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Monday, January 25, 2010

De todos os perigos, o maior é subestimarmos o poder secreto da
principal cabeça da "Hidra Vermelha". Precisa ser decepada!

Foto: Quem nasceu para obedecer, obedecerá mesmo no trono.
















































A Crise
por Luís Mauro Ferreira Gomes

Normalmente, quando nos sentamos para escrever um artigo, ele já está quase mentalmente pronto, restando apenas o trabalho de digitá-lo, penoso, aliás. Por mais que se leiam e releiam os textos, sempre sobram aqueles erros de digitação tão desconcertantes quanto difíceis de encontrar.

Desta vez, porém, ao tentarmos expressar-nos sobre o a crise desencadeada pelo decreto que instituiu o "III Plano Nacional de Direitos Humanos" encontramos uma dificuldade incomum, nem tanto pela grande extensão do documento ou pela enorme quantidade de absurdos, de ilegalidades, de inconstitucionalidades, de mentiras e de bobagens que ele contém, senão por serem contraditórias as notícias divulgadas sobre o assunto, o que nos levou a esperar por mais fatos, em vez de versões.

Como o tempo se encarregou de tornar irrelevantes todas as interpretações e todos os boatos que poderiam alterar o quadro vamos produzir este texto somente com o que já temos, que é mais do que suficiente.

A crise.

Antes de mostrarmos o que essa crise verdadeiramente é, começaremos por dizer o que ela não foi. Quase todos os que se manifestaram antes de nós tem-na chamado de crise militar. Os aspectos que afetam os militares – como a deturpação da Lei da Anistia para garantir impunidade a assaltantes, seqüestradores e assassinos, e condenar os agentes do Estado que os combateram no estrito cumprimento do dever; a interferência no ensino das Escolas Militares, para contaminá-las com ideologia de esquerda; a substituição dos nomes de logradouros públicos que reverenciam os heróis que lutaram contra a guerrilha comunista e a venceram, enquanto preservam os que homenageiam terroristas, como Luís Carlos Prestes, Carlos Lamarca, entre tantos outros – são gravíssimos, mas se diluem no contexto muito maior da preparação do golpe de Estado que consolidará a ditadura já instalada no Brasil.

Ditadura, sim, ainda que os seus mentores procurem vestir-lhe a máscara de normalidade democrática. Como se poderia falar em democracia, em um país onde o governo não respeita as Leis nem a Constituição, atropelando-as, sempre que lhe convém, diante da omissão conivente, ou mesmo do apoio direto daqueles que têm o dever institucional de impedi-lo? Omissão e apoio criminosos, conseguidos mediante as práticas também criminosas da coação, da chantagem, da corrupção e do suborno.

Os militares entraram nesse decreto para satisfazer a necessidade sádica de vingança dos guerrilheiros de ontem, hoje no governo, que não perdoaram a derrota do passado, mas essa não foi ainda a principal motivação. O que, verdadeiramente, querem é desmoralizar as Forças Armadas, colocando-as na defensiva, para impedir qualquer possibilidade de reação contra mais essa tentativa de implantar o comunismo no Brasil. Além da neutralizá-las, a inevitável resposta enérgica das Forças Armadas será usada como camuflagem das intenções ditatoriais dos governantes terroristas, que procurarão ocultar o golpe de Estado que planejam empreender, atribuindo-o aos militares e a todos os patriotas que os apóiem, a quem acusarão de golpista e de saudosistas da Revolução de 1964, a que têm o desplante de chamar de ditadura militar.

Esses pseudo-salvadores da pátria e falsos defensores dos pobres e das minorias sempre atribuem aos outros a culpa pelo mal que fizeram ou pretendem fazer.

Não é nossa intenção repetir aqui todas as inconstitucionalidades e violências contra a democracia brasileira e os direitos fundamentais dos nossos cidadãos contidas no decreto, que já foram muito bem expostas nos excelentes artigos daqueles que nos antecederam.

Apenas, para que os nossos leitores recordem a gravidade desse documento que pretende manter, jungidas ao governo, instituições de Estado e entidades privadas – como a Justiça; as Forças Armadas; os meios de comunicação; as religiões; o ensino; as empresas – selecionamos duas cartas publicadas no jornal O Globo de 12 de janeiro:

"O Programa Nacional de Direitos Humanos me parece um pesadelo bem real. Se ele já estivesse em vigor, ao manifestar aqui meu desagrado sobre alguns itens, poderia ser perseguida, tendo em vista que minha mensagem será censurada. Se eu sair com minha cruz no pescoço, que uso desde criança, vou ostentar símbolos religiosos. Ao condenar a prostituição, estarei sendo preconceituosa com uma profissão legalizada. Se possuir algumas terras e, por alguma dificuldade financeira, não puder plantar nada, minha propriedade será invadida e não vou ter direito à reintegração de posse. Concluo que o melhor mesmo é ser ignorante, não manifestar nada, não ter religião, ser prostituta e pertencer a grupos que invadem terras alheias. Só assim vou ter meus direitos garantidos." CÉLIA PAULA BORGES, Rio.

"O Programa dos Direitos Humanos é mais uma tentativa de consolidar aqui uma ditadura civil nos moldes da Venezuela bolivariana. Com a clara intenção de rever a Lei da Anistia, acabar com o agronegócio, amordaçar a imprensa, extinguir o direito de propriedade, dentre outras barbaridades inconstitucionais, Paulo Vannuchi preparou com os demais ex-parceíros da subversão armada uma aloprada miniconstituição que se propõe a substituir nossa Carta Magna. Tanto a tortura quanto o terrorismo são crimes inafiançáveis e imprescritíveis, conseqüentemente não serão penalizados apenas os torturadores, como imaginam os comitês populares que pretendem substituir a Justiça." SERGIO VILLAÇA, Recife, PE.


"Vox populi, vox Dei!"

Por tudo isso, confirmamos que as nossas dificuldades não são militares. Estamos diante de uma crise política e institucional sem precedentes, que envolve todos os poderes, setores e atividades da Nação, que ficarão, se depender do governo federal, a ele submetidos, sob o pretexto de defesa dos direitos humanos, direitos esses que são as maiores vítimas desse maldito decreto inconstitucional.

