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Friday, August 28, 2009

Da série "RETRATOS DE UM PAÍS MEDÍOCRE": Professora ou ...?
A verdade é que o brasileiro está "todo enfiado" pelo lulo-petismo, e, está gostando!





































Professora da Bahia é demitida após vídeo sensual cair na web, diz advogado
por Glauco Araújo

Instituição de ensino, em Salvador, informou que medida foi consensual. Educadora foi filmada fazendo coreografia de pagode no palco, em junho.

Uma professora de ensino fundamental, de 28 anos, foi demitida após um vídeo em que ela aparece dançando sensualmente ao lado de um grupo de pagode, em Salvador, cair na internet. As imagens foram registradas, em meados de junho deste ano, por várias pessoas que estavam na plateia de uma casa noturna e usaram câmeras de celular.

O flagrante' aconteceu durante uma apresentação do grupo de pagode O Troco, que costuma convidar as espectadoras para subir ao palco e fazer a coreografia da música "Todo enfiado". O vídeo já teve mais de 100 mil acessos.



A professora é formada em pedagogia e faz pós-graduação na área e ministrava aulas de alfabetização para crianças de 5 anos em uma escola particular da capital baiana. Após a divulgação do vídeo na internet, ela disse que passou a sofrer retaliações no bairro onde morava. "Ela teve de mudar de endereço e agora está na casa de familiares. Depois disso, ela foi demitida", disse Antonio Leite Matos, advogado da educadora.

A direção da escola explica que houve uma conversa com a professora e a mãe dela e a demissão foi uma medida consensual. Ainda de acordo com a instituição de ensino, após a exposição do vídeo da professora na internet, ela não se sentia mais à vontade para trabalhar e para continuar na mesma casa onde vivia.

Leite Matos informou que a filha de 7 anos da professora, que estudava na mesma escola em que a mãe trabalhava, teve de parar os estudos. "Ela não cometeu crime algum. Minha cliente estava em um momento de lazer e não fazia ideia de que as imagens da coreografia fossem parar na internet."

O advogado disse ainda que a educadora está arrependida do ocorrido. "Ela trabalhava na escola havia mais de um ano e sempre foi boa funcionária", afirmou Matos. A direção da escola informou ao G1 que mantém contatos diários com a ex-funcionária para prestar apoio.


Publicado no portal "G1".
Sexta-feira, 28 de agosto de 2009,13h30.








Aprendemos de cabeça para baixo – Arnaldo Jabor


DIA DO SOLDADO??? QUEM SABE, DAQUI A UNS QUINZE OU VINTE ANOS...





Da série "RETRATOS DE UM PAÍS MEDÍOCRE": Professora ou ...?

Tuesday, August 25, 2009

DIA DO SOLDADO???
QUEM SABE, DAQUI A UNS QUINZE OU VINTE ANOS...

Original Photo: © Delmiro Junior




































O FUTURO É DUVIDOSO

O Exército de "ontem" está "velho" ou já morreu. Porém foi heróico e cumpriu com seu dever e, por isso alguns deles estão pagando e outros ainda pagarão o preço por nos salvarem das garras do comunismo.

O Exército de "hoje", está de joelhos. Seus compromissos atuais são tão somente com soldos, cargos e aposentadorias, para isso bajulam, medalham e homenageiam seus futuros algozes e vezeiros traidores da pátria. Viraram as costas para os heróis do Exército de "ontem", que foram deixados à mercê da sanha vingativa dos traidores comunistas por eles (os de "ontem") derrotados.

O Exército de "amanhã", é uma incógnita, tanto poderá ser escravizador de seu próprio povo, como libertador desse mesmo povo, tudo dependerá em qual Exército se espelhará, no digno e honroso de "ontem", ou no covarde e "vendido" de "hoje". Só o tempo poderá responder.




De quatro – João Ubaldo Ribeiro




Tuesday, March 31, 2009

Plano Nacional de Habitação - Um milhão de casas em dois anos!
Por que não? Dependendo das "casas" ...

Foto: Um modelo padrão das casas populares a serem construídas pelo desgoverno lulosionista.


























A vergonha pode nos trazer sabedoria
por Arnaldo Jabor
A paralisia política do país nos ensina muito


Outro dia escrevi uma frase não totalmente idiota. Cito-me: "Há alguma coisa não acontecendo no Brasil que me apavora!"

A sensação é de paralisia com agitação, falsos tremores febris, acontecimentos irrelevantes que parecem importantes, bobagens que enchem os noticiários e que se esvaem. Isso cria a impressão de que algo se movimenta, quando tudo está parado. Este governo desmoraliza os fatos. Eles são soterrados por uma presença excessiva do governo em tudo - Lula o dia todo na TV, criando uma cortina de fumaça virtual sobre o que não é feito.

De repente, Lula sente que tem de ir além do marketing e berra: "Precisamos fazer alguma coisa! Vamos fazer um milhão de casas!" E aí se defronta com milhares de cascas de banana que ele ignorou nos últimos sete anos: burocracia, cargos técnicos invadidos por clientelismo político, falta de grana para investir, pois gastou com funcionários públicos quatro vezes mais do que diz que vai gastar com o milhão de casas: R$ 128 bilhões com gastos de custeio e funcionários (as casas custariam R$ 33 bilhões).

Esse milhão de casas (quem dera que fosse possível…) vai esbarrar em tudo o que o governo Lula deixou de fazer: simplificação de burocracias, privatizações necessárias, concessões públicas urgentes e reformas em geral.

Não abriu caminho para o crescimento e agora quer crescer? Como fazer isso com 0,9 do Produto Interno Bruto (PIB) para investimentos? Depois de tanto getulismo tardio, agora vai ser difícil bancar um Juscelino Kubitschek pós-moderno, com um Estado quebrado.

A grande doença histórica que nos infecciona há séculos piorou com o regime de vulgarização de alianças políticas que Lula promoveu esses anos todos. O Senado e o PMDB são o grande sintoma desse vexame.

Essa doença se espalha a partir do topo da pirâmide de poder. Lula era a esperança do velho populismo e dava um rosto operário concreto aos ideólogos. Controlado pelos comandados de Dirceu, acabou eleito pela habilidade realista de um publicitário. Depois, com a intervenção salvadora de Roberto Jefferson, Lula ficou livre para criar essa doutrina que hoje se derrama sobre todos os aparelhos do Estado. Esse sórdido "aliancismo" que tudo permite faz a roubalheira ser vista como um mal necessário e inevitável ("ôba!"), o que permite o assalto sistemático à Republica com a consciência tranquila, sem medo de punição. O governo desmoralizou o escândalo.

O lulo-sindicalismo também herdou uma vaga ideia de "futuro" que habita a ideologia dos comunas oportunistas e cria uma desvalorização do "aqui e agora", como se o "presente" fosse algo desprezível. Assim, tudo fica parado no ar, nada sai do papel. As promessas e os anúncios bastam; a realização é supérflua. Tudo que tinha de ser reformado, não o será, pois "reforma" repugna pelegos "revolucionários" que ainda pululam no Executivo, restos de uma doença infantil esquerdista. Não só nada avança, como o que antes funcionava está quebrando. Há uma falência múltipla dos órgãos públicos.

Essa doença grave é dissimulada pela figura de Lula, com seu carisma de operário guerreiro que fascina o mundo. A estratégia de "mídia em vez de ação", e mais os fragmentos deixados pelos bolchevistas que saíram, cria uma virose que se espalha de forma letal pelo corpo de nossa democracia representativa, frágil casca retórica em cima de nosso velho patrimonialismo resistente.

E tudo isso é agravado por uma espantosa incapacidade administrativa. A ideia de "competência" é vista com desconfiança, inclusive teoricamente, porque a competência técnica pode "encobrir um desvio neo-liberal, de direita". "Administrar" é visto como ato menor, até meio reacionário, pois administrar é manter, preservar, coisa de capitalistas.

Essa ambiguidade paralisou processos e projetos, com exceção das regras "macro" que Fernando Henrique Cardoso deixou, em que Lula, por instinto, não mexe.

A isso, claro, soma-se seu caráter preguiçoso e deslumbrado que se declina por todos os escalões do Estado. Além de não saber o que fazer, a atitude de se colocar acima da política cotidiana desqualifica a própria política como sendo coisa menor, o que é uma "sopa no mel" para corruptos e vagabundos.

Outro aspecto interessante em nosso "karma" de país sem projeto é que, por um lado, lucramos muito com a onda boa da economia mundial (a fase da "bolha bendita"), o que deu base de marketing para o sucesso de Lula no Ibope. Mais interessante ainda é vermos que nosso sistema bancário voraz e egoísta, nosso crédito mixuruca, nos preservou um pouco, até agora, da crise financeira internacional. O atraso nos ajudou.

E mais tragicômico ainda: isso permite a Lula se gabar de uma economia "protegida", quando é apenas atrasada.

Pela ausência de programas, resta aos donos atuais do poder manter comprado o apoio das "massas", com bolsas família, e aumentar os gastos públicos com fins eleitorais para 2010. E o próximo governo (mesmo de Dilma) que se dane.

É isso aí. Tudo o que o governo anterior introduziu e que poderia nos fazer avançar foi paralisado. Estamos diante de um grave retrocesso histórico, que parece calmaria. Mas, e a tempestade?

