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Friday, February 12, 2010

"Os homens de carácter firme são as colunas mestras da sociedade a que pertencem"

*Atualizações deste post em 13/02/2010 e 14/02/2010 (click nas datas para ver)

Foto: General-de-Exército Maynard Marques de Santa Rosa – (v. "Curriculum Vitae")













































O General Santa Rosa não ficará só
por Luís Mauro Ferreira Gomes

O general genérico Nelson Jobim pediu a exoneração do General-de-Exército Maynard Marques de Santa Rosa, este verdadeiro, e foi noticiado na televisão que o Comandante do Exército concordou com tal pedido. Preferimos nem imaginar que esse apoio pudesse ser possível.

A exoneração, feita por covardes, como sempre, foi divulgada às vésperas de um feriado, desta vez, o carnaval. Com isso, pretendem minimizar a reação que, sem dúvida, virá.

Aliás, esse governo vive em eterno carnaval de indignidades. Essa é, apenas, mais uma: a destituição de um chefe militar por ter dito a verdade, enquanto o seu algoz, fraudador confesso da Constituição, continua impune.

O Gen. Santa Rosa conta com a nossa mais absoluta solidariedade, pois ele simplesmente disse o que todos os militares e civis que têm vergonha pensam.

Da última vez que Jobim foi contestado e pediu a exoneração de membros do Alto-Comando do Exército, foi obrigado a dizer que o assunto estava superado, e tudo ficou como estava.

Se assim não for desta vez, alguma coisa terá mudado para muito pior.

Vamos esperar que a coragem não abandone os nossos colegas da ativa neste momento crítico e que defendam o General com todas as suas forças, até as últimas conseqüências.

Assim, estarão defendendo-se, também. Se todos se unirem, não acontecerá nada a ninguém. Se não o fizerem, estarão cavando a sepultura onde serão enterrados, muito brevemente, um de cada vez.

Os fracos somente conseguem o desprezo de todos. Daqueles a quem bajulam não terão gratidão. Serão descartados sem piedade quando tiverem perdido a utilidade ou se apresentarem outros mais servis para ocupar os seus lugares. Dos seus pares se esconderão, com vergonha de aparecer em público, quando caírem na realidade do ostracismo, depois de perderem a pompa. É muito triste não ter quem lhes trate das feridas depois da derrota.

Esse grupo de terroristas não se manterá no poder por muito tempo. Quando tiverem perdido ou lhes tenham sido tomadas a caneta e a chave do cofre, encontrão o seu lugar na história entre os traidores e os criminosos, e levarão junto aqueles que os tenham ajudado. E isso acontecerá muito mais cedo do que alguns imaginam.

Para quem tem pouca memória, a Redentora Revolução Democrática 31 de Março virou ditadura militar na boca dos aproveitadores de sempre. Quem poderia imaginar, durante o milagre brasileiro, por enquanto esquecido, que assim seria?

O mesmo acontecerá com a ditadura petista, hoje, aparentemente toda poderosa. Os governos de esquerda e seus líderes estão começando a cair na América Latina, como previu Alexandro Peña Esclusa.

Em Honduras e no Chile já se foram. No Uruguai quase perderam. No Paraguai, vão muito mal. Hugo Chávez enfrenta problemas muito sérios e, ou cairá também, ou se transformará em ditador sem disfarce.

Esta é a razão do desespero de setores do governo que querem acelerar o processo de consolidação da ditadura no País, para não correrem o risco de fracassar outra vez, como aconteceu em todas as tentativas anteriores.

Não podemos perder mais esta oportunidade de nos fortalecermos, para abortarmos, depois, o atentado à nossa democracia que está em curso, patrocinado pelo governo federal.

Fraquejar agora seria muito mais do que um erro. Seria um desastre. Não pode ser esse o lugar reservado para os militares brasileiros na nossa história.

Não temos o direito de macular o nome das nossas Forças dessa forma. Como já dissemos anteriormente, deixar para as gerações futuras aquilo que é nosso dever a ser cumprido agora não seria nunca perdoado.

Não nos esqueçamos jamais que, um dia, juramos "dedicar-nos inteiramente ao serviço da Pátria, cuja Honra, Integridade e Instituições, defenderíamos com o sacrifício da própria vida".

Como nunca antes, a Pátria depende de nós.

Deixemos a prudência excessiva e o medo de lado e cumpramos o nosso juramento. É o que o que o Brasil espera de nós.

"COMME IL FAUT!"


Luís Mauro Ferreira Gomes, é Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira.









Publicado no site "Brasil acima de tudo" – (BAT).
Terça-feira, 12 de fevereiro de 2010.




"CURRICULUM VITAE" DO GEN SANTA ROSA































































O PNDH-3 E A IGREJA CATÓLICA: SERÁ APENAS UM "GAP" OU,
FINALMENTE A FICHA ESTÁ COMEÇANDO A CAIR?

















































Direitos humanos: vamos com calma
por Dom Odilo P. Scherer*

Os "direitos humanos" estão sendo motivo de controvérsias, ultimamente, e não é sem razão: algumas questões bem controvertidas estão querendo se fazer passar por "direitos humanos". Embora não seja recente, esse conceito emergiu e se afirmou no século 20; a humanidade tomou consciência sempre mais clara sobre a dignidade humana, sobretudo diante das aberrantes atrocidades cometidas contra pessoas e inteiros povos por regimes totalitários. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em dezembro de 1948, representou um marco histórico na civilização. João Paulo II, no seu discurso às Nações Unidas em outubro de 1979, definiu-a como "pedra miliar no caminho do progresso moral da humanidade".

