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Sunday, June 26, 2011

BRASILEIROS: DEFORMADOS MORAIS CRÔNICOS !





Desonestidade é cultura
por João Ubaldo Ribeiro

Sempre se tem cuidado com generalizações, para não atingir os que não se enquadram nelas. Às vezes o sujeito odeia indiscriminadamente toda uma categoria, mas, ao falar nela e, principalmente, ao escrever, abre lugar para as exceções, os "não-são-todos" e ressalvas hipócritas sortidas. Outros recorrem a gracinhas, como na frase do antigamente famoso escritor Pitigrilli, segundo a qual "as únicas mulheres sérias são minha mãe e a mãe do leitor". No caso presente, decidi que as generalizações feitas hoje excluem todos os leitores, a não ser, evidentemente, os que desejem incluir-se - longe de mim contribuir para aumentar nossa tão falada legião de excluídos.

Antigamente, era muito comum ler ensaios e artigos escritos por brasileiros em que nós éramos tratados na terceira pessoa: o brasileiro é assim ou assado, gosta disso e não gosta daquilo. Em relação a maus hábitos então, a terceira pessoa era a única empregada. O autor do artigo escrevia como se ele mesmo não fizesse parte do povo cuja conduta lamentava. Até mesmo nas conversas de botequim, durante as habituais análises da conjuntura nacional, o comum era (ainda é um pouco, acho que o boteco é mais conservador que a academia) o brasileiro ser descrito como uma espécie de ser à parte, um fenômeno do qual éramos apenas espectadores ou vítimas. Eu não. Talvez, há muito tempo, eu tenha escrito dessa forma, mas devo ter logo compreendido sua falsidade e passei a me ver como parte da realidade criticada. Individualmente, posso não fazer muitas coisas que outros fazem, mas não serei arrogante ou pretensioso, vendo os brasileiros como "eles". Não são "eles", somos nós.

Creio que, feita a exceção dos leitores e esclarecido que estou falando em nós e não em inexistentes "eles", posso expor a opinião de que fica cada vez mais difícil não reconhecer, vamos e venhamos, que somos um povo desonesto. Não conheço as estatísticas de países comparáveis ao nosso e, além disso, nossas estatísticas são muito pouco dignas de confiança. Mas não estou preparando uma tese de mestrado sobre o problema e não tenho obrigação metodológica nenhuma, a não ser a de não falsear intencionalmente os fatos a que aludo e que vem das informações e impressões a que praticamente todos nós estamos expostos.

Claro, choverão explicações para a desonestidade que vemos, principalmente nos tempos que atravessamos, em que a impressão que se tem é de que ninguém é mais culpado ou responsável por nada. Há sempre fatores exógenos que determinaram uma ação desonesta ou delituosa. E, de fato, se é assim, não se pode fazer nada quanto à má conduta, a não ser dedicar todo o tempo a combater suas "causas". Essas causas são todas discutíveis e mais ainda o determinismo de quem as invoca, que praticamente exclui a responsabilidade individual. E, causa ou não causa, não se pode deixar de observar como, além de desonestos, ficamos cínicos e apáticos. Contanto que algo não nos atinja diretamente, pior para quem foi atingido.

Ninguém se espanta ou discute, quando se fala que determinado político é ladrão. Já nos acostumamos, faz parte de nossa realidade, não tem jeito. Alguns desses ladrões são até simpáticos e tratados de uma forma que não vemos como cúmplice, mas como, talvez, brasileiramente afetuosa. Votamos nele e perdoamos alegremente seus pecados, pois, afinal, ele rouba, mas tem suas qualidades. E quem não rouba? Por que todo mundo já se acostumou a que, depois de uma carreira política de uns dez anos, todos estão mais gordinhos e com o patrimônio às vezes consideravelmente ampliado? Como é que isso acontece rotineiramente com prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores, ministros e quem mais ocupe cargo público?

Os políticos, já dissemos eu e outros, não são marcianos, não vieram de outra galáxia. São como nós, têm a mesma história comum, vieram, enfim, do mesmo lugar que os outros brasileiros. Por conseguinte, somos nós. Assim como o policial safado que toma dinheiro para não multar - safado ele que toma, safados nós, que damos. Assim como o parlamentar que, ao empossar-se, cobre-se de privilégios nababescos, sem comparação a país algum.

Em todos os órgãos públicos, ao que parece aos olhos já entorpecidos dos que leem ou assistem às notícias, se desencavam, todo dia, escândalos de corrupção, prevaricação, desvio de verbas, estelionato, tráfico de influência, negligência criminosa e o que mais se possa imaginar de trambique ou falcatrua. E em seguida assistimos à ridícula, com perdão da má palavra, microprisão até de "suspeitos" confessos ou flagrados. A esse ritual da microprisão (ou nanoprisão, talvez, considerando a duração de algumas delas) segue-se o ritual de soltura, até mesmo de "suspeitos" confessos ou flagrados. E que fim levam esses inquéritos e processos ninguém sabe, até porque tanto abundam que sufocam a memória e desafiam a enumeração.

