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Sunday, June 26, 2011

BRASILEIROS: DEFORMADOS MORAIS CRÔNICOS !





Desonestidade é cultura
por João Ubaldo Ribeiro

Sempre se tem cuidado com generalizações, para não atingir os que não se enquadram nelas. Às vezes o sujeito odeia indiscriminadamente toda uma categoria, mas, ao falar nela e, principalmente, ao escrever, abre lugar para as exceções, os "não-são-todos" e ressalvas hipócritas sortidas. Outros recorrem a gracinhas, como na frase do antigamente famoso escritor Pitigrilli, segundo a qual "as únicas mulheres sérias são minha mãe e a mãe do leitor". No caso presente, decidi que as generalizações feitas hoje excluem todos os leitores, a não ser, evidentemente, os que desejem incluir-se - longe de mim contribuir para aumentar nossa tão falada legião de excluídos.

Antigamente, era muito comum ler ensaios e artigos escritos por brasileiros em que nós éramos tratados na terceira pessoa: o brasileiro é assim ou assado, gosta disso e não gosta daquilo. Em relação a maus hábitos então, a terceira pessoa era a única empregada. O autor do artigo escrevia como se ele mesmo não fizesse parte do povo cuja conduta lamentava. Até mesmo nas conversas de botequim, durante as habituais análises da conjuntura nacional, o comum era (ainda é um pouco, acho que o boteco é mais conservador que a academia) o brasileiro ser descrito como uma espécie de ser à parte, um fenômeno do qual éramos apenas espectadores ou vítimas. Eu não. Talvez, há muito tempo, eu tenha escrito dessa forma, mas devo ter logo compreendido sua falsidade e passei a me ver como parte da realidade criticada. Individualmente, posso não fazer muitas coisas que outros fazem, mas não serei arrogante ou pretensioso, vendo os brasileiros como "eles". Não são "eles", somos nós.

Creio que, feita a exceção dos leitores e esclarecido que estou falando em nós e não em inexistentes "eles", posso expor a opinião de que fica cada vez mais difícil não reconhecer, vamos e venhamos, que somos um povo desonesto. Não conheço as estatísticas de países comparáveis ao nosso e, além disso, nossas estatísticas são muito pouco dignas de confiança. Mas não estou preparando uma tese de mestrado sobre o problema e não tenho obrigação metodológica nenhuma, a não ser a de não falsear intencionalmente os fatos a que aludo e que vem das informações e impressões a que praticamente todos nós estamos expostos.

Claro, choverão explicações para a desonestidade que vemos, principalmente nos tempos que atravessamos, em que a impressão que se tem é de que ninguém é mais culpado ou responsável por nada. Há sempre fatores exógenos que determinaram uma ação desonesta ou delituosa. E, de fato, se é assim, não se pode fazer nada quanto à má conduta, a não ser dedicar todo o tempo a combater suas "causas". Essas causas são todas discutíveis e mais ainda o determinismo de quem as invoca, que praticamente exclui a responsabilidade individual. E, causa ou não causa, não se pode deixar de observar como, além de desonestos, ficamos cínicos e apáticos. Contanto que algo não nos atinja diretamente, pior para quem foi atingido.

Ninguém se espanta ou discute, quando se fala que determinado político é ladrão. Já nos acostumamos, faz parte de nossa realidade, não tem jeito. Alguns desses ladrões são até simpáticos e tratados de uma forma que não vemos como cúmplice, mas como, talvez, brasileiramente afetuosa. Votamos nele e perdoamos alegremente seus pecados, pois, afinal, ele rouba, mas tem suas qualidades. E quem não rouba? Por que todo mundo já se acostumou a que, depois de uma carreira política de uns dez anos, todos estão mais gordinhos e com o patrimônio às vezes consideravelmente ampliado? Como é que isso acontece rotineiramente com prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores, ministros e quem mais ocupe cargo público?