As versões:

Os militares foram os primeiros a reagir contra mais essa investida. Inicialmente, noticiou-se que, os Comandantes Militares e o ministro da defesa haviam pedido exoneração de seus cargos, em conseqüência do que, o presidente teria prometido rever o decreto (que assinara sem ler!). Segundo Jobim o presidente garantira que não haveria revanchismo.

Em seguida, novas versões afirmavam ora que seria suprimido do texto a referência ao exame das violações dos direitos humanos, ora que também seria incluída a investigação das violações praticadas pelos guerrilheiros.

Mais tarde, dizia-se que Jobim estava "negociando", uma solução que atendesse as duas partes, que fosse boa para as esquerdas e para os militares, como se isso fosse possível.

Com o passar do tempo, outros segmentos da sociedade foram tomando conhecimento dos graves riscos que o decreto impunha à nossa cambaleante democracia, e começou a aparecer uma avalanche de contestações.

Algumas agências de notícias passaram a divulgar que, diante desse fato novo, o presidente teria decidido suprimir várias partes do decreto, entre as quais, aquelas que tratavam da eliminação das restrições ao aborto, do casamento entre homossexuais com a possibilidade de adoção de crianças e da restrição ao uso de símbolos religiosos em lugares públicos. Outras chegaram a noticiar a revogação total do decreto.

As esquerdas se assanharam e grupos radicais manifestaram apoio ao plano.

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia, Lula se escondia da crise, enquanto poluía uma unidade militar da Bahia com a sua presença inútil.

De volta ao palácio, nada fez do que supostamente prometera. Como era de se esperar, a única alteração que introduziu no decreto foi aquela tal solução "que seria boa para as esquerdas e para os militares": a supressão inócua da expressão, "no contexto da repressão política", da parte que trata do exame das violações dos direitos humanos. Supressão inócua, sim, porquanto, embora possa parecer aos ingênuos que se ampliou o espectro das investigações com a inclusão dos terroristas de esquerda, isso jamais ocorreria, pois quem vai administrar a execução do decreto são eles mesmos, para os quais nem as proibições explícitas das Leis e da Constituição constituem óbices para as arbitrariedades que praticam, quanto mais um decreto de sua própria lavra.

Além disso, desde quando comunistas cumprem acordos? Acordos, contratos, ética, valores, princípios, leis, constituições somente obrigam as pessoas honestas e normais. Os bandidos e os psicopatas são imunes a tudo isso.

Os erros.

Infelizmente, muitas das vozes de protesto que se têm insurgido apenas se preocupam com os ataques que ameaçam os seus próprios setores, fingindo ignorar o perigo iminente que paira sobre todos.

Aceitar essa alteração insignificante é mais um erro gravíssimo que cometemos, principalmente, porque nos isolamos, deixando a impressão de que resolvido o nosso problema (que, como sabemos, não foi), as ameaças à sociedade como um todo nada significariam para nós. Devemos ter em mente, ainda, que foi justamente o somatório desses erros que nos levou a esta situação insustentável, da qual jamais sairemos enquanto persistirmos nessa mesmice de leniência e falta de firmeza. Ninguém respeita o fraco, e o forte que descrê do seu poder ou se deixa intimidar somente colherá desprezo.

Mais uma vez, fomos vítimas da mesma técnica. Sempre que os abusos socialistas ultrapassam de muito os limites do suportável e provocam alguma resposta, eles fingem que vão ceder ou simplesmente ignoram a reação, à espera de que o tempo desgaste os seus opositores.

Nós, por outro lado, em vez de potencializarmos as pequenas crises que raramente criamos, gerando fatos políticos novos a cada dia, aguardamos, passivamente, o fortalecimento do inimigo, enquanto nós mesmos nos desmilingüimos cada vez mais, para, por fim, aceitarmos, como se fora uma grande vitória, a primeira concessão cosmética que nos façam. E tudo continuará como antes, ou seja, muito pior do que estava.

O que virá?

O problema está resolvido, disse Jobim, como dissera quando capitulara diante da reação do Alto-Comando do Exército às suas bravatas iniciais. Mais uma vez capitulou.

A questão está longe de ser resolvida, e nos imporão esse decreto goela abaixo a não ser que o impeçamos, opondo-lhes força muito maior do que a deles.

O presidente teria dito não entender a celeuma que se criou em torno do seu decreto, uma vez que quase todos os pontos polêmicos dependem de aprovação do congresso, o que dificilmente aconteceria. Ora, todos sabemos que o governo faz aprovar tudo o que quer, já que tem um poder coator e corruptor sem limites. E se não pretende aprovar essas medidas, por que não revoga pura e simplesmente essa porcaria?

Enganam-se, redondamente, os pobres e as minorias que neles acreditam.

Quando esses socialistas bolivarianos do século XXI tiverem o poder absoluto, a primeira coisa que farão é cercear toda e qualquer liberdade que ainda exista.

Os pobres passarão a miseráveis escravos, cujo único direito será trabalhar de sol a sol, para sustentar a nomenclatura petista balofa, ociosa e esbanjadora.

As minorias perderão todos os "direitos" concedidos pelas esquerdas, assim como todos aqueles conquistados anteriormente. É impossível ser livre pela metade. Como se poderia imaginar uma pessoa sexualmente livre, sem ter quaisquer direitos políticos, econômicos, sociais ou religiosos? A liberdade sexual pressupõe, ainda, a liberdade de ir e vir, mas tal direito se resumirá a ir, no início da manhã, do barraco coletivo miserável (se o tiver), para o trabalho, e vir, deste, de volta ao barraco, no fim do dia.

Os empresários terão as suas empresas expropriadas e, com sorte, poderão receber um salário único – que será muito pior do que o mínimo de hoje – por um emprego aviltante qualquer.