Manda a experiência achar que não levam fim nenhum, fica tudo por isso mesmo, porque faz parte do padrão com que nos domesticaram (taí, povo domesticado, gostei, somos também um povo muito bem domesticado) saber que poderoso nenhum vai em cana. E é claro que, por mais que negue isso com lindas manifestações de intenção e garantias de sigilo (como se aqui, de contas bancárias de caseiros a declarações de imposto de renda, algo do interesse de quem pode ficasse mesmo sigiloso), essa ideia de esconder os preços das obras da Copa tem toda a pinta de que é mais uma armação para meter a mão em mais dinheiro, com mais tranquilidade. Ou seja, é para roubar mesmo e não há o que fazer, tanto assim que não fazemos. Acho que é uma questão cultural, nós somos desse jeito mesmo, ladravazes por formação e tradição.


João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Iniciou no jornalismo trabalhando como repórter no Jornal da Bahia e, tempos depois, tornou-se editor-chefe do Jornal A Tribuna da Bahia. Com seu livro, Sargento Getúlio, de 1971, ganhou o Prêmio Jabuti. Morou nos EUA, em Portugal e na Alemanha. Participou de adaptações de textos seus e de terceiros para televisão e cinema e foi premiado e homenageado em várias partes do mundo. Atualmente assina textos semanais nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. É um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, autor de clássicos como Viva o Povo Brasileiro, que já superou a marca dos 120 mil exemplares vendidos e é membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu mais de 15 livros, traduzidos em 16 países.



Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" – (Cultura).
Domingo, 23 de junho de 2011.





CAPISCI MALEDETTO ? – Bootlead







Sunday, August 23, 2009

Andar "de quatro" será o nosso próximo estágio involutivo.
Falta pouco!






























De quatro
por João Ubaldo Ribeiro

De vez em quando eu olho aqui, olho acolá, leio o jornal do dia, vejo alguns noticiários de televisão e concluo que se, por exemplo, o governo decretasse que, de agora em diante, os cidadãos e cidadãs iam ter de ficar de quatro, enquanto estivessem em agências bancárias e repartições públicas, poderíamos esperar ver todo mundo engatinhando no dia seguinte, sem reclamar.

— Estamos baseados em estatísticas — explicará um porta-voz do ministério responsável. — Em média, os assaltos a bancos são iniciados com 86,6% dos clientes de pé, o resto sentado e nenhum de quatro. Por outro lado, não há registro de assaltos iniciados com os clientes de quatro. A mesma coisa com mau atendimento em repartições públicas, porque, entre as pessoas que ficaram de quatro nas filas do SUS, somente 23,8% deixaram de ser atendidas. Portanto, essa medida terá como efeito a redução drástica dos assaltos a bancos e do mau atendimento em órgãos públicos.

Claro, resta-nos alguma altivez e poderemos esperar protestos indignados.

Haverá passeatas e caras pintadas por todo o Brasil e, depois de manifestações ruidosas, as demandas dos rebelados serão atendidas. Ninguém pode ir contra a objetividade estatística e deixar de cooperar com a segurança e a tranquilidade públicas, de maneira que se negar a ficar de quatro estará fora de cogitação, mas o ministério se obrigará a fornecer luvas de couro e joelheiras gratuitas a todos os que tiverem de ficar de quatro. (E aí se fará a licitação para a compra desses equipamentos, vai ter subfaturamento, a Polícia Federal vai pegar três quadrilhas, sai no "Jornal Nacional" — e o resto da história já sabemos, todo mundo solto, o script habitual, mas isso já é outra conversa.) O pessoal se esquece, mas eu não — e prometi que volta e meia tocaria no assunto, só por ranhetice mesmo — daquele famoso kit de primeiros socorros para usuários de automóveis. Vocês se lembram, havia um ou mais itens dele que só eram fornecidos por um fabricante.

Ameaçados de sanções terrificantes, os donos de carros morreram em dez ou quinze pratas, não lembro bem, para comprar o kit. Deve ter sido um belo catado. Pouco depois, o governo anunciou que não era nada daquilo, realmente o kit era ainda pior do que kit nenhum e ficou tudo por isso mesmo.

Tenho certeza de que o dinheiro arrecadado foi todo destinado à melhoria das estradas do país. E ninguém protestou nem se recusou a pagar, não houve nem necessidade de enrolação enfeitada por números e percentagens pseudoestatísticas.

E assim vamos, cada vez mais protegidos pelo manto generoso do Estado e seu incansável governo. Suponho que, à luz (ou à sombra) de medidas como as tomadas contra o fumo, está implantada, ou começando a implantar-se, a noção de que o indivíduo é social e juridicamente responsável por sua saúde, nos casos em que não cuidar dela possa prejudicar outros ou onerar os serviços públicos. Por consequência, não somente fumar deve ser coibido como, talvez mais ainda, ingerir bebidas alcoólicas. O sujeito que bebe de forma contumaz está, é claro, minando seriamente sua saúde. Frequentemente, os bêbedos também matam ou aleijam inocentes, que não têm nada a ver com a cachaça alheia. E não somente os bêbedos adoecem assim. Quantos pais de família irresponsáveis não ingerem produtos tidos (e como tal provados por "estatísticas") como cancerígenos, ou causadores de entupimento nas artérias, e por aí vai? Diante da confusão criada por esse quadro, caberia ao Estado, mais cedo ou mais tarde, definir o que é saúde.