Os políticos, já dissemos eu e outros, não são marcianos, não vieram de outra galáxia. São como nós, têm a mesma história comum, vieram, enfim, do mesmo lugar que os outros brasileiros. Por conseguinte, somos nós. Assim como o policial safado que toma dinheiro para não multar - safado ele que toma, safados nós, que damos. Assim como o parlamentar que, ao empossar-se, cobre-se de privilégios nababescos, sem comparação a país algum.

Em todos os órgãos públicos, ao que parece aos olhos já entorpecidos dos que leem ou assistem às notícias, se desencavam, todo dia, escândalos de corrupção, prevaricação, desvio de verbas, estelionato, tráfico de influência, negligência criminosa e o que mais se possa imaginar de trambique ou falcatrua. E em seguida assistimos à ridícula, com perdão da má palavra, microprisão até de "suspeitos" confessos ou flagrados. A esse ritual da microprisão (ou nanoprisão, talvez, considerando a duração de algumas delas) segue-se o ritual de soltura, até mesmo de "suspeitos" confessos ou flagrados. E que fim levam esses inquéritos e processos ninguém sabe, até porque tanto abundam que sufocam a memória e desafiam a enumeração.

Manda a experiência achar que não levam fim nenhum, fica tudo por isso mesmo, porque faz parte do padrão com que nos domesticaram (taí, povo domesticado, gostei, somos também um povo muito bem domesticado) saber que poderoso nenhum vai em cana. E é claro que, por mais que negue isso com lindas manifestações de intenção e garantias de sigilo (como se aqui, de contas bancárias de caseiros a declarações de imposto de renda, algo do interesse de quem pode ficasse mesmo sigiloso), essa ideia de esconder os preços das obras da Copa tem toda a pinta de que é mais uma armação para meter a mão em mais dinheiro, com mais tranquilidade. Ou seja, é para roubar mesmo e não há o que fazer, tanto assim que não fazemos. Acho que é uma questão cultural, nós somos desse jeito mesmo, ladravazes por formação e tradição.


João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Iniciou no jornalismo trabalhando como repórter no Jornal da Bahia e, tempos depois, tornou-se editor-chefe do Jornal A Tribuna da Bahia. Com seu livro, Sargento Getúlio, de 1971, ganhou o Prêmio Jabuti. Morou nos EUA, em Portugal e na Alemanha. Participou de adaptações de textos seus e de terceiros para televisão e cinema e foi premiado e homenageado em várias partes do mundo. Atualmente assina textos semanais nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. É um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, autor de clássicos como Viva o Povo Brasileiro, que já superou a marca dos 120 mil exemplares vendidos e é membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu mais de 15 livros, traduzidos em 16 países.



Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" – (Cultura).
Domingo, 23 de junho de 2011.





CAPISCI MALEDETTO ? – Bootlead







Sunday, August 23, 2009

Andar "de quatro" será o nosso próximo estágio involutivo.
Falta pouco!






























De quatro
por João Ubaldo Ribeiro

De vez em quando eu olho aqui, olho acolá, leio o jornal do dia, vejo alguns noticiários de televisão e concluo que se, por exemplo, o governo decretasse que, de agora em diante, os cidadãos e cidadãs iam ter de ficar de quatro, enquanto estivessem em agências bancárias e repartições públicas, poderíamos esperar ver todo mundo engatinhando no dia seguinte, sem reclamar.

— Estamos baseados em estatísticas — explicará um porta-voz do ministério responsável. — Em média, os assaltos a bancos são iniciados com 86,6% dos clientes de pé, o resto sentado e nenhum de quatro. Por outro lado, não há registro de assaltos iniciados com os clientes de quatro. A mesma coisa com mau atendimento em repartições públicas, porque, entre as pessoas que ficaram de quatro nas filas do SUS, somente 23,8% deixaram de ser atendidas. Portanto, essa medida terá como efeito a redução drástica dos assaltos a bancos e do mau atendimento em órgãos públicos.

Claro, resta-nos alguma altivez e poderemos esperar protestos indignados.

