Showing posts with label João Mellão Neto. Show all posts
Showing posts with label João Mellão Neto. Show all posts

Friday, August 14, 2009

ELITE BRASILEIRA. E, ISSO AINDA EXISTE?



































As elites somos nós
por João Mellão Neto

Se você tem um bom automóvel, uma casa confortável e uma renda folgada, parabéns! Mesmo sem saber, você faz parte "da zelite".

Você argumentará que seu carro é financiado, sua casa está hipotecada e sua renda provém de salário. Ou poderá dizer que é um profissional liberal que sua a camisa por cada centavo que amealha. Tanto faz. Em qualquer das condições acima, você, inapelavelmente, é "da zelite".

No caso de você possuir um negócio próspero e empregar alguns funcionários, aí, então, a coisa piora. De nada adianta você evocar a sua origem humilde e afirmar que tudo o que possui provém de seu próprio esforço. Em qualquer circunstância você faz parte "da zelite" mesmo.

E o que é, afinal, "a zelite"?

Segundo o discurso oficial, trata-se de uma gente míope, egoísta e inconsequente que - a partir de uma visão muito particular da História - esteve no poder nos últimos cinco séculos e é, portanto, responsável por todas as mazelas nacionais.

No caso de você ser branco e ter olhos azuis, a coisa piora. Segundo o líder maior, você é um sujeito irresponsável e ganancioso, que, - fazendo parte de uma congregação maior - por sua cupidez e volúpia, acabou criando um clima propício para que se instalasse a atual crise mundial. Afinal, onde já se viu banco quebrar? Só pode ser porque era dirigido por gente cega como você.

Pelo sim, pelo não, vá a uma ótica e trate de comprar e colocar, ao menos, umas lentes de contato que mudem a cor de seus olhos.

"A zelite" é egoísta e voluptuosa. Dispõe-se a "explorar" todos, desde a coitadinha da doméstica até profissionais de nível superior.

Não tem como escapar disso. Quanto mais pessoas você emprega, mais explorador você é.

Qual é a lógica que preside e dá sentido a tudo isso?

Simples. Trata-se de uma espécie de marxismo cuidadosamente apurado e adequado às circunstâncias próprias a um clima tropical.

O raciocínio, devidamente resumido, é o seguinte: um trabalhador que labore 40 horas semanais acaba não recebendo do patrão um salário equivalente ao seu esforço. Recebe menos. A diferença fica com o patrão. É o lucro dele. E é por isso que ele é rico.

E o mérito?

Não há lugar para mérito nesse processo. O patrão é sempre um explorador.

O que fazer para identificar um membro "da zelite"?

Fácil. Basta reparar no relógio ou nas roupas com que costuma se apresentar. É tudo coisa "de grife", como se diz. Coisa que os pobres não podem usar. É muito cara e, portanto, supérflua.

Gente "da zelite" frequenta lugares da moda e costuma esbanjar dinheiro. O preço, por exemplo, de uma única refeição num restaurante chique daria para alimentar pelo menos uns dez meninos de rua. E "a zelite" ainda tem o desplante de reclamar quando esses desvalidos, num momento de desespero, tomam uma arma e a assalta nos semáforos. Exige punição. Acontece que a polícia não está aí para acudi-la. Ela deve, isso sim, é trabalhar nos bairros periféricos para garantir a segurança dos pobres.

Aliás, é justamente na área pública que se identificam os marxistas tropicais.

Ninguém propõe, pura e simplesmente, o massacre, a extinção "da zelite". Isso é coisa do marxismo antigo e não existe mais em lugar nenhum. Ela deve continuar existindo, ao menos para pagar impostos e, assim, garantir a arrecadação. Cabe ao Estado apossar-se desses recursos e redistribuí-los a quem deles precisa.

Agora, beneficiar "a zelite" com políticas públicas, jamais.