Não sei que rumos tomaria tal empreitada, mas, com certeza, certos grupos, não apenas fumantes e alcoolistas, seriam punidos, como os gordos. Ou os que se recusam a fazer exercícios físicos.

Não descarto a hipótese de um imposto especial sobre as grandes gorduras (o popular carnê-barriga) ou a contribuição permanente de indolência física.

Para não falar na saúde mental, que compõe o quadro geral da higidez.

Imagino que, num futuro que espero ainda remoto, poderá ser declarado maluco quem não apoiar o governo. Sei que pensam que maluco sou eu, quando imagino esse tipo de coisa, mas basta recordar a internação, em hospitais psiquiátricos, de dissidentes de regimes do tempo da Cortina de Ferro.

Mais proximamente, antevejo medidas contra a depressão, seguramente um sério problema de saúde. Não custará nada proibir livros, peças, filmes e músicas que possam levar à depressão ou a sentimentos, em última análise, deletérios para o equilíbrio mental e emocional e, deste modo, para a saúde. De novo, maluco sou eu, mas me lembro do nazismo, que, afinal, não está tão distante assim e nunca realmente deixou de existir.

As mais novas providências para nos proteger acabam de ser tomadas em relação às farmácias. As normas, pelo que sei, são iguais para todas as farmácias, não importa se na menor das cidades ou numa grande capital. O ímpeto inovador do Estado faz com que ele veja as farmácias das pequenas cidades remotas sob a mesma ótica que as grandes cadeias, nas áreas metropolitanas.

Nem mesmo fazer as vezes de agência bancária onde não existe nenhuma vai ser possível para as farmácias.

Enfim, teremos farmácias — as que sobrarem depois das novas medidas e acho que em Itaparica não vai restar nenhuma — de Primeiro Mundo.

Sim, os nossos principais problemas em relação a farmácias são a venda de remédios sem receita e a automedicação com a ajuda dos balconistas. Nenhum deles vai ser, nem de longe, resolvido pelas novas regras, mas, como eu digo sempre, não se pode querer tudo neste mundo e com má vontade é que não se vai para a frente. Quando pensei no exemplo dos quatro pés, não achei que era uma metáfora, mas agora estou achando.


João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Iniciou no jornalismo trabalhando como repórter no Jornal da Bahia e, tempos depois, tornou-se editor-chefe do Jornal A Tribuna da Bahia. Com seu livro, Sargento Getúlio, de 1971, ganhou o Prêmio Jabuti. Morou nos EUA, em Portugal e na Alemanha. Participou de adaptações de textos seus e de terceiros para televisão e cinema e foi premiado e homenageado em várias partes do mundo. Atualmente assina textos semanais nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. É um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, autor de clássicos como Viva o Povo Brasileiro, que já superou a marca dos 120 mil exemplares vendidos e é membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu mais de 15 livros, traduzidos em 16 países.


Publicado no jornal "O Globo".
Domingo, 23 de agosto de 2009.




ONDE ESTAIS "LEÔNIDAS"? – Ministro Olympio Pereira da Silva Junior






Tuesday, May 05, 2009

OBAMA: O ANTICRISTO E SEUS "TUTORES" SATANISTAS
(Clube de Bilderberg – CFR – Comissão Trilateral).

Filme: "The Obama Deception" (Versão Integral – Legendado)

Click no botão PLAY (4) para ativar o vídeo.
Obs: Caso o download esteja lento ou intermitente, click no botão PAUSE (;), aguarde alguns minutos e então pulse o PLAY novamente.



A FRAUDE OBAMA – DESMASCARADA

O filme "The Obama Deception" é um duro golpe, que destrói completamente o mito de que Barack Obama está trabalhando pelos interesses do povo norte-americano.

O fenômeno Obama é uma farsa cuidadosamente concebida pelos comandantes da Nova Ordem Mundial.

Ele está sendo empurrado como um salvador, na tentativa de que povo americano aceite a escravidão global.

Chegamos a um momento crítico dos planos da Nova Ordem Mundial. Não é sobre a esquerda ou a direita: Trata-se de um Governo Mundial. O plano dos bancos internacionais para saquear o povo dos Estados Unidos da América e transformá-los em escravos de uma Colônia Global.

Este filme abrange: Quem trabalha para Obama, o que ele disse e qual é a sua verdadeira agenda. Se você quer conhecer os fatos e suprimir os exageros, este filme é para você.

Asista "The Obama Deception" e entenda como:

– Obama é a continuação do processo de transformar a América em algo semelhante à Alemanha nazista, com o Serviço Nacional forçado, espiões civis, desgarantia do sigilo nas comunicações, destruição da Segunda Emenda, acampamentos da FEMA e implantação da lei marcial.

