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Wednesday, November 18, 2009

COCÔ-FECOM: UMA CONFERÊNCIA EXCREMENTOSA.



































CONFECOM: A SOVIETIZAÇÃO DO BRASIL
por José Nivaldo Cordeiro

No próximo dia 14 de dezembro acontecerá em Brasília um grande evento político, a CONFECOM – Conferência Nacional de Comunicações. Quem olha o assunto pela primeira vez pode não se dar conta da importância do mesmo. Aqui não se trata meramente de um evento para tratar do setor de comunicações e nem mesmo se trata de preservar a liberdade de imprensa. O que está em jogo é um ensaio inovador de formulação de políticas públicas, a partir de um modelo basista – aos moldes dos sovietes leninistas – devidamente controlados por maioria do partido governante.

O que ganha o governo com isso? O que ganha o PT? Praticamente, se este ensaio der certo, ficará criada uma forma de decisão política paralela ao Congresso Nacional, cabendo a este apenas a figura homologatória de fazer a norma positiva. É uma ousadia sem precedentes do governo Lula, ensaiar essa sovietização do Brasil, passando por cima da Constituição e do Poder Legislativo. Mesmo que as tais recomendações do relatório final da CONFECOM sejam devidamente recusadas pelos legisladores, haverá a vitória política de Lula e do PT por ter levado a cabo a gigantesca mobilização, que está mexendo com gente de todos os recantos do Brasil. Um processo que certamente será repetido com outros temas no futuro. É uma tentativa de acabar com a democracia representativa como a conhecemos, mesmo sem alterações na Constituição.

Lamento não ter ouvido uma palavra da grande imprensa contra essa violência às instituições. As empresas do setor são vítimas coniventes. Nem um discurso no Congresso Nacional contra a usurpação do seu poder. Os representantes eleitos são coniventes. Certamente que essa omissão custará caro aos brasileiros. Tenho visto, há anos, aqueles que têm dinheiro e poder para enfrentar os revolucionários comunistas irem recuando a cada passo de avanço dos inimigos da sociedade aberta. Sempre preservando interesses particularistas e recebendo, em troca, concessões econômicas, nem sempre legítimas. O episódio do "Mensalão" revelou o grau de corrupção de que o sistema é capaz. Este método de cooptação, todavia, parece que foi esgotado e o partido de Lula resolveu agora implantar o modelo consagrado nos manuais de Lênin. Todo o poder aos sovietes!

E bem sabemos o que são os sovietes: uma caricatura de democracia direta, em que os delegados "livremente eleitos" são marionetes do partido e cumprem disciplinadamente as decisões tomadas dentro do chamado "centralismo democrático". Calar diante do que está acontecendo é mais do que omissão e covardia: é entregar o país aos celerados revolucionários. Não podemos subestimar o que estão fazendo. É hora dos que têm responsabilidade agir, em nome da liberdade da gente brasileira, em nome das gerações futuras.

O fato é tão importante que o a Executiva Nacional do PT baixou uma resolução (v. AQUI ) específica para o evento, para a qual convido você, meu caro leitor, fazer uma leitura atenta. Já no Preâmbulo do documento estão contidas todas as más intenções políticas do PT:

"A Conferência Nacional de Comunicação convocada pelo governo Lula é uma importante conquista dos movimentos que lutam pela democratização do setor no Brasil. O PT apóia o conjunto de reivindicações desses movimentos, conforme resolução aprovada em conferência partidária realizada em abril de 2008. Na 1ª Confecom, a intervenção petista se dará de duas maneiras: uma, ao lado das lutas especificas de cada área; outra, mais ampla, na construção de um novo modelo legal para todo o setor das comunicações – sem o que dificilmente haverá avanços nas questões pontuais. A definição de um marco regulatório democrático estará no centro de nossa estratégia, tratando a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social e considerando a mudança de cenário provocada pelas tecnologias digitais. O PT também lutará para que as demais ações estatais nessa área promovam a pluralidade e a diversidade, o controle público e social dos meios e o fortalecimento da comunicação púbica, estatal, comunitária e sem finalidade lucrativa. Mais do que combater os monopólios e todos os desvios do sistema atual, é preciso intervir para que eles não se repitam ou se acentuem nesse novo cenário tecnológico – que dentro de poucos anos superará completamente o antigo modelo".

