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Tuesday, August 25, 2009

Políticos brasileiros: Só pendurando-os no "varal"!






























Aprendemos de cabeça para baixo
por Arnaldo Jabor
Nunca nossos vícios ficaram tão visíveis

Os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Temos assistido, como nunca antes, a um show de verdades através do chorrilho de negaças, de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. O Brasil está evoluindo em marcha a ré! Nessas últimas semanas, só tivemos des-acontecimentos. O senador Mercadante ia sair da liderança do PT, irrevogavelmente.

Depois, oscilou, seu mestre deu-lhe um esculacho e ele voltou atrás. Marcha a ré.

Des-aconteceu.

A Dilma também. Ela "não" se encontrou com a Lina Vieira, não. Querem nos convencer que a Lina é maluca e resolveu inventar tudo aquilo para prejudicar a ministra. Ninguém se lembra que essa polêmica do "fui não fui" é útil para camuflar o fato de que a expulsão de Lina aconteceu somente por causa do questionamento à Petrobras...

Tudo marcha a ré. Tudo some. As fitas de VT do Planalto se apagaram. Ninguém existe mais nas fitas. Os atos secretos voltam pouco a pouco e deixam de sê-lo. O nosso Sarney foi absolvido de tudo; as 11 acusações foram arquivadas pelo mordomo-suplente – des-aconteceram, sumiram na descarga do Conselho de Ética. Sarney, o Comandante do Atraso, disse que não se sente culpado de nada. Está certo – seus servos decretaram que nada, houve. Nossa frágil república esta sumindo.

As tramoias e as patranhas de hoje são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira.

Está em andamento uma "revolução dentro da corrupção", tudo na cara da população, com o fito de nos acostumar ao horror.

Com a dissolução do PT, que hoje é o verdadeiro partido da "direita", com o derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a maçaroca informe do PMDB (Oba! Vem aí o tesouro da legislação do pré-sal, a ser entregue a seus malandros-chefes, que já devem estar babando).

No entanto, justiça ao narcisismo deslumbrado de Lula, com seu projeto de si mesmo: nunca nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo.

E aí, nossa única esperança: talvez estejamos aprendemos sobre a dura verdade nacional nesse rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Por exemplo: uma visão do cabelo do Wellington, a cara dura de seres como o Almeida Lima, o rosto feliz do Renan e Jucá, ensinam-nos muito. Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos! Já sabemos que a corrupção no país não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas.

Aprendemos a mecânica da sordidez: a técnica de roubar o Estado para fazer pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, orgasmos entre empreiteiras e políticos. Querem nos acostumar a isso, mas, pode ser, (oh Deus!) que isso seja bom: perdermos o autoengano, a fé. Estamos descobrindo que temos de partir da insânia e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.

Até que enfim nossa crise endêmica está sujamente clara, em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades imundas, tão fecundas como um adubo sagrado, belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. Como é educativo vermos as falsas ostentações de pureza e candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a bilontragem nas cumbucas, nos esgotos da alma..Que emocionante esse sarapatel entre o público e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, fazendas imaginárias, açougues fantasmas, netinhas e netinhos, filhinhos ladrões, a ditadura dos suplentes, cheques podres, piscinas em forma de vaginas, mandingas, despachos, as galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela, as diarreias secretas, as flatulências fétidas no Senado, diante das evidências de crime, os arrotos nervosos, os vômitos, tudo compondo o grande painel da nacionalidade.

Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que, enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver estatais com caixa preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, nunca haverá progresso. Já sabemos que, enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados e que enquanto não chegarem ao fim as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver.

Já sabemos que mais de R$5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas.

A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas, e mais: os que foram desonrados no Congresso voltaram fortes e mandam no Legislativo. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.

Só nos resta a praga. Isso. Meu desejo é maldizer, como já fiz aqui várias vezes.

Portanto, malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, trampistas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, marandubas, fraudes, lérias e aldravices se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarreias torrenciais.

Que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre! No entanto, além das maldições, sou um otimista inveterado; fico procurando algo de bom nessa bosta toda! Talvez essa vergonha seja boa para nos despertar da letargia de 400 anos. A esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno.

Através desse escracho, pode ser que entendamos a beleza do que poderíamos ser!


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "O Globo".
Terça-feira, 25 de agosto de 2009.




DIA DO SOLDADO??? QUEM SABE, DAQUI A UNS QUINZE OU VINTE ANOS...




Políticos brasileiros: Só pendurando-os no "varal"!

Tuesday, March 31, 2009

Plano Nacional de Habitação - Um milhão de casas em dois anos!
Por que não? Dependendo das "casas" ...

Foto: Um modelo padrão das casas populares a serem construídas pelo desgoverno lulosionista.


























