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Tuesday, September 11, 2007

2 + 1: Porque é fundamental ter o homem certo no lugar certo!










































SE FOR PARA O BEM DO POVO E A FELICIDADE GERAL DA NAÇÃO, DOM LULA III DIZ AO POVO QUE FICA!
por Paulo Moura

Atenção historiadores. Atenção incrédulos comentaristas do óbvio: o rei Lula II vai reinventar o "Dia do Fico". Sim, é isso mesmo que os senhores estão lendo. Num jogo de cena que está recém em seus primeiros atos, o petismo prepara a reedição do "Dia do Fico", aquele no qual, dizem, o Imperador Dom Pedro I teria dito que "Se for para o bem do povo e felicidade geral da nação, digo ao povo que fico!". Reinventando até Marx, Lula pretende reeditar o Dia do Fico, provando que, também nisso, Marx estava errado e que é possível repetir uma farsa histórica como farsa e como tragédia ao mesmo tempo.

Só não vê quem não quer. Lula quer mais uma reeleição, pelo menos ... Aliás, Lula quer o poder eterno. Ele quer ser a reedição de si mesmo. Lula I, a conquista das elites; Lula II, a conquista das massas; e, vem aí: Lula III, a conquista do império.

Se aqui fosse Cuba, isso não seria problema. Se fosse a Venezuela, seria um pequeno problema. Nosso buraco é bem maior e bem mais embaixo. Aqui o script requer mais sofisticação. No Brasil, até estratégia política, para funcionar, tem que ser roteirizada como novela da Rede Globo. Mas, o rei Lula II e seus súditos estão à altura do desafio. Já os inimigos do rei; não.

O canastrão número um, todos já sabem quem é. Ele interpreta como ninguém a reedição da novela "O Pai dos Pobres", que estava fora de cartaz havia uns 60 anos. A claque já foi contratada para lotar o auditório; aplaudir e pedir bis. Basta o maestro mandar.

A primeira pista para o desfecho foi dada pelo próprio Lula numa entrevista recente. Quando perguntado por um repórter sobre a hipótese de mais uma reeleição, o rei disse: "não fico nem se o povo pedir". A segunda pista foi fornecida pelo 3º Congresso do PT. É o plebiscito pela reestatização da Cia. Vale do Rio Doce. Aí está o laboratório avançado da estratégia de aprovação da reeleição eterna de Lula. O personagem que faltava nesse enredo neopopulista é a massa mobilizada pedindo mais Lula-lá "contra as elites conservadoras".

Sim, eu disse faltava. Desculpem estragar a surpresa, mas uma fonte bem informada que trabalha para a revista Capricho, teve acesso a uma informação segura de um importante interlocutor de Lula que pediu para não ser identificado e me contou o fim da novela, que antecipo aqui em primeira mão, exclusivamente para nossos leitores.

A fonte da minha fonte testemunhou pessoalmente uma reunião secreta entre Lula, Zé Dirceu, Palocci e Gushiken (Tarso Genro não estava presente, pois não manda nada, com se viu no último congresso do PT), na qual ficou decidido que Zé Dirceu, através da empresa de eventos do promoter emergente, Delúbio Soares, deverá contratar milhões de figurantes para, de agora até 2010, saírem às ruas em sucessivas e cada vez maiores manifestações de massas, gritando: Fica Lula! Fica Lula! Fica Lula!

Na linha de frente das manifestações, a juventude lulista, segmento de jovens de classes populares de faixa etária entre 16 e 18 anos, recém integrados ao programa bolsa-esmola, que agregou à distribuição de mesada como nosso dinheiro, um programa de conscientização de jovens de classes populares para seu direito político de continuar recebendo esmola do Estado para o resto da vida. (Se Lênin não estivesse embalsamado daria pulos no sarcófago).

Paralelamente, a Rede Globo criará um bloco especial de três minutos diários entre o Jornal Nacional e a novela das 20 hortas, patrocinado pelo BNDE e pela Petrobrás, no qual Pedro Bial comandará uma votação interativa para que os telespectadores decidam democraticamente se querem que 0800-Lula fique mais um mandato; 0800-Lula fique mais dois mandatos, ou, 0800-Lula fique para sempre. Entrevistado por Willian Boner e Fátima Bernardes, Lula repetirá insistentemente, tal qual donzela virgem e louca para dar: não, não, não ...