A Conferência não é tida como um ato de rotina administrativa do governo, mas como "conquista" dos movimentos, que todos sabemos são aparelhados pelo PT. No Capítulo Segundo, declara que o marco regulatório deve estabelecer, entre outras coisas: "Atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação (criação, produção, processamento, armazenamento, montagem, distribuição e entrega), impedindo que uma mesma empresa possa atuar nos mercados de conteúdo e infra-estrutura". No seu Capítulo Terceiro está escrito que o PT defenderá a criação do Conselho de Comunicação Social, a própria institucionalização da censura prévia, já rejeitada anteriormente pela sociedade. No Quarto, que a Internet deve ser regulada, ou seja, controlada politicamente. Não há dúvida de que os documentos que vão emergir desse conclavesovietizado estarão em sintonia com a vontade política expressa nessa resolução.

É a instância partidária se sobrepondo ao Estado, não apenas ao Poder Legislativo, como também ao Poder Executivo. Quem manda é o partido.

Há um site (v. AQUI ) pró-conferência, composto por entidades vinculadas aos militantes esquerdistas, que está à frente das mobilizações. O panfleto que sugere ser distribuído na mobilização é uma peça antimercado, anticapitalista e anti-sociedade aberta. Um clone do Manifesto Comunista aplicado às comunicações. Lá está escrito que "É dever do Estado garantir que todo mundo possa acessar e produzir conteúdos para se informar e se comunicar". Bem sabemos o que significa isso: o fim da liberdade de produzir e veicular notícias sem a censura prévia dos comissários do partido.

Fique atento, caro leitor: os sovietes já chegaram e estão agindo para tomar o poder total no Brasil. A luta pela liberdade precisa se tornar uma mobilização de massa imediatamente.


José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas".



José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP e editor do site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado". E-mail: nivaldocordeiro@yahoo.com.br


Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Terça-feira, 17 de novembro de 2009.




PMSP: AÇÃO PATÉTICA!







Thursday, May 10, 2007

O Papa Benedict XVI no Brasil. E sem subterfúgios.

Obs.: “Campanha do Agasalho”. Temperatura em São Paulo na chegada do Papa: 10 graus.





































O que não suportam na Igreja Católica? A liberdade e a consciência.
por Reinaldo Azevedo

Comento a saudação de Bento 16. Excelentes palavras. Quem viu teve tempo de perceber que o português do cardeal Ratzinger é melhor do que o de Lula, hehe. Coisa própria de quem estuda, de quem se dedica, de quem tem claro que a sabedoria se adquire com esforço. Vejam só: nem Bento 16 acha que faz download do divino. Não é o caso de Lula, naturalmente, que sempre fala sobre tudo com a certeza de quem mergulha no pote da ancestralidade a cada juízo que expressa. Diferenças de temperamento e de vaidade. Ratzinger pode envergar as vestes da humildade.

O discurso diz bem mais do que parece, em sua simplicidade. Além da já aludida condenação ao aborto e à eutanásia, há a defesa clara dos valores da família. Não. A Igreja Católica não vai abrir mão de nenhum dos seus postulados morais porque eles não são valores instrumentais. Muito pelo contrário: a crítica leiga não se cansa de apontar que os católicos não fazem o que o papa recomenda, e esta seria uma das razões da fuga de fiéis, o que é bobagem, mas não vou tratar disso agora. Então por que ele não muda? Porque se trata de aspectos de uma doutrina, que não se vão vendendo, aos poucos, aos pedaços, na pia da modernidade. A Igreja sabe como sobreviver, não se preocupem.

Li, hoje, um tantinho espantado, um texto do colunista Marcelo Coelho, da Folha. É uma tentativa de tratar o Papa com ironia, embora leve, como é de seu estilo. Conclui que é até positivo que a hierarquia católica seja tão supostamente obtusa nas suas proibições porque isso descola a massa de fiéis de seu líder, o que não deixa, segundo Coelho, de ser positivo. Isso, parece, nos livraria de fundamentalismos de massa. Trata-se de um juízo, claro, de quem acha que a Igreja, em si, não é lá grande coisa. Mas o que me intrigou no seu artigo foi outra coisa. E só trato do assunto porque ele não é o único a expressar tal inconformismo.

Escreve ele: “Sou dos muitos que não se conformam com o conservadorismo do Vaticano em questões de sexo, saúde e vida familiar. Condenar o divórcio e o uso de preservativos, para citar casos mais extremos de intransigência, parece-me não só uma agressão ao bom senso, mas quase uma futilidade hoje em dia. É como se os padres insistissem em andar de batina pelas ruas, ou fizessem questão de que ninguém coma carne na Semana Santa. Pontos como esses foram abandonados da pauta eclesiástica. Por que não flexibilizar um pouco o resto também? Nestes últimos dias, contudo, fui mudando de opinião. Pode ser que a rigidez do papa nessas questões termine até trazendo algum efeito positivo. Pelo menos, a julgar pelo que acontece no Brasil.”