Os militares mais antigos e os que não se sujeitarem a funcionar como milicianos, sob a chefia do comissário militar do partido, serão presos, sob a acusação de tentativa de golpe, de inimigos do Estado ou do povo, enfim, de qualquer coisa assim, e terminarão por ser eliminados. Se "os tempos mudaram" e não tiverem a força suficiente para matá-los por outros meios, deixarão que morram de fome, depois de viverem dias de humilhação, tortura e terror.

Os políticos adesistas, como todos os outros já citados, perderão as suas mordomias, já que estas estarão todas reservadas para os integrantes do partido único. Como os empresários, terão sorte se conseguirem um dos tais empregos aviltantes remunerados com o já referido salário único.

Nós estamos exagerando? Não, estamos, simplesmente, expondo o que aconteceu em todos os países onde comunismo foi imposto.

Isso jamais aconteceria no aqui! É o que diziam, enquanto nada faziam, quase todos os cidadãos das nações que sucumbiram a essa praga, quando estava sendo implantada.

O que fazer?

O lançamento desastrado e insistente desse plano só pode indicar que os nossos governantes estão desesperados diante da perspectiva de que mudanças políticas lhes comprometa a finalização do projeto de suas vidas, mas têm a certeza absoluta de que o povo brasileiro já está de tal forma alienado, que o processo de implantação da ditadura comunista pode ser acelerado por meio de fatos consumados, sem que haja qualquer reação significativa.

É inacreditável que a maioria dos brasileiros não tenha percebido ainda o desastre que está para abater-se sobre eles, mesmo que aquilo que os algozes pretendiam e estão realizando tenha sempre sido anunciado em documentos diversos e páginas da Internet do próprio governo e de partidos e outras instituições que o apóiam e são por ele financiados, obviamente, com dinheiro público.

Desta vez a divulgação foi muito mais explícita e a repercussão tão grande que provocou um clamor generalizado contra o referido plano que põe em risco a liberdade de todos e ameaça definitivamente o que ainda existe de democracia no Brasil.

Se eles partiram para o tudo ou nada, que fiquem com o nada!

Seria outro grande erro desperdiçarmos mais esta oportunidade.

Há poucos dias, lemos um excelente artigo sobre o tema, intitulado "Lula e as Cobras Criadas", no qual o autor, o Dr. Emílio Nina Ribeiro, indaga ao final:

"Até quando, abusarão da paciência deste povo sofrido?"

Responderemos sem hesitar: até quando e tão somente até quando nós o permitirmos.

Espontaneamente, eles jamais desistirão desse projeto criminoso no qual vêm trabalhando intensamente, no Brasil, pelo menos, desde 1935.

Faz-se, portanto, imperioso abandonarmos os papéis passivos de vítimas e de espectadores, para recobrarmos a condição de agentes determinantes no curso da História.

Devemos isso ao nosso povo.


Luís Mauro Ferreira Gomes, é Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira.









Publicado no site "TERNUMA – Terrorismo Nunca Mais".
Terça-feira, 19 de janeiro de 2010.






UM TEMA, DUAS VISÕES.





Saturday, February 28, 2009

O único objetivo destes derrotados é denegrir o conceito das FFAA junto à população.
"Governo prepara comercial com parentes de desaparecidos".










































































Ministro sugere que famílias questionem Lei da Anistia
matéria do jornal Zero Hora de Porto Alegre

Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi pediu ontem que vítimas da repressão do regime militar, familiares e entidades de classe se organizem para propor ações judiciais em massa questionando a abrangência da Lei de Anistia.

Em uma solenidade no Rio, ele propôs que a sociedade intensifique a pressão para que documentos e informações sobre o paradeiro de desaparecidos sejam revelados e informou que o governo prepara uma campanha publicitária com familiares.

– Casos como os de Rubens Paiva e Stuart Angel não podem ser abandonados. Essa informação (o paradeiro deles) tem de aparecer – discursou Vannuchi na abertura da 8º Anistia Cultural, que julgou pedidos de indenização de 21 estudantes banidos de universidades durante a ditadura.

Vannuchi informou que os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação) devem lançar até maio o sistema de acesso a dados de 14 arquivos estaduais, chamado Projeto Memórias Reveladas, com um edital que convoca donos de acervos particulares a transferir documentos para arquivos públicos. Segundo o ministro, Martins prepara uma comercial de TV em que aparecerão mães ainda vivas de desaparecidos políticos segurando fotos dos filhos e dizendo que não querem morrer sem saber o paradeiro deles.

Para Vannuchi, só a "saturação" provocada por um grande volume de processos mostrará ao Supremo Tribunal Federal (STF) que há uma demanda da sociedade por uma nova interpretação, sem o perdão a torturadores, da Lei de Anistia, que completa 30 anos em agosto.

Até agora, o entendimento que prevalece é o de que os militares envolvidos em violações não podem ser processados por terem sido anistiados pela lei de 1979 como os militantes de esquerda que pegaram em armas, embora não tenham sido submetidos a qualquer processo investigatório que os identifique.

– Na Argentina, Uruguai e Chile os familiares criaram centenas de ações. No Brasil, temos três, quatro, meia dúzia – argumentou.

Para ele, talvez as vítimas da ditadura e seus familiares tenham subestimado a Justiça. Em entrevista na saída do evento, Vannuchi disse que sua secretaria e o Ministério da Justiça continuarão o debate interno no governo até uma posição do STF.


Publicado no jornal "ZERO HORA".
Sábado, 28 de fevereiro de 2009.



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SOS JUSTIÇA ELEITORAL – Maria Lucia Victor Barbosa





Saturday, August 09, 2008

LULISMO: UMA AVENTURA INSANA E DEVASTADORA

Para cada ano desse "desgoverno", o País precisará no mínimo de cinco anos para voltar aos "trilhos".
A "conta" hoje já beira os 30 anos, quanto mais do futuro do Brasil estamos dispostos a comprometer?

Foto: Óleo sobre tela "The Parade" de John Alexander.




