Haverá passeatas e caras pintadas por todo o Brasil e, depois de manifestações ruidosas, as demandas dos rebelados serão atendidas. Ninguém pode ir contra a objetividade estatística e deixar de cooperar com a segurança e a tranquilidade públicas, de maneira que se negar a ficar de quatro estará fora de cogitação, mas o ministério se obrigará a fornecer luvas de couro e joelheiras gratuitas a todos os que tiverem de ficar de quatro. (E aí se fará a licitação para a compra desses equipamentos, vai ter subfaturamento, a Polícia Federal vai pegar três quadrilhas, sai no "Jornal Nacional" — e o resto da história já sabemos, todo mundo solto, o script habitual, mas isso já é outra conversa.) O pessoal se esquece, mas eu não — e prometi que volta e meia tocaria no assunto, só por ranhetice mesmo — daquele famoso kit de primeiros socorros para usuários de automóveis. Vocês se lembram, havia um ou mais itens dele que só eram fornecidos por um fabricante.

Ameaçados de sanções terrificantes, os donos de carros morreram em dez ou quinze pratas, não lembro bem, para comprar o kit. Deve ter sido um belo catado. Pouco depois, o governo anunciou que não era nada daquilo, realmente o kit era ainda pior do que kit nenhum e ficou tudo por isso mesmo.

Tenho certeza de que o dinheiro arrecadado foi todo destinado à melhoria das estradas do país. E ninguém protestou nem se recusou a pagar, não houve nem necessidade de enrolação enfeitada por números e percentagens pseudoestatísticas.

E assim vamos, cada vez mais protegidos pelo manto generoso do Estado e seu incansável governo. Suponho que, à luz (ou à sombra) de medidas como as tomadas contra o fumo, está implantada, ou começando a implantar-se, a noção de que o indivíduo é social e juridicamente responsável por sua saúde, nos casos em que não cuidar dela possa prejudicar outros ou onerar os serviços públicos. Por consequência, não somente fumar deve ser coibido como, talvez mais ainda, ingerir bebidas alcoólicas. O sujeito que bebe de forma contumaz está, é claro, minando seriamente sua saúde. Frequentemente, os bêbedos também matam ou aleijam inocentes, que não têm nada a ver com a cachaça alheia. E não somente os bêbedos adoecem assim. Quantos pais de família irresponsáveis não ingerem produtos tidos (e como tal provados por "estatísticas") como cancerígenos, ou causadores de entupimento nas artérias, e por aí vai? Diante da confusão criada por esse quadro, caberia ao Estado, mais cedo ou mais tarde, definir o que é saúde.

Não sei que rumos tomaria tal empreitada, mas, com certeza, certos grupos, não apenas fumantes e alcoolistas, seriam punidos, como os gordos. Ou os que se recusam a fazer exercícios físicos.

Não descarto a hipótese de um imposto especial sobre as grandes gorduras (o popular carnê-barriga) ou a contribuição permanente de indolência física.

Para não falar na saúde mental, que compõe o quadro geral da higidez.

Imagino que, num futuro que espero ainda remoto, poderá ser declarado maluco quem não apoiar o governo. Sei que pensam que maluco sou eu, quando imagino esse tipo de coisa, mas basta recordar a internação, em hospitais psiquiátricos, de dissidentes de regimes do tempo da Cortina de Ferro.

Mais proximamente, antevejo medidas contra a depressão, seguramente um sério problema de saúde. Não custará nada proibir livros, peças, filmes e músicas que possam levar à depressão ou a sentimentos, em última análise, deletérios para o equilíbrio mental e emocional e, deste modo, para a saúde. De novo, maluco sou eu, mas me lembro do nazismo, que, afinal, não está tão distante assim e nunca realmente deixou de existir.

As mais novas providências para nos proteger acabam de ser tomadas em relação às farmácias. As normas, pelo que sei, são iguais para todas as farmácias, não importa se na menor das cidades ou numa grande capital. O ímpeto inovador do Estado faz com que ele veja as farmácias das pequenas cidades remotas sob a mesma ótica que as grandes cadeias, nas áreas metropolitanas.

Nem mesmo fazer as vezes de agência bancária onde não existe nenhuma vai ser possível para as farmácias.