Por que será que Coelho, que não é católico, e outros tantos, aqui e alhures, não se incomodam com as restrições impostas pelo islamismo, judaísmo, budismo, hinduísmo ou outro orientalismo qualquer? Ao contrário até: por que será que as imposições das outras crenças devem ser acatadas como variantes culturais, a desafiar a nossa inteligência e tolerância? Por que será que a Igreja Católica é alvo de tanto interesse, e todos acham que têm algo a dizer sobre suas interdições? A resposta é óbvia: porque ela, de muitas maneiras, é a criadora do Ocidente e, com efeito, foi também poder temporal durante muito tempo. Assim, todos se sentem mais ou menos no direito de dizer o que a Igreja “deve” fazer. O curioso é que costumam dizer o que ela “deve” fazer para justamente deixar de ser Igreja. Trata-se de um paradoxo formidável.

Coelho tem a humildade intelectual daqueles que acham que podem ser benevolentes com o Papa, assim como um gerente de restaurante, com o olhar entre piedoso e entediado, tolera um cão vadio à espera dos restos. Acaba reconhecendo que o Papa desempenha também um “papel positivo”. Bento 16 ficará muito grato por este pedaço de pelanca que Coelho lhe joga do balcão. Segundo o articulista, a “clamorosa inatualidade” do conservadorismo de Bento 16 “serve para atrair, como um ímã, todas as pequenas aparas de ferro que ainda nos prendiam a um mundo de obscurantismo e repressão.” Coelho se deixou fascinar pela idéia de que o Papa é uma espécie, assim, de Cristo redivivo, pós-moderno, um cordeiro que, em vez de tirar os pecados do mundo, os chama todos para si. É uma besteira monumental. Mas isso é o de menos. Eu só não sabia que a Igreja Católica ou o cristianismo eram as fontes contemporâneas do obscurantismo e da repressão.

Para ele, o Papa e — na sua associação de idéias — o Cristo não são os cordeiros de Deus que tiram os pecados do mundo, mas os bodes expiatórios que pagam pelas culpas coletivas. Bem, ele lide lá com as suas ignorâncias, assim como deploro as minhas. Mas qual é o “obsurantismo e repressão” da moderna Igreja Católica? Falar aos seus? Apelar à consciência de cada homem? Censurar o pecado, mas acolher o pecador? Pregar a dignidade humana, seja a de homens, mulheres, crianças, enfermos? Fazer a defesa intransigente do princípio da vida? Defender radicalmente esses postulados tendo claro, sempre, que fala aos católicos?

No fim das contas, sei bem o que não suportam na Igreja Católica: é o primado da liberdade. É a afirmação tácita de que você é livre para escolher o seu destino, o seu caminho. E que toda escolha acarreta conseqüências. Isso a que chamam constantemente “culpa”, que vem associado à Igreja, eu costuma chamar de consciência. Não é fácil ser católico. O culto à religião propriamente talvez seja hoje, como sempre foi, obra de uma minoria abnegada. Para a maioria, a religião permanece como um norte ético. Eu mesmo não me digo católico sem uma ponta de constrangimento. Porque não me acho bom o bastante pra isso.

Mas sei que o mundo é bem melhor com a Igreja Católica. E saúdo a palavra de seu primeiro pastor. Onde quer que a instituição esteja hoje presente, se não foi tomada pela heresia — outra constante de sua história —, está levando uma mensagem de paz, de esperança, de aposta na vida. De fato, isso parece ser uma coisa insuportável. Sob certo ponto de vista, ninguém deveria ter a ousadia de querer ser tão bom.

Se há coisa que jamais faltou ao demônio — eu o tomo aqui como uma metáfora — é o culto à desconfiança. Se um dia tiverem tempo e oportunidade, leiam Les Cahiers de Monsieur Ouine — ou simplesmente Monsieur Ouine, do escritor católico francês, que morou no Brasil, Georges Bernanos. “Ouine” é uma soma de “Oui” (sim) e “Non” – que tem em francês a variante gramatical “ne” (não). O demônio é justamente a indistinção entre o Mal e o Bem, ou é o Mal que é Bem, ou o Bem que é Mal. É, em suma, a empulhação disso que chamam por aí de “dialética” — quando querem convencê-lo a abrir mão de seus princípios para o seu próprio bem.

É a tentação do deserto.


Reinaldo Azevedo é jornalista, guia cultural, assessor de imprensa e blogueiro. Foi editor-chefe da revista Primeira Leitura, colunista da revista Bravo! e também editor do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, hoje é colunista da revista Veja. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo.





Publicado no "
Blog Reinaldo Azevedo".
Quarta-feira, 09 de maio de 2007, 19h03.

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