Click AQUI se desejar ver a imagem no tamanho original (1262 x 587)


"(...) Fora com os golpistas. Já tiveram um segundo mandato. Querem um terceiro e não vão levar!"
(Parte da palestra proferida pelo ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Waldemar Zveiter, no dia 07 de agosto p.p., no Clube Militar, sobre "A Lei de Anistia – Alcance e Conseqüências")

Palestra no Clube Militar
por Fenix

A frase do ilustre Sr. Waldemar Zveiter, carregada de indignação com o atual governo, traz implícita duas considerações.

A primeira ja dita é a indignação com a adiministração petista e a segunda é a afirmação que o golpe do terceiro mandato não será tolerado.

No entanto, soa também como uma espécie de negociação: toleraremos o segundo mandato em troca da desistencia do terceiro. Mas porque se conformar e tolerar o término do segundo mandato?

Se for por causa da "democracia", temos dispositivos legais e motivos suficientes para o impedimento do presidente, considerados os dois mandatos, sem com isso arranhar a "democracia". Fica a impressão de um acordo tácito e velado, onde as duas partes não participaram.

Para a nação brasileira não interessa a continuidade desse sistema "democrático", este sim, uma metamorfose ambulante, que se amolda aos interesses do presidente de plantão. Quanto mais perdurar o governo envolvido com o crime organizado, maior será o prejuízo para o país, e maiores serão as dificuldades para corrigir os erros.

Já temos um Legislativo imprestável e sob suspeita. No mesmo caminho vai o Judiciário. O que temos a perder?

Mais temos a perder se tolerarmos o término do segundo mandato.

Não é prudente ser civilizado no trato com selvagens.


Fenix é membro do Grupo Guararapes.

Publicado no site do "Grupo Guararapes".
Sábado, 09 de agosto de 2008.




Omissão Imperdoável e Reação Heróica – Cel Av Luís Mauro Ferreira Gomes






Tuesday, September 04, 2007

Atenção "milicos"! Os comunos-petistas querem lhes arrastar a um
Tribunal de Nuremberg dos perdedores. Preparem os pescoços!




































O ridículo dessa gente não conhece limites
por Reinaldo Azevedo

Um texto de Marcos Nobre, articulista da Folha, me deixou cheio de energia já nesta manhã, fim da noite para mim. Por isso decidi dialogar com ele. Vocês sabem: aqueles meus diálogos em vermelho e azul, que não requerem a concordância do interlocutor. É um diálogo de textos. Vamos lá? Ele vai em vermelho, e eu, em azul.

QUANDO SE mistura política e militarismo, a democracia costuma balançar. Foi o que se viu na nota do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O texto considera que colocar em questão a Lei da Anistia importaria em "retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas". Nobre é filósofo, chegado a dissecar o sentido das palavras. Sabe que a sua primeira frase é uma generalidade tola, no conceito e na aplicação. A história das democracias se confunde com a história dos militares. Desde a Grécia. Como verdade genérica, é bobagem. Como verdade particular, é mentirosa. Os militares brasileiros emitiram uma nota, e a democracia está onde estava.

O lapso gramatical ("retroceder a" significa "voltar a") não é importante por si mesmo, mas por levantar dúvidas sobre a posição que o Exército entende ter na democracia brasileira. Afinal, por que o simples "colocar em questão" de uma lei destruiria "a paz e a harmonia nacionais"? *** Casa de ferreiro, espeto de pau, se diz lá em Dois Córregos. Nobre tenta ver num erro de regência um ato falho. Besteira. Até porque a terceira palavra de seu texto traz um erro de concordância. O certo é "quando se MISTURAM política e militarismo". O que o erro dele significa? A exemplo daquele dos militares, nada de especial. Só ignorância das regras. Um erro de gramática, às vezes, é só um erro de gramática.

A criação do Ministério da Defesa, sob o governo FHC, foi um avanço importante. Mas, até agora, apenas no papel. O ministro Nelson Jobim, como todos os anteriores, não tem poder nem mesmo sobre a Anac. Quando diz "o comandante sou eu", está apenas fazendo uma bravata. Avanço só no papel não é, então, importante. Diabos! O que está acontecendo com os nossos filósofos? Nobilíssimo também ignora o funcionamento da máquina pública, apesar de sua celeridade judiciosa sobre o assunto. O que a Anac — AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL — tem a ver com os militares? Mais: ela foi criada pelo governo Lula. Até o governo FHC, havia o DAC — este, sim, comandado por um militar. Os titulares da Anac são indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Subordiná-la à Defesa é matéria de emenda constitucional.

O confronto em torno do livro-relatório oficial "Direito à Memória e à Verdade" foi ele mesmo uma sucessão de bravatas. O ministro diz que "não haverá indivíduo que possa reagir", o Exército reage e o ministro recua, posicionando-se contra a revisão da Lei da Anistia. Nada de importante aqui a não ser a óbvia intenção dos apologistas do livro de rever a Lei de Anistia. Fica evidente que o dito-cujo era só um pretexto. Querem porque querem fazer a história recuar 30 anos — mas para punir apenas um dos lados, é claro.

Para arrematar, o ex-presidente do STF disse que esse era um "problema do Judiciário". As vítimas da ditadura de 1964 e seus descendentes recorreram ao Poder Judiciário como instância reparadora porque não conseguiram por outro modo que integrantes das Forças Armadas viessem enfrentar no debate público as acusações que lhes são dirigidas. Mas nem mesmo aí conseguem esse objetivo elementar de qualquer democracia porque o recurso aos tribunais militares está sempre à mão para bloquear a discussão pública. Militar não tem de "enfrentar debate público" nenhum, rapaz! Tem de se ater à sua missão constitucional — e ser levado ao tribunal depois de anistiado não está, definitivamente, entre as suas obrigações. Claramente, ele não sabe do que trata. A que recurso a "tribunais militares" ele se refere? Por qual caminho essa questão transitaria por um tribunal militar?

