Showing posts with label Racismo. Show all posts
Showing posts with label Racismo. Show all posts

Saturday, April 25, 2009

O próximo "Saddam" vem vindo aí, por enquanto, grunhindo e fedendo.











































O BRASIL E A LÓGICA DO GENOCÍDIO
por Maria Lucia Victor Barbosa

A lógica do genocídio consiste na destruição total ou parcial de um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Foi posta em prática pelo comunismo e pelo nazismo, sistemas que utilizaram, entre outros métodos, a revolta das massas contra determinados "malditos" que deveriam ser aniquilados ainda que isso fosse absurdo. "Creio porque é absurdo", eis o primeiro princípio da crença ideológica formulada por Tertuliano em sua época.

A fé no absurdo se obtém através da mentira calcada num malabarismo vocabular, no qual as palavras são pervertidas para provocar um entendimento desfocado da realidade. Algo, como se nota, muito utilizado em propaganda e nos discursos de cunho totalitário.

Assim, os campos de concentração soviéticos seriam "obra de reeducação" e os carrascos "educadores aplicados em transformar os homens de uma sociedade antiga em homens novos". Na China, a vítima do campo de concentração era denominada de "estudante que deveria estudar o pensamento justo do partido e reformar seu próprio pensamento imperfeito". O nazismo pregava que "os judeus não são humanos". Logo, estava justificado para os alemães o assassinato de judeus, inclusive de crianças judias, nas câmaras de gás, porque era como se dissessem: "vocês não têm direito de viver, vocês são judeus".

A lógica terrorista do genocídio implica, pois, o exercício do terror através de um grupo designado como inimigo. Desse modo, a segregação baseada em classe se torna muito similar à segregação por raça. Tudo é justificado por um ideal, ainda que absurdo. A sociedade nazista deveria ser construída em torno da "raça pura". A sociedade comunista futura com base no povo proletário, purificado de toda "escória burguesa".

As monstruosidades cometidas pelo nazismo e pelo comunismo teriam ficado para trás, enterradas no século passado e servindo como advertência para que não se cometa mais abominações como a do holocausto? Teria o ser humano evoluído através da experiência aterrorizante dos horrores cometidos em passado recente? Estaria agora o homem mais compassivo, menos preconceituoso, menos sujeito à crença no absurdo na medida em que obteve espetacular evolução na ciência, na tecnologia, nos meios de transporte e de comunicação?

Nada indica que houve progresso em termos humanísticos. Exemplo disso foi a Conferência contra o Racismo (20/04 a 24/04) promovida pela ONU. Aberto o evento pelo presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, caiu por terra qualquer boa intenção que o Organismo possa ter tido, pois o que se ouviu se enquadrou na mais pura lógica do genocídio.

O déspota de fato do Irã mencionou amor e destilou ódio. Simulou humildade dizendo que perdoava os que o tinham insultado, mas os qualificou de ignorantes com sorrisos de escárnio. Acusou Israel de racista sendo ele ferrenho racista, contumaz torturador, opressor das minorias. Mas, segundo Ahmadinejad, se Israel é racista deve ser destruído. Como sempre ele negou o Holocausto, afirmando que o Estado de Israel foi criado "sob o pretexto do sofrimento de todos os judeus e da ambígua e duvidosa questão do Holocausto". E aproveitando o momento, além de seus ataques a Israel o perigoso homenzinho defendeu o direito do Irã de controlar a tecnologia nuclear.






















Ei Ahmadinejad! Sua lembrançinha de boas-vindas está AQUI

Hey Ahmadinejad! Your little souvenir from welcome is HERE

O discurso pleno de violência contra os judeus provocou a retirada coletiva dos representantes da União Européia e vários protestos, entre os quais, o do sobrevivente do Holocausto e Nobel da Paz, Elie Wiesel, que disse em relação a Ahmadinejad: "Sua presença é um insulto à decência e à humanidade". O próprio secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, expressou seu constrangimento ao criticar o iraniano: "deploro o uso dessa plataforma pelo presidente iraniano para acusar, dividir e incitar.