A Igreja Católica reconheceu no movimento que levou a sociedade a identificar e proclamar os direitos humanos um dos esforços mais relevantes da humanidade para responder, de modo eficaz, às exigências decorrentes da dignidade humana (cf. Dignitatis Humanae 1). A Declaração é um instrumento extraordinário para defender e promover universalmente a dignidade da pessoa. De fato, os direitos não são separáveis da dignidade da pessoa.

Infelizmente, porém, o respeito aos direitos humanos ainda não é um fato geral e consumado; sua violação, mesmo grave, continua sendo constatada diariamente; não é unânime a sua interpretação e, com frequência, o teor ideológico de certos discursos leva a olhar com desconfiança a própria questão dos direitos, com o risco de relegá-los ao descrédito. Hoje há também certa pressão de grupos para fazer valer, como direito humano universal, algo que é subjetivo e posição ideológica de parte. Não é aceitável afirmar os próprios interesses, ou supostos direitos, passando por cima da dignidade e dos direitos fundamentais de outros.

Penso que seja necessário retomar uma reflexão serena e bem fundamentada sobre a questão, para que os direitos humanos não sejam desacreditados; isso abriria o caminho para um retrocesso preocupante da civilização humana, com o risco de fazê-la embrenhar-se novamente na barbárie. Alguns sinais já estão por aí, como o aumento da violência e a indiferença diante dela, o exploração da prostituição como mercado rentável, até com a pretensão de fazê-la reconhecer como profissão, uma entre as tantas, enquanto é pura escravidão degradante; ou as propostas de aborto, eutanásia e eugenia, por vezes envoltas em discursos pseudo-humanitários, como fizeram regimes autoritários do passado, hoje claramente identificados como bárbaros. É por aí que queremos enveredar?

Qual é o fundamento dos direitos humanos? O consenso da sociedade? A posse de riquezas ou de poder? O poder do grupo reinante ou o poder conferido pela posse de riquezas não é base segura nem critério aceitável para a definição de direitos humanos fundamentais; o poder, isso sim, deve estar a serviço do respeito aos legítimos direitos. Certamente, o consenso da sociedade é importante, mas, por si só, não é base segura para definir direitos humanos. Estes, mais que concordados mediante um pacto, devem ser constatados e reconhecidos, como tais, pela sã razão e pelo bom senso, mesmo sem receber a aprovação das maiorias. Muito simples de exemplificar: o direito a existir e a viver não depende da aprovação da maioria; ninguém de nós aceitaria que fosse submetido a uma votação o nosso direito a viver... Da mesma forma, o direito a respirar, a se alimentar, de ir e vir, à liberdade de pensamento e de opinião, de aderir ou não a uma religião. Esses direitos são primários, não são outorgados por outrem, nem pelo conjunto da sociedade; pertencem à pessoa, por ser pessoa; são inalienáveis e precisam ser, apenas, reconhecidos. A competência e o dever de fazê-los reconhecer e respeitar é da autoridade constituída, mas também é tarefa de toda a sociedade.

Já ensinava o papa João XXIII, na encíclica Pacem in Terris, que a fonte última dos direitos humanos não é a vontade dos homens, nem o poder do Estado ou dos poderes públicos, mas a natureza do próprio ser humano e, enfim, Deus, seu Criador. Mais recentemente, Bento XVI, na encíclica Caritas in Veritate, lembrou que o fundamento dos direitos humanos não está apenas nas deliberações de uma assembleia de cidadãos; neste caso, poderiam ser alterados a qualquer momento, dependendo das convicções e da ideologia de quem está com a mão no poder; assim, os direitos careceriam de referência objetiva e universal, ficando diluído e sem eficácia na consciência dos cidadãos o dever de os reconhecer e respeitar.

A raiz dos direitos humanos precisa ser buscada na dignidade fundamental e originária de cada ser humano, membro da família humana; tal dignidade, apreendida antes de tudo pela sã razão, é inerente a cada pessoa, igual para todos. No horizonte do cristianismo, esse fundamento natural dos direitos é destacado ainda mais com a afirmação de fé de que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e que o Filho de Deus uniu a si a nossa humanidade mediante seu nascimento entre nós; isso deu ao ser humano uma dignidade incomparável; ele também é chamado a viver como familiar e íntimo de Deus. E isso não vale apenas para alguns, mas para todos, mesmo para aqueles que parecem ter perdido ou desmerecido a sua humana dignidade.

Universalidade e indivisibilidade são dois traços distintivos e inseparáveis dos direitos humanos, que também devem corresponder a uma exigência inalienável da dignidade humana. Portanto, direitos humanos não podem ser assimiláveis a bandeiras de luta ou interesses de grupos particulares.


(*) Dom Odilo Pedro Scherer é Cardeal-Arcebispo metropolitano de São Paulo.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" – (Editorial Opinião).
Sábado, 13 de fefereiro de 2010.










A VERGONHA É NACIONAL, MAS O (UL)TRAJE É BOLIVIANO.

Foto: Escora o "bebaço" Sarkozy, senão ele despenca. Vale tudo para vender uns "Rafales"! É ou não é?











































ESQUERDA SINISTRA
por Aileda de Mattos Oliveira*

Diz a propaganda turística de Garanhuns que "quem bebe a água desta cidade, a ela retorna". A ser verdadeira a legenda publicitária, o berço do nosso estadista não verá de novo o seu dileto filho, e do Brasil, tendo em vista, há muito, preferir as goladas dos alambicados e dos maltados. Integrar-se-á ao exótico acervo político-folclórico das grandes metrópoles, pois o Agreste, provinciano, será pequeno para conter a jactância do "homem que sabia javanês". Lima Barreto, se vivo fosse, teria um mote de porte para a sua caricatura política.

