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Friday, November 14, 2008

O Brasil já está sob o domínio do "Governo Mundial"!
Só que as FFAA não perceberam e ainda falam em "soberania". Piada!










































Atentado à unidade nacional
editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Se não bastassem as dificuldades para a obtenção de licenças ambientais para obras de infra-estrutura fundamentais para o desenvolvimento do País, em diversos pontos do território nacional - não só na Amazônia, decerto -, agora vem à luz mais uma barreira já antiga, embora por muitos ignorada, mas que está prestes a ser posta em efetivo funcionamento: trata-se da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Ela estabelece que dependerão de consultas plebiscitárias aos índios e quilombolas quaisquer iniciativas legais, normativas ou de realização de obras - como estradas, hidrelétricas, portos, linhas de transmissão e de outro gênero - que envolvam tais comunidades.

Aprovada em 1989 durante a 76ª Conferência Internacional do Trabalho e assinada pelo governo brasileiro em 1992, essa Convenção foi ratificada pelo Congresso em 2002, mesmo depois de sistemática obstrução comandada pelo ex-senador Bernardo Cabral (PMDB-AM). Entrou em vigor em 2003, mas ainda não passou a funcionar porque ainda não se descobriu como fazer um plebiscito com os índios e quilombolas toda vez que alguma iniciativa legal ou obra se aproximar de "suas terras".

Esse tema foi devidamente reavivado no seminário realizado em Brasília, nos últimos dias 10 e 11, sob o título: Oportunidades e desafios para a implementação da Convenção 169 da OIT sobre povos indígenas e tribais em países independentes. Contou com os apoios do Ministério Público Federal, da OIT, da Escola Superior do Ministério Público, da Red Juridica para la Defensa de los Derechos de los Pueblos de la Amazonía, e com a ajuda financeira da ICCO (Interkerklijke Coordinatie Commissie Ontwikkelings), da Oxfam (Oxford Comitee for Famine Relief), da RFN (RainForest Foundation da Noruega) e da União Européia, sob a coordenação da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e do Instituto Socioambiental (ISA). Como se vê, há muita instituição interessada na questão.

Do seminário participaram representantes de entidades indígenas de países latino-americanos como Guatemala, Colômbia e Bolívia, além do Brasil. Interessante foi o debate que se estabeleceu entre os brasileiros presentes. Marcelo Karamuirá, líder indígena de uma das 14 etnias do Xingu, reclamou das autoridades brasileiras que não obedeceram às determinações da Convenção 169, ao permitirem a instalação de grandes e pequenas hidrelétricas nas proximidades do Parque Nacional do Xingu sem consultá-los, no que "houve um desrespeito aos índios". Ao que o presidente da Funai, Márcio Meira, observou que a entidade que dirige não concede licenças, apenas opina naquilo que é função do Ibama.

O presidente da Funai lembrou que hoje existem no Brasil 220 etnias indígenas, que falam 180 línguas e que têm uma população estimada em cerca de 1 milhão de pessoas, sendo 440 mil em aldeias.

De qualquer forma, e considerando-se que em todo o País há cerca de 615 terras indígenas, e ainda mais um número indeterminado, mas em franca expansão, de terras de quilombolas - ocupadas por comunidades de afrodescendentes -, são previsíveis as dificuldades que se encontrarão para descobrir o modus faciendi do plebiscito destinado à concessão ou não da licença índio-quilombola prevista pela Convenção 169.

Assim se explica por que a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, apesar de demonstrar a maior boa vontade em ser a autora do projeto de lei destinado a regulamentar a Convenção 169, confessa que não tem a menor idéia de como o fará: "É preciso debater o assunto e encontrar a forma de fazê-la" (a lei). Certamente a dificuldade já começa pelo cadastramento dos votantes, em comunidades que parecem sempre em expansão. Sob esse critério, até a Usina Nuclear de Angra dos Reis, para ser instalada, teria necessitado da anuência escrutinada dos índios guaranis. E há a informação de que 60 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão em terras indígenas (e quantas não estarão em terras quilombolas?).

Como no governo não há ninguém que se preocupe com essa Convenção 169, que é um verdadeiro atentado à unidade nacional, e proponha a sua nulidade, haja plebiscitos!


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Editorial Opinião).
Sexta-feira, 14 de novembro de 2008.









O império do segredo – Olavo de Carvalho



O Brasil já está sob o domínio do "Governo Mundial"!

Wednesday, May 21, 2008

SENHORES GENERAIS:
ESTÁ NA HORA DE DESEMBAINHAR AS ESPADAS!










































PÁTRIA E HONRA
por Bader

Senhores generais, vós que sempre encarnais as melhores tradições do nosso glorioso Exército, vós que fostes permanentemente o bom exemplo para as gerações jovens, vós que sempre honrastes as nossas armas, onde estais neste momento em que a Pátria está ameaçada por inimigos internos e externos?

Acaso não percebeis quão vulneráveis estão as nossas fronteiras? Acaso não notastes que se criou um paredão de extremismo em nossas vizinhas, do Paraguai à Bolívia, ao Equador, à Venezuela, à Guiana?

Vossas experiência e capacidade devem estar à disposição do Brasil, jamais em torno de eventuais governos que não se revestem do aparato da legitimidade porque não cumprem a Constituição, não asseguram o exercício incontrastável da autoridade, dos poderes constituídos e não defendem os interesses genuínos do povo brasileiro.

Que Poderes são estes sob os quais pareceis jugulados? Um Executivo corrompido pela pestilência de uma corrupção desenfreada, escondida pela mídia? Um Legislativo que se transformou em casa de vantagens para cinco centenas de “eleitos” através, em sua maioria, de processo espúrio de compra de votos? Um Judiciário que se transforma em casta, em capitania hereditária, passando a toga de pai para filho?

Um apelo vindo do fundo dos corações brasileiros pede assumíeis a soberania do País, encarregando-vos do tesouro inestimável da honra nacional. Nesse domínio, não podereis, por nada deste mundo, renunciar, transigir, sem que sobre vós venha a cair no futuro o desprezo da própria História.

Tendeis o dever de desempenhar o honroso papel de defensores perpétuos da Nação, das suas tradições, das suas legítimas aspirações, dos seus sonhos e de suas esperanças. Deveis subordinar ao interesse comum os elementos diversos da Pátria, preservar-lhe as instituições com as armas de que dispões. Conduzi-la à salvação, ao reencontro com o futuro, com a dignidade na vida pública, até a altura em que instituições renovadas e dignas possam receber de vossas mãos o encargo de liderar o nosso amado povo.

Tomais depressa uma decisão. O tempo conspira contra tudo que nos é sagrado. Anuncieis, primeiro nos quartéis, depois para a sociedade, a decisão irretratável de doravante não mais permitir ofensas à lei e à ordem. Tomais em vossas mãos, sem hesitação, as responsabilidades reclamadas pela paz social, pelo desenvolvimento, pela prosperidade. Em vós se concentra a atenção do povo brasileiro. Aquele povo que pensa, que não se vende pela oferta de óbolos caritativos pagos pelos cofres públicos; aquele povo que trabalha e paga impostos, que não vive na sonegação, nos negócios escusos, nas sociedades secretas e abertas do crime organizado.

Por que motivos tendeis a necessidade de tomar logo uma decisão? Porque para vós convergem os sentimentos mais comoventes dos que amam esta Pátria Brasileira e não a querem escrava do extremismo ideológico que infesta todas as instituições nacionais e mesmo os chamados Três Poderes.

Como disse Chamfort*, os razoáveis duram, os apaixonados vivem. Não queremos apenas durar. Não vale a pena viver sem honra, viver na desgraça de um País tão rico e tão saqueado, tão forte e tão enfraquecido pelos seus maus filhos.

Eis-vos em face de vós mesmos. Para esta previsível confrontação há atitudes a tomar, planos a fazer, sem ilusões de que a batalha será vencida facilmente. Contudo, tendeis um Exército sólido, disciplinado e coerente. Tendeis a bandeira da verdade e da justiça. Sem iludir-vos sobre os obstáculos do caminho, o poderio do inimigo, a sua capacidade de influenciar a opinião pública, a hostilidade dos vencidos de ontem e agora encastelados no Poder, tereis a clarividência, a firmeza e a habilidade de, como um bloco monolítico, dominar até ao fim das provações que infelizmente ainda nos esperam.

Se for inevitável a luta, que venha a luta. Se é preciso lutar, que começais ainda hoje os indispensáveis preparativos antes que seja tarde; mostrais a todos os caminhos da salvação nacional. Muitos já se vos juntaram e muitos outros aguardam vossas ordens de comando. Do fundo do abismo, o Brasil se levanta e sobe com esforço a encosta.

Querida Pátria! Aqui estamos para servi-la!

(*) NR. Sébastien-Roch Nicolas de Chamfort (1741-1794). Escritor, autor e humorista francês.


Bader é um membro do Grupo Guararapes.

Publicado no site do Grupo Guararapes.
Terça-feira, 20 de maio de 2008.





Os homens certos no lugar certo – Olavo de Carvalho

Thursday, March 13, 2008

Exército Brasileiro é proibido de adentrar em área do território brasileiro,
pois tal área foi "vendida" a uma ONG estrangeira pelo PT.




NOTA DE FALECIMENTO


É COM ENORME PESAR QUE COMUNICAMOS QUE DEPOIS DE LONGA AGONIA, QUE DUROU MAIS DE VINTE ANOS, FALECEU UMA ANTIGA INSTITUIÇÃO BRASILEIRA CONHECIDA COMO

EB - EXÉRCITO BRASILEIRO


O ENTERRO REALIZOU-SE NO CEMITÉRIO "RAPOSA SERRA DO SOL" EM RORAIMA, UM EX-ESTADO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

NÃO SERÁ DECRETADO LUTO OFICIAL, TENDO EM VISTA QUE A FALECIDA INSTITUIÇÃO JÁ NÃO ERA MAIS MERECEDORA DE TAL HONRARIA.

COMPARECERAM AO SEPULTAMENTO SOMENTE OS COVEIROS, QUE TAMBÉM RESPONDIAM PELO ALTO-COMANDO DA AGORA DEFUNTA INSTITUIÇÃO.







Tuesday, February 12, 2008

"CONVERSANDO COM A RESERVA" MORAL DA NAÇÃO.

























"Há épocas de tal corrupção, que, durante elas, talvez só o excesso de fanatismo possa, no meio da imoralidade triunfante, servir de escudo à nobreza e à dignidade das almas rijamente temperadas".
Alexandre Herculano


Reserva ativa
por Fenix

Tenho lido neste espaço, vários pronunciamentos de oficiais da reserva das forças armadas, todos de altas patentes e todos conscientes dos atuais problemas brasileiros.

