Showing posts with label Lealdade. Show all posts
Showing posts with label Lealdade. Show all posts

Friday, October 30, 2009

Lealdade dos Militares: Juramento à Bandeira Nacional!
Lealdade de trânsfugas fardados: Subserviência e colaboracionismo!


































Lealdade e disciplina
por Marcelo Oliveira Lopes Serrano

Em 16 de junho de 1940, em meio à crise político-militar provocada pela avassaladora ofensiva nazista, o Marechal Philippe Petain, um dos grandes heróis franceses da I Guerra Mundial, assumiu o cargo de Primeiro-Ministro da França. No dia seguinte, sabedor de antemão da intenção do Marechal de render-se à Alemanha, o que efetivamente ocorreu em 22 de junho, Charles De Gaulle, recentemente promovido ao posto de general de brigada no campo de batalha, rebelou-se contra o novo governo e evadiu-se para a Inglaterra, de onde passou a conclamar o povo francês à resistência e a organizar as Forças Francesas Livres. Em agosto do mesmo ano, em tribunal militar instaurado pelo Governo de Petain, De Gaulle foi, à revelia, condenado à morte por traição.

Estes fatos históricos, sinteticamente narrados, servem perfeitamente como pano de fundo para o objetivo deste artigo de argumentar sobre o adequado relacionamento funcional entre lealdade e disciplina.

Lealdade e disciplina são valores caros a todos os soldados. Como conceitos, assemelham-se por tratarem ambos de aspectos fundamentais do relacionamento dos militares com a Instituição, mas distinguem-se tanto em escopo como em importância. Caso sejam interpretados de modo a representarem na prática o mesmo valor, um dos dois estará sendo distorcido ou aviltado.

A disciplina é constitucionalmente caracterizada como base das Forças Armadas e está bem especificada no Estatuto dos Militares, lei onde estão estabelecidos os princípios basilares, os valores éticos e os deveres militares de todos os integrantes daquelas Forças. Está também caracterizada em normas regulamentares infra legais, particularmente no Regulamento Disciplinar do Exército (RDE), e é definida como: "a rigorosa observância e o acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições que fundamentam o organismo militar e coordenam seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes desse organismo".

Vê-se que a disciplina tem uma conotação ampla, que abrange o acatamento aos próprios princípios e valores imateriais estabelecidos pelo Estatuto dos Militares. Entretanto, há uma conotação mais estreita da disciplina e corriqueiramente mais difundida na mente dos militares. Essa conotação é favorecida pelo que está disposto no RDE, que reproduz a definição do Estatuto, mas complementa- a estabelecendo suas quatro manifestações essenciais, que são: obediência pronta às ordens, correção de atitudes, dedicação integral ao serviço e colaboração espontânea para a disciplina coletiva e eficiência das Forças Armadas.

Essa visão mais estreita e funcional da disciplina, expressa por suas manifestações, é corroborada pela relação das transgressões disciplinares. Neste anexo do RDE, as manifestações essenciais da disciplina, por intermédio do viés negativo, estão ampla e detalhadamente caracterizadas em cento e doze itens, ao passo que apenas um deles[1] se refere ao aspecto mais amplo dela e mesmo assim com elevado grau de subjetividade. Percebe-se então que o acatamento dos valores imateriais expressos nas "leis [...] que fundamentam o organismo militar [...} traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever" extrapola as simples manifestações da disciplina, estando vinculado ao exercício amplo e subjetivo dela.

Essa subjetividade não é de se estranhar. Ao contrário da disciplina, não há definição de lealdade tanto no nível legal como no regulamentar. No Estatuto dos Militares, ela é citada apenas uma vez, na forma do dever militar de demonstrar "lealdade em todas as circunstâncias", sem no entanto evidenciar a quê se deve ser leal. No RDE, por sua vez, não há menção a lealdade. Resta-nos a definição sumária do dicionário [2], segundo a qual lealdade significa sinceridade, franqueza, honestidade e fidelidade a compromissos assumidos.

Se não houver claro entendimento do objeto ao qual os militares devem ser leais em todas as circunstâncias, a lealdade tende a tornar-se um conceito vazio ou então a confundir-se com as manifestações essenciais da disciplina, sendo inócua em ambos os casos.

Na falta de parâmetros nítidos para o exercício da lealdade, continua ainda a vigorar preponderantemente na mente dos militares a ideia de lealdade orientada a pessoas – resquício de circunstâncias passadas. No passado, até meados do século XX, por falta de normas bem estabelecidas, a avaliação do mérito e a promoção dos militares estavam sujeitas, em grande parte, a critérios pessoais dos chefes de então. Nesse ambiente, era natural que os oficiais buscassem, desde cedo na carreira, vincular-se a seus chefes por laços de lealdade, o que também interessava àqueles chefes, em função dos interesses políticos que na época se imiscuíam no seio da Força. Esses relacionamentos de apadrinhamento e lealdade, semelhantes aos que vigoram plenamente no meio da política partidária, estão praticamente superados no Exército em função de sua despolitização e dos critérios profissionais e impessoais que foram implantados, principalmente a partir dos anos sessenta do século passado, para regular a avaliação do mérito e as promoções. A persistência da idéia de lealdade orientada a pessoas, além de ser um anacronismo, é desnecessária e inconveniente para os interesses maiores do Exército.