A única vantagem dessas alianças espúrias é nos revelar, por tabela, o horror de nossa degradação. Por desgraça ou sorte, estamos vendo a bruta voracidade da política brasileira. Talvez essa vergonha seja boa a longo prazo. Estamos desmascarados. Em nome de uma governabilidade, criou-se uma rede de alianças que impede qualquer governabilidade. Ver a cara de nossa tragédia burlesca talvez seja o começo de alguma sabedoria.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.
E-mail: a.j.producao@uol.com.br


Publicado no jornal "A Tribuna" – Santos-SP.
Terça-feira, 31 de março de 2009.




SALVE 31 DE MARÇO DE 1964! – MOMENTOS DECISIVOS – Gen Clovis Purper Bandeira





Wednesday, January 28, 2009

BRASILEIROS: ESCÓRIAS HUMANAS!































Nota: Eu também sou brasileiro, portanto ...


VERDADE, HONRA, VERGONHA
por Maria Lucia Victor Barbosa

Nosso relativismo moral vem de longe. É obra cumulativa de séculos. A acachapante aprovação nacional de Lula da Silva, sem contar com sua eleição e reeleição, demonstra que já chegamos aos píncaros das conseqüências históricas com requintes de caos. E diante do que se passa na atualidade, lembremos de Gregório de Matos e Guerra (1636-1696) advogado e poeta, alcunhado Boca do Inferno ou Boca de Brasa. Em Epílogos, ele retrata a paisagem moral de Salvador, Bahia, nossa capital na época colonial. Mudando a palavra cidade para país, teremos a paisagem moral atual em alguns dos versos do poeta:

"Que falta neste pais? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha".

"O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama o exalte,
Num país onde falta
Verdade, honra, vergonha"
.

Nunca nos faltou tanto verdade, honra, vergonha. Convivemos alegremente com "mensaleiros", sanguessugas, transportadores de dólares em cuecas e até os reelegemos. Somos antiamericanistas doentes, mas volta e meia vamos aos Estados Unidos para fazer turismo, comprar, estudar, trabalhar, cuidar da saúde, além dos milhões de brasileiros que partem em busca da América, e lá permanecem clandestinos, mas ganhando o que jamais ganhariam aqui. Odiamos os judeus porque preferimos o Hamas dos Palestinos. Como bons latino-americanos somos de esquerda e por isso idolatramos Fidel Castro, não importando ser ele um ditador implacável que nunca respeitou os direitos humanos. Se Lula da Silva, o grande pai de seu povo, põe o Brasil de joelhos diante de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo, Cristina Kirchner, nos inclinamos também perante as lideranças populistas que infestam a América Latina sempre imersa em sua mentalidade do atraso, em suas mazelas, em seus fracassos. A corrupção faz parte de nossa história e aprovamos governos corruptos ao dizer que se estivéssemos lá faríamos as mesmas coisas. Afinal, somos espertos, malandros e nossa satisfação em passar os outros para trás não tem limites. Indiferentes ou ignorando o que ocorre no Congresso Nacional ou no âmbito da Justiça seguimos cantando o samba de Zeca Pagodinho que nosso presidente da República tanto aprecia: "Deixa a vida me levar". Futebol, carnaval e Big Brother são nosso alimento espiritual. Acreditamos que o MST é um movimento social pacífico que não esbulha proprietários rurais destruindo maquinário, roubando gado, pilhando, queimando sedes de fazendas. Do mesmo modo admiramos as sanguinárias Farcs, idealizadas como heróicas e defensoras do povo colombiano.

No momento dois fatos empolgam os noticiários. O primeiro diz respeito ao caso do terrorista Cesare Battisti, que a Itália quer de volta, mas que já foi perdoado por nosso ministro da Justiça com o acordo de Lula da Silva. Não devolveremos Battisti de jeito nenhum, o criminoso é nosso. Também estamos de braços abertos para receber os terroristas de Guantánamo. Aplausos para a Justiça brasileira, pois aqui o crime compensa. Do jeito que a coisa vai, pode ser que Lula da Silva crie o Ministério do Terrorismo e convide Osama Bin Laden para ministro. Seria mais uma vez delirantemente aplaudido pelo povo e seu prestígio subiria como atestado em pesquisa.

O segundo fato é relativo ao Fórum Social Mundial, que ocorre em Belém do Pará. O governo investiu milhões na festividade, inclusive, em camisinhas. Tudo pago com o dinheiro do contribuinte, ou seja, estamos financiando a esbórnia que atrai pessoas de todo o Brasil e do exterior. Presentes ao festival estarão Lula da Silva, ministros, assessores, figuras como João Pedro Stédile, além dos caudilhos Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa. Fernando Lugo, que fazem Lula sonhar com outro mandato possível. Lula não irá ao Fórum Econômico Mundial em Davos. Ficará em Belém dançando o Carimbó.

Aliás, não faltarão ao carnavalesco evento, além das camisinhas, muita cachaça e folia. Naturalmente, os participantes se posicionarão contra o capitalismo que os sustenta, contra a liberdade que permite a festividade, contra a riqueza que almejam para si. Dizem que no globalizado Fórum será dada oportunidade aos participantes, se os eflúvios etílicos permitirem, de perceberem que os problemas que assolam o mundo derivam da competição pelo poder e do acúmulo de bens materiais. Ou seja, tudo que eles mesmos fazem ou almejam. Em suas utopias delirantes as esquerdas clamarão pela volta do socialismo, nem que seja o do século XXI. E enquanto a crise avança sobre o planeta, em Belém do Pará se dançará o Carimbó, pois o tal outro mundo possível nunca foi definido nesses fóruns onde acontece de tudo, menos idéias.

Sem dúvida, esse "Fórum Socialista" faz recordar as proféticas palavras de Ortega y Gasset em A Rebelião das Massas: "A vida toda se contrairá. A atual abundância de possibilidades se converterá em efetiva míngua, escassez, em impotência angustiante, em verdadeira decadência. Porque a rebelião das massas é a mesma coisa que Rathenau chamava de ‘a invasão vertical dos bárbaros".

No Brasil essa invasão começou faz tempo, mas diante dela nos quedamos indiferentes porque nos falta verdade, honra e vergonha ou, talvez, porque sejamos nós os bárbaros.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Quarta-feira, 28 de janeiro de 2009, 11h47.




Leia também: O Último Charuto de Fidel: Um Obituário – Mario Guerreiro





Friday, March 07, 2008

Não vai sobrar nada!

Foto: Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, de uma época em que o Brasil ainda praticava Diplomacia.

































O Brasil e a Grã-Colômbia
por Demétrio Magnoli


O bombardeio aéreo que devastou um acampamento guerrilheiro no lado equatoriano da faixa de fronteiras e matou Raúl Reyes, o número dois das Farc, não é um incidente isolado, mas um elemento na teia da internacionalização do conflito interno colombiano deflagrada pela política 'bolivariana' de Hugo Chávez. Esse é o pano de fundo no qual se move uma política externa brasileira desfigurada por uma fatal duplicidade de orientações.

A supressão das Farc é um objetivo nacional da Colômbia. O fracasso das negociações de paz conduzidas pelo ex-presidente Andrés Pastrana e a degeneração política e moral da antiga guerrilha comunista, convertida num bando financiado pelo narcotráfico, estabeleceram o marco no qual foi eleito e reeleito o conservador Álvaro Uribe. A sua promessa de derrotar a guerrilha por meios militares conta com o apoio ativo da esmagadora maioria dos colombianos.

Há alguns anos, fustigadas incessantemente pelas forças armadas, as Farc perderam quase toda a sua capacidade de combate e retrocederam para as faixas de fronteira. Hoje, a guerrilha procura uma trégua estratégica, que seria possível apenas com a criação de uma zona desmilitarizada, nos moldes do precedente estabelecido por Pastrana. Os reféns, de um lado, e Hugo Chávez, de outro, são os instrumentos disponíveis para a execução dessa política.

Quando Chávez deu um passo à frente e se apresentou como mediador para a libertação dos reféns, a iniciativa foi descrita como um empreendimento humanitário. Logo depois do primeiro sucesso, porém, o presidente da Venezuela declarou sua solidariedade com as Farc, definiu a guerrilha celerada como um 'movimento bolivariano com um projeto político respeitável' e clamou por seu reconhecimento internacional como parte beligerante. Dias atrás, na mesma linha, o caudilho prestou homenagem a Raúl Reyes, enquanto anunciava o deslocamento de tropas para a fronteira com a Colômbia.

Convencionalmente, os analistas interpretaram a operação como um componente da política interna venezuelana, na qual Chávez busca reconquistar um respaldo popular que se evapora, tocando os tambores da guerra e clamando contra o espectro do inimigo externo. Isso existe, é claro, mas representa apenas a superfície conjuntural de um movimento geopolítico de fundo. O chavismo não é um caudilhismo tradicional, mas um movimento internacionalista articulado em torno da ideologia bolivariana. A decisão de financiar as Farc e de resgatar a guerrilha da beira do precipício se inscreve na lógica de um projeto revolucionário latino-americano. Na visão de Chávez, Venezuela e Colômbia são entidades geopolíticas artificiais, oriundas da fragmentação da Grã-Colômbia. O projeto do caudilho é a restauração do efêmero Estado presidido por Simón Bolívar entre 1819 e 1830. Nesse projeto, as Farc figuram como exércitos libertadores bolivarianos atuando em território ocupado.

