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Tuesday, September 11, 2007

2 + 1: Porque é fundamental ter o homem certo no lugar certo!










































SE FOR PARA O BEM DO POVO E A FELICIDADE GERAL DA NAÇÃO, DOM LULA III DIZ AO POVO QUE FICA!
por Paulo Moura

Atenção historiadores. Atenção incrédulos comentaristas do óbvio: o rei Lula II vai reinventar o "Dia do Fico". Sim, é isso mesmo que os senhores estão lendo. Num jogo de cena que está recém em seus primeiros atos, o petismo prepara a reedição do "Dia do Fico", aquele no qual, dizem, o Imperador Dom Pedro I teria dito que "Se for para o bem do povo e felicidade geral da nação, digo ao povo que fico!". Reinventando até Marx, Lula pretende reeditar o Dia do Fico, provando que, também nisso, Marx estava errado e que é possível repetir uma farsa histórica como farsa e como tragédia ao mesmo tempo.

Só não vê quem não quer. Lula quer mais uma reeleição, pelo menos ... Aliás, Lula quer o poder eterno. Ele quer ser a reedição de si mesmo. Lula I, a conquista das elites; Lula II, a conquista das massas; e, vem aí: Lula III, a conquista do império.

Se aqui fosse Cuba, isso não seria problema. Se fosse a Venezuela, seria um pequeno problema. Nosso buraco é bem maior e bem mais embaixo. Aqui o script requer mais sofisticação. No Brasil, até estratégia política, para funcionar, tem que ser roteirizada como novela da Rede Globo. Mas, o rei Lula II e seus súditos estão à altura do desafio. Já os inimigos do rei; não.

O canastrão número um, todos já sabem quem é. Ele interpreta como ninguém a reedição da novela "O Pai dos Pobres", que estava fora de cartaz havia uns 60 anos. A claque já foi contratada para lotar o auditório; aplaudir e pedir bis. Basta o maestro mandar.

A primeira pista para o desfecho foi dada pelo próprio Lula numa entrevista recente. Quando perguntado por um repórter sobre a hipótese de mais uma reeleição, o rei disse: "não fico nem se o povo pedir". A segunda pista foi fornecida pelo 3º Congresso do PT. É o plebiscito pela reestatização da Cia. Vale do Rio Doce. Aí está o laboratório avançado da estratégia de aprovação da reeleição eterna de Lula. O personagem que faltava nesse enredo neopopulista é a massa mobilizada pedindo mais Lula-lá "contra as elites conservadoras".

Sim, eu disse faltava. Desculpem estragar a surpresa, mas uma fonte bem informada que trabalha para a revista Capricho, teve acesso a uma informação segura de um importante interlocutor de Lula que pediu para não ser identificado e me contou o fim da novela, que antecipo aqui em primeira mão, exclusivamente para nossos leitores.

A fonte da minha fonte testemunhou pessoalmente uma reunião secreta entre Lula, Zé Dirceu, Palocci e Gushiken (Tarso Genro não estava presente, pois não manda nada, com se viu no último congresso do PT), na qual ficou decidido que Zé Dirceu, através da empresa de eventos do promoter emergente, Delúbio Soares, deverá contratar milhões de figurantes para, de agora até 2010, saírem às ruas em sucessivas e cada vez maiores manifestações de massas, gritando: Fica Lula! Fica Lula! Fica Lula!

Na linha de frente das manifestações, a juventude lulista, segmento de jovens de classes populares de faixa etária entre 16 e 18 anos, recém integrados ao programa bolsa-esmola, que agregou à distribuição de mesada como nosso dinheiro, um programa de conscientização de jovens de classes populares para seu direito político de continuar recebendo esmola do Estado para o resto da vida. (Se Lênin não estivesse embalsamado daria pulos no sarcófago).

Paralelamente, a Rede Globo criará um bloco especial de três minutos diários entre o Jornal Nacional e a novela das 20 hortas, patrocinado pelo BNDE e pela Petrobrás, no qual Pedro Bial comandará uma votação interativa para que os telespectadores decidam democraticamente se querem que 0800-Lula fique mais um mandato; 0800-Lula fique mais dois mandatos, ou, 0800-Lula fique para sempre. Entrevistado por Willian Boner e Fátima Bernardes, Lula repetirá insistentemente, tal qual donzela virgem e louca para dar: não, não, não ...