Do macacão ou da calça jeans ao terno bem-talhado, há uma diferença de visual, mas não de mudança intelectual. De sindicalista à Sua Excelência, substituiu-se o tratamento, mas não o comportamento. Qual a razão da palavra "esquerda" designar uma opção de tipos tão estranhos, tão revoltados com a natureza social, que insistem em impor o avesso das coisas, como norma de conduta? É como quererem pôr no pé direito o sapato esquerdo e vice-versa, sem questionarem o incômodo da troca imbecil e considerarem-na como norma natural.

Não é sem razão que "esquerda" é sinônimo de "sinistra" e na Idade Média era relacionada ao Tinhoso. Nada é gratuito na língua e, numa análise político-ideológica da palavra, há que considerar as novas possibilidades semânticas postas em prática pelo falante e que vão, por repetição, enriquecer o vocabulário de toda a sociedade.

A própria bíblia diz que "Jesus assentará à destra do Pai" o Pai é o Criador do Cosmos, palavra que, em grego, significa "ordem". Compreende-se, então, que só os bons, os puros de espírito, os ordeiros, gozarão de tal privilégio. Estar "à direita" torna-se uma expressão bastante significativa e passa a ser, por analogia, o espaço onde estão congregados os que obedecem às normas e às leis, cumprem os seus deveres, respeitam as tradições, honram a família e os símbolos nacionais, e acreditam que os filhos são o seu maior legado e devem ser educados para a vida. No lado oposto, opostas também são as suas convicções.

Surge então uma terrível contradição. Jesus é tido como um "ativista social", por aqueles que estão à esquerda de Deus, o que viria a afetar todo o raciocínio anterior. Porém, não há contradição há uma inversão de ótica, pois a leitura das ações de Cristo é feita através do espelho vermelho, uso habitual da doutrina sinistra.

Se as ações de Jesus fossem qualificadas de "socialistas", no sentido que hoje se dá ao termo, a história de sua prisão seria diversa da que é sobejamente narrada e conhecida por todos. Se Jesus fosse socialista, para não ser preso, teria denunciado Caifás a Pilatos, como um perigoso intrigante contra Roma teria entregado Judas, como beneficiário da transação que resultou na sua (de Jesus) prisão não teria chicoteado os mercadores no pátio do templo, porque estes seriam os discriminados e oprimidos da sociedade da época. Jesus teria denunciado todos, porque é assim que agem os socialistas de hoje. José Genoíno sabe disso. Portanto, não vinga a idéia do socialismo de Cristo, porque se ele é a luz da vida, não pode estar no mesmo espaço dos sinistros, porque lá é o lado das trevas, o lado niilista, o da desordem, o da amoralidade, o da promiscuidade. Jesus não pode ser e não ser, ao mesmo tempo.

Caifás e Judas, estes sim, torna-se impossível negar que sejam de esquerda, pelo procedimento semelhante ao dos políticos sinistros atuais, que confabulam, na surdina, para pôr em prática a ação nefasta da venda do patrimônio nacional.

Os esquerdistas, em geral, confundem humanismo com socialismo. Apropriam-se dos conceitos filosóficos humanistas e transformam-nos em conceitos ideológicos, fazendo da prestidigitação de idéias a cultura inútil que alimenta a vaidade dos intelectualoides do partido e de seus simpatizantes.

Há pouco tempo, Sua Excelência foi buscar Jesus e Judas e os pôs como exemplos, inconscientemente, de representantes, respectivamente, da direita e da esquerda que seriam levados à coalizão política, naturalmente convencidos por ele, o deus brega do Olimpo, o Baco de Garanhuns, o apedeuta verborrágico, tal é a vaidade que lhe é estimulada pelos gozadores presidentes estrangeiros, que lhe aplicaram o apelido de "estadista", sendo ele homem de baixo partidarismo político e não de Estado.

Assim, o esquerdista sinistro, tinhoso e cínico, na sua asa voadora, vai destroçando com a sua ignorância, com as suas gafes, por onde pousa, todo o trabalho diplomático que os verdadeiros estadistas construíram em favor do Brasil, ao longo de sua história.

Ele não está só, mas auxiliado pela incompetência e má fé dos que tomaram posse do Itamaraty, com projetos de ampliar a influência do PT na política externa brasileira, criando um conselho formado por ONGs, centrais sindicais e movimentos sociais, de caráter oficial e que funciona paralelamente ao Ministério das Relações Exteriores, pois este grupelho de ativistas já está em plena atividade. É esta gente que vai decidir o destino da Amazônia, do Pantanal e de outras regiões que deveriam ser intocadas pelos estrangeiros.

Um partido sinistro governa o Brasil e um rude e tinhoso escoteiro do mal é quem decide a sua sorte.

Nefasta e sinistra doutrina, abominável e sinistro presidente, inúteis e sinistros "cumpaêro", mas todos sôfregos do dinheiro fácil, retirado dos bolsos dos contribuintes altamente lesados.

Depois de usufruir gostosamente do erário público, não será a Garanhuns que o desprezível presidente escolherá para viver considerar-se-á, um homem internacional de múltiplos conhecimentos políticos e, como imitação de FHC, fará "palestras", se exibirá às plateias europeias, que morrerão de rir, com as suas tiradas de improviso, na sua linguagem dialetal, regada à melhor cachacinha da temporada. Sem o poder nas mãos, sem a caneta nervosa que assina de motu proprio, não haverá esquadrilha que faça Sarkozy segurar-lhe o braço, na bajulação nojenta, para que não desabe da tribuna, o desbocado, o etílico, a Vergonha Nacional.


