Tuesday, September 04, 2007

Atenção "milicos"! Os comunos-petistas querem lhes arrastar a um
Tribunal de Nuremberg dos perdedores. Preparem os pescoços!




































O ridículo dessa gente não conhece limites
por Reinaldo Azevedo

Um texto de Marcos Nobre, articulista da Folha, me deixou cheio de energia já nesta manhã, fim da noite para mim. Por isso decidi dialogar com ele. Vocês sabem: aqueles meus diálogos em vermelho e azul, que não requerem a concordância do interlocutor. É um diálogo de textos. Vamos lá? Ele vai em vermelho, e eu, em azul.

QUANDO SE mistura política e militarismo, a democracia costuma balançar. Foi o que se viu na nota do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O texto considera que colocar em questão a Lei da Anistia importaria em "retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas". Nobre é filósofo, chegado a dissecar o sentido das palavras. Sabe que a sua primeira frase é uma generalidade tola, no conceito e na aplicação. A história das democracias se confunde com a história dos militares. Desde a Grécia. Como verdade genérica, é bobagem. Como verdade particular, é mentirosa. Os militares brasileiros emitiram uma nota, e a democracia está onde estava.

O lapso gramatical ("retroceder a" significa "voltar a") não é importante por si mesmo, mas por levantar dúvidas sobre a posição que o Exército entende ter na democracia brasileira. Afinal, por que o simples "colocar em questão" de uma lei destruiria "a paz e a harmonia nacionais"? *** Casa de ferreiro, espeto de pau, se diz lá em Dois Córregos. Nobre tenta ver num erro de regência um ato falho. Besteira. Até porque a terceira palavra de seu texto traz um erro de concordância. O certo é "quando se MISTURAM política e militarismo". O que o erro dele significa? A exemplo daquele dos militares, nada de especial. Só ignorância das regras. Um erro de gramática, às vezes, é só um erro de gramática.

A criação do Ministério da Defesa, sob o governo FHC, foi um avanço importante. Mas, até agora, apenas no papel. O ministro Nelson Jobim, como todos os anteriores, não tem poder nem mesmo sobre a Anac. Quando diz "o comandante sou eu", está apenas fazendo uma bravata. Avanço só no papel não é, então, importante. Diabos! O que está acontecendo com os nossos filósofos? Nobilíssimo também ignora o funcionamento da máquina pública, apesar de sua celeridade judiciosa sobre o assunto. O que a Anac — AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL — tem a ver com os militares? Mais: ela foi criada pelo governo Lula. Até o governo FHC, havia o DAC — este, sim, comandado por um militar. Os titulares da Anac são indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Subordiná-la à Defesa é matéria de emenda constitucional.

O confronto em torno do livro-relatório oficial "Direito à Memória e à Verdade" foi ele mesmo uma sucessão de bravatas. O ministro diz que "não haverá indivíduo que possa reagir", o Exército reage e o ministro recua, posicionando-se contra a revisão da Lei da Anistia. Nada de importante aqui a não ser a óbvia intenção dos apologistas do livro de rever a Lei de Anistia. Fica evidente que o dito-cujo era só um pretexto. Querem porque querem fazer a história recuar 30 anos — mas para punir apenas um dos lados, é claro.

Para arrematar, o ex-presidente do STF disse que esse era um "problema do Judiciário". As vítimas da ditadura de 1964 e seus descendentes recorreram ao Poder Judiciário como instância reparadora porque não conseguiram por outro modo que integrantes das Forças Armadas viessem enfrentar no debate público as acusações que lhes são dirigidas. Mas nem mesmo aí conseguem esse objetivo elementar de qualquer democracia porque o recurso aos tribunais militares está sempre à mão para bloquear a discussão pública. Militar não tem de "enfrentar debate público" nenhum, rapaz! Tem de se ater à sua missão constitucional — e ser levado ao tribunal depois de anistiado não está, definitivamente, entre as suas obrigações. Claramente, ele não sabe do que trata. A que recurso a "tribunais militares" ele se refere? Por qual caminho essa questão transitaria por um tribunal militar?