A imensa delegação brasileira chefiada pelo ministro da igualdade racial, Edson Santos, não se moveu do salão de conferência e Santos ainda criticou a retirada dos europeus. Reação de se esperar, pois o Brasil, sob a influência de Marco Aurélio Garcia, nosso chanceler de fato, e sob o comando do governo petista de Lula da Silva, tem mostrado acentuada tendência aoantissemitismo. Note-se que Lula, que já deve ter dado volta ao mundo várias vezes, inclusive para visitar ditaduras islâmicas do Oriente Médio e ditaduras Africanas, nunca foi a Israel. Além disso, o Brasil votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, porém não condenou o governo genocida do Sudão. Aliás, nossa diplomacia sempre se absteve de tocar na questão dos direitos humanos, pisoteados em países como China, Cuba ou Coréia do Norte.

Dia 6 de maio, o Brasil receberá com pompas e honras o patrocinador terrorista do Hezbollah, do Hamas, da Jihad Islâmica. Será a consagração em solo pátrio da lógica do genocídio sob a aparência de negócios com o Irã. Indiferente, o povo pensará que está sendo homenageado um técnico importante de futebol. No encontro pode ser que Lula, num agrado ao companheiroAhmadinejad, ataque de novo os irracionais brancos de olhos azuis, pois os petistas, sejamos justos, sabem de forma exponencial acusar, dividir e incitar.


Maria Lucia Victor Barbosa é formada em sociologia e administração pública e tem especialização em ciência política pela Universidade de Brasília. Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever em jornais aos 18 anos. Tem artigos publicados no Jornal da Tarde, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Valor Econômico, entre outros. É autora de cinco livros, incluindo "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – A Ética da Malandragem" e "América Latina – Em busca do Paraíso Perdido". Maria Lucia, também é editora do blog "Maria Lucia Victor Barbosa Seleção de Artigos Publicados". E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




Enviado por Maria Lucia Victor Barbosa.
Sábado, 25 de abril de 2009, 13h15.




Os esclarecidos – Geraldo Almendra







O próximo "Saddam" vem vindo aí, por enquanto, grunhindo e fedendo.

Monday, February 09, 2009

Solução: Vestibulandos preparados para o sistema de cotas raciais.










































Estatuto racista
por Carlos Alberto Di Franco

Em recente entrevista à revista Época, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) teve a coragem de romper o monólogo politicamente correto que tem dominado a tramitação do projeto de lei que cria cotas para negros e índios nas universidades federais.

Segundo o senador goiano, "esse é um projeto com grande potencial de dividir a sociedade brasileira. A partir do momento em que nós jogarmos uns contra os outros e passarmos a rotular aqueles que terão mais direito a frequentar uma universidade pública por causa de raça, nós vamos deixar de ser brasileiros. Seremos negros, pardos, brancos, mamelucos, bugres, mas não seremos mais brasileiros".

O tema é polêmico. Deve, portanto, ser discutido com profundidade e respeito à diversidade de opinião. Não é o que tem acontecido. "O patrulhamento é tanto que muito parlamentar tem medo de arranhar a própria imagem", sublinha Torres. "Muitos têm medo de aparecer em público contra o movimento negro e ser tachados de racistas, embora não sejam."

Está surgindo, de forma acelerada, uma nova "democracia" totalitária e ditatorial, que pretende espoliar milhões de cidadãos do direito fundamental de opinar, elemento essencial da democracia. Se a ditadura politicamente correta constrange senadores da República, não pode, por óbvio, acuar jornalistas e redações. O primeiro mandamento do jornalismo de qualidade é a independência. Não podemos sucumbir às pressões dos lobbies direitistas, esquerdistas, homossexuais ou raciais. O Brasil eliminou a censura. E só há um desvio pior que o controle governamental da informação: a autocensura. Para o jornalismo não há vetos, tabus e proibições. Informar é um dever ético.

Não Somos Racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor (Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2006) é o título de um livro do jornalista Ali Kamel. A obra, séria e bem documentada, ilumina o debate. Mostra o outro lado da discussão sobre as políticas compensatórias ou "ações afirmativas" para remir a pobreza que, supostamente, castiga a população negra.

Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da Rede Globo de Televisão e ex-aluno do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é uma alma de repórter. Por isso, questiona pretensas unanimidades. Fustigado pela sua intuição jornalística, flagrou um denominador comum nos diversos projetos instituindo cotas raciais: a divisão do Brasil em duas cores, os brancos e os não-brancos, com os não-brancos sendo considerados todos negros. A miscigenação, riqueza maior da nossa cultura, evaporou nos rarefeitos laboratórios dos legisladores.