A nota do Alto Comando afirma que, ao longo da história, "temos sido o mesmo Exército de Caxias". Mas não explica como um duque inteiramente comprometido com a monarquia em 1865 pode expressar o mesmo Exército de Deodoro e Floriano na proclamação da República ou de Góes Monteiro, sustentáculo da ditadura do Estado Novo. Ou de Lott, que, em 1955, garantiu a posse de JK, ou dos generais golpistas de 1964. Ao se entender assim, o Alto Comando se recusa a refletir em público sobre a sua própria história e sobre os diferentes papéis que desempenhou ao longo do tempo. Na sua salada exemplar, nega o seu próprio ponto de vista. Não seria difícil de provar que o Marechal Lott deu um "golpe" em 1955 — mas, claro, um golpe considerado "do bem". Os vários exemplos que estão acima indicam que os militares sempre tiveram participação ativa na vida política brasileira. Faz parte da construção da nossa história. Por mais que seja grande a tentação, não dá para voltar a fita. Cumpre não criar situações artificiais de confronto que possam chamá-los de volta à cena, ainda que por meio só da retórica.

A nota diz que "os fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas". Falta agora que o Exército venha a público dizer qual é a sua, se é que há mesmo uma única interpretação no interior da corporação. Enquanto as Forças Armadas se recusarem ao diálogo franco e aberto, não há perspectiva de alcançar a "paz e a harmonia" que também desejam.Os militares já disseram, sim, qual é a sua. Aliás, Nobilíssimo, eles o fizeram de forma dramaticamente evidente. O que quer o nosso filósofo? Ver general batendo boca na ágora? Mas isso é tudo o que eu não quero e, suponho, o que qualquer democrata também não quer.

Agora fica evidente: desde o primeiro momento, esse livro — que, ademais, não acrescenta uma vírgula ao esclarecimento do caso — era só um cavalo-de-batalha da tese revanchista. O estado brasileiro já assumiu a responsabilidade pelos excessos do regime militar — e, diga-se, assumiu-os também em excesso. Criou-se no país a indústria da reparação. Nesse particular, o "socialismo" dos valentes foi bem-sucedido. Todos já pagamos R$ 3,5 bilhões em indenizações, e, todo mês, arcamos com outros R$ 28 milhões em pensões.

Considerando que o governo não fabrica dinheiro, essa grana sai de algum lugar: dos impostos que pagamos. Uns decidiram fazer guerrilha urbana; outros foram fazê-la no meio do mato; houve quem optasse pela ação puramente terrorista. Mal sabiam que o socialismo não viria, mas que a ação correspondia a uma espécie de investimento: o estado burguês pagaria um seguro. Já disse o que penso: é preciso indenizar familiares de pessoas que morreram nas dependências do estado e indivíduos que foram torturados. E só eles. Acontece que as tais reparações já atingiram 17 mil pessoas. E há outras 30 mil reivindicações. É uma piada.

Mas a fajutice intelectual e moral parece não ter mesmo limites. Vende-se agora que se tratou de uma luta entre os combatentes da liberdade e os homens do mal. Esta não é uma historia do Lobo Mau, apesar dos muitos Chapeuzinhos Vermelhos. Alguns petralhas mandam e-mails irados me indagando — e ofendendo junto — como posso afirmar que os comunistas, se tivessem vencido, matariam muito mais. Claro que posso. É uma questão de experiência história. Vejam o que eles fizeram nos países onde venceram. Por que seria diferente no Brasil? Só porque nós falamos português e dançamos samba? Aliás, em 1935, os comunistas deram uma pequena amostra de seus métodos. Mataram 28 soldados inocentes numa única madrugada. E sem luta: alguns estavamo dormindo. Isso, que é verdade e não mito, foi transformado pela esquerda em "propaganda direitista". Luiz Carlos Prestes e Olga Benário, dois articuladores dos assassinatos, entram para a galeria dos heróis. Os métodos de santificação do crime continuaram e continuam os mesmos.

O jovem idealista José Dirceu já confessou, não é? O Alain Delon da PUC andava com o trabuco. Para fortalecer a democracia? O PC do B se embrenhou na mata pra quê? Por eleições livres e diretas? Lamarca e Marighella queriam o quê? Um homem, um voto mais alternância de poder? Por que é preciso submeter os comunistas a uma idealização? Por que é preciso lavar a sua reputação, livrando-os da própria história? Eu tenho uma resposta! O esforço nem busca tanto mudar o passado e apagar os crimes idos; trata-se só de uma mistificação — cavernosa, mórbida, macabra — para justificar os crimes que a esquerda comete no presente. Pensando bem, por que Marcos Nobre iria escrever sobre o discurso de Lula, que pediu a defesa dos mensaleiros?

PS: Vamos lá, Brasil, rumo à modernidade: vamos rever a Lei de Anistia e reestatizar a Vale do Rio Doce. Quem sabe a gente ainda decida proclamar a monarquia e indenizar os descendentes dos senhores de escravos, que foram expropriados de seu "capital". O ridículo dessa gente não tem limites.


Reinaldo Azevedo é formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo, foi também redator-chefe das revistas República e Bravo!, diretor de redação da revista Primeira Leitura, além de coordenador de política da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "O Globo". Reinaldo atualmente é articulista da revista "VEJA" e escreve o blog político mais influente da rede, "Blog Reinaldo Azevedo". Polêmico, irônico, ferino, Reinaldo Azevedo é autor dos livros "Contra o Consenso: Ensaios e Resenhas", pela Editora Barracuda, do best seller "O país dos Petralhas" e por último "Máximas de um País Mínimo", ambos da Editora Record.





Publicado no "Blog Reinaldo Azevedo".
Terça-feira, 04 de setembro de 2007, 06h09.


Leia mais artigos de REINALDO AZEVEDO no BOOTLEAD:

¤ Raposa/Serra do Sol - Aos ministros do Supremo

¤ Contra o falso óbvio 1 - É Raposa/Serra do Sol, mas pode chamar de Anta do Obscurantismo

¤ Depois daquela foto ou “O dever dos democratas”

¤ A Mídia do Contragolpe

¤ Revanchismo e mitologia esquerdopata querem rever Lei da Anistia

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¤ FAB mancha a sua história com as cinzas de 360 inocentes

¤ O bolivarianismo de Lula: como o PT pretende fazer da Rede Globo a sua RCTV

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¤ Universitário custa DEZ vezes mais do que aluno da escola fundamental em média. Aonde isso nos leva?