– Os manipuladores de Obama estão anunciando abertamente a criação de um novo Banco Mundial, que dominará todas as nações da terra através das taxas de carbono e de uma força militar.

– Os banqueiros internacionais engendraram propositadamente o colapso financeiro mundial para provocar a falência de todas as nações do planeta e implantar o Governo Mundial.

– Os planos de Obama para saquear a classe média, destruir aposentadorias e pensões e federalizar os estados para que a população se torne totalmente dependente do Governo Central.

– A Elite Global está usando Obama para acalmar a opinião pública e para que possam conduzir a União Norte-Americana furtivamente, lançando uma nova Guerra Fria e continuando a ocupação do Iraque e do Afeganistão.

As informações contidas neste filme é vital para o futuro da República e a liberdade em todo o mundo.

O presidente Barack Obama é apenas o instrumento de uma agenda maior. Até que todos sejam informados, a humanidade continuará prisioneira dos mestres da Nova Ordem Mundial.

A verdade agora irá contra-atacar Obama e seu sindicato do crime!

O filme "The Obama Deception", foi produzido e dirigido por Alex Jones de "INFOWARS.COM".

*Agradecemos ao amigo do GG, Socrates Bonfiglio pela pertinente recomendação do vídeo "The Obama Deception".


















































CEM DIAS DE OBAMA
por José Nivaldo Cordeiro

"Não é a economia estúpido, a propaganda é a alma do negócio em política", poderíamos cinicamente arremedar a frase de James Carville,marketeiro de Bill Clinton, referindo-se ao inicio do governo de BarackObama. Mais que arremedar, corrigir. O fator econômico só tem relevância dentro do contexto de normalidade, que defino como sendo a certeza razoável que se pode ter de haver, nos próximos meses, a repetição dos meses anteriores, sem grandes alterações e nem fatos novos que redefinam a vida cotidiana.

Vivemos tudo, menos isso. Os cem primeiros dias de Obama no poder foram acompanhados de problemas econômicos de toda ordem, desemprego, descontrole na oferta de moeda, bailouts atabalhoados e uma caminhada sem paralelo histórico no rumo da estatização da economia, conforme matéria publicada no Estadão de hoje. Em resumo, nada a comemorar, tudo a lamentar. No mesmo Estadão podemos ler que em abril pela primeira vez na história os EUA perderam a liderança como parceiro comercial do Brasil, tendo a China tornado-se nosso maior mercado importador. Uma relação de causa e efeito direta da crise daquele país e das maluquices de política econômica posta em prática por Obama.

E, todavia, a popularidade do líder dos EUA não dá sinais de deterioração.

O fato novo fundamental que tivemos é o desaparecimento do frenesi propagandístico contra os EUA da esquerda militante na mídia, como por um passe de mágica. É como se a guerra no Iraque tivesse acabado, como se EUA não estivessem onde sempre estiveram. Os jornais mudaram sua pauta para uma nova agenda. O frenesi de propaganda contra Bush deu lugar a uma placidez impressionante e a uma tolerância irrestrita para com Barack Obama, cada vez mais pop star. No lugar da malhação do Judas americano apareceu toda sorte de nota apologética ao novo governante, cada vez mais retratado como um salvador do mundo.

Não surpreende que até tenham inventado o falso pânico da gripe suína, que mobilizou a atenção da opinião pública mundial. Claro, o preço foi matar a indústria turística do México por algum tempo. Um mero factóide, mas devastador para a economia mexicana. Fiquei com a impressão que esse fato foi explorado precisamente para desviar a atenção da opinião pública mundial para o desastroso balanço dos cem primeiro dias deObama. Uma análise fria mostrará que seu governo tem sido um rotundo fracasso e que não se pode enfrentar a realidade com retórica vazia. Os fatos atropelam os incompetentes e os despreparados. E os mal intencionados também.

A propaganda só pode ser a alma do negócio por algum tempo, pois não se pode enganar a todos por todo o tempo. Essa mudança nos destinos das exportações brasileiras não é fato isolado, a China de fato tem se agigantado, ocupando o vácuo da outrora pujante economia norte-americana. Penso que essa mudança é estrutural e permanente, redefinindo o jogo de poder mundial. Enquanto os EUA não voltarem ao leito correto da economia de mercado, acabando com os privilégios de aposentados, de parasitas do Tesouro e da regulação estúpida das trocas internacionais, "protegendo" seu mercado interno, a crise só irá se agravar. Enquanto não cuidarem bem se sua própria moeda, o dólar será paulatinamente expulso do mercado mundial como meio de troca. A pirotecnia propagandista não produzirá uma realidade melhor e nem esconderá por muito tempo as mazelas. O povo americano está empobrecendo com muita rapidez.

Obama assumiu, mas não saiu do palanque. Vive de bravatas e frases feitas, como um Sancho Pança governando uma ilha da fantasia. A decadência americana será rápida, sob esse falso líder, esse animador de auditório, esse Chacrinha da política. Um ciclo histórico está sendo concluído.


José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas".