A nota do Alto Comando afirma que, ao longo da história, "temos sido o mesmo Exército de Caxias". Mas não explica como um duque inteiramente comprometido com a monarquia em 1865 pode expressar o mesmo Exército de Deodoro e Floriano na proclamação da República ou de Góes Monteiro, sustentáculo da ditadura do Estado Novo. Ou de Lott, que, em 1955, garantiu a posse de JK, ou dos generais golpistas de 1964. Ao se entender assim, o Alto Comando se recusa a refletir em público sobre a sua própria história e sobre os diferentes papéis que desempenhou ao longo do tempo. Na sua salada exemplar, nega o seu próprio ponto de vista. Não seria difícil de provar que o Marechal Lott deu um "golpe" em 1955 — mas, claro, um golpe considerado "do bem". Os vários exemplos que estão acima indicam que os militares sempre tiveram participação ativa na vida política brasileira. Faz parte da construção da nossa história. Por mais que seja grande a tentação, não dá para voltar a fita. Cumpre não criar situações artificiais de confronto que possam chamá-los de volta à cena, ainda que por meio só da retórica.

A nota diz que "os fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas". Falta agora que o Exército venha a público dizer qual é a sua, se é que há mesmo uma única interpretação no interior da corporação. Enquanto as Forças Armadas se recusarem ao diálogo franco e aberto, não há perspectiva de alcançar a "paz e a harmonia" que também desejam.Os militares já disseram, sim, qual é a sua. Aliás, Nobilíssimo, eles o fizeram de forma dramaticamente evidente. O que quer o nosso filósofo? Ver general batendo boca na ágora? Mas isso é tudo o que eu não quero e, suponho, o que qualquer democrata também não quer.

Agora fica evidente: desde o primeiro momento, esse livro — que, ademais, não acrescenta uma vírgula ao esclarecimento do caso — era só um cavalo-de-batalha da tese revanchista. O estado brasileiro já assumiu a responsabilidade pelos excessos do regime militar — e, diga-se, assumiu-os também em excesso. Criou-se no país a indústria da reparação. Nesse particular, o "socialismo" dos valentes foi bem-sucedido. Todos já pagamos R$ 3,5 bilhões em indenizações, e, todo mês, arcamos com outros R$ 28 milhões em pensões.

Considerando que o governo não fabrica dinheiro, essa grana sai de algum lugar: dos impostos que pagamos. Uns decidiram fazer guerrilha urbana; outros foram fazê-la no meio do mato; houve quem optasse pela ação puramente terrorista. Mal sabiam que o socialismo não viria, mas que a ação correspondia a uma espécie de investimento: o estado burguês pagaria um seguro. Já disse o que penso: é preciso indenizar familiares de pessoas que morreram nas dependências do estado e indivíduos que foram torturados. E só eles. Acontece que as tais reparações já atingiram 17 mil pessoas. E há outras 30 mil reivindicações. É uma piada.

Mas a fajutice intelectual e moral parece não ter mesmo limites. Vende-se agora que se tratou de uma luta entre os combatentes da liberdade e os homens do mal. Esta não é uma historia do Lobo Mau, apesar dos muitos Chapeuzinhos Vermelhos. Alguns petralhas mandam e-mails irados me indagando — e ofendendo junto — como posso afirmar que os comunistas, se tivessem vencido, matariam muito mais. Claro que posso. É uma questão de experiência história. Vejam o que eles fizeram nos países onde venceram. Por que seria diferente no Brasil? Só porque nós falamos português e dançamos samba? Aliás, em 1935, os comunistas deram uma pequena amostra de seus métodos. Mataram 28 soldados inocentes numa única madrugada. E sem luta: alguns estavamo dormindo. Isso, que é verdade e não mito, foi transformado pela esquerda em "propaganda direitista". Luiz Carlos Prestes e Olga Benário, dois articuladores dos assassinatos, entram para a galeria dos heróis. Os métodos de santificação do crime continuaram e continuam os mesmos.