A vergonha pode nos trazer sabedoria
por Arnaldo Jabor
A paralisia política do país nos ensina muito


Outro dia escrevi uma frase não totalmente idiota. Cito-me: "Há alguma coisa não acontecendo no Brasil que me apavora!"

A sensação é de paralisia com agitação, falsos tremores febris, acontecimentos irrelevantes que parecem importantes, bobagens que enchem os noticiários e que se esvaem. Isso cria a impressão de que algo se movimenta, quando tudo está parado. Este governo desmoraliza os fatos. Eles são soterrados por uma presença excessiva do governo em tudo - Lula o dia todo na TV, criando uma cortina de fumaça virtual sobre o que não é feito.

De repente, Lula sente que tem de ir além do marketing e berra: "Precisamos fazer alguma coisa! Vamos fazer um milhão de casas!" E aí se defronta com milhares de cascas de banana que ele ignorou nos últimos sete anos: burocracia, cargos técnicos invadidos por clientelismo político, falta de grana para investir, pois gastou com funcionários públicos quatro vezes mais do que diz que vai gastar com o milhão de casas: R$ 128 bilhões com gastos de custeio e funcionários (as casas custariam R$ 33 bilhões).

Esse milhão de casas (quem dera que fosse possível…) vai esbarrar em tudo o que o governo Lula deixou de fazer: simplificação de burocracias, privatizações necessárias, concessões públicas urgentes e reformas em geral.

Não abriu caminho para o crescimento e agora quer crescer? Como fazer isso com 0,9 do Produto Interno Bruto (PIB) para investimentos? Depois de tanto getulismo tardio, agora vai ser difícil bancar um Juscelino Kubitschek pós-moderno, com um Estado quebrado.

A grande doença histórica que nos infecciona há séculos piorou com o regime de vulgarização de alianças políticas que Lula promoveu esses anos todos. O Senado e o PMDB são o grande sintoma desse vexame.

Essa doença se espalha a partir do topo da pirâmide de poder. Lula era a esperança do velho populismo e dava um rosto operário concreto aos ideólogos. Controlado pelos comandados de Dirceu, acabou eleito pela habilidade realista de um publicitário. Depois, com a intervenção salvadora de Roberto Jefferson, Lula ficou livre para criar essa doutrina que hoje se derrama sobre todos os aparelhos do Estado. Esse sórdido "aliancismo" que tudo permite faz a roubalheira ser vista como um mal necessário e inevitável ("ôba!"), o que permite o assalto sistemático à Republica com a consciência tranquila, sem medo de punição. O governo desmoralizou o escândalo.

O lulo-sindicalismo também herdou uma vaga ideia de "futuro" que habita a ideologia dos comunas oportunistas e cria uma desvalorização do "aqui e agora", como se o "presente" fosse algo desprezível. Assim, tudo fica parado no ar, nada sai do papel. As promessas e os anúncios bastam; a realização é supérflua. Tudo que tinha de ser reformado, não o será, pois "reforma" repugna pelegos "revolucionários" que ainda pululam no Executivo, restos de uma doença infantil esquerdista. Não só nada avança, como o que antes funcionava está quebrando. Há uma falência múltipla dos órgãos públicos.

Essa doença grave é dissimulada pela figura de Lula, com seu carisma de operário guerreiro que fascina o mundo. A estratégia de "mídia em vez de ação", e mais os fragmentos deixados pelos bolchevistas que saíram, cria uma virose que se espalha de forma letal pelo corpo de nossa democracia representativa, frágil casca retórica em cima de nosso velho patrimonialismo resistente.

E tudo isso é agravado por uma espantosa incapacidade administrativa. A ideia de "competência" é vista com desconfiança, inclusive teoricamente, porque a competência técnica pode "encobrir um desvio neo-liberal, de direita". "Administrar" é visto como ato menor, até meio reacionário, pois administrar é manter, preservar, coisa de capitalistas.

Essa ambiguidade paralisou processos e projetos, com exceção das regras "macro" que Fernando Henrique Cardoso deixou, em que Lula, por instinto, não mexe.

A isso, claro, soma-se seu caráter preguiçoso e deslumbrado que se declina por todos os escalões do Estado. Além de não saber o que fazer, a atitude de se colocar acima da política cotidiana desqualifica a própria política como sendo coisa menor, o que é uma "sopa no mel" para corruptos e vagabundos.

Outro aspecto interessante em nosso "karma" de país sem projeto é que, por um lado, lucramos muito com a onda boa da economia mundial (a fase da "bolha bendita"), o que deu base de marketing para o sucesso de Lula no Ibope. Mais interessante ainda é vermos que nosso sistema bancário voraz e egoísta, nosso crédito mixuruca, nos preservou um pouco, até agora, da crise financeira internacional. O atraso nos ajudou.

E mais tragicômico ainda: isso permite a Lula se gabar de uma economia "protegida", quando é apenas atrasada.

