida na própria lógica interna da teoria da evolução. Quando os apologistas do cientista britânico admitem a contragosto que a evolução "foi usada" para legitimar o racismo e os assassinatos em massa, eles o fazem com monstruosa hipocrisia.

O darwinismo é genocida em si mesmo, desde a sua própria raiz. Ele não teve de ser deformado por discípulos infiéis para tornar-se algo que não era. Leiam estes parágrafos de Charles Darwin e digam com honestidade se o racismo e a apologia do genocídio tiveram de ser enxertados a posteriori numa teoria inocente:

"Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos... serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros inferiores será maior, pois mediará entre o homem num estado ainda mais civilizado, esperamos, do que o caucasiano, e algum macaco tão baixo quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila."

Imaginem, durante as eleições americanas, a campanha de John McCain proclamar que Barack Hussein Obama estava mais próximo do gorila do que o candidato republicano!

Tem mais: "Olhando o mundo numa data não muito distante, que incontável número de raças inferiores terá sido eliminado pelas raças civilizadas mais altas!"

Para completar, um apelo explícito à liquidação dos indesejáveis:

"Entre os selvagens, os fracos de corpo ou mente são logo eliminados; e os sobreviventes geralmente exibem um vigoroso estado de saúde. Nós, civilizados, por nosso lado, fazemos o melhor que podemos para deter o processo de eliminação: construímos asilos para os imbecis, os aleijados e os doentes; instituímos leis para proteger os pobres; e nossos médicos empenham o máximo da sua habilidade para salvar a vida de cada um até o último momento... Assim os membros fracos da sociedade civilizada propagam a sua espécie.

Ninguém que tenha observado a criação de animais domésticos porá em dúvida que isso deve ser altamente prejudicial à raça humana. É surpreendente ver o quão rapidamente a falta de cuidados, ou os cuidados erroneamente conduzidos, levam à degenerescência de uma raça doméstica; mas, exceto no caso do próprio ser humano, ninguém jamais foi ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzissem."

Notem bem: não sou contra a hipótese evolucionista. Do que tenho observado até hoje, devo concluir que sou o único ser humano, no meu círculo de relações próximas e distantes, que não tem a menor idéia de se a evolução aconteceu ou não aconteceu. Todo mundo tem alguma crença a respeito, e parece disposto a matar e morrer por ela. Eu não tenho nenhuma.

No entanto, minha abstinência de opiniões a respeito de uma questão que considero insolúvel não me proíbe de notar a absurdidade das opiniões de quem tenha alguma. Há muito tempo já compreendi que os cientistas são ainda menos dignos de confiança do que os políticos, e os paradoxos da fama de Charles Darwin não fazem senão confirmá-lo. Meus instintos malignos impelem-me a pegar os darwinistas pela goela e perguntar-lhes:

– Por que tanta onda em torno de Charles Darwin? Ele inventou o "design inteligente", que vocês odeiam, e a seleção natural, que vocês dizem que é falsa. Ele pregou abertamente o racismo e o genocídio, que vocês dizem abominar. Para celebrá-lo, vocês têm de criar do nada um personagem fictício que é o contrário do que ele foi historicamente. Não vêem que tudo isso é uma palhaçada?


Olavo Luís Pimentel de Carvalho nasceu em Campinas, SP em 29/04/1947 é escritor, jornalista, palestrante, filósofo, livre pensador e intelectual, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros, publica regularmente seus artigos nos jornais "Diário do Comércio", "Jornal do Brasil" e no site "Mídia Sem Máscara", além de inúmeros outros veículos do Brasil e do exterior. Já escreveu vários livros e ensaios, sendo que o mais discutido é "O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras" de 1996, que granjeou para o autor um bom número de desafetos nos meios intelectuais brasileiro, mas também uma multidão de leitores devotos, que esgotaram em três semanas a primeira edição da obra, e em quatro dias a segunda. Atualmente reside em Richmond-Virginia, EUA onde mantém o site "Olavo de Carvalho" em português e inglês, sobre sua vida, obras e idéias. E-mail: olavo@olavodecarvalho.org


Publicado no jornal "Diário do Comércio" (Opinião).
Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009, 21h08.




