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Thursday, November 06, 2008

O CÍRCULO SE FECHOU, JÁ TEMOS UM "LEVIATÃ"!










































TEMPOS OBÂMICOS (I)
por José Nivaldo Cordeiro

Quem manda no mundo? Responder a essa questão é responder ao essencial em ciência política. A vitória de Barack Obama é um emblema dos tempos e responde adequadamente à pergunta, embora seja verdade que quem manda no mundo não são os EUA. É só ver como a vontade do Estado norte-americano não é levada em conta em toda parte, a começar pela diplomacia brasileira. Mesmo no Iraque em guerra, onde rebeldes insistem em resistir. É bom que se diga desde logo essa verdade. Quem manda no mundo são os seguidores do socialismo, que obtiveram vitórias esmagadoras no mundo todo, inclusive agora com Obama nos EUA. Idéias é que mandam no mundo.

A esquerda mundial comemorou, com razão, a vitória do novo presidente. Ele é o ícone dessa gente que vê no Estado a alavanca para todos os problemas da humanidade. Os EUA vêm praticando políticas socialistas desde o início do século XX, quando socialismo lá era conhecido pela alcunha de progressismo, um irmão gêmeo do fascismo. Desde então a coisa tem piorado e apenas em momentos episódicos, como na Era Reagan, tentou-se reverter o processo. Em vão. O Legislativo já estava inteiramente tomado pela crença estatista, assim como a imprensa, a juventude universitária e a esmagadora maioria da opinião pública. A eleição de Obama foi uma mera conseqüência.

Claro, a crise econômica fez a sua parte nas eleições, chegando em um momento adequado para destruir qualquer pretensão eleitoral dos adversários. O problema é que a crise econômica que estamos vivendo é conseqüência direta do gigantismo estatal daquele país, fato que é revelado pelos mastodônticos déficits gêmeos, raiz primeira da crise. Ela deriva também de decisões alucinadas, como a de obrigar o sistema bancário a emprestar a clientes que, de antemão, sabia-se incapazes de pagarem suas dívidas, como no caso dos sub-prime. O estouro da bolha imobiliária era um fenômeno perfeitamente previsível.

A formidável onda inflacionária gerou a falsa prosperidade, cujo preço agora está sendo cobrado. Quando as informações de como funcionava o sistema de crédito vieram a público foi um espanto, tamanha a irresponsabilidade do que foi feito. A conclusão é bem simples: os EUA e o mundo precisam desesperadamente de estadistas que governem exatamente contra as idéias socialistas, pois elas não apenas não têm como resolver os graves problemas, como tendem a agravá-los rapidamente. O socialismo é um conjunto de crenças falsas sobre a realidade, sendo a primeira, e a mais importante, a promessa de abolição da lei da escassez e, junto com ela, a promessa de felicidade pela isenção impossível do trabalho duro e diligente que cada homem tem que realizar na sua existência. Obama prometeu precisamente isso. E vai querer concretizar a promessa. Se esse prognóstico for correto é certeza que a economia dos EUA entrará em parafuso, levando junto o mundo inteiro.

Mudança, o slogan tão repetido, é o que não houve. A estrutura de poder é que foi reforçada. Há muito os conservadores estão em decadência política. Obama, como Lula, é o homem-massa no poder. O socialismo é a crença típica do homem-massa. Governantes assim não conduzem as massas, são por elas conduzidos. Eles não têm como acordar de seu sono hipnótico e não têm como acordar as massas de suas ilusões. Esses governantes deixam-se levar pelos urros da multidão, sem saber muito bem o que fazer pelo simples fato de não compreenderem o real. O Estado é uma ferramenta para algumas coisas, mas não para outras. Mas esses novos príncipes passaram a vida toda se iludindo com falsas teorias e palavras de ordem do tipo "um outro mundo possível". O fato é que não há outro mundo, apenas este aqui, que deve ser compreendido para poder ser adequadamente governado.

Tentar abolir a lei da escassez é uma alucinação perigosa. Essa alucinação leva ao ativismo político. Decisões em série serão tomadas, desde a posse, seja para debelar a crise, seja para atender aos anseios da massa. A cada decisão que não vingar, a cada lei inútil promulgada, mais o ativismo crescerá. A explosão de violência poderá ser a verdadeira bolha que nos espera na curva da história, como já houve no passado. A guerra será sempre a solução final, a trazer a humanidade para a sua perversa condição, de criatura orgulhosa e incapaz de se enxergar no seu próprio tamanho.

Quem viver verá.

Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Quarta-feira, 05 de novembro de 2008.




TEMPOS OBÂMICOS (II)
por José Nivaldo Cordeiro

No artigo acima tentei mostrar que a idéia de mudança, associada à campanha do presidente eleito, é falsa, visto que Barack Obama é a expressão política mais acabada da radicalização da estrutura de poder instalada no Estado norte-americano. Foi essa estrutura de poder que gerou a crise atual. E qual é esta estrutura? Aquela que deposita no poder de Estado a esperança de que ele tenha as soluções para todos os problemas humanos, seja por medida legislativa, seja pela ação direta do ente estatal. Essa estrutura de poder determina a expansão continuada da oferta de moeda, dos gastos públicos e das ações militares. É nisso que essa gente acredita. Dominando a Casa Branca e o Congresso, os liberais esquerdistas poderão agora levar a sua pseudo política ao limite do possível.

