Showing posts with label Crise. Show all posts
Showing posts with label Crise. Show all posts

Thursday, December 11, 2008

Afastem-se que o "presidemente" vai "discursar"!
Um microfone nas mãos, muita merda na cabeça e sai de baixo, senão...

Fotomontagem: © by Bootlead 2008
































Como ser popular no Brasil moderno
por Augusto Nunes

O presidente Lula atribui o alto índice de popularidade à linguagem que usa. "Falo diretamente ao coração do povo", explicou. A colagem a seguir reúne uma reduzidíssima parcela dos melhores momentos do improvisador infatigável.

Minha mãe foi uma mulher que nasceu analfabeta. Então, eu já nasci no meio de uma crise, porque era filho de mãe pobre e sem marido. Outra crise foi quando conheci meu pai, porque ele estava casado com outra mulher. Crise é comigo mesmo. Essa agora pode ser um tsunami longe daqui, aqui vai ser uma marolinha. Tem gente que não gosta que eu sou otimista. Se vocês fossem médico e tratassem de um doente em situação grave, o que falariam pra ele? Dos avanços da medicina ou diriam: "meu, sifu"?. O chato é que a gente trabalha feito um disgramado e aí vem a turma do cassino arrumar problema.

Um dia acordei invocado, telefonei pro Bush e disse: Bush, meu filho, cuida da tua crise, porque não vou deixar ela atravessar o Atlântico. A crise elegeu pra presidente o primeiro americano negro. Acho que vou me dar bem com o Obama. Passei muitos anos achando que ser antiamericano era não beber Coca-Cola, depois fui ficando mais maduro e percebi que, quando a gente levanta de madrugada, e tem uma Coca-Cola gelada na geladeira, não tem nada melhor. Na conversa com o Khadaffi, contei que o Brasil ficou um tempão sem conversar com a Líbia porque os americanos não gostavam dos libaneses.

O Obama tem que cuidar da crise e acabar com o embargo de Cuba. Não precisa estudar em Harvard pra governar melhor que os outros. É a primeira vez que o Brasil tem um presidente e um vice que não têm diploma universitário. Isso não é mérito, mas é histórico. Fiz em cinco anos o que não tinham feito em 500. Pernambucano não deixa pra depois. Na primeira noite de casamento engravidei minha galega.

Nunca antes neste país existiu um presidente como eu. Eu sempre falei a língua do povo. O resto a gente aprende. É importante falar onde o povo está, como foi num dia em que fui falar de biodiesel no Nordeste, quando eu expliquei: vim aqui trazer uma mensagem positiva que já falei na fábrica porque pensei que vocês estavam lá, e se eu soubesse que vocês estavam aqui não tinha feito o discurso lá, tinha feito aqui.

Não adianta falar com essa gente que vive torcendo todo santo dia pra que dê tudo errado no governo do operário nordestino que virou presidente. Todo santo dia vem uma acusação sem prova contra amigo ou parente do Lula. Brasileiro é a favor do combate à corrupção nos outros, não nele.

Presidente tem de viajar bastante, me orgulho de ser um camelô do Brasil, que só não faz fronteira com Chile, Equador e Bolívia. É um aprendizado lascado. Em qualquer lugar do mundo que eu vou, eu tenho que levar flores ao túmulo do herói nacional. No Brasil não tem. O Panamá conheço só de dormir. Sempre que eu ia a Cuba, tinha que dormir uma noite lá. De avião, o mundo ficou pequeno. Até falei pro presidente do Gabão que o Atlântico é apenas um rio caudaloso, de praias de areias brancas, que une os países.

A imprensa fica vigiando pra ver se faço alguma coisa errada. Prestam mais atenção no papel que joguei no chão, no cigarro que fumei escondido, nem escuta o discurso. Se estou com uma dor no pé, não posso nem mancar, para não dizerem que estou mancando porque estou num encontro com os companheiros portadores de deficiência. Os companheiros deficientes não querem ser chamados de coitadinhos. Está cheio de gente que tem duas pernas, duas mãos, enxerga com os dois olhos e tem deficiência que o mundo inteiro não conserta.

Do que gosto mesmo é de um improviso, falo sobre qualquer coisa sem dificuldade, graças a Deus. Numa vez que falei de doença mental, falei que isso não deve ser difícil para ninguém. Sabemos que o problema não atinge apenas os que já foram identificados como pessoas com algum problema de deficiência, porque a dura realidade é que todos nós temos um pouco de louco dentro de nós. Quem não acreditar, é só fazer uma retrospectiva do seu comportamento pessoal nos últimos 10 anos.

Quando me aposentar, não vou pra Harvard, nem quero ganhar dinheiro fazendo palestra. Volto pra São Bernardo, pra ficar com meus amigos do sindicato. Vocês, quando se aposentarem, têm que procurar alguma coisa pra fazer. Ficar em casa só atrapalha o resto da família.


Augusto Nunes da Silva é jornalista, nascido em Taquaritinga, interior de S. Paulo, foi redator-chefe da revista Veja, diretor de redação das revistas Época e Forbes e dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora. Foi também apresentador do programa Roda Vida, da TV Cultura. Augusto Nunes escreveu diversos livros, entre os quais: "Minha Razão de Viver - Memórias de um Repórter" (livro de memórias de Samuel Wainer), "Tancredo" (biografia de Tancredo Neves), "O Reformador: um Perfil do Deputado Luís Eduardo Magalhães" e "A Esperança Estilhaçada", sobre a atual crise política, entre outros. É um dos personagens do livro "Eles Mudaram a Imprensa", da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que selecionou os seis jornalistas mais inovadores dos últimos 30 anos, além de ter ganho por quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Atualmente é colunista do Jornal do Brasil e do jornal Gazeta Mercantil, além de apresentador do programa "Verso & Reverso" da TVJB.


Publicado no jornal "Jornal do Brasil" (Coisas de Política).
Quarta-feira, 10 de dezembro de 2008, 02h00.




Lula surfando na marolinha.
por Carlos Alberto Cordella

O presidente Lula parece não ter limites. A cada discurso ele se supera. A platéia vai ao delírio. Apupos retumbam endossados pelas gargalhadas e mugidos. A claque ensandecida atinge o orgasmo com a verborréia do presidente.

Nunca antes na história desse país tivemos um presidente tão afinado com essa escória de romeiros e puxa-sacos que o rodeiam e engrossam esse respeitável séqüito de bovinos.

Um verdadeiro chafurdeiro. De causar inveja as mais conservadoras pornocracias. O presidente quando discursa freqüentemente traduz em palavras o que o meu intestino produz regularmente.

A diferença, talvez, esteja no resultado. Enquanto o linguajar esmerado do presidente consegue contagiar multidões, a produção do meu intestino perde-se em alguma fossa séptica sem nenhum aproveitamento.

Invariavelmente, o presidente é acometido por sucessivas diarréias cerebrais, espalhando sua verborréia como máximas a serem cultuadas e seguidas. Milhares de crianças neste país padecem por diarréias pela falta de saneamento básico. Não confundir diarréia no mercado financeiro com diarréia presidencial. Na primeira você fica sem dinheiro e quebra, na segunda você já sabe o resultado. Se não sabe vá a um comício do presidente. Mas, não esqueça de levar uma capa protetora, com capuz.

Deveríamos propor sanear a cabeça do presidente. Vamos imaginar que um cidadão vá ao Palácio do Planalto tomar café da manhã com o presidente. Evidentemente, que esse cidadão não vai chegar ao presidente e dizer: "Pô, presidente o senhor quando discursa parece estar com diarréia cerebral, de sua boca só sai M".

Caso esse cidadão se dirigisse ao presidente nestes termos, ele na bucha lhe responderia vá sifu.

Vivemos três situações distintas. Ou o Brasil não é um país sério, ou o presidente não é sério ou o povo não é sério.

Gosto de pensar que apenas o presidente não é sério, não conseguiria conviver com a idéia que os três não são sérios.

Ainda outro dia, o presidente em mais um rompante de bravatas e bazófias disse textualmente, que a crise financeira internacional passaria pelo Brasil como uma marolinha.