Os pronunciamentos são em tom de critica e nem poderia ser diferente pois os abusos ultrapassaram todos os limites do aceitável. Os assuntos tratados envolvem a segurança e a soberania nacional, uns amplamente divulgados pela imprensa, outros resultado de dedução lógica individual. Quando os leio, sinto um alivio pois imaginava estar sofrendo das faculdades mentais e tendo alucinações com o provável futuro do país, nas mãos desses governantes. Tudo acontecendo a luz do dia e sem nenhuma reação de quem quer que seja, das instituições ou da sociedade civil.

Esses da reserva aos quais me refiro, têm a mesma origem e educação dos oficiais da ativa, que por motivos de força maior não se pronunciam. Embora não se manifestem, imagino a angustia que devam estar vivendo, vendo os mesmos fatos , vendo a destruição de tudo o que é correto e que demandou tanto tempo e esforço para construir, ou seja, uma sociedade saudável buscando o progresso individual, de suas famílias e por via de conseqüência, de seu país. Esses fatos geram profunda indignação em quem toma conhecimento e naturalmente é seguido de revolta e perplexidade; "Será possível que isto esteja acontecendo mesmo?" - "não será um pesadelo?".

Mas é a dura e pura realidade. Como será a vida desses homens, senhores das armas, instruídos no patriotismo, nos bons princípios e preparados para a guerra e a defesa da pátria? Como será ficar estático, imobilizado presenciando tais fatos. Será possível que durmam com consciência do dever cumprido?

Da reserva ou da ativa, sei que não são diferentes. A indignação de um é a mesma do outro. Mas os da reserva já deram à nação o que ela necessitava épocas atrás.

Fica o apelo aos da ativa que amem a pátria mais do que as palavras possam dizer e façam o que, até constitucionalmente é seu dever.

Tenho certeza que a paga será a eterna gratidão da nação brasileira.


Fenix é um membro do Grupo Guararapes.

Publicado no site do Grupo Guararapes.
Sábado, 11 de fevereiro de 2008.


"SOBERANIA" = MORTE AO COMUNISMO!
Bootlead





Esclarecendo: "Stella"? Por quê? – Bootlead

MENSAGEM ÀS FORÇAS ARMADAS – Geraldo Almendra

Sunday, February 10, 2008

Luiz Inácio "Fausto" da Silva, é o resultado de um pacto com "Mefistófeles"!






























O Alquimista
por Fenix

Fala-se muito mal de nosso excelentíssimo presidente da república, mas, olhando por outro ângulo, nos deparamos com um ser humano no mínimo notável.

Mal sabe escrever ou ler, despreza a leitura e o conhecimento que ela transmite, provavelmente por falta de entendimento da mensagem. E, no entanto, até sem ter nenhuma experiência em cargos públicos executivos, galgou ao maior deles em poucas tentativas.

Embora não domine a língua pátria, utilizou-se da oratória e convenceu grande parte da população a colocá-lo onde hoje se encontra. Não bastasse isso, em menos de uma década amealhou fortuna estimada, pelos entendidos, em cerca de 2 (dois) bilhões de dólares. Olhem, que tenho amigos formados, com mestrado, doutorado e até PhD que, embora não estejam mal de vida, necessitariam de mais 20 vidas iguais a essa, para conseguir tal fortuna.

Sempre envolvido em escândalos, mesmo todos sabendo que é o chefe, sempre se safou com um "eu não sabia" ou então com "eu fui traído" colocando de quatro toda a inteligência jurídica e policial nacionais e sempre se saindo ileso, quando não, mais fortalecido.

Desconhecendo suas limitações, visita vários países, almoçando e jantando com chefes de estado e até a realeza, sem nenhuma censura ou constrangimento, seja dele mesmo, de lá ou de cá... Chega a trocar idéias com estadistas mais poderosos do planeta ou sugerir programas à ONU e além de ser ouvido, muitas vezes é até aplaudido.

Desprezando a verdade, criou um mundo virtual, fantasioso e ninguém ousou, até agora trazê-lo de volta à realidade. Mais que isso, conseguiu fazer acordos com os autos intitulados intelectuais e, aparentemente não foi a língua que impediu o entendimento. Envolveu todos os políticos passando-lhes o cabresto e oferecendo a cenoura, que a eles nunca entregou. Faz promessas e jamais as cumpre, mas isso nunca impediu que voltasse a fazê-las aos mesmos enganados que tornam a acreditar.

Destemido, diferente até dos seus criadores, ignora as forças armadas, simplesmente não lhes dando satisfação de qualquer de seus atos, e, embora não as ofenda pessoalmente, o faz com atos de profundo desprezo e desconsideração. Zomba dos mesmos lhes oferecendo o que lhes foi tirado e protelando indefinidamente o que lhes foi prometido. Tão ousado é que, até em assuntos que envolvem a soberania nacional, jamais o temor de uma reação o impediu que desse continuidade a tais afrontas.

Em meio a mais denúncias, escalou nada menos que um general-de-exército que se prontificou em acobertá-las. Quando se reúne com líderes de ideologias perigosas, o faz às claras e também às escuras, mas nunca as deixou de fazer. Distribui recursos do povo brasileiro a países que mal tem relações com o nosso, perdoa dívidas de outros, subsidia o desenvolvimento de mais alguns e deixa o país a mingua, sem que haja reação, seja da sociedade civil, militar ou eclesiástica. Falando nisso, também deu um passa moleque na igreja católica que acabou por se dividir e não consegue combatê-lo.

Deixou a todos perplexos, como se não acreditando na possibilidade dos acontecimentos e omissos mesmo depois de se assegurarem da verdade. O valente irresponsável brincou e zombou de todos os setores e instituições conhecidas e, nenhuma delas jamais esboçou reação. Ora senhores, é um mágico, um ilusionista, um profundo conhecedor das fraquezas humanas e as explora sem cerimônia, 24 horas por dia.

É um alquimista!


Fenix é um membro do Grupo Guararapes.

Publicado no site do Grupo Guararapes.
Sábado, 09 de fevereiro de 2008.



"SOBERANIA" = MORTE AO COMUNISMO!
Bootlead



Quando a vaca vai pro brejo? - Bootlead

A política-chanchada – Ipojuca Pontes




Sunday, January 20, 2008

Calma "camaradas", falta um pouco para o fundo do poço!
"Eles" ainda não começaram a chutar o "cachorro morto".

Foto: O "glorioso" fim dos "Leopard" e também do EB!































VERGONHA!
por Bader

Tenho lido os desabafos de companheiros do GG egressos das FFAA a respeito da situação econômico-financeira em que se encontram. As FFAA nunca ganharam bem, mas a verdade é que como agora nunca ganharam tão mal. Há uma proposital inversão de valores na escala remuneratória do serviço público. Um investigador da polícia federal ganha como general. Um promotor de justiça com 23 anos de idade recém-admitido em qualquer Estado brasileiro ganha, no mínimo, 17 mil reais. Os porteiros das Assembléias Legislativas e dos Tribunais de Contas ganham no mínimo 6 mil reais.

O que faz esse entulho burocrático de tão importante para subverter qualquer escala salarial razoável? Muito pouco.

As Polícias Militares recebem soldos, vantagens ou subsídios que superam de longe o que pagam o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Por que essas disparidades?

Em primeiro lugar, o Brasil está entregue aos vencidos em 1964 que procuram tirar suas casquinhas. A carreira nas FFAA deve ser desestimulada. Amanhã vão propor o fim do serviço militar obrigatório. O Brasil não tem inimigos, dizem os comuno-petistas, mas está cercado de amigos por todos os lados, como Fidel, Chaves, Morales. Os aviões estão quebrados? Paciência, desde que não seja o avião presidencial. Os tanques não andam? Para que o Brasil quer tanques? Para “intimidar” e “oprimir” o “proletariado”?

Em segundo lugar, só não vê quem é cego só não ouve quem é surdo, estamos em pleno processo de socialização do País, um socialismo renovado, pegando os ventos da China Comunista. Em outras palavras, um comuno-capitalismo, uma mistura do que existe de pior no comunismo e pior no capitalismo.

Desafortunadamente, as FFAA, sedadas pelo espírito de “profissionalismo exclusivo”, professando idéias tolas como a de que a política é coisa suja e, assim, deve ficar só com os políticos, dão azo à institucionalização de tudo que combatemos em quase duzentos anos de independência. Calabar e Silvério dos Reis ganharam novos nomes, perfumados, glamorosos, expostos permanentemente na mídia dominada pela esquerda burra como os heróis do Brasil, os pais dos pobres. E o povo ignorante vai atrás dessa procissão dos canalhas e facínoras, como gado em direção ao matadouro.

Enfim, soldos baixos e equipamentos sucateados não acontecem por acaso. Não é coincidência que as FFAA vivam os piores dias de sua História. E que os militares sofram as agruras e o deboche de dificuldades tão imensas para manter um padrão de vida razoável. Tudo foi planejado e está sendo executado cronometricamente. Chegará o dia em que as FFAA poderão ser substituídas pela “Guarda Nacional” ou “Milícias Populares”. Esse filme nós já assistimos várias vezes. Será que vocês não conhecem o final?

A repulsa aos traidores da Pátria, aos ladrões dos cofres públicos, aos bandidos da “luz vermelha” que tomaram conta dos palácios e governos, a repulsa à burocracia judiciária que cria castas hereditárias de juízes, desembargadores e ministros, pode e deve acontecer se a vergonha for mais forte do que o medo, se a honra militar for mais alta do que o sabujismo, se a farda for mais eficiente do que o colarinho branco.

SE TIVERMOS CORAGEM PARA REAGIR..., PORQUE FORÇA NÓS DISPOMOS.


Bader é um membro do Grupo Guararapes.

Publicado no site do Grupo Guararapes.
Domingo, 20 de janeiro de 2008.


"SOBERANIA" = MORTE AO COMUNISMO!
Bootlead



Wednesday, August 29, 2007

Gal Pinochet: Um militar de Honra! A História lhe fará justiça.
































Fidel ha muerto. ¡Viva Pinochet!
por Luís Mauro

Mais uma vez, circula, na Internet, a notícia da morte de Fidel Castro. Há algum tempo, para dar mais credibilidade ao boato, chegaram a divulgar uma fotografia do suposto defunto em leito de morte. Dias depois, viria o desmentido.

Agora, como o era naquela época, é absolutamente irrelevante se ele realmente morreu ou não.