A Venezuela chavista não pratica uma política externa realista e não reconhece o princípio da soberania nacional, que invoca aos brados quando a Colômbia bombardeia um santuário das Farc em terras do Equador. O evento que se desenvolve na América Latina, e do qual faz parte o giro diplomático do equatoriano Rafael Correa, só pode ser compreendido à luz da política externa revolucionária de Chávez. A intromissão permanente nos assuntos dos países latino-americanos é um traço estrutural do chavismo.

A reação brasileira ao incidente no Equador envolve um tripé de iniciativas. A designação do ministro Celso Amorim para conduzir a crise, no lugar de Marco Aurélio Garcia, geralmente encarregado das relações regionais, obedece ao imperativo de reduzir a influência do PT, que tende ao alinhamento com Chávez. A condenação do bombardeio colombiano e a insistência de um pedido incondicional de desculpas procuram introduzir uma cunha entre Rafael Correa e Chávez. A definição do incidente como um evento bilateral é uma tentativa de afastar a Venezuela do foco da crise.

O governo Lula opera no sentido de erguer um dique de contenção e evidencia conhecer perfeitamente o cenário geopolítico mais amplo. Contudo, Lula exige desculpas sem condições da Colômbia, mas não condena incondicionalmente a guerrilha colombiana - e, sobretudo, não levanta a voz do Brasil para cobrar a cooperação logística da Venezuela e da Colômbia contra o uso das faixas de fronteiras pelas Farc. No plano político e moral, essas omissões configuram uma intolerável neutralidade diante do conflito entre o Estado colombiano e o bando de guerrilheiros que mata inocentes e seqüestra civis. No plano estratégico, elas abrem as comportas para a passagem da enchente chavista.

No fim das contas, a política externa brasileira não se desfigura por uma incapacidade de análise do quadro externo, mas por algo mais grave, que adquire contornos trágicos. No governo Lula, o conceito de interesse nacional foi submetido a uma persistente erosão ideológica, que o torna inoperante. No PT, na CUT e no PC do B vicejam a nostalgia do stalinismo, um nacionalismo anacrônico de perfil autoritário e a incontida admiração pela Cuba castrista e pela Venezuela chavista. Nesse meio político, as Farc não são uma guerrilha que tortura, mas um exército antiimperialista.

Esse caldo ideológico faz seu caminho até os centros de decisão de nossa política externa, desfigurando-a quase por completo. Usualmente, essa desfiguração se manifesta em episódios vexaminosos, mas de escassas repercussões estratégicas imediatas, como a indiferença diante das violações de direitos humanos e a solidariedade à ditadura castrista cubana. A Venezuela, porém, constitui um teste de fogo. A omissão e a duplicidade diante da política internacional chavista não provocam apenas vergonha, mas ameaçam a estabilidade do entorno regional e a segurança de nossas fronteiras.


Demétrio Magnoli é graduado em Ciências Sociais e Doutor em Geografia Humana pela FFLCH-USP, editor da publicação Mundo - Geografia e Política Internacional, assina coluna semanal na Folha de S. Paulo e integra o GACINT - Grupo de Análises de Conjuntura Internacional da USP. Autor e co-autor de vários livros nas áreas de Geografia, Conjuntura Internacional, História Contemporânea, tais quais: " O Que é Geopolítica", "Da Guerra Fria à Detènte" e "O Mundo Contemporâneo", entre outros, além ministrar palestras e colaborar em diversos órgãos da mídia.





Publicado no jornal " O Estado de S. Paulo".
Quinta-feira, 06 de março de 2008.



O Itamaraty do "barão top, top" - Demétrio Magnoli

Sunday, January 20, 2008

Calma "camaradas", falta um pouco para o fundo do poço!
"Eles" ainda não começaram a chutar o "cachorro morto".

Foto: O "glorioso" fim dos "Leopard" e também do EB!































VERGONHA!
por Bader

Tenho lido os desabafos de companheiros do GG egressos das FFAA a respeito da situação econômico-financeira em que se encontram. As FFAA nunca ganharam bem, mas a verdade é que como agora nunca ganharam tão mal. Há uma proposital inversão de valores na escala remuneratória do serviço público. Um investigador da polícia federal ganha como general. Um promotor de justiça com 23 anos de idade recém-admitido em qualquer Estado brasileiro ganha, no mínimo, 17 mil reais. Os porteiros das Assembléias Legislativas e dos Tribunais de Contas ganham no mínimo 6 mil reais.

O que faz esse entulho burocrático de tão importante para subverter qualquer escala salarial razoável? Muito pouco.

As Polícias Militares recebem soldos, vantagens ou subsídios que superam de longe o que pagam o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Por que essas disparidades?

Em primeiro lugar, o Brasil está entregue aos vencidos em 1964 que procuram tirar suas casquinhas. A carreira nas FFAA deve ser desestimulada. Amanhã vão propor o fim do serviço militar obrigatório. O Brasil não tem inimigos, dizem os comuno-petistas, mas está cercado de amigos por todos os lados, como Fidel, Chaves, Morales. Os aviões estão quebrados? Paciência, desde que não seja o avião presidencial. Os tanques não andam? Para que o Brasil quer tanques? Para “intimidar” e “oprimir” o “proletariado”?

Em segundo lugar, só não vê quem é cego só não ouve quem é surdo, estamos em pleno processo de socialização do País, um socialismo renovado, pegando os ventos da China Comunista. Em outras palavras, um comuno-capitalismo, uma mistura do que existe de pior no comunismo e pior no capitalismo.

Desafortunadamente, as FFAA, sedadas pelo espírito de “profissionalismo exclusivo”, professando idéias tolas como a de que a política é coisa suja e, assim, deve ficar só com os políticos, dão azo à institucionalização de tudo que combatemos em quase duzentos anos de independência. Calabar e Silvério dos Reis ganharam novos nomes, perfumados, glamorosos, expostos permanentemente na mídia dominada pela esquerda burra como os heróis do Brasil, os pais dos pobres. E o povo ignorante vai atrás dessa procissão dos canalhas e facínoras, como gado em direção ao matadouro.

Enfim, soldos baixos e equipamentos sucateados não acontecem por acaso. Não é coincidência que as FFAA vivam os piores dias de sua História. E que os militares sofram as agruras e o deboche de dificuldades tão imensas para manter um padrão de vida razoável. Tudo foi planejado e está sendo executado cronometricamente. Chegará o dia em que as FFAA poderão ser substituídas pela “Guarda Nacional” ou “Milícias Populares”. Esse filme nós já assistimos várias vezes. Será que vocês não conhecem o final?

A repulsa aos traidores da Pátria, aos ladrões dos cofres públicos, aos bandidos da “luz vermelha” que tomaram conta dos palácios e governos, a repulsa à burocracia judiciária que cria castas hereditárias de juízes, desembargadores e ministros, pode e deve acontecer se a vergonha for mais forte do que o medo, se a honra militar for mais alta do que o sabujismo, se a farda for mais eficiente do que o colarinho branco.

SE TIVERMOS CORAGEM PARA REAGIR..., PORQUE FORÇA NÓS DISPOMOS.


Bader é um membro do Grupo Guararapes.

Publicado no site do Grupo Guararapes.
Domingo, 20 de janeiro de 2008.


"SOBERANIA" = MORTE AO COMUNISMO!
Bootlead



Thursday, November 22, 2007

Lulo-petismo: Precisamos nos livrar dessa "doença" de uma vez por todas.
Já está na hora de "sentar o dedo"!










































O PARADOXO DO ORGULHO E DA VERGONHA DE SER BRASILEIRO
por Geraldo Almendra

Somente uma sociedade corrupta e sem-vergonha pode admitir que seu presidente declare, impunemente, que: "Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não é."

Sinto vergonha da sociedade em que vivo pelo fato de estarmos deixando, pacificamente, nosso país ser destruído por um ignorante desqualificado, um delinqüente da política que está fazendo do poder público um covil de corruptos, bandidos e prevaricadores, e transformando nosso país em um Estado Comunista de Direito, em que a desonestidade intelectual, pública ou privada, interpreta as ações dos podres poderes da República e seus resultados, de acordo com o relativismo calhorda dos interesses adquiridos pelos ideólogos do projeto de poder perpétuo do petismo.

Uma sociedade que presencia, sem reação, um fascista, líder de um país vizinho, ser chamado de democrata, e sua ditadura qualificada como plena democracia, afirmação feita por um prostituto da política que quer, também, se eternizar no poder em nosso país.

Uma sociedade que presencia, sem luta, a vitória do submundo da corrupção sobre a honestidade, a moralidade, a ética a honra, e a degeneração definitiva de um poder público que alicia os canalhas de ocasião, sem fronteira de cultura, educação ou de profissão, e beneficia mais de 100 mil militantes da canalhice prostituta da política que servem aos podres poderes da República, com mordomias e sinecuras inacessíveis para mais de 95 % da sociedade que trabalha arduamente para sustentar suas famílias e pagar seus impostos.