Enfim, teremos farmácias — as que sobrarem depois das novas medidas e acho que em Itaparica não vai restar nenhuma — de Primeiro Mundo.

Sim, os nossos principais problemas em relação a farmácias são a venda de remédios sem receita e a automedicação com a ajuda dos balconistas. Nenhum deles vai ser, nem de longe, resolvido pelas novas regras, mas, como eu digo sempre, não se pode querer tudo neste mundo e com má vontade é que não se vai para a frente. Quando pensei no exemplo dos quatro pés, não achei que era uma metáfora, mas agora estou achando.


João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Iniciou no jornalismo trabalhando como repórter no Jornal da Bahia e, tempos depois, tornou-se editor-chefe do Jornal A Tribuna da Bahia. Com seu livro, Sargento Getúlio, de 1971, ganhou o Prêmio Jabuti. Morou nos EUA, em Portugal e na Alemanha. Participou de adaptações de textos seus e de terceiros para televisão e cinema e foi premiado e homenageado em várias partes do mundo. Atualmente assina textos semanais nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. É um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, autor de clássicos como Viva o Povo Brasileiro, que já superou a marca dos 120 mil exemplares vendidos e é membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu mais de 15 livros, traduzidos em 16 países.


Publicado no jornal "O Globo".
Domingo, 23 de agosto de 2009.




ONDE ESTAIS "LEÔNIDAS"? – Ministro Olympio Pereira da Silva Junior






Wednesday, May 28, 2008

Em terra de cegos, o "sapo" é rei !









































A IDIOTIA DE LULA
por José Nivaldo Cordeiro
"A voz, quanto mais clara fica, mais dissonante soa"
Joseph Brodsky

Meus leitores têm acompanhado o que tenho comentado sobre a percepção pessoal de Lula sobre o problema do retorno acelerado da inflação no Brasil. Saberá também, se me acompanha a mais tempo, que em nada esse fenômeno é surpreendente, visto que as medidas governamentais que têm sido postas em prática, à exceção da política monetária executada pelo Banco Central, deslocada que está do corpo central da ideologia desenvolvimentista defendida pelos intelectuais do PT, levariam inevitavelmente a um quadro de crise como esse. Quero sublinhar aqui que a idiotia presidencial de forma alguma se deve à carência de formação especificamente econômica, embora não devamos esquecer que a ignorância lulista não se restringe a esse campo econômico, mas é generalizada: essa ignorância é uma sólida aquisição de sua intensa biografia, dedicada às palavras de ordem, às platitudes insossas e à propaganda política mentirosa, pura e simples. Lula nunca quis aprender coisa alguma e orgulha-se dessa ignorância militante.

Sua idiotia resulta de outra fonte, além da recusa a aprender. Fundamentalmente da construção de um mundo de sonhos paralelo à realidade, sobre o qual o presidente constrói as suas decisões e também o seu discurso político. Carência de formação não redunda necessariamente em idiotia; esta vem pela desconexão do real, posto em seu lugar um substituto onírico, uma realidade de faz de conta, um "como se assim fosse". Loucura!

E quando digo Lula digo também sobre todos aqueles que lhe cercam, que constituem a nova corte do poder: os burocratas do partido, os apoiadores de primeira e última hora, os empresários chapa-branca, a comunalha instalada nas universidades, nos jornais diários, nas emissoras de TV, no mundo artístico e editorial. A idiotia de Lula é espelho – se quisermos, é a ponta mais saliente e pública desse enorme monumento à ignorância que é o governo Lula – do abaixamento do nível civilizacional do Brasil. Que é acompanhado pelo abaixamento do nível moral também. O que me surpreende, sabedor que sou dessa estranha e perigosa supra-realidade que baliza a tomada de decisões vitais no plano coletivo, é que nossa sociedade ainda não mergulhou no abismo inevitável da desintegração. Certamente o descontrole inflacionário será a porta triunfal pela qual a crise colossal que eu espero vai se instalar.