Pela ausência de programas, resta aos donos atuais do poder manter comprado o apoio das "massas", com bolsas família, e aumentar os gastos públicos com fins eleitorais para 2010. E o próximo governo (mesmo de Dilma) que se dane.

É isso aí. Tudo o que o governo anterior introduziu e que poderia nos fazer avançar foi paralisado. Estamos diante de um grave retrocesso histórico, que parece calmaria. Mas, e a tempestade?

A única vantagem dessas alianças espúrias é nos revelar, por tabela, o horror de nossa degradação. Por desgraça ou sorte, estamos vendo a bruta voracidade da política brasileira. Talvez essa vergonha seja boa a longo prazo. Estamos desmascarados. Em nome de uma governabilidade, criou-se uma rede de alianças que impede qualquer governabilidade. Ver a cara de nossa tragédia burlesca talvez seja o começo de alguma sabedoria.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "A Tribuna" – Santos-SP.
Terça-feira, 31 de março de 2009.




SALVE 31 DE MARÇO DE 1964! – MOMENTOS DECISIVOS – Gen Clovis Purper Bandeira





Wednesday, March 04, 2009

PMDB: Pomos a Mão no Dinheiro do Brasil!






































"Consciência social de brasileiro é medo da polícia"
por Arnaldo Jabor

Nelson Rodrigues previu a onda atual de neocanalhas

Uma das obsessões de Nelson Rodrigues era o canalha. Ele dizia: "Ninguém sai na rua e bate no peito berrando: "Eu sou um canalha"". O maior dos pulhas se achava um santo de vitral. Mas isso mudou muito.

Hoje, o canalha se orgulha de sê-lo. Veste-se de canalha, bigode e gravata de canalha, cabelo pintado, carantonhas ferozes. Antes, o canalha se ocultava pelos cantos, escondido da própria sombra. Hoje, os sem-vergonhas ostentam orgulho pelo que chamam de "realismo político" ou necessidade de alianças. Roubar são ossos do ofício. A pornopolítica tomou conta de tudo, e Nelson é que tem fama de pornográfico - logo quem... um moralista que corava diante de um palavrão. Mas, hoje, Nelson, revisto como estilo e como visão de mundo, traz uma lição política.

Filho do jornalismo policial com o fundo talento de Dostoievski caboclo, Nelson mostrava como um escritor deveria se posicionar diante do texto neste país. Uma vez ele me disse ao telefone que o "problema da literatura nacional era que nenhum escritor sabia bater escanteio". Ensolarada imagem esportiva para definir muito literato folgado.

Formado nas delegacias sórdidas, vendo cadáveres de negros plásticos e ornamentais, metido no cotidiano marrom do jornal do pai, Nelson flagrou verdades imortais que estavam ali, no meio da rua, na nossa cara, e que ninguém via.

Uma vez ele me disse: "Se Deus perguntar para mim se eu fiz alguma coisa que preste na vida para entrar no céu, eu responderei a Deus: "Sim, Senhor, eu inventei o óbvio!""

Sua literatura nos ensina o óbvio e isso é profundo numa literatura eivada de ambiciosos engajamentos "corretos" ou cheia de intenções formais desesperançadas que transformam o cinismo debochado numa visão de mundo.

Como criar (querem uns), sem denunciar o "mal latino", a miséria, como o chatola García Márquez, ou como criar (querem outros) sem babar o ovo de Joyce, Kafka ou Beckett?

Ele foi o primeiro a sacar o futuro dos marxistas de galinheiro do passado que hoje lutam por boquinhas e roubam no mensalão.

Até hoje, muita gente não entendeu que sua grandeza está justamente na sincronia com os detritos do cotidiano. A faxina que Nelson fez na prosa é semelhante à que João Cabral fez na poesia. Nelson baniu as metáforas a pontapés "como ratazanas grávidas" e criou o que podemos chamar de antimetáforas feitas de banalidades condensadas. Suas comparações sempre nos remetem a um "mais concreto" que denota comicamente a impotência da literatura. Shakespeare tinha isso, Cervantes também. Suas frases famosas nunca aspiravam ao sublime. Exemplos: "O torcedor rubro-negro sangra como um César apunhalado", "A mulher dava gargalhadas de bruxa de disco infantil", "Seu ódio era tanto que ele dava arrancos de cachorro atropelado", "Seu peito se encheu de um ar heroico como anúncio de fortificante", "A bola seguia Didi com a fidelidade de uma cadelinha ao seu dono", "O juiz correu como um cavalinho de carrossel", "A virtude é bonita, mas exala um tédio homicida. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera", "O sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura".

Às vezes, ele dá lições de arte e literatura: "Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. E vem a grande verdade: a obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão elitista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões".

Gilberto Freyre sacou sua "superficialidade profunda", assim como André Maurois entendeu que a genialidade de Proust era "a épica das irrelevâncias...". E isso é muito saudável, num país onde ninguém escreve um bilhete sem buscar a eternidade.