A lealdade a pessoas, ao chefe em particular, para continuar relevante nos dias de hoje, teria necessariamente de representar um valor diferente, ou suplementar, às manifestações essenciais da disciplina, o que não acontece. O que mais deve um subordinado ao seu chefe além de obediência às ordens, correção de atitudes e dedicação integral ao serviço? Nada, por certo. A sinceridade, franqueza e honestidade podem ser interpretadas como expressão da lealdade a pessoas. São atributos individuais importantes para o relacionamento funcional entre militares, mas, sem dúvida, estão circunscritos no âmbito da correção de atitudes e da dedicação integral ao serviço. Afirmar que o subordinado deve ser leal ao seu chefe nada acrescenta à obrigação dele de manifestar disciplina, considerando- se evidentemente que essa lealdade só seja devida na medida em que o chefe agir segundo os ditames da lei e dos valores fundamentais da Força. A idéia de lealdade orientada a pessoas é portanto desnecessária.

A quê então temos o dever de ser leais em todas as circunstâncias? Sem dúvida, aos princípios basilares do Exército, aos valores imateriais que garantem a pureza de seus propósitos, que alimentam o espírito militar e que asseguram que a Força permaneça sempre à altura de sua elevada missão perante a Pátria. A lealdade deve ser a expressão da disciplina em seu nível mais amplo e subjetivo, acima de suas simples manifestações. Essa conotação de lealdade é a mais digna, por vincular-se a princípios imutáveis e não a pessoas, passíveis que são a erros de julgamento e a flutuações de estado de espírito e opiniões. A não manifestação dessa lealdade certamente enfraquecerá o Exército em seus valores anímicos, por consequência, esvaziá-la, por intermédio da continuada prevalência da idéia de lealdade a pessoas, é inconveniente.

Aceitas estas argumentações, é forçoso admitir que lealdade sobrepõe-se à disciplina [3], na medida em que esta deve exercer-se em ambiente de pleno acatamento aos princípios e valores que norteiam, no mais alto grau, o relacionamento dos militares com a Força e com a Pátria. A lealdade a esses princípios e valores, estabelecidos na lei e aceitos por todos os que voluntariamente incorporam-se ao Exército, é sempre pura e moralmente irreprochável. A disciplina ao contrário, se dissociada deles, ainda que inconscientemente, corre o risco de desvirtuar-se, afastando-se de seus nobres objetivos e mantendo-se indiferente ao desencaminhamento que essa dissociação forçosamente acarreta ao Exército como Força Armada, mesmo que continue legitimamente sendo capaz de preservar o ordenamento interno da Força e seu funcionamento rotineiro.

Há peculiaridades no exercício da lealdade que o distinguem fortemente do exercício da disciplina. A disciplina é objetiva. Os padrões de comportamento necessários ao acatamento dela são claros e bem definidos, como já citado anteriormente. Consequentemente, é possível haver, como realmente há, meios de coerção efetivos que são ativados sempre que houver falha disciplinar. A lealdade é subjetiva. Não há definição a respeito dos padrões de atitude que seriam necessários para o acatamento aos princípios e valores fundamentais do Exército. Não há, por exemplo, como definir precisamente e indiscutivelmente o que é ter patriotismo, salvo as exceções evidentes. O próprio conceito é subjetivo. Dois posicionamentos podem ser contrários e, apesar disso, as pessoas que os adotam sentirem-se ambas motivadas por patriotismo. Será que Chamberlain, o Primeiro-Ministro inglês que tentou uma acomodação com Hitler, era menos patriota do que Churchill, partidário da inevitabilidade do confronto? A única afirmação segura que se pode fazer é que a posição de Churchill revelou-se a mais correta.

A lealdade é o compromisso inarredável com os princípios e valores tão recorrentemente citados neste artigo, mas o sentimento do que é ser leal é uma questão de foro íntimo. A necessidade de exercer a lealdade por meio de atitudes efetivas será sempre função da inconformidade entre a situação vigente e a convicção íntima daqueles princípios e valores basilares. O exercício efetivo da lealdade será portanto sempre uma forma de luta, em seus variáveis graus de intensidade. Como toda luta, envolve riscos, pois pode vir a chocar-se com o poder coercitivo do status quo, e não tem o resultado garantido. Apesar disso, é um dever – um dever legal e, acima de tudo, um dever moral. Cumpri-lo, parafraseando São Paulo, é combater o bom combate.

Ser leal nesses termos não é fácil nem indolor, ao contrário, é uma dura obrigação que requer convicções firmes, devotamento e coragem. Almas tímidas, interesseiras ou vazias de conteúdo podem ser leais a seus chefes, visto ser este tipo de lealdade atualmente um exercício inofensivo, mas são incapazes de cumprirem o dever militar de lealdade nos termos aqui expostos.

A lealdade é um aguilhão que não nos deixa esquecer que existimos para servir ao Exército e à Pátria, sem jamais nos deixarmos seduzir pela tentação de deles servir-se, ao que estaremos fatalmente sujeitos se, em qualquer nível, cedermos a interesses menores, sejam corporativos ou individuais. Servir significa zelar pelo futuro do Exército como Força Terrestre, pois só assim estaremos demonstrando "vontade inabalável de cumprir o dever militar" [4] e manifestando "fé na missão elevada das Forças Armadas" [5], e não apenas administrar a rotina do presente e cultuar os êxitos do passado.

