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Friday, September 05, 2008

Palin, a "pitbull" caçadora de "raposas" comunistas!










































Sarah Palin "embaralha as cartas" da campanha eleitoral nos EUA.
por William Waack

Não é preciso concordar com o que diz Sarah Palin, a candidata republicana a vice-presidente dos Estados Unidos, para admitir que ela é a grande sensação da convenção republicana. No momento em que este texto foi enviado para publicação, o candidato a presidente, John McCain, ainda não havia falado – e arrisco-me a dizer que seu pronunciamento terá menos repercussão que as palavras pronunciadas pela companheira de chapa na véspera.

A pergunta que não cala desde a última sexta-feira é saber se Sarah acrescenta votos ou se atrapalha a campanha republicana, que parece bem menos organizada e agressiva do que a dos democratas, pelo menos até agora. Minha opinião é a de que ela acrescenta, e bastante, simplesmente pelo fato de ter embaralhado as cartas de forma, creio, irrecuperável.

A mensagem de Obama é a da mudança dos hábitos políticos num país cansado de "Washington" (aqui entendida a velha política)? Palin acusa Obama de fazer parte do clube que ele critica. É a mensagem dos democratas a proximidade com o sofrimento das classes médias americanas, as mais atingidas pela atual crise? Palin diz que ela vive ainda como uma mãe de família de classe média, enquanto Obama…

Palin soltou uma grande piada em seu discurso: a da diferença entre uma "hockey mom" (as mães que levam os filhos para a aula de esporte) e um pitbull. "É o batom", disse ela. A combinação aqui é perigosíssima, e boa parte da imprensa liberal (no sentido americano) e dos ativistas democratas já percebeu isso.

Ataca-se uma mulher como Palin, e o resultado é torná-la uma vítima de machismo, sexismo, preconceito, etc. Dá-se as costas a ela, e você sai com uma bela mordida no traseiro. O de Obama deve estar ardendo: Palin o atacou como nem mesmo Hillary Clinton tivera a audácia de fazê-lo. Ela não poupou sequer a mulher de Obama, Michelle.

Quando falo que Palin embaralhou as cartas, refiro-me também ao fato de que ela mudou para as próximas nove semanas os argumentos mais esgrimidos até agora entre os contendores – a saber: a) quem é mais experiente para conduzir o país; b) quem traz mudanças nos hábitos políticos; c) quem sabe melhor o que acontece com o americano médio; d) quem conserta a economia.

A chapa McCain-Palin reinventou-se como corajosa e competente não por abordar temas específicos, mas, ao contrário, por arriscar falar sem se importar com as consequencias políticas. Palin atacou boa parte da chamada "grande" imprensa americana acusando-a de preconceito em relação a alguém, como ela, que não era conhecida nos coquetéis frequentados por políticos e jornalistas bem informados em Washington.

Mas ironia, sarcasmo e bom humor são componentes de discursos bem organizados para um público escolhido quando o jogo é em casa (o caso da convenção republicana). É difícil calcular o quanto Palin aguentará no mesmo ritmo as próximas nove semanas, especialmente quando ela não for mais novidade alguma. A eleição não está perdida para os democratas, mas Obama-Biden estão longe ainda de ter garantido a vitória.


William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Quinta-feira, 04 de setembro de 2008, 19h17.



A foto abaixo é dedicada ao blogueiro de VEJA, Reinaldo Azevedo,
pelo seu bem humorado artigo "Sexo é política"










































Raw Data: Sarah Palin Remarks at GOP Convention - Sharon Kehnemui Liss.



Palin, a "pitbull" caçadora de "raposas" comunistas!

Wednesday, May 14, 2008

Quem realmente é esse "Hussein"?










































Obama ainda precisa mostrar quem é
por William Waack

Mauren Dowd, talvez a mais ferina língua do colunismo político americano, inventou um jeito de Barack Obama punir Hillary Clinton por tudo o que ela disse dele na briga interna dos democratas. É só nomeá-la vice-presidente, sugeriu Dowd, no "New York Times".

Do jeito que ela é, continua a colunista, Hillary teria convulsões estomacais todo dia que acordasse pensando que é Obama, e não ela, o chefe de Estado americano. E se consolaria lembrando que 14 vice-presidentes americanos acabaram assumindo o posto.