Naquele artigo sublinhei a falsa crença de que seria possível, via ação estatal, suprimir a lei da escassez. Quero aqui sublinhar outras crenças, não menos perigosas e falsas. (O discurso sóbrio de Obama em Chicago foi apoteótico em face da platéia prostrada a seus pés. As imagens foram assustadoras, até gente como Colin Powell chorando. Fez-me lembrar de Hitler no seu auge, desprovido da fúria vingativa que portava o alemão. Hitler também invocou o efeito raça a seu favor. As manifestações populares por todo o mundo foram algo assombroso também, visto que o eleito nada tem a ver diretamente com africanos, europeus e asiáticos. As massas mundiais, de fato, identificam-se com a pessoa carismática do presidente eleito. Sóter, um salvador, é o que todos enxergam, em delírio alucinado. Mas ele não pode ser isso, é na verdade o oposto disso. Sua única e irredutível proposta é pôr o Estado a serviço dos apetites das massas, satisfazendo os dois vícios mais comuns, a preguiça e ócio. E prometendo o que não pode prometer: a eliminação do risco existencial. A decepção das massas será tão rápida quanto foi a sua adesão. O principio de realidade não tolera os sonhos. A crise está aí para ser enfrentada.)

Uma das questões práticas relevantes que Obama terá pela frente é a guerra no Iraque. Não consigo imaginar uma saída rápida e unilateral das forças expedicionárias que lá estão. Se assim for feito a guerra civil se instala de imediato e um confronto entre os xiitas iranianos e os sunitas sauditas será questão de dias. A presença norte-americana ali garante que esses brigões não briguem. A saída das forças dos EUA e o conseqüente conflito elevariam o preço do petróleo a números imprevisível, desestabilizando ainda mais a economia mundial. O preço em vidas também seria brutal. Isso obrigaria um retorno, mais caro e mais custoso, das forças que ora estão lá. E um retorno seria pior também porque o Irã teria que ser enfrentado e, com ele, talvez Rússia e China. Em resumo, uma saída rápida e unilateral seria algo tão estúpido como foi a política unilateral de desarmamento feita pela Inglaterra e EUA na década de Trinta do século passado.

Da mesma forma, não enfrentar a ameaça nuclear do Irã, em termos categóricos, é convite para que as forças israelenses o façam. Nesse cenário teríamos também um desastre do qual poderia se esperar qualquer coisa, até uma guerra mundial. Não é possível querer a paz omitindo-se das responsabilidades militares. Os clérigos que controlam o Irã só conhecem o argumento da força.

A necessidade de enfrentamento dos déficits públicos dos EUA, tanto o orçamentário como o da balança comercial, impõe o contrário de uma política expansionista: é preciso reduzir gastos e aumentar impostos. Obama foi eleito prometendo justamente o oposto. Na melhor das hipóteses ele se curvará ao princípio de realidade e fará o que precisa ser feito, mesmo ao preço de perder sua popularidade. Ainda não perdi as esperanças de que, por detrás do discurso populista, esconda-se alguém com vocação de estadista. Na pior hipótese tentará o salto para a frente, gastos alucinados bancados por emissão de moeda. O desastre viria em breve tempo.

Obama tem a simpatia de toda a gente, mas essa simpatia deveu-se a circunstâncias únicas, pela sua origem, sua cor e seu discurso. Sua promessa de paz e distensão mundial exigirá o oposto do que as multidões gostariam que viesse. Os governos europeus querem ter mais influência política, assim como Rússia, China e Japão. A equação não fecha. Poder anda de mãos dadas com responsabilidade. Não é possível tê-lo sem exercê-lo. Será interessante observar quais serão as opções tomadas por ele. Quaisquer que venham a ser desagradará muita gente. Só torço para que ele não dê as costas à realidade como ela é. Seria sua pior opção.

Publicado no site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado".
Quinta-feira, 06 de novembro de 2008.



José Nivaldo Cordeiro: "Quem sou eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da mentira e das falsas promessas".



José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP e editor do site "NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado". E-mail: nivaldocordeiro@yahoo.com.br


"Good" morning Earth! Started the countdown! The "END" is black, but this was your choice.


GO McCAIN! YOU ARE AN AMERICAN SAILOR!



Tuesday, September 30, 2008

FIM DE FESTA, O MUNDO ESTÁ À DERIVA!
































Quais as consequências da crise a longo prazo?
por William Waack

O texto de hoje é sobre a crise financeira internacional. Antes, porém, um recado aos leitores: esta secção do G1 é uma coluna que não é diária. Uma das características da atual crise é a rápida sucessão de eventos. Portanto, vou tentar me concentrar em aspectos que possam ser lidos nas próximas duas horas sem padecer de envelhecimento precoce.

Quais são as consequências político-sociais de longo prazo do cataclismo (sim, estamos diante de uma catástrofe)? Acho que vamos considerar 2008 como um ponto de inflexão, assim como 1929 acabou sendo consagrada como uma data que prenunciava importantes mudanças – ainda que o impacto mais forte da crise daquela época só atingisse as principais economias européias em 1934/5.

Especialmente os comentaristas europeus (franceses e alemães, em particular) assinalam o fim do "modo" anglo-saxônico de encarar os mercados financeiros. O argumento mais corrente é o de que as principais economias européias, muito mais reguladas que as dos Estados Unidos e Reino Unido, sofrerão menos com a crise.

O problema desse argumento são os fatos dos últimos dias: os principais governos europeus tiveram de socorrer instituições financeiras privadas com dinheiro público. O socorro prestado pelo governo alemão a uma das principais caixas hipotecárias do país irritou profundamente a própria comissão da União Européia (mas os Países Baixos tiveram de fazer o mesmo, praticamente na mesma hora).

