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Friday, October 12, 2007

Um conselho inestimável aos senadores de oposição:
































A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
por Augusto de Franco

O exercício da luta política democrática, sobretudo em circunstâncias como a que vivemos, em que a democracia é alvo de ataques solertes de um manipulador neopopulista que usa a democracia contra a democracia com o objetivo de restringi-la, exige algum tipo de preparação que nossas oposições - está visto - não têm absolutamente!

Depois da leniência em relação ao caso - basta ver como Renan foi confortado por importantes senadores oposicionistas diante da primeira revelação sobre seus negócios escusos com uma empreiteira - agora a oposição quer auferir algum lucro da situação insustentável do presidente do Senado. Agora? Agora é um pouco tarde para isso.

Pedir a renúncia de Renan, mantendo o seu cargo como senador, é uma saída que só interessa ao governo, que assim arranjará uma desculpa para afastar o aliado que se tornou incômodo.

Aprendam um pouco de luta política prática, seus basbaques. Do contrário vocês nunca mais conseguirão levantar a cabeça diante de um adversário que quer desconstitui-los como força oposicionista ou capturá-los e amansá-los para usá-los como força auxiliar (coisa que já vem fazendo). Apliquem um pouco da inteligência humana: a renúncia de Renan da presidência interessa ao governo. Logo, não interessa mais à oposição. O que interessa então à oposição democrática? Mostrar por que Renan foi (e ainda continua sendo, salvo prova em contrário, que não existe, pois nem mesmo a maioria dos senadores petistas declarou-se favorável à perda do mandato de Renan) apoiado por Lula, pelo PT, pelo governo e pelos partidos aliados.

Renan não é o adversário da oposição democrática. O adversário é Lula. Renan não é a principal ameaça à democracia brasileira. A ameaça é Lula. Renan só pôde afrontar a democracia porque contou para tanto com o apoio de Lula. Renan é uma conseqüência direta do esquema criminoso de poder que foi montado pelo lulopetismo no Brasil. Se queremos desmascarar tal esquema - e esse é o principal tema da democracia brasileira nos dias que correm - temos que criar condições para que Renan diga o que Lula não quer que ele diga!

A tática oposicionista, portanto, deve ter Lula como alvo principal. Não deve facilitar a vida para ele e sim expor os seus malfeitos e confrontá-lo, colocando na pauta a pergunta que não quer calar: 'Por que Renan foi mantido até aqui por Lula, pelo PT, pelo governo e pelos partidos aliados?' Por quê?

Como escreveu um leitor do site www.democracia.org.br (chamado Carlão), em um comentário de hoje, "se o "kumpanhêro" Renan abrir a boca, vai começar tudo de novo... Teremos novamente aquela interminável série de reportagens investigativas e capas imperdíveis de Veja; longas e explosivas entrevistas na FSP; gravações contendo diálogos simplesmente inacreditáveis sobre "dutos" de dinheiro público e incríveis conchavos políticos articulados pelo Partido Único do Grotão; propostas de CPIs pra todo lado, com os desgovernistas tentando barrá-las ou, pelo menos, ocupar tanto a presidência quanto a relatoria, para obstruir as investigações; levas de petralhas abestalhados, mentindo descaradamente para o país inteiro ou, então, usufruindo do "direito de ficarem calados"; as divisões Iraque (CUT), Hamurabi (UNE) e Medina (MST) do Exército Vermelho ameaçando sair às ruas; as "oposições"(?) se reunindo para "NÃO" pedir o impeachment do desgovernante e o desgovernante, por sua vez, jurando de pés juntos que, como o Jamanta da história, "não sabia nem nunca soube de nada"; e, no final das contas, a imenso decepção de vermos essa montanha toda parindo um rato: o terceiro mandato para o desgovernante! "Com a força do povo"!

Será possível que nossos oposicionistas sejam tão desprovidos de inteligência? Conhecendo alguns, como conheço, imaginava que não. Mas agora estou em dúvida.

Por outro lado, talvez não seja falta de inteligência, mas irresponsabilidade e covardia mesmo.


Augusto de Franco é Coordenador-Geral da AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, é autor de mais de 12 livros. Além de Coordenador Geral da AED é também Diretor Presidente da ARCA – Sociedade do Conhecimento. Augusto de Franco é professor convidado da Fundação Dom Cabral na área de responsabilidade corporativa, sustentabilidade empresarial e gestão de stakeholders, articulista do jornal Folha de São Paulo, conferencista, consultor senior de governos estaduais e municipais, empresas e organizações internacionais e professor de vários MBA nas áreas de terceiro setor e desenvolvimento local.
Site do autor: democracia.org.br.



Publicado no site " DIEGOCASAGRANDE.COM.BR.".
Quinta-feira, 11 de outubro de 2007, 17h02.


Tuesday, May 29, 2007

Para os traidores da Pátria, nem prisão e nem exílio, como única opção o cadafalso. Nada menos!

Na foto abaixo a “gravata” que todos os traidores do Brasil, estarão usando
em sua última “viagem”.






































A CHAVE(Z) INTERPRETATIVA
por Augusto de Franco

A Venezuela e seus satélites Bolívia, Equador e Nicarágua são um observatório do Brasil de amanhã que está na cabeça de Lula e dos petistas.

Repito o que venho dizendo. Na América Latina estão em curso no momento dois projetos autoritários. As “protoditaduras” de Chávez e seus aliados ou pupilos Evo, Correa e Ortega e as “manipuladoras” de Lula e Kirchner. Em essência, o projeto é o mesmo: parasitar a democracia por meio de um populismo (ou de um neopopulismo) autocratizante. A diferença entre os dois projetos fica por conta das diferenças de complexidade das sociedades em que se aplicam: na Venezuela, na Bolívia, no Equador ou na Nicarágua, estão sendo feitas algumas coisas que não são possíveis no Brasil e na Argentina. Por isso que, nesses dois últimos países, não há propriamente “protoditadura” e sim “manipuladura”: a manipulação é a autocratização possível da democracia nas condições do Brasil e da Argentina. Mas as iniciativas são semelhantes: controle da imprensa (sob o eufemismo da ‘democratização dos meios de comunicação’), degeneração das instituições, aparelhamento do governo e das empresas estatais, banditismo (e corrupção) de Estado et cetera.

A chave interpretativa é a seguinte. Aplicar um termo de conversão calculado mais ou menos assim: complexidade da sociedade brasileira (ou Argentina) / complexidade da sociedade venezuelana (ou boliviana, ou equatoriana ou nicaragüense).

Foi aplicando esse redutor que descobrimos que Lula é o Chávez possível nas condições do Brasil (e que Chávez é o Lula possível nas condições da Venezuela).

Adotado tal critério, não tem erro: tudo (ou quase tudo) o que observamos na Venezuela é o que Lula, o PT e a CUT gostariam de fazer no Brasil (mas, em grande parte, não podem - ou ainda não podem).

Por isso que acompanhar o noticiário sobre a Venezuela (e também sobre a Bolívia, o Equador e a Nicarágua) é tão instrutivo.

No entanto, no Brasil, quanto mais os neopopulistas vão pervertendo a política e degenerando as instituições - e quanto mais os líderes oposicionistas vão aderindo ao governo (com medo de prejudicar suas carreiras se contrariarem o homem dos 60 milhões de votos) - mais possível se torna a concretização das pulsões autoritárias do chefe Lula e de seus seguidores.

Olhaí a TV Estatal do Comissário Franklin, que será igualzinha - aplicado o redutor - às TVs Estatais do Comandante Chávez.

O que Chávez tem de ditador, Lula tem de manipulador: são, ambas, tendências autoritárias; mas, como observei acima, a manipulação é a autocratização possível da democracia nas condições do Brasil.