A essa altura da argumentação, pode-se questionar: por que não ser leal a valores e também a pessoas? A pergunta é lícita e a reposta é fácil. Porque não se pode servir a dois senhores. Se a lealdade, como sentimento de compromisso, for dirigida a objetos diferentes, quando houver inconformidade entre estes, ter-se-á de optar fatalmente pela lealdade a um deles, resultando em deslealdade para com o outro. Castello Branco não poderia ter sido leal simultaneamente aos princípios democráticos da sociedade brasileira e à defesa da disciplina nas Forças Armadas, que o levaram a decidir-se pelo desencadeamento da Revolução de 1964, mantendo ao mesmo tempo seus compromissos com o Ministro da Guerra, seu chefe imediato, e com o Presidente da República, seu comandante supremo e agente capital do atentado àqueles valores.

Para finalizar, voltando-se ao exemplo histórico que abriu este artigo, é indiscutível a admissão de que a atitude de De Gaulle foi indisciplinada, já que ele não obedeceu às ordens de seus chefes, e, do ponto de vista do governo legitimamente instalado, criminosa. No entanto, foi o seu sentimento de lealdade e sua coragem que possibilitaram à França preservar sua dignidade nacional e emergir do conflito entre os vencedores. Quanto ao velho Marechal, herói do passado, restou uma indelével mancha em sua biografia.

[ * ]

[1] – Item 9 do anexo I do RDE:

Deixar de cumprir prescrições expressamente estabelecidas no Estatuto dos Militares ou em outras leis e regulamentos, desde que não haja tipificação como crime ou contravenção penal, cuja violação afete os preceitos da hierarquia e disciplina, a ética militar, a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe;

[2] – Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa:
     – Lealdade - Qualidade, ação ou procedimento de quem é leal.
     – Leal - do latin legale, cuja raiz é lex, ou seja, lei. Sincero, franco e honesto. Fiel aos seus compromissos.

[3] – Entendida como sua conotação mais estreita, vinculada às suas manifestações, nas quais está inserida a ideia de
       lealdade a pessoas.

[4] – Art 27 do Estatuto dos Militares:

São manifestações essenciais do valor militar:
I    – o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever militar e pelo solene juramento de fidelidade
        à Pátria até com o sacrifício da própria vida;
II   – o civismo e o culto das tradições históricas;
III  – a fé na missão elevada das Forças Armadas;
IV  – o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização onde serve;
V   – o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é exercida; e
VI  – o aprimoramento técnico-profissional.

[5] – Idem


Marcelo Oliveira Lopes Serrano é Coronel do Exército Brasileiro.








Publicado no site "Brasil acima de tudo" (BAT).
Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009.




COMPROMETIMENTO



Obs: Caso o download esteja lento ou intermitente, click no botão PAUSE    aguarde completar o carregamento e então pulse PLAY   



CaLUguLA*: O tiranete demente.





Friday, May 09, 2008

Lealdade = Fidelidade aos compromissos assumidos.
Resta saber: Compromissos assumidos com "quem"?

































Lealdade e disciplina
por Luiz Eduardo Rocha Paiva

Hierarquia e disciplina são fundamentos das Forças Armadas em qualquer país. Sem esses princípios elas se transformam em instrumentos de opressão da sociedade, desintegram-se em segmentos controlados por caudilhos ou grupos de interesses diversos, lutando entre si pela tomada do poder. Perdem o caráter de instituições nacionais e sua razão de ser como "braço armado" para a defesa da nação.

As nossas Forças Armadas são instituições permanentes e se subordinam ao Estado, também perene, que difere de governo, que é temporário. A Constituição federal atribui-lhes a defesa da Pátria e a garantia dos Poderes constitucionais, da lei e da ordem. Situações extremas, que afetem a defesa da Pátria, a soberania e a integridade nacionais exigem posições firmes e destemidas de qualquer brasileiro, particularmente de chefes militares, cuja profissão lhes permite conhecer e avaliar cenários de evidentes ameaças. Nesses momentos pode ocorrer o dilema de ter de optar entre disciplina e lealdade, decisão difícil para um militar, como bem sabem os profissionais da carreira das armas.

O presidente da República - na condição de chefe de Estado - é o comandante supremo das Forças Armadas no Brasil. No regime presidencialista, o chefe de Estado é também chefe de governo, que tem obrigação moral e funcional de colocar aspirações e interesses nacionais acima de programas de governo e de partido, bem como de ambições eleitorais, principalmente quando uma decisão afete a defesa, a soberania e a integridade nacionais.

No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o da Defesa (MD) deveriam ter o mesmo peso político ao assessorarem o chefe de Estado em temas relacionados com defesa e segurança nacional, mas isso não ocorre desde o início da década de 1990. Há um desequilíbrio perigoso, com a balança pendendo para o MRE, o que evidencia falta de preparo e visão estratégica da liderança nacional, incapaz de perceber vulnerabilidades daí decorrentes. Como disse Henry Kissinger, "diplomacia sem o respaldo de um forte poder militar não passa de mero exercício de retórica".