José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP e editor do site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado". E-mail: nivaldocordeiro@yahoo.com.br

Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Domingo, 03 de maio de 2009.














































Cem dias de governo Obama foram uma "abominação", diz acadêmico conservador
entrevista por Daniel Buarque

Jerome Corsi é autor de "Obama nation", crítica lançada antes da eleição. Ele diz que presidente está levando país rumo ao socialismo.

A previsão do acadêmico conservador norte-americano Jerome Corsi para o futuro do país estava no título do livro lançado meses antes da eleição presidencial do ano passado no país. "The Obama nation" (Nação Obama) lido rapidamente soava como "abomination", abominação. Por mais radical que fosse contra o então candidato democrata, e por mais que tenha sido amplamente rejeitado pela mídia do país, Corsi assistiu aos primeiros cem dias da nova administração se sentindo "vingado": "Eu estava certo", disse.

"Os primeiros cem dias do governo Obama provam que eu estava certo no que escrevi em meu livro. Temos uma presidência de extrema-esquerda, que está guiando o país rapidamente rumo ao socialismo", explicou. Para ele, "o governo Obama é uma abominação", no sentido de uma coisa terrível, que vai levar o país a ter uma economia menor, menos força militar, e todos vão viver de forma pior em meio a uma longa depressão piorada por decisões do governo.

"Vamos acabar com uma economia diminuída, já que o governo Obama não vai conseguir acabar com a crise, e os planos do presidente vão intensificar a recessão. Além disso, vamos ficar enfraquecidos militarmente. Obama está seguindo uma política externa de pedidos de desculpas em diferentes países do mundo, o que não acho eficiente para manter nosso país seguro. Isso demonstra fraqueza e ingenuidade. Isso tudo estava previsto no meu livro, que foi recusado como propaganda quando o publiquei", disse ao G1, por telefone, após ser questionado sobre o que achava das políticas do novo presidente dos Estados Unidos.

Ao completar seu argumento, Corsi se diz preocupado. Segundo ele, já há protestos pelo país contra Obama, e não apenas em movimentos incentivados pelo partido republicano. "A população está insatisfeita com o aumento dos impostos e com o programa de redistribuição do presidente. Isso é algo que Obama tenta ignorar, mas que claramente está deixando as pessoas insatisfeitas."

Popularidade

O acadêmico admite que popularidade de Obama continua alta, mas alega que ela já caiu bastante desde que o presidente assumiu, em 20 de janeiro. "A obamamania já está mudando. Obama se comporta como se estivesse eternamente em campanha. Ele aparece todos os dias na televisão, fazendo discursos de campanha e se expondo demais. Enquanto a economia continua a piorar, as pessoas estão ficando cansadas da campanha e querem ver Obama agir. Mais cedo ou mais tarde, as pessoas vão começar a culpá-lo por manter a economia em queda. Obama está repetindo erros cometidos por Bush, e não está resolvendo nossa crise econômica."

Para ele, a aprovação do governo só não caiu ainda mais porque a mídia norte-americana continua protegendo o presidente. "Eles preferem se preocupar com o que a primeira-dama veste, em comparações entre Obama e Kennedy, e não fazem críticas a suas decisões políticas." A maioria da população norte-americana, entretanto, diz, está longe disso. Sua preocupação é com a manutenção do emprego, com a recuperação econômica, e é isso que Corsi acha que vão cobrar do presidente.

O chamado "caso de amor" da mídia com Obama é usado pelo acadêmico também para refutar as críticas que "Obama nation" recebeu quando foi lançado, em agosto do ano passado. Apesar de ter se tornado rapidamente um dos livros mais vendidos no país, a obra de Corsi foi criticada por quase todas as publicações independentes. "New York Times", "Los Angeles Times", Associated Press, "Time", "Newsweek", "Guardian", CNN, "Independent" e Politifact, além de muitas outras publicações, atacaram veementemente o livro como uma obra de propaganda, obra de teoria da conspiração e chamaram o autor de preconceituoso.

"Os ataques a meu livro tinham interesses políticos. Eles falam que rebateram minhas informações, mas não conseguem provar que estou errado. Meu livro tinha pouquíssimos erros, e nenhum deles muito grande. Eu já previa que ele não iria governar do centro político, mas da extrema esquerda, e que iria tentar redistribuir a renda da população, e é isso que ele está fazendo, nos levando ao socialismo. Meu livro está sendo comprovado pelo governo Obama, ao contrário do que a mídia disse em críticas a meu trabalho. Eu continuo defendendo o que escrevi", disse Corsi, durante a entrevista.

Otimismo

Apesar das fortes críticas, Corsi nega que esteja torcendo para o governo fracassar, como admitiu fazer o radialista Rush Limbaugh, principal porta-voz da oposição à Presidência de Barack Obama. O único problema, diz, é que acha impossível ele ser bem-sucedido continuando o rumo demonstrado até agora.