Aqui está a chave para desvendar o Brasil da 'Era Lula'!

Vamos experimentar o método de interpretação usando apenas notícias divulgadas pela imprensa nos últimos dez dias.

DEGENERAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES

Vamos lá. O código é o seguinte: a Venezuela (e a Bolívia e o Equador e a Nicarágua) é um observatório do Brasil de amanhã que está na cabeça de Lula e dos petistas. Aplique-se o "redutor" ou o "fator de conversão" calculado pela razão entre a complexidade da sociedade brasileira e a complexidade daquelas outras sociedades, conforme o caso. Já no caso da Argentina, não há necessidade de aplicar o fator de conversão: trata-se do mesmo fenômeno brasileiro em que o chefe não é exatamente um ditador e sim (como Lula) um grande manipulador.

Vamos começar com uma denúncia importante: o poder judiciário boliviano acusando Morales de tentativa de intimidação. “A Corte Suprema de Justiça, o Conselho da Magistratura e o Tribunal Agrário da Bolívia emitiram um comunicado público ontem em que denunciam o governo do presidente Evo Morales de “tentar amedrontar e defenestrar” o Poder Judiciário local. Essa foi a resposta ao anúncio pelo governo de que denunciará os membros do Tribunal Constitucional à ONU e à Organização dos Estados Americanos” (Folha de São Paulo: 18/05/07).

Ora, é a mesma coisa do que fizeram Chávez e, depois, Correa, não? Lula e Kirchner não podem fazer isso no Brasil e na Argentina.

“DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO”

Vejamos agora uma outra notícia (que se confirmou). Usando o mesmo método, podemos inaugurar um infalível “Observatório da Democracia”: basta verificar o que acontece nos demais populismos autoritários da América Latina e do Caribe, para adivinhar o que pensam Lula e os petistas, mas (ainda) não podem fazer aqui no Brasil. Temos um "fator de conversão" para comparar as duas tendências autoritárias: a protoditadura de Chávez (e Evo, e Correia, e Ortega) e a "manipuladura" de Lula (e Kirchner).

“A criação de uma emissora financiada pelo Estado para substituir a Rádio Caracas Televisão (RCTV), particular, na Venezuela faz parte de um projeto para “socializar o espectro de radiodifusão” e construir “novos valores” na sociedade, anunciaram ontem o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, e o ministro das Telecomunicações, Jesse Chacón. Durante a entrevista, Chacón explicou que a recusa em renovar a concessão está relacionada com um projeto do governo para reformar os serviços de informação e entretenimento, do qual faz parte a criação da Televisão Venezuelana Social (Teves). “Foi uma decisão técnica: o espectro ocupado hoje pela RCTV é o que tem melhor sinal e precisávamos dele para seguir com nossos planos nessa área”, disse o ministro. O governo diz que a Teves será uma emissora de “serviço público” independente, mas, ao menos num primeiro momento, 100% dos seus aportes financeiros - cerca de US$ 4 milhões - virão do Estado. Cinco dos sete membros da direção da rede, que em 2007 cobrirá 60% do território nacional, também serão apontados pelo Executivo” (O Estado de São Paulo: 19/05/07).

APARELHAMENTO DO GOVERNO E DAS EMPRESAS ESTATAIS

Eles aparelham lá, mais do que aparelhamos aqui. Mas a essência é a mesma. E aplicado o conversor "CHÁVEZ É A CHAVE", trata-se, rigorosamente, da mesma coisa.

“Uso político fragiliza e sucateia PDVSA: 'Não é mistério que a base da popularidade do presidente Hugo Chávez são os projetos sociais patrocinados com o lucro do setor petrolífero', disse ao Estado Maxim Ross, consultor econômico em Caracas. 'Muito mais difícil de explicar é por que o governo tem cometido tantos erros elementares na gestão desse segmento da economia e administrado a PDVSA como se fosse um clube para parentes e amigos.' De acordo com o governo venezuelano, os aportes sociais da PDVSA cresceram cerca de 90% em 2006, chegando a US$ 13,3 bilhões. Isso é mais do que a empresa investiu no mesmo ano na produção de petróleo. Por causa desse aumento, o lucro da estatal caiu 26% em 2006, passando de US$ 6,5 bilhões para US$ 4,8 bilhões - isso num período no qual o preço do petróleo foi recorde. Executivos com larga experiência foram dispensados da PDVSA por serem considerados inimigos do país e os funcionários que os substituíram não têm know how suficiente para permitir à empresa assumir todas as atividades que passarão para sua responsabilidade com a assinatura dos contratos de nacionalização” (O Estado de São Paulo: 20/05/07).

COMPRA DE APOIO EMPRESARIAL EM TROCA DE FAVORECIMENTOS E CORRUPÇÃO DE ESTADO

Lula também andou fazendo por aqui uma organização de empresários lulistas. Não sei bem se era através do Instituto Cidadania ou - salvo engano - de uma entidade chamada Civis, ou das duas coisas. Parece que o tal Oded esteve envolvido nisso. Sei que o Ethos é dirigido por um petista (ou ex-petista). Lá, Chávez teve a cara de pau de criar uma "Confederação dos Empresários Socialistas da Venezuela". De qualquer modo, aplicado aquele "redutor", trata-se, em essência, do mesmo tipo de iniciativa. convençam-se: 'Chávez é a chave': a Venezuela é um observatório do Brasil de amanhã que está na cabeça de Lula e dos petistas.

“'Empresários socialistas' instituem confederação. [Os empresários estão sendo recrutados por meio da Conseven] – Confederação dos Empresários Socialistas da Venezuela –, organização que diz reunir 400 mil pequenos e grandes empresários e é a grande arma do governo no meio empresarial. [Segundo] o analista político Victor Maldonado, diretor da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Caracas, “trata-se de um grupo de oportunistas interessado em ficar próximo ao governo para ter preferência nas concessões e negócios do Estado e recebe apoio porque a nova aposta de Chávez é fomentar organizações para que se contraponham ao poder dos grupos tradicionais de empresários, resistentes à concentração de poderes por parte do presidente. Diretor da Conseven e um dos seus fundadores, o empresário Alejandro Uzcátegui nega as acusações, mas não esconde a estreita relação com o governo. “Há confiança. Eu ligo para os ministros quando preciso e nos reunimos no dia seguinte”, disse Uzcátegui ao Estado. Ele garante que hoje os empresários socialistas formam “um exército” espalhado por todo o país, pronto para reagir a eventuais ofensivas da oposição, como a greve geral com a qual se tentou desestabilizar o governo Chávez em 2002. “Todos temos nosso uniforme verde-oliva no armário e pegaríamos em armas para defender a revolução e o presidente”, diz. A Conseven foi formada a partir de todas as organizações que se proclamavam “bolivarianas” antes de Chávez abandonar sua doutrina original e anunciar sua intenção de instalar na Venezuela o que chama de “socialismo do século 21”, além de empresários recém-convertidos. Por enquanto, ser um empresário socialista, na definição da Conseven, consiste teoricamente em apoiar projetos sociais, cumprir com todos os compromissos legais em relação a seus trabalhadores, ser “generoso” na concessão de benefícios sociais e dar algum poder (não estipulado) para os empregados tomarem decisões na empresa. Para a oposição, basicamente é ser chavista e ajudar o governo a bater de frente com organizações como a poderosa Fedecâmaras, reduto do antichavismo, em troca de contratos de licitações. Se for preciso acrescentar no nome da sua empresa o adjetivo socialista para assinar um contrato de milhões de dólares de prestação de serviços com a estatal petrolífera PDVSA, dizem tais críticos, há milhares de capitalistas dispostos a ler Marx” (O Estado de São Paulo: 20/05/07).