A criação do MD, necessária para a integração das Forças Armadas, não teve tal propósito, mas sim o de afastar o militar do núcleo decisório do governo. Os ministros da Defesa são escolhidos por critérios políticos, não conhecem a cultura organizacional militar e não são estudiosos dos assuntos de defesa. Até hoje não existe o secretário-executivo do MD, que deveria ser um militar (pelos motivos supramencionados), o que não se concretiza por diversos motivos, inclusive por revanchismo. Como conseqüências desse quadro, os ministros não defendem com ênfase as posições propostas por seus assessores militares ou não têm argumentação para fazer valer suas idéias.

Aí se insere a questão da Amazônia. Desde 1991, quando foi criada a Terra Indígena (TI) Ianomâmi, as Forças Armadas vêm alertando os sucessivos governos sobre o perigo de conceder imensas TIs em faixas de fronteiras; de se deixarem substituir, junto aos indígenas, por ONGs estrangeiras apoiadas por governos alienígenas e defendendo a autodeterminação daquelas terras; de retardar a ocupação e integração da Amazônia; e de relegar a segundo plano o desenvolvimento da capacidade de dissuasão militar. Os governos não deram a menor importância aos alertas feitos através da cadeia de comando, sempre de maneira discreta.

Hoje chegamos a um momento de decisão. A ONU aprovou a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas em setembro de 2007, que prevê, simplesmente, a autodeterminação para as TIs, além de outros direitos que as tornam enclaves dentro do território nacional. Considerando as dezenas de TIs nas faixas de fronteiras e no interior, o que vai ser uma "terra dividida em ilhas" é o próprio País. A Declaração recebeu, lamentavelmente, o voto favorável do Brasil. Desnecessário dizer que EUA, Austrália e Canadá votaram contra.

O governo, inexplicavelmente, adotou uma posição que cria condições objetivas para a perda de soberania e integridade territorial. Qual o motivo? Incompetência para gerir o futuro do País num mundo onde se vive em permanente disputa de interesses? Barganha por algum interesse imediato de governo?

Existem três eventos que, coincidência ou não, mostram sucessivos governos criando TIs ou unidades de conservação em faixas de fronteiras quando tinham algum interesse em negociação internacional. Em 1991, sob ameaça de boicote da conferência ecológica Rio-92, foi criada a TI Ianomâmi. Em 2002, quando houve a Conferência Rio+10 na África do Sul, foi criado o Parque Nacional do Tumucumaque, onde existe uma TI. Em 2005, quando o Brasil pleiteava um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, foi definida a TI Raposa Serra do Sol em terras contínuas, e não em "ilhas".

Eis, portanto, estabelecido o dilema entre disciplina e lealdade. Trata-se de um aparente dilema, pois a lealdade à Pátria, à Nação e ao Estado é, em síntese, manifestação de disciplina em seu grau mais elevado, considerando a missão constitucional das Forças Armadas e o juramento do militar à Bandeira Nacional. Esta lealdade se mostra, inicialmente, pela coragem de alertar a sociedade, claramente, sobre a ameaça que se está concretizando, depois de esgotados os meios de sensibilizar a liderança nacional. Cabe à sociedade, por meio de seus representantes, exercer o poder que emana do povo numa democracia. Que demonstre maturidade, dignidade e amor à Pátria, pois é hora de evidenciar que não precisa ser tutelada e se interessa pelo futuro soberano do País num mundo onde o jogo do poder é uma realidade permanente.

As Forças Armadas devem continuar alertando a Nação para não serem responsabilizadas por se omitirem em momento tão delicado como o que vive o Brasil.


Luiz Eduardo Rocha Paiva é General-de-Brigada do Exército Brasileiro.








Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".
Quarta-feira, 07 de maio de 2008.



NR. O artigo acima, do Gen Rocha Paiva, foi também reproduzido pelo excelente e combativo site "A Verdade Sufocada", onde um de seus inúmeros leitores escreveu o inteligente e reflexivo comentário abaixo exposto:

General Luiz Eduardo Rocha Paiva, Senhor...

Que quando se trata de SOBERANIA NACIONAL, dilui-se o "conflito" disciplina-lealdade.

Por outro lado, cito:

- Eis, portanto, estabelecido o dilema entre disciplina e lealdade. Trata-se de um aparente dilema, pois a lealdade à Pátria, à Nação e ao Estado é, em síntese, manifestação de disciplina em seu grau mais elevado, considerando a missão constitucional das Forças Armadas e o juramento do militar à Bandeira Nacional.

- Esta lealdade se mostra, inicialmente, pela coragem de alertar a sociedade, claramente, sobre a ameaça que se está concretizando, depois de esgotados os meios de sensibilizar a liderança nacional.

- Cabe à sociedade, por meio de seus representantes, exercer o poder que emana do povo numa democracia. Que demonstre maturidade, dignidade e amor à Pátria, pois é hora de evidenciar que não precisa ser tutelada e se interessa pelo futuro soberano do País num mundo onde o jogo do poder é uma realidade permanente.

- As Forças Armadas devem continuar alertando a Nação para não serem responsabilizadas por se omitirem em momento tão delicado como o que vive o Brasil (sic).

Pergunto: Meu General, eu entendí direito?

Os Cmtes. Militares, frente ao ataque à Cláusula Pétrea Constitucional de Direito de Propriedade vão somente "Alertar" a Sociedade?