Em 1º de fevereiro de 2009, em plena convocação extraordinária do Congresso, na calada da noite da véspera de feriadão de Iemanjá e com o parlamento vazio, um desconhecido deputado do PMDB de Rondônia protocolará uma emenda liberando a reeleição eterna. No final de 2009, o presidente do Congresso, diante do clamor das massas que cercam a Praça dos Três Poderes gritando "Fica Lula!"; decide ceder à voz das ruas e bota a emenda em votação.

Sentindo que a emenda passa, Serra e Aécio mandam seus tucanos votar a favor, por baixo dos panos. Afinal, governar Minas e SP está de bom tamanho ante a provável re-reeleição Lula II. A essa altura, 54% da população brasileira estará recebendo bolsa-esmola. Alckmin, prefeito de São Paulo, chora lágrimas de crocodilo, pensando que, afinal, se Lula é imbatível, até que a prefeitura de São Paulo está de bom tamanho.

Diante do cenário, Franklin Martins convoca os oito "melhores" jornalistas, dos principais veículos do país, para uma entrevista coletiva com Lula, na biblioteca do Palácio do Planalto. Na entrevista Lula, contrariado, anuncia: Se for para o bem do povo e a felicidade geral da nação e blá, blá, blá ... Lula III, o imperador do Brasil, fica. A emenda é aprovada no Congresso em plena convocação extraordinária de 2009, para valer em 2010.

FHC desiste. Nega-se a dar entrevistas. Manda os netos estudarem na Suíça. Olha amargurado para seu tucaninho de lapela - que guardava como relíquia desde o Congresso de fundação do PSDB - e joga-o numa caixinha empoeirada onde acomoda as medalhas, troféus e diplomas que recebeu ao longo da carreira. Pega Dona Ruth pelo braço, e, cabisbaixo, embarca para Paris, após aceitar voltar a dar aulas de Teoria da Dependência Revisitada, como professor convidado da Sorbone.

Plim, plim.


Paulo G. M. de Moura nasceu em Porto Alegre em 1960. É formado em Ciências Sociais com mestrado em Ciências Políticas pela UFRGS, doutorado em Comunicação Social pela PUC-RS e professor do curso de Ciências Políticas da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e também atua como professor junto ao EAD da PUCRS. É consultor de comunicação e marketing político, além de analista político. É autor dos livros “PT: Comunismo ou Social-democracia?” e “O gauchismo no marketing de Olívio Dutra”. Foi articulista do jornal Gazeta Mercantil (caderno RS) nos anos de 98 e 99, e atualmente é articulista do site www.diegocasagrande.com.br e da Revista Voto.




Publicado no site "DIEGOCASAGRANDE.COM.BR".
Terça-feira, 11 de setembro de 2007.



Tuesday, August 21, 2007

Lula, seu "chefe" e sua verdadeira "estrela".































NECESSIDADE DA DEPOSIÇÃO DO DESGOVERNO PETISTA
por Geraldo Almendra

“Sim, mas e daí? Estão cansados de corrupção? E o que eles vão fazer?”

Comentário do Ministro da Cultura sobre a insatisfação da sociedade com a corrupção. Mais um que zomba dos contribuintes.

Hitler e Mussolini foram colocados no poder pelo povo. O petismo também. O que aconteceu depois com aqueles povos, irá se repetir no nosso país se não reagirmos.

O terceiro mandato já está a caminho...

No Brasil não existe uma democracia, pois estamos vivendo uma grande farsa.

Uma farsa que começou com o fim do regime militar.

Apesar dos erros cometidos – muito menores do que os acertos –, os militares fizeram do Brasil uma Nação para ser respeitada, mas que agora é motivo de chacota no mundo civilizado, além de ter sido transformada pelos desgovernos civis em uma ilha da fantasia da prostituição da política e da exploração de uma sociedade pelos banqueiros.