Não, por favor, não leiam isto como uma prova de que "são todos os mesmos" (afinal, não é com dinheiro público que o governo americano quer salvar o sistema financeiro?). Nos países europeus, a presença do Estado na economia foi sempre vista de outra maneira do que nos Estados Unidos e Reino Unido. Sobretudo os social-democratas acham que os tempos mudaram – e por um período muito longo – a favor de sua tese favorita, e que se traduziu numa expressão alemã adotada também pelos conservadores: economia social de mercado, com forte presença dirigista do Estado. Nicholas Sarkozy, o "liberal" presidente francês, assinaria embaixo.

Há um debate entre os dois lados do Atlântico muito mais cultural do que ideológico sobre o papel de governos não apenas em situações de crise. Essa discussão está profundamente ligada aos problemas que a globalização apresenta também para as economias mais avançadas, e este provavelmente é um dos pontos mais negativos da atual crise: ela deve provocar uma onda irrefreável de protecionismo em nome da proteção de empregos e sobrevivência de instituições nacionais (bancos e empresas, por exemplo).

Curiosamente, os europeus levantam de novo as bandeiras de valores fundamentais da economia, como trabalho e poupança, contra o "estilo anglo-saxão" de tomar empréstimos e arriscar nos mercados de capital. É interessante notar que em sociedades de outros lugares do planeta (Japão, por exemplo) "trabalho" e "poupança" são valores bastante cultivados e nem por isso os japoneses escaparam de uma difícil situação econômica, e não faz muito tempo.

Os autores clássicos, especialmente os da Sociologia, costumam dizer que sem um arcabouço teórico dificilmente se entende os fatos correntes. É o que economistas dizem agora da atual crise. Robert Samuelson, por exemplo, argumenta que o "vácuo intelectual" a respeito de qual teoria econômica melhor explicaria a atual crise é que levou ao caos político no Congresso americano. Em outras palavras, não se previa – pelo menos do ponto de vista da teoria – o que viria acontecer. A principal delas: a falta de experiência em como estabilizar mercados financeiros.

Ligar diretamente em relação de causa-efeito mecânica o campo da economia e o da política é um tipo de sub marxismo que nada explica da realidade – é o departamento das verdades absolutas e respostas prontas, que apenas confundem. É difícil prever, portanto, como e se a atual crise, que promete ser longa e difícil, levará a consequencias políticas e onde.

Mas é possível dizer que no campo "cultural" do debate entre Estado e Mercado o pêndulo deve mover-se com força para o primeiro lado. Deve aumentar consideravelmente nossa (de novo, no campo "cultural") insegurança diante de um mundo no qual tudo parecia explicado, conectado, ajustado e, por tanto, controlável. É aquilo que, em alemão, chama-se "Kulturpessimismus" – a idéia de que, no fundo, não somos capazes de dar ordem e direção ao que queremos.

Não falo aqui do ponto de vista do investidor (os inteligentes saberão perceber no momento de crise também o momento da oportunidade). Falo do ponto de vista da experiência de sociedades que se julgavam acima de crises.


William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Segunda-feira, 29 de setembro de 2008, 21h45.




MOMENTO PARA O HUMOR

A ONU encomendou uma pesquisa de opinião em alguns países sobre o problema da fome no mundo, a pesquisa solicitava aos entrevistados que respondessem apenas esta única pergunta abaixo:

"Por favor, diga honestamente: Qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo?"

Porém, os resultados foram altamente desanimadores e a pesquisa um tremendo fracasso. Porque:

1 - Os europeus não entendiam o que significava "escassez".

2 – Os africanos não sabiam o que eram "alimentos".

3 – Os argentinos desconheciam o que queria dizer "por favor".

4 – Os americanos perguntaram o que significava "resto do mundo".

5 – Os cubanos solicitaram que lhes explicassem o que era "opinião".

6 – E os brasileiros, estão até hoje se perguntando qual é o significado de "honestamente".



"América Latina está gobernada por el Foro de Sao Paulo" - Antonio Sánchez García


A próxima crise americana – Olavo de Carvalho



Friday, August 29, 2008

McCain & Palin: Simply the best choice!

Foto: Sarah Palin, Governadora do Alasca e candidata a vice de John McCain.









































O apelo eleitoral de Sarah Palin
por William Waack

A escolha feita por John McCain de uma jovem (para os padrões políticos) governadora como companheira de chapa foi um extraordinário feito político dos republicanos. Transformou mesmo em coisa da história o discurso da véspera feito por Barack Obama – do qual boa parte da imprensa instantânea parou de falar 12 horas depois dele ter sido chamado de “histórico”.

Aos 72 anos de idade, John McCain não é exatamente um triatleta. Ao contrário, sempre se comentou que tão importante quanto o candidato republicano seria saber qual seu vice. E que vice! Uma “hockey mom”, como a própria governadora Sarah Palin se define: uma dessas mães de subúrbio (lá, subúrbio tem outra conotação), que levam as crianças de tarde para o treino do time de hockey. E vão torcer pela prole no domingo – depois da igreja, claro.

Se houvesse um rosto da americana típica de classe média, e um jeito de falar também, seria o de Sarah Palin. É óbvio que ela tem apelo eleitoral até para as democratas que continuam infelizes pelo fato de Hillary Clinton não ter sido escolhida sequer a vice de Obama. Ela é arquiconservadora em questões morais e sociais, o que fala também a um grande número de eleitores americanos.

E, se Obama é o “candidato mensagem”, Palin dá à campanha dos republicanos um inesperado ar de jovialidade. Foi uma brilhante tacada política. O nome do qual mais se falava até agora para vice era o do empresário-governador Mitt Romney – competente, bem sucedido, monótono. Até McCain tinha um sorriso meio bobo quando anunciou Sarah Palin – sorriso de velho quando ganha elogio de mulher muito mais nova.