Os Cmtes. Militares, frente ao ataque ao Direito de Defesa, perpetrado por invasão de propriedades legalmente constituidas, vão somente "Alertar" a Sociedade?

Os Cmtes. Militares, frente ao RISCO EMINENTE de ATAQUE À SOBERANIA NACIONAL vão somente "Alertar" a Sociedade?

Considero meu General, que não foi bem isto que V. Exa. quiz dizer.

Pergunto: Como mobilizar uma sociedade que se espráia por um país de dimensões continentáis como o Brasil, sem dispor de Meios de Comunicação? Como "Alertar" esta mesma sociedade, que não houve o alerta, por falta de meios de comunicação?

É largamente sabido, que a única voz que chega aos ouvidos da grande maioria dos brasileiros é a voz do Stablishment Comunista!

É largamente sabido, que todo o aparato de Mídia do país se encontra dominado por membros do Partido Príncipe.

É largamente sabido, que as escolas de ensino fundamental, são dirigidas e dispões somente de literatura fundamentalista comunista.

É largamente sabido que a propaganda comunista a mais de trinta (30) anos, vem martelando as mentes dos brasileiros.

É largamente sabido, que apesar deste domínio nefasto dos meios de comunicação (que diga-se de passagem nunca houve durante o Regime Militar) larga porcentagem da sociedade brasileira permanece CONSERVADORA, como inapelavelmente demonstrado pelo Referendun do Desarmamento que foi e continua sendo desrespeitado pelo STF, pelo Executivo e inclusive, com o apôio da FAs.

Sim, a sociedade brasileira, não "Compra" certas balelas, certa podridão comunista.

A Sociedade Brasileira, expressa pelo mais rico cidadão, pelo mais pobre cidadão, pelos cidadãos intermediários, é MACIÇAMENTE CONSERVADORA Senhor General, isto para DESESPERO DOS COMUNISTAS, que apesar de mais de 30 anos de PROPAGANDA COMUNISTA, DESVIRTUAMENTO DA VERDADE, ENCOBRIMENTO DE SUAS AÇÕES NEFASTAS E TODA SORTE DE ATITUDES SUBVERSIVAS, não conseguem fazer os BRASILEIROS coniventes com o ESTATUTO DO DESARMAMENTO, não CONSEGUEM FAZER O BRASILEIRO CONIVENTE COM A POLÍTICA ASSASSINA DO ABORTO, NÃO CONSEGUEM FAZER O BRASILEIRO GOSTAR DO MST.

Frente ao exposto meu General, não cabe afirmar que as FAs. nas pessoas de seus Cmtes., cumprem seu DEVER CONSTITUCIONAL apenas por "Alertar" a população brasileira de que há um problema.

A POPULAÇÃO BRASILEIRA SABE QUE HÁ UM PROBLEMA.

A POPULAÇÃO BRASILEIRA, APENAS CARECE DE CONHECIMENTO EFETIVO SOBRE QUEM ESTA CAUSANDO O PROBLEMA Senhor.

A POPULAÇÃO BRASILEIRA CARECE DO ELEMENTO CATALIZADOR.

SANGUE BRASILEIRO meu General, já foi derramado. Na Raposa Serra do Sol, um CONFLITO ARMADO foi estabelecido pela instigação de entidades de cunho comunista.

SANGUE BRASILEIRO meu General, tem sido derramado nesta mesma fronteira, pela ação da Liga dos Camponeses Pobres, SOBRE AS QUAIS NÃO VEJO NEM A RESERVA NEM A ATIVA DAS FAs. SE MANIFESTAREM (Ou será que o EB desconhece a existência da LCP)?

SANGUE BRASILEIRO meu General, tem sido derramado impunemente nas ações nefastas desta gente que se intitula Sem Terra, verdadeiro GRUPAMENTO GUERRILHEIRO a serviço do Partido Príncipe.

O presidente da República Federativa do Brasil, seus ministros e autoridades do stablishment, incluidas aí as do JUDICIÁRIO, com raras e honrosas excessões, são financiadores diretos ou coniventes, ou ainda avalistas do o ataque às instituições, maiormente à Carta Magna, quanto mais ao direito dela inferente.

Minhas perguntas continuam postas meu General:

Os Srs. Cmtes. vão continuar "Cumprindo com os seus Deveres Constitucionáis"???

Instaurada a bagunça, a perversão da Ordem???

Alerta meu General?

Alerta a Sociedade meu General?

Ora SENHOR, já passou a muito a hora do Alerta SENHOR!

Subscreve - Um braslileiro pagador de impostos, cidadão graduado, pái de sete (7) braslileiros, desesperado com o estado de coisas da Nação Brasileira.

Mayr Sampaio Fortuna Neto (Brasília-DF)






Pequenas bobagens traçam nosso destino – Arnaldo Jabor

Wednesday, November 07, 2007

"Alguém" precisa dar um fim neste louco.
Prevenir é sempre mais fácil do que remediar!










































O PERIGO VENEZUELANO
por Denis Rosenfield

Tudo indica que a esquerda latino-americana não conhece mais limites. Em nome, por exemplo, da luta antiimperialista, Chávez está criando uma corrida armamentista em nosso continente. O discurso pela paz não mais é do que um engodo, feito para enganar os que ainda acreditam nessa mensagem "socialista". Ou como costuma dizer o ditador-presidente: o futuro pertence ao "socialismo do século XXI"!