Em 1º de fevereiro de 2009, em plena convocação extraordinária do Congresso, na calada da noite da véspera de feriadão de Iemanjá e com o parlamento vazio, um desconhecido deputado do PMDB de Rondônia protocolará uma emenda liberando a reeleição eterna. No final de 2009, o presidente do Congresso, diante do clamor das massas que cercam a Praça dos Três Poderes gritando "Fica Lula!"; decide ceder à voz das ruas e bota a emenda em votação.

Sentindo que a emenda passa, Serra e Aécio mandam seus tucanos votar a favor, por baixo dos panos. Afinal, governar Minas e SP está de bom tamanho ante a provável re-reeleição Lula II. A essa altura, 54% da população brasileira estará recebendo bolsa-esmola. Alckmin, prefeito de São Paulo, chora lágrimas de crocodilo, pensando que, afinal, se Lula é imbatível, até que a prefeitura de São Paulo está de bom tamanho.

Diante do cenário, Franklin Martins convoca os oito "melhores" jornalistas, dos principais veículos do país, para uma entrevista coletiva com Lula, na biblioteca do Palácio do Planalto. Na entrevista Lula, contrariado, anuncia: Se for para o bem do povo e a felicidade geral da nação e blá, blá, blá ... Lula III, o imperador do Brasil, fica. A emenda é aprovada no Congresso em plena convocação extraordinária de 2009, para valer em 2010.

FHC desiste. Nega-se a dar entrevistas. Manda os netos estudarem na Suíça. Olha amargurado para seu tucaninho de lapela - que guardava como relíquia desde o Congresso de fundação do PSDB - e joga-o numa caixinha empoeirada onde acomoda as medalhas, troféus e diplomas que recebeu ao longo da carreira. Pega Dona Ruth pelo braço, e, cabisbaixo, embarca para Paris, após aceitar voltar a dar aulas de Teoria da Dependência Revisitada, como professor convidado da Sorbone.

Plim, plim.


Paulo G. M. de Moura nasceu em Porto Alegre em 1960. É formado em Ciências Sociais com mestrado em Ciências Políticas pela UFRGS, doutorado em Comunicação Social pela PUC-RS e professor do curso de Ciências Políticas da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e também atua como professor junto ao EAD da PUCRS. É consultor de comunicação e marketing político, além de analista político. É autor dos livros “PT: Comunismo ou Social-democracia?” e “O gauchismo no marketing de Olívio Dutra”. Foi articulista do jornal Gazeta Mercantil (caderno RS) nos anos de 98 e 99, e atualmente é articulista do site www.diegocasagrande.com.br e da Revista Voto.




Publicado no site "DIEGOCASAGRANDE.COM.BR".
Terça-feira, 11 de setembro de 2007.



Wednesday, July 04, 2007

ALERTA VERMELHO!























O bolivarianismo de Lula: como o PT pretende fazer da Rede Globo a sua RCTV
por Reinaldo Azevedo

Considero o texto que vai a seguir um dos mais importantes já publicados neste blog (referindo-se ao seu blog: Reinaldo Azevedo). Nunca fiz isto, mas faço agora: reproduzam-no por aí, passem adiante, façam com que se multiplique. Ele identifica um método de ação do governo Lula, do chavismo à moda da casa. Denuncio aqui os instrumentos a que pretende recorrer o governo para implementar entre nós o bolivarianismo light. Porque o PT sabe que não pode fazer da Rede Globo a sua RCTV, resolveu estrangular a emissora financeiramente. No mundo ideal do petismo, devemos ficar todos subordinados à TV de Franklin Martins, que não precisa do mercado para existir, ou à TV Record — que, se ficar sem anunciantes, jamais ficará sem a Igreja Universal do Reino de Deus, dona do partido do vice-presidente e de Mangabeira Unger, aquele secretário que fala uma língua mais incompreensível do que a do Espírito Santo quando baixa em Edir Macedo — deve baixar, eu suponho. Também vou me penitenciar. Dizem que sou arrogante, que nunca assumo um erro. A segunda parte, ao menos, é mentirosa. Errei, sim. Errei na única vez em que apoiei, ainda que parcialmente, uma proposta do governo Lula. Fui enganado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Uma recomendação: eis um nome do governo Lula que deve ser visto com muito mais cuidado.