"Certo dia", comenta Kamel, "caiu a ficha: para as estatísticas, negros eram todos aqueles que não eram brancos. (...) Pior: uma nação de brancos e negros onde os brancos oprimem os negros. Outro susto: aquele país não era o meu."

Do espanto nasceu a reflexão. O desvio começa na década de 1950, pela ação da escola de Florestan Fernandes, da qual participava Fernando Henrique Cardoso. Para o autor, FHC presidente foi sempre seguidor do jovem sociólogo Fernando Henrique. Convencido de que a razão da desigualdade é o racismo dos brancos, FHC foi, de fato, o grande mentor das políticas de preferência racial. Lula, com sua obsessão populista, embarcou com tudo na canoa das cotas raciais. O Brasil, como todos vivenciamos, nunca foi um país racista. Tem, infelizmente, pessoas racistas. A cultura nacional, no entanto, sempre foi uma ode à miscigenação. As políticas compensatórias, certamente movidas pela melhor das intenções, produzirão um efeito perverso: despertarão o ódio racial e não conseguirão cauterizar a ferida da desigualdade.

Esgrimindo argumentos convincentes, o jornalista mostra que os desníveis salariais entre brancos e negros não têm fundamento racista: ganham menos sempre os que têm menos escolaridade. "Os mecanismos sociais de exclusão têm como vítimas os pobres, sejam brancos, negros, pardos, amarelos ou índios. E o principal mecanismo de reprodução da pobreza é a educação pública de baixa qualidade." Só investimentos maciços em educação podem erradicar a pobreza. É preciso fugir da miragem do assistencialismo. "Tire o dinheiro do programa social e o pobre voltará a ser pobre, caso tenha saído da pobreza graças ao assistencialismo. E o pior: num país pobre como o nosso, cada centavo que deixa de ir para a educação contribui para a manutenção dos pobres na vida trágica que levam", adverte o autor.

Numa primeira reflexão, nada mais justo do que dar aos negros a oportunidade de ingressar num curso superior. Mas, quando examinamos o tema com profundidade, vemos que não se trata de uma providência tão justa quanto parece. Ao tentar corrigir a injustiça que, historicamente, marcou milhões de brasileiros, cria-se um universitário de segunda classe, que não terá chegado à universidade por seus méritos. Ademais, ao privilegiar etnias, a lei discrimina outros jovens brasileiros pobres que não se enquadram no perfil racial artificialmente desenhado pelo legislador. Oculta-se a verdadeira raiz da injustiça: a baixíssima qualidade do ensino.

Os negros brasileiros não precisam de favor. "Precisam apenas de ter acesso a um ensino básico de qualidade, que lhes permita disputar de igual para igual com gente de toda cor." Impõe-se um debate mais sério. Uma discussão livre das ataduras do patrulhamento ideológico. Afinal, caro leitor, o que está em jogo é a própria identidade cultural do nosso país.


Carlos Alberto Di Franco, é diretor do "Master em Jornalismo", professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, articulista dos jornais "O Estado de S. Paulo", "O Globo", "Gazeta do Povo", entre outros. Autor do livro "Jornalismo, Ética e Qualidade" e co-autor de "O Papel da Polícia na Sociedade Democrática". Di Franco também têm publicados diversos ensaios sobre o tema "o jornalismo e a sociedade".
E-mail: difranco@iics.org.br





Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" – (Editorial Opinião).
Segunda-Feira, 09 de fevereiro de 2009.




Leia também: O banquete de migalhas de Sarney e Temer – José Nêumanne



Thursday, November 27, 2008

Comunista insidioso! A quem ele pensa estar enganando?

Foto: Deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP).





























Carta aberta ao Grande Chefe Branco
por Demétrio Magnoli

Prezado deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP):

No 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a Câmara passou a lei de cotas nas universidades e instituições federais de ensino médio, que é a primeira lei racial na história da República. A aprovação se deu sem o voto dos deputados, por conluio entre lideranças. Você participou destacadamente daquele conluio, renunciando à posição contrária à inclusão da raça na lei que dizia sustentar.

Arlindo Chinaglia (PT-SP), o presidente da Câmara, celebrou o desenlace e ofereceu um diagnóstico: "Os que têm opiniões divergentes cederam, o que resultou em um grande avanço." Traduzo a frase do seguinte modo: nada é impossível, nem mesmo derrubar o princípio da igualdade perante a lei, quando a oposição abdica de seus deveres básicos. Estou errado?