FALSIFICAÇÃO DA ROTATIVIDADE DEMOCRÁTICA PARA SE DELONGAR NO PODER

Como disse na introdução deste artigo, existem dois projetos autoritários em curso na América Latina: a 'protoditadura' de Chávez, Evo, Correa e Ortega e a 'manipuladura' de Lula e Kirchner. Lula e Kirchner não conseguem fazer, no Brasil e na Argentina, o que Chávez e seus pupilos fazem nos países deles. Bem que gostariam! A "culpa" é do grau muito maior de complexidade das sociedades governadas pelos primeiros. As 'manipuladuras' de Lula e Kirchner representam a autocratização possível da democracia nas condições do Brasil e da Argentina. Chávez já anunciou que ficará no poder, no mínimo, até 2025. Agora é o “casal Kirchner” que pretende ficar no poder até 2015.

“'Um casal ambicioso que sabe o que quer.' A definição é de Olga Wornat, autora da biografia não-autorizada 'Reina Cristina' (Rainha Cristina), sobre a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner. Segundo ela, Cristina e Néstor Kirchner agem em conjunto na tentativa de ficar no poder o máximo de tempo possível. Desta forma, há dois anos surgiu o plano, entre o grupo mais íntimo de assessores da Casa Rosada, de alterná-los no poder ao longo dos dez anos seguintes. A idéia ganhou força ao longo de 2005. Em outubro daquele ano, Cristina, nascida na Província de Buenos Aires, mas com carreira política em Santa Cruz, mudou de cenário e eleitores. O casal concluiu que era hora de tomar de assalto a província natal de Cristina, que desde 1991 era o feudo do casal Eduardo e Hilda de Duhalde. Nas eleições parlamentares, Cristina bateu Hilda e foi eleita senadora. Em meados de 2006, Kirchner disse: 'O próximo presidente será um pingüim ou uma pingüim-fêmea.' Ele fazia alusão a seu apelido, 'Pingüim'. No início deste mês, o respeitado colunista político Joaquín Morales Solá, de 'La Nación', afirmou - citando como fontes dois ministros - que o presidente já decidiu que sua mulher será a candidata, já que ele enfrenta várias crises (como conflitos sindicais e escândalos de corrupção). A idéia, dizem analistas, é que Cristina seja eleita em outubro e fique no poder até 2011. Nesse ano, Kirchner seria novamente candidato. Desta forma, a intenção do casal é governar até 2015” (O Estado de São Paulo: 20/05/07).

HIPERPRESIDENCIALISMO AUTORITÁRIO E MANIPULADOR

O método aqui revela as semelhanças entre as “manipuladuras” de Lula e Kirchner. Vejam só.

“O presidente argentino, Néstor Kirchner, completa esta semana quatro anos no poder consolidando um estilo de governo insólito, contraditório e, acima de tudo, bem-sucedido. 'Se precisasse definir em uma palavra sua gestão, esta seria a de 'hiperpresidencialismo', já que na área política foi o presidente constitucional que, desde 1983, acumulou mais poder para o Executivo em detrimento do Judiciário e do Legislativo', disse ao Estado o analista político Rosendo Fraga, presidente do centro de estudos Nova Maioria. 'Além disso, os governadores estão totalmente subordinados.' Desde a posse, Kirchner cultivou a imagem de progressista: defendeu os direitos humanos, a condenação dos militares da ditadura (1976-83) e a aprovação do aborto, além de impor limites à Igreja Católica. Mas, ao mesmo tempo, pressionou a mídia como nenhum outro presidente civil e interferiu no Judiciário. Com o passar do tempo, ficou claro o modus operandi de Kirchner, o denominado 'Estilo K': bater primeiro para depois conversar. Ele se desfez rapidamente de Duhalde, encolhendo o poder de seu poderoso padrinho. Além disso, arrasou o poder residual de seu rival, Menem, e desarticulou a oposição, cooptando diversas lideranças. No plano econômico, Kirchner adotou um peculiar coquetel de políticas que misturam neokeynesianismo e assistencialismo populista com medidas neoliberais, um superávit fiscal nunca antes visto na Argentina e um acúmulo recorde de reservas no BC... José Ignacio García Hamilton, um dos mais respeitados historiadores da Argentina, afirma que Néstor Kirchner mantém a tradição peronista de clientelismo e concentração de poder. Depois de Perón, Kirchner é o presidente civil mais autoritário: intrometeu-se na Justiça, ameaçou jornalistas e estimulou a força de choque simpatizante - os piqueteiros - a manifestar-se contra empresas como a Shell e líderes sociais. Ele diz que é de esquerda. Mas o nacionalismo e as manifestações de massa são expressões da direita, praticadas pelo fascismo e o nazismo. Kirchner é um pragmático com tendência ao poder hegemônico e ao 'capitalismo de amigos', no qual a proximidade com o governante gera mais lucros que a competência empresarial. É um aliado circunstancial de Hugo Chávez, já que (o venezuelano) está comprando títulos da dívida argentina, ou seja, financia o governo Kirchner. Kirchner é muito individualista ou narcisista para ser chavista. Mas estar perto de Chávez agrada ao eleitorado que aprecia o populismo nacionalista” (O Estado de São Paulo: 20/05/07).

DE NOVO A “DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO”

Vejam como o método deste “Observatório da Democracia” não falha! Agora é o Equador de Correa que quer democratizar os meios de comunicação (eufemismo para controle estatal-partidário da imprensa). "Durante a Constituinte - que será eleita em setembro - o governo vai promover debates sobre o monopólio dos meios de comunicação e mecanismos para regular a imprensa", dizem as agências de notícias AP, AFP e EFE. Você já viu esse filme? Você já ouviu essa conversa? Diga, aonde? Correa, seguidor de Chávez, é o lulinha do Equador. Lá ele pode fazer o que o lulão não pode fazer aqui. É só aplicar o 'fator de conversão' ou a 'chave Chávez' para desvendar tudo.

“O governo do Equador anunciou ontem que vai submeter à Assembléia Constituinte a discussão sobre limites da liberdade de expressão e os termos da Declaração de Chapultepec. O documento, assinado no México em 1994, contém dez princípios considerados fundamentais para a imprensa livre cumprir seu papel numa democracia. Segundo a secretária de Comunicação do país, Mónica Chuji, o presidente Rafael Correa está hesitando em assinar a declaração. 'O presidente ainda precisa analisar o conteúdo do documento', disse Mónica. 'Esse é um tema interessante para ser discutido na Assembléia Constituinte.' Mónica também afirmou que durante a Constituinte - que será eleita em setembro - o governo vai promover debates sobre o monopólio dos meios de comunicação e mecanismos para regular a imprensa. 'Não é certo que apenas uma pessoa seja proprietária de 20 emissoras de rádio e 3 canais de TV quando muitos setores têm interesse no acesso a esses espaços. Isso deve ser regulamentado', disse Mónica, que aproveitou para anunciar que o governo socialista de Correa também pretende acabar com a 'exploração trabalhista' dos comunicadores, que 'ganham pouco e são maltratados'. Nas últimas semanas, as relações entre o governo equatoriano e a imprensa do país estão estremecidas. No sábado, o presidente ordenou a retirada do editorialista do jornal El Universo, Emilio Palacio, do palácio do governo por ter interrompido Correa em meio a um debate sobre liberdade de expressão. Há duas semanas, Correa processou o diretor-presidente do jornal La Hora, Francisco Vivanco, por um editorial que dizia que o presidente governa com 'tumultos, pedras e paus'. Correa disse que retiraria o processo se Vivanco se retratasse, mas ele se recusou a pedir desculpas pelo que foi publicado. Se for condenado, Vivanco pode ficar de 6 meses a 2 anos na prisão” (O Estado de São Paulo: 22/05/07).