(*) Aileda de Mattos Oliveira é Professora Titular de Língua Portuguesa na Faculdade Gama e Souza - RJ.


Publicado no site "TERNUMA – Grupo Terrorismo Nunca Mais".
Domingo, 14 de fefereiro de 2010.











VALORES INVERTIDOS – José Nivaldo Cordeiro


Vender a alma – João Pereira Coutinho





Tuesday, September 04, 2007

Atenção "milicos"! Os comunos-petistas querem lhes arrastar a um
Tribunal de Nuremberg dos perdedores. Preparem os pescoços!




































O ridículo dessa gente não conhece limites
por Reinaldo Azevedo

Um texto de Marcos Nobre, articulista da Folha, me deixou cheio de energia já nesta manhã, fim da noite para mim. Por isso decidi dialogar com ele. Vocês sabem: aqueles meus diálogos em vermelho e azul, que não requerem a concordância do interlocutor. É um diálogo de textos. Vamos lá? Ele vai em vermelho, e eu, em azul.

QUANDO SE mistura política e militarismo, a democracia costuma balançar. Foi o que se viu na nota do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O texto considera que colocar em questão a Lei da Anistia importaria em "retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas". Nobre é filósofo, chegado a dissecar o sentido das palavras. Sabe que a sua primeira frase é uma generalidade tola, no conceito e na aplicação. A história das democracias se confunde com a história dos militares. Desde a Grécia. Como verdade genérica, é bobagem. Como verdade particular, é mentirosa. Os militares brasileiros emitiram uma nota, e a democracia está onde estava.

O lapso gramatical ("retroceder a" significa "voltar a") não é importante por si mesmo, mas por levantar dúvidas sobre a posição que o Exército entende ter na democracia brasileira. Afinal, por que o simples "colocar em questão" de uma lei destruiria "a paz e a harmonia nacionais"? *** Casa de ferreiro, espeto de pau, se diz lá em Dois Córregos. Nobre tenta ver num erro de regência um ato falho. Besteira. Até porque a terceira palavra de seu texto traz um erro de concordância. O certo é "quando se MISTURAM política e militarismo". O que o erro dele significa? A exemplo daquele dos militares, nada de especial. Só ignorância das regras. Um erro de gramática, às vezes, é só um erro de gramática.

A criação do Ministério da Defesa, sob o governo FHC, foi um avanço importante. Mas, até agora, apenas no papel. O ministro Nelson Jobim, como todos os anteriores, não tem poder nem mesmo sobre a Anac. Quando diz "o comandante sou eu", está apenas fazendo uma bravata. Avanço só no papel não é, então, importante. Diabos! O que está acontecendo com os nossos filósofos? Nobilíssimo também ignora o funcionamento da máquina pública, apesar de sua celeridade judiciosa sobre o assunto. O que a Anac — AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL — tem a ver com os militares? Mais: ela foi criada pelo governo Lula. Até o governo FHC, havia o DAC — este, sim, comandado por um militar. Os titulares da Anac são indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Subordiná-la à Defesa é matéria de emenda constitucional.

O confronto em torno do livro-relatório oficial "Direito à Memória e à Verdade" foi ele mesmo uma sucessão de bravatas. O ministro diz que "não haverá indivíduo que possa reagir", o Exército reage e o ministro recua, posicionando-se contra a revisão da Lei da Anistia. Nada de importante aqui a não ser a óbvia intenção dos apologistas do livro de rever a Lei de Anistia. Fica evidente que o dito-cujo era só um pretexto. Querem porque querem fazer a história recuar 30 anos — mas para punir apenas um dos lados, é claro.

Para arrematar, o ex-presidente do STF disse que esse era um "problema do Judiciário". As vítimas da ditadura de 1964 e seus descendentes recorreram ao Poder Judiciário como instância reparadora porque não conseguiram por outro modo que integrantes das Forças Armadas viessem enfrentar no debate público as acusações que lhes são dirigidas. Mas nem mesmo aí conseguem esse objetivo elementar de qualquer democracia porque o recurso aos tribunais militares está sempre à mão para bloquear a discussão pública. Militar não tem de "enfrentar debate público" nenhum, rapaz! Tem de se ater à sua missão constitucional — e ser levado ao tribunal depois de anistiado não está, definitivamente, entre as suas obrigações. Claramente, ele não sabe do que trata. A que recurso a "tribunais militares" ele se refere? Por qual caminho essa questão transitaria por um tribunal militar?

A nota do Alto Comando afirma que, ao longo da história, "temos sido o mesmo Exército de Caxias". Mas não explica como um duque inteiramente comprometido com a monarquia em 1865 pode expressar o mesmo Exército de Deodoro e Floriano na proclamação da República ou de Góes Monteiro, sustentáculo da ditadura do Estado Novo. Ou de Lott, que, em 1955, garantiu a posse de JK, ou dos generais golpistas de 1964. Ao se entender assim, o Alto Comando se recusa a refletir em público sobre a sua própria história e sobre os diferentes papéis que desempenhou ao longo do tempo. Na sua salada exemplar, nega o seu próprio ponto de vista. Não seria difícil de provar que o Marechal Lott deu um "golpe" em 1955 — mas, claro, um golpe considerado "do bem". Os vários exemplos que estão acima indicam que os militares sempre tiveram participação ativa na vida política brasileira. Faz parte da construção da nossa história. Por mais que seja grande a tentação, não dá para voltar a fita. Cumpre não criar situações artificiais de confronto que possam chamá-los de volta à cena, ainda que por meio só da retórica.