Serei franco. Surpreendeu-me a sua colaboração, sem a qual o projeto teria de aguardar uma sessão com quórum e ser votado nominalmente pelos deputados. Li num jornal a sua justificativa. De acordo com ela, o projeto não é ruim, pois estabelece cotas raciais proporcionais à composição "racial" da população de cada unidade federativa, de modo que, nas suas palavras, nos Estados com predomínio demográfico de brancos, eles terão chances maiores de ingressar nas universidades. Se entendi, você negociou e aprovou o projeto pois não viu nele desvantagens para a "raça branca". Posso, então, intitulá-lo Grande Chefe Branco?

Não há ironia nisso, acredite. Os patrocinadores de projetos de cotas no ensino e no mercado de trabalho almejam a condição de líderes negros. Eles usam o fruto envenenado da raça para impulsionar carreiras políticas ou conquistar posições de prestígio em ONGs muito bem financiadas. Mas é claro que a construção de identidades raciais oficiais no Brasil abre possibilidades inusitadas. Se há líderes negros, por que não líderes brancos? (Veja que para isso nem se precisa de algo tão aparente quanto a cor da pele: em Ruanda a vida política girava em torno de líderes tutsis e líderes hutus, ao menos até o genocídio).

Não nos enganemos. Políticos oportunistas em busca da condição de líderes negros (ou brancos) são elos instrumentais na passagem de leis de raça, mas a concepção de tais leis se deve aos doutrinários racialistas, que são pessoas dotadas de princípios - e o xis do problema reside no conteúdo desses princípios. Racialismo é a doutrina baseada numa dupla crença: 1) raças existem, se não na natureza, ao menos na história; 2) "a história do mundo não é a história de indivíduos, mas de grupos, não a de nações, mas a de raças". Empreguei, para expor a segunda crença racialista, uma citação de William Du Bois (1868-1963), o pai fundador da doutrina. Toda a lógica das políticas de cotas raciais se encontra delineada na obra desse americano. Seria inoportuno sugerir que a lesse?

Du Bois era um racialista, não um racista, pois não acreditava em noções de superioridade racial. Ele visitou a Alemanha nazista e gostou do orgulho de raça promovido pelo regime, mas confessou sua repulsa com a perseguição aos judeus. Bem antes, em 1903, escreveu Os talentosos dez por cento, em que expunha a tese de que, por meio de uma criteriosa seleção educacional, um negro em cada dez poderia converter-se em líder mundial da raça negra. O artigo começa assim: "A raça negra, como todas as raças, será salva por seus homens excepcionais. O problema da educação entre negros, então, deve antes de tudo concentrar-se nos 10% talentosos..." Entendeu, agora, a proposta de cotas? Percebeu que ela nada tem que ver com um programa de redução de desigualdades sociais?

Nos EUA, as leis de segregação racial definiram quem era branco e quem era negro. Du Bois falava para uma raça oficializada pela discriminação. Por aqui, os racialistas lamentam a ausência de leis desse tipo no nosso passado, pois recaiu sobre os ombros deles a missão de fabricar, na mente das pessoas, a consciência racial e o orgulho de raça. Fico um tanto triste ao perceber que se procura realizar essa obra a partir da escola. Tarso Genro, na sua passagem pelo Ministério da Educação, ordenou que todas as escolas associem nominalmente cada aluno a uma raça. Você, um ex-ministro da Educação, e Paulo Haddad, o atual titular da pasta, articularam juntos o projeto de cotas raciais aprovado na Câmara. Vocês não são três, mas uma tríade. Juntos, por cima de diferenças partidárias, invadem as aulas de História e Biologia para apagar a lousa onde está escrito que raças humanas não existem, a não ser como invenção do racismo. Mas você liga para o que está escrito na lousa?

Já notou que os brasileiros sentem uma certa repugnância diante da idéia de serem divididos oficialmente em raças? Por coincidência, no mesmo dia em que vocês aprovavam uma lei que faz exatamente isso, divulgou-se uma pesquisa de opinião pública sobre atitudes diante do tema racial. Encomendada pelo Cidan, uma ONG racialista, a pesquisa fez perguntas viciadas, tendenciosas, a uma amostra da população carioca. Mesmo assim, 63% declaram-se contra as cotas raciais. Mais interessante é que as posturas diante das cotas raciais não variam em função da cor autodeclarada das pessoas. Entre os "brancos", 63,7% rejeitam essa política; entre os "pardos", 64%; entre os "pretos", 62,2%. Eu interpreto isso como uma opção identitária: as pessoas, independentemente da cor da pele, querem ser cidadãos iguais perante a lei. Estou errado?