AINDA SOBRE O CONTROLE DA IMPRENSA

É batata. O método não falha mesmo. A Portaria lulista é o equivalente – aplicada a 'Chave Chávez' – da Lei Resorte bolivariana. Sobre isso, no seu Podcast da semana passada, Digo Mainardi disse o seguinte:

"Falta uma semana. No dia 28 de maio, a emissora venezuelana RCTV será retirada do ar. Hugo Chávez mandou cassar sua concessão. Sabe como isso aconteceu? Sabe qual foi o expediente legal usado pelo general Alcazar venezuelano? Eu explico. De acordo com os chavistas, a RCTV violou 652 vezes a Lei Resorte. A Lei Resorte é aquela que estabelece a classificação por faixas etárias dos programas de TV. Sim: exatamente igual à classificação indicativa lulista. Você não é obrigado a acreditar em mim. Você pode achar que meu antilulismo está ofuscando minha mente. Então deixe de ser vagabundo e procure na internet o texto integral da Lei Resorte. Depois, compare-a ao Manual da Nova Classificação Indicativa preparado pelo ministério da Justiça lulista. Um é cópia do outro. Quem copiou quem? O lulismo copiou o chavismo. Os termos usados pelos dois são os mesmos: “a TV deve promover a justiça social, contribuir para a formação da cidadania, da paz, dos direitos humanos, da cultura, da democracia, da igualdade entre os sexos, da amizade entre os povos, da tolerância entre os grupos étnicos...” A classificação chavista regulamenta o uso da linguagem, do sexo e da violência na TV, fixando os horários em que os programas poderão ser exibidos, segundo os “princípios constitucionais para a proteção das crianças e dos adolescentes”. A classificação lulista se fundamenta nas arbitrariedades do Estatuto da Criança e do Adolescente. A RCTV é acusada pelo chavismo de ter veiculado publicidade pornográfica em horário impróprio para as crianças. O lulismo acaba de abrir uma brecha legal para recorrer ao mesmo instrumento de censura".

INAUGURAÇÃO DE TVS ESTATAIS

O "redutor" (ou fator de conversão 'Chávez é a Chave') às vezes se traduz matematicamente: no caso, basta dividir por dois.

"No ar - TV da ALBA operará a partir de 2 de junho. O governo venezuelano divulgou ontem o início das operações de mais um veículo de comunicação estatal, em meio à expectativa gerada no país em torno do fim da emissora oposicionista RCTV, que deixará de transmitir a partir do próximo domingo. A Televisora Comunitária Internacional Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América) iniciará suas primeiras transmissões em 2 de junho e envolverá os países que participam do bloco - Venezuela, Bolívia e Nicarágua. No domingo, entrará em vigor a estatal Teves, no lugar da RCTV" (Folha de São Paulo: 22/05/07).

CORRUPÇÃO COMO MEIO DE PERVERTER A POLÍTICA E DEGENERAR AS INSTITUIÇÕES

Segundo notícia do Estadão (23/05/07), "Ministro de Correa nega acusação de suborno. O ministro da Economia do Equador, Ricardo Patiño, negou ter recebido suborno para fazer acordo relativo à dívida externa do país. Em vídeo divulgado na segunda-feira, Patiño aparecia reunido com empresários e o ex-ministro da Economia Armando Rodas. O presidente Rafael Correa disse que as acusações são tentativas de 'desestabilizar o governo'". O mais interessante é a justificativa, muito semelhante àquela que foi usada aqui pelo PT no governo.

PERSEGUIÇÃO À IMPRENSA LIVRE

A "cria" de Chávez, aquele índio de araque que governa a Bolívia, está afinadíssima com o criador. Ele agora ataca os empresários de comunicação e propõe a criação de um tribunal para 'punir' (sic) jornalistas independentes. É a versão hard do Conselho Federal de Jornalismo proposto aqui pelos seguidores de Lula. O CFJ era o "tribunal bolivariano possível" nas condições do Brasil. Felizmente a sociedade brasileira conseguiu barrar o arreganho autoritário. Mas eles não desistem: vão continuar tentando "democratizar os meios de comunicação". Lá, pelo visto, podem andar mais rapidamente. A diferença de velocidade dos projetos de autocratização de democracia patrocinados por Chávez e Evo em relação ao projeto lulopetista fica por conta da menor complexidade das sociedades boliviana e venezuelana em relação à brasileira. Mas os projetos são semelhantes.

“O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou ontem os proprietários de “alguns meios de comunicação” de serem seus principais inimigos políticos. A denúncia foi feita durante o V Encontro de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, em Cochabamba, que propôs medidas para “julgar” jornalistas e denunciar organismos da imprensa internacional, como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a ONG Repórteres Sem Fronteiras, por defenderem “interesses imperialistas”. Os ataques de Evo aos meios de comunicação foram até brandos diante das resoluções propostas pelo evento de Cochabamba, que contou com a presença dos ministros da Cultura de Cuba, Abel Prieto; e da Venezuela, Francisco Sesto Novás. Os participantes decidiram criar uma comissão que vai observar a atuação dos meios de comunicação e um tribunal para “punir moralmente jornalistas que desinformem o povo”. Também sobraram críticas a organismos de imprensa internacionais, como a SIP e o Repórteres Sem Fronteiras, que denunciaram no passado riscos para a liberdade de imprensa no país. “Em nome de um conceito distorcido de liberdade de expressão, esses órgãos servem a interesses imperialistas”, diz a declaração final do encontro. (O Estado de São Paulo: 25/05/07).

RETÓRICA MANIPULADORA

"Dificilmente há no mundo um país com tanta liberdade de expressão". De quem é a frase acima? Não lhe parece alguma coisa saída diretamente da boca de Lula? De certo modo, foi. Mas do Lula possível nas condições da Venezuela. É o "Chalula". Ou o "Lulavez". Foi dita no momento em que aquele coronel bolivariano maluco de Caracas - um protegido do nosso presidente - colocou os tanques na rua para reprimir os protestos populares contra a supressão, pela força, do maior canal de televisão da Venezuela. Aos poucos, os meios de comunicação livres vão sendo substituídos pelas emissoras estatais. E assim Chávez vai realizando, antecipatoriamente, os sonhos de Lula e dos petistas.

MAIS UMA VEZ SOBRE O CONTROLE DA IMPRENSA

Pois não é que a 'Chave Chávez' funciona mesmo! Os venezuelanos de Chávez dão "assessoria para melhorar a programação da TV estatal boliviana". E Rafael Correa no Equador, vai processar por injúria o jornal "La Hora". Aguardem a replicação, aqui no Brasil, de alguma outra medida lulopetista contra a mídia independente. Será algo mais suave, aplicado o redutor.

“Bolívia e Equador seguem modelo. Substituir a RCTV por uma emissora financiada pelo Estado faz parte de um projeto para 'socializar' os sistemas de rádio e televisão que o presidente Hugo Chávez já está tratando de exportar para os países aliados na América Latina. Além de criar a Televisão Venezuelana Social (Teves) para tomar o lugar da emissora privada no canal 2, o governo anunciou há dez dias que pretende financiar só este ano a criação de 30 rádios e 5 televisões comunitárias em todo o país. Um projeto semelhante está sendo apoiado na Bolívia, do colega Evo Morales, onde recentemente foi criada uma rede de 25 rádios e em 2008 o governo pretende inaugurar uma TV comunitária. Segundo a organização Grupos de Diários da América, que reúne 11 jornais latino-americanos, os venezuelanos também dão assessoria para melhorar a programação da TV estatal boliviana e adquiriram recentemente o semanário gratuito 'La Época', com o objetivo de influir na imprensa da Bolívia. No que diz respeito ao conflito direto com os meios de comunicação privados, quem parece seguir os passos do venezuelano é o presidente do Equador, o esquerdista Rafael Correa. Há cerca de 15 dias ele anunciou que iria processar por injúria o jornal 'La Hora', que publicou um editorial criticando o modo como foi convocado o referendo sobre a Assembléia Constituinte - sua promessa de campanha - e na segunda-feira passada disse ver 'miséria humana' no jornalismo. Os três presidentes se dizem perseguidos pela imprensa” (Folha de São Paulo: 27/05/07).