"Quero que Obama seja bem-sucedido, mas acho que ele precisa ser pragmático e desistir dos planos quando eles não funcionarem. Queria que ele deixasse a abordagem ideológica da economia de lado e trabalhasse de forma a ter sucesso", disse, alegando que não é republicano e que também criticou o governo Bush. "Ficaria feliz se todas as minhas previsões no livro estivessem erradas e o governo Obama fosse bem-sucedido, mas não acredito que isso vá acontecer com estas políticas de extrema-esquerda."

Em meio a tantas críticas, entretanto, ele consegue ver um lado positivo nas decisões tomadas pelo presidente nestes primeiros cem dias de governo. O fato de Obama não ter retirado as tropas do Iraque imediatamente e de ter aumentado a presença militar no Afeganistão foram uma surpresa positiva para ele nesses primeiros meses de governo. "Estou feliz por ele não ter abandonado os esforços que já foram feitos na região."

Além do forte ataque a Obama, Corsi já havia se tornado uma figura célebre nos Estados Unidos por conta de outras publicações bombásticas. Em 2004, um livro sobre a participação do então candidato democrata John Kerry na guerra do Vietnã foi apontado como um dos responsáveis pela reeleição de George W. Bush.

O próximo trabalho, contou, vai ser publicado em outubro, e vai se chamar "America for sale" (América à venda). Segundo ele, trata-se de uma análise da globalização no mundo atual e como Obama se comporta nela. "Obama é um globalista, como Bush foi. Isso é o que acho que vai levar ao colapso da economia americana, transformando o que poderia ser revertido em um ou dois anos em uma longa depressão."


Publicado no site do "G1" - SãoPaulo.
Quinta-feira, 30 de abril de 2009.




PEDIDO DE DESCULPAS – Gen Valmir Fonseca Azevedo Pereira





OBAMA: O ANTICRISTO E SEUS "TUTORES" SATANISTAS

Wednesday, November 26, 2008

E o "pato manco" no "comando" diz: Calma gente! É só uma marolinha...

















































OS TOPA-TUDO SEM DINHEIRO
por Maria Lucia Victor Barbosa

Enquanto diminui o PIB e o consumo norte-americanos, e países de economia forte entram em recessão, o presidente Luiz Inácio e sua possível sucessora para 2010, Dilma Rousseff (Casa Civil), insistem no fato de que o Brasil não será tão afetado pela crise mundial, que nossas instituições são fortes, que aqui enfrentamos apenas uma "marolinha", uma "gripezinha".

No afã de contornar a questão econômica com a poção mágica da política, o governo lançará uma campanha visando estimular o consumo para tentar manter a produção. Para tanto, a propaganda governamental terá um slogan que afaga o ego nacional com pinceladas de auto-estima: "O mundo confia no Brasil e o Brasil confia nos Brasileiros". A ordem é consumir e o governo promete que o crédito continuará fácil e abundante, mas não são mencionados os altos juros e os impostos escorchantes.

Do alto de prestígio o presidente da República recomenda que seus filhos amados não deixem de comprar "sua casinha, seu carrinho, seu primeiro sutiã". Luiz Inácio se coloca outra vez como animador de auditório e brada aos quatro ventos do palanque eletrônico da TV: "Quem quer dinheiro?"

Sem medo e felizes, os topa-tudo sem dinheiro acorrem às lojas em busca de um esplendoroso Natal. Não interessa a inadimplência. Não importa se depois chegará janeiro com impostos e aumentos, inclusive, da escola dos filhos. A ordem do dia é gastar, comprar o máximo de sutiãs que se puder.

Há de se convir, entretanto, que a retórica de Luiz Inácio, suas arengas que procuram atritar ricos e pobres, negros e brancos, suas metáforas futebolísticas, sua imagem cuidadosamente trabalhada no modelo pobre operário, seus ataques á língua pátria, seu contínuo festival de besteiras chamadas eufemisticamente de gafes, nada disso, enfim, é espontâneo ou aleatório, mas faz parte da propaganda que sempre intensificou o culto da personalidade. Um culto diga-se a bem da verdade, que vem ao encontro da mentalidade de um povo sequioso por um salvador da pátria e que por formação histórica gosta de ser tutelado pelo pai Estado. Mais ainda, o sinal verde para a gastança está de acordo com a índole do brasileiro que, de modo majoritário, nunca foi muito de planejar suas finanças, mesmo porque, parece sentir prazer em gastar mais do que pode, de se endividar, na medida em nosso país os endividados têm vantagens muito maiores em suas negociações do que aqueles que corretamente pagam em dia. Certamente, por contas dessas características, um homem que fazia compras na Rua 25 de Março respondeu ao jornalista que lhe perguntava sobre a crise: "crise, que crise?".

Dirão alguns que o governo está no caminho certo porque também os Estados Unidos apontam para o aumento de crédito, incentivo ao consumo e ao emprego, diminuição de impostos. Existem, porém, algumas abissais diferenças entre o governo norte-americano e o nosso. Para começar, aquele não é perdulário. E enquanto nos Estados Unidos se paga 8% de juros ao ano no cartão de crédito, nosso cheque especial alcança 170% de juros anuais. No mais, se o governo pensa em abaixar impostos, logo esse governo sedento por arrecadações cada vez maiores, no momento a idéia não passa uma boa intenção ou de um factóide bem político. Melhor ficar como São Tomé e ver para crer.