Faz muito, o ditador cubano já está virtualmente morto, sendo usado somente para sustentar o governo de seu inexpressivo irmão Raúl e para servir aos propósitos bolivarianos oníricos daquele que o pretende substituir, não como tirano da infeliz ilha, uma vez que já é o “homem forte” da Venezuela, mas na liderança das ações subversivas praticadas na América Latina.

Por isso, não desperdiçarei tempo falando dele, não importa se moribundo ou falecido. Prefiro fazê-lo sobre um líder político sul-americano recentemente desaparecido, o General chileno Augusto Pinochet, tão injustiçado pelos meios de comunicação internacionais e, mais intensamente ainda, no Brasil, embora respeitado pelos jornais de seu próprio país.

O primeiro – um ditador sanguinário que quase levou o seu povo à inanição total – é chamado de comandante, presidente, líder histórico de Cuba. O outro – que salvou o Chile da ditadura comunista de Salvador Allende e o colocou em privilegiada situação econômica no concerto dos vizinhos – somente é referido como ditador, e apresentado como um assassino cruel e desumano.

Mas não estranhe o leitor essa inversão axiológica da mídia e de muitos políticos. Se Fidel matou infinitamente mais do que as mortes atribuídas ao governo de Pinochet, isso pouco lhes interessa. Afinal, na lógica destorcida dos grupos esquerdistas que, por inspiração externa, tomaram o governo de vários países latino-americanos, a vida de terroristas comunistas deve valer milhares de vezes a de cidadãos cubanos vitimados pelo genocídio castrista.

Foi, justamente, essa lógica doentia que levou o nosso governo subserviente a deportar, covarde, impiedosa e desumanamente, para a sanha de seus algozes, dois atletas cubanos que tentaram fugir do terror, asilando-se no Brasil, quando, pouco tempo antes, os mesmos agentes partiram para a defesa intransigente de um falso padre, traficante, terrorista, assassino, mas integrante das FARCS e, portanto, “companheiro” de aventuras ideológicas que não deveria ser extraditado, jamais.

Esse é o modelo de “democracia” em que vivemos.

É irônico que muitos daqueles que teriam sido fuzilados pela ditadura comunista, caso não tivesse sido abortada pela redentora Contra-revolução de 1964, hoje, hostilizam os únicos que os poderiam salvar novamente e enchem a boca para chamá-la de ditadura militar. Continuando com essa insanidade suicida, inteiramente alheios ao grave perigo que correm, em troca de alguns tostões ou de um empreguinho qualquer, apóiam esse governo constituído pelos mesmos grupos subversivos de então, garantindo-lhe sobrevivência ilegítima, sem se darem conta de que serão sumariamente eliminados, tão cedo deixem de ser necessários ao processo insidioso de consolidação dessas forças no poder.

Seria muito bom se os nossos órgãos de imprensa fizessem uma autocrítica e reconhecessem que os chilenos, sempre apresentados como vítimas de Pinochet, adoram o seu ex-presidente. Ninguém melhor do que eles, para decidir se Pinochet foi bom ou mau para o Chile, e isso parece que ficou claramente resolvido com as intensas manifestações de apreço do povo, como vimos nos funerais do velho general.

Muito me emocionaram a solenidade das cerimônias fúnebres e a altivez, a coragem e a independência reveladas pelos militares que as organizaram, para desgosto dos governantes do país, que também sucumbiu à avalanche ideológica que têm imposto governos de esquerda hostis às Forças Armadas em quase todo o continente.

Era comum invocar-se o “efeito orloff” (eu sou você amanhã), para explicitar que o Brasil sempre experimentava as aventuras políticas ou econômicas argentinas com algum retardo.

A situação dos militares não é boa em nenhuma nação do Cone Sul, mas, sem dúvida, não devemos permitir que, como antes, evoluamos pelos caminhos da Argentina, onde, parece-me, ela é muito pior, desastrosa, mesmo.

Também não serve o exemplo chileno. Embora, como vimos, os militares de lá não se tenham submetido às pressões políticas inadmissíveis e tenham preservado os seus valores ao reverenciarem o antigo comandante, a presidente Michelle Bachelet demitiu dos quadros do Exército, de maneira arbitrária e desproporcional, pelos jornais, sem sequer ouvi-lo, num flagrante desrespeito as garantias constitucionais mínimas de um Estado democrático, o neto do General Pinochet, o Capitão Augusto Pinochet Molina, por conta do discurso que proferiu à beira do túmulo do avô.

Como era de se esperar, isso não causou qualquer mal-estar nos nossos meios de comunicação, que, depois de noticiarem o fato, deixaram de acompanhar a evolução dos acontecimentos que não lhes convinham.

Assim, resta-nos apenas uma via: assumirmos o controle sobre os nossos destinos, repelindo, com energia proporcional à ofensa, todas as agressões que, contra nós, tentarem praticar.

Será essa a única maneira de nos preservarmos para atender o chamamento da Pátria, se todas as outras instâncias vierem a falhar.

Este é o nosso dever.


Luís Mauro Ferreira Gomes é Coronel-Aviador da Força Aérea Brasileira.

Publicado no site "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Sábado, 25 de agosto de 2007.



Saturday, August 11, 2007

Quando a farda vira fantasia, imagine-se o resto.
É UMA VERGONHA!

Se um "funcionário" ganha a patente de general, o "chefe" então,
deverá ganhar a de marechal. Correto?





































REFLEXÕES DE UM CORONEL ESCLEROSADO
por Cícero Novo Fornari

Sentado em minha poltrona favorita, vi pela TV que o Brasil tinha novo Ministro da Defesa. Ministro da Defesa? Não pode ser. Não estão querendo dizer Ministro da Guerra? Lembro-me então que isso é coisa de um passado remoto.

Mas o nome Defesa não está errado?

O nosso Ministério da Defesa peca inicialmente pelo nome: alguém que entra em campo com a imposição de apenas se defender, está fadado a perder ou no máximo empatar. O nome mais correto seria Ministério das Forças Armadas, ou no nosso caso atual, MINISTÉRIO DAS FRAQUEZAS DESARMADAS.

Lembrei-me então que existe uma imposição que o Ministro da Defesa seja um civil e de preferência com o Certificado de Isenção do Serviço Militar. Mas agora a coisa melhorou. Parece que foi colocado alguém do ramo. Ele está fardado! E tem um belo currículo.

Tem “notável saber jurídico”, pois foi Ministro e também Presidente do Supremo Tribunal de Federal, mas seus oficiais de gabinete se esqueceram de alertá-lo que existe uma lei chamada Estatuto dos Militares que em seu Art. 76 diz: “Os uniformes das Forças Armadas, com seus distintivos, insígnias e emblemas, são privativos dos militares e simbolizam a autoridade militar, com as prerrogativas que lhes são inerentes."

Parágrafo único: Constituem crimes previstos na legislação específica o desrespeito aos uniformes, distintivos, insígnias e emblemas militares, bem como seu uso por quem não tiver direito.

O uso do uniforme militar pelo Ministro causou preocupações aos seus assessores.

O tesoureiro do gabinete pensou: “Será que posso sacar o soldo de soldado recruta para o Ministro?"

Ele certamente não irá gostar, porque o nosso recruta recebe menos que um salário mínimo.

Por sua vez, o Ministro, preocupado com o cerimonial, indagou aos seus áulicos:

"E se me “baterem” continência, como vou proceder?"

Rapidamente o seu assistente disse:

"O senhor responde com o mesmo gesto, com a mão direita."

Um segundo, mais chegado ao esquema gramscista, adiantou:

"É melhor responder com a mão esquerda, é mais atual."

O terceiro, adepto do Foro de São Paulo, que sempre aparece nesses momentos, arrematou:

"O senhor pode responder com as duas mãos, fazendo o famoso “TOC,TOC,TOC”, já institucionalizado pelo Palácio do Planalto.

Atributos não faltam ao Ministro.

Com o seu notável saber político, foi Deputado federal e constituinte em 1988 e publicamente revelou que fraudou o texto constitucional, depois de ter sido aprovado em plenário. Agora é especialista em aviação.

Quando for visitar a Marinha vai ficar uma gracinha com sua roupinha de marinheiro.

Marcha soldado, cabeça de papel...

Luiz de Camões foi militar e suas palavras esculpidas em bronze na pérgula da Academia Militar das Agulhas Negras, ficaram gravadas indelevelmente em nossas mentes e nossos corações:

“A disciplina militar prestante, não se aprende senhor na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, mas sim vendo, tratando e planejando.”

Passo a palavra à Procuradoria da Justiça Militar;

Rogamos a DEUS que salve a nossa PÁTRIA.

BRASIL ACIMA DE TUDO!

SELVA! BRASIL!


Cícero Novo Fornari é Coronel do Exército Brasileiro, com muita honra...

Sunday, July 29, 2007

Exterminar ratazanas é uma questão de saúde pública.



































Seleção Antinatural
por Luís Mauro

Pedimos ao nosso estimado leitor que relaxe profundamente e, em seguida, que procure imaginar uma determinada espécie, vamos supor, de ratos, que resolvesse adotar ritos de acasalamento que somente assegurassem a reprodução dos indivíduos menos aptos.

Continuando com a nossa experiência, conceba essa mesma coletividade de ratos escolhendo os seus líderes entre os mais incapazes do grupo.

Já inteiramente imerso nesse estado de consciência alterada, o que pensaria o leitor se visse aqueles elementos da hierarquia social das nossas cobaias que correspondem a ministro de Estado nas sociedades humanas, correndo, desesperadamente, de um lado para o outro, inteiramente perdidos e mentalmente paralisados por excesso de Botox no cérebro, em constante delírio, chiando uma porção de bobagens incoerentes; “no lugar de caçar ou assaltar a dispensa de alguém para alimentar a ninhada, vocês devem relaxar e gozar, é muito mais prazeroso”; “muitos de nós estão morrendo em ratoeiras por causa do grande progresso que alcançamos, o que permite que mais ratos estejam em busca de alimentos”; “não há crise no sistema de transporte aéreo da ratada”; “aqui pra vocês, oh!, top. top, top”.

Enquanto isso, a ratazana-mor discursa sobre o hipotético ponto G das suas fantasias.

E onde estarão os ratos normais, os que não foram acometidos por essa grave falha genética? Estão acovardados! Pensam que agir contra aqueles que subvertem a ordem natural é antidemocrático, porque eles fazem muito barulho e corrompem ou viciam todos os processos, levando à falsa percepção de que são maioria.

Alguém será capaz de conceber futuro melhor para essa sociedade de ratos do que a extinção da espécie?