Mas a brincadeira para a própria Dowd parou aí. Ela lembra que Obama não é o mesmo perto de Hillary – a agressividade, a tenacidade e a figura da oponente parecem paralisar um político, Obama, que demonstrou ser um excepcional encantador de públicos. Talvez tenha sido esse o principal "serviço" prestado por Hillary, ainda que involuntariamente, durante a campanha política.

Pois está claro agora que Obama tem de correr e dizer quem é – ainda que a gente possa se perguntar: nessa altura do campeonato, Obama precisa ainda dizer quem é? Precisa. A eleição nacional é completamente diferente da disputa entre os democratas, nas quais, por sinal, Hillary pareceu muito forte em relação a Obama justamente naqueles estados populosos que fazem a diferença entre republicanos e democratas na conta do voto nacional.

Hillary deixou bem evidente para a máquina de campanha eleitoral republicana os pontos nos quais Obama surge como figura vulnerável: ele precisa, por exemplo, começar a usar a bandeirinha americana espetada na lapela do paletó. Pode parecer ridículo ao público brasileiro, mas, para o americano, demonstrar patriotismo a cada segundo é fundamental para qualquer candidato.

Mais além das pesquisas de intenção de voto, os pesquisadores de comportamento eleitoral americano descobriram recentemente que 45% dos eleitores se identificam com os "valores de Obama" (assim mesmo, bem vago), mas 54% do eleitorado enxerga melhor os "valores de McCain"). Os republicanos têm condições, a partir da leitura desses resultados, de tentar uma campanha baseada em "valores", deixando de lado a situação da economia do país, que lhes é francamente desfavorável em termos políticos.

Vários comentaristas americanos vêm batendo nos últimos dias na mesma tecla: mesmo no recente caso das declarações sobre raça feitas pelo reverendo Jeremyah Wright, que Obama se apressou em repudiar, ficou um ar de dúvida se apenas a frase "entendo a situação dos negros americanos, assim como entendo a situação dos brancos americanos" é suficiente.

Quando os republicanos falam de "valores", ao que eles se referem, além de elementos claramente éticos e morais como casamento de pessoas do mesmo sexo ou aborto? A máquina eleitoral republicana fala principalmente de coisas como apego ao trabalho (em vez de programas de assistência patrocinados pelo estado), simpatia pelas vítimas de crime (em vez de "compreensão" pela situação social que levou alguém a ser um criminoso), proteção das fronteiras (em vez de tolerar a entrada de imigrantes ilegais).

Parte ou não apenas de um mito americano, há algo mais que o eleitorado nos Estados Unidos valoriza muito, e isso se chamaria aqui do apelo exercido pelas Forças Armadas e a projeção do poder americano (definido como imperial, decadente, ou o que o leitor quiser). O fato é que uma boa parte do eleitorado que tanto McCain quanto Obama querem conquistar considera essencial que um presidente não só fale duro, mas prometa agir duro em termos de política externa.

No fundo, o problema de Obama é não permitir que ele seja colocado, pelos republicanos, do lado errado daquilo que os comentaristas americanos chamam de "cultural devide" – a tênue linha a partir da qual o eleitorado que ele precisa conquistar (para vencer as eleições) o consideraria não confiável.

A vitória não está garantida para Obama. E muitos dos que se entusiasmaram com ele aqui no Brasil provavelmente ficarão decepcionados com o que ele, acredito, começará a dizer agora.


William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Segunda-feira, 12 de maio de 2008, 20h08.





PSICOPOLÍTICA E "CURA MENTAL" – Maria Lucia Victor Barbosa

Friday, February 01, 2008

John McCain: This is the Man!



























Espírito militar está presente nas primárias americanas
por William Waack

Seria incorreto chamar a sociedade americana de “militarizada” mas, para quem viveu nos Estados Unidos mesmo por pouco tempo, chama a atenção o quanto do jargão militar faz parte da linguagem do dia a dia.Um exemplo é dizer que fulano está “flying under the radar” – uma velha expressão de combates aéreos usada para descrever alguém que se comporta de maneira furtiva.