Alguns dias depois, a Petrobrás, aquela empresa fundada no governo Getúlio Vargas, e que um dia já foi séria, após anunciar a descoberta de mais dois poços de petróleo na Bacia de Campos correu à Caixa Econômica Federal e retirou empréstimo para honrar sua folha de pagamentos.

A Vale anunciou a demissão de 1300 funcionários e deu férias coletivas para mais 5 mil.

Os produtores de cana-de-açúcar de São Paulo ficaram sem receber dos Usineiros o pagamento por sua produção. Estes alegaram falta de financiamento bancário.

Após a Ministra Dilma afirmar que a Petrobrás já estava fazendo grandes investimentos no Pré-sal, vem o presidente da Petrobrás e a desmente. Explica que uma broca ficaria em torno de 1 bilhão de reais e que talvez fossem necessárias em torno de 300 brocas. Que com a queda do barril de Petróleo, em torno de 35 dólares, seria inviável a Petrobrás investir no pré-sal, nos próximos anos, sem grandes investimentos externos.

O presidente discursa mandando o povo gastar, O Unibanco associado a AIG seguros, empresa americana, é vendido ao Itaú cheio de dólares podres.

O presidente manda todo mundo gastar e eu pergunto inocentemente quem pagará a conta?

O mercado de carros usados está parado e o presidente diz que a crise passará pelo Brasil como uma marolinha.

Lula continua surfando na marolinha. Vamos torcer para que a marolinha não se transforme numa onda gigantesca e que esta onda gigantesca não se transforme numa grande diarréia, porque se isto acontecer nós sifu...


Carlos Alberto Cordella é Coronel do Exército Brasileiro.








Publicado no site "TERNUMA – Terrorismo Nunca Mais"(Regional Brasília).
Quarta-feira, 10 de dezembro de 2008.




Surfe de Lula depende é do rumo da onda – José Nêumanne



Afastem-se que o "presidemente" vai "discursar"! Um microfone nas mãos, muita merda na cabeça e sai de baixo, senão...

Wednesday, December 10, 2008

Não há nada com que se preocupar!
O "comandante" nos levará a um porto "seguro". É rir para não chorar!
































Surfe de Lula depende é do rumo da onda
por José Nêumanne

A aprovação - medida pelo Datafolha - por 49% dos brasileiros da forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gere a crise não repete os índices espetaculares de seu desempenho no cargo, mas estimula governistas e é uma ducha gelada para a oposição. Surpreende quem esperava um número menos estimulante aos sonhos continuístas pela boa razão de que o governo brasileiro não tem feito muito a respeito: sua primeira reação foi de desdém; a segunda, de pânico; e a terceira, na velha base de vamos deixar como está para ver como é que fica. Em nenhum dos três casos o chefe do governo se mostrou particularmente apto a amenizar os efeitos do desastre financeiro internacional em nossa economia. E isso por si só basta para mostrar quão hábil ele é para se comunicar com seu vasto e fiel eleitorado, convencendo-o de que o mínimo que ele está mandando fazer é o melhor que poderia mesmo ser feito.

Este é o segredo da impermeabilidade do homem: não necessariamente fazer o melhor, mas mostrar a quem interessar possa - o operariado de baixa qualificação e o lumpemproletariado, mas não só estas camadas mais pobres e desinformadas da população, pois as pesquisas têm detectado o crescimento de sua aceitação por classes mais favorecidas e instruídas - que o líder continua a seu lado e defendendo seus interesses. Estes começam pela mágica da multiplicação das proteínas postas à mesa dos mais pobres pelo milagre da Bolsa-Família e terminam nos negócios da alta burguesia financeira com o beneplácito da autoridade generosa e disponível. No miolo do sanduíche fica a classe média, espremida, desarticulada e desorganizada, incapaz, portanto, de reagir aos riscos de descenso social, até agora evitado pela bonança reinante nos países consumidores de nossas commodities. Estas antes eram cotadas a peso de ouro, mas já começam a rumar para os preços de banana na nova situação provocada pelo desabamento em tempo real dos pregões das bolsas do mundo inteiro. Enquanto seu lobo não vem, contudo, a classe média vai passear na floresta no trenó de Papai Noel, adotando a prática confortável de não sofrer por antecipação.

Enquanto o futuro presidente americano, Barack Obama, no olho do furacão e de olho no furacão, alertou que o pior está por vir, Lula manda os patrícios sem dívidas comprar. O alerta de Obama é costurado com a linha do realismo e a agulha da prevenção. Alvo das esperanças do mundo, depois de eleito para domar uma crise que pode levar todos à bancarrota, o futuro fiel depositário do maior tesouro do mundo advertiu a sôfregos e trêfegos que não opera milagres. Lá, como cá, uma é a retórica eleitoral e outro deve ser o discurso oficial. O "nós podemos" dos palanques - ainda antes da posse - tornou-se um "nós sabemos". O candidato inspira, o governante terá de transpirar. O presidente do Brasil não tem as responsabilidades do colega americano em relação à crise, já que ela não nasceu aqui nem pode aqui ser resolvida. E também porque os efeitos deletérios dos erros e benéficos dos acertos da futura gestão democrata repercutirão pelo mundo inteiro, enquanto os do governo petista se abaterão apenas sobre nossas cabeças.

O incentivo de Lula ao consumo, neste momento em que um líder mais cônscio da situação e mais consciente de seus deveres recomendaria cautela, pode ser patético. Pois, de fato, ninguém em sã consciência vai comprar um carro, um apartamento ou outro bem de consumo durável de alto valor só porque nosso guia mandou. As pessoas só compram o que querem e o que podem, independentemente dos estímulos que recebam, seja de quem for. O que importa na frase de Lula é que ela está perfeitamente sintonizada com o que a grande maioria da população está pensando e fazendo em relação à crise. Mais que aconselhar a consumir o presidente refletiu o que o brasileiro comum pensa e como o seu eleitor potencial age. Enquanto a crise dos mercados não lhe tirar o emprego, no caso do trabalhador, o prato cheio, no caso do lúmpen, ou o bom lucro de cada dia do banqueiro, o brasileiro médio o apoiará, confirmando a regra, que comporta raras exceções, segundo a qual quanto mais o eleitor se sentir bem, mais prestigiará alguém lá em cima por cujo conforto responsabiliza e recompensa com seu sufrágio.

Obama, esperança de praticamente todos, desceu do palanque porque sabe que esse não é o lugar adequado para encontrar as medidas necessárias para decepar o nó górdio da crise e, com isso, frustrar o mínimo possível o planeta inteiro, que conta com ele. Lula não desceu ainda, primeiro, porque não aprendeu a fazer na vida algo muito diferente de uma competente campanha eleitoral e, em segundo lugar, porque ninguém (nem nada) até agora, pelo menos, exigiu dele que o fizesse. É humanamente impossível que a esperança de todos não termine por frustrar muitos, pois, afinal, não são raras as divergências dos grupos que fazem demandas conflitantes. O sucesso do surfe que nosso presidente se compraz em praticar vai depender, na vida real, muito mais do rumo que tomar a onda externa que de sua prancha particular e seu estilo de cavalgá-la.

Antes da crise e neste momento em que ninguém ainda atina ao certo de onde veio o tsunami nem para onde vai, o presidente brasileiro tem contado sempre mais com a sorte, que não lhe tem faltado, que com o juízo, que ele também, justiça seja feita, tem exibido sempre que é exigido. Sendo impossível vaticinar se a sorte continuará bafejando sua nuca, com efeitos benéficos para todos os brasileiros que o elogiam aos pesquisadores dos institutos de opinião, pois a sorte pode ser generosa, mas também costuma ser traiçoeira, resta-nos rezar para que ele tenha boas reservas de juízo para usar quando for preciso.