O discurso de aceitação de Obama foi até agora o mais importante de sua carreira, mas faltou a ele o típico carisma com que encantou muita gente durante as primárias. Obama tinha de mostrar os dentes e, desta vez, não era para sorrisos. Foi duro e contundente nos ataques a Bush e McCain – algo pelo qual os democratas imploravam. E fez pelo menos duas promessas retumbantes, de difícil realização, e pelas quais será cobrado.

Primeira promessa: acabar em dez anos com a dependência americana do petróleo do Oriente Médio. Talvez seja o objetivo estratégico mais importante formulado por um chefe de governo americano desde a política de contenção da União Soviética no início da Guerra Fria, e já lá se vão uns 60 anos (o “star wars” de Reagan foi a continuação dessa política). Tem um subproduto interessante: o reconhecimento que é melhor retirar-se de um lugar onde os conflitos parecem mesmo intratáveis.

Segunda promessa: reduzir impostos para 95% das famílias de classe média. A principal dificuldade em reduzir impostos reside no fato, reconhecido pelo próprio Obama no discurso de quinta à noite, de que ele precisa financiar programas sociais, programas de investimento em infraestruturas e, conforme prometeu também, manter equilíbrio fiscal. Conciliar tudo isso requer extraordinário senso de equilíbrio, visão de longo prazo e articulação política.

Faltam 67 dias para as eleições americanas e elas parecem em aberto. São as mais fascinantes para pelo menos três gerações. O eleitorado americano – e o mundo, pode-se dizer, dadas as conseqüências das decisões que são tomadas nos Estados Unidos, gostemos delas ou não – está diante de escolhas reais. E não é fácil decidir entre uma e outra.


William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Sexta-feira, 29 de agosto de 2008, 14h20.



Contra a demarcação: Coronel vê risco de surgir "nação étnica" na fronteira – Entrevista do Cel Fregapani à Folha de S. Paulo.



Sunday, July 06, 2008

Os grandes vitoriosos e os desprezíveis derrotados de sempre.











































Na hora da vitória, Ingrid demonstrou o equilíbrio que falta a Chávez
por William Waack

Foi impressionante a capacidade de articulação política de Ingrid Betancourt no momento da vitória. Indagada por jornalistas sobre as tentativas de mediação de Chávez – nas quais o presidente venezuelano empenhou-se em dar ao bando narco guerrilheiro o status de respeitável força política – a ex-sequestrada demonstrou extraordinário equilíbrio (que falta a Chávez). E fuzilou:

"Chávez é um importante aliado (na causa da libertação de reféns). Mas sob uma condição: a de respeitar a democracia colombiana. Os colombianos elegeram Uribe, e não as Farc."

As Farc só não perderam totalmente a guerra ainda devido à ajuda que encontram em território de países vizinhos.

Especialmente a Venezuela. Ficaram nesta quarta feira (2) sem sua principal arma, que era o escudo humano proporcionado por dezenas de reféns. Sua derrocada militar é evidente. Mais clara agora é a desmoralização política.

Álvaro Uribe deu uma lição espetacular do uso de pressão militar e política. Os fatos se impuseram de maneira muito rápida aos que repetiram – alheios à realidade – que não havia solução militar para o conflito. Havia, sim. Desde que respeitada a principal lição: a de que operações militares só fazem sentido se estiverem dentro de uma clara condução política.

O governo colombiano aprendeu brilhantemente a lição do começo da década, quando mantinha um vasto território desmilitarizado, no qual as Farc se reagrupavam, descansavam, treinavam, mantinham reféns e, como eu mesmo pude comprovar, como repórter, cultivavam folha de coca, produziam a pasta básica e a vendiam adiante.

É óbvio que a ofensiva militar encurralou os guerrilheiros, mas o principal mérito dos golpes aplicados às Farc é político. É o fato de que uma imensa maioria dos colombianos apoiou a política do presidente. Ou é para esquecer o impressionante protesto anti-Farc no final do ano passado?

Alguns formuladores de política externa em Brasília devem ter ficado constrangidos. Participaram de uma palhaçada circense encenada por Chávez, no ano passado, para libertar os reféns hoje resgatados por uma brilhante operação militar. E, involuntariamente, apoiaram hoje a política "militarista" de Uribe. O chanceler brasileiro declarou na noite de quarta feira que, agora enfraquecidas, as Farc talvez topem negociar de verdade.

Ou seja: a pressão militar é que levará o que sobrou dos narco guerrilheiros à negociação.


William Waack nasceu em São Paulo, SP em 30/08/1952 é jornalista, formado pela USP. Cursou também Ciências Políticas, Sociologia e Comunicação na Universidade de Mainz, na Alemanha, e fez mestrado em Relações Internacionais. Tem quatro livros publicados e já venceu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, pela cobertura da Guerra do Golfo de 1991 e por ter revelado informações sobre a Intentona Comunista de 1935, até então mantidas sob sigilo nos arquivos da antiga KGB em Moscou. Waack trabalhou em algumas das principais redações do Brasil, como o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Foi editor de Economia, Internacional e Política. Durante 20 anos, William Waack foi correspondente internacional na Alemanha, no Reino Unido, na Rússia e no Oriente Médio. Desde 1996, trabalha para a TV Globo e voltou ao Brasil em 2000. Apresenta, desde maio de 2005, o Jornal da Globo e em 2006, passou a assinar uma coluna na editoria Mundo do portal de notícias G1.



Publicado no Portal G1.
Quinta-feira, 03 de julho de 2008, 07h37.




