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Tuesday, May 25, 2010

SOB O IMPÉRIO DA INSENSATEZ.








































E A LOUCURA CONTINUA CAMPEANDO...
por Ubiratan Iorio

O mundo parece ter virado de cabeça para baixo. O certo deixou de ser certo e o errado de ser errado; o que sempre foi considerado como virtude deixou de sê-lo e o que era vício já não é mais vício. Pais jogam filhas do alto de edifícios e de pontes; filhas matam pais e em seguida vão para o motel com o namorado; maridos assassinam esposas e vice-versa; políticos sabidamente corruptos, além de não serem impedidos de concorrer a novos mandatos, frequentemente são reeleitos; médicos abusam sexualmente de pacientes; babás maltratam bebês inocentes; professoras são agredidas por alunos; leis instituem cotas disso e daquilo, sobrepondo-as ao mérito; o governo gasta o que pode – e o que nós, "contribuintes" compulsórios, não podemos – para eleger sua candidata; a direita (envergonhada não sei de quê) não tem coragem de mostrar a cara; e os defensores dos valores morais herdados de nossos antepassados e da economia de mercado estão acuados e, diante de tantas pressões contrárias, muitos deles pensam em desistir da luta, o que é um erro.

Recolhi, em apenas um dia, três manifestações evidentes de que a loucura continua campeando na terra que Caminha tanto exaltou. Deixo-as com vocês, para sua reflexão.

Primeira manifestação: mais um ministério!

Em entrevista ao Jornal da TV Bandeirantes, em 26 de abril, o candidato tucano à presidência do país, instado pelo entrevistador Datena a pronunciar-se sobre o que pensa do MST, após dizer o que todos já sabemos – ou seja, que os invasores de terras alheias, financiados com recursos oficiais, usam a bandeira da reforma agrária como mero pretexto para seus fins políticos – sacou do coldre uma declaração que mostra bem o que representa a disputa política, pela quinta eleição presidencial consecutiva, entre dois partidos de esquerda, o seu e o (dito) dos "trabalhadores": a de que, caso seja eleito, criará mais um ministério, o da "segurança"...

Mamma mia, mais um ministério! Qualquer paralelepípedo esquecido na mais longínqua rua deste nosso belo e estranho país sabe, há muitos e muitos anos, que a melhor receita para um governo não resolver um problema é criar um ministério (ou secretaria especial) dedicado a solucionar esse problema!

Lula, até agora, é campeão absoluto em criar ministérios e secretarias especiais para acomodar aliados, companheiros e tendências. Com ele, já são trinta e sete, quase quarenta, o mesmo número dos existentes em Cuba e a metade dos que existiam na antiga União Soviética. E Serra demonstra que, com ele, as coisas não mudarão, pois o candidato da "oposição", simplesmente, promete criar mais um, dessa vez para enfrentar os crimes, inclusive – como inferi da entrevista – os praticados pelo MST. Difícil de acreditar, mas é verdade!

Qualquer governo que revele respeito pelos direitos de propriedade sabe que, para acabar com as invasões dos baderneiros do campo basta ao governo aplicar a lei – ou seja, chamar a polícia do estado onde ocorre a invasão, retirar os invasores e seus "coordenadores", processá-los e aplicar, pura e simplesmente, o Código Penal, já que os que aprovaram nossa Constituição "cidadã", com todos os seus defeitos (incluindo o conceito malicioso de "função social da terra"), não se atreveram a abolir o direito de propriedade. Para os demais crimes, cabe o mesmo procedimento, com a ressalva de que, dada a dimensão do problema, há necessidade urgente de investimentos para modernizar as polícias e de disposição para tornar as penas mais severas, o que aumentará ao mesmo tempo a probabilidade de captura e o rigor do castigo reparatório, inibindo assim os criminosos potenciais e reduzindo sensivelmente as taxas de criminalidade.