Essa percepção pessoal do presidente é tanto mais mágica e trágica porque genuína. Lula acredita piamente no que diz e essa sinceridade está na raiz da empatia com que a população aceita sua percepção falsificada dos fatos. Essa falsificação é substituta da verdadeira realidade, à vista daqueles capazes de elaborar análises profundas. Lula encarna essa distorção da consciência coletiva e de fato tem a representação existencial dos brasileiros, pelo menos daqueles que caíram no canto de sereia dos revolucionários. Só um idiota poderia representar a multidão de idiotas. Contra todas as evidências em contrário os idiotas passaram a acreditar na abolição da lei da escassez, na eliminação do risco existencial, na mentira de que o Estado pode garantir vida boa e abundancia para todos que lhe fizerem genuflexão.

Irresistível recordar aqui a bela reflexão de Joseph Brodsky, em seu ensaio "O filho da civilização", no qual comenta a vida e a obra daquele que ele considera o maior dos poetas russos do século XX, Ossip Mandelstam (inserido no livro MENOS QUE UM, publicado em 1986 pela Companhia das Letras): "Quando um homem cria um mundo próprio, transforma-se num corpo estranho contra o qual se voltam todas as leis: a gravidade , a compressão, a rejeição, o aniquilamento".

Obviamente que quando as leis naturais se voltam contra um governante e seu povo insensato estamos diante de fatos trágicos da maior gravidade histórica. A bomba-relógio está ativada e não vejo mais como desativa-la. Haveremos de ter um encontro macabro com o destino.

Em outro ensaio, publicado no mesmo livro, este dedicado à heróica figura de Nadezhda Mandelstan, esposa e viúva (sublinho este fato porque importante, viuvez foi a característica das mulheres dos grandes homens russos naquela geração, pelo menos daquelas que tiveram a sorte – ou azar – de não perecerem junto com o marido assassinado) do grande poeta objeto do ensaio anterior, podemos ler:

"Por si mesma, a realidade não vale nada. E existe uma hierarquia entre as percepções (e, correspondentemente, entre os sentidos); as adquiridas através dos prismas mais refinados e sensíveis figuram no topo. O refinamento e a sensibilidade desses prismas vêm da única fonte possível: a cultura, a civilização, cujo instrumento principal é a linguagem. A avaliação da realidade feita através de um prisma como esse – cuja aquisição é uma das finalidades da espécie – é portanto a mais precisa, e provavelmente a mais justa. (Os clamores de 'Injustiça!' e 'elitismo!' que podem saudar a frase vindo logo das universidades devem ficar sem resposta, porque a cultura é ‘elitista’ por definição, e a aplicação de princípios democráticos na esfera do conhecimento nos levaria a considerarmos equivalentes a idiotia e a sabedoria.)"

Bem sabemos que nosso ilustre presidente não consegue falar direito a língua pátria e nenhuma outra, embora fale com loquacidade e eficiência à alma do povo idiotizado. Lula é o apedeuta por antonomásia. Aqui que mora o perigo: um cego guiando a multidão de cegos. Não me cabe fazer outra coisa que não rezar pelos enormes sofrimentos que nos esperam, na melhor das hipóteses. Na Rússia, terra de Brodsky e dos Mandelstam, já temos o balanço consolidado das tragédias que aconteceram, fruto desse descolamento da realidade. Eles são felizes, os russos, pois seus mortos já morreram, contados às dezenas de milhões, enterrados no altar elevado à estupidez. A matança ainda não começou por aqui, e nem a morte por inanição, e nem pelo frio, e nem pela miséria artificialmente fabricada pelos construtores de utopias. Não sei se é algo a comemorar ou a lastimar. Sei que os vivos, como registram as Escrituras, poderão ficar com inveja dos mortos de tempos em tempos. Como na Rússia. Como em toda parte onde esses alucinados descolados do real chegaram ao poder.

A idiotia de Lula é a idiotia de toda a gente brasileira.


José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas".



José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP e editor do site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado". E-mail: nivaldocordeiro@yahoo.com.br


Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Sábado, 24 de maio de 2008.