A nota diz que "os fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas". Falta agora que o Exército venha a público dizer qual é a sua, se é que há mesmo uma única interpretação no interior da corporação. Enquanto as Forças Armadas se recusarem ao diálogo franco e aberto, não há perspectiva de alcançar a "paz e a harmonia" que também desejam.Os militares já disseram, sim, qual é a sua. Aliás, Nobilíssimo, eles o fizeram de forma dramaticamente evidente. O que quer o nosso filósofo? Ver general batendo boca na ágora? Mas isso é tudo o que eu não quero e, suponho, o que qualquer democrata também não quer.

Agora fica evidente: desde o primeiro momento, esse livro — que, ademais, não acrescenta uma vírgula ao esclarecimento do caso — era só um cavalo-de-batalha da tese revanchista. O estado brasileiro já assumiu a responsabilidade pelos excessos do regime militar — e, diga-se, assumiu-os também em excesso. Criou-se no país a indústria da reparação. Nesse particular, o "socialismo" dos valentes foi bem-sucedido. Todos já pagamos R$ 3,5 bilhões em indenizações, e, todo mês, arcamos com outros R$ 28 milhões em pensões.

Considerando que o governo não fabrica dinheiro, essa grana sai de algum lugar: dos impostos que pagamos. Uns decidiram fazer guerrilha urbana; outros foram fazê-la no meio do mato; houve quem optasse pela ação puramente terrorista. Mal sabiam que o socialismo não viria, mas que a ação correspondia a uma espécie de investimento: o estado burguês pagaria um seguro. Já disse o que penso: é preciso indenizar familiares de pessoas que morreram nas dependências do estado e indivíduos que foram torturados. E só eles. Acontece que as tais reparações já atingiram 17 mil pessoas. E há outras 30 mil reivindicações. É uma piada.

Mas a fajutice intelectual e moral parece não ter mesmo limites. Vende-se agora que se tratou de uma luta entre os combatentes da liberdade e os homens do mal. Esta não é uma historia do Lobo Mau, apesar dos muitos Chapeuzinhos Vermelhos. Alguns petralhas mandam e-mails irados me indagando — e ofendendo junto — como posso afirmar que os comunistas, se tivessem vencido, matariam muito mais. Claro que posso. É uma questão de experiência história. Vejam o que eles fizeram nos países onde venceram. Por que seria diferente no Brasil? Só porque nós falamos português e dançamos samba? Aliás, em 1935, os comunistas deram uma pequena amostra de seus métodos. Mataram 28 soldados inocentes numa única madrugada. E sem luta: alguns estavamo dormindo. Isso, que é verdade e não mito, foi transformado pela esquerda em "propaganda direitista". Luiz Carlos Prestes e Olga Benário, dois articuladores dos assassinatos, entram para a galeria dos heróis. Os métodos de santificação do crime continuaram e continuam os mesmos.

O jovem idealista José Dirceu já confessou, não é? O Alain Delon da PUC andava com o trabuco. Para fortalecer a democracia? O PC do B se embrenhou na mata pra quê? Por eleições livres e diretas? Lamarca e Marighella queriam o quê? Um homem, um voto mais alternância de poder? Por que é preciso submeter os comunistas a uma idealização? Por que é preciso lavar a sua reputação, livrando-os da própria história? Eu tenho uma resposta! O esforço nem busca tanto mudar o passado e apagar os crimes idos; trata-se só de uma mistificação — cavernosa, mórbida, macabra — para justificar os crimes que a esquerda comete no presente. Pensando bem, por que Marcos Nobre iria escrever sobre o discurso de Lula, que pediu a defesa dos mensaleiros?

PS: Vamos lá, Brasil, rumo à modernidade: vamos rever a Lei de Anistia e reestatizar a Vale do Rio Doce. Quem sabe a gente ainda decida proclamar a monarquia e indenizar os descendentes dos senhores de escravos, que foram expropriados de seu "capital". O ridículo dessa gente não tem limites.


Reinaldo Azevedo é formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo, foi também redator-chefe das revistas República e Bravo!, diretor de redação da revista Primeira Leitura, além de coordenador de política da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "O Globo". Reinaldo atualmente é articulista da revista "VEJA" e escreve o blog político mais influente da rede, "Blog Reinaldo Azevedo". Polêmico, irônico, ferino, Reinaldo Azevedo é autor dos livros "Contra o Consenso: Ensaios e Resenhas", pela Editora Barracuda, do best seller "O país dos Petralhas" e por último "Máximas de um País Mínimo", ambos da Editora Record.





Publicado no "Blog Reinaldo Azevedo".
Terça-feira, 04 de setembro de 2007, 06h09.


Leia mais artigos de REINALDO AZEVEDO no BOOTLEAD:

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¤ Contra o falso óbvio 1 - É Raposa/Serra do Sol, mas pode chamar de Anta do Obscurantismo

¤ Depois daquela foto ou “O dever dos democratas”

¤ A Mídia do Contragolpe

¤ Revanchismo e mitologia esquerdopata querem rever Lei da Anistia

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¤ Foi um vexame: a "Síndrome Motorista de Táxi" derrubou Lula




Wednesday, August 29, 2007

FFAA: Agora só falta arriar as calças.



