AINDA O APARELHAMENTO

Enquanto a “protoditadura” Chávez vai se revelando, a “manipuladura” Lula também. Vejam que o aparelhamento - tantas vezes negado por gente como Dirceu e Genoino (e pelo próprio Lula) - continua. Procurem saber como eles ocuparam o Programa Luz para Todos, transformando-o em feudo do PT e da CUT. Boa parte dos órgãos do governo e das instituições do Estado estão infestadas de petistas e cutistas. Aparelhar os órgãos públicos é o mesmo que privatizar. Trata-se de privatização partidária da esfera pública, uma das estratégias de autocratização da democracia possíveis nas condições do Brasil.

“Governo transforma Luz para Todos em feudo do PT. No centro de escândalo, programa é tocado por políticos derrotados e egressos da CUT. Só 9 dos 26 coordenadores regionais do projeto, que procura levar energia elétrica a toda a população, têm claro perfil técnico. No centro do escândalo da Operação Navalha, que derrubou o ministro Silas Rondeau (Minas e Energia), o Programa Luz para Todos entrou no loteamento político do governo federal como um feudo de petistas e da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Muitos dos caciques regionais do Luz para Todos aliam trabalho na área energética com perfil político. Há casos de candidatos pelo PT que perderam eleições no passado, como os coordenadores no Rio Grande do Sul, Acre e Amapá. Outros são egressos da máquina da CUT, em geral ex-diretores de sindicatos de trabalhadores em energia ou serviços urbanos. Exemplos são os coordenadores no Rio de Janeiro, Rondônia, Espírito Santo e Pará. Há ainda simpatizantes que fizeram campanha aberta para Lula e o PT no ano passado, alguns com doações, como os coordenadores na Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Os responsáveis com perfil eminentemente técnico são minoria nas coordenações regionais -estão em 9 dos 26 Estados atingidos. As nomeações para as coordenações são feitas pelo Ministério de Minas e Energia. Muitos dos gerentes estaduais são petistas e cutistas que integram os quadros da Eletrobrás” (Folha de São Paulo: 27/05/07).

AINDA O FAVORECIMENTO

A “protoditadura” Chávez vai se revelando. E a “manipuladura” Kirchner também vai. Entretanto, dada a maior complexidade de suas sociedades, Kirchner e Lula não podem fazer o que fazem Chávez, Evo, Correa e Ortega. O caráter autoritário dos primeiros revela-se por meio da manipulação. Vejam agora o que o chamado "Pingüim" anda fazendo com as verbas públicas para assegurar o controle político da província de Santa Cruz: as oito províncias que seguem no ranking das verbas para obras viárias, juntas, não chegam ao total destinado ao feudo de Kirchner.

“Santa Cruz, berço político de Kirchner, concentra verbas. A província de Santa Cruz recebeu desde janeiro 30% das verbas destinadas para obras rodoviárias em toda a Argentina, o equivalente a US$ 148 milhões. A notícia está causando polêmica, já que Santa Cruz não é somente o feudo político do presidente Kirchner - que controla a província desde 1991, quando foi eleito governador - mas também porque tem apenas 200 mil habitantes, uma das menos povoadas do país” (O Estado de São Paulo: 28/05/07).

E aí, caro(a) leitor(a)? Está convencido(a)?


Augusto de Franco é Coordenador-Geral da AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, é autor de mais de 12 livros. Além de Coordenador Geral da AED é também Diretor Presidente da ARCA – Sociedade do Conhecimento. Augusto de Franco é professor convidado da Fundação Dom Cabral na área de responsabilidade corporativa, sustentabilidade empresarial e gestão de stakeholders, articulista do jornal Folha de São Paulo, conferencista, consultor senior de governos estaduais e municipais, empresas e organizações internacionais e professor de vários MBA nas áreas de terceiro setor e desenvolvimento local.
Site do autor: democracia.org.br.



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Segunda-feira, 28 de maio de 2007.


Wednesday, May 23, 2007

O PT e sua grandiosa "obra" para o Brasil.


































QUANTOS ZULEIDOS AINDA VAMOS TER QUE AGÜENTAR?
por Augusto de Franco

Você conhecia algum Zuleido? Nem eu. Quantos Zuleidos existem (operando a partir de suas boas relações com autoridades) no governo Lula? Quantos ainda vamos ter que agüentar?

Em artigo na Folha de São Paulo do início deste mês (“Confiança Zero”: 03/05/07) afirmei que o governo corrupto de Lula da Silva seria corroído por dentro, pelos seus próprios aliados... Disse, também, que não precisaríamos esperar muito: “basta que o (falso) governo de coalizão deste segundo mandato comece a funcionar para que apareçam os sintomas de putrefação”. E esses sintomas começam a aparecer.

Mas a PF - tão afiada na 'Operação Navalha' - não conseguiu ainda dizer de onde veio o dinheiro do falso dossiê, naquela aloprada operação que envolvia gente da mais íntima confiança (e convivência) de Lula. Qual era mesmo o nome da operação do falso dossiê? Ah! Nem nome tinha? Nem mesmo "operação" era? "Operação" só pode ser montada contra os outros?

Contra os lulopetistas, não? Quem já ouviu falar da 'Operação Waldomiro-Dirceu'? E da 'Operação Mensalão'? E da 'Operação Japonês 1'? E da 'Operação Japonês 2'? E da 'Operação Cuecão'? E da ‘Operação Mansão dos Prazeres’? Para nada disso teve operação? Foi tudo descoberto por acaso? Quantas PFs existem no Brasil?

Se não existe oposição para fazer tais perguntas, é sinal não apenas da traição de meia dúzia de caciques tucanos e pefelistas que pensam somente em suas carreiras. É sinal de que o sistema de partidos apodreceu, assim como boa parte das nossas instituições representativas. Não é a minha opinião: é o que estamos vendo todos os dias.

Não me venham dizer que a democracia é “assim mesmo”. Que a democracia não tem proteção eficaz contra o discurso inverídico, a cara de pau, a manipulação e o crime, conquanto – em contrapartida – permita que todas essas coisas apareçam à luz do dia e, assim, possam ser corrigidas “no processo”. Que “processo”, mané? Quem participa desse “processo”? E como? Apenas votando de dois em dois anos? Quá! Isso é puro auto-engano.

Da premissa (correta) de que a democracia que temos deva ser preservada contra os que querem autocratizá-la, manipulá-la ou corrompê-la (como fazem os lulopetista), não se deve derivar que não se possa modificar a democracia no sentido de radicalizá-la, quer dizer, de democratizá-la cada vez mais. A que está aí – conquanto necessária – revela-se francamente insuficiente. E por um simples motivo: o cidadão não tem canais efetivos para interferir nos procedimentos da política. Não tem. Pode-se fazer qualquer campanha para qualquer candidato a qualquer cargo que os Zuleidos continuarão lá. E muito pior do que um Zuleido (que não passa de um corrupto tradicional) é quem mimetiza o comportamento zuleidiano para roubar para o partido, para corromper em nome de um projeto de poder.