Atente-se também para o fato de as informações dos jornais não são tão róseas quanto as "boas notícias" que aparecem nas TVs ou nas palavras do presidente e de seus auxiliares. Em cadernos de economia dos principais jornais do país se pode ler, entre várias outras análises e notícias, que nossa balança comercial em números de novembro já reflete a desaceleração do ritmo do comércio mundial, principalmente no que diz respeito às exportações que caíram 21%. Acrescente-se que de julho à primeira quinzena de novembro os preços das principais matérias-primas desabaram, em média, 42%, em dólar, segundo o índice CRB Reuters/Jefferies, sendo que as matérias-primas respondem por 65% das exportações. Além do mais, a recessão nos países mais ricos está provocando o cancelamento das exportadoras brasileiras. Esses fatores limitam o interesse por novos investimentos e afeta as contas externas.

A desaceleração da economia mundial ainda não foi sentida plenamente no Brasil e o povo continuará a gastar e a perguntar: "Que crise? O governo aposta nas bolsas-esmola e no aumento do salário mínimo, mas a classe média já começa a sentir o baque. A inadimplência aumentou, o comprometimento da renda subiu de 34% em setembro a 36% em outubro e com isto o calote.

Sem medo de ser feliz Luiz Inácio vai surfando na "marolinha", enquanto montadoras e empresas começam a dar férias coletivas e demitir. Indústria, agricultura, comércio, construção civil e até o governo sabem que em 2009 não haverá apenas uma "gripezinha". Portanto, é preciso certa cautela nossa, os topa-tudo sem dinheiro, na hora de comprar sutiãs. Afinal, tudo indica que acabou o tempo em que se comprava nessa vida e se terminava de pagar em outras encarnações.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Quarta-feira, 26 de novembro de 2008, 18h08.





























América Latina - Em Busca do Paraíso Perdido

Por volta de 1500, o novo continente representou para os conquistadores e para toda a sociedade européia a descoberta do paraíso perdido, onde se encontraria a fonte da juventude,riquezas fabulosas e criaturas sem pecado. No entanto, a colonização da América latina não foi nenhuma experiência paradisíaca; muito ao contrário. Mas afinal, o que é a América Latina? Por que tanto subdesenvolvimento, corrupção, populismo neste enorme continente de sociedades desiguais?

Para obter respostas, Maria Lúcia Victor Barbosa se lançou numa "viagem" de investigação para " redescobrir a América" a partir de sua essência cultural, de seu desenvolvimento histórico e de suas características políticas.

"Navegando" pelas confluências do poder político do Estado e da Igreja, na península ibérica na segunda metade do Estado e da Igreja, na península ibérica na segunda metade do século XV, Maria Lucia constatou que os latino-americanos foram forjados pela cruz e pela espada, pelas atividades, valores e dinâmica social de Portugal e Espanha.

Em busca da personalidade da América Latina, a autora também realizou uma instigante análise do desenvolvimento religioso, social, político e cultural da Argentina e do Brasil, do descobrimento até os dias de hoje.
Compreender o que fomos para saber quem somos, esta é a proposta de Maria Lucia Victor Barbosa neste ensaio que procura conhecer melhor a América Latina através de seus próprios valores, atitudes, visão de mundo e exercício do poder.

Sem dúvida, este trabalho onde a autora reúne a seriedade científica a um estilo literário envolvente, se converteu numa leitura obrigatória para aqueles que se interessam em remontar os fatos que fizeram da América Latina o que ela é hoje: "Este amontoado de espelhos partidos". Sociedades forjadas na coragem desmedida do colonizador e na sua crueldade e intolerância, condicionadas desde antigas eras por civilizações piramidais e teocráticas com seus altares ritualísticos manchados de sangue, plasmadas no espírito da Contra-reforma, na cobiça e na aventura, feitas de contraste e da audácia dos conquistadores. Sociedades ainda em busca de si mesmas e do paraíso perdido, tão parecidas entre si por serem fragmentos de um espelho que se partiu.

Saiba mais sobre o livro "América Latina - Em Busca do Paraíso Perdido" e de sua autora, clicando AQUI.




Como lidar com pato manco – Mauro Chaves




E o "pato manco" no "comando" diz: Calma gente! É só uma marolinha...

Saturday, November 18, 2006

O único remédio é a pena de morte!










































O Brasil está muito doente. Mas de corrupção.
por Tsuli Narimatsu

A corrupção é um comportamento endêmico no Brasil, alerta a psicóloga Denise Ramos, coordenadora de pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP. Convidada a fazer parte de um estudo mundial sobre "Traumas Culturais", a pesquisadora passou a analisar o Brasil como se fosse um paciente. E descobriu por que elegemos políticos desonestos toda a vez que vamos às urnas.

"O País está todo doente. É preciso entender o que nos leva a corrompermos e sermos corrompidos" , diz ela. A pesquisadora destaca que esse mal comportamento não se restringe aos políticos e bandidos. "Abrange também o homem comum que dá uma gorjeta para o guarda para se livrar da multa, ou passa na frente do outro na fila".