Próximo ato dos canalhas comunistas: Ordenar ao Gen Enzo Peri a condecorar "Post Mortem" o "bravo cumpanheiro" Carlos Marighella com a "Medalha da Ordem do Mérito Militar". A condecoração será recebida pela não menos "brava cumpanheira" Clara Charf diretamente das mãos do Gen Peri, em uma alardeada solenidade no Palácio do Planalto, com a presença do (????). Isso se o assassino vagabundo também não for promovido à "General-de-Exército Honorário", com todos os direitos pertinentes ao posto, principalmente $$$$. E ai de alguém que ouse contestar, terá que se entender com o "general" Jobim, que já mandou o recado: "Não haverá indivíduo que possa a isso reagir, e se houver terá resposta". É esperar para ver, quem manda mais se os Cmts das FFAA ou o falsificador da "Constituição" e rábula do Zeca Diabo Dirceu? É preciso não confundir "obediência à Constituição", com "condescendência com a humilhação".
Bootlead


ORDEM UNIDA
por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Nos Manuais de Ordem Unida, encontramos as várias posições que o militar adota, seja quando em formação, ou mesmo só. Assim, as posições de "sentido", "descansar" e um punhado de outras, são praticadas à exaustão, mesmo por que, como sabemos, a Ordem Unida é um instrumento complementar válido para o forjamento da disciplina castrense. Contudo, creio que os manuais e regulamentos omitem uma posição que a muito deveria estar embutida no cotidiano militar, uma vez que, aparentemente, já faz parte do seu imaginário. Refiro – me à "posição de quatro".

De preferência de olhos bem fechados, para não ver o que vai acontecer.

Na recente história da Instituição, invariavelmente em pequenas doses, mas não menos dolorosas ou em maciças doses cavalares (comumente, anuais), "de quatro", a Instituição é atropelada (?) por acusações explícitas, com origem nos órgãos do governo, quando não do próprio governo que, virtualmente, recomenda - se, é preciso adotar a corajosa "posição de quatro", para não ver e sentir o estrago.

Esta reflexão decorre em razão do Relatório de 500 páginas elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, denominado "Direito à Memória e à Verdade", que acusa os integrantes dos órgãos de repressão da ditadura militar (1964/1985) de decapitar, esquartejar, estuprar, torturar, ocultar cadáveres... O lançamento do Relatório será na próxima quarta – feira, no Palácio do Planalto em cerimônia oficial, e contará com a presença do "magnânimo – mor". O documento atinge em cheio a honra e a dignidade de Chefes Militares e das Forças Armadas. Entretanto, pelo silêncio que se segue a tais ataques, pela modorra, pelo descaso, pelo ar de "deixa disso" ou "deixa pra lá", pode parecer aos desavisados, que a intenção daquele calhamaço é vilipendiar os militares e suas instituições que vivem, ou viveram alhures, um lugar desconhecido e incerto situado na vasta galáxia celestial. Assim sendo, não é conosco.

Portanto, o melhor é incorporar a máxima do insigne colunista do passado, Ibrahim Sued, que sentenciava "os cães ladram e a caravana passa". A nossa caravana, lamentavelmente, perdida no deserto, perdeu sua bússola, rumo e siso, e sacrificou o último camelo.


Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.








Publicado no site "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Sábado, 25 de agosto de 2007.




Revanchismo e mitologia esquerdopata querem rever Lei da Anistia
por Reinaldo Azevedo

"Está previsto para hoje, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula, ex-preso político, e de vários ministros, o lançamento do livro "Direito à Memória e à Verdade", cujas páginas registram o perfil dos mortos e desaparecidos sob a ditadura militar brasileira. A obra resulta de cuidadoso trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, presidida pelo advogado Marco Antônio Rodrigues Barbosa. Editada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República nesta gestão do ministro Paulo Vannuchi, é, com certeza, o mais importante documento histórico sobre os anos de chumbo desde a publicação de "Brasil: Nunca Mais", assinado pelo cardeal d. Paulo Evaristo Arns, hoje arcebispo emérito de São Paulo, e o reverendo Jaime Wright."

Assim começa Frei Betto o seu artigo na Folha desta quarta. Opinião é como intestino: todo mundo tem. E a democracia, onde há democracia (não é o caso da Cuba de Fidel Castro... e de Betto), garante a sua expressão, o que é ótimo para o regime de liberdades públicas, mas nem sempre a verdade sai ganhando. Tá bom. Podemos pagar o preço de uma impostura ou outra para ter um regime democrático. Mas elas precisam ser denunciadas.

Uma das mentiras esquerdopatas que costumam triunfar é a de que a história é sempre contada pelos vencedores. Não é regra. Às vezes, sim; às vezes, não. Leiam, por exemplo, Os Doze Césares, de Suetônio. Os mandatários romanos não aparecem ali fazendo, necessariamente, um bom papel. Nem A Ilíada, que é literatura (e, pois, também história), é sempr airosa com os gregos — Heitor, o vencido, é uma grande personagem. Muitas vezes, a crítica vem embutida no próprio elogio. David, o pintor, puxando o saco de Napoleão, fala muito mais do temperamento do baixinho invocado do que seus inimigos. Essa conversa de que é preciso contar a história dos vencidos é pura mistificação submarxista. Marx, aliás, um quase-helenista, morreria de rir dessa tolice. Até porque o discurso histórico também é história. Supor que haja dois pontos de vista apenas — o do vencido e o do vencedor — é flertar com a tentação de haver um juiz da história, que venha a desempatar a contenda. Coisa de mulas intelectuais e de totalitários.

Pedem-me que comente a iniciativa da Secretaria Nacional de Direitos Humanos de publicar o tal livro, mais um, com o relato dos horrores da tortura durante o Regime Militar. É coisa do secretário Paulo Vannuchi. Um anterior, Nilmário Miranda, tem a sua própria obra a respeito: Dos Filhos Deste Solo, em parceria com o jornalista Carlos Tibúrcio. Quem sabe o próximo se dedique à mesma iniciativa... Vejam só: se há fato histórico em que a versão vitoriosa é a dos vencidos, é este. A esquerda perdeu a batalha, mas ganhou a guerra de propaganda. Escrevi um artigo sobre isso na extinta Primeira Leitura. Neste blog, tratei do assunto no dia 18 de julho do ano passado. Esta tese é minha. No caso do golpe militar de 1964, até agora, só os vencidos deram a sua versão porque amparados, olhem que coisa!, em sua suposta superioridade moral.