¤ Lula quer agora fundar uma religião

¤ O que não suportam na Igreja Católica? A liberdade e a consciência.

¤ A ministra Matilde Ribeiro tem de ser demitida e processada. Agora o rinoceronte arrombou a porta.

¤ STJ referenda madrassas do PT no jornalismo

¤ Foi um vexame: a "Síndrome Motorista de Táxi" derrubou Lula




Wednesday, August 29, 2007

FFAA: Agora só falta arriar as calças.



























Próximo ato dos canalhas comunistas: Ordenar ao Gen Enzo Peri a condecorar "Post Mortem" o "bravo cumpanheiro" Carlos Marighella com a "Medalha da Ordem do Mérito Militar". A condecoração será recebida pela não menos "brava cumpanheira" Clara Charf diretamente das mãos do Gen Peri, em uma alardeada solenidade no Palácio do Planalto, com a presença do (????). Isso se o assassino vagabundo também não for promovido à "General-de-Exército Honorário", com todos os direitos pertinentes ao posto, principalmente $$$$. E ai de alguém que ouse contestar, terá que se entender com o "general" Jobim, que já mandou o recado: "Não haverá indivíduo que possa a isso reagir, e se houver terá resposta". É esperar para ver, quem manda mais se os Cmts das FFAA ou o falsificador da "Constituição" e rábula do Zeca Diabo Dirceu? É preciso não confundir "obediência à Constituição", com "condescendência com a humilhação".
Bootlead


ORDEM UNIDA
por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Nos Manuais de Ordem Unida, encontramos as várias posições que o militar adota, seja quando em formação, ou mesmo só. Assim, as posições de "sentido", "descansar" e um punhado de outras, são praticadas à exaustão, mesmo por que, como sabemos, a Ordem Unida é um instrumento complementar válido para o forjamento da disciplina castrense. Contudo, creio que os manuais e regulamentos omitem uma posição que a muito deveria estar embutida no cotidiano militar, uma vez que, aparentemente, já faz parte do seu imaginário. Refiro – me à "posição de quatro".

De preferência de olhos bem fechados, para não ver o que vai acontecer.

Na recente história da Instituição, invariavelmente em pequenas doses, mas não menos dolorosas ou em maciças doses cavalares (comumente, anuais), "de quatro", a Instituição é atropelada (?) por acusações explícitas, com origem nos órgãos do governo, quando não do próprio governo que, virtualmente, recomenda - se, é preciso adotar a corajosa "posição de quatro", para não ver e sentir o estrago.

Esta reflexão decorre em razão do Relatório de 500 páginas elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, denominado "Direito à Memória e à Verdade", que acusa os integrantes dos órgãos de repressão da ditadura militar (1964/1985) de decapitar, esquartejar, estuprar, torturar, ocultar cadáveres... O lançamento do Relatório será na próxima quarta – feira, no Palácio do Planalto em cerimônia oficial, e contará com a presença do "magnânimo – mor". O documento atinge em cheio a honra e a dignidade de Chefes Militares e das Forças Armadas. Entretanto, pelo silêncio que se segue a tais ataques, pela modorra, pelo descaso, pelo ar de "deixa disso" ou "deixa pra lá", pode parecer aos desavisados, que a intenção daquele calhamaço é vilipendiar os militares e suas instituições que vivem, ou viveram alhures, um lugar desconhecido e incerto situado na vasta galáxia celestial. Assim sendo, não é conosco.

Portanto, o melhor é incorporar a máxima do insigne colunista do passado, Ibrahim Sued, que sentenciava "os cães ladram e a caravana passa". A nossa caravana, lamentavelmente, perdida no deserto, perdeu sua bússola, rumo e siso, e sacrificou o último camelo.


Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.








Publicado no site "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Sábado, 25 de agosto de 2007.




Revanchismo e mitologia esquerdopata querem rever Lei da Anistia
por Reinaldo Azevedo

"Está previsto para hoje, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula, ex-preso político, e de vários ministros, o lançamento do livro "Direito à Memória e à Verdade", cujas páginas registram o perfil dos mortos e desaparecidos sob a ditadura militar brasileira. A obra resulta de cuidadoso trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, presidida pelo advogado Marco Antônio Rodrigues Barbosa. Editada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República nesta gestão do ministro Paulo Vannuchi, é, com certeza, o mais importante documento histórico sobre os anos de chumbo desde a publicação de "Brasil: Nunca Mais", assinado pelo cardeal d. Paulo Evaristo Arns, hoje arcebispo emérito de São Paulo, e o reverendo Jaime Wright."

Assim começa Frei Betto o seu artigo na Folha desta quarta. Opinião é como intestino: todo mundo tem. E a democracia, onde há democracia (não é o caso da Cuba de Fidel Castro... e de Betto), garante a sua expressão, o que é ótimo para o regime de liberdades públicas, mas nem sempre a verdade sai ganhando. Tá bom. Podemos pagar o preço de uma impostura ou outra para ter um regime democrático. Mas elas precisam ser denunciadas.

Uma das mentiras esquerdopatas que costumam triunfar é a de que a história é sempre contada pelos vencedores. Não é regra. Às vezes, sim; às vezes, não. Leiam, por exemplo, Os Doze Césares, de Suetônio. Os mandatários romanos não aparecem ali fazendo, necessariamente, um bom papel. Nem A Ilíada, que é literatura (e, pois, também história), é sempr airosa com os gregos — Heitor, o vencido, é uma grande personagem. Muitas vezes, a crítica vem embutida no próprio elogio. David, o pintor, puxando o saco de Napoleão, fala muito mais do temperamento do baixinho invocado do que seus inimigos. Essa conversa de que é preciso contar a história dos vencidos é pura mistificação submarxista. Marx, aliás, um quase-helenista, morreria de rir dessa tolice. Até porque o discurso histórico também é história. Supor que haja dois pontos de vista apenas — o do vencido e o do vencedor — é flertar com a tentação de haver um juiz da história, que venha a desempatar a contenda. Coisa de mulas intelectuais e de totalitários.