José Nêumanne Pinto é um escritor, jornalista e poeta, nascido em Uiraúna (PB), em 18 de maio de 1951. Começou sua carreira jornalística no "Diário da Borborema", Campina Grande (PB), como repórter em 1968. Recebeu os prêmios Esso de Jornalismo Econômico em 1975, pela série "Perfil do Operário Brasileiro Hoje" e o Troféu Imprensa de Reportagem Esportiva, também em 1975, pela reportagem "Éder Jofre e o Boxe Brasileiro". Nêumanne foi colunista, com um artigo semanal sobre Brasil na edição em castelhano do jornal "Miami Herald" . Atualmente reside em São Paulo, onde é articulista periódico do jornal "O Estado de S. Paulo" e editorialista do "Jornal da Tarde", além de publicar seus artigos em diversos órgãos da imprensa nacional. Como escritor José Nêumanne tem diversos livros publicados, também é editor do blog "Estação José Nêumanne" sobre poesia, jornalismo e literatura. E-mail: neuman@estado.com.br


Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Editorial Opinião).
Quarta-feira, 10 de dezembro de 2008.




Lula é "difu" – Carlos Reis



Não há nada com que se preocupar! O "comandante" nos levará a um porto "seguro". É rir para não chorar!

Wednesday, November 26, 2008

E o "pato manco" no "comando" diz: Calma gente! É só uma marolinha...

















































OS TOPA-TUDO SEM DINHEIRO
por Maria Lucia Victor Barbosa

Enquanto diminui o PIB e o consumo norte-americanos, e países de economia forte entram em recessão, o presidente Luiz Inácio e sua possível sucessora para 2010, Dilma Rousseff (Casa Civil), insistem no fato de que o Brasil não será tão afetado pela crise mundial, que nossas instituições são fortes, que aqui enfrentamos apenas uma "marolinha", uma "gripezinha".

No afã de contornar a questão econômica com a poção mágica da política, o governo lançará uma campanha visando estimular o consumo para tentar manter a produção. Para tanto, a propaganda governamental terá um slogan que afaga o ego nacional com pinceladas de auto-estima: "O mundo confia no Brasil e o Brasil confia nos Brasileiros". A ordem é consumir e o governo promete que o crédito continuará fácil e abundante, mas não são mencionados os altos juros e os impostos escorchantes.

Do alto de prestígio o presidente da República recomenda que seus filhos amados não deixem de comprar "sua casinha, seu carrinho, seu primeiro sutiã". Luiz Inácio se coloca outra vez como animador de auditório e brada aos quatro ventos do palanque eletrônico da TV: "Quem quer dinheiro?"

Sem medo e felizes, os topa-tudo sem dinheiro acorrem às lojas em busca de um esplendoroso Natal. Não interessa a inadimplência. Não importa se depois chegará janeiro com impostos e aumentos, inclusive, da escola dos filhos. A ordem do dia é gastar, comprar o máximo de sutiãs que se puder.

Há de se convir, entretanto, que a retórica de Luiz Inácio, suas arengas que procuram atritar ricos e pobres, negros e brancos, suas metáforas futebolísticas, sua imagem cuidadosamente trabalhada no modelo pobre operário, seus ataques á língua pátria, seu contínuo festival de besteiras chamadas eufemisticamente de gafes, nada disso, enfim, é espontâneo ou aleatório, mas faz parte da propaganda que sempre intensificou o culto da personalidade. Um culto diga-se a bem da verdade, que vem ao encontro da mentalidade de um povo sequioso por um salvador da pátria e que por formação histórica gosta de ser tutelado pelo pai Estado. Mais ainda, o sinal verde para a gastança está de acordo com a índole do brasileiro que, de modo majoritário, nunca foi muito de planejar suas finanças, mesmo porque, parece sentir prazer em gastar mais do que pode, de se endividar, na medida em nosso país os endividados têm vantagens muito maiores em suas negociações do que aqueles que corretamente pagam em dia. Certamente, por contas dessas características, um homem que fazia compras na Rua 25 de Março respondeu ao jornalista que lhe perguntava sobre a crise: "crise, que crise?".

Dirão alguns que o governo está no caminho certo porque também os Estados Unidos apontam para o aumento de crédito, incentivo ao consumo e ao emprego, diminuição de impostos. Existem, porém, algumas abissais diferenças entre o governo norte-americano e o nosso. Para começar, aquele não é perdulário. E enquanto nos Estados Unidos se paga 8% de juros ao ano no cartão de crédito, nosso cheque especial alcança 170% de juros anuais. No mais, se o governo pensa em abaixar impostos, logo esse governo sedento por arrecadações cada vez maiores, no momento a idéia não passa uma boa intenção ou de um factóide bem político. Melhor ficar como São Tomé e ver para crer.

Atente-se também para o fato de as informações dos jornais não são tão róseas quanto as "boas notícias" que aparecem nas TVs ou nas palavras do presidente e de seus auxiliares. Em cadernos de economia dos principais jornais do país se pode ler, entre várias outras análises e notícias, que nossa balança comercial em números de novembro já reflete a desaceleração do ritmo do comércio mundial, principalmente no que diz respeito às exportações que caíram 21%. Acrescente-se que de julho à primeira quinzena de novembro os preços das principais matérias-primas desabaram, em média, 42%, em dólar, segundo o índice CRB Reuters/Jefferies, sendo que as matérias-primas respondem por 65% das exportações. Além do mais, a recessão nos países mais ricos está provocando o cancelamento das exportadoras brasileiras. Esses fatores limitam o interesse por novos investimentos e afeta as contas externas.

A desaceleração da economia mundial ainda não foi sentida plenamente no Brasil e o povo continuará a gastar e a perguntar: "Que crise? O governo aposta nas bolsas-esmola e no aumento do salário mínimo, mas a classe média já começa a sentir o baque. A inadimplência aumentou, o comprometimento da renda subiu de 34% em setembro a 36% em outubro e com isto o calote.

Sem medo de ser feliz Luiz Inácio vai surfando na "marolinha", enquanto montadoras e empresas começam a dar férias coletivas e demitir. Indústria, agricultura, comércio, construção civil e até o governo sabem que em 2009 não haverá apenas uma "gripezinha". Portanto, é preciso certa cautela nossa, os topa-tudo sem dinheiro, na hora de comprar sutiãs. Afinal, tudo indica que acabou o tempo em que se comprava nessa vida e se terminava de pagar em outras encarnações.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Quarta-feira, 26 de novembro de 2008, 18h08.





























América Latina - Em Busca do Paraíso Perdido

Por volta de 1500, o novo continente representou para os conquistadores e para toda a sociedade européia a descoberta do paraíso perdido, onde se encontraria a fonte da juventude,riquezas fabulosas e criaturas sem pecado. No entanto, a colonização da América latina não foi nenhuma experiência paradisíaca; muito ao contrário. Mas afinal, o que é a América Latina? Por que tanto subdesenvolvimento, corrupção, populismo neste enorme continente de sociedades desiguais?

Para obter respostas, Maria Lúcia Victor Barbosa se lançou numa "viagem" de investigação para " redescobrir a América" a partir de sua essência cultural, de seu desenvolvimento histórico e de suas características políticas.

"Navegando" pelas confluências do poder político do Estado e da Igreja, na península ibérica na segunda metade do Estado e da Igreja, na península ibérica na segunda metade do século XV, Maria Lucia constatou que os latino-americanos foram forjados pela cruz e pela espada, pelas atividades, valores e dinâmica social de Portugal e Espanha.

Em busca da personalidade da América Latina, a autora também realizou uma instigante análise do desenvolvimento religioso, social, político e cultural da Argentina e do Brasil, do descobrimento até os dias de hoje.
Compreender o que fomos para saber quem somos, esta é a proposta de Maria Lucia Victor Barbosa neste ensaio que procura conhecer melhor a América Latina através de seus próprios valores, atitudes, visão de mundo e exercício do poder.

Sem dúvida, este trabalho onde a autora reúne a seriedade científica a um estilo literário envolvente, se converteu numa leitura obrigatória para aqueles que se interessam em remontar os fatos que fizeram da América Latina o que ela é hoje: "Este amontoado de espelhos partidos". Sociedades forjadas na coragem desmedida do colonizador e na sua crueldade e intolerância, condicionadas desde antigas eras por civilizações piramidais e teocráticas com seus altares ritualísticos manchados de sangue, plasmadas no espírito da Contra-reforma, na cobiça e na aventura, feitas de contraste e da audácia dos conquistadores. Sociedades ainda em busca de si mesmas e do paraíso perdido, tão parecidas entre si por serem fragmentos de um espelho que se partiu.