DIA DA INFANTARIA – Bootlead






Tuesday, March 11, 2008

Esses vagabundos que estão no poder não passam de uns "rola-bostas".






























A burrice é incansável...
por Ubiratan Iorio

A patologia da mentira latino-americana inocula na cabeça de inocentes, desde a mais tenra infância, que, se João é pobre, é porque Pedro é rico... Se considerarmos dois outros falsos dogmas do socialismo-marxismo, o da crença na existência de um estado natural de abundância e o de que a economia é sempre um bolo de dimensões fixas, não causam espanto algumas tentativas de experimentações da economia de Robin Hood, de tirar dos ricos para dar aos pobres, de que o Imposto sobre Grandes Fortunas (ISGF) - parvoíce agora ressuscitada por alguns sindicatos no bojo da "reforma tributária" do companheiro Mantega - é mais um triste exemplo, ao lado de outras aberrações, como as propostas de mais alíquotas para o imposto de renda da pessoa física e de abolição da demissão por justa causa.

Alguns políticos e sindicalistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos, mas nunca desconfiaram que, antes, é preciso plantá-las... Suas proposições ostentam o viés demagógico e o interesse político e eleitoral de aparecer na mídia. Como as tolices são abundantes e o espaço é escasso, comento hoje apenas uma delas.

A implantação do ISGF, também chamado em alguns países de "Imposto de Solidariedade sobre Grandes Fortunas" (solidariedade compulsória não é solidariedade, mas extorsão, diga-se de passagem), só causaria efeitos devastadores sobre a economia: fuga de capitais; desestímulo à poupança e aos investimentos e, portanto, ao crescimento econômico; imobilização dos fluxos de capitais internacionais; punições ao trabalho e ao desejo legítimo de progredir na vida; empobrecimento generalizado; forte exortação à lavagem de dinheiro; e conclamação à sonegação.

Em todos os países onde foi aplicado, o ISGF mostrou altíssimo custo de arrecadação e baixíssima produtividade fiscal: Itália, Irlanda e Japão o abandonaram; em Espanha e França os resultados foram também decepcionantes; na Índia, economia emergente, foi outro fracasso. E a explicação é simples e natural: tributar pesadamente, tirando dos mais capazes e motivados para dar aos menos capazes ou menos dispostos, em geral redunda em punir os primeiros, sem capacitar nem corrigir os segundos. A solução, óbvia, é mandar Robin Hood às favas e prover os menos preparados de boa educação e saúde, sob leis que estimulem o trabalho, o emprego, o esforço e a parcimônia.

Ademais, esse imposto embute outro enorme defeito: a riqueza ou patrimônio é um estoque e, como qualquer estoque, é formado por fluxos - no caso, os dos rendimentos do trabalho e do capital - e, portanto, ao taxar o estoque, ocorre dupla tributação, pois os fluxos já foram tributados diretamente pelo Imposto de Renda sobre rendimentos do trabalho e do capital. Só mesmo a doença da cegueira ideológica, o atributo da burrice e o vício da preguiça o apóiam...

E isso não é tudo, porque há ainda sérios problemas operacionais: o que é uma "grande fortuna"? É um simples valor monetário? Uma fração dos grandes contribuintes do Imposto de Renda? Qual o sujeito passivo do imposto, apenas as pessoas físicas ou, também, as jurídicas? Que patrimônio deve ser tributado, o líquido ou o bruto? As alíquotas devem ser proporcionais ou progressivas? Será universal ou apresentará exceções? E o que dizer com respeito aos preceitos constitucionais que proíbem confiscos e garantem direitos de propriedade e de herança? Incidirá sobre toda a "riqueza" ou somente sobre bens que denotarem "suntuosidade"? Neste último caso, o que seriam bens "suntuosos"? Garrafas de Romanée-Conti? Saca-rolhas de R$ 900?

A idéia do ISGF nasceu em 1989, por proposta do então senador Fernando Henrique Cardoso, que estabelecia pagamento de 0,3% a 1% para fortunas acima, em moeda atual, de R$ 100 mil. Agora, uma deputada do PSOL pretende ampliar as alíquotas para faixas que iriam de 1% a 5%, que incidiriam sobre fortunas a partir de R$ 1 milhão. É a ignorância econômica explicitada em números.