O programa liberticida desse ditador não deixa qualquer lugar a dúvidas, sobretudo para aqueles que não se deixam encobrir pelo espesso véu da ideologia esquerdista. Seu projeto de constituição lhe confere poderes próprios de um líder totalitário. Seus antecedentes são os do século XX: Stálin, Mao, Castro e outros. Suas ações imediatas consistem na abolição da propriedade privada, na anulação completa da divisão de Poderes, no controle da imprensa e da mídia em geral, no culto à personalidade, na formação de milícias, fortemente armadas, no controle estatal das manifestações públicas e na progressiva supressão dos direitos políticos. O mais surpreendente é que ele ainda suscite admiradores no Brasil! Será que a mentalidade de alguns é tão atrasada assim?

Quando se pensa na compra chavista de armamentos, forçoso é constatar que ela não pode, por definição, estar voltada contra os EUA. Seria risível querer contrapor um país ao outro em termos militares. A potência do norte precisaria apenas de alguns minutos para destruir todo o poderio militar venezuelano, com seus novos e modernos aviões, navios e mísseis. A disparidade é tão grande que o desfecho do confronto estaria de antemão decidido. Todo o resto é apenas retórica de um ditador loquaz!

Ora, se os EUA não podem constituir o seu alvo próprio, para o que serve esse grande esforço militar, feito em prejuízo da imensa maioria dos pobres e miseráveis daquele país? Várias hipóteses devem ser consideradas: a ) a militarização da vida nacional, principalmente por intermédio do armamento das milícias, que se voltariam contra o "inimigo" interno, a saber, todos os que se opõem ao ditador; 2) a criação de um fator externo de conflito, que seria utilizado quando as relações políticas se deteriorarem do ponto de vista do apoio ao ditador. Exemplos históricos, neste sentido, não faltariam. Veja-se o uso político que Stálin e Hitler fizeram de suas guerras; 3) a invasão da Guiana, com a qual a Venezuela já tem um contencioso territorial, equivalente a 2/3 do território desta ex-colônia inglesa; 4) a entrada numa disputa com a Colômbia, tendo como aliado interno as FARCS, que compartilham a mesma ideologia; 5) a intensificação da rivalidade com o Brasil, através de incursões na porosa fronteira entre esses países, colocando-se como a líder continental.

O Senador Sarney, figura discreta e avessa a grandes arroubos oratórios, saiu de sua natural discrição e com um discurso no Senado e entrevistas a jornais, mostrou toda a sua preocupação com essa situação. Chama particularmente atenção o seu distanciamento em relação ao governo Lula no que diz respeito a esse ponto crucial. Tanto mais significativo que o PT está tudo fazendo para que a Venezuela entre para o Mercosul, inclusive afirmando, contra toda evidência, que a democracia existe naquele país. O ex-presidente, judiciosamente, assinalou dois pontos que devem ser destacados: a) o Mercosul, numa iniciativa que data do seu governo e do ex-presidente Raul Alfonsin da Argentina, contempla, para o ingresso de novos membros, uma "cláusula democrática". Ou seja, essa união é uma união de países democráticos, que devem preencher as condições da democracia. A mera existência de eleições é claramente insatisfatória, como se apressou a dizer o senador. Cuba, exemplo de ditadura, também realiza eleições. A farsa não conhece limites. De toda evidência, como foi assinalado, a Venezuela não preenche essas condições; b) a corrida armamentista em curso é um grande desserviço para a América Latina, pois recursos que seriam mais bem aproveitados, por exemplo, para a redução da pobreza, são destinados a milícias ou à aquisição de aparelhos de guerra ultra modernos.

Será que o "socialismo do século XXI" não teria melhor destinação para esses recursos públicos? E a esquerda brasileira continuará a idolatrar o ditador-presidente? E o governo brasileiro, mais uma vez, curvará a cabeça? E as nossas Forças Armadas continuarão sucatadas?


Denis Lérrer Rosenfield, nasceu em 21 de novembro de 1950 em Porto Alegre. Fez seus estudos de graduação em filosofia na Universidade Nacional Autônoma do México e seus estudos de pós-graduação na França, tendo obtido o grau máximo de “Doutor de Estado” pela Universidade de Paris I Panthéon Sorbonne em 1982. É atualmente Professor Titular de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador I-A do CNPq. Autor de vários livros e artigos em português, francês e espanhol, além de professor visitante na França, Alemanha, Argentina e Estados Unidos. Também é articulista dos jornais Estado de São Paulo e O Globo, colaborador da Folha de São Paulo e editor da revista Filosofia Política. Atua também como consultor de análise política para empresas, grupos financeiros, associações empresariais e partidos políticos.
E-Mail: denisrosenfield@terra.com.br


Publicado no site "DIEGOCASAGRANDE.COM.BR".
Terça-feira, 06 de novembro de 2007, 17h33.



Wednesday, October 03, 2007

Contra a parede! Dever de lealdade a quem?
À Pátria Soberana ou ao "lulismo-petismo-comunismo"?

































Ambiente militar de preocupação com a situação política brasileira.
por Denis Rosenfield

Situação.