Saiba mais sobre o livro "América Latina - Em Busca do Paraíso Perdido" e de sua autora, clicando AQUI.




Como lidar com pato manco – Mauro Chaves




E o "pato manco" no "comando" diz: Calma gente! É só uma marolinha...

Thursday, November 20, 2008

A História sendo repetida como farsa e certamente com o mesmo
final ruinoso para a humanidade.

Figura: Cartoon de David Low, publicado no tablóide inglês "Evening Standard" em 22 de dezembro de 1939.































English Version


O monstro no fundo do abismo
por J. R. Nyquist

Num artigo publicado em 6 de outubro pela revista "STRATFOR", intitulado "A questão alemã", George Friedman despejou um balde de lógica fria sobre os planos americanos para o futuro da OTAN. Parece que a Alemanha está determinada a bloquear o ingresso da Ucrânia e da Geórgia na OTAN. As implicações de longo prazo desta decisão são atordoantes. Friedman explica: "Uma vez que a OTAN opera na base do consenso, qualquer nação membro pode efetivamente bloquear qualquer candidato a membro da aliança". A invasão russa à Geórgia forçou a Alemanha a adotar essa posição. O conflito obrigou os alemães a deixar claro o seu pensamento geopolítico. O que vemos agora, com bastante clareza, é a Alemanha rejeitando a OTAN. Os alemães podem chamar o seu gesto como bem quiserem. Eles estão pensando como alemães. O ataque russo à Geórgia foi uma tacada de mestre, pois redirecionou a sensibilidade política da Alemanha, de uma visão centrada na OTAN, para uma visão centrada na Alemanha. Na Europa, há uma questão que se ergue acima de todas as outras, e os alemães darão a resposta. Ou a Europa enfrentará a Rússia numa nova Guerra Fria, ou se tornará parceira da Rússia. De acordo com a lógica de Friedman, a Alemanha já se decidiu pela parceria com a Rússia.

Imaginem uma parceria entre Rússia e Alemanha. Os russos fornecem a musculatura militar, os recursos naturais e a mão-de-obra barata. Os alemães fornecem a tecnologia, o dinheiro e a finesse européia. Friedman diz que a situação energética da Alemanha é "desesperadora" e que as lideranças alemãs estão meramente buscando seus interesses nacionais. É importante lembrar, porém, que os alemães vêem tanto a cenoura quanto a vara, os prós e contras. Os líderes alemães não estão apenas evitando a dor. Eles estão sendo tentados por uma parceria com a Rússia, especialmente quando as estruturas financeiras globais estão implodindo. Tal como ressalta Friedman, o "problema político" da Alemanha é a sua posição geográfica no centro da Europa. A Alemanha tem os olhos voltados para o Ocidente ou para o Oriente? Ela se alinha à Rússia ou aos anglo-americanos e franceses?

Ora, mas é claro que a Alemanha entende que seu destino repousa no Ocidente! Tal conclusão, todavia, pode ser razoável apenas para quem vê os acontecimentos à distância. Ela não é tão imediatamente razoável para as lideranças alemãs, tentadas que estão pela perspectiva de um papel "reformador" vital na Europa. A União Européia não está funcionando apropriadamente e o euro pode estar indo para lata de cinzas da história. O sistema da OTAN, por tanto tempo dominado pelos Estados Unidos, é cada vez mais inconveniente do ponto de vista alemão. Pode ser que, de fato, seja um plano um tanto estouvado aliar-se ao Kremlin – que prefere métodos asiáticos. Mas tal parceria apela tanto à vaidade alemã quanto ao seu senso prático. Os russos dão valor aos alemães; eles sussurram doces lisonjas aos ouvidos da Alemanha. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, fala alemão fluentemente e até possui traços germânicos, além de compreender o pensamento alemão, o que lisonjeia ainda mais os alemães. É um caso complexo de sedução.

Como é que, lá no fundo, os alemães se sentem a respeito das intenções russas quanto à Geórgia e Ucrânia? Os alemães estão prontos a raciocinar em termos de seus próprios interesses nacionais. Eles estão tentados a desconsiderar a OTAN. Talvez estejam enjoados de serem prisioneiros da OTAN. Afinal, a Alemanha foi derrotada na II Guerra Mundial e se viu presa na armadilha da Guerra Fria entre Rússia e Estados Unidos. Esta não é uma situação que agüente uma repetição. Um conflito entre a Rússia e a OTAN não é do interesse nacional alemão. A amizade com a Rússia traz uma promessa – ainda que seja falsa.

A França e a Grã-Bretanha desejam desafiar a nova postura agressiva da Rússia. A Alemanha não quer isso de jeito nenhum. Os Estados Unidos buscam trazer a Ucrânia e a Geórgia para a OTAN. A Alemanha não quer isso de jeito nenhum. Há uma rachadura séria na OTAN. Os alemães encontrarão um caminho de saída da OTAN? O senso comum supõe que isso é impensável. Todos sabem que a Rússia é perigosa. Fazer parceria com a Rússia é brincar com fogo. Cedo ou tarde a Alemanha irá se queimar. Ao mesmo tempo, porém, os eventos recentes na Geórgia ensinaram algo aos alemães. De repente, a Alemanha se viu diante de uma escolha desagradável.

"A OTAN, como instituição criada para resistir aos russos, está num avançado estado de decadência. Para ressuscitá-la, os alemães teriam de pagar um altíssimo preço econômico", ressalta Friedman. Está muito claro que os alemães já decidiram abandonar a missão da OTAN e partir em busca de seus próprios interesses econômicos de curto prazo. Aonde isto os levará no longo prazo é óbvio. Chegará o dia em que Rússia e Alemanha entrarão em conflito e os Estados Unidos não estarão por perto para ajudar a Alemanha. E talvez a crise em Wall Street tenha ressaltado a futura irrelevância dos Estados Unidos para a Alemanha. Afinal, os EUA estão entrando em colapso.

Portanto, a OTAN está encrencada. Ela não pode existir por muito mais tempo. Os russos são astutos ao jogar suas cartas diplomáticas, econômicas e militares. Ao seduzir os alemães para uma parceria, abrem o caminho para a destruição da OTAN por vias diplomáticas. "A OTAN não tem poder militar real para projetar-se ao leste e nenhum poder será criado sem um grande esforço alemão e, neste sentido, nada está por vir", escreveu Friedman. A lógica da análise de Friedman não pode ser contestada. O Kremlin olha para o colapso em Wall Street e enxerga uma oportunidade. Em 2 de outubro, durante a coletiva de imprensa conjunta que reuniu a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente russo Dmitri Medvedev, este último disse: "Um dos temas complicados que discutimos foi o da crise financeira. Chegamos à conclusão de que, mais uma vez, o atual sistema de segurança financeira global, assim como o sistema de segurança internacional, não satisfaz as necessidades presentes. As falhas no modelo econômico adotado pelos Estados Unidos da América são sérias, e hoje nós estamos pagando por elas". Num discurso ao Fórum Público Russo-Alemão, o presidente Medvedev traduziu a atual crise financeira em linguagem geopolítica: "O que demonstraram os eventos recentes? Demonstraram que o tempo em que uma economia e uma moeda dominavam o globo se foi, irremediavelmente. E nós precisamos de soluções coletivas para resolver a crise financeira causada pelo egoísmo financeiro…". Em outras palavras: deixem os americanos sofrer o seu destino. Agora, a Europa está face a face com a Rússia. A Europa desejaria opor-se à Rússia por conta própria? Os russos estão forçando a Alemanha a tomar uma decisão. "É possível que hoje ainda haja alguém desejoso de voltar à primitiva divisão do mundo em termos de 'nossos' e 'deles', de 'o certo' e 'o errado', mas na Rússia estamos convencidos de que essa época acabou definitivamente. É impossível reviver o Muro de Berlim, tanto quanto é impossível retornar à Guerra Fria – não há razão para isso".