Pois é. Isso que acabamos de ver se dá todos os dias, em outro grupo social, desta vez, de humanos. Infelizmente, essa experiência desastrosa está acontecendo aqui no Brasil, onde a seleção social antinatural premia o lixo político da Nação e encurrala, isola, cala e, por fim, destrói, social e economicamente, todos os que se opõem a esse estado de coisas.

O último fruto dessa insanidade coletiva de uns poucos que assaltaram os poderes da República e se impõem, por fraudes sucessivas, a todo o Brasil, acabamos de ver hoje, com a nomeação do senhor Nelson Jobim para o ministério da Defesa.

E o ministro, começa muito mal, pois, se precisa dizer que quem manda é ele, já está antecipando o desastre que a sua administração será.

Tal nomeação, mais do que um insulto às Forças Armadas brasileiras, é, ao mesmo tempo, uma grande estupidez e uma jogada estratégica brilhante.

O insulto se consubstancia ao ser nomeado para a pasta que subordina as Forças Armadas, último repositório dos valores, dos princípios, da ética e da moral nacionais, um cidadão que confessou, quando era presidente do Supremo Tribunal Federal, ter fraudado o texto constitucional, durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte. Também, comportou-se mais como um militante político a defender, despudoradamente, a sua própria ambição de poder do que como um magistrado, durante todo o tempo em que exerceu aquela importante função. Como se não fosse suficiente, percebe-se, em suas ações, uma vocação para a prepotência, que confunde autoridade com arbitrariedade.

Como esperar que tal figura possa inspirar o respeito dos militares, que, entre outras coisas, juraram defender as Instituições nacionais com o sacrifício da própria vida, e, não suportam quem assim procede?

Lamentavelmente, não houve, no momento oportuno, qualquer medida contra tais ações, por quem tinha o dever de fazer cumprir a Lei.

A estupidez decorre de que o presidente, depois de hesitar durante dez meses, para fazer o que todos esperavam e demitir o ministro Valdir Pires – que nunca exerceu, verdadeiramente, o posto – perde a oportunidade escolher alguém à altura da importância do Ministério da Defesa e, mais uma vez, nomeia um substituto, totalmente, despreparado para o cargo, além de ser ideologicamente incompatível com o pensamento militar brasileiro, o que significa que se torna, cada vez mais distante, a solução dos problemas das nossas Forças Armadas.

A jogada estratégica brilhante consiste em que o presidente da República encontrou um ótimo cabide, ou, talvez melhor, um excelente depósito para estocar Nelson Jobim, arrefecendo-lhe, de imediato, a sede de poder (ao mesmo tempo em que oferece mais uma migalha ao fisiológico PMDB) para, em um segundo momento, inviabilizar – como conseqüência do fracasso que, sabidamente, o novo ministro colherá – qualquer pretensão de candidatura à presidência da República que, por falta de autocrítica, pudesse vir a ter.

Temos pouco tempo para decidirmos se permitiremos que se complete o processo de extinção, comportando-nos como os roedores governados por ratos deficientes, ou se recuperaremos a nossa humanidade, o que implica regatarmos a capacidade de nos indignarmos e de reagirmos com a força e a violência que se fizerem necessárias à salvação da nossa espécie.

Se Deus nos tivesse dado as armas para isso, há muito já teríamos acabado com a farra desse governo de ratos tarados. Como Ele assim não quis, resta-nos esperar que aqueles que as têm não se furtem do dever de usá-las para que tenhamos futuro e que os nossos filhos e netos possam viver livres e com dignidade, em um Brasil rico, poderoso e respeitado como sonharam os que vieram antes de nós.



Luís Mauro é Coronel-Aviador da Força Aérea Brasileira.

Thursday, July 05, 2007

Rumo à Praça dos Três Poderes.


































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CARTA AOS PATRIOTAS DAS FORÇAS ARMADAS
por Prado

Companheiros militares, o futuro dirá quem esteve equivocado. Se vocês me apontarem nos anos vindouros o bem-estar geral do País e venha o povo sentir que realmente se impôs uma verdadeira justiça social, me alegrarei de haver-me equivocado ao defender com tanta firmeza a necessidade de mudança.

Penso que é preciso tranqüilizar muita gente envenenada pela propaganda marxista. Posso estar errado, mas acredito em minhas idéias e acho que elas são também de muitos brasileiros. Entendo que as Forças Armadas não desejam a ditadura. Não pretendem revanche contra os seus detratores. Ao contrário, pugnam pelo desaparecimento da grande mancha de ódio lançada pelos que pretendem separá-la da Nação.

Ao advogar uma Revolução Nacional não vislumbro nisso sinônimo de tirania. Inversamente, seria feita para defender a lei e a ordem. Para preservar e honrar a Constituição. Jamais admitiria um regime que suprima o amplo direito de defesa. Jamais toleraria qualquer violação injusta à integridade física de quem quer que seja. Entendo que só deveriam temer uma nova ordem institucional os criminosos de todos os gêneros. Os que roubam o dinheiro do País. Os que roubam o dinheiro do povo. Os que transformaram as instituições públicas em casas de vantagens para si, para parentes e para amigos. Ninguém seria detido pelas suas idéias. Todos responderiam por seus atos. O que se buscaria seria fazer do Brasil uma sociedade mais justa e igualitária. Um pacto de solidariedade social que sensibilizasse os mais ricos a pensarem nas vicissitudes dos mais pobres e aos mais pobres fosse assegurada a possibilidade de ascensão econômica.

Proclamaríamos a intenção de assegurar nossa absoluta convicção de não permitir sob nenhuma circunstância que o marxismo tomasse conta do Brasil. Trabalharíamos para assegurar que o fracasso da democracia medíocre que hoje vemos não seria substituído por mais corrupção, abuso de poder, intolerância e desonestidade sob qualquer matiz.

Asseguraríamos que os aduladores e aderentes de última hora não deformariam os objetivos a serem alcançados.

Ninguém ousaria a utilização das novas instituições prometidas para seus interesses pessoais e egoísticos, para o abuso, para a prepotência, mesmo em relação aos adversários vencidos.

Companheiros militares incumbe às Forças Armadas, formadas constitucionalmente pelo Exército, pela Marinha e pela Aeronáutica, zelar pela organização política do Estado, defendê-lo em sua integridade física, moral e preservar a sua identidade histórica-cultural. Sua missão suprema é assegurar, sobre qualquer outra consideração, a sobrevivência daqueles valores, que são os superiores e permanentes da nacionalidade brasileira.

Reconhecendo-se que a Pátria se encontra em processo de destruição e desagregação, impõe-se a restauração de uma verdadeira Justiça, de um Legislativo com dignidade, de um Executivo que pugne pelo progresso e pelo desenvolvimento que os ventos mundiais exigem, ao invés do engodo da demagogia barata, do assistencialismo eleitoreiro, da falcatrua criminosa.

As Forças Armadas não servem ou sustentam um partido ou uma ideologia. Essencialmente profissionais, hierarquizadas, obedientes, disciplinadas, dão exemplo de organização e patriotismo. Contudo, como forças vivas e dinâmicas por excelência não podem omitir-se diante das continuadas quebras da constitucionalidade. Como máxima expressão da soberania da Pátria, não podem permitir seja enxovalhada a nossa Bandeira e que se ponha em risco a segurança nacional.

As Forças Armadas do Brasil se encontram em grau de inferioridade crescente diante de congêneres sul-americanas. Seus planos de reequipamento, mesmo aprovados pelo Governo, são corroídos pela sabotagem dos tecnocratas marxistas, pelo êxodo de pessoal técnico, por razões de ordem salarial, estando ameaçadas as suas capacidades operativa e logística.

Por tudo isso e por muito mais que poderá ser acrescentado pelos companheiros, estimo que essa noite de trevas não dure muito mais. E que se faça o que é preciso fazer.



Prado é um membro do Grupo Guararapes.

Publicado no site do Grupo Guararapes.
Quarta-feira, 04 de julho de 2007.


"SOBERANIA" = MORTE AO COMUNISMO!
Bootlead






Tuesday, July 03, 2007

Lamarca: A “marca” de um traidor do Exército e da Pátria.


























LAMARCA: A TRAJETÓRIA DE UM DESERTOR
por F. Dumont

1. O FIM E O COMEÇO

No meio da tarde de uma sexta-feira, sob o ardente calor de 40 graus da caatinga do sertão baiano, uma equipe de agentes, aproximando-se passo a passo, vislumbrou os dois homens que descansavam à sombra de uma baraúna, no lugarejo de Pintada, município de Oliveira dos Brejinhos.

À voz de prisão, tentaram sacar suas armas. Duas rajadas curtas mataram os dois homens.

Um deles era José Campos Barreto, o Zequinha, morador da região.

O outro, também conhecido por "Renato", "Célio", "Sylas", "João", "César", "Paulista", "Cláudio",
"Cid" e "Cirilo", era Carlos Lamarca, ex-Capitão do Exército, ex-dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares (VAR-P), naqueles tempos já militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8) e escondido no interior da Bahia.

Foi o fim trágico de um desertor.

Filho de pais pobres, Lamarca nasceu em 27 de outubro de 1937 e viveu, até os 17 anos, no Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, com seus irmãos e uma irmã de criação, Maria Pavan, que viria a ser sua esposa.

Em meados da década de 50, como muitos, entusiasmou-se com a campanha do "O Petróleo é Nosso", politizando-se com as idéias nacionalistas que o influenciaram a procurar a carreira militar.

Depois de reprovado por duas vezes nos exames, ingressou, em 1955, como aluno na Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre. Três anos depois, estava matriculado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Já como cadete, Lamarca -- clandestinamente e fora dos limites da AMAN -- participou de grupos de estudo do marxismo-leninismo, tornando-se um simpatizante do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Declarado, em dezembro de 1960, aspirante-a-oficial da Arma de Infantaria, foi designado para servir no quartel do 4º Regimento de Infantaria (4ºRI), em Quitaúna/SP.

Como tenente, iniciou estudos sobre guerrilha e, em junho de 1962, vislumbrando a possibilidade de integrar a Força Brasileira, em Suez, conseguiu ser transferido para o 2º Regimento de Infantaria, na Vila Militar/RJ, e participou, durante 13 meses, da Força de Emergência da ONU, no Oriente Médio.

Retornando ao Brasil, foi designado, em outubro de 1963, para a então 6ª Companhia de Polícia do Exército (6ª Cia PE), em Porto Alegre/RS.

A Revolução de 31 de março de 1964 veio encontrar o Tenente Lamarca na 6ª Cia PE, admirando a tentativa de resistência de Brizola e condenando a atitude de Jango, por ele tachada como uma "fuga covarde".