Não há motivo para imaginar que os demais brasileiros pensem diferente dos cariocas. Apesar da maciça propaganda racialista veiculada pelo Estado, os cidadãos percebem o mal que a pedagogia das raças faz aos jovens estudantes. A coincidência entre a divulgação da pesquisa e a aprovação por conchavo da lei de cotas coloca uma pergunta constrangedora: onde está a representação parlamentar da maioria que rejeita as leis raciais?


Demétrio Magnoli é graduado em Ciências Sociais e Doutor em Geografia Humana pela FFLCH-USP, editor da publicação Mundo - Geografia e Política Internacional, assina coluna semanal na Folha de S. Paulo e integra o GACINT - Grupo de Análises de Conjuntura Internacional da USP. Autor e co-autor de vários livros nas áreas de Geografia, Conjuntura Internacional, História Contemporânea, tais quais: " O Que é Geopolítica", "Da Guerra Fria à Detènte" e "O Mundo Contemporâneo", entre outros, além ministrar palestras e colaborar em diversos órgãos da mídia.
E-mail: demetrio.magnoli@terra.com.br



Publicado no jornal " O Estado de S. Paulo" (Opinião).
Quinta-feira, 27 de novembro de 2008.




OS TOPA-TUDO SEM DINHEIRO – Maria Lucia Victor Barbosa



Friday, March 30, 2007

Ministra do PT funda a “KAN - KLUX - KLU”.










































A ministra Matilde Ribeiro tem de ser demitida e processada
Agora o rinoceronte arrombou a porta.

por Reinaldo Azevedo

BBC Brasil - E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?

Matilde Ribeiro - Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.
Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui

Vejam só. Se eu arrumasse uma desculpa qualquer pra dizer que “é natural” haver racismo de brancos contra negros, seria preso. E permaneceria. É crime inafiançável. Mas eu não diria isso por vários motivos. Em primeiro lugar, porque não é o que penso. Em segundo, porque, conforme está claro, se pensasse, não seria idiota de me expor ao risco de ser punido. Raça? O que é isso? Eu gosto é de mistura. Eu vivo a mistura. As minhas filhas são objetivamente bonitas — tanto quanto se pode acreditar na objetividade de um pai. Bem, sei olhar, comparar, reconhecer a harmonia do conjunto. Os traços que nelas mais me agradam, admito, são os árabes, que herdaram da mãe. Do pai, receberam as características da boa gente vira-lata brasileira, que é o que sou. Sem pedigree.

Não é difícil demonstrar que a ministra Matilde Ribeiro cometeu crime de racismo e de incitamento ao ódio racial, ainda que faça questão de dizer que “não”. Numa democracia corriqueira, seria demitida e processada. No Brasil, vão passar a mão na cabeça dela, afirmar que ela se expressou mal, que não quis dizer exatamente o que disse. Vale dizer: no fim das contas, será protegida de si mesma por conta de dois preconceitos às avessas: porque é negra e porque é mulher, duas “minorias” de manual, que excitam os instintos mais primitivos da baixa sociologia brasileira.

No fim de muitas misturas, resulta que minha pele é branca. E nunca açoitei negros. Ah, calma aí: conheço a cascata. Não se trata de individualizar a responsabilidade, dizem eles. O “branco” é culpado como uma “categoria”, assim como o “negro” seria discriminado enquanto tal. É mesmo? A ministra Matilde Ribeiro tem muitas idéias na cabeça, mas nenhuma bibliografia. A escravidão do negro nas Américas, minha senhora, no que respeita à cor da pele — e não à raça — é obra conjunta de brancos e negros. Antes que os europeus escravizassem os africanos, estes se escravizaram a si mesmos. Antes que um mercador de escravos vendesse a sua “mercadoria” no Brasil, ele a comprava na África: e a comprava de outros negros.

Isso livra a cara “dos brancos”? É claro que não. Mas também não tira a responsabilidade dos negros. Se a madame quer justificar o racismo do presente fazendo justiça retroativa, vamos parar todos no banco dos réus: tanto os “meus” ancestrais europeus quando os “seus” tataravós negros. A menos que ela pretenda tratar as tribos africanas que escravizavam seus adversários como ingênuos seduzidos pelo grau superior de consciência do europeu. Mas aí indago: a consciência de uma época não é sempre a consciência possível? Olhar o passado com o que sabemos hoje é matéria de sabedoria; julgá-lo com esses instrumentos é produzir obscurantismo.