Outro exemplo é expressão idiomática “going over the top” (superando o topo), muito usada quando se quer dizer que alguém assumiu uma iniciativa. O “top”, nesse caso, é o parapeito da trincheira, o momento em que o soldado de infantaria sai da sua relativa proteção e é obrigado a encarar o fogo inimigo, correndo para o ataque.

Os americanos cultivam seus muitos monumentos (e mitos) de guerra. Ser um veterano de alguma campanha – e praticamente a cada geração houve uma grande campanha militar americana nos últimos 60 anos – significa, de novo, ser respeitado. Acabou há muito tempo a época na qual os que regressavam do Vietnã eram vistos com desconfiança ou até desprezo. Quem passou pelo Iraque é admirado.

Há exatos 40 anos os americanos passaram por um trauma militar que tem conseqüências políticas até hoje. Em janeiro de 1968, numa ação complexa, sofisticada e bem planejada, o exército do então Vietnã do Norte e o Vietcong lançaram a ofensiva do Tet (assim denominada devido aos feriados de três dias do Ano Novo vietnamita, no final de janeiro). A surpresa foi total e os guerrilheiros vietcongues conseguiram invadir até mesmo a bem defendida Embaixada dos Estados Unidos em Saigon.

Do ponto de vista estritamente militar, a ofensiva do Tet acabou sendo uma catástrofe para o Vietcong, que perdeu em três meses de combates quase dois terços dos efetivos (e não mais recuperaria a antiga força e a iniciativa, a cargo a partir dali do exército regular do Vietnã do Norte). Mas os americanos, que não perderam nenhum dos grandes confrontos militares no Vietnã, sofreram em janeiro de 1968 uma derrota política da qual não mais se recuperariam – ao contrário, janeiro de 1968 vale como o início de uma virada que só terminaria com a retirada completa sete anos mais tarde.

John McCain, o homem que lidera a corrida entre os republicanos pela nomeação de seu candidato à presidência, é um veterano daquela época. Piloto de combate da Marinha, foi abatido sobre Hanói em 1967, fraturou os dois braços e uma perna, foi torturado e, quando recebeu uma oferta de libertação, disse que só iria embora se os outros prisioneiros de guerra fossem com ele.

Existe na sociedade americana o culto do indivíduo herói, do líder destemido e, principalmente, da idéia da lealdade e do patriotismo sob quaisquer circunstâncias. É um fator político-psicológico de primeira linha e, se McCain acabar sendo o presidente americano, devolve à Casa Branca uma geração de políticos que sabe perfeitamente bem o que significa uma guerra (o piloto de guerra Bush pai foi abatido em águas japonesas em 1945; John Kennedy também entrou em combate no mesmo conflito, para não falar de Eisenhower).

McCain atribui a si a decisão que Bush tomou, há quase um ano, de reforçar consideravelmente o número de militares americanos empregados exclusivamente na segurança de Bagdá. Não é só uma lição militar (o comandante americano no Vietnã, William C. Westmoreland, exigiu e conseguiu cada vez mais tropas, com cada vez menos resultados). McCain entendeu que o significado político de “apaziguar” Bagdá (não importa quanto isso dure, evidentemente) era bem mais importante do que a resistência, no eleitorado americano, a mandar mais gente morrer numa guerra impopular e desastrosa.

Não deixa de ser curioso (trágico, se o leitor preferir) que uma das perguntas que mais se repete aos eleitores americanos, nas pesquisas de opinião, é a célebre “quem você acha que está melhor preparado para ser comandante-em-chefe das Forças Armadas?” E que numa época de crise econômica, as pesquisas indiquem – e não é paradoxo algum – que boa parte dos eleitores prefere alguém que seja capaz de mostrar liderança, e nem tanto quem demonstre ter grandes conhecimentos de economia (como é o caso do principal adversário de McCain entre os republicanos, o milionário e empresário Mitt Romney).

Há grandes temas, bastante abrangentes, que tem enorme peso na eleição americana: raça, religião, segurança nacional, segurança social. Mas num país no qual uma das piores ofensas é ser chamado de “loser” (perdedor), é bom prestar atenção nesse estado de espírito (não encontro outra expressão) que dá ao combate, ao militar e ao veterano uma importância que não se vê em outros países ocidentais.


William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008, 19h44.



Lula gosta de publicidade, de notícia, não - Ricardo Noblat



 
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