O Brasil virou um grande PMDB – Arnaldo Jabor





Friday, December 05, 2008

Uh, lá, lá, Lula no se vá!

Foto: O cafajeste que irá "sífu" bem mais cedo do que ele possa imaginar.































SEM QUERER QUERENDO, CHÁVEZ ENTREGA O OURO
por Bootlead

O vídeo abaixo deste texto contém uma síntese da entrevista do putrefato ditador Hugo Chávez da "bolivariana" Venezuela, concedida a correspondentes estrangeiros em Caracas no dia 24 de novembro último, ou seja, um dia após as eleições regionais para governadores e prefeitos realizadas naquele país, onde o "enrustido" tomou uma "surra" por parte do eleitorado mais esclarecido e que realmente conta na Venezuela.

Tal entrevista durou nada menos do que quatro longas e intermináveis horas de disparates e mentiras proferidas pelo indecoroso e anti-higiênico Chávez, porém quando perguntado pela correspondente da rede de televisão norte-americana CNN, a jornalista Patricia Janiot, se ele, Chávez, faria nova tentativa de aprovação de emenda constitucional sobre a sua reeleição indefinidamente, o chulo déspota além de evasivo e ofensivo na resposta à jornalista, que se prolongou por quase trinta minutos, deu-se ao desplante de intrometer-se em assuntos que só interessam a nós brasileiros e, isto em cadeia de rádio e televisão venezuelana e na presença de dezenas de correspondentes da mídia internacional.

Porém, como pode ser visto no vídeo, na altura de mais ou menos quatro minutos decorridos, o burlesco personagem, nos dá uma pista de quais são as intenções do seu parceiro brasileiro, o reles cachaceiro de Garanhuns, no que diz respeito ao tema reeleição presidencial no Brasil. Ou seja, conforme planejado pelo chefe máximo do Foro de São Paulo, o morto-vivo Fidel Castro, essa turma composta pelo próprio Cháves, Evo Morales, Rafael Correa, o tal "bispo" Fernando Lugo do Paraguai, a famiglia mafiosa-peronista dos Kirchner da vizinha república platense e, claro o nosso vagabundo-mor, o execrável Luiz Inácio, não irão largar o poder tão facilmente, eles vieram para ficar e vão fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos.

Note-se, que até agora os citados "cachorros loucos", têm usado a democracia para atingir seus objetivos indizíveis, mesmo que as custas de fraudes eleitorais de todos os tipos e formas (principalmente através de urnas eletrônicas), compra de votos e consciências dos "homens-massa", intimidações, propaganda enganosa e subliminar, aliciamento midiático, etc. Contudo, agora que a tal crise econômica mundial começa a se propagar e instalar-se ruinosamente nos países nos quais os aprendizes de "tiranetes" nadavam às braçadas, o pânico está estabelecido. Como tal fator, "crise", escapa completamente aos seus controles e poderão levar por água abaixo seus planos de perpetuação no poder, os "moleques-do-fidel", terão que acelerar seus planos diabólicos (PAC-Plano de Aceleração Comunista), para impor suas ditaduras e, portanto como última tentativa "pacífica e democrática", tentarão já no ano que vem fazer passar, via emenda constitucional, reforma constitucional, ou até via uma assembléia constituinte exclusiva (caso brasileiro), a reeleição presidencial por prazo indeterminado. Lembrem-se: A Venezuela é o laboratório, o projeto piloto de um plano de comunização de toda a América Latina, um antigo "sonho" arquitetado pelo "lúcifer da ilha", primeiro testam a adoção de medidas ditatoriais na Venezuela, depois as impõem aos países satélites dependentes do petróleo e do dinheiro do tirano de Miraflores, e por fim em nosso país. Desta feita, não será diferente vão tentar reproduzir aqui o que o piloto de provas venezuelano fará por lá, pois o "sonho" do "lúcifer da ilha", não será realizado sem o Brasil.