O preço a pagar pelo status de pertencer a ela é bastante elevado. Paga-se, no mínimo, um terço do que se ganha em tributos. A carga tributária nacional é de 38%.

Se for considerado que os membros "da zelite" pagam tudo em dobro, o peso do Estado em sua vida é muito maior. Paga-se pelo ensino gratuito e pela escola particular. Custeia-se a saúde pública e paga-se convênio pela assistência médica privada. Sustenta-se a segurança pública e mantém-se também um serviço de segurança das nossas ruas ou dos nossos condomínios.

Ninguém se recusa a pagar impostos, mas se entende que seria de bom alvitre se se visse o retorno disso em obras e serviços para os menos favorecidos. Qual o quê! Afora o Bolsa-Família, tudo o que mais existe não passa de discurso. Esse programa mesmo - menina dos olhos do atual governo - é puro assistencialismo, pois de nada serve para que os pobres possam deixar de sê-lo.

O discurso que se pratica é de ressentimento contra "a zelite". Seu surgimento é de longa data. Mas foi inaugurado publicamente em 1989, quando o atual presidente - então candidato ao cargo pela primeira vez - logrou passar para o segundo turno. Mesmo que os comunistas, no mundo, estrebuchassem em seus derradeiros estertores, aqui, no Brasil, suas palavras de ordem haviam obtido alento. Foi com esse discurso que elas deixaram os bancos das universidades para ganhar as ruas.

Esse tipo de discurso tem servido apenas para disfarçar e justificar a inatividade e a incompetência de quem o faz.

"A zelite", ou as elites, somos eu, você, todos nós que, pelo estudo ou pelo trabalho, logramos nos destacar dos demais. Todo povo tem elites. E nós, agora, além das elites tradicionais temos uma nova. Que se moldou nos sindicatos e nas universidades e pretende se firmar justamente por meio de um discurso antielites.

Nós nunca cobiçamos as casas dos nossos vizinhos. Trabalhamos e lutamos para construir as nossas. E esperamos dos nossos vizinhos que não as cobicem, também.


João Mellão Neto, nasceu na cidade de São Paulo, SP em 06/11/1955, filho de comerciante de café e agro-pecuarista estudou administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e jornalismo na Fundação Cásper Líbero. João Mellão Neto tem seus artigos publicados, todas as sextas-feiras na página 2 do jornal "O Estado de S. Paulo". Como escritor já publicou diversos livros na área do "pensamento político liberal", em vista que João Mellão também teve uma carreira política bastante diversificada para sua idade, sendo quatro vezes secretário municipal, cumpriu dois mandatos de deputado federal e foi Ministro do Trabalho e da Administração, atualmente é deputado estadual em São Paulo (DEM). E-mail: jmellao@al.sp.gov.br



Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Editorial Opinião).
Sexta-Feira, 14 de agosto de 2009.




Brasil: Jamais verás nenhum país como este. Não verás mesmo!




Friday, March 13, 2009

MST = Malta Satânica e Terrorista

Foto: Resultado de uma "ocupação" do MST.

































Fora MST!
por João Mellão Neto

Nos meados da década de 80, quando o MST ainda se esboçava, ocorreu uma invasão. Uma entre centenas, dirão. Pois é, mas essa eu tive a oportunidade de acompanhar. Estava iniciando como jornalista e buscava conhecer em detalhes todos os temas palpitantes da época. Reforma agrária era um deles.

Como se dizia, o esbulho aconteceu. E logo depois a área foi desapropriada. Passaram-se alguns meses e aqueles quase 3 mil hectares foram entregues aos tais trabalhadores sem-terra. Um político de esquerda da região não perdeu a oportunidade. Com um grande alicate, compareceu ao local e, perante uma plateia atenta, solenemente cortou a cerca de arame farpado da fazenda. "Neste momento", declarou, "entrego estas terras ao povo brasileiro".