Mas Serra quer criar um ministério apenas para cuidar da segurança interna, como se fossem poucos os paquidermes que povoam a Esplanada e como se, no seu governo, nem de longe houvesse possibilidade de aparelhamento político do novo filhote de elefante. E, ainda, como se as diversas polícias já existentes - civis, militares, municipais, federal, rodoviária, força nacional de segurança, etc., não fossem capazes de resolver a grave questão do crime na cidade e no campo e a simples vontade política e o consequente respeito à lei, garantido pelas autoridades, não fossem suficientes para manter a ordem.

Ouvidos pela mídia, os chamados "especialistas em segurança", em geral sociólogos de esquerda, apoiaram em sua maioria a proposta do governador paulista.

É apavorante.

Segunda manifestação: "meu governo será mais de esquerda que o de Dilma"!

No último final de semana, a economista luso-brasileira Maria da Conceição Tavares - aquela que chorou de alegria quando Sarney criou o Plano Cruzado (quando a boa teoria econômica recomendava que a tristeza é que deveria ter sido o motivo do choro, diante de tamanho equívoco) - completou 80 anos e seus amigos e ex-alunos ofereceram-lhe uma festa no Rio de Janeiro. Lá estavam dois velhos discípulos e seguidores de suas ideias intervencionistas: Serra e Dilma.

Em dado momento da comemoração, conforme noticiou o jornal O Globo na mesma segunda-feira, 26 de abril, Serra viu-se cercado por antigos companheiros de "exílio" (as aspas são necessárias, porque muitos dos que hoje recebem a chamada "bolsa-terrorismo" se auto-exilaram) e, para tentar ganhar ou recuperar a simpatia – e os votos – dos velhos comunistas, fez questão de frisar que o seu governo seria mais de "esquerda" do que o de Dilma...

E pensar que o tucano, diante do simulacro de polarização em que se transformaram as eleições presidenciais no Brasil, é apresentado como se fosse o candidato da "direita"...

É assustador!

Terceira manifestação: o Ministério da Justiça quer soltar 20% dos presos do país!

Também no mesmo dia 26 de abril – que, pelo visto, deveria ser doravante considerado como o Dia da Loucura – os jornais noticiaram que o Ministério da Justiça, devido às precárias condições dos presídios brasileiros, pretende colocar na rua, sob regime de monitoramento eletrônico, 20% do total de presos, o que equivale a cerca de 80.000 condenados por diversos crimes. E pensar que tal proposta ocorreu poucos dias depois de terem libertado aquele maníaco pedófilo que acabou se enforcando na prisão, após ter praticado mais seis assassinatos de meninos depois que foi solto por "bom comportamento"...

Alegam os defensores da absurda proposta que, como o sistema prisional do país não trata os presos com dignidade – o que é verdade – então a solução é soltar os que mostrarem "bom comportamento". Um dos defensores da idéia chegou a afirmar em entrevista na TV que se um preso, após ser solto, voltasse a delinqüir, ele seria facilmente recapturado graças ao sistema de monitoramento eletrônico. Isto nos conduz imediatamente a uma pergunta simples e objetiva: e se o tal delito fosse um assassinato, o gênio que deu a entrevista teria também poderes para ressuscitar a vítima? Será que ele trará de volta à vida os seis meninos que foram mortos pelo maníaco? Ou que fará retornar a alegria às suas famílias e a tantas outras atingidas por crimes praticados em condições semelhantes?

Não seria mais respeitoso para com a população que sempre respeitou a lei se, ao invés de libertarem condenados antes do cumprimento total de suas penas, colocando em risco inadmissível todas as pessoas de bem, construíssem tantos presídios quanto fossem necessários para abrigar com um mínimo de dignidade indivíduos que já comprovaram serem nocivos para a sociedade? Não venham dizer que não há recursos para isso, porque para outros fins bem menos necessários ao bem comum (porém, mais eleitoreiros) os dados demonstram que eles existem - e de sobra.