Assim sendo, invoco os cidadãos brasileiros (eu disse "cidadãos", não estou referindo-me ao tal "povo", aquela cambada disforme de analfabetos funcionais, bolsistas, petistas, comunistas, emessetistas, cutistas e todos estes "istas" que o demônio "caga" diariamente nas esquinas e grotões deste país chamado Brasil), para que fiquem atentos aos sinais que começarão a pipocar aqui e ali, já a partir de janeiro próximo, via impren$a vendida, deputado$ da "ba$e alienada", empre$ário$ de $uce$$o e outro$ meno$ cotado$, para que seja dada a partida ao "Uh, lá, lá, Lula no se vá!".

Atenção: Essa será a última e desesperada tentativa da "canalha comunista" de impor sua ditadura vermelha sem sangue, o que não é habitual por parte daquela raça maldita, caso não obtenham êxito nos seus intentos, partirão sem hesitar para o confronto e a violência, enfim, será instalado o caos inerente a uma guerra civil fratricida, feroz, cruel e sangrenta. É só uma questão de tempo e, como repetia o ex-presidente Collor sensatamente: "O tempo é o senhor da razão!".

Ops! Alguém aí perguntou pelos militares? Respondo: Vão bem obrigado, cumprindo seus deveres constitucionais e ansiosos para receber brevemente com toda a pompa, galhardia e rapapé possíveis, o venerado primeiro-irmão do "lúcifer da ilha", o assassino atroz Raúl Castro, também este, outro "enrustido", conhecido nos antros da pederastia de La Habana como "Raulzito" ou "La China", na dúvida perguntem a Juana de la Caridad (Juanita) Castro Ruz, irmã dos demônios cubanos. Antes porém, no dia oito deste mes, a alta cúpula (atenção eu disse cúpula) das nossas pundonorosas forças participarão do grande almoço festivo anual com o chefete, que nessas ocasiões costuma tratá-los por "bando". O "prato de resistência" deste ano será "Sapos à Moda Petista", iguaria esta, muito apreciada pelos comensais, já que estão habituados a engoli-los com regularidade.





Click na SETA ou no botão PLAY, para ativar o vídeo.


Uh, ah, Chávez no se vá
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

O caudilho Hugo Chávez não se emenda. Durante a campanha para as eleições regionais de novembro, ele ameaçou deixar à míngua de recursos os Estados e municípios que elegessem candidatos oposicionistas. A estes ameaçou de prisão, simplesmente porque a perspectiva de sua vitória eleitoral colocava em risco o projeto do "socialismo do século 21". Temendo que isso não bastasse para intimidar os candidatos e influenciar o eleitorado, mais de uma vez anunciou que mandaria tanques e blindados para esmagar os "traidores". Na véspera do pleito, advertiu que, se perdesse o controle dos Estados e municípios mais populosos, 2009 seria "um ano de guerra" com seus oponentes. Os novos governadores e prefeitos imediatamente depois de eleitos se ofereceram para trabalhar em conjunto com o governo federal para superar os problemas econômicos e sociais do país.

Mas Hugo Chávez declarou guerra aos novos governantes, alegando que os "fascistas" não têm outro plano para governar, além do de derrubá-lo com a ajuda do "império" e do "paramilitarismo colombiano". E conclamou seus partidários a "varrer do mapa" os oposicionistas. Também ordenou às Forças Armadas que se preparem para eventualmente "neutralizar" as forças policiais dos governos de oposição - cujos chefes, lembrou o ministro da Justiça, só podem ser nomeados após a aprovação do governo central, como manda a "lei habilitante" aprovada em outubro. Invocando outra "lei habilitante", Chávez retirou do governador distrital de Caracas - da oposição - a competência para administrar escolas, hospitais e outras instalações metropolitanas.

Concluída a manobra de intimidação dos oposicionistas que conquistaram nas urnas os governos das cidades e regiões mais ricas e populosas do país, o coronel golpista passou a tratar do que realmente lhe interessa. Mandou o seu Partido Socialista Unificado da Venezuela preparar, imediatamente, um projeto de emenda constitucional que permita sua reeleição indefinida. O projeto deve estar pronto em janeiro, para ser votado em referendo em fevereiro.