Segundo certas avaliações, o ambiente militar é de muita preocupação com a situação política brasileira. A corrupção demonstrada pelo atual governo, as posições de radicalização do PT em seu último Congresso e as manifestações de cunho socialista dos ditos movimentos sociais são as fontes desse estado de espírito. Acrescente-se, ainda, um ambiente de degradação das instituições, onde não se faz presente nenhum projeto nacional.

Sintonia.

Conforme algumas informações, há, neste segundo mandato do governo Lula, uma maior sintonia entre os militares da reserva e da ativa. No primeiro mandato, havia muitas questões controversas, enquanto, que, agora, observa-se uma maior comunhão de concepções. Parece valer novamente a máxima muito conhecida de que os clubes militares são os "braços falantes" dos militares da ativa, pois esses estão proibidos de se pronunciar publicamente.

Serra.

Na primeira eleição de Lula, deve-se levar em consideração que a reação dos militares a Serra era muito maior do que em relação ao atual presidente. O candidato tucano despertou uma forte reação no meio militar. Não seria por simpatia ao PT que os militares votaram em Lula, mas por terem uma forte antipatia em relação ao candidato tucano. Comenta-se que, quando ministro, usando os aviões da FAB, desrespeitava reiteradamente os militares, no caso, os oficiais da Aeronáutica. Fala-se, inclusive, que jogava lixo no chão dos aviões e dizia que era para os militares limparem. Na última eleição presidencial, depois da experiência de um primeiro mandato petista, e com a ausência de Serra, os votos teriam desaguado em Alckmin, visto como uma pessoa simpática aos militares.

MST.

Há uma nítida posição contrária às ações do MST. Elas são consideradas como atos de uma agrupação política que age ao arrepio da lei e procura implantar no país um regime socialista que seguiria os moldes cubanos. Seus movimentos, nesta perspectiva, são considerados como atos criminosos , que deveriam ser tratados enquanto tais, sem nenhuma complacência. Se o MST não fosse financiado pelo atual governo e se a lei fosse a ele aplicada, a situação não teria chegado a tal nível de desobediência e de desrespeito ao estado de direito. O PT e o governo são considerados responsáveis da radicalização política em curso.

Quilombola.

A questão quilombola começa a despertar muita preocupação, pois se integra a um mesmo processo de desrespeito à propriedade privada, embora se faça por meios legais. O que está acontecendo na ilha de Marambaia concerne a toda a instituição militar, além de despertar fortes suspeitas de uma armação que se inscreve na linha geral dos movimentos sociais. Ela não é percebida como uma questão de justiça, mas como um problema político, que se inscreve num quadro geral de instabilidade política e de relativização da propriedade privada. Não escapa a ninguém que o conceito de quilombo perde o seu significado, sendo objeto de uma "translação semântica" que obedece a orientações claramente políticas. Não tem nenhum sentido que um quilombo possa ser encontrado no centro do Rio de Janeiro, na Praça Mauá, salvo se for um quilombo aquático, pois parte da área reivindicada é feita de aterro.

Panorama político.

Há uma preocupação crescente com este segundo mandato do governo Lula. Os casos de corrupção são por demais evidentes, tirando qualquer esperança de que um governo petista poderia ser ético. Os desvios de recursos públicos e os problemas de gestão acentuam a percepção da incapacidade administrativa do atual governo, com o PT acaparando-se dos cargos públicos. O bolsa-família é visto como um instrumento político de cooptação eleitoral. Ora, tal quadro só tem se acentuado com o enfraquecimento do Poder Legislativo, com a Câmara imersa nas operações mensalão e sanguessuga entre outras e o Senado, agora, absolvendo vergonhosamente ao Senador Calheiros, com o apoio resoluto do Palácio do Planalto e do PT. As expectativas só têm piorado.

Falta de reação.

Essa situação é, ainda mais, vista como problemática pela falta de reação da sociedade. Os escândalos se multiplicam e nada acontece. O problema, porém, reside em que as manifestações populares eram feitas pelo PT, pelos sindicatos e pelos movimentos sociais, agora totalmente atrelados ao governo que os financia. Não espanta que não tenhamos manifestações, na medida em que a sociedade foi, por assim dizer, calada. Os tentáculos do PT se fizeram tanto no aparelhamento do Estado quando na sociedade . Contudo, a sociedade brasileira está aumentando o seu grau de consciência e a sua insatisfação, apesar de sua pouca organicidade.

Socialismo.

O espectro do socialismo tem voltado com força e não por qualquer tipo de paranóia política. Não se trata, como os petistas procuram fazer acreditar, de que os tempos da guerra fria teriam voltado graças a vozes oposicionistas e direitistas. Pelo contrário. É o próprio PT o responsável de tal situação por ter estruturado o seu último Congresso em torno da idéia de socialismo. Essa idéia retornou ao centro do debate graças ao próprio partido, que teria pensado ser essa a ocasião política para radicalizar o segundo mandado do presidente Lula. É bem verdade que o partido apresenta o seu socialismo como democrático. Ora, trata-se de um mero jogo de palavras, pois, instado a se pronunciar pelo tipo de socialismo, não hesita em dar como exemplos a serem apoiados os governos ditatoriais de Fidel Castro e de Hugo Chávez. Para eles, eis a verdadeira democracia.