Uma sociedade que tem nas suas Forças Armadas meros expectadores - adormecidos em suas casernas - da tomada do poder público pelos meliantes cúmplices do Foro de SP.

Uma sociedade covarde que presencia o assassinato da cidadania em todos os seus termos por aqueles que são pagos com nossos impostos, para favorecer uma burguesia de canalhas e seus cúmplices das elites dirigentes.

Uma sociedade em que a ignorância predomina fazendo-se satisfeita com as esmolas oferecidas pelo Estado em troca de votos, e abrindo mão da luta honesta por oportunidades de trabalho, educação, cultura, e caminhos éticos para o crescimento com esforço individual.

Uma sociedade que admite que o projeto do PT para o Brasil seja um projeto de poder para o PT e para sua nova burguesia, que vive em função do trabalho dos outros, e que tem demonstrado, explicitamente, a inexistência de limites éticos e morais em suas ações para sustentar a tomada do Estado por gangs de militantes e seus cúmplices.

Uma sociedade em que ser servidor público virou um sonho de pertencer à mesma corja de exploradores do trabalho dos pagadores de impostos, que trabalham mais de cinco meses por ano para o Estado em troca de serviços públicos que não cumprem suas funções sociais, e servem apenas para consolidar uma casta de cidadãos para viver explorando os contribuintes.

Estamos presenciando um vergonhoso entreguismo de milhares de cidadãos, manipulados pela falência da educação e que estão se tornando dependentes do Estado, e, ao mesmo tempo, uma criminosa associação dos prostitutos da política com as elites dirigentes que continuam vendendo suas almas ao diabo em troca da preservação dos seus veios de enriquecimento aético e imoral.

A luta pelo poder político prostituído no Brasil superou todos os limites da degradação das instituições públicas. Chegamos à fronteira que qualquer nação minimamente civilizada jamais poderia aceitar. Somos vítimas de uma absurda desonestidade intelectual que tomou conta dos interesses da parcela esclarecida da sociedade que se uniu ao petismo para dominar o país.

A desonra, a falta de ética, a imoralidade, a corrupção, e a prevaricação são os alimentos da ambição patrimonial e de poder dos canalhas que assumiram o controle do poder público assim como de seus cúmplices das elites dirigentes.

A mentira recorrente, viciosa e viciada, é o valor maior desta sociedade hipócrita que permitiu que seus princípios mais básicos fossem desqualificados pela ignorância, pela covardia e pela cumplicidade com a canalha da corrupção e da prostituição da política que transformou o Parlamento em um covil de cidadãos absolutamente desqualificados.

Diante da falência da moralidade e da ética como princípios básicos de comportamento social daqueles que assumiram o controle do poder público cabe a pergunta: - De que devemos nos orgulhar em nosso país?

Vez por outra escutamos a frase “orgulho de ser brasileiro”, que é geralmente anunciada com ostentação em solenidades ou em competições esportivas. - Mas o que é “ter orgulho de ser brasileiro” em um país considerado um dos mais atrasados no que diz respeito à educação e a cultura e que tem sido qualificado como um dos que tem o poder público dentre os mais corruptos do mundo, conforme estudos feitos por organismos internacionais?

O “orgulho de ser brasileiro” advém de realizações individuais de atletas que são associadas a uma valorização do país; é a indução, influenciada pelos canalhas da política ou de seus cúmplices, a um sentimento coletivo de satisfação, como se essas mesmas vitórias fossem o resultado de alguma competente ação do Estado e de grandes investimentos no esporte pelo poder público.

O “orgulho de ser brasileiro” teve com a escolha do Brasil para sediar a copa de 2014 um motivo para virar, mais uma vez, um instrumento de manipulação de milhões de pobres consciências críticas que favorecem a exploração do país por uma minoria de calhordas que fazem o povo de imbecis, palhaços e dependentes, cada vez mais, de um criminoso assistencialismo populista, que coloca na folha de pagamento do Estado bancado pelos contribuintes, mais de 30 milhões de cidadãos, cuja única obrigação é aceitar entregar seu voto para a preservação de um projeto político prostituído e corrupto, e ficar ganhando parte do seu sustento sem trabalhar, por falta de vontade ou oportunidade.

Nosso país como agrupamento político autônomo – nação – em sua grandeza territorial e imensas riquezas nos conduzem, também, graças a uma ignorância coletiva, a um orgulho exacerbado de termos condições de nos transformarmos em uma grande potência econômica, sem levarmos em conta que o poder público do país é sinônimo perfeito de patifaria, corrupção, prevaricação e prostituição da política, que preservam o atraso social, econômico e tecnológico.

"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos, mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma. Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe". (Discurso de Cícero, tribuno romano, 42 a.C.)

O Estado corporativista protegido por uma Justiça relativista é uma grotesca fraude que tomou conta do nosso país; fará tudo o que for possível, pelas mãos de seus agentes, para preservar a tomada do poder pelos que conseguiram aliciar os podres com as esmolas de um assistencialismo comprador de votos e os ricos com o dinheiro dos impostos para remunerar suas aplicações financeiras em títulos públicos, tudo para que o paraíso da nova burguesia petista se eternize.

Somente uma ruptura da sociedade civil-militar com os podres poderes da República corruptos e prevaricadores, trará de volta para nosso país a esperança de termos novamente um verdadeiro orgulho de nossa cidadania, pois na máquina do desgoverno petista, enquanto os benefícios da “carreira” compensarem os custos da desonra, nada mudará!

Infelizmente não podemos mais esperar por qualquer ruptura em uma sociedade que nos envergonha a cada dia, por ter se deixado dominar pelos canalhas das “gangs dos quarenta” – livres, leves e soltos – que têm na desonestidade intelectual dos esclarecidos de todas as profissões o apoio para continuarem transformando nosso país no paraíso mundial da corrupção, da falta de ética, e da imoralidade pública.


Geraldo Almendra é economista, consultor e professor de matemática.








Publicado no site "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Domingo, 18 de novembro de 2007.



Saturday, November 10, 2007

Não há exemplos na História de se ter conquistado a segurança pela covardia.

Foto: © by Celso Marino

































Carta ao Soldado Desconhecido
por José Batista de Queiroz.

Dentro do uniforme azul, verde, branco, está o mais belo exemplo de um soldado. Faz-se presente em cada pedaço do Brasil. Só pensa no bem de seu país. O frio, o calor, o sol, a chuva, nada impede o seu trabalho.

Nem mesmo os salários baixos, as ofensas gratuitas, as ingratidões oficiais, nada afeta a sua dedicação. O seu lema é servir ao Brasil. Servir de verdade, com suor e amor. E você o faz com abnegação. Sua recompensa é a alegria do dever cumprido. O seu ideal é ver um Brasil unido, livre, forte. O seu sonho é ver as desigualdades, as injustiças, ancoradas no passado.

Mesmo com estes valores atracados em sua alma, muitas pessoas, porém, fazem tudo para ofuscar o seu brilho, denegrir o seu rosto. Rosto de soldado é cara de homem mau, imagem de bicho papão. Assim pintam o seu retrato. Querem vê-lo na miséria, desmoralizado, inútil. Tentam vulgarizar o sabre, a farda, a profissão.

Atribuem-lhe missões, que não são suas. Tratam-no com desprezo e ironia. Usam apenas a caneta para exonerar altas patentes. E a fumaça da paz continua saindo do cachimbo. Negam-lhe tudo, inclusive salário decente.Todos recebem aumentos, menos você. A desculpa é sempre a mesma: não está no orçamento. É pura má vontade. Você sabe disso. Não lhe dão comida, nem armas, nem equipamentos. Faltam fuzis, mas sobram facões. Dão-lhe apenas mais deveres e menos direitos.

O seu dinheiro de saúde é usado para outros fins. E a sua saúde fica internada no hospital. Querem tirar-lhe até a sua história. Aquela história que você escreveu com a própria vida, dentro e fora do Brasil, está como sol poente atrás dos montes. Vai-se perdendo no tempo como as águas se perdem nas matas. Os seus feitos são pedras lançadas ao rio, são rios perdidos no mar. Os tempos mudaram. Os heróis não são mais os que morreram pela liberdade, mas os que mataram pela escravidão.

As homenagens não são mais para os homens da lei, mas para os homens sem lei. O palácio virou castelo e se fechou para o soldado como a noite se fecha para o dia. A voz dos facões tornou-se mais forte do que o brilho dos sabres. Ninguém mais ouve o seu grito, o seu lamento, a sua necessidade. Quando ele chega aos palácios, já está ofegante, com sinais de cansaço, sem entusiasmo. Parece sol no fim do dia. Chega sem porta-estandarte. É como um soldado sem comandante, uma idéia sem líder.

O seu Ministro usa a sua voz de leão apenas para os subordinados. Sua preocupação é com os aeroportos, não com o soldado. Do soldado, quer a farda para ficar vistoso, como quis a beca para parecer monarca. Ele sabe que a disciplina está na formação, não no salário; que a hierarquia torna o grito mais suave do que o canto, a palavra mais leve do que a pluma. Ele sabe que na choupana não há ventania, apenas brisa.

Mas nada dura para sempre. A corte nunca foi a morada do eterno. No mundo, a luz predomina sobre a escuridão. As noites e os dias se revezam. As estações se sucedem. Não há inverno que não termine nem primavera que não comece. Estrela só existe no céu e, assim mesmo, só brilha durante a noite.