Estou dizendo que o corrupto lulopetista mais honesto – aquele que não bota um tostão do assalto, do desvio ou da “gatunagem altruísta” no bolso – é muito pior do que qualquer Zuleido. Muito pior, é claro, para a democracia. Nesse sentido, conquanto seja duro fazer essa afirmação (sobretudo para mim, que o conhecia pessoalmente e me dava bem com ele), o falecido Celso Daniel fez mais mal para as gerações presentes e futuras do que o indigitado Sombra.

Há fortes indícios ou suspeitas (devo falar assim para não ser processado?) de que, durante anos a fio, o PT desviou dinheiro das prefeituras que governou. Não que tivesse qualquer predileção por saquear o erário municipal, mas porque era o que tinha à mão. Foi com esse dinheiro, no início pouquinho, que conseguiu chegar aonde chegou. Foi com essa “acumulação primitiva”, feita por gente honesta, honestíssima até, que o partido se capitalizou e se profissionalizou. Gente que foi convencida de que esse era o único caminho para o poder. Gente boa, que passou a avaliar que a política infelizmente é assim, é o que é, não tem conversa; ou seja, de que o jogo é esse mesmo: é pegar ou largar. Assim, é preciso jogar o jogo ou cair fora. Pelo visto, entre abandonar aquele acalentado sonho de tomar o Estado brasileiro para dele fazer um instrumento de conquista de hegemonia de um grupo que quer se eternizar no poder e botar ‘a mão na merda’ (como disse outro dia aquele artista), os dirigentes optaram pela segunda alternativa.

Se alguém me pedir provas – no sentido jurídico do termo – de tudo isso, não as tenho. Nem me cabe produzi-las. Não estou acusando ninguém em juízo. Quem o fez, sustentando formalmente que havia uma sofisticada organização criminosa na direção do PT alocada no Palácio do Planalto, foi o Procurador Geral da República. Falo sobre convicções que formei a partir de evidências, indícios, sinais. Articulo opiniões. Construo argumentos que fazem sentido. Não faço investigações. Não sou da Polícia Federal. Não organizo operações com dinheiro público para desbaratar quadrilhas. A mim, me cabe apenas perguntar por que tais operações não foram organizadas por quem de direito.

Se algum petista ler este artigo e achar que não é bem assim, então de duas umas: ou é um bobalhão ou um desinformado. Nos dois casos, ele não saberá, mas eu sei o que estou dizendo. E digo. E reafirmo. Foi essa a grande transformação do PT (não a bobagem de aceitar o mercado, pois que só o fez em termos táticos, para preservar o que julga mais importante estrategicamente): sua conversão à realpolitik. Uma realpolitik exacerbada (e, como toda realpolitik, antidemocrática).

Hoje o PT – e seu chefe maior e único: Lula (só meia dúzia de basbaques na imprensa continuam acreditando na lorota e disseminando a idéia de que há um distanciamento entre Lula e o PT) – constitui uma força regressiva em termos democráticos. Regressiva e agressiva. Agressiva e muito perigosa.

Na América Latina estão em curso nesta quadra dois projetos autoritários. As “protoditaduras” de Chávez e seus aliados ou pupilos Evo, Correa e Ortega e as “manipuladoras” de Lula e Kirchner. Em essência, o projeto é o mesmo: autocratizar a democracia por meio do populismo (ou de um neopopulismo). A diferença entre os dois projetos fica por conta das diferenças de complexidade das sociedades em que se aplicam: na Venezuela, na Bolívia, no Equador ou na Nicarágua, estão sendo feitas algumas coisas que não são possíveis no Brasil e na Argentina. Por isso que, nesses dois últimos, não há propriamente “protoditadura” e sim “manipuladura”: a manipulação é a autocratização possível da democracia nas condições do Brasil e da Argentina. Mas as iniciativas são semelhantes: controle da imprensa (sob o eufemismo da ‘democratização dos meios de comunicação’), degeneração das instituições, aparelhamento do governo e das empresas estatais, banditismo (e corrupção) de Estado et coetera.

Como, no Brasil, Lula e o PT não têm força para governar sozinhos, precisam se aliar a gente que negocia com Zuleidos como se isso fosse a coisa mais normal do mundo (a política para eles é isso – e a democracia realmente existente permite que tal aconteça e se reproduza ao invés de ser corrigido “no processo”). Ora, os Zuleidos não roubam para causa alguma e sim para enriquecer. Mas isso, mais cedo ou mais tarde, acaba aparecendo, pois como é possível esconder aquela lancha maravilhosa, aquele carro de luxo, aquele apartamento de cobertura?

Bom, aí começa a encrenca que vai – como estou prevendo – levar o governo Lula à bancarrota. Desde, é claro, que a imprensa permaneça livre. Desde que exista gente que possa falar essas coisas que estou falando aqui sem ser morta, presa, processada ou intimidada de qualquer outra forma. E desde que não se confie mais nos líderes dos chamados partidos de oposição, os quais, em parte, estão imersos no mesmo lamaçal e, em outra parte, ou estão no mundo da política apenas para realizar suas carreiras pessoais, ou não têm idéia alguma de democracia na cabeça ou não têm juízo (ou tudo isso junto).

Mas mesmo que Lula e o PT venham a se estrepar (a despeito dos esforços que as oposições farão novamente para salvá-los, agora de um segundo naufrágio), isso não significa que o nosso sistema representativo melhorará. Não vai melhorar muito, a menos que haja uma reforma democratizante da política. Uma reforma que jamais será feita a partir de dentro, por iniciativa dos próprios interessados. Uma reforma que só acontecerá se houver pressão ambiental da sociedade, de fora para dentro e emergência, em quantidade suficiente, de inovações políticas, ensaiadas de baixo para cima.

Apenas com as instituições que existem e com as regras que estão em vigor, não tem conserto. Não há “processo” algum capaz de resgatar a política do buraco profundo e imundo em que caiu. Ou se meteu.


Augusto de Franco é Coordenador-Geral da AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, é autor de mais de 12 livros. Além de Coordenador Geral da AED é também Diretor Presidente da ARCA – Sociedade do Conhecimento. Augusto de Franco é professor convidado da Fundação Dom Cabral na área de responsabilidade corporativa, sustentabilidade empresarial e gestão de stakeholders, articulista do jornal Folha de São Paulo, conferencista, consultor senior de governos estaduais e municipais, empresas e organizações internacionais e professor de vários MBA nas áreas de terceiro setor e desenvolvimento local.
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Terça-feira, 22 de maio de 2007.


O PT e sua grandiosa "obra" para o Brasil.

Tuesday, May 01, 2007

O "espectro" que domina o povo brasileiro.


































O HEGEMONISMO DA BESTA TRIUNFANTE
por Augusto de Franco

Formou-se a mais poderosa coalizão de forças de nossa história recente em apoio ao governo corrupto de Lula da Silva. O arco de alianças vai desde uma organização política clandestina disfarçada de movimento social (o MST), passando pelas centrais sindicais (agora anexadas como aparelhos do Estado e financiadas com dinheiro público), por organizações totalmente degeneradas que remanesceram da época da luta revolucionária contra o regime militar, até chegar à grande maioria dos partidos (inclusive o PV de Gabeira – vejam só! – faz parte da base do governo...).

Existem evidências importantes de que parte desse tenebroso ajuntamento tem raízes no crime organizado. E começam a surgir sinais preocupantes da existência de ramificações do submundo do crime no judiciário, no legislativo e em vários governos.

E tudo isso conta com o apoio de parte significativa do empresariado, em todos os setores da atividade produtiva, mas, em especial, nos bancos.