É o habitual

É o único caso em que o vencido é o vencedor? Não. No Ocidente, especialmente depois que a academia e os meios de comunicação foram ocupados pela cultura da contestação, isso é uma constante. O aparato analítico da esquerda, no entanto, fazia-se presente na história das idéias muito antes. Já escrevi aqui também: até hoje, os assassinos de Robespierre são exaltados como verdadeiros heróis dos direitos do homem. As melhores conquistas da chamada Revolução Francesa foram obra de conservadores, o que é solenemente omitido tanto na França como no Brasil. O único historiador que conseguiu furar o bloqueio da "mentira dos vencidos" com razoável sucesso foi François Furet. Parte da historiografia brasileira se dedica a resgatar a memória dos "vencidos" mesmo que sejam notórios bandidos, como é o caso do ditador paraguaio Solano López, visto como um "socialista" endêmico destruído pela brutalidade dos brasileiros. E quem diz isso? Brasileiros, ora essa. Em matéria de estupidez, a nossa academia não tem preconceitos.

Mas volto lá ao tal livro. Eu vinha evitando o assunto porque já escrevi muito a respeito. Se vocês acessarem o Google e botarem lá palavras-chave como "Reinaldo Azevedo indenização pensão esquerda terrorismo", verão quantas vezes já escrevi a respeito dessa história. Quem, comprovadamente preso, foi vítima de maus tratos tem mesmo de ser indenizado — ou alguém da família no caso de morte. Quem optou pela luta armada ou pelo terrorismo (em suma: deliberadamente, pegou em armas para derrubar o governo) fez uma escolha consciente. Se morreu na batalha, pagou o preço de uma opção. Poderia ter matado. E alguns mataram. E também não sou sensível à falácia de que a guerrilha e o terror eram a última saída. Não eram. Ou seria preciso abolir todas as outras formas de resistência que houve. Mais: essa hipótese se sustenta em outra mentira, combinada com a anterior: a decisão de promover a luta armada seria posterior à decretação do AI-5. Foi anterior.

Ora, qual é o sentido de se fazer um novo livro sobre os mortos, carregando agora, mais do que antes, na descrição dos horrores a que teriam sido submetidos? E fazê-lo com patrocínio oficial, quando o estado brasileiro já admitiu, como ente legal, as suas culpas, pagando uma indenização bilionária? Sim, o que Frei Betto e seus serviçais na mídia escondem é que as indenizações às "vítimas" do Regime Militar já custaram R$ 3,5 bilhões aos cofres públicos. A cada mês, as pensões somam outros R$ 28 milhões. Eles quiseram implantar o comunismo no Brasil, e nós pagamos o pato. Já foram concedidas 17 mil reparações, 13 mil foram rejeitadas, e ainda há outras 30 mil na fila.

Lula, que Frei Betto chama de "preso político" (este apoiador de Fidel Castro não tem mesmo nenhum senso de ridículo), é um dos pensionistas. No mundo inteiro, é verdade, os "vencidos" de carteirinha lutam para contar a sua versão dos fatos. Só que, no Brasil, eles decidiram passar primeiro no caixa. Parênteses: o discurso da "versão dos vencidos", com que se tenta enobrecer o livro, seria um argumento muito interessante num tribunal. Não é legítimo supor que, uma vez "vencidos", usam a sua narrativa extremada como mais uma arma contra o inimigo, agora a retórica — quiçá a imaginação?


Lei de Anistia

A Lei de Anistia é de 1979. Qual foi o seu sentido? Justamente eliminar esse discurso de "vencidos" e "vencedores" e impedir, para usar uma expressão da época, o afloramento do "revanchismo". A maioria das correntes de esquerda, diga-se de passagem, endossou essa perspectiva. E notem bem: não faltou, na linha dura militar, quem alertasse para o fato de que a lei seria apenas o primeiro passo da revanche, que viria mais cedo ou mais tarde. Tais setores argumentavam — e não sem razão — que, estivessem invertidos os papéis, e as esquerdas não lhes dariam a chance do perdão. A julgar pela experiência histórica do comunismo, viria mesmo é o paredão para os que então estavam no poder e para milhões de outros brasileiros.

O livro a ser lançado hoje cita 475 casos. O de Nilmário, 424. Não li o de agora. O outro era bastante generoso nos critérios para atribuir mortos e desaparecidos ao Regime Militar. Nem sempre a vinculação fica clara. Seja um número ou outro, Fidel Castro, o guia moral de Frei Betto, riria da brandura da ditadura brasileira. O que eu acho? Uma barbaridade, é óbvio. Com uma diferença: eu deploro as duas ditaduras; Betto, apenas uma.

Resistindo à linha dura, felizmente prosperou a corrente que propugnava em favor da abertura política, e o país pôde, então, caminhar para a conciliação e para uma transição pacífica do Regime Militar para a democracia. Reavivar agora aquelas contendas serve a quais interesses? Se o governo Lula patrocina um livro como esse, embalado por forte propaganda, poderia muito bem ter atuado, por meio da comissão que cuida do assunto, para tentar localizar corpos que ainda não tenham sido encontrados. Em vez da eficácia, busca-se, no entanto, a propaganda. E os promotores de tal iniciativa mal escondem a intenção de levar os anistiados "do outro lado" para o banco dos réus.