Em um momento em que o país carece de uma verdadeira reforma que reduza o astronômico número de tributos, diminua e simplifique alíquotas e promova o federalismo fiscal, é, francamente, de causar indignação ver nédios representantes do povo, dos trabalhadores e da burocracia incrustada em Brasília brincando de Robin Hood e declamando que pagar impostos seria "cidadania". Porque cidadania é exatamente o contrário: é controlar os gastos do governo e respeitar os contribuintes.

É lamentável que a burrice seja incansável e que campeie em nossas plagas...

N. R. Os "rola-bostas", também chamados de escaravelhos, são besouros da família dos escarabeídeos. Eles alimentam-se de fezes de animais e na época da reprodução enterram bolinhas de estrume para alimentar as larvas, que se criam sob o solo.


Ubiratan Jorge Iorio de Souza é Doutor em Economia pela EPGE/Fundação Getulio Vargas, ex-funcionário do Banco Central do Brasil, foi também articulista de Economia do "Jornal do Brasil" e do jornal "O DIA". Ubiratan Iorio tem cerca de quinhentos artigos publicados em jornais e revistas brasileiros, é Consultor em diversas instituições e já publicou os seguintes livros: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira", "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" e "Macroeconomia e Política Macroeconômica". Para saber mais sobre Ubiratan acesse seu site/blog pessoal "Ubiratan Iorio". E-mail: commenti@ubirataniorio.org




Publicado no "Jornal do Brasil".
Segunda-Feira, 10 de março de 2008.




OEA reflete vitórias colombianas contra as Farc – William Waack


Friday, December 08, 2006

Com esse "povinho" nunca seremos uma grande Nação.



























DESFIGURAÇÃO MORAL E ÉTICA DE UMA NAÇÃO DECADENTE
por Geraldo Almendra

"Não me pergunte o que é ainda, que eu não sei, e não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar, porque o país precisa crescer". Lula, depois das eleições.

O estelionato eleitoral de outubro de 2006 está sendo festejado com a união de oposições em torno do presidente reeleito. Não pode existir no processo político de um país, nada mais degradante do que o horror da aética e da imoralidade desta torpe coalizão que estamos presenciando, movimento antipatriótico que força uma covarde e absoluta maioria parlamentar a favor do fascismo populista, maioria muito maior do que as urnas permitiram.

O que temem os traidores do país que patrocinam a coalizão espúria para acabar com a oposição ao desgoverno petista?.

Estamos próximos da segunda posse do pior presidente da República que os eleitores já colocaram no poder, eleito e reeleito por dois sucessivos e grotescos estelionatos eleitorais, mentiras versus verdades e confirmação pública de mentiras, aceitos e validados por uma sociedade apática, acovardada, aética e imoral, que está entregando sua pátria pacificamente nas mãos de um latente Estado Comunista de Direito.

Um homem criado no laboratório da traição aos nossos sonhos de democracia e liberdade, e principal agente da entrega do nosso país nas mãos sujas de uma esquerda fascista, decadente e corrupta, irá assumir, pela vontade majoritária de um povo comprado com um projeto preservador da pobreza e motivador, por opção, da indolência paga com o dinheiro dos contribuintes, o poder absolutista da prostituição da política por mais quatro anos, consolidando o projeto de domínio do país pela oligarquia petista da gang dos 40, seus cúmplices e seus lacaios.

Desde o fim do regime militar que acompanhamos a infiltração, na sociedade organizada, especialmente na administração pública, de gente da pior espécie da decadência da política, corja disfarçada de adoradores do povo e promotores da “democracia”.

A infiltração dessa gentaça vermelha, no submundo da prostituição política nos corredores do poder público, objetivou, explicitamente, viabilizar um projeto de um socialismo mentiroso, com o fito de chegar ao poder perpétuo, autocrático e autoritário, com a mensagem estelionatária de um assistencialismo fascista, hipócrita, leviano e picareta.