Por mais que tentam transformar você num tronco desfolhado, continuará vivo como árvore no outono. A sua resistência está nas raízes, não nas folhas; está no espírito, não no corpo. A sua alma é de soldado.

Um dia você verá que não pode falar suave com quem só entende a linguagem dos duros, não pode tocar violino para quem só ouve guitarra. Um dia, a dignidade da farda levantará a sua voz. A sua honra será mais forte do que o canhão. Um dia será tratado como um soldado e não como um desconhecido. Quem vive como herói não morre como covarde.


José Batista de Queiroz é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.








Publicado no site "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Sábado, 10 de novembro de 2007.












"Aquele que se empenha a resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa para vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem"
Sun Tzu em "A Arte da Guerra - Vitória".











Thursday, November 01, 2007

Um "general" e "O SARGENTO".

Na foto abaixo um "general melancia" ("verde" por fora, "vermelho" por dentro),
prestando continência aos seus algozes.









































Abaixo, a foto de um dos poucos Heróis do Brasil, Max Wolff Filho, Sargento do Exército Brasileiro, como
também o autor da carta transcrita neste "post", o Sargento do EB Abílio Teixeira.







































Quem foi o Sargento Max Wolff:

O Sargento Max Wolff Filho foi um militar voluntário da Força Expedicionária Brasileira (FEB), nascido em Rio Negro-PR, em 29 de julho de 1912, alistou-se, aos 18 anos, no 15º Batalhão de Caçadores, Curitiba-PR, unidade extinta cujas instalações são hoje ocupadas pelo 20º Batalhão de Infantaria Blindada ("Batalhão Sargento Max Wolff Filho"). Tornou-se conhecido pelo seu destemor, renúncia e espírito de sacrifício, oferecendo-se para as mais arriscadas missões das quais sempre se saia triunfante.

Suas façanhas eram proclamadas pelas partes em combate e por vários correspondentes de guerra das imprensas nacional e estrangeira. No dia 12 de abril de 1945 o 1ª Batalhão do 11º Regimento de Infantaria (11º RI), recebeu a missão de reconhecer a região de Monte Forte e Biscaia, a denominada “terra de ninguém”. O Sargento Wolff foi voluntário para comandar a patrulha de reconhecimento, que foi constituída por 19 militares que se haviam destacado por competência e bravura em outros combates. Nesta missão, foi fatalmente atingido na altura do peito por uma rajada de metralhadora alemã que tirou-lhe a vida. Somente vários dias após sua morte seu corpo do foi encontrado,

Por este ato de bravura, o Sargento Wolff, no ano de 1994 foi reconhecidamente homenageado pelo Exército Brasileiro como Denominador Histórico do 20º Batalhão de Infantaria Blindado. Foi também agraciado post mortem com as medalhas de Campanha de Sangue e Cruz de Combate, do Brasil; e com a medalha Bronze Star, dos Estados Unidos da América. Foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro, em Pistóia, na Itália; posteriormente, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil.


“ MAX WOLFF UM SÍMBOLO, QUASE UMA LENDA...”

(N.P.) Há uns poucos dias atrás aquela merda de "congresso nacional", prestou homenagens a um porco fedorento, assassino e pederasta, chamado de "che", aí então eu pergunto: Quando que aqueles párias da sociedade brasileira que trabalha e os sustenta prestaram ou prestarão uma homenagem ao Sargento Max Wolff, que morreu lutando bravamente pela liberdade e pela democracia? Eu mesmo respondo: NUNCA!
Bootlead



Brasília, 31 de outubro de 2007.

Prezados camaradas de armas,

Segue uma carta de um bravo brasileiro, que teve a coragem de dizer tudo o que precisava ser dito a essa pústula que se fantasia de militar e se diz Ministro da Defesa. O Sargento Abílio abrilhanta em muito a classe militar, sendo absolutamente digno de ser chamado um dos grandes bastiões da luta pela dignidade do Militar Brasileiro: um verdadeiro Herói!

Deputado Federal Jair Bolsonaro (Capitão do EB)



CARTA-RELATÓRIO S/Nº

De ABÍLIO TEIXEIRA
Ao Dr. NELSON AZEVEDO JOBIM (Ministro de Estado da Defesa)

Nesta Senhor Ministro, tenho a honra de dirigir-me a V. Exª. para apresentar os cumprimentos pela assunção de tão importante cargo. A julgar pelas suas primeiras ações e palavras, certamente será uma experiência que enriquecerá muito sua biografia. A finalidade precípua desta missiva é informar a V.Exª. a situação caótica por que passam as Forças Armadas.

Os militares federais são disciplinados, mas enganam-se os que pensam que são obtusos e não têm visão de Estado, além de conhecimento político suficiente pra separar o joio do trigo. Coincidências ou não, na época em que existiam os ministérios militares as instalações e as tropas não viviam em tanta penúria como atualmente. Exponho, abaixo, as ações de governo que, na minha ótica, foram responsáveis pelo atual descaso com as Forças Armadas do Brasil. Em países desenvolvidos elas são consideradas baluartes da soberania. A situação das Forças Armadas está insuportável em termos orçamentários. As perspectivas de melhorias estão cada vez mais distantes. O orçamento seguidamente vem sendo diminuído e os investimentos estão rareando. O que vemos hoje é a tentativa imunda de aniquilar a Instituição que é da Nação e que foi construída com sangue de heróis anônimos ao longo da história.

Segundo levantamento, o valor proposto pelas Forças Armadas para custeio da modernização dos equipamentos foi de R$ 14,6 bilhões, mas, como acontecem todos os anos, já estão previstos cortes em torno de 60% do valor. Só como exemplo, a Força Aérea Brasileira só consegue operar com 37% de seu poder aéreo e todos seus aviões têm mais de 15 anos de uso. Na Marinha, de toda sua frota, apenas 10 navios estão em condições de combate. No Exército, Força mais odiada pelos revanchistas, a sucatagem bélica é ainda maior. Segundo levantamento, por falta de investimentos, o Programa Nuclear Brasileiro já provocou um prejuízo de 1,1 bilhão de dólares.

As Forças Armadas do Brasil estão tão desmoralizadas que até o índio Evo Morales invadiu as instalações da Petrobrás. Nosso fraco presidente, que só se preocupa com o "di cumê", ainda deu razão a ele. Com esta demonstração de fraqueza, a qualquer momento o Paraguai poderá ocupar a Usina Hidrelétrica de Itaipu por saber que nossas Forças Armadas não estão em condições de reagir. Alguns atos perpetrados contra as Forças Armadas são frutos do revanchismo, da política de afastamento dos militares das decisões nacionais. Particularmente, até fico satisfeito com esse distanciamento. Afinal, termos contato com chorumes da vida pública como José Dirceu, José Genoíno, Severino Cavalcanti, Luiz Inácio Lula da Silva, Renan Calheiros, entre outros, além das sanguessugas e dos mensaleiros, causa-me asco. Aliás, muitos deles são seus amigos e recorrem aos seus préstimos jurídicos quando se vêem descobertos em suas vilanias, como tem sido amplamente publicado em grandes jornais e revistas. Sabemos que o advogado Eduardo Ferrão, que defende o senador Renan Calheiros, foi seu sócio em advocacia.

Na atual conjuntura política, onde quase tudo é fantasia, onde ninguém quer largar as "tetas da vaca", as autoridades não se preocupam se já ocorreram suicídios de militares em várias regiões do Brasil por não conseguirem saldar dívidas, tal qual o ocorrido aqui em Brasília no ano de 2005, onde um jovem sargento não possuía dinheiro suficiente para comprar remédios para a filha adoentada. Uma das reclamações que ouvi em seu velório foi de que ele almejava uma transferência para saldar suas dívidas, mas sempre lhe fora negada.

Enquanto isso, as verdades históricas estão sendo distorcidas. Fato notório foi o discurso que V. Exª. fez no lançamento de um livro patrocinado por esse governo marcado por escândalos. Tal livro começa a mentir no próprio título: "Direito à Memória e à Verdade". Não compreendo como pode posicionar-se de arauto de parte da esquerda bem remunerada com o dinheiro público. Os militares, digo pela formação que tenho, não se intimidarão com suas palavras ameaçadoras. Estão acostumados com a tentativa de igualá-los à laia dos péssimos políticos que, como urubus, sobrevoam a Praça dos Três Poderes, vindo de todas as regiões do País.

Entretanto, a sociedade conhece a verdade dos fatos. A credibilidade alcançada pelas Forças Armadas só aumenta. Não precisamos utilizar os mecanismos espúrios tal qual o de fazer "currais estomacais", coisa que o presidente da República é contumaz ao distribuir alimentos para conseguir votos. O que V. Exª. precisa saber é que seu cargo é político, não militar.

Só como exemplo, se um coronel com curso de Estado-Maior, mesmo estando a um dia da promoção, vestir a farda de general será punido. Já V. Exª., demonstrando a prepotência de sempre, infringiu o Estatuto dos Militares ao usar indevidamente a farda de general de quatro estrelas (posto máximo) e ainda se apresentar com ela no Exterior. Entendo que só pode ser frustração por não pertencer ao glorioso Exército Brasileiro, instituição ilibada e comprometida com a legalidade, com o patriotismo. Lembro que intervenção militar em prol do bem-estar do País é ato democrático.