Escreve Frei Betto:
"A nação, entretanto, tem o direito de resgatar a sua memória e corrigir aberrações jurídicas como a "anistia recíproca" do governo Figueiredo. Inútil querer impedir que as famílias pranteiem seus mortos e clamem por seus entes queridos desaparecidos. E, a exemplo do Chile e da Argentina, o princípio elementar do direito exige que crimes, sobretudo aqueles cometidos em nome do Estado, sejam investigados, e seus responsáveis, punidos, para que a impunidade não prevaleça sobre a lei nem se perpetue como tributo histórico."

Há, aí, dois truques sujos no que respeita à retórica e à história. "Resgatar a memória" — e os corpos — é uma coisa. Rever a "anistia recíproca" é que é uma aberração. Andaram bem, no passado, os que assaltaram bancos, promoveram o terrorismo, a guerrilha e também mataram? Até onde chega a paixão de Frei Betto pela revisão da história? O segundo truque é equiparar a ditadura militar brasileira à argentina ou à chilena. A primeira matou 30 mil pessoas; a outra, 3 mil — com populações muito menores do que a brasileira. Naqueles países, a ditadura deixou uma chaga social; no Brasil, felizmente, não. Ah, claro: por mil habitantes, o campeão em mortes, prisões e exílios é o ditador Fidel Castro, o amigo de Frei Betto.

Matou ou não?

Indagado pela revista Playboy se já matou alguém, José Dirceu não quis responder. Deixou para o futuro, para as suas memórias. Eu, por exemplo, posso dizer: nunca matei ninguém. É bem provável que quem me lê também não. E outras tantas figuras do governo e da base aliada que participaram da luta armada e de ações terroristas? Eles têm ou não as mãos sujas de sangue? Em alguns casos, é quase fatal supor que sim. Mataram em nome do quê? De uma causa? A causa do comunismo era moralmente superior à do combate ao comunismo? Ou terão a cara-de-pau de dizer que seus assassinatos ajudaram a construir o regime democrático no Brasil?

Os "vencidos" já venceram e já contaram a história do seu jeito. Partidários óbvios de um regime facinoroso, estão por aí fazendo as vezes de combatentes da liberdade. O livro é só uma peça a mais no proselitismo vitimista, que busca ajustar contas com o passado. E que governo o promove? Um capaz de se meter numa conspirata — não com um, mas com dois ditadores (os amigos de Betto) — para devolver dois pobres pugilistas a uma tirania; a tirania que os "heróis" de si mesmos, sem qualquer apoio popular, queriam implantar no Brasil.

Que interpretação é esta?

Este é um texto de vencido ou de vencedor? Conheci a truculência da ditadura com 15 anos, como estudante secundarista, perseguido por um agente de sobrenome "Olay". Estará vivo ainda? Isso faz 30 anos. Túlio Bulcão, meu professor então, meu amigo ainda hoje, militante do PT, conhece bem a história. Outros que me davam aula também. Eu era socialista? Ainda não exatamente, mas me interessavam as pessoas que diziam coisas que o "sistema" (usava-se muito esta palavra naqueles tempos) não deixava dizer. Quando decidiram me "pegar", era um pretexto para tentar chegar a alguns professores de esquerda — com os quais, de resto, justiça seja feita, eu nem tinha contato. Quando ingressei num grupo trotskista, cruzei com um deles na reunião, e foi difícil saber quem ficou mais surpreso.

Era 1976. Fiquei, é claro, apavorado. Mas não o suficiente para me afastar da "luta", à qual dediquei alguns anos. Até entender, ainda bem que a tempo, que aquilo que eu buscava era a democracia, não o socialismo — descoberta que não se faz sem alguma dor e sem alguma perda. Mas isso não interessa agora, e não há qualquer risco de eu me tornar um sentimental nesta questão. O que penso hoje, e já há muitos anos, da esquerda, vocês sabem. Fiz escolhas intelectuais e morais. Mas também conheço como funciona a racionalização da barbárie e da violência na cabeça de um esquerdista. Este livro é parte de uma representação que procura entronizar santos e exorcizar demônios, contra o sentido da Lei da Anistia. Reitero: buscar corpos ou tentar saber o destino de desaparecidos é coisa diversa de rever a lei, como querem Frei Betto e seus propagandistas. Em tempo: continuam a me interessar as pessoas "contra o sistema".

Finalmente...

A democracia no Brasil não morreu em 1964 porque a direita deu um golpe. Morreu porque não havia quem a defendesse, de lado nenhum. Um governante responsável não teria promovido ele próprio a subversão, como fez João Goulart, incentivado pelos nacionalistas bocós e pelos bolcheviques tupiniquis, que imaginavam que ele pudesse ser o seu Kerensky. Não podia. Era ainda mais idiota. Deu no que deu. O Brasil não merece reabrir uma ferida porque um populista meio vulgar decidiu dar as mãos a meia-dúzia de "vencidos-vencedores" que não conseguem nem superar nem se livrar de suas próprias obsessões.


Reinaldo Azevedo é formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo, foi também redator-chefe das revistas República e Bravo!, diretor de redação da revista Primeira Leitura, além de coordenador de política da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "O Globo". Reinaldo atualmente é articulista da revista "VEJA" e escreve o blog político mais influente da rede, "Blog Reinaldo Azevedo". Polêmico, irônico, ferino, Reinaldo Azevedo é autor dos livros "Contra o Consenso: Ensaios e Resenhas", pela Editora Barracuda, do best seller "O país dos Petralhas" e por último "Máximas de um País Mínimo", ambos da Editora Record.





Publicado no "Blog Reinaldo Azevedo".
Quarta-feira, 29 de agosto de 2007, 05h24.


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