"Não quero passar 2009 discutindo se Chávez é um tirano, se não é um tirano, se é meio tirano, se é isso ou aquilo. Uma jornada longa, não", esclareceu o caudilho. E anunciou que o lema dessa "batalha" será Uh, ah, Chávez no se vá, convocando para a luta os "batalhões" e "patrulhas" das milícias bolivarianas. De quebra, foi avisando que "não existe chavismo sem Chávez, nem dissidentes, mas traidores".

Quando os venezuelanos rejeitaram em referendo, há um ano, a constituição bolivariana, que condenaria o país a um regime totalitário, chefiado por um ditador vitalício, Hugo Chávez anunciou publicamente que não voltaria a apresentar um projeto de emenda constitucional para se perpetuar no poder. E Chávez, como se sabe, é um homem de palavra. A nova emenda não será apresentada por ele, mas pela Assembléia Nacional, onde se contam nos dedos das mãos os deputados que se opõem a seus projetos ditatoriais. Se for levantada a inconstitucionalidade da proposta - pois a Constituição em vigor, aliás redigida por Chávez em 1999, proíbe a realização de referendo sobre matéria já derrotada, numa mesma legislatura -, o caso irá ao Tribunal Supremo de Justiça, composto também por fiéis seguidores do caudilho.

É mais que provável, portanto, que o novo projeto seja submetido a referendo no exíguo prazo determinado por Chávez. Sua pressa não se deve ao alegado desejo de não sustentar um debate sobre se é ou não tirano. O fato é que a popularidade do ditador continua alta, mas diminui rapidamente a possibilidade de impor sua vontade e seus projetos aos venezuelanos. Perdeu o referendo do ano passado, sofreu uma grave derrota nas eleições regionais de 23 de novembro e as oposições, antes fragmentadas, finalmente descobriram que a união é o único caminho para vencer o ditador.

Além disso, os venezuelanos estão se dando conta de que a retórica revolucionária de Chávez tem um custo elevadíssimo. Não falta dinheiro para financiar movimentos bolivarianos na Bolívia, Equador, Nicarágua e Cuba. Mas na Venezuela faltam bens de primeira necessidade, moradias e condições dignas de vida, pioradas por uma grave crise fiscal e uma inflação de mais de 30%.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Editorial Opinião).
Quinta-feira, 04 de dezembro de 2008.










Santa Catarina: Gastos, desastres, acidentes? NÃO!




As três faces de um canalha – Cel Paulo Carvalho Espíndola



Wednesday, October 15, 2008

PRESIDENTE URIBE: AGORA É A VEZ DA COLÔMBIA.
NÃO VACILE, ELIMINE-OS SEM A MÍNIMA PIEDADE!

AS FOTOS FALAM POR SI MESMAS.
O QUE AS PESSOAS NÃO ENTENDERAM AINDA, É QUE: SERÃO "ELES" OU "NÓS", DECIDAM!

Fotos: © Agência EFE





















BRASILOFOBIA URGENTE: CRISE FAZ SUBIR O PREÇO DA MELANCIA





































CCJ triplica soldo de generais

A CCJ da Câmara aprovou proposta de emenda constitucional que estabelece o salário de generais das Forças Armadas em 95% do de ministros do Superior Tribunal Militar, elevando os soldos de R$ 7.143 para R$ 22.111. (Globo)

"Com aumento salarial eles não reclamam" - (GBMF)

Publicado no "DOIS EM CENA" – 16/10/2008 – 6h01.



GRANDE GIANNETTI!

Inperdível entrevista do economista, filósofo e professor Eduardo Giannetti da Fonseca à FOLHA ONLINE, sobre a atual crise financeira mundial.

"O mercado financeiro, que parecia seguro, se desequilibrou. Quem se acostumou a ganhar sempre, passou a vender desesperadamente seus ativos. O mundo vinha caminhando em cima de uma tábua estreita, avançando, e todos acreditavam que enriqueciam cada vez mais. De repente, as pessoas se deram conta de que a tábua está suspensa no abismo, e elas se sentiram inseguras, incertas e perderam o equilíbrio."