A "MESA REDENTORA"???

Em 1964 os militares construíram uma "mesa" com quatro "pés", como devem ter todas as mesas que se prezem. Os "pés" da "mesa" dos militares eram representados pela Igreja Católica, pelo Judiciário, pelos Bancos e pelo Sr. Roberto Marinho (depois Rede Globo). Em cima da "mesa", os militares, embaixo os comunistas e todos os chamados inimigos da Pátria.

E hoje? A "mesa" continua com a mesma estrutura, agora já não sustentada por "pés", mas por "patas", ou seja: A Igreja, não mais a Católica e sim a da "libertação" associada a do "reino do demônio", o mesmo Judiciário, composto como naquela época de uma maioria de juízes despreparados, despóticos e venais, os Bancos, com a mesma sanha agiotista de sempre e a Rede Globo, agora com os rebentos do Sr. Marinho mercenariamente a serviço dos poderosos de plantão.

Quem está agora em cima da "mesa"? Os perdedores de 1964, os comunistas e os tais inimigos da Pátria.

Embaixo da "mesa" os militares. E ao que tudo indica os militares do presente, não têm a honradez e a coragem inerentes àqueles de 64 para doravante desmontarem a "mesa" e extinguirem de uma vez por todas com os que estão ou já estiveram por cima da "mesa" nos últimos e infelizes tempos para os verdadeiros brasileiros. Até quando?
Bootlead





CONTESTAÇÕES ÀS INJÚRIAS E DIFAMAÇÕES CONTRA MIM – Cel Ustra




Tuesday, April 01, 2008

"ESQUERDA VOLVER!"









































A história do mundo para crianças ou Historietas da América
por Olavo de Carvalho

Por aqui até crianças sabem aquilo que os cientistas políticos, comentaristas de mídia, analistas estratégicos brasileiros estão longe de poder sequer imaginar: que a verdadeira disputa política nos EUA não é propriamente entre republicanos e democratas, mas entre globalistas e americanistas, e que nada, absolutamente nada do que se passa no mundo de hoje – sobretudo nas áreas mais diretamente submetidas à influência americana – pode ser compreendido se não for enfocado nessa perspectiva.

Quando digo crianças, não é força de expressão. Kyle Williams é um garoto homeschooled que estreou no jornalismo aos doze anos de idade, em 2001, e manteve uma coluna regular no WorldNetDaily até 2005. Seus primeiros artigos foram reunidos no livro "Seen and Heard", onde as estrelas intelectuais da ESG, da USP e da Folha de S. Paulo poderiam colher muitas lições úteis, se tivessem maturidade para isso.

Certamente Williams não é a única fonte para o estudo do assunto. Só na minha biblioteca já reuni uns cem títulos a respeito, dentre os milhares que circulam nos EUA. Recomendo o livro do garoto para não sobrecarregar os cérebros dos nossos formadores de opinião com alimento mais maduro.

Em 2001, Williams já havia compreendido perfeitamente que, para a elite globalista, empenhada na construção ultra-rápida de um governo mundial segundo as linhas aprovadas oficialmente pela ONU, o único obstáculo considerável era a soberania americana. Daí que não apenas subsidiassem generosamente movimentos anti-americanos por toda parte, mas, internamente, investissem pesado no "multiculturalismo" destinado a dissolver o próprio senso de identidade nacional.

Passados sete anos (três desde que Williams abandonou o jornalismo, talvez por achar-se velho demais para essas coisas), as propostas jurídico-administrativas mais atrevidas destinadas a quebrar a espinha do poder nacional americano – a dissolução das fronteiras com o México e o Canadá, a submissão do governo americano ao Tribunal Penal Internacional e o Tratado da Lei do Mar – ainda encontram resistência obstinada, mas os progressos na guerra cultural são notáveis, tanto no exterior quanto na esfera doméstica, onde o simples surgimento da candidatura Barack Obama prova que o anti-americanismo explícito já tem alguma força eleitoral.

A ascensão da esquerda na América Latina teria sido impossível sem o apoio dos círculos globalistas. As relações entre o Diálogo Interamericano e o Foro de São Paulo datam pelo menos de 1993. A ligação próxima da elite "progressista" americana com a narcoguerrilha colombiana ficou mais que provada com as visitas de importantes dirigentes da Bolsa de Valores de Nova York aos comandantes das Farc (v. Por trás da subversão). E não podemos esquecer que a ocultação da existência do Foro de São Paulo, favorecendo o crescimento dessa entidade longe dos olhos da opinião pública, recebeu um potente impulso legitimador da parte do próprio CFR, Council on Foreign Relations, o mais importante think thank globalista dos EUA (v. Mentiras concisas e Alencastro, o sábio da Veja).

Desde o fim da era Reagan, uma política comercial um tanto mais agressiva da parte dos EUA veio junto com a quase total abdicação da "diplomacia pública" e de qualquer tentativa séria de rebater as violentas campanhas anti-americanas por toda parte. Essa estranha combinação de ousadia comercial e timidez diplomática é a fórmula infalível para despertar o ódio a um país. Trinta anos atrás, os princípios e valores americanos tinham alguma presença no debate político-cultural em todo o mundo. Desde então, só o que se vê é o interesse comercial nu e cru, adornado de sorrisos lisonjeiros que só servem para alimentar suspeita. Entre os conservadores americanos, é forte a convicção de que o Departamento de Estado vem há décadas trabalhando contra os EUA e em favor da elite globalista.