O presidente Medvedev está dando uma piscadela para os alemães e a mensagem implícita é: Vocês sabem o que fazer… Vocês não querem nos confrontar. Vocês precisam de nós. A perversidade das intrigas da KGB em Moscou não é a questão. É preciso olhar "além do bem e do mal", para as duras realidades da situação. A Alemanha quer sentir o deprimente frio do inverno, sem os benefícios do petróleo e gás russos? Esta não é uma posição sensata e a Alemanha sabe para onde ir. A OTAN está acabada e os Estados Unidos entrarão em colapso. Conseqüentemente, a Europa precisa de uma nova "arquitetura de segurança". Trocando em miúdos, a Europa agora pertence à Rússia e os alemães deveriam fechar um acordo enquanto os russos estão de bom humor. Se o primeiro-ministro francês diz que o mundo está "à beira do abismo", o monstro que o aguarda no fundo é a Rússia.

Tradução MSM.

Jeffrey R. Nyquist, é colunista, editor e um renomado expert em geopolítica e relações internacionais. Jeffery Nyquist é formado em sociologia política pela Universidade da Califórnia, é também o autor do livro "Origins of the Fourth World War". Tem também vários artigos de sua autoria publicados em web sites tais como: sierratimes.com, worldnetdaily.com, financialsense.com, e newsmax.com. Nyquist defende o ponto de vista que a queda da União Soviética foi uma ação premeditada para incentivar o ocidente a se desarmar, e que os comunistas estão no controle até hoje. Este ponto de vista foi primeiramente exposto pelo desertor soviético, Anatoly Golitsyn, em seu livro "New Lies For Old: The Communist Strategy of Deception and Disinformation". J.R. Nyquist mantém também o site "JRNyquist.com".



Publicado no site "FINANCIAL SENSE".
Sexta-feira, 10 de outubro de 2008.




Perdão seletivo – Vannuchi e Genro acham que a anistia ampla e irrestrita não vale para inimigos – Augusto Nunes




Tuesday, October 14, 2008

O Brasil será a Venezuela amanhã!
Efeito "folhas de coca".








































































































Rafael Poleo, é um veterano jornalista e arguto analista político de grande influência na Venezuela, Rafael também é diretor do jornal "El Nuevo País" editado em Caracas e da revista "Zeta", juntamente com sua filha, a também polêmica e perspicaz jornalista Patrícia Poleo, ambos perseguidos pelo regime do ditador Hugo Chávez pela sua renhida oposição ao mesmo.






Publicado no jornal "El Nuevo País" (Coluna "A Sangre Fría")
Caracas-VE, 14 de outubro de 2008.



A crise nas garras do Leão – Ipojuca Pontes



Monday, October 13, 2008

O Brasil está "FERRADO"!
Por quê? Aqueles que juraram defendê-lo com o sacrifício da própria vida,
NÃO CUMPRIRAM!










































A crise nas garras do Leão
por Ipojuca Pontes

Em Brasília tudo vai continuar sendo uma festa. Para a população trabalhadora e o contribuinte ficará a conta, como de costume.

Tudo indica que vai acabar a boa vida de Dr. Lula da Silva. Não falo, naturalmente, dos jantares palacianos servidos à base de finas entradas de vieiras grelhadas com tomate confit e de ótimas fatias de carne de javali importada, acompanhadas de excelsas taças de Romanée Conti, ao preço de R$ 20 mil a garrafa. Não, de modo algum: como se diz nas rodas vulgares, "quem é rei nunca perde a majestade". Os rega-bofes oficiais continuarão como de hábito.

O que parece chegar ao fim é a bazófia eufórica do "nunca dantes na história deste país…", a charla marota de um governo que se valia - para anunciar prosperidade ilusória - da expansão do crédito fácil e do jogo financeiro da banca internacional. Claro, a partir da "regulação estratégica" formatada com juros tabelados pela burocracia do Banco Central – daqui e d’além mar.

No seu clássico tratado de economia, "Ação Humana" (Instituto Liberal, Rio, 1990), Ludwig von Mises ensina que "a expansão do crédito é o principal instrumento do governo na sua luta contra a economia de mercado". Apesar da trágica experiência do crack de 1929 (fomentada em primeiro plano pela irresponsabilidade do Federal Reserve), desde o governo Jimmy Carter o banco central dos Estados Unidos vinha fazendo da política de expansão do crédito a chave-mestra para se chegar, pela via expressa do consumismo, ao Paraíso. Resultado: deu-se, como esperado, a eclosão da catastrófica tempestade de merda.

Sim, é fato: também por aqui, muito além da "marolinha" vaticinada pelo "guia genial da raça", o que se anuncia é o chumbo grosso. Quem sabe a estraçalhar, ao mesmo tempo, a expansão do consumo, o preço dos alimentos, o programa de aceleração de crescimento, o sonho do carro sem entrada e com 72 meses de financiamento, a criação de novos empregos e a manutenção dos antigos, o frenesi dos financiamentos imobiliários e o próprio comércio internacional (vantajoso) de commodities.

Onde vai desaguar tudo isso?

Pelo piar da coruja oficial, nas garras do Leão.

Leão, claro, é firula de linguagem - melhor seria dizer abutre, a ave sarcófaga que devora todo tipo de carne, humana ou não. Por que digo isso? Bem, pelo que se informa, a partir de reunião palaciana, os burocratas de Brasília, diante do "ambiente de incerteza provocada pela crise americana", voltaram as baterias para a aprovação no Senado da famigerada Contribuição Social para a Saúde (CSS) - o que se convencionou rotular nas rodas oficiais, algo debochadamente, como o "imposto do cheque".

De fato, é dose para leão, sobretudo quando estudo recente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) dá conta de que o contribuinte brasileiro da classe média vai gastar este ano 75% do que ganha para pagar imposto e adquirir serviços que deveriam ser fornecidos pelo próprio governo, tais como, por exemplo, segurança, saúde e educação.

Como se sabe, o contribuinte brasileiro em geral tem de trabalhar, anualmente, até o dia 27 de maio para alimentar a gula fiscal da União (em parceria com estados e municípios). Mas este ano, devido ao aumento galopante dos impostos, o cidadão da classe média, com renda mensal entre 8 e 10 mil reais, precisou trabalhar até o dia 5 de junho para saldar suas dívidas com o fisco. E depois, visto que desgraça pouca é bobagem, ainda terá de suar a camisa até o final de setembro para suprir os débitos da ineficiência dos serviços que deveriam ser prestados nas três esferas do poder.

Segundo o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, restará ao cidadão da classe média, vítima das garras do leão, apenas os três meses restantes do ano - de 1° de outubro a 31 de dezembro – para trabalhar para si mesmo e suprir os gastos com moradia, alimentação, vestuário e, às vezes, porque ninguém é de ferro, algum lazer. Para chegar a tal conclusão, os analistas do IBPT tiveram como base dados fornecidos pela própria Receita e Tesouro Nacional, além de inúmeras instituições privadas, entre elas a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Federação Nacional das Escolas Particulares.

Mesmo diante da tempestade global, que se prenuncia duradoura, o governo não dá trégua ao contribuinte da classe média. Quer garfá-lo a todo custo. Por conseqüência, a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), as empresas constituídas por profissionais liberais terão de pagar ao leão a parcela de 2,00% destinada ao Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), caso optem pela declaração do "lucro presumido". O que se afigura como duro golpe no bolso de advogados, médicos, dentistas, arquitetos, contadores, entre tantos outros profissionais liberais que tinham a cobrança da "contribuição" como inconstitucional.

Com carga tributária tida e havida como "das maiores do mundo", o governo, em plena crise, está se apropriando de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que hoje gira em torno R$ 2 trilhões. Boa parte desse ervanário é torrada com a ampliação da máquina estatal que conta com mais de um milhão de servidores, além da doação de recursos a países "irmãos" da África e América Latina, custeio de viagens e mordomias, programas de aceleração de crescimento marcados pelo desvio de verbas e desperdício, e por aí vai. Sem falar no retorno firme da inflação, uma forma a mais de imposto que, já em agosto, no caso dos produtos alimentícios, atingiu o índice nada lisonjeiro de 12%.