Nesse ano, já transitando com desenvoltura pelas esquerdas, chegou a pedir o seu ingresso no PCB, somente desistindo quando alguns companheiros afirmaram que esse partido, "reformista e traidor, o entregaria à polícia".

Na noite de um sábado de dezembro de 1964, quando escalado de oficial-de-dia, Lamarca, deliberadamente, facilitou a fuga do Capitão da Aeronáutica Alfredo Ribeiro Daudt, que estava preso por subversão.

O inquérito, aberto para apurar o seu primeiro ato de traição ao Exército Brasileiro, não chegou a conclusões definitivas.

Entretanto, essa fuga inexplicável tornou o ambiente demasiadamente tenso para ele, na PE. Novamente movimentado, apresentou-se, em dezembro de 1965, no seu antigo quartel do 4º RI, em Quitaúna.

Nesse quartel paulista, reencontrou-se com seu amigo, o Sargento Darcy Rodrigues, com quem, novamente, passou a ter longas conversas sobre a situação brasileira e a realizar um estudo sistemático sobre o marxismo-leninismo.

Em 1968, várias organizações clandestinas, de linha foquista e militarista, sob o pretexto de livrar o Brasil da ditadura militar, ensangüentavam-no, desencadeando as açõs armadas e terroristas preconizadas por Cuba. Uma delas era a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), criada, em março desse ano, pela fusão do grupo foquista dissidente da Política Operária (POLOP) com os remanescentes do núcleo de São Paulo do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), de Brizola. Paradoxalmente, uniram-se os "políticos" teóricos com os "militares" práticos.

Depois de estabelecer conversações com a Ação Libertadora Nacional (ALN) e com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Lamarca decidiu ingressar na VPR, seduzido pela facilidade com que poderia galgar os postos de comando, fazendo valer sua natural ascendência hierárquica sobre os inúmeros sargentos que integravam a organização.

Assim, em junho de 1968, ingressou na base militar da VPR, levado pelos irmãos de um de seus dirigentes, o ex-sargento Onofre Pinto. De imediato, criou uma célula clandestina da VPR no seu quartel, o 4º RI, composta pelo Sargento Darcy Rodrigues, pelo Cabo José Mariano Ferreira e pelo Soldado Carlos Roberto Zanirato.

Muito "convenientemente", Lamarca era, na época, o instrutor de tiro da Unidade.

Com essa facilidade, cometeu a segunda traição ao Exército, conseguindo desviar 2 mil tiros para municiar os 9 FAL que haviam sido roubados pela VPR, em 22 de junho de 1968, no assalto ao Hospital Geral de São Paulo, no Cambuci.

Em dezembro desse ano, explodiu a crise latente na VPR, provocada pela contradição entre a prática e a teoria, entre os "militaristas", oriundos do MNR, e os "políticos" ou "leninistas", oriundos da POLOP. Numa conturbada reunião realizada no litoral paulista, que ficou conhecida como a "praianada", os "militaristas", agora fortalecidos pela adesão do Capitão Lamarca, assumiram a direção da VPR.

Nesse ínterim, Lamarca vinha ministrando instrução de tiro a funcionárias do Banco Bradesco, ironicamente, para que elas pudessem enfrentar os assaltos a bancos.

Na sua cabeça, entretanto, fervilhavam as idéias sobre futuras ações armadas, dentre as quais o assalto ao seu próprio quartel, ato que marcaria, publicamente, o seu ingresso na luta armada terrorista e a sua terceira traição ao Exército.

Apesar do comando militar da área já ter tido conhecimento, desde outubro de 1968, da existência de uma célula comunista no 4º RI e, inclusive, da participação do Capitão Lamarca, as medidas então tomadas -- fruto do despreparo em combater ações desse tipo -- revelaram-se inócuas e não impediram o assalto.

Foi intenso e meticuloso o planejamento da ação, prevista para ser realizada nos dias 25 e 26 de janeiro de 1969, um final de semana, inclusive com a especificação detalhada de quem deveria matar quem. Entretanto, a prisão de quatro militantes da VPR, na quinta-feira, e a descoberta, em Itapecerica da Serra, do caminhão que estava sendo pintado com as cores do Exército, a fim de facilitar o roubo do armamento, determinaram a antecipação do assalto.

Assim, no final da tarde de sexta-feira, 24 de janeiro de 1969, Lamarca entrou no 4º RI com sua própria Kombi e, no paiol, carregou-a com 63 FAL, 3 metralhadoras INA, uma pistola .45 e farta munição.

Dali, dirigiu-se para a casa de Onofre Pinto, a fim de despedir-se de sua esposa, Maria Pavan, e do casal de filhos que, naquela mesma noite, embarcariam para Cuba, via Roma, junto com a família de Darcy Rodrigues.

Com 31 anos, Carlos Lamarca desertava do Exército e ingressava na clandestinidade, com seu nome já aureolado pelo ato audacioso. Com a família em segurança, pôde livremente desfrutar da companhia de sua amante Iara Iavelberg, psicóloga casada com um médico, também militante da VPR, e que, desde sua antiga militância na POLOP, colecionava os codinomes de "Leila', "Norma", "Rita", "Leda", "Cláudia", "Célia", "Márcia" e "Mara".

Alimentado pelo desejo de logo iniciar as ações violentas, foi planejá-las nos locais secretos da organização, os "aparelhos". Em pouco tempo, cometeria o seu primeiro assassinato.

2. O 1º ASSASSINATO

Depois de um Congresso realizado em abril de 1969, numa casa em Mongaguá, cidade do litoral paulista, entre Praia Grande e Itanhaém, no qual Lamarca foi eleito um dos cinco membros do Comando Nacional (CN), a VPR reiniciou as ações armadas.

Na tarde de 09 de maio, Lamarca comandou o assalto simultâneo aos bancos Federal Itaú Sul-Americano e Mercantil de São Paulo, na Rua Piratininga, bairro da Moóca, cujo gerente, Norberto Draconetti, foi esfaqueado e o guarda-civil, Orlando Pinto Saraiva, morto com dois tiros, um na nuca e outro na testa, disparados por Lamarca, que se encontrava escondido atrás de uma banca de jornais. No final da ação, disparou uma rajada de metralhadora para o ar, como a marcar, ruidosa e pomposamente, o seu primeiro assalto a banco e o seu primeiro assassinato.

Os primeiros meses de 1969, entretanto, foram marcados pelas prisões de dezenas de militantes da VPR e do Comando de Libertação Nacional (COLINA), organização criada em junho do ano anterior por dissidentes da Política Operária (POLOP) em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Debilitadas, ambas buscaram, na fusão, um modo de rearticularem-se, formando uma única organização, mais poderosa e de âmbito quase nacional. Dessa forma, no início de julho de 1969, surgiu a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-P), com Lamarca integrando, com mais cinco membros, o seu Comando Nacional (CN).

Nessa época, Lamarca já era um dos comunistas mais procurados. O roubo das armas, a deserção e o primeiro assassinato levaram os órgãos de segurança a efetuarem esforços especiais para a sua captura. O Exército, particularmente, sentindo-se traído, colocara como ponto de honra o fim dos seus atos terroristas. No entanto, ele não era mais um subversivo desconhecido, que necessitava ser identificado. Sua fama e sua origem o qualificavam como extremamente perigoso e sua fotografia atualizada era guardada no bolso de muitos agentes. Sua aparência física e, principalmente, seu rosto cadavérico, tornavam-no um alvo fácil de ser reconhecido. Lamarca sabia disso e resolveu mudar.

Em julho de 1969, dois médicos militantes da Base Médica da VPR, Almir Dutton Ferreira ("Augusto", "Cesar", "Ivo", "João") e Germana Figueiredo ("Júlia"), incumbiram-se da tarefa.

Almir convocou seu amigo de infância, o dentista Rogério Iório, que, em quatro consultas em seu consultório na Avenida Nelson Cardoso, em Jacarepaguá, trocou todos os dentes superiores de Lamarca.

Quinze dias depois, já em agosto, Almir procurou um outro amigo, o médico Milton Nahon, que conseguiu os serviços do também militante comunista Afrânio Marciliano Freitas Azevedo, cirurgião mineiro do Hospital Gaffrée Guinle, que, com o auxílio do médico cearense Amauri Luzardo Santiago de Almeida e do anestesista Luiz Alves, realizou a operação plástica na Clínica São João de Deus, na Rua Almirante Alexandrino, em Santa Tereza.

Lamarca foi internado com o nome de "Paulo Cesar de Castro" e chegou na clínica estranhamente vestido de mulher, com trejeitos para se passar por cabelereiro e homossexual. Durante as 24 horas da cirurgia, dois militantes da VPR, Sonia Eliane Lafoz e Wellington Moreira Diniz - este escondido no armário, permaneceram no seu quarto, como seguranças armados.

Logo depois, já com o nariz reduzido e sem os marcantes sulcos da testa e da face, Lamarca tirou fotografias para a nova identidade e viajou para São Paulo, numa caravana composta por seguranças e pelo médico da VPR Luiz Roberto Tenório, que a capitaneava num Gordini.

Entretanto, se a cirurgia deu certo e tínhamos um novo Lamarca, o mesmo não ocorria com a fusão que dera origem à VAR-PALMARES. Se, por um lado, os "marxistas" oriundos do COLINA, melhor preparados politicamente, criticavam os "militaristas" da VPR pelo "imediatismo revolucionário", por outro, os oriundos da VPR sentiam-se moralmente fortalecidos pelo que levavam para a nova organização: 55 milhões de cruzeiros e um grande arsenal de armas, munições e explosivos.

Nem a "Grande Ação" -- assalto ao cofre de Anna Benchimol Capriglione, amante de Adhemar de Barros, ex-Governador de São Paulo, e que proporcionou à VAR-P cerca de 2 milhões e 800 mil dólares -- conseguiu acalmar os conflitos entre os dirigentes.

Entre agosto e setembro de 1969, uma casa em Teresópolis abrigou 33 militantes que, depois de 20 dias, transformaram aquilo que seria o I Congresso Nacional da VAR-P num festival de bebedeiras, drogas e sexo, recheado por acirradas discussões político-ideológicas que, por pouco, não degringolaram em agressões físicas e tiros.

Ao final, concretizou-se um "racha" na VAR-P, surgindo o "Grupo dos 7" -- dentre os quais, Lamarca -- que foi reestruturar a VPR.

No início de outubro, no bar do Hotel das Paineiras, na Floresta da Tijuca, representou a VPR num encontro com dirigentes da VAR-P para a partilha dos bens das duas organizações.