Do jeito que a coisa caminha, qualquer dia desses outro cérebro iluminado irá propor que, para que a população carcerária pare de crescer, a polícia deverá ser proibida de prender e os juízes de condenar... Ou algum outro luminar sugerirá que, doravante, por decreto, crime não será mais considerado crime e justiça também não será mais justiça... Felizmente, não há possibilidade de um terceiro gênio sugerir que todas as pessoas de bem sejam trancafiadas e todos os bandidos sejam soltos, porque, neste caso, não haveria recursos para construir tantos presídios, embora, muito provavelmente, alguém já deva ter pensado em uma "solução" desse tipo...

É aterrador.

Conclusão simples

O Brasil – assim como o mundo – está de ponta-cabeça. A raiz mais profunda de toda essa maluquice é o abandono dos valores morais que forjaram a civilização ocidental, com a morte de Deus decretada unilateralmente (se fosse hoje, teria sido por Medida Provisória) por Nietzshe, o niilismo, os ataques orquestrados contra o Papa e a Igreja Católica (o que é diferente de punir meia dúzia de padres pedófilos, que devem ser processados na Justiça comum por seus crimes e afastados da Igreja por seu péssimo exemplo). O vácuo causado por todos esses fenômenos estimulou a politização do sistema moral e do sistema econômico, com o avanço crescente do Estado sobre o indivíduo e vem transformando nossa sociedade em um enorme hospício.

Ou acabamos com o relativismo moral ou ele terminará conosco, instituindo definitivamente a barbárie em suas diversas manifestações. E o que vem a ser um homem compulsoriamente desnudado, por meio de permanentes lavagens cerebrais, de princípios morais, senão uma criatura bárbara, semelhante a um animal irracional, despida, portanto, de sua própria dignidade? E o que vem a ser a servidão do indivíduo ao Estado, senão uma forma de barbárie, talvez uma das mais hediondas, torpes, vis e abjetas?

Mas não se preocupe. Sorria! Sua conta bancária já está há tempos sendo monitorada pelo Estado e em breve, - se você não botar a boca no trombone – sua vida privada e todos os seus atos também o estarão. E se, por infelicidade (já que ninguém é perfeito), praticar algum delito moral grave, não será punido por isso e a mídia poderá até transformar você em manchete, capa de revista e chamá-lo para programas na televisão...

Como diz meu dileto amigo, o filósofo Alberto Oliva, da UFRJ, "a loucura campeia". E, pelo visto, continuará a campear e a ditar as regras do jogo por muito tempo na terra descoberta por Cabral...


Ubiratan Jorge Iorio de Souza é Doutor em Economia pela EPGE/Fundação Getulio Vargas, ex-funcionário do Banco Central do Brasil, foi também articulista de Economia do "Jornal do Brasil" e do jornal "O DIA". Ubiratan Iorio tem cerca de quinhentos artigos publicados em jornais e revistas brasileiros, é Consultor em diversas instituições e já publicou os seguintes livros: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira", "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" e "Macroeconomia e Política Macroeconômica". Para saber mais sobre Ubiratan acesse seu site/blog pessoal "Ubiratan Iorio". E-mail: commenti@ubirataniorio.org



Publicado no site/blog "Ubiratan Iorio".
Artigo do Mês - Ano IX – Nº 98 – Maio de 2010.




Já tomou a vacina H1N1? Não se preocupe... No melhor dos casos você pode ter contraído AIDS. Coisa à-toa!




Sunday, November 23, 2008

Animal de estimação "adestrado" pelo próprio "dono"!


