Estamos vivendo em tempos de um desgoverno populista socialista, uma farsa de um regime político rigorosamente delinqüente a serviço de oligarquias prostitutas, da nova burguesia petista, e de suas conexões com a sociedade, sob a regência dos dirigentes do Foro de SP.

De maneira geral as parcelas mais esclarecidas da sociedade organizada estão aceitando que seu país seja conduzido na direção socialista mais decadente, sendo motivados pela cumplicidade do corporativismo protetor dos canalhas da corrupção, ou pela covardia de reagir sem o respaldo das suas Forças Armadas, que estão, há décadas, sendo vítimas de um revanchismo antipatriótico, que confunde mágoas pessoais com a destruição da segurança nacional e dos nossos sonhos de democracia.

Muitos desses porcos comunistas civis que arriavam as calças para os militares enquanto plantavam as sementes da corrupção e do corporativismo sórdido dentro do Estado, se uniram para destruir o poder militar de nossas Forças Armadas; dos que as enfrentavam em campo aberto, promovendo a guerra suja do terrorismo, muitos estão hoje no poder sendo premiados com sinecuras ricas e indenizações milionárias, associando-se para implantar o projeto de partidarização do Estado nas mãos do PT, com fins de manter seu espúrio representante maior, perpetuamente no poder. O terceiro mandato já está a caminho...

Alguns inocentes morreram durante o regime militar vitimados pela necessidade de lutarmos contra o comunismo assassino.

Durante os desgovernos civis milhões de inocentes têm morrido; são vítimas da falta de recursos para a educação, saúde, saneamento e segurança pública, recursos que há décadas vêm sendo desviados para as contas correntes dos canalhas da corrupção e da prostituição da política, e para pagar a conta de um Estado que se agigantou a cada ano para dar emprego aos que querem viver no guarda chuva da proteção da estabilidade de empregos e do corporativismo mais sórdido.

O que os desgovernos civis, na verdade, promoveram, foi um antipatriótico movimento de desmoralização das Forças Armadas, e edificaram um Estado absolutamente corporativista e corrupto, em que a luta pela permanência no poder superou todos os níveis possíveis de imoralidade e falta de ética.

O caldo da degradação de valores veio se espalhando durante décadas, contaminando, com a falência da educação e da cultura, criminosamente planejada, o comportamento de todas as camadas sociais.

Estamos vivendo uma farsa de uma Justiça corporativista e relativista que garante a impunidade de canalhas da corrupção e da prevaricação, protegidos pelos que detêm o poder político e econômico.

Uma farsa que tem, também, garantido ao sistema financeiro nacional e internacional o poder de explorar de forma criminosa pessoas físicas e jurídicas – com reflexos diretos nos consumidores – com taxas de juros escorchantes nas suas necessidades de crédito e preços de serviços absurdos, promovendo enriquecimentos imorais e sistemáticos de suas estruturas empresariais, sem a devida e compulsória contrapartida de atuarem corretamente como elos positivos de ligação entre poupadores e investidores na economia produtiva de uma sociedade com justiça social.

Estamos vivendo uma farsa de república em que o soberano é um Estado corrupto e corporativista sórdido, com seus podres poderes servindo a um partido e suas coalizões fétidas, que estão associadas às formas mais criminosas, corruptas e corporativistas do socialismo assistencialista, populista e decadente.

Precisamos dar um duro golpe na canalha que se apoderou do poder público transformando as relações públicas e privadas em um veio de enriquecimento ilícito e uma chave para perpetuação no poder de prostitutos da política, e fazendo do desrespeito à Constituição e do submundo da manipulação dos códigos legais por advogados, juristas e togados imorais, aéticos e sem escrúpulos, os caminhos para implantar no país o Estado Comunista de Direito.

Estamos vivendo a grande farsa do “lulalá” pelas mãos sujas de um sujeito que assumiu a presidência da República, com explícitas promessas de resgate da moral e da ética públicas, mas que se “transformou” em uma vergonha de dirigente de uma nação, um demônio, e um anticristo da política que desceu do inferno para nos penitenciar pela devassidão moral e ética que os governos civis permitiram que se alastrasse na nossa sociedade a partir da degeneração do poder público, que veio sendo promovida pelos prostitutos da política de nossa farsa de democracia.