No Brasil, ignora-se tudo, literalmente tudo a respeito desse conflito que tanto os globalistas quanto seus adversários sabem ser o capítulo mais decisivo da disputa de poder no mundo. Nas colunas de jornal, nas conferências da ESG e em círculos de discussões militares na internet, só o que encontro é um enfoque atrasado de mais de quarenta anos, no qual tudo o que venha dos EUA é interpretado como expressão direta e inequívoca do "interesse nacional" americano em luta para dominar a América Latina. Isso é de uma estupidez quase inimaginável, mas não resta a menor dúvida de que muitos que a cultivam não padecem dela pessoalmente, apenas a incutem, por esperteza, na mente dos outros.

Mal orientado por um fluxo de informações planejado precisamente para isso, o patriotismo das nossas Forças Armadas pode ser, de um momento para outro, transformado em instrumento do anti-americanismo continental e acabar servindo ao globalismo no instante mesmo em que imagina combatê-lo. Submetidas durante duas décadas a uma brutal campanha de desmoralização e ao progressivo desmantelamento dos seus recursos, as nossas Forças Armadas arriscam ser levadas àquele ponto de desespero no qual uma oferta de compromisso, vinda de seus mais empedernidos algozes e legitimada por pretextos aparentemente patrióticos, pode aparecer como uma tábua de salvação.

O duplo tratamento pavloviano dado pela elite comunista aos militares – de um lado, a difamação incessante, o aviltamento, a cusparada; de outro, a aproximação sedutora e capciosa sob as desculpas de "reconciliação" e "defesa da Amazônia" – foi calculado precisamente para chegar a esse resultado. E está chegando.

Talvez não esteja longe o dia em que nossos oficiais se sintam honrados de integrar o "exército anti-imperialista" de Hugo Chávez, sem saber que, voltando o seu ódio contra os EUA, ajudam a derrubar a única barreira efetiva que se opõe às mesmas ambições globalistas contra as quais acreditarão piamente estar levantando a bandeira da soberania pátria.

Se um engano tão descomunal parece grotesco demais para poder transmutar-se em realidade, algumas amostras do atual pensamento militar brasileiro que circulam pela internet tendem a mostrar, ao contrário, que isso já está acontecendo. Parece mesmo que não há limites para a autodegradação compulsiva que se tornou, de uns anos para cá, o modo brasileiro de ser.

Ironicamente, a política mais recente do Departamento de Estado para com a América Latina concorre ativamente para levar a esse resultado. Proclamando mentirosamente a lealdade do governo brasileiro à velha aliança com os EUA e recusando-se a reconhecer a parceria de Lula com as Farc e Hugo Chávez no quadro do Foro de São Paulo, a administração Bush só reforça a credibilidade de uma das mentiras mais astutas já concebidas pela esquerda brasileira para aliciar os nossos militares: a lenda de que Lula "aderiu ao capitalismo" e está agora trabalhando para os americanos. A perspectiva atemorizante da fragmentação real e virtualmente oficial do nosso território – uma parcela para o MST, outra para as comunidades indígenas, outra para os "quilombolas", outra para os narcotraficantes, etc. --, que inspira tanto horror entre os nossos militares patriotas, surge assim como se fosse uma iniciativa do nacionalismo americano e não de seus verdadeiros autores, o conluio de globalistas e esquerdistas. O próprio ressentimento dos militares contra os sucessivos governos esquerdistas que tudo fizeram para desmantelar as Forças Armadas é assim voltado contra os EUA e transmutado em arma a serviço da "revolução bolivariana" no continente. Sem dúvida a esquerda nacional aprendeu alguma coisa com a máxima de Ronald Reagan: "Você pode conseguir tudo o que quiser, desde que não faça questão de levar o mérito."

Na verdade, a insistência psicótica do Departamento de Estado em tratar o governo Lula como se fosse um parceiro confiável e um baluarte de resistência à onda comuno-chavista, ignorando reiteradas ações e palavras do próprio Lula que mostram que ele não é nada disso, explica-se simplesmente pelo desejo de camuflar o fracasso descomunal da política latino-americana do governo Bush. Ninguém no Departamento de Estado ignora o compromisso inflexível de Lula com o Foro de São Paulo, isto é, com Hugo Chávez e o terrorismo. Mas reconhecer isso em voz alta, principalmente num ano eleitoral, é mais do que se poderia esperar, seja do presidente americano, seja da sra. Condoleezza Rice.

Neste aniversário do movimento cívico-militar de 1964, não há assunto mais digno da atenção das nossas Forças Armadas.


Olavo Luís Pimentel de Carvalho nasceu em Campinas, SP em 29/04/1947 é escritor, jornalista, palestrante, filósofo, livre pensador e intelectual, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros, publica regularmente seus artigos no jornal "Diário do Comércio" e no site "Mídia Sem Máscara", além de inúmeros outros veículos do Brasil e do exterior. Já escreveu vários livros e ensaios, sendo que o mais discutido é "O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras" de 1996, que granjeou para o autor um bom número de desafetos nos meios intelectuais brasileiro, mas também uma multidão de leitores devotos, que esgotaram em três semanas a primeira edição da obra, e em quatro dias a segunda. Atualmente reside em Richmond-Virginia, EUA onde mantém um site em português e inglês, sobre sua vida, obras e idéias.
E-mail: olavo@olavodecarvalho.org


Publicado no jornal "Diário do Comércio".
Segunda-feira, 31 de março de 2008.