Apesar de ser membro do CN, ele delegou aos demais a burocrática tarefa de organizar o Congresso da nova VPR, realizada na Barra da Tijuca, e foi orientar seus militantes que se exercitavam no tiro e em marchas tipo guerrilha, num sítio em Jacupiranga, próximo ao Km 234 da BR-116. Observou, no entanto, que esse local, demasiado próximo de uma rodovia e de regiões urbanas, não oferecia boas condições de segurança.

Assim, já como Comandante-em-Chefe da VPR, Lamarca determinou a desmobilização dessa área e a ativação de uma outra, em Registro, no Vale do Ribeira/SP.

3. A ÁREA DE REGISTRO

No feriado da Proclamação da República, Lamarca e Iara Iavelberg foram apanhados de carro por Joaquim dos Santos, num "ponto" junto ao Forte de Copacabana, na então Guanabara, e levados para São Paulo. No dia seguinte, chegavam na nova área de treinamento, localizada no Sítio Palmital, com 40 alqueires de terra, na região de Barra do Azeite, na altura do Km 254 da BR-116, antiga BR-2, rodovia que liga São Paulo a Curitiba, 30 Km ao Sul do município de Jacupiranga.

O ex-Capitão - agora utilizando o codinome de "Cid" - e mais quatro militantes permaneceram no sítio, realizando exercícios de tiro, marchas e reconhecimento das áreas adjacentes. Observaram que a área também não era a ideal: além de ser pequena, a excessiva proximidade da rodovia e a constante presença de caçadores aumentavam a sua vulnerabilidade, inviabilizando-a como área de treinamento apta a receber mais "guerrilheiros".

No início de dezembro, a VPR adquiriu um outro sítio, de 80 alqueires, situado um pouco mais ao Norte, distante 4 quilômetros da BR-116. A primeira área foi desmobilizada e seu material transferido para a nova, denominada de Área 2, considerada pronta antes do Natal.

A partir de janeiro de 1970, os militantes foram chegando para o treinamento e, em março, a Área 2 contava com um total de 18 "guerrilheiros", dentre os quais Lamarca e duas mulheres, uma delas, sua companheira Iara.

Mas as coisas começaram a se complicar.

Em 27 de fevereiro, foi preso Chizuo Ozawa, o "Mário Japa", que sabia a localização da área. Se falasse, tudo estaria perdido. Preocupado em libertá-lo, Lamarca exigiu, em caráter de urgência, o seqüestro de um diplomata.

Em 11 de março de 1970, foi seqüestrado o Cônsul do Japão, Nobuo Okuchi, posteriormente trocado por cinco presos, dentre os quais "Mário Japa". A localização da Área 2 permanecia secreta.

Mas as dezenas de prisões de dirigentes e militantes da VPR, ocorridas no início de abril, viriam, novamente, comprometer a segurança da área de treinamento. Os depoimentos dos presos confirmaram que Lamarca havia feito, no ano anterior, uma operação plástica e Maria do Carmo Brito, membro do CN, presa no Rio de Janeiro, apontara a localização da área.

Em meados de abril de 1970, sentindo-se seguro, Lamarca convocou uma reunião ampliada do CN/VPR, numa casa da Rua Estância, em Peruíbe, cidade do litoral sul paulista. Aventurou-se a deixar a área de treinamento - relativamente próxima ao local - e encontrou-se com Ladislas Dowbor, membro do CN e Cmt da Unidade de Combate (UC) de São Paulo, e com Maria do Carmo Brito, membro do CN, além dos dois Cmt/UC da Guanabara, Juarez Guimarães de Brito e José Ronaldo Tavares de Lira e Silva. O Cmt da UC/RS, Felix Silveira Rosa Neto, também previsto para comparecer à reunião, não foi encontrado por Joaquim dos Santos, que o fora buscar de carro em Porto Alegre (ninguém sabia que Félix já havia sido preso em 12 de abril). Ainda na casa, estavam presentes Iara Iavelberg, Maria Barreto Leite Valdez, que iria cumprir missão no Sul, e Tercina Dias de Oliveira, a "Tia", retirada da área de treinamento no início de março. As informações ainda obscuras sobre as quedas dos militantes da VPR não permitiram que essa reunião do CN decidisse ações de importância.

Entretanto, na noite de 18 de abril de 1970, já alertado sobre as prisões, Lamarca decidiu desmobilizar a área e evacuar os militantes em três grupos. Dois dias depois, quando chegaram as primeiras tropas da "Operação Registro", 8 militantes já haviam fugido.

4. O ASSASSINATO DO TENENTE MENDES

Na noite do Dia das Mães, 08 de maio, depois de mais de duas semanas ainda cercados na área, Lamarca e mais 6 militantes emboscaram cerca de 20 homens da Polícia Militar de São Paulo, chefiados pelo Tenente Alberto Mendes Júnior - o "Berto", como era chamado por sua família, que decidiu se entregar como refém, desde que seus subordinados, feridos, pudessem receber auxílio médico.

Na noite seguinte, os 7 guerrilheiros ficaram reduzidos a 5, pois 2 haviam se extraviado na refrega da noite anterior.

Conduzindo o Ten Mendes como refém, prosseguiram na rota de fuga.

Depois de andarem um dia e meio, os 5 guerrilheiros pararam para um descanso, no início da tarde de 10 de maio de 1970.

Lamarca disse que o Ten Mendes os havia traído, causando a morte de dois companheiros (não sabia que eles estavam, apenas, desgarrados) e, por isso, teria que ser executado.

Nesse momento, enquanto Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima vigiavam o prisioneiro, Carlos Lamarca, Yoshitane Fujimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e, articulando-se em um "tribunal revolucionário", condenaram o Ten Mendes à morte.

Poucos minutos depois, Yoshitane Fujimore, acercando-se por trás do Tenente, desferiu-lhe, com a coronha do fuzil, violentos golpes na cabeça. Caído e com a base do crânio partida, o Ten Mendes gemia e contorcia-se em dores. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a.

Lamarca, perante os 4 terroristas, responsabilizou-se pelo assassinato.

Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensangüentada, o Ten Mendes foi enterrado.

Alguns meses mais tarde, em 08 de setembro de 1970, Ariston Oliveira Lucena, que havia sido preso, apontou o local onde o Tenente Mendes estava enterrado. As fotografias tiradas de seu crânio atestam o horrendo crime cometido. Sua mãe entrou em estado de choque e ficou paralítica por quase três anos.

Ainda nesse mês de setembro, descoberto o crime, a VPR emitiu um comunicado "Ao Povo Brasileiro", onde tenta justificar o frio assassinato, no qual aparece o seguinte trecho:

"A sentença de morte de um Tribunal Revolucionário deve ser cumprida por fuzilamento. No entanto, nos encontrávamos próximos ao inimigo, dentro de um cerco que pôde ser executado em virtude da existência de muitas estradas na região. O Tenente Mendes foi condenado e morreu a coronhadas de fuzil, e assim o foi, sendo depois enterrado."

Os dirigentes da VPR não só eram os donos da verdade, como arvoravam-se em senhores da vida e da morte!

Na tarde de 31 de maio de 1970, Lamarca e os 4 militantes seqüestram uma viatura do 2º Regimento de Obuses 105 e conseguem romper o cerco, largando o veículo já na cidade de São Paulo, na marginal do rio Tietê, perto do bairro da Vila Maria, com os militares amarrados à carroceria, sem roupas.

O segundo assassinato cometido por Lamarca e a fuga bem sucedida, ludibriando e humilhando os militares, serviu para aumentar a lenda e o mito.

5. O SEQÜESTRO DO EMBAIXADOR DA SUÍÇA

Lamarca encontrou a VPR em situação caótica, em face das numerosas "quedas" de abril e de maio de 1970. Em 03 de junho, cobriu um ponto com Ariston Oliveira Lucena na Avenida Ipiranga e reassumiu a sua função de Comandante-em-Chefe, rearticulando o Comando Nacional (CN) com Inês Etienne Romeu e com o homossexual ainda não assumido Herbert Eustáquio de Carvalho, o "Daniel", que com ele estivera na área de Registro. Ao mesmo tempo, foi morar com Iara num "aparelho" do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT).

Em meados de junho, Lamarca, em reunião com Joaquim Câmara Ferreira ("Toledo"), da ALN, e Devanir José de Carvalho ("Henrique"), do MRT, estabeleceu a lista dos 40 prisioneiros que seriam trocados pelo Embaixador alemão, seqüestrado em 11 de junho de 1970.

Reestruturada e com o moral fortalecido pelo sucesso alcançado no seqüestro, a VPR ingressou no 2º semestre de 1970 disposta a incrementar as ações violentas.

Contudo, o seu Comandante-em-Chefe continuava enclausurado em "aparelhos" de outra organização, o diminuto mas violento MRT, por falta de uma conveniente infra-estrutura em São Paulo, até que, no início de outubro, os três membros do CN foram transferidos para o Rio de Janeiro, sendo que o casal Lamarca e Iara foi descansar, durante dois meses, numa casa alugada pelo militante Walter Ribeiro Novaes - nomeado "infra" do Comando - em Rio D'Ouro, pequeno lugarejo situado entre Piabetá e Santo Aleixo, na entrada de Imbariê, estrada Rio-Teresópolis.

Com tranqüilidade, Lamarca pôde, nesses dias, escrever vários documentos teóricos de orientação à VPR e, à revelia da "frente" composta com a ALN, o PCBR, o MR-8 e o MRT, decidiu executar o seqüestro do Embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher.

A ação desencadeou-se na manhã de 07 de dezembro de 1970, na Rua Conde de Baependi, uma rua estreita, de mão única, que liga o bairro de Laranjeiras ao Flamengo.

Depois de bloqueado o Buick azul do Embaixador, Lamarca, de cavanhaque, terno e gravata, bateu no vidro da janela onde estava o segurança, o Agente da Polícia Federal Hélio Carvalho de Araújo. Abriu a porta e disparou dois tiros com um revólver "Smith & Wesson" calibre .38, cano longo, a uma distância de um metro: o 1º tiro atingiu o teto do carro e o 2º, as costas do Agente que, por instinto, se virara. Com a medula totalmente seccionada pelo projetil, o Agente viria a falecer três dias depois, no Hospital Miguel Couto.

Consumado o seqüestro e o seu 3º assassinato, Lamarca levou o Embaixador para uma casa da Rua Tacaratu, uma ladeira que começava em Rocha Miranda e terminava em Honório Gurgel.

Nessa casa, durante os 40 dias de cativeiro, junto com quatro outros militantes, Herbert Eustáquio de Carvalho, Gerson Theodoro de Oliveira, Tereza Ângelo e Alfredo Hélio Sirkis, Lamarca viu, por diversas vezes, ameaçada a sua autoridade, na polêmica sobre se matavam ou não o suíço.