Em meio a esta crise, dominados pela mídia, sem projeto político claro, "somos uns Narcisos às avessas que cuspimos na própria imagem", "vivemos amarrados no pé da mesa bebendo água numa cuia de queijo Palmira", "hoje o brasileiro é inibido até para chupar um Chicabon". E uma das razões para estarmos "mergulhados em negra e cava depressão" é a visão épica, generalista, ideológica ou ambiciosa demais nos projetos e programas e utopias para o Brasil. Se bem que ele mesmo dizia: "Sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo".

A lição política de Nelson é de que talvez as coisas sejam muito mais simples. Não adianta nem nos "atolarmos em brutais euforias" nem vivermos com "complexo de vira-latas", atravessando a "aridez de três desertos".

O Brasil não se salvará com planos messiânicos ou ideias gerais de "epopeias de Cecil B. de Mille", sejam elas epopeias operárias ou epopeias neoliberais. O "óbvio ululante" é limpar a casa e cuidar do detalhe, do enxugamento do Estado, "chupando a carótida dos chefes das estatais como tangerinas" quando se mostrarem obviamente ladrões ou favorecendo correligionários, como vemos todo dia.

Salvar o Brasil é óbvio, tão simples e puro como a prosa do NR - é só pensar no presente e não sonhar com um futuro impossível. O PMDB, por exemplo, é um partido que extirpou o canalha e instituiu o pragmatismo dos delitos permitidos, de modo a nos anestesiar com a impossibilidade de solução ou de punições. A extraordinária entrevista de Jarbas Vasconcelos, fundamental para o país, teve até o sabor de algo arcaico, nostálgico dos parlamentos do Império. Seus colegas velhacos até riram da "inatualidade" de seu gesto - que coisa "antiga", denunciar ladrões...

O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-lata e protestar, como fez agora com sucesso na tentativa de assalto à mão armada do PMDB ao fundo Real Grandeza de Furnas.

Não conseguiram. Porque, como Nelson dizia: "Consciência social de brasileiro é medo da polícia." E, agora sabemos, da opinião pública também.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.



Publicado no jornal "O Globo".
Terça-feira, 03 de março de 2009.



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O caso Morel – Ipojuca Pontes"





Wednesday, February 18, 2009

CLUBE DOS 16%: COM MUITO ORGULHO!











































O Brasil virou um grande PMDB
por Arnaldo Jabor

Estamos anestesiados diante da vida política do país.

A entrevista de Jarbas Vasconcelos na revista "Veja" desta semana é uma rara ilha de verdade neste mar de mentiras em que naufragamos. Precisávamos dessas palavras indignadas que denunciam a rede de mediocridade política e de desagregação de poderes que assola o país, do Congresso ao Executivo.

De dentro de casa, Jarbas berrou: "O PMDB é corrupto!". E mostrou como esse partido nos manipula, sob o guarda-chuva do marketing populista de Lula.

O que Jarbas Vasconcelos atacou já era voz corrente entre jornalistas, inclusive o pobre diabo que vos fala.

Mas sua explosão é legítima e incontestável, vinda de um dos fundadores do MDB, depois transformado nesta anomalia comandada pelo Sarney, que é o líder sereno e hábil da manutenção do atraso em nossas vidas. Duvidam? Vão a São Luís para entender o que fez esse homem com seu jaquetão impecável há 40 anos no poder daquele estado. Jarbas aponta: "A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador Sarney, (...) que vai transformar o país em um grande Maranhão".

Mais que um partido, o PMDB atual é o sintoma alarmante de nossa doença secular. Era preciso que um homem de estatura política abrisse a boca finalmente, neste país com a oposição acovardada diante do ibope de Lula.

Estamos aceitando a paralisia mental que se instalou no país, sob a demagogia oportunista deste governo. O gesto de Jarbas é importante justamente por ser intempestivo, romanticamente bruto, direto, sem interesses e vaselinas.

É mais que uma entrevista - é um manifesto do "eu-sozinho", um ato histórico (se é que ainda sobra algo "histórico" na política morna de hoje). E não se trata de um artigo de denúncia "moral" ou de clamor por "pureza": é um retrato de como alianças espúrias e a corrupção "revolucionária" deformaram a própria cara da política brasileira. Com suas alianças e negaças, o governo do PT desmoralizou o escândalo!

Lula revalidou os velhos vícios do país, abrindo as portas para corruptos e clientelistas, em nome de uma "governabilidade" que nada governa, impedido pela conveniência e pelos interesses de seus "aliados". É como ser apoiado por uma máfia para combater o mal das máfias.

Jarbas não tem medo de ser chamado de reacionário pelo povão ou pelos intelectuais que ainda vivem com o conceito de "esquerda" entranhado em seus cérebros, como um tumor inoperável.