O certo seria o governo cortar os gastos públicos vertiginosos que em parte vinham sendo alimentados pelos investidores estrangeiros agora em fuga. Mas, quem disse que Lula toma tenência? Além de anunciar aumentos de salários e novas contratações de servidores públicos, dando seqüência ao aparelhamento do Estado, o vosso presidente, na hora de apertar o cinto, recomenda a gastança desenfreada – pública e privada.

Ou seja: vai se ferrar – ferrando a nação.


Ipojuca Pontes é jornalista, cineasta e escritor, nasceu em Campina Grande, na Paraíba, e ao longo de sua carreira conquistou mais de trinta prêmios nacionais e internacionais. Foi também Secretário Nacional da Cultura no governo Fernando Collor de Mello.






Publicado no site " MídiaSemMáscara" (Editorias).
Segunda-feira, 13 de outubro de 2008.




São Paulo se conduz – Mauro Chaves



O Brasil está "FERRADO".

Wednesday, October 08, 2008

VALORIZAÇÃO DO DÓLAR = INFLAÇÃO






































Mantega defende ''uso criativo'' das reservas internacionais.
Celia Froufe

Ministro diz que o objetivo é dar mais liquidez ao mercado e cita as operações de venda de dólar do BC.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo poderá fazer uso criativo das reservas internacionais do País, atualmente em US$ 207 bilhões, para dar mais liquidez ao mercado financeiro. Mas não detalhou as medidas. "No momento oportuno, vocês terão conhecimento", disse ele aos jornalistas. Mantega lembrou que os leilões de venda de dólar conjugada com compra futura que o Banco Central (BC) promoveu recentemente não alteraram as reservas.

No encontro com empresários da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo, o ministro afirmou que o "momento é traumático". "Tomaremos todas as medidas necessárias, pois o governo tem um arsenal grande, é só identificar os problemas."Segundo ele, o governo já vem tomando medidas para evitar a restrição de liquidez causada pela crise mundial. Mantega procurou acalmar os empresários, afirmando que a situação é passageira. "A crise não vai acabar logo, mas o stress é passageiro."

Para Mantega, "felizmente", o dólar está sendo corrigido para cima. "Esse câmbio (perto de R$ 2) é muito melhor tanto para baixar as importações quanto para estimular a exportações." Ele criticou os prognósticos negativos de alguns economistas a respeito dos impactos da crise sobre o Brasil.

"Se fôssemos dar ouvido aos analistas açodados, deveríamos levar um tombo." Disse também que os analistas parecem estar simplesmente transferindo o ânimo dos Estados Unidos e da Europa para o Brasil. E negou que o País vá crescer menos de 3% em 2009. "Chegam a falar em crescimento de apenas 1% ou 2% em 2009; isso é uma grande besteira."

Ele ainda criticou as expectativas de executivos de alguns bancos com problemas financeiros. "Vamos lembrar que o Citibank é aquele banco que vem precisando de capital", disse. Para ele, apenas com a inércia do crescimento do PIB já há garantia de expansão da atividade entre 2% e 2,5%. "Isso, com o governo de braços cruzados. Mas não é isso o que vamos fazer."

O ministro relatou a empresários que, desde que começou a crise, no ano passado, tem se divertido nas reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Chego lá e digo: os países avançados têm de fazer o dever de casa e seguir os emergentes", citando medidas como ajustes nas contas públicas, nas contas externas e acúmulo de reservas internacionais. "É a vingança dos colonizados", brincou.


Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", Caderno de Economia & Negócios.
Sábado, 04 de outubro de 2008.



Preso o ex-Número 1 de Chávez - Bootlead



Wednesday, March 12, 2008

Contagem regressiva para o confronto final.









































English Version


Anos de crise pela frente
por J. R. Nyquist

No dia 23 de dezembro de 2007, o jornal inglês The Telegraph publicou um artigo de Ambrose Evans-Pritchard, sob o título "Crise pode fazer 1929 parecer um passeio no parque". O artigo começava assim: "Vinte bilhões de dólares aqui, vinte bilhões acolá... Baldes de liquidez monetária estão sendo jogados sobre o sistema bancário do Atlântico Norte, até agora com efeitos escassos ou fugazes". Grandes bancos estão em apuros. Vastas somas de dinheiro estão desaparecendo. O sistema capitalista está titubeando. Ao mesmo tempo, o "antigo" centro do comunismo global está borbulhando com nova confiança. A Rússia está posicionando navios de guerra no Mediterrâneo Oriental, além de estar construindo e testando mísseis intercontinentais e submarinos. A retórica do presidente russo, Vladimir Putin, tem um toque "neo-soviético". Ao visitar Cuba uns poucos anos atrás, foi questionado por um jornalista acerca de suas lealdades ideológicas. Ele era um comunista? "Podem me chamar de caldeirão", respondeu Putin, de forma enigmática, "mas não me esquente". Tal como Stalin após a Nova Política Econômica dos anos 20, Putin nacionalizou as principais indústrias russas. Putin restringiu severamente a liberdade de imprensa. De fato, ele reverteu o processo que desmantelou a União Soviética. Ele está juntando os pedaços do antigo império comunista e colocando-os de volta no lugar.

Vladimir Putin sabe que a derrota pode ser um expediente temporário. Uma nação quebrada pode dar a volta por cima. As mesas podem ser viradas sobre os velhos inimigos que acreditavam já terem vencido. Ele também sabe que a história tem ciclos; que a paz leva à guerra e o crescimento súbito ao fracasso. Enquanto políticos e empresários ocidentais têm implicitamente negado (em sua retórica) a inevitabilidade da guerra e da catástrofe financeira, existe há muito tempo um movimento político firmemente baseado na expectativa de ambas. Estou me referindo ao movimento político fundado por Karl Marx e continuado por Lênin, que existiu e existe em vários países, sob vários nomes e aparências. Marx ensinou a seus seguidores a esperar por uma futura e fabulosa crise financeira. Esta crise, dizia Marx, desacreditaria o capitalismo e abriria as portas para a revolução mundial. Depois de Marx veio Lênin, que ensinava que uma futura "guerra imperialista" contribuiria para a desestabilização do capitalismo, desacreditaria as lideranças dos países desenvolvidos e possibilitaria a revolução mundial dos trabalhadores. A astúcia de Marx e de Lênin pode ser encontrada na predição daquilo que sempre foi inevitável, fazendo com que eles parecessem mais competentes que outros pretendentes a revolucionários.

Marx e Lênin têm seguidores ao redor do mundo. E esses seguidores estão organizados; eles têm também imitadores islâmicos. As especificidades das doutrinas são desimportantes ao estudarmos países totalitários. O que importa são os sempre presentes ódio à civilização ocidental, assassinato em massa e uma obsessão pela guerra aniquiladora. Estes são os elementos comuns, as pontas soltas que servem como marcas que revelam o jogo, dizendo ao observador para o que é que ele está realmente olhando. O radical islâmico e o comunista buscam solapar o Ocidente de todas as formas: econômica, social, demográfica e politicamente. O equilíbrio militar também faz parte dos seus cálculos. É por isto que a aquisição de armas nucleares por países comunistas e islâmicos é alta prioridade. As políticas de Hugo Chávez, de Vladimir Putin, dos comunistas chineses e do regime clerical no Irã são todas coordenadas no mais alto escalão. A guerra econômica também está em consideração, especialmente quando diz respeito a petróleo e especulação e manipulação com moedas.

É neste contexto que deveríamos considerar as recentes declarações de importantes economistas e especialistas em finanças. Eles nos dizem que os dominós financeiros estão balançando. Se o medo de uma quebradeira geral não puder ser contido; se bancos e fundos de hedge estiverem à beira do colapso; se emprestadores estiverem estocando dinheiro em espécie e os tomadores sofrendo as dores agudas da angustiosa abstinência forçada; e se o aperto monetário se transformar num aperto torturante que leve a vítima a declarar a sua bancarrota aos berros, então o agrupamento marxista estará prestes a ver realizadas as velhas profecias e promessas. A revolução esperada está pronta para ser iniciada. Ela virá nos sobressaltos das crises do capitalismo.