Ufa! A introdução já ficou longa demais. Como sabem, o governo quer limitar o horário da propaganda de cerveja na televisão. E também enrosca com o seu conteúdo — Temporão, por exemplo, invoca com a tal “Zeca-Feira”. Mais: diz que a publicidade glamouriza o consumo do produto... No programa Roda Viva eu lhe disse que era favorável à limitação de horário para a propaganda, mas contrário a que o governo se metesse no conteúdo publicitário. Ora, isso seria nada menos do que censura. E o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária é um órgão que funciona, sim, senhores! Só falta agora a gente ter um Romão Chicabom também na Saúde...

É claro que a limitação da publicidade acarretaria uma diminuição de receita para as emissoras de TV. "Fazer o quê?", pensei. "Aconteceu isso quando se proibiu a propaganda de cigarros; que procurem novos nichos, novos produtos, novas fontes de receita". Eu, o liberal tolo diante de um petista... Nova pretensão anunciada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deixa evidente que a limitação da propaganda de cerveja tem mais a ver com a saúde do governo Lula do que com a saúde dos brasileiros. Eu passei a considerá-la parte de uma estratégia para asfixiar as emissoras que dependem do mercado para viver: que não têm estatais ou igrejas de onde tirar a bufunfa. Fui um idiota. Não apóio mais. Penitencio-me.

A Anvisa, órgão subordinado ao Ministério da Saúde, agora quer limitar ao horário das 21h às 6h a propaganda de alimentos considerados poucos saudáveis, "com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio" e de "bebidas com baixo teor nutricional" (refrigerantes, refrescos, chás). Mesmo no horário permitido, a propaganda não poderia conter personagens infantis e desenhos. Segundo a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), isso representaria um corte de 40% na publicidade do setor, estimada em R$ 2 bilhões em 2005. Dos R$ 802 milhões que deixariam de ser investidos, aos menos R$ 240 milhões iriam para a TV — a maior fatia, suponho, para a Rede Globo.

Virei caixa dos Irmãos Marinho agora? Não! Virei guardião da minha liberdade. É evidente que se tenta usar a via da saúde para atingir o nirvana da doença totalitária. É evidente que estão sendo criadas dificuldades para as emissoras — e, a rigor, nos termos dados, para todas as empresas que vivem de anúncios — para vender facilidades. O ministro Temporão, que ainda não conseguiu fazer funcionar os hospitais (sei que a tarefa é difícil; daí que ele deva se ocupar do principal), candidata-se a ser o grande chefe da censura no Brasil. Na aparência, ele quer nos impor a ditadura da saúde; na essência, torna-se esbirro de um projeto para enfraquecer as empresas privadas de comunicação que se financiam no mercado — no caso, não o mercado do divino ou o mercado sem-mercado das estatais.

Imagine você, leitor, que aquele biscoito recheado (em SP, a gente chama “bolacha”) que sempre nos leva a dúvidas as mais intrigantes (Como as duas de uma vez? Separo para comer primeiro o recheio? Como o recheio junto com um dos lados?) seria elevado à categoria de um perigoso veneno para as nossas crianças — mais um querendo defender as crianças! —, que serão, então, protegidas por Temporão desse perigoso elemento patogênico. Mais: mesmo no horário permitido, a propaganda teria de ser uma coisa séria, né? De bom gosto. Sem apelo infantil. O Ministério da Saúde é uma piada: quando faz propaganda de camisinha, sempre recorre a situações que simulam sexo irresponsável. Mas não quer saber de desenho animado em propaganda de guaraná. A criatividade dos publicitários, coitados, teria de se voltar para comida de cachorro. Imagine o seu filho, ensandecido, querendo comer a sua porção diária de Frolic, estimulado pela imaginação de publicitários desalmados.

Assim como o governo pretendia impor a censura prévia na presunção de que os pais são irresponsáveis, agora quer limitar a propaganda de biscoito e refrigerante porque as nossas crianças estariam se tornando obesas e consumistas.

Estupidez
A proposta não resiste a 30 segundos de lógica. É evidente que biscoito não faz mal. Biscoito não é ecstasy. Em quantidades moderadas, de fato, não havendo incompatibilidade do organismo com os ingredientes, até onde sei, faz bem. Se o moleque ou a menina comerem um pacote por dia, acho que tenderão a engordar. Acredito que há um limite saudável até para o consumo de chuchu... Ora, carro também mata. Aliás, acidentes de automóveis são uma das principais causas de morte no Brasil. A culpa, quase sempre, é da imprudência do motorista ou das péssimas condições das estradas. Nos dois casos, é preciso usar/consumir adequadamente a mercadoria. A Petrobras é uma grande anunciante — e certamente estará no apoio à TV de Franklin Martins. Os produtos que ela vende poluem o ar e aquecem o planeta (sou de outra religião, mas dizem que sim...). A publicidade, então, deverá estar sujeita a severas limitações?