"Proteção" – Do ponto de vista psicológico, os brasileiros – disparadamente à frente de outros povos – recorrem à corrupção como forma de proteção. "Somos uma Nação de órfãos", explica a psicóloga. "Os primeiros brasileiros não eram aceitos pelo pai português, por serem bastardos, nem pela mãe índia, pois não eram puros".

Um fator complicador que ajudou a desenvolver essa patologia nacional foi a intenção com a qual o País foi colonizado. "Os portugueses vieram retirar riquezas para pagar a dívida com a Inglaterra. Não houve um projeto de construção de nação. Só de exploração", lembra Denise Ramos. Esta verdade histórica, por sua vez, acabou agravada pelo período de escravização.

Caráter – "Nossos pais, se índios ou negros, eram marginalizados. Se portugueses, nos rejeitavam". A combinação resultou num povo que vive um dia de cada vez, sem pensar no futuro, e que tinha como modelo os estrangeiros que aqui vieram para levar sempre a melhor em tudo. Resultado: "um país com baixa auto-estima, que ri da burrice dos portugueses, não se valoriza nem valoriza o que faz".

O brasileiro, órfão, teve então dois caminhos a seguir: espelhar os que vinham de fora com a missão de fazer a retirada das riquezas ou buscar retaguarda entre aqueles que detinham poder e trocavam proteção por obediência. "Há uma relação de permissividade entre políticos e eleitores. Eles pensam: vamos ajudar a eleger este porque ele é esperto e nos protege". Esse sentimento, segundo Denise, mostra o menosprezo do brasileiro pela confiança em si próprio.

"Quem tem orgulho de si mesmo não se permite corromper", afirma a psicóloga. Infelizmente, a cada eleição, os brasileiros se submetem a um novo pacto de silêncio permissivo. "Os líderes políticos corruptos têm um protecionismo afetuoso. Adhemar de Barros tratava todo o mundo como filho. O Maluf também. Eles inibem a queixa de um possível denunciante porque o protegem", analisa Denise.

Neurose – Observar o trato dos políticos em períodos de campanha é uma tática interessante para detectar a complexidade desta relação. Olho no olho, crianças no colo, sorrisos e carinhos. Promessa de cargos ou de resolução de problemas. Nossa história, segundo a psicóloga da PUC-SP, é também repleta de figuras autoritárias que também preencheram a lacuna do 'pai' ausente.

Os políticos, na avaliação da psicóloga, são na verdade o sintoma da cultura que aceita socialmente os pequenos delitos. E só condena com base no teor dos recursos envolvidos. "Eles também são vítimas desse padrão nacional de comportamento. Alguns chegam à neurose porque o que já roubaram não poderão consumir ao longo da vida. E, mesmo assim, continuam roubando".

Carnaval – Os brasileiros em geral, caracterizados por um forte complexo de inferioridade – ainda que inconsciente – vez ou outra lutam para fugir desse sentimento. E é nesse conflito que surge a prova de que o País poderia ser bem diferente se adotasse uma postura honesta. "Pode reparar, no Carnaval não há corrupção (no sentido da organização humana dentro do espetáculo). Aquela gente toda se reúne, pobres, ricos, brancos, negros, estrangeiros, bandidos, trabalhadores de bem, todos desfilam, pagam a fantasia, respeitam os regulamentos, os horários, as políticas internas de cada escola de samba e ensaiam à exaustão. A capacidade de transformação e organização do brasileiro expressa em épocas como o Carnaval e a Festa de Parintins (AM) mostra que se ele tiver algo para se orgulhar, para se valorizar, muda de comportamento".

Pesquisa – O estudo elaborado por Denise Ramos e pesquisadores de outros países foi transformado no livro "The Cultural Complex" (Editora Routledge, EUA, 2004). Ao lado do Brasil, outros países são analisados historicamente como se fossem um paciente no divã. Investigação esta que considera a origem e a relação de 'pai' e 'mãe' para a construção do caráter social e seus arquétipos. O trabalho realizado nos EUA, por exemplo, analisa a influência do puritanismo na problemática do racismo. O ímpeto patológico de querer dominar o mal a qualquer custo, acabou na construção da maior indústria exportadora de pornografia do mundo. Em Israel, os psicólogos procuraram detectar o trauma coletivo da disputa entre israelenses e árabes palestinos. No México, a patologia nacional é a traição e o boicote a si mesmo.

O tratamento desses traumas coletivos, segundo Denise, é recontar a história dessas nações de modo a fazer com que o povo adquira consciência – trabalho este que ela já está desenvolvendo no Brasil e quem em poucos anos será implementado em caráter experimental em algumas escolas. Os demais países seguem o mesmo caminho. Todos no divã


Tsuli Narimatsu é jornalista e integra a equipe de repórteres do jornal "Diário do Comércio".

Publicado no jornal Diário do Comércio.
Sábado, 18 de novembro de 2006.


 
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