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Wednesday, May 28, 2008

Um "jogo" muito estranho! Quem perdeu: $$$ GANHOU $$$.






































O germe do autoritarismo
por Ricardo Noblat

Fui preso quatro vezes durante a ditadura militar inaugurada no país em 1964. Estudava jornalismo no Recife e ao mesmo tempo trabalhava em jornais. Em 1969, eu e mais vinte e poucos colegas fomos expulsos da Universidade Católica de Pernambuco, acusados de subversão. E durante um ano proibidos de estudar em qualquer outra universidade. Fiquei desempregado por algum tempo.

Eu simpatizava com a Ação Popular, uma das muitas organizações de esquerda que lutavam contra a ditadura. Mas nunca a ela me filiei - nem a nenhuma outra. Sabia que não dava para ser jornalista e militante político ao mesmo tempo - e o jornalismo me atraía mais. E não estava convencido de que o comunismo era a salvação do mundo. Não queria trocar a ditadura que nos esmagava por qualquer outro tipo de ditadura.

Todas ou quase todas as organizações que pregavam o fim da ditadura rejeitavam o modelo de "democracia burguesa" que temos hoje, aqui e na maior parte do mundo. Eu respeitava quem pensava assim, mas não estava convencido do acerto de sua opção - pelo contrário. E não via a mais remota chance de sucesso na tentativa de se derrubar a ditadura via luta armada. Ela venceria, como de fato venceu.

Parte dos jovens daquela época era "generosa", como observou, ontem, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, em entrevista ao Programa do Jô. Por generosa, entenda-se: capaz de arriscar a integridade física em defesa de suas idéias. Mas isso não quer dizer que suas idéias fossem corretas. Ou Dilma ainda acredita na "ditadura do proletariado"? Ou ainda acredita que "o poder está na ponta do fuzil"? Não creio.

Tenho horror e nojo à ditadura, como disse certa vez o deputado Ulysses Guimarães, então presidente do PMDB. E a todas as suas práticas - a suspensão dos direitos e garantias individuais, a tortura e a morte dos seus adversários. Mas por ter combatido a ditadura de 64 ao meu modo, e arrostado com as consequências disso, não me acho merecedor de indenizações ou de qualquer outro tipo de reconhecimento.

A glorificação dos que enfrentaram armados a ditadura pensando em substitui-la por outra revela oportunismo e a dificuldade de se abdicar de idéias carcomidas . Há nisso também muito de arrogância e de autoritarismo.


Ricardo Noblat, nasceu em 1949 na cidade de Recife-PE, formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, trabalhou como repórter dos jornais "Diário de Pernambuco" e "Jornal do Commercio", além das sucursais do "Jornal do Brasil" e revista "VEJA", também foi repórter e chefe da extinta revista "Manchete" no Recife. Chefiou a sucursal da revista "VEJA" em Salvador-BA, por dois anos, revista esta, onde depois foi editor-assistente em Sâo Paulo-SP. Trabalhou ainda em Brasília-DF, como editor regional da sucursal do "Jornal do Brasil" e repórter na também sucursal do jornal "O Globo", de onde saiu para chefiar a sucursal da revista "IstoÉ" e posteriormente a direção de redação do jornal "Correio Braziliense". De volta a Salvador-BA, chefiou a redação do jornal "A Tarde" por quase um ano. Ainda teve uma passagem pelo jornal "O Estado de S. Paulo", onde além de uma coluna aos domingos, manteve um blog. Atualmente Ricardo Noblat é editor-chefe do "Blog do Noblat" e publica uma coluna às segundas-feiras no jornal "O Globo". Noblat também é autor de vários livros na área de Jornalismo.


N.R. Além de política e atualidades o Blog do Noblat também é ótimo para quem gosta da boa música.

Publicado no Blog do Noblat.
Terça-feira, 27 de maio de 2008, 14h19.





A IDIOTIA DE LULA – José Nivaldo Cordeiro

Em terra de cegos, o "sapo" é rei !









































A IDIOTIA DE LULA
por José Nivaldo Cordeiro
"A voz, quanto mais clara fica, mais dissonante soa"
Joseph Brodsky

Meus leitores têm acompanhado o que tenho comentado sobre a percepção pessoal de Lula sobre o problema do retorno acelerado da inflação no Brasil. Saberá também, se me acompanha a mais tempo, que em nada esse fenômeno é surpreendente, visto que as medidas governamentais que têm sido postas em prática, à exceção da política monetária executada pelo Banco Central, deslocada que está do corpo central da ideologia desenvolvimentista defendida pelos intelectuais do PT, levariam inevitavelmente a um quadro de crise como esse. Quero sublinhar aqui que a idiotia presidencial de forma alguma se deve à carência de formação especificamente econômica, embora não devamos esquecer que a ignorância lulista não se restringe a esse campo econômico, mas é generalizada: essa ignorância é uma sólida aquisição de sua intensa biografia, dedicada às palavras de ordem, às platitudes insossas e à propaganda política mentirosa, pura e simples. Lula nunca quis aprender coisa alguma e orgulha-se dessa ignorância militante.