Ele, o Retirante Pinóquio, e suas “gangs dos quarenta” precisam ser exorcizados da vida pública para que possamos salvar nosso país do regime socialista decadente, corrupto, corporativista sórdido, meliante e ditatorial.

Para evitar que a ditadura comunista, que já nos ameaça, e procura punir com a força do poder do Estado todos aqueles que se opõem ao regime petista e aos seus cúmplices das oligarquias empresarias prostituídas, somente uma união entre militares e civis patriotas e honestos, que sejam capazes de sacrificar suas próprias vidas para defender o futuro de seus filhos e de suas famílias.

O Congresso Nacional deixou de ser uma casa do povo para se tornar o escritório central da máfia da corrupção, do corporativismo mais sórdido e da prostituição da política.

O Parlamento precisa ser fechado e novamente promovido por meio de um processo eleitoral que não seja delinqüente, para que possa se tornar o espelho de uma verdadeira democracia, não se permitindo mais que comprovados corruptos e prevaricadores possam assumir e acumular cargos no poder público, e continuarem impunes, circulando pelas ruas contaminado o meio ambiente social com seu odor fétido de corrupção.

A Justiça brasileira se transformou, definitivamente, durante o desgoverno petista, em uma grande farsa, pois “é incapaz de manter presos assassinos confessos e corruptos pegos em flagrante. Na origem da impunidade está a própria lei” (Veja).

“Das 245 pessoas presas em dez operações [cinematográficas] realizadas pela Polícia Federal entre 2003 e 2004, sessenta e quatro foram julgadas, mas só duas continuam na cadeia” (Veja). As “gangues dos quarentas” continuam dando as cartas no submundo da corrupção, do corporativismo sórdido e da prostituição da política; os que praticaram crimes de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato, superfaturamento, e evasão de divisas, continuam livres, leves e soltos, nos fazendo de imbecis e palhaços do Circo do Retirante Pinóquio.

“O intolerável no Brasil atual é a manutenção de uma ética dúplice no campo político. A coisa chegou a tal ponto que a palavra ‘política’ passou a designar um jogo amoral no qual a igualdade é ultrapassada por pessoas que controlam as leis, em vez de zelar por elas” (R. D.)

Este tipo de democracia que vivemos é uma farsa que somente beneficia as oligarquias que dominam o poder político e econômico, mantendo o resto da sociedade sob a submissão a um populismo que preserva a dependência do cidadão ao Estado doador de recursos de quem trabalha, mantendo sob o jugo do poder de polícia e do poder corporativista sórdido da Justiça aqueles que se atrevem a protestar contra essa sacanagem que se intitula desgoverno petista.

Não existem soluções pacíficas promovidas por movimentos que colocam o rabo entre as pernas com a simples aparição de uma bandeira vermelha de estrela única, para uma sociedade que está se degenerando e apodrecendo todos os seus últimos nós éticos e morais, do que a deposição dos podres poderes da República de uma ilha da fantasia da corrupção que se estruturou durante décadas de desgovernos civis e chegou ao seu ápice de prostituição política no desgoverno petista.

A história do mundo civilizado já nos ensinou que a fusão da democracia – onde prevaleçam princípios éticos e morais –, com o capitalismo controlado por códigos legais adequados com seu cumprimento garantido por um poder público que mereça esse nome, é a melhor solução para a sobrevivência das nações que querem construir uma sociedade onde o desenvolvimento auto-sustentado gere os empregos e a renda necessária para a sobrevivência das famílias, e lhes proporcione oportunidades de crescimento individual e justiça social.

Contudo não podemos ter a democracia dos nossos sonhos em um ambiente social dominado por poderes públicos corruptos e corporativistas sórdidos.

Daí a necessidade urgente de uma dura ação da parcela da sociedade que tem o poder de transformação, mas que está se acovardando ou se vendendo aos canalhas da prostituição da política que já invadiram salas de oficiais das Forças Armadas, de alta patente, para ludibriá-los ou corrompê-los com oferta de sinecuras nas instituições públicas, pervertendo seus princípios de lealdade à Pátria e à sua Constituição.