Conheço sua atuação como Deputado Federal. Posteriormente, foi alçado à condição de "grande jurista", não por consenso, por votação, mas por escolha de FHC. Sua atuação no Supremo Tribunal Federal foi, segundo minhas observações, lastimável. São de domínio público seus pedidos de "vistas aos autos" quando o assunto necessitava ser esfriado nas votações. A revista Veja noticiou sua intervenção em julgamentos onde, na qualidade de presidente daquele Tribunal, tentava levar seus pares ao constrangimento.

Quando a história for escrita sobre este período, ficará a triste lembrança de sua atuação como político e como jurista. Político não dever ser juiz, é incoerência porque o magistrado competente deve ser imparcial, qualidade que não existe nos políticos do nosso País.

Informo a V. Exª. que os militares não têm medo de sua estatura física. Até porque ética não se avalia por este aspeto. O que necessitamos é de investimentos nas Forças Armadas e um salário digno, proporcional aos que estão sendo pagos a outros profissionais da União, apenas isto. Chega de pagar alto preço por ter evitado que este País se transformasse numa ditadura comunista.

Passo a expor alguns assuntos afetos à pasta dirigida por V. Exª., os quais considero responsáveis pelo caos nas Forças Armadas:

1. A QUESTÃO SALARIAL

O salário dos militares é algo espúrio porque expressa toda a sordidez, toda a cachorrada, toda a canalhice do governo federal em relação às Forças Armadas. Entendo que V. Exª. assumiu há pouco tempo o Ministério da Defesa.

Entretanto, nós militares acreditamos mais nas instituições do que nos homens que as conduzem. Tomei conhecimento dos gastos do governo federal com itens que julgo não serem prioritários, além de reajustes salariais para determinadas categorias que já são bem remuneradas, pra não citar o aumento salarial absurdo aos comissionados do governo federal que pagam dízimos ao PT. Enquanto isso, os militares federais permanecem com seus salários defasados há vários anos.

Muito se tem falado sobre a questão salarial militar. Entretanto, há considerações que ultrapassam a mera planilha de custos financeiros. O salário pago aos militares, em especial aos das Forças Armadas, refletem amplos fatores, os quais deveriam ser levados em consideração antes de qualquer análise conjuntural. São eles:

a. Distribuição de Rendas

Os militares das Forças Armadas estão em todos os pontos do território nacional. É uma classe de servidores que representam a presença do Estado nos mais diversos e longínquos pontos geográficos. Nos locais mais inóspitos, lá estão os militares. Este fator de unidade nacional tem de ser levado em consideração por ocasião da estruturação salarial. O Brasil possui uma abissal concentração de rendas.

Isto faz com que nosso País figure, tristemente, entre as piores nações em termos de distribuição de rendas, provocando um índice abaixo do crescimento econômico de outras nações menos importantes no contexto mundial. Uma das formas de distribuição de rendas é também o salário do militar. Há localidades em que a economia gira em torno dos quartéis. E quartéis não existem sem os militares. Eles são responsáveis pelo aumento do comércio de bens alimentícios, vestuários, aluguéis, venda de combustível, telefonia,serviços públicos, etc. Pode-se inferir que a má distribuição de rendas do País aumentou quando houve maior defasagem salarial em relação aos militares. Em alguns municípios esta relação é facilmente visível. Há cidades em que a manutenção de um ou dois quartéis é imposição, pressão política.
Este fato, infelizmente, não é levado em consideração quando se analisa a questão salarial do militar das Forças Armadas.

Para não ver seus familiares passando privações em conseqüência das despesas com aluguel, passagens, alimentação, vestuário, educação, etc., itens básicos para a sobrevivência de qualquer família, os militares de baixa patente e os graduados contraem dívidas junto a instituições financeiras ou caem nas mãos de agiotas. Será que V. Exª. sabe que toda queixa apresentada nos quartéis sobre dívidas é considerada transgressão disciplinar e pode ser punida até com prisão? Na minha ótica, os que deveriam ser presos são os responsáveis pela política revanchista praticada contra a classe.

Experimente V. Exª. sair de uma escala de serviço de 24 horas e ainda permanecer no expediente por no mínimo mais 8 horas e depois enfrentar mais três horas dentro de um ônibus ou trem no retorno ao lar. O militar, por falta de dinheiro para alugar uma residência próxima ao quartel, mora longe dele. Junte tudo isto e, de quebra, coloque ainda a sensação de não ter um comandante ou ministro que lute pela justiça salarial nas Forças Armadas.

Fazendo isto, com certeza, o senhor terá uma ligeira noção do que é ser militar na atualidade. Ser militar não é se fantasiar com uma farda de general e posar para os fotógrafos da imprensa.

A situação é desesperadora. Temo que a indisciplina ronde as ações dos militares que não acreditam nas promessas de melhoria salarial. Afirmo que a crise dos controladores de vôo deveu-se à péssima situação em que foram colocados: sem salário decente e trabalhando com civis que exercem as mesmas funções, mas que recebem cerca de três vezes mais que um sargento em início de carreira. Se houve erros dos controladores de vôo, houve também a motivação à indisciplina por parte da indiferença de algumas autoridades.

Um dia, com certeza, a mão que chicoteia receberá um duro golpe.

b. Educação

Os salários pagos, atualmente, não proporcionam condições para que os filhos dos militares tenham uma educação digna. Estamos vivendo em nossos dias a onda do conhecimento, ou seja, a escola, a cultura, o conhecimento é a base de tudo. As escolas públicas sofreram com o abandono dos governos. As praças das três Forças, salvo raríssimas exceções, já não conseguem manter filhos estudando, já não conseguem alimentar-se dignamente em virtude da necessidade de manter as contas em dia, mormente as taxas cobradas pelo próprio governo. Neste contexto, o militar que possui filhos fica num dilema: o salário é insuficiente, porém a educação é primordial. Neste conflito, ele opta, quando pode, por empréstimos financeiros.

Nos primeiros anos da carreira militar, há uma situação de dificuldade que se agravará no futuro. Dez anos depois de iniciada a carreira, o militar começa a ter que se preocupar com a educação de seus filhos. Estes entram numa fase do ensino em que o diferencial entre uma escola boa e uma escola ruim começa a produzir frutos no momento crucial: o ingresso numa instituição de ensino superior.

Os Colégios Militares eram uma boa opção para os filhos dos militares porque possuem excelência no ensino. Entretanto, a admissão foi estendida aos filhos de civis. Nisto não há nada de errado, mas as vagas foram limitadas para os filhos dos militares que já sofriam para conseguir matrículas.

A sociedade civil organizada deveria exigir melhor ensino nas instituições públicas, e não procurar os benefícios que a classe militar oferece.

Havia lei que assegurava aos dependentes de funcionários públicos (civis e militares) matrículas em universidades públicas. Tal dispositivo legal tinha por objetivo garantir uma melhor educação aos dependentes daqueles que, por imposição da carreira, estavam impedidos de se estabelecer em determinada localidade. Com o julgamento pelo STF, Corte da qual V. Exª. Foi presidente, este benefício foi injustamente extinto. Os mais prejudicados foram os militares. Os funcionários civis têm, em média, vencimentos superiores aos pagos aos militares. Desta forma, a maioria dos dependentes dos servidores civis, particularmente dos poderes Legislativo e Judiciário, tem condições de cursar uma universidade privada ou até mesmo ingressar, por concurso, em universidade pública porque pode pagar os melhores cursos preparatórios. A universidade pública tornou-se fator de exclusão social, mormente para os militares.

c. Moradia

Outro fator importante relacionado aos salários dos militares é a questão da moradia. Com o achatamento dos vencimentos, a situação se tornou caótica.

As transferências para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas punições. Naquelas cidades, os militares têm a certeza de que residirão bem distantes do local de trabalho. Quando o militar consegue morar perto dos quartéis, não tem uma situação mínima de conforto, pois a maioria vai morar em favelas. Há militares enviando suas esposas de volta à casa dos pais por não poderem oferecer-lhes vida digna; há muitas esposas e filhas de militares fazendo biscates como domésticas para aliviar a situação de penúria reinante nas famílias; há casos em que duas famílias de militares dividem o mesmo imóvel, para dividir também o valor do aluguel, numa franca agressão aos princípios da dignidade da pessoa humana.

Os Próprios Nacionais Residenciais (PNRs),principalmente aqueles ocupados pelas praças, estão sucatados, sem possuir a adequada manutenção. Quem mora em PNR está numa aparente melhor situação em relação aos que pagam aluguel.

Cabe ressaltar que as verbas de manutenção dos PNRs advêm de descontos em folha de pagamento do militar ocupante. Para exemplificar a situação perigosa em que vivem os militares de baixa patente e principalmente as praças, não é demais lembrar que o bloco "H" da SQN 306 teve, há pouco tempo, suas estruturas comprometidas, com possibilidade de desabamento.