Também não são desprezíveis os contingentes de articuladores e analistas políticos que estão passando para o lado do governo. Alguns de forma explícita: o caso inaugural foi o de Ciro, mas – como a caçamba seguindo a corda – veio também o vira-casaca Mangabeira; até o Padilha – campeão das articulações congressuais no governo FHC – passou-se de armas e bagagens para o lado do vencedor. Outros, de modo tácito, trabalham para sustentar o governo "do lado de lá", como é o caso do Aécio (e, agora, ao que tudo indica, do próprio Tasso). Gente de mídia também anda doida para sentar no colo de Lula a partir dos empregos e outras prebendas que serão fornecidos pela TV estatal do "comissário" Franklin Martins.

Sobrou pouca coisa fora dessa formidável articulação de forças regressivas: uma parte da imprensa, uma parte dos partidos ditos de oposição e um contingente considerável, porém difuso, de cidadãos indignados com o processo de perversão da política e de degeneração das instituições em curso no país a partir de 2003.

Ora, ninguém monta uma estrutura desse porte – pagando o preço que tiveram que pagar quando vieram à tona os escândalos Waldomiro-Dirceu, Mensalão-Valerioduto, Palocci-Casa dos Prazeres, Falso Dossiê– Entourage de Lula – para abandonar o poder. Sim, eles não pretendem sair do poder em 2010. E não vão mesmo, a menos que façamos alguma coisa. Nós, quem?

Não é incrível que pessoas tão inteligentes, que dedicaram uma vida inteira à função pública ou à prática da política, não estejam vendo isso? Como se explica essa miopia pandêmica?

As explicações podem ser várias, mas do ponto de vista político existe uma que é central: a traição da oposição aos votos recebidos nas urnas de 2002 e 2006. Sem quem trave o combate político quotidiano, sem quem interprete e decodifique os atos do governo e do demagogo neopopulista que o chefia, sem quem defenda a democracia brasileira e as instituições republicanas da sanha lulopetista pelo controle do Estado e da sociedade, não há como fazer frente, nem no curto nem no médio prazo, ao hegemonismo da besta triunfante.



Augusto de Franco é Coordenador-Geral da AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, é autor de mais de 12 livros. Além de Coordenador Geral da AED é também Diretor Presidente da ARCA – Sociedade do Conhecimento. Augusto de Franco é professor convidado da Fundação Dom Cabral na área de responsabilidade corporativa, sustentabilidade empresarial e gestão de stakeholders, articulista do jornal Folha de São Paulo, conferencista, consultor senior de governos estaduais e municipais, empresas e organizações internacionais e professor de vários MBA nas áreas de terceiro setor e desenvolvimento local.
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Terça-feira, 01 de maio de 2007.


Saturday, February 03, 2007

Está tudo dominado!






























O NEOPOPULISMO LULISTA AVANÇA COM ARLINDO CHINAGLIA
por Augusto de Franco

A disputa de ontem na Câmara emitiu um sinal. Com as oposições que temos, não há nada que se possa fazer para evitar a implantação do projeto estratégico do lulopetismo.

Se o PFL tivesse votado em Gustavo Fruet no primeiro turno, ele disputaria com Arlindo no segundo (e não Aldo). Isso não significa que ganharia a eleição, mas ajudaria a consolidar a oposição no Congresso. A pergunta é: por que o PFL não votou em Gustavo? O que esses nossos frentistas liberais andam pensando da vida?

O PSDB tem 64 deputados. O PFL 62. O PPS 17. O PV 13. E o PSOL 3. Descontados os votos deste último (que não apoiaria mesmo um tucano), a conta deveria dar 156. Mas Gustavo teve 98 votos.

A candidatura de Gustavo foi importantíssima. Mas as vacilações e os continuados erros tucanos (uma sucessão impressionante: os erros acumulados de janeiro de 2003 até agora constituem a folha corrida mais desastrosa da história partidária, pelo menos do ponto de vista da democracia), a demora para tomar a decisão de ter um candidato, a ignorância sobre quem é Arlindo Chinaglia e a incompreensão do papel da oposição neste momento em que vive o Brasil, já haviam configurado um quadro sombrio para a nossa democracia. A cartas já estavam dadas. A sorte já estava lançada. Fruet até que fez demais, dadas as circunstâncias.

Façam as contas. A Câmara tem 513 deputados. Lula tem 351 (sem contar os eventuais traidores tucanos, pefelistas, ex-comunistas e verdes - que sempre podem surgir). O que isso significa? Significa que Lula pode aprovar qualquer coisa por mais de 3/5 dos votos (com uma folga de 43 votos). Pode aprovar até o seu terceiro mandato.

Quem vai reagir? O Senado? O Senado tem 81 cadeiras. Mas Lula tem 51. Isso dá 63% dos votos (sem contar com as traições a seu favor).

Quem vai reagir? Os governadores e prefeitos da oposição? Ora, esses não farão nada que possa atrapalhar o seu currículo de belas realizações administrativas.

Quem vai reagir? A sociedade? Se depender dos tucanos e pefelistas, a sociedade será desarmada continuamente para não ter como reagir e nem como resistir. PSDB e PFL não querem que a sociedade faça qualquer coisa que possa atrapalhar seus planos. Querem monopolizar a voz oposicionista para negociar com o governo federal o seu tom, o volume e o timbre dessa voz discordante em troca de espelhinhos e miçangas (ou seja, de oportunidades no varejo para seus líderes: um lugarzinho na mesa da Câmara, um tratamento menos belicoso por parte dos deputados estaduais petistas aos governadores tucanos... e por aí vai).

Por isso é forçoso constatar. As oposições partidárias no Brasil foram convertidas - pervertidas, de fato - em forças auxiliares de sustentação da hegemonia neopopulista que está sendo implantada pelo lulopetismo.

Ainda que não existam condições, vamos dizer, "estruturais", no Brasil, para a reprodução do neopopulismo ao estilo chavista, evoista ou rafaelista - muito menos para o castrismo ou o orteguismo - não se pode negar que já estão dadas as condições políticas para o neopopulismo ao estilo lulista. Mas o que seria isso?

O neopopulismo lulista é a proposta estratégica do lulopetismo: instaurar no Brasil uma hegemonia neopopulista de longa duração (já que não existe populismo – nenhum tipo de populismo – de curta duração).

O neopopulismo é um novo tipo de populismo que floresce quando líderes carismáticos e salvacionistas, apoiados por correntes estatistas e corporativistas, se apossam, pela via eleitoral, das instituições da democracia e as corrompem, gerando um ambiente degenerativo que perverte a política, privatiza partidariamente a esfera pública e enfraquece a sociedade civil; trata-se de uma vertente política de caráter autoritário que convive com a democracia mas que exerce sobre ela uma espécie de parasitismo; ou seja, que usa a democracia contra a democracia para enfrear e reverter o processo de democratização da sociedade, assegurando condições para a permanência por longo tempo de um mesmo líder e do seu grupo no poder. Esse projeto de poder – de Lula e do PT, quer dizer, do lulopetismo – não trabalha por fora das instituições e sim por dentro (daí a sua característica de parasitismo da democracia). Enganam-se, portanto, os que acham que vão surpreendê-los mais adiante numa tentativa de golpe de Estado. Sua via principal é a eleitoral. Tudo o que Lula e o PT fizeram tinha (e tem) como objetivo continuar ganhando as eleições, sucessivamente: por um lado, palanquismo-messiânico (do líder que se diz predestinado a salvar os pobres) regado com assistencialismo-clientelista (o neoclientelismo) e, de outro, conquista dos meios institucionais pela privatização partidária da esfera pública e pela alteração da lógica de funcionamento das instituições.

Essa é a fórmula do neopopulismo lulista. Em termos políticos não há nada, no Brasil de hoje, capaz de barrá-la. Venho alertando para o perigo desde agosto de 2003. Os nossos pensadores políticos sempre fizeram pouco caso dessas previsões. Não acreditavam em nada disso e continuam não acreditando, apesar de tudo o que aconteceu nos anos de 2004 e 2005. Vão esperar ainda mais para entender o problema e perceber com clareza para onde estamos caminhando? Aí já será tarde.