É urgente a necessidade de um governo civil-militar de transição sustentado por um regime jurídico de exceção que se sobreponha ao poder corporativista e corrupto de nossa decadente Justiça e de seus Tribunais Superiores.

Existe ainda no país uma comunidade de homens e mulheres honestos e patriotas que precisam da confiança do apoio militar para que seja iniciado o trabalho de reconstrução moral e ética do nosso país, livrando-nos das mãos da canalha socialista decadente que assumiu o controle do poder público.

Já temos em andamento no país, o fomento irresponsável e inconseqüente de uma Apartheid tupiniquim colocando em confronto ricos e pobres, negros e brancos, esclarecidos e ignorantes, honestos e corruptos.

A cada discurso do mestre de cerimônias do Circo do Retirante Pinóquio as sementes da revolução socialista através do conflito entre as camadas sociais, são depositas nas mentes das massas sem consciência crítica, mas que são sustentadas pelos contribuintes que pagam a conta de um torpe populismo financiado pelos banqueiros cúmplices da canalha comunista.

Hitler e Mussolini foram colocados no poder pelo povo. O petismo também. O que aconteceu depois com aqueles povos, irá se repetir no nosso país se não reagirmos.

O terceiro mandato já está a caminho com um Estado rigorosamente dominado pelos militantes do petismo... Acordem...!


Geraldo Almendra é economista, consultor e professor de matemática.








Publicado no portal "Ternuma – Terrorismo Nunca Mais".
Domingo, 19 de agosto de 2007.



Friday, June 29, 2007

Senado Federal: Circo mambembe ou dos horrores?






























Discursos delinqüentes. E chegou a hora de cobrar ingresso no Senado
por Reinaldo Azevedo

- Renan: do antilulismo a principal aliado de Lula
- O festival de trapalhadas da tropa de choque
- Lula e o ataque à PF e ao MP
- Quem conspira contra Renan é a matemática
- O discurso de Dilma e as duas injustiças
- As esquerdas queriam direito de defesa?
- O que diz o Manual da Guerrilha de Marighella
- Roriz, misto de Odorico Paraguaçu e Dirceu Borboleta
- Cuidado com a pipoca ao visitar o Senado


Quando é possível explicar o país com mais clareza por meio da ironia, do sarcasmo, é sinal evidente de que estamos fritos. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou ao primeiro time da política com Fernando Collor, em 1989. Foi o líder do PRN na Câmara, o tal Partido da Reconstrução Nacional, que afundou junto com o impichado. Renan vinha, então, do PMDB e, no começo dos anos 80, de uma renhida oposição a Collor em Alagoas, a quem chamava de “príncipe herdeiro da corrupção”. Aliou-se ao caçador de marajás, foi seu líder, assistiu à queda do chefe e nunca deixou de ser governista: apoiou Itamar, FHC, de quem foi ministro da Justiça, e Lula. A síntese: atingiu o topo da política ajudando a derrotar Lula e, agora, como seu principal aliado no Congresso (ainda que um tanto incômodo), submete o Senado a um vexame inédito.

Pior: a desfaçatez e o festival de trapalhadas que seus aliados protagonizam, mesmerizando e paralisando a Casa, fazem supor, e indícios não faltam, que ele cobra dos aliados o apoio até a última gota de vergonha na cara. Ou, então, abrirá a sua caixa de Pandora. A conclusão é uma só: boa parte do Senado e o governo Lula são reféns de Renan.

É impressionante. No passado, aqui e ali, escândalos também respingaram ou mesmo surgiram no Senado. Nem poderia ser diferente. O material humano que compõe as duas Casas do Congresso é o mesmo. Mas o fato de ser um grupo muito menor sempre conseguiu, de algum modo, manter as disputas e desentendimentos em padrões um pouco mais civilizados. As crises eram mais curtas, como a da violação do painel eletrônico, que resultou na renúncia de ACM e de José Roberto Arruda, ou a do embate entre o mesmo ACM e Jader Barbalho. Agora, não.

A barafunda parece interminável, e, como se vê e confessou o próprio Renan, a tropa de choque do presidente do Senado não tem limites. A lambança protagonizada por Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que, em menos de 24 horas, convidou, desconvidou e convidou de novo o senador Renato Casagrande (PSB-ES) para relator do caso Renan assombra o processo político com o vale-tudo. Isso depois de, em três semanas, dois relatores e um presidente terem renunciado a suas funções no Conselho de Ética.