Essa palavra "esquerda" ainda é o ópio dos intelectuais e "santifica"qualquer discurso oportunista. Na mitologia brasileira, Lula continua o símbolo do "povo" que chegou ao poder. A origem quase "cristã" desse mito de "operário salvador", de um Getúlio do ABC, dá-lhe uma aura intocável. Poucos têm coragem de desmentir esse dogma, como a virgindade de Nossa Senhora.

A última vez que vimos verdades nuas foi quando Roberto Jefferson, legitimado por sua carteirinha de espertalhão, botou os bolchevistas malucos para correr.

Depois disso, chegou o lulo-sindicalismo, ou o peleguismo desconstrutivo, que empregou mais de cem mil e aumentou os gastos federais de custeio em 128 por cento.

O lulismo esvazia nossa indignação, nossa vontade de crítica, de oposição. Para ser contra o que, se ele é "a favor" de tudo, dependendo de com quem está falando - banqueiros ou desvalidos? Ele põe qualquer chapéu - é ecumênico, todas as religiões podem adorá-lo.

Ele ostenta uma arrogância "simpática" e carismática que nos anestesia e que, na mídia, cria uma sensação de "normalidade" sinistra, mas que, para quem tem olhos, parece a calmaria de uma tempestade que virá para o próximo governante.

Herdeiro da sensata organização macroeconômica de FHC, que, graças a Deus, o Palocci manteve (apesar dos ataques bolchevistas dos Dirceus da vida), Lula surfou seis anos na bolha bendita da economia internacional, mas não aproveitou para fazer coisa alguma nova ou reformista.

Lula tem a espantosa destreza de nos dar a impressão de que "tudo vai bem", de que qualquer critica é contra ele ou o Brasil.

Como disse Jarbas em sua entrevista, o governo do PT "deixou a ética de lado e não fez reformas essenciais, nem nada para a infraestrutura, e o PAC não passa de um amontoado de projetos velhos reunidos em pacote eleitoreiro" (...), e o Bolsa Família, que é o maior programa oficial de compra de votos do mundo, não tem compromisso algum com a educação ou com a formação de quadros para o trabalho".

A única revolução que deveria ser feita no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a nação, com gastos crescentes, inchado de privilégios, um Estado que só tem para investir 0,9% do PIB. A tentativa de modernização que FH tentou foi renegada pelo governo do PT. Lula fortaleceu o patrimonialismo das velhas oligarquias, e o PAC é uma reforma cosmética, como a plástica da Dilma, que ele quer eleger para voltar depois, em 2014. O único projeto do governo é o próprio Lula. Em cima dos 84% de aprovação popular, nada o comove. Só se comove consigo mesmo.

Lula se apropriou de nossa tradicional "cordialidade" corrupta para esvaziar resistências. Assim, ele revitalizou o PMDB - o partido que vai decidir nosso futuro! Hoje, não temos nem governo nem oposição - apenas um teatro em que protagonistas e figurantes são o PMDB.

E no meio disso tudo: o Lula, um messias sem programa, messias de si mesmo.

Oitenta e quatro por cento do povo apoia um governo que acha progressista e renovador, quando na verdade é ultraconservador e regressista.

Nem o PT ele poupou para "conservar" a si mesmo. O PMDB é sua tropa de choque, seu "talibã" molenga e malandro.

Agora...tentem explicar este quadro que Jarbas sintetiza com a clara luz de sua entrevista para um pobre homem analfabeto que descola 150 reais por mês do Bolsa Família...

Vivemos um grande autoengano.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.



Publicado no jornal "O Globo".
Terça-feira, 17 de fevereiro de 2009.



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BEM-VINDO! AO CLUBE DOS 16%. – Bootlead"



CONHEÇA A MENTE DE UM ESQUERDISTA
por Autor(a) desconhecido(a)

Pra começo de conversa, muitos não gostam de estudar. Foram péssimos estudantes, a maioria com várias repetências de ano. Mas são de família de classe média, onde sempre sofreram pressão pra "ser alguém na vida". Como são preguiçosos, sem disciplina e folgados precisam arrumar um jeitinho pra se dar bem, e se fazerem passar por coisas que não são.

Fingir que é culto, "engajado" e "crítico" rende pontos. Assim prestam vestibular sem concorrência, de preferência em um curso de Jornalismo, Geografia, Ciências Sociais, História ou Filosofia e começam sua carreira de charlatanismo.

Ali na universidade encontram todas as ferramentas: professores barbudinhos, livros de esquerda, palestras com "doutores" no assunto e até o assédio de políticos "guerreiros" do PT, do PC do B e assemelhados.

É claro que não estudam nada. Vivem o tempo todo no DCE, deitados no chão, passeando no campus com aquelas mochilas velhas, calças cargo, sandálias de couro, cabelos ensebados e, de vez em quando, um "lolozinho".