O "povo brasileiro" não se interessou em tomar posse de imediato. Para tanto era necessário que alguém fosse lá demarcar os lotes e sortear quem seriam os proprietários de cada um. Esse processo demandou uns 20 meses, mas ninguém se esquentou. Sem a menor cerimônia, os briosos manifestantes montaram acampamento à beira da cidadezinha mais próxima e, a partir de então, munidos de cupons para alimentação, fornecidos pelo governo federal, tornaram-se consumidores urbanos.

Quando os lotes ficaram prontos, ocorreu um fato que em nada contribuía para o sucesso da causa agrária. Os felizes contemplados não se mostraram dispostos a trocar a doce vida urbana que tinham pelas agruras da condição de novos proprietários rurais. Pudera, os lotes não tinham água nem luz. Os cupons para alimentação deixariam de ser fornecidos tão logo se configurasse a posse. Ninguém ali estava a fim de se tornar herói.

Com muito custo o assentamento se configurou. Após a posse, voltaram todos para a cidade e passaram a reivindicar, novamente, o fornecimento de água, luz e comida.

Dez anos depois, a situação era a seguinte: quatro ou cinco famílias se aventuraram a mudar para seus lotes e lá viviam em condições precárias. Mais de 20 trataram de vender os seus direitos de posse e seus lotes passaram por inúmeros donos. Especulação imobiliária da pior espécie, algo absolutamente condenável pelos ideólogos esquerdistas que chefiavam o movimento.

A maioria agiu de forma ainda pior. Como havia uma usina de álcool nas redondezas, trataram todos de arrendar seus lotes a ela e continuaram a viver na cidade. Tornaram-se, com isso, burgueses rentistas. E isso era deplorável e intolerável.

No Brasil inteiro situações como essa se repetiram e nada foi mostrado à opinião pública. Os padres e organizadores dos movimentos eram todos socialistas, mas os invasores, curiosamente, não. Entregavam-se a práticas capitalistas as mais comezinhas e mesquinhas tão logo lhes surgisse uma oportunidade.

Paciência. Estava patente, para os ideólogos, que o povo brasileiro, em geral, era tacanho. Não tinha a largueza de visão e o desprendimento necessários para a condução de uma revolução vitoriosa. Essa tarefa, então, como sempre, teria de ficar por conta das vanguardas - as camadas mais instruídas e esclarecidas dos movimentos. E essas, na época, eram compostas pelos padres e intelectuais.

Foi dessa forma, ideologicamente cambaleante, que nasceram os movimentos agrários. Agora eles são muito mais organizados, lograram se estabelecer. E o dinheiro para tanto? Ora, obviamente vem do Estado. E este, assim, segundo as tais vanguardas, cumpre uma de suas funções mais básicas e edificantes: está subsidiando a reforma agrária. E não pode existir uma destinação de verbas mais nobre e meritória.

Os contribuintes não concordam. Foi-se o tempo em que a opinião pública se embevecia com a causa fundiária. Hoje em dia todos acompanham, contrariados, o noticiário que reporta o desperdício de recursos em tudo o que diz respeito ao tema.

Até mesmo a razão de ser dos movimentos sociais do campo deixou de existir. A causa original, todos se recordam, era o combate aos latifúndios improdutivos. Pois bem, esses não existem mais. Quem tinha terra, e não produzia, tratou de vendê-la para quem o fazia.

Adotou-se então a tese de que a função dos movimentos era a de combater as grandes plantações feitas com sementes geneticamente modificadas. Não colou. Ninguém se comoveu com a causa.

O inimigo, agora, é o agronegócio. Havia pudores no passado quanto a se atacar propriedades reconhecidamente produtivas. Agora não há mais. Não se discute mais a questão da produtividade da terra, mas sim a que essa produtividade serve.

Segundo esta ótica obtusa, 100 hectares de terra nas mãos de um microproprietário rural - mesmo que esse alcance patamares medíocres de produção - cumprem melhor a sua função social do que o mesmo quinhão de terra pertencendo a uma grande usina de açúcar ou a uma fábrica de papel e celulose.