Socialismo e democracia.

Ademais, demonstrar o caráter democrático do socialismo é como demonstrar a quadratura do círculo. Todas as sociedades que foram objeto de uma transformação socialista se tornaram seja autoritárias, seja totalitárias. Enquanto isto, as sociedades capitalistas desenvolvidas, todas, são sociedades democráticas. Lá onde os princípios da propriedade privada foram abalados, o autoritarismo se desenvolveu com força. Ora, o Brasil está sendo objeto de um processo de relativização da propriedade privada que passa por suas funções: social, racial, indígena e ambiental.

Serra da Raposa.

Os militares são particularmente sensíveis, por formação, a questões que envolvem a soberania nacional. O caso da reserva indígena, Serra da Raposa, em Roraima, é particularmente ilustrativo. Entre áreas indígenas e reservas ambientais, 60% do Estadofronteira, rica em minérios. Novas delimitações de terras indígenas, que já envolvem mais de 100 milhões de hectares , são vistas sob essa ótica de alienação da soberania. fugiriam, por assim dizer, do controle do Estado. Não é possível que uma unidade da Federação tenha tal limitação territorial. Ademais, trata-se de uma região de fronteira, rica em minérios. Novas delimitações de terras indígenas, que já envolvem mais de 100 milhões de hectares , são vistas sob essa ótica de alienação da soberania.

Bonjour.

Numa unidade militar, na fronteira com a Guiana francesa, um General perguntou a um indígena que dissesse uma frase em sua língua nativa. O índio em questão não hesitou: "Bonjour mon General!". Instado novamente a repetir uma outra frase emendou: "Je mange du pain" (eu como pão). Logo, a sua língua era francesa apresentando-se, enquanto índio, para servir no Exército brasileiro. Tal exemplo mostra o grau de aculturação dessas populações, que são, porém, apresentadas pela Funai como sendo culturalmente independentes da cultura brasileira. Talvez não da francesa!

Socialismo e MST.

Particular atenção deve ser dada, neste contexto, à natureza propriamente socialista, autoritária, do MST. A reforma agrária, vista na perspectiva dessa organização, seria nada mais do que o instrumento de uma revolução, que se faria pela corrosão progressiva das instituições democráticas, do estado de direito e da propriedade privada. Na verdade, o MST não visa à justiça social, mas à criação de um Estado socialista que seguiria os moldes do socialismo realmente existente, tal como existiu no século XX e existe ainda em Cuba e, agora, sendo o objetivo de Hugo Chávez. A visão deste auto-intitulado movimento social é a de uma organização política, com estrutura hierárquica, de tipo paramilitar, cujo objetivo reside na implementação do socialismo. Eis o seu projeto.

O projeto socialista.

Com as recentes manifestações do PT em seu último Congresso, com as invasões do MST e de "movimentos" congêneres, com asdeclarações socializantes da CUT transparece um mesmo projeto socialista que permeia esse partido e suas organizações afins. O governo Lula, em seu primeiro mandato, não enveredou por esse caminho em sua política econômica, embora tenha aparelhado partidariamente o Estado e apoiado e financiado os movimentos sociais. Agora, há indicações de uma radicalização em curso . O projeto socialista enquanto tal está para os movimentos sociais entrando na ordem do dia, mas pode-se dizer também que a sociedade brasileira em geral não parece sensível a tal tipo de projeto . No entanto, haveria aqui um limite claro: um projeto deste tipo não passará no país. Tudo parece indicar que os militares não aceitariam uma chavização do governo Lula.

Comprometimento democrático.

Os militares têm hoje um firme comprometimento com a democracia. Isto significa um respeito pelas instituições republicanas, sem as quais nenhuma sociedade democrática pode existir. Eleições, por si só, não definem uma democracia. Para isto, é necessária uma série de outras condições, como a liberdade irrestrita de imprensa, de pensamento e de participação política. Os Poderes republicanos, como um Poder Legislativo forte e um Judiciário independente, são condições mesmas da democracia. Ou seja, a Venezuela, por exemplo, se afasta, sob esta ótica, a passos largos da democracia. Lá, meios democráticos são utilizados para a abolição mesma da democracia. Um eventual terceiro mandato de Lula poderia ser visto como um rompimento com a democracia, uma ilegalidade, apesar de poder ser apresentado como legal.


Denis Lérrer Rosenfield, nasceu em 21 de novembro de 1950 em Porto Alegre. Fez seus estudos de graduação em filosofia na Universidade Nacional Autônoma do México e seus estudos de pós-graduação na França, tendo obtido o grau máximo de “Doutor de Estado” pela Universidade de Paris I Panthéon Sorbonne em 1982. É atualmente Professor Titular de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador I-A do CNPq. Autor de vários livros e artigos em português, francês e espanhol, além de professor visitante na França, Alemanha, Argentina e Estados Unidos. Também é articulista dos jornais Estado de São Paulo e O Globo, colaborador da Folha de São Paulo e editor da revista Filosofia Política. Atua também como consultor de análise política para empresas, grupos financeiros, associações empresariais e partidos políticos.
E-Mail: denisrosenfield@terra.com.br


Publicado no site " A verdade sufocada".
Domingo, 30 setembro de 2007.



 
Copyright © 2004-2019 Bootlead