Num rompante de democracia, Lamarca determinou que os militantes da VPR enviassem, por escrito, as respectivas posições.

No documento de Adair Gonçalves Reis, datado de 24 de dezembro, aparece:

"Propomos a marcação imediata da data e horário para o justiçamento, com comunicado à ditadura. Prazo mínimo de 48 horas e máximo de 72 horas, tomando as 18 horas da tarde como horário básico."

Dois dias depois, Zenaide Machado afirma:

"A saída é pagar o preço alto e carregar um defunto que irá muito nos incomodar."

Ubajara Silveira Roriz ("Otávio", "Nando", "Paulo", "Salomão"), militante que já defendera a idéia de sabotar as indústrias siderúrgicas soltando milhares de ratos nas cidades próximas, propugnava:

"... fazer a ditadura levar o cadáver do embaixador atravessado na garganta, nas suas andanças pelo mundo."

Nas respostas, somente Alfredo Hélio Sirkis e José Roberto Gonçalves de Rezende não viram dividendos políticos na morte do Embaixador. Dentre os 5 militantes confinados no "aparelho" da Tacaratu, inicialmente, Sirkis ficou isolado, numa posição absolutamente minoritária.

Com as respostas e o passar dos dias, Lamarca mudou a sua posição. Mesmo assim, eram cerca de 15 votos contra 3, esmagadora maioria a favor da execução. Lamarca, como comandante-em-chefe da VPR, exerceu o seu poder de veto e a sustou.

Sem o saber, Bucher nunca estivera tão perto da morte como naqueles dias de Natal.

À meia-noite de 13 de janeiro de 1971, 70 presos, escoltados por 3 agentes da Polícia Federal, decolavam do Galeão num Boeing da Varig, com destino a Santiago do Chile.

No dia 15, um dia antes do Embaixador ser libertado, Lamarca abandonou o "aparelho" e foi matar as saudades de Iara, que viera de São Paulo.

6. A SAÍDA DA VPR E O INGRESSO NO MR-8

Se o seqüestro do Embaixador suíço proporcionou, por um lado, a libertação de 70 militantes, por outro, demonstrou ser uma "vitória de Pirro", abalando a liderança de Lamarca e iniciando o que viria a ser a desestruturação da VPR.

Em 10 de janeiro de 1971, ainda no "aparelho" da Tacaratu, Lamarca redigiu o documento "Os Mesmos Problemas da Propaganda Armada", no qual, num desabafo, revela as incertezas que lhe corroíam o espírito:

"Estamos nos esvaziando, não conseguimos recuperar o terreno perdido, os companheiros no exterior estão sendo transformados em tábuas de salvação enquanto aqui não conseguimos criar condições para recebê-los, não admitimos fazer trabalho político e ficamos impossibilitados de penetrar no campo, aprofundamos o nosso isolamento político, afundando cada vez mais na marginalidade, ignoramos a história, preocupamo-nos mais com o que o MR-8 vai dizer do que significam as nossas ações, transformamos as nossas discussões em afirmação pessoal (encenações de marxismo), deturpamos tudo para demonstrar que a nossa linha é a correta quando estamos num impasse histórico, esquecemos as discussões, a maioria silencia aguardando não sabemos o que, desgastamo-nos no cri-cri-cra-cra da política burguesa, não criamos nada. A discussão é decisiva."

Dez dias depois de escrever uma "Carta Aberta a Toda a ORG", Zenaide Machado escreveu em 25 de janeiro, em parceria com Adair Gonçalves Reis, um documento no qual analisa os fenômenos existentes na esquerda, dentre os quais o voluntarismo, o espontaneísmo, o individualismo, o personalismo e a autoafirmação, concluindo:

"Toda a esquerda sofre na carne a presença destes fenômenos que têm atravancado o seu desenvolvimento. Se não vencermos o desafio que esta realidade nos impõe, se não tivermos a combatividade necessária para fazermos uma profunda autocrítica e revolução interna não passaremos do que somos hoje: um tumor dentro da realidade política brasileira."

O ponto alto das discussões, entretanto, pelo caricato que se revestiu, foi a polêmica entre Lamarca e o estranho militante de codinome "Otávio", Ubajara Silveira Roriz, o mesmo dos "ratos" e do cadáver "atravessado na garganta". Depois de escrever, em 27 de outubro de 1970, um documento sobre a moral revolucionária, Ubajara, em 19 de dezembro, redigiu o "Libelo contra os Apóstolos do Laissez-Faire ou Abaixo o Positivismo Anti-Revolucionário", usando termos nunca sonhados no hermético discurso marxista-leninista, tais como "pitecantropus erectus", "primatas", "português do bar da esquina", etc.

Foi, no entanto, a crítica aos que estavam no Comando que provocou a irritação em seus companheiros, agravada por dois novos documentos datados de 02 e 05 de janeiro, respectivamente, uma "Carta Aberta ao Comando Nacional" e um "Balanço da Situação", nos quais reputa o seqüestro do embaixador suíço como uma derrota política e disserta sobre a "volúpia do poder" e a "completa ausência de companheirismo revolucionário" que havia, no seu entender, na VPR.

Até aquele momento, o ex-Capitão não havia recebido nenhum desses documentos, pois os comandantes das Unidades de Combate (UC) e das bases estavam considerando que era melhor preservar o comandante-em-chefe da leitura das diatribes de Ubajara. O último documento, entretanto, foi recebido por Lamarca em 14 de janeiro e, dois dias depois, enviava uma "Resposta Sintética ao Companheiro Otávio", afirmando que seu balanço havia sido superficial e incompleto, caindo num "desvio ideológico". Ao final, uma advertência: "Nós devemos é ser mais sérios em nossas análises."

Em 23 de janeiro, Ubajara responde com o documento que mexeu com toda a organização, o "Quem é Carlos Lamarca ?", no qual levanta dúvidas sobre a lealdade revolucionária do "ex-capitão do Exército" e afirma estranhar o mito que se havia criado em torno do seu nome.

Quase uma dezena de documentos sobre a polêmica Lamarca x "Otávio" circularam entre os militantes da VPR nesses dois primeiros meses de 1971, demonstrando a fragilidade do Comando, tendo em vista, particularmente, que tudo acabou em nada.

O mês de março de 1971 ficou marcado pelas ásperas discussões travadas entre Lamarca e Inês Etienne Romeu, que redundaram no desligamento desses dois membros do triunvirato que compunha o Comando Nacional da VPR.

Em 22 de março de 1971, Lamarca, através do documento "Ao Comando da VPR", apresentou o seu "pedido de desligamento em caráter irrevogável", fundamentado por:

"1) divergir da linha política da VPR, conforme coloquei em diversos documentos internos;

2) ter constatado os desvios ideológicos da VPR e a deformação que acarreta em muitos dos seus quadros;

3) não ter conseguido levar a luta interna que iniciei há um ano com a devida serenidade;

4) não conseguir romper com o culto ao sectarismo existente na VPR;

5) discordar do método de direção (apesar de ser Cmt-em-Chefe); a Org impede a liberação de potencial, não forma quadros, aliena militantes, deforma dirigentes, elimina a criatividade, impede a prática leninista -- tudo como já coloquei em documentos internos."

Em 27 de março, logo depois de escrever o documento "Congresso: Salvação Política e Não de Honra", Lamarca, conduzido por Alex Polari de Alverga num Volks bege, foi passado para o MR-8 num "ponto" na Rua Vilela Tavares, no Méier, onde o aguardavam Carlos Alberto Vieira Muniz e Stuart Edgard Angel Jones, num Volks vermelho. Ao mesmo tempo, Iara era trazida a esse ponto por Alfredo Hélio Sirkis. Nesse final de março, Lamarca e Iara iniciavam a trajetória que os levaria à morte na Bahia.

No dia 11 de abril, um recém-formado Comando Nacional Provisório (CNP) emitiu o documento "Sobre o Problema do Desligamento do Companheiro Cláudio", no qual o tachava de "personalismo", "oportunismo" e possuidor de um "idealismo ingênuo" e afirmava que essa atitude havia sido de "fuga à responsabilidade", "a partir de um profundo emocionalismo", denotando uma "fraqueza ideológica". A propósito dos numerosos documentos escritos por Lamarca, o CNP não esqueceu-se de criticá-los, afirmando que eram "somente algumas frases feitas (e ainda por cima mal feitas)" e não passavam de "mero exercício de caligrafia", referindo-se à sua escrita perfeita, redondinha, estranhamente feminina.

Ao final, o CNP concluía que não aceitava o seu desligamento enquanto que não ficassem claras as divergências e que ele não poderia "assumir militância em outra organização até a decisão final da questão".

Mero exercício de retórica. Lamarca já estava no MR-8.

07. A MORTE NO SERTÃO DA BAHIA

À primeira vista, parecia que o MR-8 se fortalecia com a vinda do "Cid" ou "Cláudio", aumentando o seu prestígio junto às esquerdas. Na realidade, a organização recebia, mais do que um militante, um verdadeiro "elefante branco" e a responsabilidade de mantê-lo na absoluta clandestinidade. Para Lamarca, o ingresso no MR-8 representou, nada menos, que o início do seu fim.

Carlos Lamarca e Iara Iavelberg passaram os meses de abril, maio e junho de 1971 escondidos de "aparelho" em "aparelho", dentre os quais o de Renato Perrault de Laforet ("Zé"), em Botafogo, e o de José Gomes Teixeira ("P1").

A prisão deste último, em 11 de junho, que veio a se somar a uma série de prisões de militantes e dirigentes do MR-8, precipitou a decisão de levar o casal para o sertão da Bahia, junto ao trabalho de campo na região do Médio São Francisco. Para o transporte, conseguiu-se um Volks e uma Kombi, cujos proprietários e também motoristas eram, respectivamente, Rui Berford Dias ("Aguiar") e Waldir Fiock da Silva ("Dirceu", "Pantera", "Gota Serena", "Roberto").

No início da noite de 25 de junho, os quatro encontraram-se, junto ao BOB'S da Avenida Brasil, com José Carlos de Souza, que viera especialmente para buscá-los. No Volks, seguiram Lamarca, Iara e José Carlos. Um pouco mais à frente, para verificar as barreiras policiais, a Kombi com Waldir e Rui.