Essa nova razão de ser dos movimentos "sem-terra" seria digna de debate não fosse ela a quinta ou a sexta evocada pelos seus líderes para justificarem a sua existência. Eles se dispõem até mesmo a contrariar os mais óbvios interesses nacionais, ajudando o novo governo populista do Paraguai a expulsar os fazendeiros brasileiros de lá.

Os padres e intelectuais socialistas que no passado recente ainda podiam dizer-se idealistas, tornaram-se todos velhacos e parasitas. Apelam, agora, para qualquer nova bandeira que mantenha os movimentos que dirigem existindo. Para, assim, continuar recebendo preciosas verbas do governo.

Moral da história: sem-terra, que nada! Não passam de uns sem-vergonha que vivem à nossa custa e desperdiçam o nosso dinheiro. Não precisamos mais dessa gente. Tchau! Fora! Abaixo o MST!

Que não fiquem por aí por falta de despedida. Adeus!


João Mellão Neto, nasceu na cidade de São Paulo, SP em 06/11/1955, filho de comerciante de café e agro-pecuarista estudou administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e jornalismo na Fundação Cásper Líbero. João Mellão Neto tem seus artigos publicados, todas as sextas-feiras na página 2 do jornal "O Estado de S. Paulo". Como escritor já publicou diversos livros na área do "pensamento político liberal", em vista que João Mellão também teve uma carreira política bastante diversificada para sua idade, sendo quatro vezes secretário municipal, cumpriu dois mandatos de deputado federal e foi Ministro do Trabalho e da Administração, atualmente é deputado estadual em São Paulo (DEM). E-mail: jmellao@al.sp.gov.br



Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Editorial Opinião).
Sexta-Feira, 13 de março de 2009.




Antessala do inferno – João Ubaldo Ribeiro






Friday, January 30, 2009

Veremos, se será capaz de ressuscitar.










































Não é fácil ser Obama
por João Mellão Neto

Meio século atrás, em certa cidadezinha do sertão de Minas, surgiu um sujeito bem apessoado, de barbas e cabelos longos, que afirmava ser ninguém menos do que Jesus Cristo. Tanto e com tal veemência ele insistiu que o povo da cidade começou a se amoldar à circunstância de ter, entre si, o Filho de Deus. Logo surgiram um Pôncio Pilatos, uma Madalena arrependida, 12 apóstolos, centuriões romanos e todos os personagens necessários para levar à frente a Paixão de Cristo. O sujeito foi preso e julgado. Foi devidamente condenado a morrer na cruz. Iniciou-se, então, a via crúcis. Tudo corria de modo impecável até que o tal do messias sertanejo, no momento de ser pregado na cruz, cochichou no ouvido de um dos soldados que iria até a moita mais próxima se aliviar. Foi, sumiu e nunca mais deu as caras por ali. Escafedeu-se. Tratou de dar no pé e, assim, salvar a própria pele.

O povo local nunca mais se recuperou. Todos, traumatizados, ainda aguardam o retorno do messias. E assim ficarão até o fim dos tempos.

Em meados de 1961, o jornalista David Nasser valeu-se dessa parábola para traduzir a estupefação dos brasileiros diante da renúncia do presidente Jânio Quadros.

Voltando à atualidade, ninguém desejaria, neste momento, estar na pele de Barack Obama. Como outros 2 bilhões de espectadores - um terço da população mundial -, todos assistimos, pela TV, à sua posse. Não havia, naqueles tensos instantes, quem não estivesse, em todos os cantos da Terra, depositando em seus ombros a obrigação de nos livrar dos problemas e, simplesmente, fazer-nos felizes.

Não bastará, assim, a Obama, ser um bom presidente. O que se espera dele, no mínimo, é que seja excepcional. Ou ele se demonstra, já no início, um dos maiores estadistas da história dos EUA ou, então, cairá na vala comum ocupada por tantos outros colegas seus.