O orçamento das Forças Armadas é um dos pontos a serem destacados. Sucessivos governos têm diminuído o orçamento do Ministério da Defesa. Por sucessivos anos tal situação vem se agravando. No ano de 2006, os
únicos ministérios que sofreram cortes em relação a 2005 foram o dos Transportes e o da Defesa. Em qualquer país civilizado o presidente da República seria responsabilizado por deixar a nação sem as condições mínimas de garantir a defesa do território nacional.

d. Empréstimos Financeiros

Há um segmento que lucra com a penúria dos militares: as instituições financeiras. De fato, pelos baixos salários recebidos, a quase totalidade dos militares está comprometida com empréstimos. Estas instituições utilizam o desconto em folha de pagamento, portanto o risco é quase zero. O militar recorre a esta estratégia porque, por disposição legal, está impossibilitado de exercer qualquer outra profissão. Torna-se assim o escravo perfeito: mesmo tendo inteligência, não pode ao menos procurar se libertar deste cativeiro. A principal instituição financeira que atua neste mercado é a Fundação Habitacional do Exército, por intermédio da POUPEX. Por coincidência, esta instituição é dirigida por oficiais-generais.

Ocorre o seguinte: quando o militar adquire um empréstimo, e por ter risco quase zero, os juros estão, na média, abaixo dos de mercado. Após um determinado número de prestações pagas, o militar renova o empréstimo, o que provoca uma verdadeira ciranda, com a qual todo banqueiro sonha.

Salário defasado, descontos em folhas de pagamento, imposto de renda, impossibilidade de se ter outra fonte de renda, etc., são fatores ideais para o enriquecimento dos bancos. Foi anunciado que um determinado banco popular teve o maior lucro de sua história. A POUPEX possui um grande número de associados porque, segundo fui informado, os comandantes de quartéis condicionam o prosseguimento na carreira a adesão do militar àquela instituição.

e. Plano de Saúde

Uma verdade que precisa ser proferida é que os militares custeiam o fundo de saúde que os atende. É mais uma incidência sobre os já combalidos vencimentos. Diferente de outros planos de saúde, a cada atendimento ao militar ou ao seu dependente são pagos 20% do valor, proporcionalmente ao posto ou graduação, além dos demais descontos mensais para manter seu fundo de saúde. Todos os atendimentos médico-hospitalares aos recrutas, além de medicamentos, são custeados por militares contribuintes do Fundo.

Assim, quando se fala em "soldado cidadão" está se falando em maior gasto do fundo de saúde e, conseqüentemente, o
sistema se torna de qualidade inferior. Mais um golpe na vida da família militar.

f. Transferências

Devido à diminuição do orçamento do Ministério da Defesa, as movimentações dos militares estão limitadíssimas. A unidade nacional necessita que oficiais e praças tenham uma visão ampla dos problemas nacionais para melhorar a defesa do País, caso sejam convocados para tal. Acontece que as movimentações funcionam também como um bálsamo na situação de penúria.

A indenização que o militar recebe pela transferência serve para o custeio da mudança e muitas vezes para o pagamento de dívidas. Se o orçamento continuar decaindo, só restará ao militar afrontar de forma aberta o Estatuto dos Militares, ou seja, arrumando uma segunda ocupação por absoluta legítima defesa da sobrevivência.

2. BREVES CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS

Quando nos baseamos nos salários pagos aos militares e a outras categorias do serviço público, constatamos que os mesmos estão defasados. Esta defasagem não é própria dos dias atuais. O que acontece é que os salários, concretamente, estão em processo decrescente há aproximadamente 20 anos.

Já havia um processo de estagnação no governo José Sarney, o qual foi agravado pelo Plano Cruzado.

Do Plano Cruzado até nossos dias:

O Plano Cruzado I (de fevereiro a novembro de 1986) foi considerado o primeiro choque heterodoxo dado na economia pelo então ministro Dilson Funaro. Foi o principal responsável pela atual penúria salarial das Forças Armadas. O congelamento de salários e de preços,conforme se propunha, alcançou apenas os salários do funcionalismo público. Os preços foram artificialmente sendo mantidos congelados. Na prática, o que ocorria era um aumento discreto, ou um desabastecimento generalizado. Em termos salariais, as Forças Armadas ficaram a reboque dos acontecimentos econômicos: salários congelados, como os de todos os funcionários públicos, e sem perspectiva de melhoria. Coincidentemente, iniciaram-se os preparativos para o pagamento de imposto de renda pelos militares, ou seja, mais um desconto nos combalidos salários da classe.

3. CONCLUSÃO

A questão salarial militar é algo complexo. Seu alcance perpassa os campos econômicos, sociais, educacionais e de defesa territorial. As nações desenvolvidas valorizam seus militares. O Brasil está na contramão da história. Um salário digno é o mínimo que se quer. Hoje os abnegados militares vivem de aparências, pois mesmo com os baixíssimos salários e proibidos de exercerem outras profissões, eles continuam com os sapatos engraxados, com o fardamento limpo e bem passado, além de manter a fivela do cinto brilhando igual a ouro.

O Poder Executivo paga os salários mais baixos entre os três Poderes e os militares estão entre as categorias onde há maior incidência dessas carências. Um bom começo seria colocar os militares no patamar da sua vocação de defender a Pátria com o sacrifício da própria vida, segundo seus juramentos.

Há quem diga, senhor ministro, que o orçamento do Exército só dá pra custear despesas com alimentação e pessoal, aliás, nem pra alimentação, haja vista que a meia jornada de trabalho (meio expediente) que vem sendo adotada, chamada de economia de rancho, é para economizar com alimentação. Sugiro a V. Exª., autoridade administrativa das Forças Armadas, procurar saber onde o governo aplica os milhões de reais arrecadados através dos descontos mensais de cada militar a título de Pensão Militar e Fundo de Saúde do Exército (FUSEX). Como não tenho a máquina pública à mão, não informo o total geral, mas posso me basear nos descontos efetuados no contracheque de um capitão meu amigo, da Reserva. Descontos de Pensão Militar e Fundo de Saúde do Exército, R$1.016,28 (mil e dezesseis reais e vinte e oito centavos). Veja, senhor ministro: este desconto mensal é de somente um capitão. Sugiro que V. Exª. multiplique este valor pelo número de capitães do Exército para chegar a um valor relativo a somente capitães. Faça o mesmo cálculo em relação aos generais de exército, de divisão, de brigada, aos coronéis, aos tenentes-coronéis, aos majores, aos primeiros e segundos tenentes, aos subtenentes, aos 1º sargentos, aos 2º sargentos, aos 3º sargentos, aos cabos, aos taifeiros e aos soldados que por motivos diversos conseguem ser reformados.

V. Exª. surpreender-se-á com a fortuna arrecadada dos militares. Insisto em perguntar: para onde vai todo esse dinheiro, toda essa fortuna?

Para o caixa 2 de campanha ou está sendo desviada para outras atividades?

Portanto, não se justifica o governo argumentar que o orçamento do Exército é somente para pagar vencimentos e alimentação. A fortuna que V. Exª. conhecerá com os cálculos deveria estar no Fundo do Exército, justamente para pagar as pensões, os salários da Reserva de Guerra e custear os gastos com a saúde e a alimentação dos militares.

Acredito que tudo está sendo arquitetado para nos levar à situação de receber somente cesta básica, nada mais. Dessa forma, nossos militares estão sendo conduzidos para a agricultura, para plantar abóboras, como aconteceu com um grande exército da Europa.

Acredito que quando os generais estiverem entrando também na fila da cesta básica reagirão, mas poderá ser tarde demais.

Portanto, senhor ministro, de nada resolverá V. Exª.vestir indevidamente uniforme de general e dizer com vaidade que tem 1,90m de altura. Afinal, só será interpretado como grande se resolver durante sua gestão o grave problema de falta de investimentos nas Forças Armadas e a questão salarial dos militares, mormente dos círculos mal remunerados como os oficiais de baixa patente e as praças das Forças Armadas.

Só pra lembrar a V. Exª., um dos maiores chefes militares que o mundo conheceu, e que sempre encabeçou a relação dos historiadores como gênio da arte da guerra, tinha somente 1,62m de altura.

Promovido ao posto de general-de-brigada aos 26 anos de idade, foi sinônimo de competência militar e liderança. Ele sim, Napoleão Bonaparte, não obstante sua baixa estatura física, foi grande!

Aproveitando o ensejo, posso citar outro que foi grande e que tem seu sobrenome: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Tom Jobim), criador da imortal "Garota de Ipanema".

Os revanchistas atualmente no poder conseguiram vencer uma batalha, mas a guerra está longe de terminar, haja vista que temos força moral e intelectual para continuar a luta.

Em face do exposto, pergunto às autoridades militares o seguinte: até quando os chefes militares ficarão amarrados ao açoite invisível dos cargos, das mordomias, das nomeações? Até quando continuaremos a segurar os chifres da vaca para que os falsos representantes do povo nos três Poderes continuem mamando em suas tetas?

Segundo Lula, no início de seu governo, "o capitão do time é José Dirceu", aquele ex-guerrilheiro que estudou em Cuba e foi recentemente cassado pela Câmara dos Deputados.

Já dá pra analisar que esse governo imoral pretende substituir as Forças Armadas por uma Guarda Nacional, como fez o sanguinário ditador Sadan Hussein, enforcado recentemente por violações dos direitos humanos no Iraque. Alerto: aqui não será diferente. Quem viver verá!