Alguns começam a se infiltrar nos sindicatos e nas reuniões dos sem-terra. Já começam a se achar revolucionários, reserva intelectual das massas proletárias exploradas e das causas revolucionárias.

Assim, se passam por intelectuais, cultos, moderninhos e diferentes. Sentem-se mais seguros para atacar as mulheres, achando que elas são doidas por esse tipo de gente.

Começam a ver os amigos que estão trabalhando ou cursando Engenharia, Medicina, Direito ou Administração como pobres coitados que não tiveram a chance da "iluminação".

Como não trabalham e vivem apenas de mesada e facadinhas, estão sempre lisos. Aí começa a brotar o ódio por quem se veste um pouco melhor ou tem um carrinho popular. São os eles chamam de "porcos capitalistas" ou "burgueses reacionários".

Começam uma fase mais aloprada da vida quando passam a ouvir Chico Buarque e músicas andinas. Nessa fase já começam a pensar em se tornar terroristas, lutar ao lado dos norte-coreanos etc. Não usam mais desodorante e a cada 5 minutos aparece nas suas mentes a imagem de um MacDonald's totalmente destruído.

Mas é claro que o que querem não é a revolução, isso é apenas uma desculpa. Como são incompetentes para quase tudo, até mesmo para bater um prego na parede, e sentem vergonha de fazer trabalhos mais simples, e são arrogantes o suficiente para não começar por baixo, querem saltar etapas. Querem no fundo a coisa que todo esquerdista mais deseja, mesmo que de forma subliminar: um emprego público!

Mas aí surge um outro problema: é a coisa mais difícil passar em um concurso. É preciso estudar (argh!).

Assim, sonham com a "revolução" proletária, com a tomada do poder por uma elite da esquerda, nas quais eles estão incluídos, obviamente, afinal são da mesma tribo.

Assim, ocuparão, por indicação, um cargo comissionado em alguma repartição qualquer, onde ganharão um bom salário para poder aplicar seus "vastos e necessários conhecimentos" adquiridos durante anos na luta pela derrubada do sistema capitalista imundo.

Nessa fase cortarão o cabelo, tomarão banho, usarão terno, passarão a apreciar bons vinhos e restaurantes e, dependendo do cargo, terão até motorista particular. E enfiarão a mão, sem dó, no dinheiro dos cofres do Estado. Claro que pela nobre causa socialista e para o bem dos trabalhadores.

(Autoria desconhecida, mas de quem sabe das coisas)


***Peguei emprestado do Félix Maier lá no "Resistência militar"




BEM-VINDO! AO CLUBE DOS 16%. SEJA VOCÊ TAMBÉM UM SÓCIO-FUNDADOR.






Wednesday, February 04, 2009

O caráter de um povo, deve ser julgado pelo tipo de pessoas que elege.










































O banquete de migalhas de Sarney e Temer
por José Nêumanne

O PMDB está em festa: três meses depois de ter comemorado um amplo triunfo nas eleições municipais de outubro de 2008, entra em 2009 refestelado nas presidências da Câmara e do Senado. Ou seja, fez barba, cabelo e bigode! Como 11 entre 10 comentaristas políticos em atividade na imprensa, no rádio e na televisão consideram que os pleitos municipais de 2008 foram o vestíbulo e da composição das Mesas dirigentes das duas Casas do Congresso Nacional se tece o capacho (nunca antes uma palavra foi tão bem usada em todos os sentidos, modéstia inclusa) da eleição de 2010, enfim, estará o partido da resistência civil à ditadura militar pronto para assumir o poder na República, do qual foi apeado pela vontade do povo desde que José Sarney saiu do Palácio do Planalto. Mas esta será uma afirmação tão autêntica quanto a natureza peemedebista do "novelho" presidente do Senado.

O caso é que o PMDB não ganhou as eleições municipais. A aritmética de sua vitória renega aquele princípio matemático segundo o qual não é correto somar laranjas com bananas, pelo fato elementar de que, ao serem somadas, laranjas não passam a ter gosto de banana e vice-versa. Não se pode falar em vitória nacional de um partido num pleito municipal, seja na Suíça ou no Paraguai. Quanto mais num país do tamanhão do nosso! Mesmo tendo vencido a eleição no segundo maior município do País, São Sebastião do Rio de Janeiro, com um candidato tão puro-sangue quanto o maranhense do Amapá, o ex-tucano Eduardo Paes, e ainda que faça parte da coligação vencedora no maior de todos, São Paulo de Piratininga, desde os primórdios da disputa, nada há a ser comemorado pelo PMDB. Ou melhor: há, sim! Composto por gatos e sapatos que não se entendem nem se toleram, o PMDB tem mais é de cantar vitória para valorizar o próprio peixe. Os outros dirigentes políticos que tratem de separar a verdade da falsidade para não comprarem gato por lebre. Nós outros, que não temos cargos a distribuir nas províncias nem na capital, é que nada temos a ganhar numa festa em que o penetra se comporta como anfitrião e este se finge de morto só para dele tirar o pior.