Que Obama chama a atenção pela sua condição racial, isso é fato. Ele prometeu mudanças, rupturas. E, perante o imaginário coletivo, a sua negritude é o mais eloquente símbolo dessa proposta.

Há, no entanto, uma peculiaridade que, como negro norte-americano, distingue o presidente Obama: ele não descende de escravos e, portanto, não tem a cobrança e o ressentimento em sua agenda política.

Sua vitória nas urnas não foi tão arrasadora como se quer crer e tampouco lhe garante uma maioria confortável e incondicional no Congresso.

Seu pacote de estímulo econômico é de mais de US$ 800 bilhões. É muito dinheiro. Representa 5% do produto interno bruto (PIB) dos EUA. O governo do país não dispõe de tal quantia e, assim, ela virá de um aumento considerável do endividamento público.

Trata-se, na prática, de um cheque sem fundos. O debate sobre como e quem pagará essa dívida é o que divide, hoje em dia, os economistas.

Essa discussão, para nós, brasileiros, parece absurda. O que está em jogo é o tamanho do Estado e o seu papel na economia. Entre nós, o Estado é gigantesco e vem intervindo fortemente na economia, sob os mais diversos pretextos, desde, pelo menos, os anos 30 do século passado.

Nos EUA há, atualmente, duas grandes vertentes no pensamento econômico.

De um lado estão os intervencionistas, ou neokeynesianos. Para eles, o papel do Estado é fundamental para promover uma retomada dos investimentos, em geral. Com isso os empregos seriam mantidos e a recessão terminaria. O principal argumento deles é o de que foi graças a uma política econômica semelhante que o presidente Franklin Delano Roosevelt logrou acabar com a Grande Depressão que assolou os EUA a partir de 1929. Para eles, todo e qualquer investimento público - mesmo que não haja dinheiro disponível para cobri-lo - é justificável. O aumento da arrecadação de impostos resultante de tais estímulos acaba quitando a dívida.

Segundo os discípulos de Keynes, numa recessão, mesmo que o Estado contrate uma equipe de trabalhadores para abrir buracos e outra para tapá-los, o dinheiro gasto para tanto tem um efeito claramente multiplicador na economia. O raciocínio é o seguinte: os trabalhadores, empregados em tais serviços "inúteis", gastarão os seus salários no comércio, em geral. Os comerciantes, com esse dinheiro em mãos, tratarão de investi-lo na compra de novos estoques de mercadorias, ou mesmo na criação de mais empregos. Ao adquirir novos estoques, o comércio fará as indústrias produzirem mais. Todos os tributos arrecadados na cadeia produtiva em razão do investimento inicial do governo (abrir e tapar buracos) acabam repondo o dinheiro gasto.

De outro lado está a corrente clássica, ou "monetarista", para a qual o Estado não é solução, e sim problema. Eles afirmam que a Grande Depressão não terminou em função da política de Roosevelt, e sim da entrada dos EUA na 2ª Guerra Mundial. Isso gerou novas demandas, que levantaram o parque industrial inteiro. Em tempos de paz, os únicos papéis válidos do Estado, para atenuar a crise, são: 1) Garantir a liquidez do sistema financeiro e 2) reduzir os impostos para que as pessoas tenham mais dinheiro disponível em mãos para consumir. Esta é a doutrina econômica e política que nós, liberais, sempre pregamos.

O pacote de Obama, curiosamente, contempla providências que são, ora do agrado de uma corrente econômica, ora do de outra. Procura atrair gregos e troianos... Como reza a sabedoria popular, quem põe um pé em cada canoa acaba sempre com os fundilhos na água...

O tempo dirá com quem está a razão. O que se pode afirmar, por enquanto, é que a sua situação, agora, é bem mais desconfortável do que a do Cristo mineiro. Nem pular fora ele pode. Realmente, não é fácil ser Obama...