Não bastasse o espetáculo deprimente, a mesma maquinaria que degrada as instituições, posta para funcionar no período do mensalão e do dossiê fajuto, foi ontem acionada pelo Palácio do Planalto para tentar salvar Renan. O senador exige a solidariedade e, por razões que ele e Lula conhecem muito bem, recebe o amparo incondicional. A fala do presidente e a de Dilma Rousseff, ontem, entram para a história das imposturas, da avaliação política delinqüente. Exercitando uma das máximas do estado democrático de direito, segundo a qual todos são inocentes até que se prove o contrário, o presidente perfilou-se com Renan na posse do procurador geral da República.

Lula misturou alhos com bugalhos, deixando escapar aquelas que certamente são preocupações do governo. Mandou bala: “Uma coisa que me inquieta, e me inquieta como cidadão, que me inquieta no comportamento da Polícia Federal e que me inquieta no comportamento do Ministério Público, é que, muitas vezes, não termos o cuidado de evitar que pessoas sejam execradas publicamente antes de serem julgadas”.

Há, aí, vários problemas. A Polícia Federal e o Ministério Público, até agora, não investigam o Renangate. Vai ver o presidente pensava em outra coisa: a operação que flagrou em conversas estranhas Vavá, um de seus irmãos. Quanto ao Ministério Público, vá lá, Lula não pode mesmo, em tese, fazer nada. O órgão é independente, ainda que seu chefe máximo seja nomeado pelo presidente da República. Mas e a Polícia Federal? Ele não tem o direito de se indignar “como cidadão”. A PF é um ente do Executivo, subordinada ao Ministério da Justiça, que, por sua vez, subordina-se à Presidência. Lula, evidentemente, não está reclamando do MP e da PF que põem seus adversários na fogueira. Não gosta é de ver amigos e companheiros em situação difícil. Ademais, note-se: os dois órgãos, às vezes, são de uma discrição e de uma incompetência notáveis — para sorte dos petistas: tomemos os exemplos do mensalão e do dossiê...

O presidente nada mais fez do que vir com aquela cascata de sempre, sugerindo uma espécie de conspiração, que estaria se movendo nas sombras, para depor o presidente do Senado. E convenham: a mais severa militante anti-Renan é quem? Não é Mônica Veloso, mas a matemática.

Dilma
Evidenciando que o discurso fora ensaiado, Dilma Rousseff, a chefe da Casa Civil, também falou da inocência presumida. E concluiu: “Acho que se aplica a todos nós brasileiros, nós que somos, inclusive, a velha geração, que participou das lutas de resistência à ditadura e sabe perfeitamente o que significa o respeito aos direitos individuais da pessoa humana, que é o direito à defesa, que é o direito de todos nós iguais perante a lei e o fato de que ninguém é culpado até que se prove que ele é culpado. Ele é inocente”.

Vamos ver. Se eu penetrar na razão de fundo das esquerdas a que ela se refere, corro o risco de ficar nauseado antes de dizer o que precisa ser dito. Esse misto de vitimismo e triunfalismo é uma das farsas históricas que tendem a perdurar ainda por um bom tempo. Até parece que a “velha geração” de guerrilheiros e terroristas estava muito preocupada com “direitos individuais”, “direito à defesa” e afins. Posso lembrar aqui algumas regras do Manual da Guerrilha Urbana, de Carlos Marighella, para evidenciar o humanismo daquela turma:

- “O espião apreendido dentro de nossa organização será castigado com a morte. O mesmo vai para o que deserta e informa a polícia.” (Capítulo 10);

- “colocar minas caseiras no caminho da polícia, utilizar gasolina, ou jogar bombas Molotov para incendiar seus veículos” (Capítulo 9);

- “O guerrilheiro urbano é um inimigo implacável do governo e infringe dano sistemático às autoridades e aos homens que dominam e exercem o poder. O trabalho principal do guerrilheiro urbano é de distrair, cansar e desmoralizar os militares, a ditadura militar e as forças repressivas, como também atacar e destruir as riquezas dos norte-americanos, os gerentes estrangeiros, e a alta classe brasileira.” (Capítulo 1)