Por fim, informo a V. Exª. que desta vez prefiro estar errado, quero acreditar que esta situação salarial será corrigida.

Se o senhor contribuir para o fim desta agonia terá, de público, meus aplausos e os de milhares de pessoas que, direta ou indiretamente, aguardam com avidez o fim deste suplício.

Sinceramente, que Deus abençoe V. Exª. e que sua permanência à frente do Ministério da Defesa contribua para que a família militar não se decepcione mais uma vez.

Encerro dizendo que não tem sentido admitir que as Forças Armadas, por mais obedientes que sejam, e até por respeito à sociedade, morra de fome com um poderio bélico à mão.

Respeitosamente,

ABÍLIO TEIXEIRA
Sargento do Exército

Cidadão Honorário de Brasília

Ordem do Mérito do DF Grau Oficial

Identidade nº 014184111-4 (Min. Ex.)
SQS 210 - Bloco "K" - Ap. 505 - Asa Sul
70273-110 - Brasília - DF
Tel.(61) 3443-1599/9978-1599

E-mail: abilioteixeira@bol.com.br



Um "general" e "O SARGENTO"

Friday, September 21, 2007

A palavra de Mercadante vale um fio do seu bigode?





























A nossa corrupção e a deles
por Demétrio Magnoli


A então deputada Angela Guadagnin (PT-SP) entregou-se abertamente, de corpo e alma, à defesa dos “mensaleiros” nas comissões e no plenário da Câmara. No fim, quando um colega de partido se beneficiou da onda indiscriminada de absolvições, ela protagonizou a “dança da impunidade”, que lhe valeu fama instantânea e lhe custou a reeleição. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), operando sob instruções do Planalto, engajou-se furtivamente na missão de reverter intenções de voto favoráveis à cassação de Renan Calheiros. No fim, da sessão clandestina em que o Senado absolveu o homem das vacas milagrosas emergiu um Mercadante pálido que, balbuciando, declarou seu voto de abstenção e, desafiando as evidências, negou seu engajamento na operação de resgate do aliado do presidente.

Mercadante não se distingue de Guadagnin por seus atos, mas unicamente por se envergonhar deles - ou, numa interpretação cínica, por um cálculo eleitoral superior. Tanto quanto a deputada dançarina, o senador imprimiu à sua biografia política o credo indelével segundo o qual é tolerável a conversão do mandato popular num passaporte para o tráfico de interesses e a fabricação de patrimônios privados.

O PT não absolveu sozinho o pecuarista milagreiro - e nem todos os senadores do partido se curvaram ao credo de Mercadante. Mas o partido de Lula soldou a maioria parlamentar que, organizada como conclave de fora-da-lei, hasteou nas sombras a bandeira do escárnio. Mais uma vez, tal como no episódio das absolvições em massa dos “mensaleiros”, o núcleo principal da bancada petista consagrou o princípio da impunidade. A conclusão se impõe: das entranhas do partido que acusava e condenava numa única sentença, brandindo a espada de fogo da “ética na política”, nasceu um partido que tudo tolera, justifica e legitima - e que hoje, em nome da coerência, teria de recusar o processo de impeachment de Fernando Collor.

Coerência é o que busca o ministro Tarso Genro quando declara, como o fez dias atrás, que seu partido cometeu o erro histórico de, até a inauguração da Presidência de Lula, se apresentar como o guardião inflexível e solitário da “ética na política”. Na tardia retratação há algo mais que a marca inconfundível do oportunismo. De fato, a política democrática não é o terreno da verdade absoluta, mas das verdades possíveis, e não comporta uma narrativa do confronto da virtude contra o vício, cuja lógica exclui o horizonte da alternância de poder. O jogo democrático se faz, na maior parte do tempo, pelo exercício da razão instrumental, que inclui a negociação, a transigência, a conciliação, a acomodação de legítimos interesses eleitorais.

A retratação de Genro veicula uma reivindicação razoável. O PT quer ser avaliado à luz dos critérios comuns da política democrática - não pelos parâmetros inatingíveis da ética absoluta que cobrava dos outros, com fúria santa, nos tempos das célebres “bravatas de oposição”. Mas, de qualquer modo, há um limite para o exercício da razão instrumental, que é o respeito à regra legal e à integridade das instituições democráticas. Esse limite foi, uma vez mais, ultrapassado.

Coerência é também o que busca, por um outro caminho, a filósofa Marilena Chaui. No auge da crise do “mensalão”, quando os petistas procuravam reconhecer a sua própria imagem no espelho da história, Chaui teceu o discurso da negação, que lhes proporcionou um ponto de fuga teórico. Ela explicou que o balcão tentacular de negócios não existia, a não ser na forma de uma “construção fantasmagórica da mídia”. O álibi tem dinâmica própria: na sessão clandestina do Senado, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) conclamou seus colegas a rejeitarem a acusação e afirmarem a soberania da Casa diante da mídia “abjeta, desqualificada, torpe e impudica”.

Chaui faz escola e inspira discípulos improváveis, mas está atenta para a fadiga inevitável do material discursivo. Depois que o STF aceitou a denúncia contra a quadrilha do “mensalão”, a filósofa cortesã reformou seu diagnóstico, mas apenas para apertar até o fim o parafuso, fabricando uma peça acabada de delinqüência intelectual em dois atos.

O primeiro ato é uma filosofia da corrupção: “Nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações com outros partidos. Essa negociação tende à corrupção. Essa compra e venda ocorreu sistematicamente nos governos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.” O segundo é uma corrupção da filosofia: “Mas o PT e seu presidente operário, como ousam fazer o mesmo que os partidos da classe dominante? Que ousadia absurda! Os meios de comunicação transformaram a situação em um caso único, nunca visto antes, e construíram a imagem do governo mais corrupto da história do Brasil.” Descontadas as inverdades óbvias, a filósofa está dizendo que corrupção é destino e que nos resta escolher entre a corrupção viciosa dos outros e a corrupção virtuosa dos seus.

O círculo se fecha e uma coerência se refaz. A virtude é uma imanência do PT e de Lula: reflete as essências do partido e de “seu presidente operário”, que não podem ser contaminadas pelas ações de um ou de outro. Os virtuosos estavam certos quando, com ou sem evidências, denunciavam e condenavam o vício - pois isso abreviava a chegada da virtude ao poder. Os virtuosos estão certos quando, contra todas as evidências, protegem a corrupção no seu meio e no meio dos aliados - pois disso depende a continuidade da união entre a virtude e o poder.

Na operação de cabala de votos, Mercadante não disse aos colegas que o homem das vacas quentes e das notas geladas é inocente, mas que sua cassação correspondia a um interesse da oposição e a uma tentativa de desestabilizar o governo. A sua razão instrumental não tem limites. É que, na nova ordem da filosofia, poder é virtude.



Demétrio Magnoli é graduado em Ciências Sociais e Doutor em Geografia Humana pela FFLCH-USP, editor da publicação Mundo - Geografia e Política Internacional, assina coluna semanal na Folha de S. Paulo e integra o GACINT - Grupo de Análises de Conjuntura Internacional da USP. Autor e co-autor de vários livros nas áreas de Geografia, Conjuntura Internacional, História Contemporânea, tais quais: " O Que é Geopolítica", "Da Guerra Fria à Detènte" e "O Mundo Contemporâneo", entre outros, além ministrar palestras e colaborar em diversos órgãos da mídia.





Publicado no jornal " O Estado de S. Paulo".
Sexta-feira, 21 de setembro de 2007.


A corrupção "virtuosa" do petismo


Saturday, July 21, 2007

FAB: Qual é o limite da desonra?

Foto: O “brigadeiro saito”, chegando à granja dos tortos para dançar alegremente na "quadrilha do planalto"









































FAB mancha a sua história com as cinzas de 360 inocentes
por Reinaldo Azevedo

É de Millôr Fernandes a sacada: quando alguns homens chegam ao limite, dão mais um passo. Acreditem: quatro diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) foram condecorados nesta sexta com a Medalha Santo Dumont, de mérito aeronáutico. São eles Milton Zuanazzi, presidente, e três outros diretores: Denise Abreu, Leur Lomanto e Josef Barat. A medalha é entregue a personalidades civis e militares que se destacam por serviços prestados ao setor.

Estão todos de parabéns. Fabricar 360 mortos em 10 meses é realmente uma marca invulgar. Não é qualquer incompetente que consegue. Para matar menos do que isso, a ditadura levou 20 anos. Digo que foi “menos” porque uma parte morreu em combate. O estado assassino — ainda que assassinato culposo (se bem que a corrupção é sempre dolosa) — realmente chega ao estado de arte. Merece medalha.

Que espírito ruim baixou no brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, que não suspendeu a solenidade, em respeito aos mortos, ao decoro? É inescapável dizer: a solenidade mancha a Força Aérea Brasileira com as cinzas de 360 inocentes.



Reinaldo Azevedo é jornalista, guia cultural, assessor de imprensa e blogueiro. Foi editor-chefe da revista Primeira Leitura, colunista da revista Bravo! e também editor do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, hoje é colunista da revista Veja. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo.





Publicado no "
Blog Reinaldo Azevedo".
Sexta-feira, 20 de julho de 2007, 17h53.

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Brigadeiro Saito o "bananão" - Reinaldo Azevedo
 
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