João Mellão Neto, nasceu na cidade de São Paulo, SP em 06/11/1955, filho de comerciante de café e agro-pecuarista estudou administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e jornalismo na Fundação Cásper Líbero. João Mellão Neto tem seus artigos publicados, todas as sextas-feiras na página 2 do jornal "O Estado de S. Paulo". Como escritor já publicou diversos livros na área do "pensamento político liberal", em vista que João Mellão também teve uma carreira política bastante diversificada para sua idade, sendo quatro vezes secretário municipal, cumpriu dois mandatos de deputado federal e foi Ministro do Trabalho e da Administração, atualmente é deputado estadual em São Paulo (DEM).
E-mail: jmellao@al.sp.gov.br



Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Editorial Opinião).
Sexta-Feira, 30 de janeiro de 2009.




Leia também: VERDADE, HONRA, VERGONHA – Maria Lucia Victor Barbosa



Friday, April 25, 2008

Tupiniquins go home!

Figura: Stars and Stripes of the Brazilian Empire. Cucarachas: Burn this flag!

























Nós, os imperialistas
por João Mellão Neto

Isso, um dia, haveria fatalmente de acontecer. De Lenin para cá, o inimigo dos povos pobres eram os países desenvolvidos, que usavam até mesmo a força para obrigar aqueles a comerciar com desvantagem. Segundo Vladimir Ulianov - nome verdadeiro do líder da Revolução Russa, os ricos não exploravam mais os pobres em seus próprios países, preferiam unir suas forças para tirar proveito das nações menos desenvolvidas. Inimigos, por exemplo, eram os países ricos da Europa, aqueles que já haviam realizado as suas revoluções industriais.

Da 2ª Grande Guerra para cá, o inimigo mudou de endereço. Donos de praticamente metade das riquezas do mundo, era natural a eleição, como alvo preferencial, dos Estados Unidos da América. A nossa América Latina não ficou indiferente a esse movimento. Muita tinta e muito papel foram gastos por aqui para esconjurar os demônios do norte. O maior investidor em cada um dos países da América ibérica e também o maior parceiro comercial, era previsível que a opulência norte-americana despertasse a cobiça dos seus irmãos latinos, uma vez que “não havia outra explicação para o fato de eles serem tão ricos e os demais, tão pobres”. Educação, instituições, desenvolvimento tecnológico, nada disso era levado em conta, para não desafinar o canto da procissão. Os ricos são ricos tão-somente porque exploram os pobres e ponto final.

A tese, nestas plagas, ganhou finalmente a sua bíblia, o seu livro sagrado, com a publicação da rancorosa obra do uruguaio Eduardo Galeano "As Veias Abertas da América Latina", no início da década de 1970. Escritor talentoso, Galeano pôs a sua pena a serviço da ideologia e conseguiu pintar com cores demoníacas até onde nem sequer um pequeno capeta havia. "A América Latina estava inteirinha a serviço dos EUA!", concluía, alarmado, o escritor.

Li esse livro nos meus primeiros anos de universidade. Embora tudo o que fora afirmado ali fosse de difícil comprovação, o fato é que as verdades convenientes não carecem ser chanceladas pelos fatos: acredita-se nelas e pronto. Após sua leitura, tive ímpetos de tomar o primeiro quartel que avistasse. Ainda bem que não o fiz. A História é uma senhora caprichosa e ainda haveria de dar muitas voltas nos 35 anos posteriores.

A virada do jogo se deu com a posse, como presidente da Venezuela, do coronel Hugo Chávez. Surpresa! No índex do ditador, o Brasil constava pela primeira vez como um dos países exploradores e vilões. Como isso era possível? Pois não foi aqui que se produziu a maior tonelagem de livros antiimperialistas? É verdade, como também é verdade que nós possuímos o maior território da América Latina, temos a economia mais desenvolvida e, ainda por cima, falamos um idioma diferente dos demais na região. Não basta isso para assegurar a nossa candidatura ao clube das nações odiáveis?