Pedem-me que comente a iniciativa da Secretaria Nacional de Direitos Humanos de publicar o tal livro, mais um, com o relato dos horrores da tortura durante o Regime Militar. É coisa do secretário Paulo Vannuchi. Um anterior, Nilmário Miranda, tem a sua própria obra a respeito: Dos Filhos Deste Solo, em parceria com o jornalista Carlos Tibúrcio. Quem sabe o próximo se dedique à mesma iniciativa... Vejam só: se há fato histórico em que a versão vitoriosa é a dos vencidos, é este. A esquerda perdeu a batalha, mas ganhou a guerra de propaganda. Escrevi um artigo sobre isso na extinta Primeira Leitura. Neste blog, tratei do assunto no dia 18 de julho do ano passado. Esta tese é minha. No caso do golpe militar de 1964, até agora, só os vencidos deram a sua versão porque amparados, olhem que coisa!, em sua suposta superioridade moral.


É o habitual

É o único caso em que o vencido é o vencedor? Não. No Ocidente, especialmente depois que a academia e os meios de comunicação foram ocupados pela cultura da contestação, isso é uma constante. O aparato analítico da esquerda, no entanto, fazia-se presente na história das idéias muito antes. Já escrevi aqui também: até hoje, os assassinos de Robespierre são exaltados como verdadeiros heróis dos direitos do homem. As melhores conquistas da chamada Revolução Francesa foram obra de conservadores, o que é solenemente omitido tanto na França como no Brasil. O único historiador que conseguiu furar o bloqueio da "mentira dos vencidos" com razoável sucesso foi François Furet. Parte da historiografia brasileira se dedica a resgatar a memória dos "vencidos" mesmo que sejam notórios bandidos, como é o caso do ditador paraguaio Solano López, visto como um "socialista" endêmico destruído pela brutalidade dos brasileiros. E quem diz isso? Brasileiros, ora essa. Em matéria de estupidez, a nossa academia não tem preconceitos.

Mas volto lá ao tal livro. Eu vinha evitando o assunto porque já escrevi muito a respeito. Se vocês acessarem o Google e botarem lá palavras-chave como "Reinaldo Azevedo indenização pensão esquerda terrorismo", verão quantas vezes já escrevi a respeito dessa história. Quem, comprovadamente preso, foi vítima de maus tratos tem mesmo de ser indenizado — ou alguém da família no caso de morte. Quem optou pela luta armada ou pelo terrorismo (em suma: deliberadamente, pegou em armas para derrubar o governo) fez uma escolha consciente. Se morreu na batalha, pagou o preço de uma opção. Poderia ter matado. E alguns mataram. E também não sou sensível à falácia de que a guerrilha e o terror eram a última saída. Não eram. Ou seria preciso abolir todas as outras formas de resistência que houve. Mais: essa hipótese se sustenta em outra mentira, combinada com a anterior: a decisão de promover a luta armada seria posterior à decretação do AI-5. Foi anterior.

Ora, qual é o sentido de se fazer um novo livro sobre os mortos, carregando agora, mais do que antes, na descrição dos horrores a que teriam sido submetidos? E fazê-lo com patrocínio oficial, quando o estado brasileiro já admitiu, como ente legal, as suas culpas, pagando uma indenização bilionária? Sim, o que Frei Betto e seus serviçais na mídia escondem é que as indenizações às "vítimas" do Regime Militar já custaram R$ 3,5 bilhões aos cofres públicos. A cada mês, as pensões somam outros R$ 28 milhões. Eles quiseram implantar o comunismo no Brasil, e nós pagamos o pato. Já foram concedidas 17 mil reparações, 13 mil foram rejeitadas, e ainda há outras 30 mil na fila.

Lula, que Frei Betto chama de "preso político" (este apoiador de Fidel Castro não tem mesmo nenhum senso de ridículo), é um dos pensionistas. No mundo inteiro, é verdade, os "vencidos" de carteirinha lutam para contar a sua versão dos fatos. Só que, no Brasil, eles decidiram passar primeiro no caixa. Parênteses: o discurso da "versão dos vencidos", com que se tenta enobrecer o livro, seria um argumento muito interessante num tribunal. Não é legítimo supor que, uma vez "vencidos", usam a sua narrativa extremada como mais uma arma contra o inimigo, agora a retórica — quiçá a imaginação?


Lei de Anistia

A Lei de Anistia é de 1979. Qual foi o seu sentido? Justamente eliminar esse discurso de "vencidos" e "vencedores" e impedir, para usar uma expressão da época, o afloramento do "revanchismo". A maioria das correntes de esquerda, diga-se de passagem, endossou essa perspectiva. E notem bem: não faltou, na linha dura militar, quem alertasse para o fato de que a lei seria apenas o primeiro passo da revanche, que viria mais cedo ou mais tarde. Tais setores argumentavam — e não sem razão — que, estivessem invertidos os papéis, e as esquerdas não lhes dariam a chance do perdão. A julgar pela experiência histórica do comunismo, viria mesmo é o paredão para os que então estavam no poder e para milhões de outros brasileiros.

O livro a ser lançado hoje cita 475 casos. O de Nilmário, 424. Não li o de agora. O outro era bastante generoso nos critérios para atribuir mortos e desaparecidos ao Regime Militar. Nem sempre a vinculação fica clara. Seja um número ou outro, Fidel Castro, o guia moral de Frei Betto, riria da brandura da ditadura brasileira. O que eu acho? Uma barbaridade, é óbvio. Com uma diferença: eu deploro as duas ditaduras; Betto, apenas uma.