No dia seguinte, ao chegarem em Vitória da Conquista, Rui retornou com seu Volks e os outros quatro seguiram com a Kombi até Jequié. Depois de pernoitarem, o casal se separou: Iara e Waldir foram de ônibus para Salvador, enquanto Lamarca e José Carlos dirigiram-se para Itaberaba e Ibotirama. Ao chegarem na ponte da BR-242 sobre o Rio Paramirim, encontraram-se, no fim da tarde de 27, com José Campos Barreto, o "Zequinha". Depois de dormirem numa pensão no início da estrada que demanda a Brotas de Macaúbas, chegaram nessa cidade na tarde de 28 e, no dia seguinte, Lamarca e Zequinha foram a Buriti Cristalino, enquanto José Carlos seguia com a Kombi para Salvador, a fim de encontrar-se com Iara e Waldir. Sem o saber, Lamarca, acobertando-se como o "geólogo Cirilo", chegara em sua penúltima morada.

Na tarde de 06 de agosto, encontraram-se, no centro de Salvador, César de Queiroz Benjamin ("Menininho") e José Carlos de Souza. Como assunto principal, estabeleceram que Iara seguiria para Feira de Santana, onde havia melhores condições de segurança, e ele, José Carlos, incorporar-se-ia ao trabalho de campo, em Brotas. Há algum tempo na vigilância, policiais deram voz de prisão aos dois militantes. O "Menininho" atracou-se com os agentes, chegou a atirar e conseguiu fugir (pela 2ª vez) ao cerco, dirigindo-se para a então Guanabara. Menos feliz, José Carlos foi preso e começou a denunciar diversos companheiros.

A partir de 17 de agosto, Iara Iavelberg, agora com os novos codinomes de "Gil", "Liana" e "Leila", passou a residir no apartamento 201, do Edifício Santa Terezinha, na Rua Minas Gerais, 125, na Pituba, com Jaileno Sampaio da Silva e sua companheira Nilda Carvalho Cunha, além da irmã desta, Lúcia Bernardeth Cunha.

No dia 20 de agosto de 1971, através das declarações de José Carlos, a polícia cercou o Edifício Santa Terezinha e exigiu a rendição dos ocupantes do apartamento 201. Após terem sido presos Lúcia, Jaileno e Nilda, Iara Iavelberg foi encontrada no apartamento vizinho, o 202, onde se escondera no início do cerco. Não vendo possibilidades de fuga e assolada por bombas de gás lacrimogênio, a amante de Lamarca suicidou-se com um tiro no coração.

No dia seguinte, um sábado, às 19:00 horas, logo depois de passar um telegrama do Rio de Janeiro para Iara (sem saber que ela já estava morta), o "Menininho", num Volks com Ney Roitman, Alberto Jak Schprejer ("Souza", "Beto") e sua amante Teresa Cristina de Moura Peixoto ("Tetê"), é detido por uma "Operação Pára-Pedro", na Avenida Vieira Souto, na altura do Jardim de Alá. Ao serem solicitados os documentos, o "Menininho" saiu rapidamente do carro, fugindo correndo entre os transeuntes. Pela 3ª vez, conseguia escapar de um cerco policial. No veículo, ficaram o diário de Lamarca e cartas para Iara, escritas de 29 de junho a 16 de agosto, que forneceram, aos órgãos de segurança, a certeza de onde deveriam procurar e concentrar esforços a fim de capturá-lo.

Enquanto isso, as declarações de José Carlos de Souza ajudavam a colocar mais dirigentes do MR-8 na cadeia. Em 27 de agosto, foi a vez de Diogo Assunção de Santana e Milton Mendes Filho.

No dia seguinte, a polícia chegou em Buriti Cristalino, dando voz de prisão aos ocupantes da casa dos irmãos Campos Barreto, que reagiram com intenso tiroteio. Ao final, Olderico foi preso, ferido no rosto e na mão direita, enquanto Otoniel foi morto, quando tentava a fuga. Dentro da casa, o cadáver de Luiz Antônio Santa Bárbara, que se matara com um tiro na cabeça. Era o 3º suicídio de militantes do MR-8 para não denunciarem Lamarca que, acampado a poucos quilômetros do lugarejo de Buriti Cristalino, ouvira os tiros e fugira, internando-se com Zequinha mata a dentro.

Sem saber do acontecido e sentindo-se "queimado" no Rio de Janeiro, César de Queiroz Benjamin retornou a Salvador, sendo preso em 30 de agosto, num "ponto" delatado por Jaileno, no Rio Vermelho. Após longa série de assaltos e ter escapado de três choques com a polícia, o "terrível Menininho", com apenas 17 anos, mostrou-se extremamente dócil nos interrogatórios. Suas extensas declarações, todas de próprio punho, desvendaram a linha política e as ações do MR-8. Muitos militantes foram, então, identificados. Chegou, inclusive, a fazer uma análise dos métodos de interrogatório aplicados, declarando-se surpreso com o bom tratamento recebido e com o nível de seus interlocutores.

Com essa nova e importante fonte, os órgãos de segurança, que já haviam retirado boa parte de seus efetivos da região de Brotas de Macaúbas, retornaram ao local, iniciando-se nova caçada a Lamarca e a Zequinha.

No meio da tarde de 17 de setembro de 1971, uma equipe de agentes, integrantes da Operação Pajussara, localizou os dois militantes, que descansavam à sombra de uma árvore, perto do arruado de Pintada, município de Oliveira dos Brejinhos. À voz de prisão, tentaram sacar de suas armas. Uma série de tiros pôs fim ao ex-Capitão comunista - que deixara um rastro de sangue atrás de si - e a José Campos Barreto.

08. TRAIDOR DO EXÉRCITO BRASILEIRO

Essa é a verdadeira história de Carlos Lamarca, a qual poucos conhecem, pois sempre foi contada por só um dos lados.

Mais de 28 anos após sua morte, os tempos mudaram.

Os militantes comunistas que ensangüentaram o País em nome de uma revolução -- hoje, por eles mesmos vista como equivocada --, não mais matam, seqüestram ou roubam e nem mais descansam nas enxêrgas dos "aparelhos" ou da selva. Beneficiados pela anistia, seus crimes foram esquecidos. Seus atos ensandecidos foram transformados em heróicos e seus passados são avaliados pelas maiores ou menores "perseguições políticas" que, supostamente, teriam sofrido.

Em contrapartida, aqueles que lutaram contra a luta armada, ao lado da Lei e a Ordem, são tachados de torturadores, de opressores e de reacionários. Listados nos livros vermelhos elaborados por esquerdistas, são marcados durante toda a vida, ao arrepio da Justiça, pelos intolerantes derrotados.

Enquanto uns ganham homenagens, monumentos, nomes em logradouros públicos e filmes patrocinados pelo dinheiro público, outros são acusados, perseguidos, destituídos de suas funções e convocados a pseudas "comissões de inquérito".

Para os primeiros, os derrotados na luta armada, a anistia de 1979 não serviu para sepultar as idéias exacerbadas e conduzir a Nação para o caminho do entendimento mas, apenas, para conceder-lhes a liberdade de atacar seus antigos inimigos e de praticar o revanchismo.

Para os segundos, a vitória na luta armada foi o estopim da derrota política e amargam um compulsivo silêncio, patrulhados pela mídia ideológica.

Assim é com Carlos Lamarca.

Há mais de 16 anos, em 25 de agosto de 1983, um desses ex-terroristas, Liszt Benjamim Vieira, então Deputado Estadual pelo PT do Rio de Janeiro, pronunciou um discurso na Assembléia Legislativa, no qual fez a seguinte assertiva sobre o ex-Capitão:

"Senhor Presidente, Senhores Deputados, hoje, 25 de agosto, Dia do Soldado, queremos homenagear um herói brasileiro. (...) Cursou a Escola Militar, onde foi o primeiro aluno. Seguiu brilhante carreira militar."

Por ser "herói", sua viúva, desde 1984, recebe pensão do Exército. Por ser "herói", sua família também recebeu, por decisão da Comissão dos Desaparecidos, em 11 de Setembro de 1996, a quantia de R$ 100 mil de indenização.

Na realidade, em torno de Lamarca construíram-se muitas lendas.

À lenda de que foi primeiro aluno da AMAN, opõe-se a realidade de que saiu Aspirante-a-Oficial classificado em 46º lugar numa turma de 57 cadetes.

À lenda de que era brilhante atirador, opõe-se a realidade de que nunca conseguiu, com revólver calibre .38, média maior do que 78 no tiro de precisão e, apenas, usava a sua condição de "atirador" para roubar munição e entregá-la para as organizações comunistas.

À lenda de que era um exemplar marido e chefe de família, opõe-se a realidade de que foi obrigado a se casar, ainda como cadete, por ter engravidado sua própria irmã de criação, Maria Pavan, e que a enviou para Cuba com um casal de filhos -- o menino viria a ser tenente do exército cubano -- não por temer por sua segurança, mas para desfrutar do convívio com sua já amante, Iara Iavelberg.

À lenda de que era um Oficial com brilhante carreira militar, opõe-se a realidade de que desertou do Exército Brasileiro. Ao divergir, não pediu sua saída conforme os princípios de ética e de moral que lhe foram ensinados na caserna. Usando a própria farda, roubou e traiu seu sagrado juramento de Oficial do Exército, demonstrando não possuir a lealdade que caracteriza o soldado.

À lenda de que era um herói, "libertador da Pátria", opõe-se a realidade de suas ações terroristas: assaltos a bancos, seqüestros de embaixadores, assassinatos, incentivador de guerrilhas urbana e rural, roubo de armamento e aliciador de outros militares para a causa comunista.

Insuspeitas são as opiniões de Ariston Oliveira Lucena sobre Lamarca - que com ele participou do assassinato do Tenente Mendes em Registro, publicadas em entrevista no "Jornal do Brasil" de 22 de setembro de 1988: "... era teoricamente despreparado e politicamente sem experiência ... tinha frieza e intuição ... era autoritário e não gostava de ser contrariado ..."

Também insuspeitas são as declarações de José Araújo da Nóbrega, ex-sargento do Exército e militante da VPR, que, em maio de 1970, escreveu de próprio punho:

"O Cap Lamarca não possui um QI satisfatório, à altura de ser um líder revolucionário. É um elemento de caráter volúvel, não tem posição definida, suas decisões são tomadas seguindo suas tendências emocionais. Suas qualidades militares são limitadas, tem limites de aproveitamento prático do conhecimento técnico que possui. É pouco engenhoso. O valor político que possui para ser um líder de esquerda lhe foi dado pela imprensa (interessada ou não). As suas façanhas são limitadas e são raras, todavia é elemento audacioso."

Na realidade, apesar da audácia, da lenda e do mito, Lamarca foi um desertor e um traidor do Exército Brasileiro.

E é assim que deverá passar à História.



 
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