Publicado no blog "JOSIAS DE SOUZA" – 16/10/2008 – 16h33.



O APOCALIPSE ESTÁ CADA VEZ MAIS PRÓXIMO!

A Sangre Fría – Rafael Poleo



Friday, October 03, 2008

O "stalin" bolivariano, já começou a expurgar seus "tukhachevsky".



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Preso o ex-Número 1 de Chávez.
por Bootlead

O general da reserva Raúl Isaías Baduel, ex-ministro da Defesa venezuelano, foi preso quando saía de um supermercado em companhia de sua mulher Cruz Maria De Baduel, por policiais da Direção Geral de Inteligência Militar (DIM) no Estado de Aragua.

Baduel era um dos homens de confiança de Chávez, mas rompeu ele em 2007, quando se declarou contrário a um projeto de reforma da Constituição promovido pelo governo. Hoje ele é uma das principais figuras da oposição. A promotoria militar alega que nvestiga o militar em um suposto caso de corrupção.

O promotor militar general Nelson Morales afirmou que Baduel está sendo levado para um tribunal militar. Baduel falou à emissora Globovisión por telefone, o general afirmou que estava sendo conduzido de "maneira violenta". "Desconheço as acusações", disse, qualificando a operação como "um atropelo". "Não tenho nada a temer nem nada de que me envergonhar", completou.

Baduel nega as acusações e sustenta que seu caso "não tem nenhuma conotação jurídica". Ele afirma que sofre o assédio da justiça "para calar-me, amedrontar-me".

O militar passou à reserva em julho de 2007, logo após ser afastado do cargo de ministro da Defesa por Chávez. Quatro meses depois, voltou à esfera pública para criticar um projeto de reforma constitucional impulsionado pelo presidente. O texto, que previa o estabelecimento de um modelo socialista e a reeleição presidencial indefinida, foi rejeitado dezembro em referendo pela população.

Na ocasião o general Raúl Baduel, afirmou que a reforma constitucional seria um golpe de Estado se fosse aprovada no referendo de 2 de dezembro, e pediu aos militares que reflitissem sobre a situação.

Baduel disse aida que se a reforma fosse aprovada "estaria consumado na prática um golpe de Estado, que violaria de maneira descarada o texto constitucional e seus mecanismos, introduzindo mudanças de maneira fraudulenta e por procedimentos impróprios, levando o povo como ovelhas ao matadouro".

Baduel lembrou que "as Forças Armadas são uma instituição essencialmente profissional, sem militância política, organizada pelo Estado para garantir a independência e a soberania da Nação (...) e que está a serviço exclusivo da Nação, e não de uma pessoa ou projeto político".

Raul Isaias Baduel, nasceu em 6 de julho de 1955, na cidade de Las Mercedes, Estado de Guárico. Foi Comandante Geral do Exército venezuelano de janeiro de 2004 até julho de 2006 e Ministro da Defesa de junho de 2006 até julho de 2007, foi um dos precursores, ao lado de Chávez, do movimento bolivariano clandestino dentro das Forças Armadas, que em em 17 de dezembro de 1982, se reuniram sob a mitológica árvore Samán de Güere, a mesma freqüentada pelo libertador Simón Bolívar (1783-1830), onde selaram um juramento de lutar "até quebrar as correntes que nos aprisionam seguindo a vontade dos poderosos", o general Baduel é inclusive padrinho de um dos filhos de Chávez.

N.R. General-de-Divisão Mikhail TUKHACHEVSKY (1893 - 1937), foi um comandante militar soviético e chefe do Exército Vermelho, acusado injusta e falsamente de colaborar com os nazistas durante o Grande Expurgo, sendo condenado e executado pelos Processos de Moscou. Sua morte foi a mais notável entre os generais do Exército Vermelho, por ser ele um veterano e bem reputado oficial.


Foto: Chávez e Baduel, compadres e farinha do mesmo saco.




























Uma suspeita inconveniente - Ten Cel Med Edvaldo Tavares



 
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