MENSAGEM DO PRESIDENTE-FORÇAS ARMADAS-O INEXPUGNÁVEL BALUARTE – Ten-Brig Ivan Frota

Saturday, March 29, 2008

Esta será a última imagem que o "parvo de nove dedos" verá...
Quando, proferirá suas últimas palavras: "Na cara não, pra não estragar o velório".










































Cínico, debochado e mentiroso - o PT se apropriou do país...
por Rebecca Santoro

O que mais se poderia dizer do discurso no presidente reeleito do Brasil, na eleição mais fenomenal da história das eleições mundiais. Fenomenal no sentido de fenômeno, fato extraordinário, não comum. Sim, quem é que não se lembra do milagre da caixa-preta eletrônica eleitoral que fez 11 milhões de pessoas mudarem seu voto do primeiro para o segundo turno das eleições, nas quais, sem motivo aparente nenhum 2 milhões de pessoas resolveram deixar de anular seu voto e mais outras 6 milhões migraram de candidato? O resultado do fenômeno inquestionado e inconferível está aí: o senhor da Silva reeleito, aparelhando cada vez mais o Estado e todas as suas instituições e colocando a ele, a seus familiares, a seus amigos e companheiros, todos, acima da Lei, do Bem e do Mal.

Ontem, talvez inflado por resultados divulgados sobre pesquisa de popularidade de seu governo, pelo CIN/Ibope, Lula exagerou na dose de "eu digo o que é real ou não", durante o segundo dia de visita a Pernambuco, para juntamente com o presidente Hugo Chavez, da Venezuela, acompanhar as obras da refinaria de petróleo em construção no porto de Suape, na qual a Petrobrás ficará com 60% do capital e a PDVSA, estatal venezuelana do petróleo, com 40%.

Para ressaltar o clima de harmonia entre os dois presidentes, Lula voltou a defender a entrada da Venezuela no Mercosul: "Todos nós queremos que a Venezuela seja membro definitivo do Mercosul, todos nós". O "todos nós", é claro, não inclui, necessariamente, o povo brasileiro, mas, certamente, os membros do Foro de São Paulo. Como se não bastasse, e a despeito do farto registro da imprensa que mostra o contrário, Lula, o senhor da realidade, com um cínico sorriso, disse também que o mundo estaria devendo a Chavez os entendimentos que evitaram uma guerra entre a Colômbia e o Equador, no episódio em que forças militares colombianas colombiana entraram pelo território fronteiriço de seu país com o Equador para atacar um acampamento de terroristas das Forças Armadas Comunistas (as FARC) que atuam na Colômbia.

Como se sabe, a realidade foi bem outra. Na época do episódio, Chavez foi o primeiro líder da região a usar a palavra "guerra", em seus inflamados discursos sobre os possíveis desdobramentos da crise – todos em favor das FARC, é claro, grupo sobre o qual Chavez possuiria mágicas e suspeitas influências de negociador. Nessa mesma missão "apaziguadora", pelo menos segundo a avaliação de Lula, o presidente venezuelano mandou fechar a embaixada da Venezuela em Bogotá (Colômbia), além de ter mobilizado seis mil soldados, tanques e aviões para a fronteira com a Colômbia (há denúncias de que não foi exatamente de toda essa quantidade de gente e de armas a mobilização; mas isso já é outra estória).

De modo que, das duas uma: ou Lula mente descaradamente mesmo sobre o episódio, querendo transformar a realidade, ou sabe de coisas que a imprensa não somente não sabe como também nem sequer tenha suspeitado, uma vez que nada tenha sido falado a respeito dessa atitude "pacificadora" de Chavez. Do jeito que as coisas andam, pode ser também que as duas opções sejam verdadeiras. Quem levanta a "lebre" é o próprio Lula, ao fazer declarações obviamente contrárias à realidade dos fatos que foram amplamente divulgados pela imprensa.

Em seu estranho estado de alegria, Lula também falou sobre a crise na economia americana, dizendo, inclusive, ter ligado para o presidente norte-americano, George W. Bush: "Eu liguei para ele e falei: - Ô Bush, o problema é o seguinte, meu filho: nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo, vocês vêm atrapalhar, pô? Resolve a tua crise!". Assim mesmo, com essa fineza toda.

Em inegável peregrinação eleitoreira, com o dinheiro do contribuinte é claro, já que Lula está presidente do Brasil, o para lá de ex-operário classe-média baixa, senhor da Silva, segue viagem pelo nordeste, de palanque em palanque, defendendo, baseado em discursos que, no mínimo tergiversam sobre a realidade, notórias figuras do espetáculo de corrupção que não sai de cartaz no Brasil, como os ex-presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti, e do Senado, Renan Calheiros.

Nas suas andanças "palanqueiras", Lula, sempre acompanhado por Dilma Rousseff, sua pupila sucessora, disse também que vai emplacar um sucessor na presidência da república nas próximas eleições presidenciais, em 2010. Que novidade, não?! Depois, passados os quatro anos da gestão deste sucessor, é lógico, Lula pretende voltar por mais 8 anos. Quem mais se surpreenderia com isso no paraíso do voto eletrônico e do estado aparelhado?!

Para espantar as suspeitas sobre a atuação "KGBística" da Casa Civil, que teria levantado, segundo Dilma Rousseff, um "relatório de dados", e não feito um dossiê, sobre os gastos da equipe do ex-presidente FHC com cartões corporativos do governo e com contas tipo B, dando "destaque", digamos assim, às despesas da ex-primeira-dama, Ruth Cardoso, aos ministros e às pessoas próximas do ex-presidente, tanto particular como profissionalmente, Lula e Dilma adotaram o discurso de acusar quem teria divulgado a execução do tal "dossiê". É, o crime, nesse governo comunista, é falar dos crimes do governo. Além disso, tentam passar a idéia de que o tal levantamento de dados seria ação de rotina. Hoje, o ministro da justiça, Tarso Genro, já adiantou que a Polícia Federal não vai investigar nada sobre o assunto, classificando o mesmo de simples disputa política. Crime do PT cai sempre nessa classificação. De modo que a PF, agora, é de propriedade do PT - o partido decide o que é crime e o que deve ou não ser investigado.