Como lidar com pato manco
por Mauro Chaves

O problema é que ele ainda não sabe que é pato e muito menos que é manco - se é que já ouviu falar dos lame ducks, apelido que os norte-americanos dão aos governantes em fim de poder. Ele não se sente esvaziado - e, se sentir, finge que não se sente. Não percebe ou finge que não percebe que suas ordens estão longe de ser prontamente atendidas, como antigamente. Até o cafezinho demora muito mais - e chega frio, faltando adoçante de envelope (vindo só o feio frasco de gotas). A displicência toma conta do seu gabinete - e dos seus Ministérios, e do seu governo. Mas ele ainda pensa que todos à sua volta continuam, como antes, concentrados 24 horas por dia para lhe agradar. É capaz de, meticulosamente, medir tudo, menos o grau de importância que ainda consegue preservar - mas que despenca a cada novo dia que o aproxima da planície.

É claro que um pato que tentou durante 20 anos entrar cinco vezes na lagoa - e o conseguiu em duas - se acostumou a desfrutar essas tentativas, até mais do que a própria lagoa. Mas não tendo encontrado quem possa suceder-lhe no comando da lagoa - e vendo-a só sobrevoada ostensivamente por outra espécie de ave, de bico grosso -, o pato manco se esforça por colocar em seu lugar alguém cuja rigidez de movimento de asas (à prova de qualquer treinamento com bambolê) mais se assemelha a uma estátua de ave do que a uma ave natural. De qualquer forma, foi o pato chefe que precipitou desastradamente a própria sucessão. Isso foi sua maior mancada - tanto que o tornou manco muito ante do tempo.

Quando o pato ainda era todo-poderoso e desfrutava popularidade recordista entre penosos e outros bichos de variada espécie, tinha todas as razões para se sentir acima de todos os bicos e asas. Fora favorecido, na lagoa, pelo elevado nível das águas que provinham de mananciais externos em excelente estado de vazão. Os patinhos que eram (ou se esforçavam para permanecer) mais raquíticos recebiam bolsas de milho sem precisar fazer nenhum esforço de catação. Muitos patos auxiliares faziam coisas feias nas bordas da lagoa - pegando porções que não lhes pertenciam e oferecendo milho extra e patuás de propinas para que alguns não os delatassem -, mas o pato chefe nunca sabia de nada, não tinha a menor idéia do que pudesse ocorrer de errado com seus subordinados, nem mesmo quanto ao milho não-contabilizado.

Por outro lado, sempre que algum pato companheiro procurava se destacar na lagoa, ou tentava disputar o poder com o chefe, tinha por este as asinhas cortadas, de uma forma ou de outra. Assim a lagoa ficou sob o domínio de um pato só, com a perspectiva de ser dominada não mais por pato algum - mas sim por um tucano que nunca parou de realizar seus vôos rasantes por sua superfície. E eis que, sem que bichos de espécie alguma esperassem, surgiu um tremendo tsunami (que o pato chefe, inicialmente, identificou como simples marolinha) que começou a arrasar muitos lagos vizinhos e se aproxima, perigosamente. Coincidiu a intempérie com o fato de o pato chefe estar na plena situação de pato manco. Os poderes totais de que este se sentia investido, o enorme sucesso pesqueiro que julgara ter obtido - e que "nunca antes havia ocorrido nesta lagoa" - passaram a escoar rapidamente por um bueiro que parecia invisível (mas de cuja existência, no fundo, todos desconfiavam).

Então, o que fazer? Como lidar com um pato manco que ainda acredita poder deslizar tranqüilo pela superfície da lagoa, no pouco tempo que ainda lhe resta para comandá-la, apesar do torvelinho que tem pela frente? A primeira coisa a fazer é procurar deixá-lo na ilusão de que ainda não é pato manco. Pois, se ele tiver consciência da própria patomanquice, é um perigo. Ninguém sabe como poderá reagir. Poderá sucumbir à tentação de fazer acordos até com alguns velhos urubus - o que seria péssimo para o processo de oxigenação da lagoa que se espera daqui a dois anos. Assim, não se pode deixar que saia da euforia habitual para entrar num processo de solidão que leve à depressão. É preciso que não perca a capacidade de festejo, nem a de comemorar até a vitória de campeão da segunda divisão - categoria, aliás, que marcou todo o seu governo da lagoa.