A desqualificação do homem de Caetés, que após sua chegada ao poder presidencial, se apresentou, sem meios termos, como uma grotesca fraude humana e política, não se deve ao fato de ser um retirante apedeuta, pois existem milhares de pessoas humildes de mesma origem que carregam valores fundamentados na ética e na moralidade, muitos agindo apenas por instinto, fruto de uma índole pura de gente simples, honesta e não prostituída em seus valores humanos, mas levados à convocação marqueteira do aceite ao espúrio usufruto dos favores de um desgoverno corrupto e populista, que transforma, sem controle, a compulsória assistência social aos excluídos, em assistencialismo fascista comprador de votos.

O “arauto” dos nossos sonhos “de sermos felizes novamente” já demonstrou ser, na verdade, um digno habitante do lado mais permissivo e prostituído da política, em que a leviandade, a falsidade, a hipocrisia, a mentira, e as meias verdades voláteis dos seus “comícios” de uma campanha eleitoral que nunca termina, formam um espírito político maligno, um anticristo da política, que tem demonstrado um absoluto domínio maquiavélico do balcão de negociação com as prostitutas e os prostitutos das “Vitrines de Amsterdã”.

Sua desqualificação, enfim, se deve à traição de todos os princípios que devem nortear as ações de um presidente da República, um estadista, e acabou se apresentando como um espelho de uma histórica decadência moral e ética do país que, no seu caso, foi “autopermitida” em nome e na defesa de uma gang denunciada, formada por seus melhores amigos, construtores comuns e parceiros do maior engodo político da história do Brasil.

Não existe prova mais evidente da relativização espúria e da falência da Justiça no desgoverno petista, do que a impunidade de todos os que foram denunciados pelo Procurador Geral da República como a gang dos 40, tendo como boi de piranha, para livrar a cara do verdadeiro chefe da máfia da prostituição da política o deficiente mental, auditivo e mental, o seu antigo e poderoso “ex-primeiro-ministro”.

Os subprodutos mais pérfidos da degeneração política do nosso país são as prostitutas e os prostitutos das “Vitrines de Amsterdã”, merecido codinome para o Parlamento das Pizzas, cooptados com sinecuras públicas temporais ou permanentes no jogo sujo do corporativismo bandoleiro, com o poder consentido dos cargos públicos, e com bilhões roubados dos contribuídos, dinheiro maquiado com a sacanagem da denominação de “recursos não contabilizados”, com suas cotas algumas vezes entregues no meio de cuecas ou festas com garotas de programa pagas pelos palhaços e imbecis dos contribuintes.

Depois de tantos escândalos que continuam impunes à luz de uma Justiça relativista e inoperante no mundo da prevaricação no poder público petista, como cidadãos contribuintes que trabalham mais de cinco meses por ano para pagar seus impostos escorchantes, não enxergamos mais muitos dos que habitam os Poderes da República, no papel de qualificados representantes das lutas da sociedade por um país mais justo e mais digno, mas sim, como habitantes coniventes de um antro, de um covil de malfeitores, uma horda de prostitutos e prostitutas da política, uma camarilha de corruptos ou, simplesmente, ladrões e bandidos.

Muitos desses vândalos dos nossos sonhos de democracia e justiça social estão vendendo quase coletivamente suas “ideologias”, suas responsabilidades de defesa da cidadania, e seus escassos sentimentos de patriotismo, nos balcões de negociação das almas espúrias, com seus agentes espalhados nos corredores do submundo do sujo jogo do poder, um sórdido ambiente corporativista público-privado mais calhorda de nossa história, semeado em desgovernos anteriores, depois do regime militar, e trazido à tona na sua face mais maquiavélica e cruel na administração petista.


Geraldo Almendra é economista, consultor e professor de matemática.








Publicado no site Ternuma - Terrorismo Nunca mais.
Segunda-feira, 04 de dezembro de 2006.








"Freqüentemente a falsidade é a verdade deformada pelos patifes com o fim de usa-la como ardil para os tolos".
R. Kipling














 
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