O domínio do Poder Legislativo pelo maior aliado do governo, seja qual for o governo, não diz respeito à cidadania, tampouco à disputa decisiva que se dará em 2010, quando forem disputados os governos estaduais e a maior joia da coroa, a Presidência. Aí, o PMDB ganhará o prêmio que merece no cenário político nacional: o Oscar de coadjuvante de qualquer vencedor de uma eleição de verdade. Ora, dirão os "idiotas da objetividade", Itamar Franco militou no PMDB e foi presidente da República. Sim, mas a situação atual não pode ser comparada com a da Nova República, quando Sarney reinava no Planalto e o dr. Ulysses dava as cartas na Praça dos Três Poderes. Como Sarney, saído da cúpula do partido que servia à ditadura, a Arena, para ser vice de Tancredo, que voltara ao PMDB após haver fundado o PP com o arqui-inimigo Magalhães Pinto, Itamar era vice - do ressurreto Collor - e, portanto, desembarcou na Presidência sem um mísero votinho que sequer aquecesse o chá das 5 das velhinhas inglesas. Agora mandando de novo no Congresso e sem candidato à Presidência, o PMDB se manterá mordomo, mas tão cedo não vai ser castelão.

A vitória de Sarney no Senado e de Michel Temer (SP) na Câmara só confirma a velha vocação que o Parlamento tem no Brasil de bem servir aos senhores do Poder Executivo. Assim foi sempre, à exceção da chamada Nova República, quando o multipresidente do partido, da Constituinte e da Câmara amarrou seu cavalo no mastro da bandeira e deixou ao noviço maranhense as pompas e circunstâncias dos toques de corneta no Alvorada. Em nossa meia-democracia das urnas, o poder popular expresso pelo voto, legítima manifestação de soberania, é atenuado, ou melhor, moderado, como já se dizia no Segundo Império, pelo método de representação escolhido.

O voto proporcional para a Câmara dos Deputados, na qual em teoria o poder popular seria exercido por representação, evita cuidadosamente a interferência do cidadão incômodo. O truque para escamotear a possibilidade de intromissão do populacho nas decisões tomadas pelas elites dirigentes da burguesia patronal, da casta sindical e das cúpulas partidárias também é facilitado pela forma como funciona o Senado Federal. A igualdade aritmética das bancadas de Estados díspares em tamanho, população e importância econômica ajuda a diluir o poder popular num caldo grosso e insípido de interesses paroquiais e ambições classistas. Sarney e Temer passam a ser os encarregados de mexer essa poção.

Isto pode ser muito bom para eles e para os cupinchas que dividirão com ambos as mordomias deste poder de fancaria. Mas nada significa nem para o poder real, que será disputado daqui a dois anos, nem para a cidadania, que se manifestará nas urnas e, depois, se recolherá ao silêncio, "bestializada", como definiu o historiador José Murilo de Carvalho, até a eleição seguinte, em 2014. Em 2010, e depois de quatro em quatro anos, a cidadania escolherá seu chefe e este terá entre seus poderes os instrumentos de cooptação dos parlamentares que, na mesma ocasião, a mesma cidadania escolher. É melhor que o arbítrio das ditaduras civis e militares de antanho. Pode até ser melhor que as farsas passadas do Império moderado ou das eleições de bico de pena da República Velha. Ninguém duvida. Mas é algo bem diferente de uma democracia de verdade, com instituições impessoais, Poderes autônomos, recall e transparência na gestão e, sobretudo, na manipulação dos bens públicos.

O PMDB tem o direito de festejar as migalhas no banquete dos poderosos de verdade. Nós, não! Ainda temos um imenso deserto de homens e ideias a percorrer.


José Nêumanne Pinto é um escritor, jornalista e poeta, nascido em Uiraúna (PB), em 18 de maio de 1951. Começou sua carreira jornalística no "Diário da Borborema", Campina Grande (PB), como repórter em 1968. Recebeu os prêmios Esso de Jornalismo Econômico em 1975, pela série "Perfil do Operário Brasileiro Hoje" e o Troféu Imprensa de Reportagem Esportiva, também em 1975, pela reportagem "Éder Jofre e o Boxe Brasileiro". Nêumanne foi colunista, com um artigo semanal sobre Brasil na edição em castelhano do jornal "Miami Herald" . Atualmente reside em São Paulo, onde é articulista periódico do jornal "O Estado de S. Paulo" e editorialista do "Jornal da Tarde", além de publicar seus artigos em diversos órgãos da imprensa nacional. Como escritor José Nêumanne tem diversos livros publicados, também é editor do blog "Estação José Nêumanne" sobre poesia, jornalismo e literatura. E-mail: neuman@estado.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Editorial Opinião).
Quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009.