Aliás, já é tarde, muito tarde. O lulopetismo avança com Arlindo, assim como avançaria com Aldo. Mas avança mais com Arlindo. Só alguém muito cretino pode achar que Lula terá dificuldades com Arlindo porque ele representa o PT mais orgânico e combativo. Bobagem. Lula é o chefe do PT. Acordem! Não maltratem tanto a inteligência tipicamente humana.

Do ponto de vista político, Arlindo Chinaglia é a pior figura que já assumiu a presidência da Câmara dos Deputados. Pior inclusive do que Severino (não em termos ético-políticos pessoais, mas político-democráticos coletivos). Não será apenas um fiel contínuo dos desejos lulistas (como foi - e seria de novo - Aldo Rebelo). Será um articulador ativíssimo para a recuperação daquela parte da quadrilha petista que foi surpreendida praticando banditismo de Estado e corrupção de Estado. E muito mais do que isso... Entendam, pelo amor de Deus com quem vocês estão lidando. Arlindo não é um aliado: é um operador dessa política lulopetista.



Augusto de Franco é Coordenador-Geral da AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, é autor de mais de 12 livros. Além de Coordenador Geral da AED é também Diretor Presidente da ARCA – Sociedade do Conhecimento. Augusto de Franco é professor convidado da Fundação Dom Cabral na área de responsabilidade corporativa, sustentabilidade empresarial e gestão de stakeholders, articulista do jornal Folha de São Paulo, conferencista, consultor senior de governos estaduais e municipais, empresas e organizações internacionais e professor de vários MBA nas áreas de terceiro setor e desenvolvimento local.
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Sexta-feira, 02 de fevereiro de 2007.







Raio-X do cérebro dos brasileiros que apoiam o lulo-petismo, notem a área escura que envolve o minúsculo cérebro destas pessoas, este espaço é totalmente preenchido com uma substância conhecida como matéria fecal, em outras palavras é "merda" mesmo.

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Sunday, January 07, 2007

PSDB: Um partido de farsantes!



























OS PARCEIROS SIMBIÔNTICOS
por Augusto de Franco

O fato é que começamos o ano 5º da "Era Lula" sem oposição no país. Tal como o governo, a oposição partidária no Brasil também constitui fenômeno inédito. Segundo ela, a vitória eleitoral terá sido uma espécie de anistia para os crimes do governo corrupto de Lula da Silva. Assim, vamos esquecer tudo. Vamos parar de ficar cobrando de onde veio o dinheiro do mensalão e do falso dossiê e o que faziam os homens de confiança de Lula na trama, quem traiu o presidente, como foram usados os cartões corporativos da Presidência, onde foram parar aquelas cartilhas...

Apostando todas as fichas na loteria do calculismo eleitoreiro, a oposição colheu o óbvio: consagrou a impunidade dos malfeitores e a continuidade da "sofisticada organização criminosa" que se instalou no Planalto.

Tenho uma tese a esse respeito: só foi possível a eclosão do fenômeno político inédito que estamos vivendo no Brasil desde 2003, com Lula e o PT no poder, devido à existência de um partido com as características do PSDB. Eles, PT e PSDB, dão a impressão de parceiros simbiônticos. Uma crítica mais ácida diria que o PSDB fez o papel de "Kerenski brasileiro". Mas essa foi uma conseqüência objetiva do seu comportamento fora do poder, sem nenhum desdouro para a gestão e as intenções democráticas do estadista Fernando Henrique Cardoso.

Ademais, o colaboracionismo oposicionista foi o resultado do comportamento adotado pelos dois principais partidos de oposição, e não uma orientação dessas agremiações. Tal comportamento evoluiu, manifestando-se como renúncia de ser e fazer oposição (2003, ano em que os tucanos foram atacados pela "síndrome da oposição responsável"), passando pela vacilação e pela leniência tática (2004 e parte de 2005), avançando para características menos colaborativas (2005, no auge do escândalo do mensalão), mas recuando novamente para formas implícitas ou explícitas de conivência (a partir de agosto de 2005 até o início formal da campanha eleitoral em agosto de 2006).

Lula não deveria ser mal-agradecido. Ele deve tudo às oposições, sobretudo aos tucanos. Ele jamais foi abalado pelo PSDB e, sim, por suas próprias trapalhadas e as dos seus auxiliares que, uma vez descobertas, não poderiam deixar de ser denunciadas pela imprensa. Pelo contrário, Lula sempre foi ajudado por uma oposição que se esmerou em poupá-lo e blindá-lo e, de agosto de 2005 até o final daquele ano, construiu uma operação de resgate do presidente, estendendo-lhe a tábua de salvação do palanque de 2006 para livrá-lo do naufrágio. Deu no que deu.

Não contente com isso, a oposição ainda lhe fez o favor de não travar a decisiva pré-campanha, de janeiro a agosto de 2006. Enquanto o PSDB aguardava, apalermado, o início do horário eleitoral, durante oito meses, Lula, disputando sozinho, praticamente dobrou as suas intenções de voto, pulando, segundo o Datafolha, de um patamar de 33% (no início do ano passado), para 41% (em março), para 43% (em maio), para 46% (em junho) e para 49% (em agosto). Deu no que só poderia dar mesmo.

Eis-nos, agora, novamente na tempestade. Lula recuperou a sua nau, mas a nossa está à deriva. Nossos pilotos abandonaram o barco, pressurosos como sempre, para cuidar de seus próprios interesses. Quando tudo isso passar, será que eles não terão vergonha de contar para seus filhos e netos o ridículo papel que desempenharam nesta história? Eu teria. Quando tudo isso passar. Mas... e se não passar assim tão rapidamente? E se estivermos apenas no início de um período regressivo de longa duração? Quem vai reagir? Quem vai resistir?

Se você é um democrata, deve estar indignado. Mas como você foi abandonado, é possível que tenha feito um propósito nesta entrada de 2007: imitar as oposições e dizer que a vida é assim mesmo. Não importa se Lula continuar avacalhando o Brasil e urdindo uma maneira de não sair (de fato) do poder: você dirá que não tem nada com isso. Pior: você pode, imitando mais uma vez as oposições, só se mexer se surgir um movimento oposicionista (de fato), propondo retirar Lula do poder. Aí, sim, você marchará ombro a ombro com os bravos tucanos para defender a governabilidade.

Sorte sua se, como ocorre com esses propósitos que fazemos no início de cada ano, você não cumprir o prometido. Nem que seja pela falta de virtude, desejo que você seja poupado da vergonha de ter que explicar para os seus filhos e netos as razões pelas quais resolveu dobrar a espinha. São os meus votos de Ano Novo.


Augusto de Franco é Coordenador-Geral da AED – Agência de Educação para o Desenvolvimento, é autor de mais de 12 livros. Além de Coordenador Geral da AED é também Diretor Presidente da ARCA – Sociedade do Conhecimento. Augusto de Franco é professor convidado da Fundação Dom Cabral na área de responsabilidade corporativa, sustentabilidade empresarial e gestão de stakeholders, articulista do jornal Folha de São Paulo, conferencista, consultor senior de governos estaduais e municipais, empresas e organizações internacionais e professor de vários MBA nas áreas de terceiro setor e desenvolvimento local. Blog do autor: Blog de Augusto de Franco.




Publicado no jornal "Folha de S. Paulo".
Quinta-feira, 04 de janeiro de 2007.




FARINHA DO MESMO SACO

É tudo gente com o mesmo caráter. Geralmente mau.








































 
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