É preciso redobrar a paciência e aturar, com generosidade, a continuação das hipérboles, prosopopéias e antonomásias improvisadas, dos conselhos bombásticos a todos os dirigentes das lagoas do planeta, das tentativas de liderar as 20 maiores do mundo - em menoscabo das que são, efetivamente, as oito maiores. É preciso não se queixar quando ele repete e insiste nas excelências dos feitos de antecessores adversários como se tratasse dos próprios feitos, ou quando atribui a erros alheios o que, há pouco, comemorava como acertos seus.

É necessário reconhecer, sobretudo, as notáveis qualidades do que virou pato manco. Ele até conseguiu melhorar o volume de alimentos produzidos na lagoa, tamanho foi o sucesso em repetir e até aperfeiçoar o sistema de coleta alimentar feito por seu antecessor - embora nisso tenha empregado auxiliares demais que só nadavam e, mesmo assim, em águas não muito limpas. A enorme facilidade de comunicação foi outra qualidade que, durante a fase dos peixes gordos, só aumentou o prestígio do chefe. Foi ele quem demonstrou - "como nunca antes nesta lagoa" - a maior capacidade de aquisição de convencimentos: pois nunca antes se dissera tanto "eu estou convencido de que", nesta patuléia. Mas sua qualidade mais extraordinária foi a de ensinar a usufruir os maiores sabores da vida com a maior economia de esforços. Nisso ele foi, é e sempre será um autêntico mestre. E o resto é papo (de pato).


Mauro Chaves é formado em Direito, Administração de Empresas, Filosofia, Cinema e Línguas, é jornalista, escritor, autor teatral, compositor e artista plástico. Mauro também é Editorialista e articulista do jornal "O Estado de S. Paulo", desde 1981 e comentarista político da Rede Gazeta de Televisão. Entre seus vários livros publicados, destacam-se "Três Contos Artificiais", "O Dólar Azul" e "Eu não disse?".
E-Mail: mauro.chaves@attglobal.net




Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" (Opinião).
Sábado, 22 de novembro de 2008.
















O monstro no fundo do abismo – J. R. Nyquist


The Monster at the Bottom of the Abyss – J. R. Nyquist





Friday, May 02, 2008

Sr. Nelson "Chupim": Pode "vender" todas as aeronaves da FAB para a URSAL.
A nossa verdadeira "Força" já se encontra em alerta máximo!

Foto: O impiedoso "caçador" de Chavez, Castros, Kirchners, Correas, Morales, Lugos, Ortegas, Bachelets,
Lulas, Jobins, Saitos e caterva.































Click AQUI para ver esta foto em tamanho maior (1024 x 731).

O porta-aviões e a influência dos EUA
por William Waack

Poucos militares gostam de dizer que sua atividade tem fins políticos -e os americanos que comandam o porta-aviões George Washington não são exceção. Numa breve visita ao navio principal das manobras Unitas, nesta segunda feira (28/04), o almirante Phil Cullon, o comandante da frota americana, só admitiu um "significado político" da presença do George Washington no Atlântico Sul na sua abrangência mais ampla.

Na verdade, a vinda do poderoso navio de guerra –o centro de uma força de ataque conhecida como Strike Group 8– para manobras conjuntas com as marinhas da Argentina e Brasil tem um precedente político importante. Entre oficiais da Marinha de Guerra do Brasil causou enorme descontentamento o fato de a Unitas (o nome oficial dessas manobras conjuntas) não terem sido realizada três anos atrás por interferência política atribuída por oficiais brasileiros a Hugo Chávez.