No artigo do Telegraph, Evans-Pritchard cita o Professor Peter Spencer, que disse: "Os bancos centrais estão perdendo o controle rapidamente". Ele cita também especialistas britânicos e americanos que concordam que "a crise" moveu-se para além do colapso dos investimentos em hipotecas e agora ameaça todo o sistema financeiro. Em 12 de dezembro de 2007, o Wall Street Journal publicou um artigo intitulado "Banks Sound Grim Notes". De acordo com esse artigo, alguns dos "maiores bancos comerciais americanos" têm emitido alertas sobre o fato de que "os fundamentos essenciais para os negócios continuam a se deteriorar". Muitos bancos estão prevendo que 2008 será um ano de "inadimplência crescente" e de pesadas perdas por todos os lados. No mês passado, a Merrill Lynch aconselhou investidores a ficarem longe do Bank of America e do J.P. Morgan.

Os grandes economistas nos ensinaram a contar com uma expansão de crédito irresponsável. Mas quando a geração que passou pela experiência da Grande Depressão deixou o poder, a nova geração não acreditava que uma depressão como aquela pudesse acontecer a eles. Virando suas costas para a história, imaginaram-se superiores àqueles que os precederam. Os grandes sociólogos e historiadores nos ensinaram que os erros das gerações passadas seriam repetidos, de novo e de novo, a despeito dos alertas dos mais sábios. E assim, eles provaram estar certos. Somos humanos e fadados a andar errando. A geração dos baby boomers não está imune às leis da economia. Além disso, "o fim da história", tal como alegava Francis Fukuyama, não aconteceu. Agora, neste exato momento, estamos enfiados na história até o pescoço. O nosso não é "um mundo mais perfeito" do que aquele de nossos antepassados. O mundo ainda é o mesmo mundo, com os mesmos problemas de antes. Se nossos avós tiveram de combater Hitler e o Japão Imperial, nós temos de combater Putin e os comunistas chineses.

Em dezembro, a Rússia fez um bem-sucedido disparo de teste de um míssil ICBM com múltiplas ogivas e baseado numa plataforma "rodomóvel". Cada míssil RS-24 pode levar até três ogivas nucleares, utilizando tecnologia do avançado sistema Topol-M (já colocado em serviço). Sendo uma plataforma móvel de lançamento, o RS-24 pode se esconder em quase qualquer lugar, de modo que os Estados Unidos não podem determinar se estão ficando para trás numa nova corrida armamentista. Aqueles que riem da magra economia russa ficarão espantados com a regeneração das forças armadas da Rússia, uma vez que estão baseadas numa estratégia de (literalmente) "arrasar o campo de jogo" com mísseis.

O ano de 2008 irá deixar clara a posição dos Estados Unidos como grande potência em relação ao poder emergente da China e do supostamente defunto poder da Rússia. Se a crise financeira piorar (o que provavelmente acontecerá) uma crise política tende a sucedê-la. Poucos ousam falar sobre esta crise (mesmo agora), apesar de os comunistas terem estado a discuti-la por muitas décadas. Eles vêm considerando, principalmente, como explorarão uma grande crise econômica. Com a intelligentsia ocidental afundada no atoleiro do politicamente correto e a estupefação de um público apatetado pela televisão, os comunistas são o único grupo na Terra que está psicologicamente pronto, com respostas e slogans. Sua pólvora política está bem seca, e eles a têm em grande estoque. Há toda razão para acreditar que o público será confundido, que os políticos serão atingidos em meio à confusão e despreparo.

O ano de 2008 será um ano de decisão, não porque é um ano de eleições presidenciais, mas porque o Ocidente poderá ser abalado em suas fundações.

Tradução MSM.


J.R. Nyquist, é colunista, editor e um renomado expert em geopolítica e relações internacionais. Jeffery Nyquist é formado em sociologia política pela Universidade da Califórnia, é também o autor do livro “Origins of the Fourth World War”. Tem também vários artigos de sua autoria publicados em web sites tais como: sierratimes.com, worldnetdaily.com, financialsense.com, e newsmax.com. Nyquist defende o ponto de vista que a queda da União Soviética foi uma ação premeditada para incentivar o ocidente a se desarmar, e que os comunistas estão no controle até hoje. Este ponto de vista foi primeiramente exposto pelo desertor soviético, Anatoly Golitsyn, em seu livro “New Lies For Old: The Communist Strategy of Deception and Disinformation”. J.R. Nyquist mantém também o site JRNyquist.com



Publicado no site “FINANCIAL SENSE”.
Sexta-feira, 04 de janeiro de 2008.



Monday, February 25, 2008

As crises e o "atraso" do País têm um só nome: POVO INSENSATO!










































O Brasil progride enquanto dorme
por Arnaldo Jabor

A política brasileira me causa arrepios periódicos. Sempre que estamos na soleira de novos tempos, rolam-me tremores na espinha. Não quero bancar o sensitivo, mas esta era Lula está me arrepiando também, porque parece se estiolar numa mesmice de procedimentos políticos que parecem véspera de alguma explosão.

A roda viciada desse governo é sempre a mesma: anúncio de medidas não tomadas, radicalizações e indignações "verbais" do Executivo, seguidas de pressões dos aliados e corruptos, que conseguem vantagens, voltas atrás e acochambramentos, tudo amenizado por sorrisos carismáticos com covinha e piadinha de Lula. E, pronto, nada muda.

Graças à boa situação da economia mundial ainda, graças à macroeconomia da herança bendita, talvez até o jogo "vaselínico" de Lula seja melhor que se ele se deixasse levar por arroubos. Pelos menos o status quo fica intocado, enquanto o Banco Central segura as pontas.

Mas, até quando esse chove-não-molha vai agüentar?

Nada de real acontece neste país. Tudo se dissolve no ar. O mensalão se dissolveu, o Dirceu enriqueceu, botou cabelo, o Valério também cresceu cabelo, o Delúbio sorri, o Renan reina, os cartões corporativos viraram uma competição micha de cuspe-em-distância entre oposição e governo, enquanto os bilhões são postos em risco como nas indicações a Furnas, nos Fundos de Pensão, enquanto a Amazônia arde e depois os desmatadores são afagados e premiados, enquanto Marina Silva, mulher de bem, é abandonada. E nada se faz, nada termina.

Estamos precisando mais do que de "ação". Estamos precisando de fatos. Este governo está desmoralizando os fatos. Os acontecimentos não acontecem, se diluem, morrem. Lemos os jornais atolados de denúncias, de descobertas encobertas, de investigações que duram o espaço de uma manhã, como as rosas. Quando veremos um projeto aprovado, uma reforma, um ato de gestão importante? Quando veremos discussões no Congresso acima de negociações e puxa-saquismo para conseguir favores do Executivo? Quando? Esse Congresso que, no dizer do Garibaldi Alves com seu charme de raposa velha, foi transformado no quarto de despejo do Planalto. Ele disse que há uma espécie de "absolutismo presidencialista". É verdade, sim, mas "absolutismo relativo e malandro", pois a ideologia do Governo é o radicalismo do "tanto faz"...

Lula usa a brutal resistência do "Atraso" como caldo de cultura para manter seu prestígio alto. Não fez um gesto de modernização; mas sabe muito bem manipular a sordidez que antes, de boca, condenava. E aí, navega no lodo, limpinho.

Estamos assistindo a uma nítida deterioração das instituições, quando ninguém teme mais nada, pois todos, do Renan ao reitor, todos descobriram que delitos e corrupção "não têm bronca", não têm "pobrema", não têm "mosquito"; tudo acaba bem e esquecido. O que antes se fazia com vergonha e até com mais parcimônia, agora é feito às claras, com uma tácita aprovação do Executivo.