Uma pergunta: água entra ou não na categoria das “bebidas com baixo teor nutricional”? O ridículo desses caras é tamanho a ponto de propor limites à propaganda de água? Ela alimenta mais ou menos do que um copo de coca-cola ou de mate? E de lingüiça, pode? A gordura animal em excesso também faz mal à saúde. Quem garante que o sujeito não vai consumir o produto todos os dias, até que as suas artérias se entupam? Não ande de moto. Há o risco de cair. Numa bicicleta, você pode ser atropelado. E desodorizador de ambiente do moleque que quer fazer “cocô na ca-sa do Pe-dri-nho”? Pode ou não? Não fere a camada de ozônio?

Nazistas
Observem: se isso tudo fosse a sério, fosse mesmo com o propósito de cuidar da saúde dos brasileiros, já seria um troço detestável. Sabiam que os nazistas foram os primeiros, como direi?, ecologistas do mundo? É verdade: não a ecologia como uma preocupação vaga com a natureza, mas como uma política pública mesmo. Hitler gostava mais de paisagem do que de gente, como sabemos. Eles também tinham uma preocupação obsessiva com a saúde, com os corpos olímpicos. O tirano odiava que se fumasse perto dele, privilégio concedido a poucos. Mas o mal em curso não é esse, não.

A preocupação excessiva do governo nessa área, entendo, é também patológica, mas a patologia é outra. Por meio da censura prévia — de que foi obrigado a recuar — e da limitação à publicidade de vários produtos, pretende é atingir gravemente o caixa das empresas de comunicação, que fazem do que conseguem no mercado a fonte de sua independência editorial. Ora, é claro que, sem a publicidade da cerveja, dos alimentos e do que mais vier por aí, elas ficam, especialmente as TVs, mais dependentes da verba estatal e do governo.

O raciocínio é simples: vocês acham que a porcentagem da grana de estatais no faturamento global é maior numa Band ou numa Globo? Numa Carta Capital ou numa VEJA? No Hora do Povo ou no Estadão (a propósito, veja post abaixo)? Os petistas não se conformam que o capitalismo possa financiar a liberdade e a independência editoriais. Quer tornar essas grandes empresas estado-dependentes. Quanto mais se reduz o mercado anunciante — diminuindo, pois, a diversidade de fontes de financiamento —, mais se estreita a liberdade.

Golpe
Trata-se, evidentemente, de um golpe, mais um, contra a imprensa livre. E por que digo que o alvo é a Globo? Porque, afinal, ela concentra boa parte do mercado publicitário de TV — é assim porque é melhor e mais competente, não porque roube as suas “co-irmãs” — e porque, no fim das contas, o que importa mesmo a Lula é aparecer bem no Jornal Nacional. E ele deve considerar que isso é tão mais fácil de acontecer quanto mais ele disponha de instrumentos para tornar difícil a vida da principal emissora do país. Acho que vai quebrar a cara.

E Temporão, tenha sido ou não chamado à questão com esse propósito, tornou-se o braço operativo dessa pressão. Curioso esse ministro tão cheio de querer impor restrições do estado à vida e às opções das pessoas. É aquele mesmo que já deixou claro ser favorável à descriminação do aborto até a 14ª semana porque, parece, até esse limite, o feto não sente dor, já que as terminações nervosas ainda nem começaram a se formar. É um ministro, digamos, laxista em matéria de vida humana, mas muito severo com biscoitos. O que faço? Recomendo a ele que tenha com as crianças que estão no ventre o mesmo cuidado que pretende ter com as que querem comer Doritos?

Eis aí o caminho do nosso bolivarianismo. A terra está amassada pelo discurso hipócrita da saúde. Farei agora uma antítese um tanto dramática, cafona até, mas verdadeira: essa gente finge cuidar do nosso corpo porque quer a nossa alma.

PS: Reitero: divulguem este texto, espalhem-no na Internet, montem grupos de discussão no Orkut, passem a mensagem adiante, mobilizem-se.


Reinaldo Azevedo é jornalista, guia cultural, assessor de imprensa e blogueiro. Foi editor-chefe da revista Primeira Leitura, colunista da revista Bravo! e também editor do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, hoje é colunista da revista Veja. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo.





Publicado no "
Blog Reinaldo Azevedo".
Quarta-feira, 04 de julho de 2007, 04h02.

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