"Já que o governo brasileiro não nos dá verbas para reequipar a Marinha, porque pelo menos não nos deixam participar de manobras conjuntas com uma marinha muito mais avançada (a americana) da qual podemos aprender muitas coisas que não estão nos manuais?", perguntava, há alguns meses, um importante comandante brasileiro que prefere não ter o nome divulgado.

Nesse sentido, o "recado" dado pelos americanos é razoavelmente claro. O George Washington tem 85 aviões de combate, entre eles o Super Hornet, a aeronave mais poderosa operando a partir de navios. Em um único porta-aviões dessa classe (a Nimitz) é mais avião de guerra de última geração voando do que a totalidade das aeronaves equivalentes à disposição da Força Aérea Brasileira.

Os pilotos e técnicos americanos provavelmente voam mais horas por semana em condições próximas às reais (45% dos vôos, por exemplo, são noturnos) do que seus colegas brasileiros e argentinos fazem em um ano, arrisco-me a dizer. Um dos pilotos brasileiros que assistia de camarote ao espetáculo de aviões ultramodernos sendo lançados e recolhidos à razão de 1 a cada 3 minutos (quase o ritmo de um movimentado aeroporto internacional civil) do convés de vôo do George Washington comentava com óbvia admiração: “o que eles fazem não é muito diferente do que a gente faz, mas a diferença é quantas vezes eles fazem”.

Porta-aviões mudaram a história das guerras nos mares, e a data precisa é o começo da Segunda Guerra Mundial, quando aviões japoneses acabaram em poucos minutos com dois formidáveis navios de superfície britânicos. Depois disso, e excetuando-se o uso da arma submarina para fins estratégicos, é impossível pensar em projeção do poder naval sem a aviação embarcada. Nesse sentido, a presença do George Washington é – quer seu almirante concorde com isso ou não – uma clara exibição de poderio militar e político.

A mensagem já é conhecida há muito tempo pelos militares brasileiros da Marinha: para proteger tanto mar declarado como o nosso temos muito poucos recursos. E nem se trata de fazer comparações com um "strike group" como o do George Washington (cujo preço de construção foi quase duas vezes o PIB de um país como a Bolívia, por exemplo).

Outra experiência foi bastante interessante a bordo desse porta-aviões americano. Entre os 4 mil e tantos tripulantes havia vários brasileiros. É bom insistir na palavra brasileiros pois esses marinheiros e marinheiras, embora trajando o uniforme de uma Força Armada de um país estrangeiro, continuam se sentindo…brasileiros. Em outras palavras: consideram-se militares americanos de profissão e brasileiros de alma e coração.

Os nomes pintados nas fuselagens dos modernos aviões de combate, as tarjas com os nomes nos uniformes dos técnicos e marinheiros e grande parte dos oficiais a bordo são latinos. Ouve-se muito espanhol a bordo do George Washington, que é considerado um padrão em termos de treinamento e capacidade de combate. Obviamente essa capacidade é função da "mão-de-obra", digamos assim, e não do hardware ou software de sistemas bélicos.

É o mesmo que acontece com a construção civil: um mexicano ou brasileiro com 7 a 8 meses de permanência numa grande cidade americana alcança, em média, nesse mesmo espaço de tempo, a produtividade de um trabalhador americano. Ou seja, esses imigrantes ou filhos de imigrantes a bordo de uma arma de primeiro mundo demonstram o mesmo padrão de eficiência e capacidade técnicas de “soldados” de primeiro mundo.

Minha leitura dessa curta visita ao George Washington tem dupla natureza. Primeiro: essas águas do Atlântico teriam, sim, de ser nossas não só por direito, mas de fato. Segundo: podemos, sim, ser tão bons quanto eles. É só parar de acreditar nas coisas erradas. E perder aquele complexo de vira-lata tão bem descrito por Nelson Rodrigues, e tão bem encarnado por Hugo Chávez.


William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Terça-feira, 29 de abril de 2008, 18h31.




Desintegrar para Entregar! – João Nemo



 
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