- “Aprender a fazer e construir armas, preparar bombas Molotov, granadas, minas, artefatos destrutivos caseiros, como destruir pontes, e destruir trilhos de trem são conhecimentos indispensáveis a preparação técnica do guerrilheiro.” (Capítulo 3)

Procurei um trecho falando em direito de defesa, democracia, estado de direito, essas frescuras burguesas, e não encontrei nada. Aliás, o primeiro texto da esquerda militante brasileira, com algum alcance teórico, escrito em defesa da democracia, e, ainda assim, entendida como instrumento para o socialismo, é de 1978. Antes disso, todo esforço era direcionado, consoante com a tradição socialista, para a desmoralização do rito democrático “burguês” — nota: a cultura antidemocrática não morreu; persiste até hoje.

Voltando
Mesmo sendo esse lixo teórico e humanista, trata-se de uma impostura adicional evocar aquele tempo para se referir ao caso que toca Renan Calheiros. Não existe um estado discricionário no Brasil — não por enquanto... O senador tem amplíssimo direito de defesa, garantido pelo Conselho de Ética. Não responde, é bom que se diga, nem mesmo a uma acusação policial. O que se argumenta é que houve quebra de decoro. A meu juízo, duas vezes: a) quando foi flagrado em relações estranhas com o lobista de uma empreiteira; b) quando passou aos senadores um pilha de documentos que virou pó. Renan não resiste a um repórter com um microfone na mão e a pergunta certa na cabeça:

— O senhor comprou boi de Renan Calheiros?

— Eu não, meu filho. Nunca vi esse aí.

O que isso tem a ver com a visão certamente heróica que a senhora tem da "resistência", ministra Dilma Rousseff? O que isso tem a ver com os, como é mesmo que os chamava José Dirceu?, companheiros de armas? A sugestão chega a ser indecorosa e duplamente desrespeitosa: com o senador (até onde se sabe, não matou ninguém) e com os terroristas daquele tempo - a maioria ao menos julgava fazer o que fazia por idealismo. Não consigo ver um idealista em Renan a cada vez que ele se diz “BIS-SO-LU-TA-MEN-TE tranqüilo”, insistindo em omitir a vogal que existe para acrescentar a que não existe.

Depreda-se tudo: a verdade, as instituições, a história. Para não dizer, claro, a ética, hoje a cargo de Leomar Quintanilha. O Senado já está desmoralizado. Precisa, agora, de um plano para recuperar-se. Mas afunda um pouco mais.

Roriz
Os que, como eu, têm 45 (ou mais) se lembram. Os outros talvez tenham de recorrer a imagens de arquivo. Eu não ouvia aquela entonação do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) num discurso de político desde o fim da novela (e depois seriado) O Bem Amado, de Dias Gomes. Roriz era o próprio Odorico Paraguaçu, com um certo banho de loja. A sinceridade que emanava de sua fala era rigorosamente a mesma: palavras ocas, pompa, sentimentalismo, gesto dramático e, como direi?, a verdade absolutamente estampada na cara. Ainda se atreveu a falar em nome de Deus e de Nossa Senhora, numa prova evidente de que não poderá ser socorrido por Um ou por Outra.

Odorico era melhor do que Roriz numa coisa: nas pausas. As ênfases não recaíam no substantivo quando deveriam estar no adjetivo, por exemplo. E também não procurava despertar a piedade da platéia. Pensando bem, Roriz, ontem, era um misto de Odorico com Dirceu Borboleta.

Em breve, o Senado pode começar a cobrar ingresso. Prometemos não dar pipoca aos senadores — se muitos deles não a roubarem de nossas mãos.


Reinaldo Azevedo é jornalista, guia cultural, assessor de imprensa e blogueiro. Foi editor-chefe da revista Primeira Leitura, colunista da revista Bravo! e também editor do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, hoje é colunista da revista Veja. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo.





Publicado no "
Blog Reinaldo Azevedo".
Sexta-feira, 29 de junho de 2007, 06h46.

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