Logo depois de Chávez, tomou o poder na Bolívia o pseudo-índio Evo Morales, que, já no dia de sua posse, declarou ser o Brasil a principal potência a ser combatida e anunciou, para logo em seguida, a expropriação de duas usinas brasileiras em território boliviano. A promessa foi cumprida na íntegra. Em seguida, assomou ao poder, no Equador, mais um líder típico, Rafael Correa. Somados estes ao casal Kirchner, da Argentina, que nunca escondeu o seu vezo peronista, e mais Alan García, que busca cumprir as suas promessas de austeridade, mas o passado o condena, temos um quadro de volta ao passado, quando todas as nações da América do Sul rezavam pela cartilha populista.

O novo populismo - que acaba de levar a Presidência do Paraguai - é mais sofisticado e complexo do que o antigo. A base popular destes novos regimes não é mais composta pelos sindicatos organizados, mas sim pelos “despossuídos”, uma massa disforme, geralmente de origem rural, que se caracteriza por “não possuir alguma coisa: seja terra, seja teto, seja o que for”. É a essa gente que arengam os novos messias, prometendo o Céu na Terra e benesses de todos os tipos. A origem dos recursos para tanto, como no populismo tradicional, é incerta. Geralmente se alega que vão conseguir concessões comerciais de países vizinhos mais desenvolvidos.

O ódio aos Estados Unidos, como não podia deixar de ser, está presente no ideário dos novos líderes, já que nossos irmãos do norte continuam sendo a nação mais rica do planeta. Mas, em se tratando de mágoa, os neopopulistas têm outras prioridades de que cuidar. O Brasil é a principal delas e se enquadra perfeitamente no perfil de “imperialista odiável”: temos um território avantajado, um parque industrial muito mais moderno e desenvolvido do que os dos nossos vizinhos e, suprema heresia, quase todos dependem do comércio conosco para a saúde de suas economias.

Quem estudou na minha época pode enrolar as suas bandeiras de luta, porque agora os imperialistas somos nós. Todo o rancor que nós destilávamos contra os Estados Unidos agora se voltou contra o Brasil. Aqueles, dentre nós, que derramaram lágrimas ao ler o livro de Eduardo Galeano hoje repensam se é totalmente verdadeira a retórica repleta de impropérios do escritor uruguaio. Afinal, os mesmos argumentos de que ele se valeu para insuflar os intelectuais latino-americanos contra os norte-americanos estão, agora, sendo usados contra nós.

O que mais impressiona nesse novo quadro político é o comportamento ambíguo do presidente Lula. O fato é que ele tem de bajular todas as correntes que o elegeram duas vezes para ocupar o Planalto. E isso implica, entre outras coisas, prestar reverência a todos os líderes sul-americanos que surgirem brandindo uma bandeira com tons avermelhados.

Triste sina a nossa!


João Mellão Neto, nasceu na cidade de São Paulo, SP em 06/11/1955, filho de comerciante de café e agro-pecuarista estudou administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e jornalismo na Fundação Cásper Líbero. João Mellão Neto é um dos jornalistas mais lidos, comentados e acreditados da imprensa de São Paulo e do Brasil. Seus artigos são publicados, todas as sextas-feiras na página 2 do jornal "O Estado de São Paulo" e, quinzenalmente, no "Florida Review", revista em língua portuguesa que circula na comunidade brasileira em Miami, EUA. Como escritor já publicou diversos livros na área do "pensamento político liberal", tendo em vista que João Mellão também teve uma carreira política bastante diversificada para sua idade, sendo quatro vezes secretário municipal, cumpriu dois mandatos de deputado federal e foi ministro de Estado.


Publicado no jornal " O Estado de S. Paulo".
Sexta-feira, 25 de abril de 2008.





O reinado da burrice – Benedicto Ferri de Barros
 
Copyright © 2004-2019 Bootlead