Leia também: Não é fácil ser Obama – João Mellão Neto



Friday, January 18, 2008

Eles não sabem o que fazem, muito menos o que dizem!













































Garibaldi compara Edison Lobão a Winston Churchill
por Josias de Souza

No afã de defender o companheiro de partido da acusação de inépcia elétrica, o presidente do Senado torturou a lógica com um curto-circuito. Garibaldi Alves guindou Edison Lobão, veja você, ao mesmo patamar em que se encontra Sir Winston Churchill.

Ouça-se Garibaldi: “Churchill ganhou a guerra e não era general. Era um grande estrategista, um estadista, não era general. Portanto, Lobão pode ser um grande ministro de Minas e Energia. O José Serra não foi um grande ministro da Saúde?”

As palavras de Garibaldi são de calar um Maracanã lotado em dia de Fla-Flu. Mas deixar um presidente do Senado falando sozinho seria uma descortesia indesculpável. Assim, melhor aceitar a provocação. Lobão e Churchill...

Desprezem-se, por desnecessários, os detalhes. Acentue-se apenas o essencial. Lobão caminhou até o ministério de Lula com os pés de José Sarney. Deixou pelo caminho a convicção de despreparo e um filho-suplente com muito a explicar.

Churchill foi ao posto de primeiro-ministro da Grã-Bretanha equilibrando-se nos próprios sapatos. Chamavam-no de bêbado, oportunista e pé-frio. Pisou o preconceito e esmigalhou o favoritismo de um amigo do rei, Lord Halifax.

Lobão chega ao primeiro escalão para prover ao PMDB cargos nas estatais do sistema Eletrobras e na Petrobras. À malta, oferece a perspectiva de um reajuste da conta de luz. Churchill tinha ambições mais modestas e menos a ofertar: "Não tenho nada a oferecer, senão sangue, suor, trabalho duro e lágrimas".

O adversário de Lobão é a ameaça de racionamento de energia. No ano passado, valorizava-o. Discursou sobre ele duas vezes –primeiro, em abril; depois, em julho. Nas duas ocasiões, falou do “risco muito alto de apagão.” Foi mudando de opinião à medida que se aproximava da Esplanada. Até se desdizer integralmente. Agora, agarrado a São Pedro, afirma que as chuvas de verão derrotarão o fantasma.

O inimigo de Churcill chamava-se Adolf Hitler. Concentrou-se nele. Jamais o menosprezou. Quando Hitler marchava sobre Paris a Bélgica já de joelhos, o exército britânico encurralado no porto de Dunquerque-, disse: "Ofereço visão, valentia e vitória". Quando a Europa parecia à mercê do Füher, reforçou a dose: "Vamos defender nossa ilha a qualquer custo, vamos lutar nas praias, vamos lutar nos campos e nas ruas, vamos lutar nas montanhas; nós nunca nos renderemos".

Lobão se autoconcedeu o prazo de 30 dias para concluir as nomeações de sua pasta. "Vou ouvir o PMDB e outros partidos aliados. Tanto quanto for possível, vou (atender às reivindicações do PMDB). Desde que sejam boas, vou atendê-las", avisou. O triunfo do PMDB e demais "aliados" corresponderá, neste caso, a mais uma derrota dos bons costumes e a uma nova invasão do Tesouro Nacional.

Em período mais curto, Churchill cavou um lugar na historiografia. Seu apogeu encontra-se magnificamente descrito no livro “Cinco Dias em Londres: Negociações que Mudaram o Rumo da 2ª Guerra", do historiador norte-americano John Lukacs. Conta como Churchill preservou a Grã-Bretanha, acudiu a Europa e começou a livrar o mundo civilizado do nazi-fascismo. Tudo entre os dias 24 e 28 de maio de 1940.

No dia em que a folhinha alcançar 31 de dezembro de 2010, Lobão, Garibaldi e o PMDB de ambos serão notas de rodapé no capítulo dedicado à fisiologia que infelicitou a era Lula. Filhos de uma cruza do instante com o circunstante, não terão lugar na estante. Esse barulho que se ouve ao fundo é Sir Churchill revirando no túmulo. Revoltou-se com a afronta de uma comparação despropositada. Julga-se merecedor de companhias mais edificantes.



Josias de Souza, nascido em 1962, é jornalista desde 1984. Trabalha na Folha de S.Paulo há 20 anos. Nesse período, ocupou diferentes funções, de repórter a Secretário de Redação do jornal. Hoje, é colunista da Folha. Publicou em 1994 o livro "A História Real" (Editora Ática), em co-autoria com Gilberto Dimenstein. O trabalho revela os bastidores da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2001, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".





Publicado no blog "Josias de Souza".
Sexta-feira, 18 de janeiro de 2008, 00h54.


"Sir-ney" Edison Lobão – Josias de Souza

Depois daquela foto ou “O dever dos democratas” – Reinaldo Azevedo
 
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