O jovem idealista José Dirceu já confessou, não é? O Alain Delon da PUC andava com o trabuco. Para fortalecer a democracia? O PC do B se embrenhou na mata pra quê? Por eleições livres e diretas? Lamarca e Marighella queriam o quê? Um homem, um voto mais alternância de poder? Por que é preciso submeter os comunistas a uma idealização? Por que é preciso lavar a sua reputação, livrando-os da própria história? Eu tenho uma resposta! O esforço nem busca tanto mudar o passado e apagar os crimes idos; trata-se só de uma mistificação — cavernosa, mórbida, macabra — para justificar os crimes que a esquerda comete no presente. Pensando bem, por que Marcos Nobre iria escrever sobre o discurso de Lula, que pediu a defesa dos mensaleiros?

PS: Vamos lá, Brasil, rumo à modernidade: vamos rever a Lei de Anistia e reestatizar a Vale do Rio Doce. Quem sabe a gente ainda decida proclamar a monarquia e indenizar os descendentes dos senhores de escravos, que foram expropriados de seu "capital". O ridículo dessa gente não tem limites.


Reinaldo Azevedo é formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo, foi também redator-chefe das revistas República e Bravo!, diretor de redação da revista Primeira Leitura, além de coordenador de política da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "O Globo". Reinaldo atualmente é articulista da revista "VEJA" e escreve o blog político mais influente da rede, "Blog Reinaldo Azevedo". Polêmico, irônico, ferino, Reinaldo Azevedo é autor dos livros "Contra o Consenso: Ensaios e Resenhas", pela Editora Barracuda, do best seller "O país dos Petralhas" e por último "Máximas de um País Mínimo", ambos da Editora Record.





Publicado no "Blog Reinaldo Azevedo".
Terça-feira, 04 de setembro de 2007, 06h09.


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2 comments:

maristela said...

sabe que temo pela sorte dos meus futuros netos? já estamos para pagar mais demagogias de bolsa isso e aquilo que incentivam o dolce far niente. inclusão no mercado de trabalho nem pensar. ao menos estão reconhecendo que nem para os jovens tem oportunidade.

Renato Saldanha Lima said...

Senhor Professor,

Volta ao seu blog, agora com o meu sangue latino de volta ao seu estado homeostático. Peço-lhe desculpas pelo tom que imprimi ao meu primeiro comentário no meu blog. Outro erro que cometi, foi não ter continuado a leitura do seu texto. Há lá informações interessantes acerca da questão, que lerei com calma em outra oportunidade.

No entanto, meus erram não infirmam em seu valor em pertinência, a não ser que me convença do contrário, a tese defendida por mim no de que a legitimidade do direito positivo deve repousar sobre a legitimação popular.

Acrescento que o direito positivo deve ter ressaltado o seu referencial. Até mesmo em atendimento a ética Crística, segundo a qual o letra mata e o espírito vivifica. Se não fosse possível atribuir valor referencial ao direito positivado, ou, melhor dizendo, escrito, o sistema da common law seria inviável.

Quanto ao meu post quanto à questão quilombola, também os estou reeditando pelos mesmo motivos, ou seja, pela emoção de que foi tomado ao redigi-lo.

Agora, quanto à questão da anistia,
defendo que a mesma deva ser mantida como está. O governo erra, como, aliás, vem errando reiteradas vezes. Mais uma vez devia ser tomado como norte o exemplo das escrituras. Refiro-me, mais especificadamente, ao apóstolo Paulo.

Mas também considero que algumas reparações são necessárias. Mesmo porque previstas em lei. Muito triste, por exemplo, deixar que morra sem a devida reparação um homem, um militar, da estatura do Capitão Sérgio do Para-Sar, para mim para sempre Tenente-Brigadeiro.

Antes de terminar, quero deixar logo registrado que o liberalismo e o capitalismo não têm nada, em si, que os menoscabam. O sucesso ou fracasso de qualquer sistema político ou econômico dependente do homem, estritamente. Indico, a propósito e com a devida licença, o livro, de André Comte-Sponville, O Capitalismo é moral?, Martins Fontes.

Saudações.

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