Sua idiotia resulta de outra fonte, além da recusa a aprender. Fundamentalmente da construção de um mundo de sonhos paralelo à realidade, sobre o qual o presidente constrói as suas decisões e também o seu discurso político. Carência de formação não redunda necessariamente em idiotia; esta vem pela desconexão do real, posto em seu lugar um substituto onírico, uma realidade de faz de conta, um "como se assim fosse". Loucura!

E quando digo Lula digo também sobre todos aqueles que lhe cercam, que constituem a nova corte do poder: os burocratas do partido, os apoiadores de primeira e última hora, os empresários chapa-branca, a comunalha instalada nas universidades, nos jornais diários, nas emissoras de TV, no mundo artístico e editorial. A idiotia de Lula é espelho – se quisermos, é a ponta mais saliente e pública desse enorme monumento à ignorância que é o governo Lula – do abaixamento do nível civilizacional do Brasil. Que é acompanhado pelo abaixamento do nível moral também. O que me surpreende, sabedor que sou dessa estranha e perigosa supra-realidade que baliza a tomada de decisões vitais no plano coletivo, é que nossa sociedade ainda não mergulhou no abismo inevitável da desintegração. Certamente o descontrole inflacionário será a porta triunfal pela qual a crise colossal que eu espero vai se instalar.

Essa percepção pessoal do presidente é tanto mais mágica e trágica porque genuína. Lula acredita piamente no que diz e essa sinceridade está na raiz da empatia com que a população aceita sua percepção falsificada dos fatos. Essa falsificação é substituta da verdadeira realidade, à vista daqueles capazes de elaborar análises profundas. Lula encarna essa distorção da consciência coletiva e de fato tem a representação existencial dos brasileiros, pelo menos daqueles que caíram no canto de sereia dos revolucionários. Só um idiota poderia representar a multidão de idiotas. Contra todas as evidências em contrário os idiotas passaram a acreditar na abolição da lei da escassez, na eliminação do risco existencial, na mentira de que o Estado pode garantir vida boa e abundancia para todos que lhe fizerem genuflexão.

Irresistível recordar aqui a bela reflexão de Joseph Brodsky, em seu ensaio "O filho da civilização", no qual comenta a vida e a obra daquele que ele considera o maior dos poetas russos do século XX, Ossip Mandelstam (inserido no livro MENOS QUE UM, publicado em 1986 pela Companhia das Letras): "Quando um homem cria um mundo próprio, transforma-se num corpo estranho contra o qual se voltam todas as leis: a gravidade , a compressão, a rejeição, o aniquilamento".

Obviamente que quando as leis naturais se voltam contra um governante e seu povo insensato estamos diante de fatos trágicos da maior gravidade histórica. A bomba-relógio está ativada e não vejo mais como desativa-la. Haveremos de ter um encontro macabro com o destino.

Em outro ensaio, publicado no mesmo livro, este dedicado à heróica figura de Nadezhda Mandelstan, esposa e viúva (sublinho este fato porque importante, viuvez foi a característica das mulheres dos grandes homens russos naquela geração, pelo menos daquelas que tiveram a sorte – ou azar – de não perecerem junto com o marido assassinado) do grande poeta objeto do ensaio anterior, podemos ler:

"Por si mesma, a realidade não vale nada. E existe uma hierarquia entre as percepções (e, correspondentemente, entre os sentidos); as adquiridas através dos prismas mais refinados e sensíveis figuram no topo. O refinamento e a sensibilidade desses prismas vêm da única fonte possível: a cultura, a civilização, cujo instrumento principal é a linguagem. A avaliação da realidade feita através de um prisma como esse – cuja aquisição é uma das finalidades da espécie – é portanto a mais precisa, e provavelmente a mais justa. (Os clamores de 'Injustiça!' e 'elitismo!' que podem saudar a frase vindo logo das universidades devem ficar sem resposta, porque a cultura é ‘elitista’ por definição, e a aplicação de princípios democráticos na esfera do conhecimento nos levaria a considerarmos equivalentes a idiotia e a sabedoria.)"

Bem sabemos que nosso ilustre presidente não consegue falar direito a língua pátria e nenhuma outra, embora fale com loquacidade e eficiência à alma do povo idiotizado. Lula é o apedeuta por antonomásia. Aqui que mora o perigo: um cego guiando a multidão de cegos. Não me cabe fazer outra coisa que não rezar pelos enormes sofrimentos que nos esperam, na melhor das hipóteses. Na Rússia, terra de Brodsky e dos Mandelstam, já temos o balanço consolidado das tragédias que aconteceram, fruto desse descolamento da realidade. Eles são felizes, os russos, pois seus mortos já morreram, contados às dezenas de milhões, enterrados no altar elevado à estupidez. A matança ainda não começou por aqui, e nem a morte por inanição, e nem pelo frio, e nem pela miséria artificialmente fabricada pelos construtores de utopias. Não sei se é algo a comemorar ou a lastimar. Sei que os vivos, como registram as Escrituras, poderão ficar com inveja dos mortos de tempos em tempos. Como na Rússia. Como em toda parte onde esses alucinados descolados do real chegaram ao poder.

A idiotia de Lula é a idiotia de toda a gente brasileira.


José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas".



José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP e editor do site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado". E-mail: nivaldocordeiro@yahoo.com.br


Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Sábado, 24 de maio de 2008.





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