Trata-se da institucionalização da amoralidade útil, da desmoralização dos escândalos. Vivemos na República do "é assim mesmo". Os jornais estão cheios de crimes esquecidos, de eventos inconclusos, e o desencanto nos invade, perdendo o gás até para nos horrorizar.

E tudo isso é muito sutil, tudo adoçado pelo charme de "Maquiavel Macunaíma" do presidente; tudo fica invisível quase, tudo fica desmentido pela inesperada diminuição do desemprego, pelo aumento da produção industrial e pela estabilidade monetária. Que ótimo! A economia vai bem... Como explicar, se ninguém faz nada, a não ser o Banco Central e, obviamente, competências técnicas isoladas na máquina? Como bem disse o Oswaldo Aranha, há 60 anos, "O Brasil progride enquanto dorme".

Na minha pobre vida, já tive vários arrepios de pavor na véspera de desastres políticos.

Meu primeiro arrepio foi em 54, menino, ao lado do rádio, quando ouço o Repórter Esso: "O presidente Vargas acaba de se suicidar com um tiro no peito!"

Depois, estou no estribo de um bonde, em 61. "Jânio Quadros renunciou!", grita um sujeito de chapéu e sem dentes. Gelou-me a alma. Eu já tivera uns arrepios quando ele proibira biquínis nas praias e inventara terninhos safári para funcionários públicos. Tínhamos eleito um louco!

Em 64, eu estava no comício da Central do Brasil. Clima de vitória do socialismo, sob as tochas dos bravos operários da Petrobrás. Jango discursando. Volto para casa e, do ônibus, vejo uma vela acesa em cada janela da classe média, em sinal de luto pelo comício da Esquerda. Outro arrepio. "Não vai dar certo" - foi a certeza brutal que me baixou.

Na capa da revista O Cruzeiro, um baixinho feio, vestido de verde-oliva, me olha. Quem é? É o novo presidente, Castelo Branco. Arrepio na alma: minha vida adulta seria corroída por aquele dia. Foram 21 anos.

Tancredo no hospital e o sorriso deslumbrado dos médicos de Brasília, amparando o presidente como um boneco de ventríloquo para a opinião pública. "Vai morrer!" - arrepiei-me. O jaquetão do Sarney, deslumbrado e contristado, me arrepiou. A foto sorridente de Collor, na capa da Veja, com o título "Caçador de Marajás" me deu pavor.

Em 94, com a vitória do Brasil na Copa e um intelectual da nova esquerda subindo ao poder, tive esperança. Mas, quando vi que a Academia em peso o sabotaria por inveja e rancor, sem dar-lhe apoio nenhum em sua tentativa de reformar o Estado patrimonialista, vi que a barra era mais pesada, que o atraso estava dentro de belas cabeças.

E agora, que arrepio é este que sinto?

Acho que algo muito ruim está cozinhando em banho-maria nosso avanço político. Há alguma coisa "não acontecendo" no Brasil que me dá arrepios.


Arnaldo Jabor, carioca nascido em 1940, é cineasta e jornalista, também já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e na Rádio CBN. O estilo irônico e mordaz com que comenta os fatos da atualidade brasileira foi decisivo para o seu grande sucesso junto ao público. Arnaldo Jabor também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, além de escrever regularmente para diversos outros jornais do Brasil.



Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Terça-feira, 19 de fevereiro de 2008.


Leia mais artigos de ARNALDO JABOR no BOOTLEAD:

¤ Pequenas bobagens traçam nosso destino

¤ A IRRESISTÍVEL SEDUÇÃO DO TERCEIRO MANDATO

¤ Em Tropa de Elite, queremos vingança

¤ 'Brasileiro tem de assumir a própria lepra!'

¤ Os aviões andaram bebendo

¤ Síndrome da incompetência generalizada

¤ O troço. O lulismo é uma nova categoria política

¤ Um bode preto assola o país

¤ Lula, o intocável

¤ Será possível que ninguém se toca?

¤ Qual é a origem do dinheiro (Comentário de Jabor censurado na Internet pelo TSE)





A História jamais absolverá "el comandante" – Carlos Alberto Montaner

Segundo "Clarin", Argentina poderá retaliar Brasil por gás

Thursday, June 21, 2007

Ele toca bumbo, ele toca violão, ele toca guitarra, ele até toca violino...
E NÓS DANÇAMOS!






























Click aqui para ver a imagem ampliada.


A culpa é do Lula
por Eliane Cantanhêde

Não há a mínima surpresa no novo apagão aéreo de ontem, terça-feira, 19/6: os controladores estão fortes, organizados e com boa mídia, depois de insuflados pelo presidente da República. Podem parar o país quando bem entenderem.

Militares são proibidos de fazer greve e qualquer funcionário público é proibido de fazer greve em setores essenciais. Mas os sargentos controladores de vôo fizeram operação-padrão nos aeroportos no ano passado e Lula desautorizou o Comando da Aeronáutica, mandando os ministros da Defesa e do Trabalho negociarem sindicalmente uma questão de disciplina militar.

Já neste ano e sob novo Comando da Aeronáutica, a operação-padrão evoluiu para uma greve que parou o país de ponta a ponta, uma greve realmente histórica. E Lula, direto dos EUA, mandou abortar a ida do novo comandante para a Base Aérea de Brasília, onde daria voz de prisão aos líderes. Em vez disso, o ministro do Planejamento (aliás, uma das raras autoridades então disponíveis em Brasília) foi enviado para acatar as reivindicações.

No final, nem os líderes foram punidos, nem as reivindicações foram aceitas. O resultado é que os líderes continuaram liderando e os motivos (pelo menos alegados) continuaram motivando.

Pronto. Quebrada a hierarquia militar e estimulada a insubordinação, era só esperar para novas operações-padrão e novas greves. Os controladores não têm apenas os radares, têm também a faca, o queijo e a leniência do governo nas mãos.

Enquanto isso, Lula continua sempre intocável e "incriticável", a ministra do Turismo recomenda que as vítimas "relaxem e gozem" e os radicais petistas enchem a internet dizendo bem-feito para essa elitezinha branca que anda de avião e que não apita mais nada no país.

Eu estava lá ontem em Congonhas, no meio do caos (inacreditável, mas é...), e tive algumas horas para observar quem é afinal essa elite branca, ou seja, quem são esses inimigos de Lula, do PT e do país. Eram homens e mulheres com roupa de trabalho, muitos carregando pastas executivas e laptops e quase todos tinham o ar cansado. Essa tal de elite parece estar trabalhando demais e passeando de menos.

A olho nu, observando a fila do check-in, a fila para o código do cartão de embarque, a fila da Polícia Federal e as imensas filas dos sanduíches, antes do embarque incerto, esses inimigos do país me pareceram bem inocentes. Eram funcionários e funcionárias, trabalhadores e trabalhadoras, executivos e executivas, profissionais liberais, atores e atrizes, músicos, estudantes, todos indo ou vindo para compromissos de trabalho, de reuniões a shows.

Antigamente, a esquerda falava na luta de classes, entre capital e trabalho. Na nova era, em que "tudo mudou", a luta é entre trabalho e trabalho, salário e salário, quem anda de avião e quem não anda.

Bem, mas Lula tem o Aerolula, o ministro da Defesa estava em Paris e a elite branca --ou seja, o inimigo-- está aguentando firme e forte o tranco, sem xingar, sem reclamar, sem ruídos.

Relaxem e gozem! E bem feito!



Eliane Cantanhêde, carioca, é jornalista formada pela UnB (Universidade de Brasília), foi repórter de "Veja", chefe de redação do "Jornal do Brasil", colunista de "O Estado de S.Paulo", diretora de redação de "O Globo", da "Gazeta Mercantil" e diretora da sucursal da Folha de S.Paulo de 1997 a 2003, sempre em Brasília. Atualmente é colunista da Folha de S. Paulo onde assina a coluna "Brasília" publicada aos domingos, terças, quintas e sextas-feiras. Escreve também para a Folha Online a coluna Pensata todas às quartas-feiras.





Publicado na Folha Online.
Quarta-feira, 20 de junho de 2007.



 
Copyright © 2004-2019 Bootlead