Resistindo à linha dura, felizmente prosperou a corrente que propugnava em favor da abertura política, e o país pôde, então, caminhar para a conciliação e para uma transição pacífica do Regime Militar para a democracia. Reavivar agora aquelas contendas serve a quais interesses? Se o governo Lula patrocina um livro como esse, embalado por forte propaganda, poderia muito bem ter atuado, por meio da comissão que cuida do assunto, para tentar localizar corpos que ainda não tenham sido encontrados. Em vez da eficácia, busca-se, no entanto, a propaganda. E os promotores de tal iniciativa mal escondem a intenção de levar os anistiados "do outro lado" para o banco dos réus.

Escreve Frei Betto:
"A nação, entretanto, tem o direito de resgatar a sua memória e corrigir aberrações jurídicas como a "anistia recíproca" do governo Figueiredo. Inútil querer impedir que as famílias pranteiem seus mortos e clamem por seus entes queridos desaparecidos. E, a exemplo do Chile e da Argentina, o princípio elementar do direito exige que crimes, sobretudo aqueles cometidos em nome do Estado, sejam investigados, e seus responsáveis, punidos, para que a impunidade não prevaleça sobre a lei nem se perpetue como tributo histórico."

Há, aí, dois truques sujos no que respeita à retórica e à história. "Resgatar a memória" — e os corpos — é uma coisa. Rever a "anistia recíproca" é que é uma aberração. Andaram bem, no passado, os que assaltaram bancos, promoveram o terrorismo, a guerrilha e também mataram? Até onde chega a paixão de Frei Betto pela revisão da história? O segundo truque é equiparar a ditadura militar brasileira à argentina ou à chilena. A primeira matou 30 mil pessoas; a outra, 3 mil — com populações muito menores do que a brasileira. Naqueles países, a ditadura deixou uma chaga social; no Brasil, felizmente, não. Ah, claro: por mil habitantes, o campeão em mortes, prisões e exílios é o ditador Fidel Castro, o amigo de Frei Betto.

Matou ou não?

Indagado pela revista Playboy se já matou alguém, José Dirceu não quis responder. Deixou para o futuro, para as suas memórias. Eu, por exemplo, posso dizer: nunca matei ninguém. É bem provável que quem me lê também não. E outras tantas figuras do governo e da base aliada que participaram da luta armada e de ações terroristas? Eles têm ou não as mãos sujas de sangue? Em alguns casos, é quase fatal supor que sim. Mataram em nome do quê? De uma causa? A causa do comunismo era moralmente superior à do combate ao comunismo? Ou terão a cara-de-pau de dizer que seus assassinatos ajudaram a construir o regime democrático no Brasil?

Os "vencidos" já venceram e já contaram a história do seu jeito. Partidários óbvios de um regime facinoroso, estão por aí fazendo as vezes de combatentes da liberdade. O livro é só uma peça a mais no proselitismo vitimista, que busca ajustar contas com o passado. E que governo o promove? Um capaz de se meter numa conspirata — não com um, mas com dois ditadores (os amigos de Betto) — para devolver dois pobres pugilistas a uma tirania; a tirania que os "heróis" de si mesmos, sem qualquer apoio popular, queriam implantar no Brasil.

Que interpretação é esta?

Este é um texto de vencido ou de vencedor? Conheci a truculência da ditadura com 15 anos, como estudante secundarista, perseguido por um agente de sobrenome "Olay". Estará vivo ainda? Isso faz 30 anos. Túlio Bulcão, meu professor então, meu amigo ainda hoje, militante do PT, conhece bem a história. Outros que me davam aula também. Eu era socialista? Ainda não exatamente, mas me interessavam as pessoas que diziam coisas que o "sistema" (usava-se muito esta palavra naqueles tempos) não deixava dizer. Quando decidiram me "pegar", era um pretexto para tentar chegar a alguns professores de esquerda — com os quais, de resto, justiça seja feita, eu nem tinha contato. Quando ingressei num grupo trotskista, cruzei com um deles na reunião, e foi difícil saber quem ficou mais surpreso.

Era 1976. Fiquei, é claro, apavorado. Mas não o suficiente para me afastar da "luta", à qual dediquei alguns anos. Até entender, ainda bem que a tempo, que aquilo que eu buscava era a democracia, não o socialismo — descoberta que não se faz sem alguma dor e sem alguma perda. Mas isso não interessa agora, e não há qualquer risco de eu me tornar um sentimental nesta questão. O que penso hoje, e já há muitos anos, da esquerda, vocês sabem. Fiz escolhas intelectuais e morais. Mas também conheço como funciona a racionalização da barbárie e da violência na cabeça de um esquerdista. Este livro é parte de uma representação que procura entronizar santos e exorcizar demônios, contra o sentido da Lei da Anistia. Reitero: buscar corpos ou tentar saber o destino de desaparecidos é coisa diversa de rever a lei, como querem Frei Betto e seus propagandistas. Em tempo: continuam a me interessar as pessoas "contra o sistema".

Finalmente...

A democracia no Brasil não morreu em 1964 porque a direita deu um golpe. Morreu porque não havia quem a defendesse, de lado nenhum. Um governante responsável não teria promovido ele próprio a subversão, como fez João Goulart, incentivado pelos nacionalistas bocós e pelos bolcheviques tupiniquis, que imaginavam que ele pudesse ser o seu Kerensky. Não podia. Era ainda mais idiota. Deu no que deu. O Brasil não merece reabrir uma ferida porque um populista meio vulgar decidiu dar as mãos a meia-dúzia de "vencidos-vencedores" que não conseguem nem superar nem se livrar de suas próprias obsessões.


Reinaldo Azevedo é formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo, foi também redator-chefe das revistas República e Bravo!, diretor de redação da revista Primeira Leitura, além de coordenador de política da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "O Globo". Reinaldo atualmente é articulista da revista "VEJA" e escreve o blog político mais influente da rede, "Blog Reinaldo Azevedo". Polêmico, irônico, ferino, Reinaldo Azevedo é autor dos livros "Contra o Consenso: Ensaios e Resenhas", pela Editora Barracuda, do best seller "O país dos Petralhas" e por último "Máximas de um País Mínimo", ambos da Editora Record.





Publicado no "Blog Reinaldo Azevedo".
Quarta-feira, 29 de agosto de 2007, 05h24.


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