Lula supõe ter procuração para mentir e para fazer o que bem entender num país que virou propriedade privada do PT. O presidente conta com a divulgação de pesquisas de popularidade a seu favor. Ontem, saiu o resultado da pesquisa CNI/Ibope sobre os índices de popularidade do senhor presidente. Ele está com 58% de aprovação (ótimo ou bom), segundo a pesquisa, na qual foram entrevistados 2.002 eleitores em 141 municípios entre os dias 19 e 23 de março. E eu pergunto: quem dos nossos leitores já foi ouvido pelo Ibope numa pesquisa dessas? Quantas já não foram as denúncias de que não são consideradas, por muitos pesquisadores, as respostas que vão contra os interesses do governo? E mais: quantas pessoas o leitor conhece que aprovam, como ótimo e até mesmo como bom o governo de Lula?

O governo de Lula vai bem por causa da estabilidade econômica? Que estabilidade? Essa que está aí, completamente baseada em crédito e endividamento? Um dia o mico preto vai acabar na mão de alguém... adivinha na mão de quem... Pelo amor de Deus! O brasileiro compra até alimentos com crédito... Isso é que é sinal de economia saudável? O governo Lula vai bem por causa da ascensão de milhões de famílias vindas da classe E às classes D ou C? E a decadência de outras milhões da classe média B (que é a que sustenta a empregabilidade privada do país) e C para a classe D e até para a E, não conta? E a falência da agricultura que não seja a de grãos ou a de insumos para os biocombustíveis? E falência, também, de nossas fábricas em decorrência da invasão chinesa no mercado? O governo lula vai bem porque têm aumentado os índices de emprego com carteira assinada? Mas, em que nível estariam esses novos empregados? Nos níveis de produção de conhecimento, de ciência e de tecnologia - todos agregadores? É claro que não. O que aumentou foi o emprego no nível de "apertador de parafuso" - o que, apesar de ser aparentemente bom para o país, na verdade será péssimo a longo prazo, carregando-nos a todos para os confins da subcultura, do subdesenvolvimento.

Certamente, então, o governo Lula vai bem por causa da infinidade dos escandalosos casos de corrupção no governo - ininterruptamente, um atrás do outro e cada um mais obviamente incriminador que o outro. Vai ver que o governo de Lula (e a sua pessoa) vão bem, então, nas pesquisas porque, "nunca na histhória desthe paisth", tanta gente amiga e parente de um presidente enriqueceu tanto e milagrosamente em tão pouco tempo. Vide o filho de Lula, o Lulinha, que saltou de biólogo empregado de zoológico, ganhando R$ 600,00 por mês, a mega-empresário de comunicação, contando com a ajuda da Telemar que doou/investiu R$15 milhões no pimpolho - isso para não falar das investidas do garoto em mega fazendas espalhadas pelo páis. O próprio presidente, nos primeiros 4 anos de governo, quadruplicou seu patrimônio!

Essa popularidade toda do presidente Lula também pode ser pelo fato de sua esposa e de seus filhos terem buscado conseguir a cidadania italiana. Ou pode ser também pelo fato das epidemias de dengue virem piorando a cada ano no país, no qual voltaram a aparecer doenças que já estavam erradicadas, como tuberculose e febre amarela. Se não for por nada disso, ou por tudo isso junto, talvez toda essa popularidade se deva ao fato de que milhares de brasileiros sejam deportados de volta ao Brasil, de onde fogem para alcançar a sonhada cidadania, em sociedades que valorizem um pouco mais os méritos e os talentos de cada ser humano. São mais de 30 mil brasileiros mandados de volta ao país por ano. No exterior, ficamos cada vez mais conhecidos como criminosos e como prostitutas - para o Japão, por exemplo, exportamos ladrões de carro e para a Espanha, traficantes e prostitutas.

Quem aprova Lula e seu governo, afinal? Ora, os militantes do PT, os banqueiros, os grandes empresários, os agraciados com cargos no serviço público, os funcionários contratados ao Estado como DAS, as vítimas dos bolsa-isso-bolsa-aquilo e a gente que faz parte dos chamados movimentos sociais, como os quilombolas, o movimento dos Sem-Teto, dos Sem-Terra, as centrais sindicais e, porque não dizer, a gente que trabalha com o crime organizado. Essa gente, sim, é que aprova o governo de Lula em sua maioria. Até aí, nada de novo. Mas, o que causa estranheza é esse pessoal já estar representando 58% da população - isto se formos tomar a pesquisa do Ipobe como referência. Será?


Rebecca Santoro é jornalista formada pela Bond University - Austrália, em 1995, também é repórter freelancer e escritora. Em virtude de haver sido assistente da jornalista Christina Fontenelle desde 2005, ficou encarregada de administrar e de escrever as matérias e artigos (a partir de set/2007) que dão continuidade ao trabalho iniciado por Fontelelle. Rebecca Santoro, possui diversos cursos nas áreas de Comunicação Social e Jornalismo, no Brasil e no exterior, escreve regularmente para diversos sites e blogs, além de manter seu próprio site: Imortais Guerreiros.
E-mail: rebeccasantoro@gmail.com



Publicado no site " Brasil acima de tudo ".
Sábado, 29 de março de 2008.





ESTADO SINDICAL, GOVERNO CONIVENTE, SUPREMO MST – Ricardo Alfaya Saravia
 
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