Não dá. Esta senhora é ministra de Estado. Está no governo para pensar medidas de integração, não para justificar qualquer forma de discriminação, considerando-a, o que é pior, “natural”. Mas vai ficar no cargo, é claro. Porque, afinal, não se demite uma negra por mais bobagens que diga. Também ela reivindica a sua condição de herdeira das vítimas, o que lhe franquearia o direito de dizer asneiras.

Vocês sabem que sou adversário de primeira hora da chamada política de cotas raciais, o que eles costumam chamar de “discriminação positiva”. Por quê? Entre outras razões porque era a porta de entrada disso que faz a ministra: a discriminação negativa. Os números que justificam as cotas no Brasil são todos perturbados. Já escrevi isso algumas vezes. Nem voou aqui entrar no detalhe, não neste texto, para não espichar demais o artigo. Lembro o óbvio: com freqüência, fala-se por aí na “maioria negra” do Brasil. A maioria é branca: 52%; negros são 6% da população; há menos de 2% de amarelos e índios, e os demais são mestiços. Um mestiço é branco ou é negro? Também conheço a resposta deles: é negro se for pobre. É? E um branco pobre é o quê? Negro? Quer dizer que o verdadeiro “negro” é o pobre? Então aposentem essa conversa mole de raça e vamos falar de renda.

Mas a ministra não precisa dedicar seu tempo à história ou à estatística. Poderia ao menos ler jornal. Pelo visto, ela tem muitas idéias na cabeça, mas nenhuma disposição para a leitura. Um dos maiores massacres — atenção! — da história da humanidade se deu no fim do século passado na África: a guerra entre hutus e tutsis. Negros matando negros. Um milhão de mortos. Mais de dois milhões de refugiados. Hutus, de mais baixa estatura do que tutsis, cortavam os pés dos adversários a facão para, à sua maneira, fazer justiça... Ah, mas não será difícil encontrar quem diga que também este conflito é de responsabilidade dos brancos, desdobramento perverso e tardio da colonização do século 19. É mesmo? Quer dizer que os negros viviam numa realidade edênica, até que chegassem os brancos para instaurar a discórdia? Tenham paciência! É a mesma lenga-lenga dos muçulmanos. Não fosse o colonialismo europeu, seriam todos pacíficos... Perguntem ao século VII. E o massacre de Darfur, neste século? Aquele que o Brasil se negou a condenar na ONU, sob o silêncio cúmplice da ministra Matilde Ribeiro — se é que ela sabe do que estou falando? Um tutsi não vê um “negro” num hutu (e vice-versa): eles vêem um inimigo. Aquela, sim, é uma luta pautada não pela raça, mas pelo racismo.

Numa dimensão, vá lá, filosófica, as lideranças negras estarão prestando um enorme serviço à igualdade de pele (já que não se trata de uma questão racial) quando conseguirem ver a si mesmos também como opressores. Enquanto só se enxergarem como vítimas — sei que esse discurso é útil à militância —, estarão dizendo a seus eventuais liderados que eles continuam escravos, não de um senhor branco, mas de uma falsa história.


Reinaldo Azevedo é jornalista, guia cultural, assessor de imprensa e blogueiro. Foi editor-chefe da revista Primeira Leitura, colunista da revista Bravo! e também editor do jornal Folha de S. Paulo. Escreve freqüentemente sobre política nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, hoje é colunista da revista Veja. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Universidade Metodista, foi professor de literatura e redação dos colégios Quarup, Singular e do curso Anglo.





Publicado no "
Blog Reinaldo Azevedo".
Quarta-feira, 28 de março de 2007, 14h08.


Segue abaixo um comentário postado no Blog do Reinaldo, com relação ao artigo acima, de um leitor que se identifica como “Homem Americano”, e que como ele mesmo diz é um negro como toda sua família, fator este que vai direto ao cerne da questão em pauta, além de manifestar sua posição muito bem definida, o mesmo pode ser considerado como um cidadão que tem absoluta consciência e coerência de sua condição primeira: É um SER HUMANO, o resto, ora o resto...


HOMEM AMERICANO said...

O IMBECIL, NÃO É A INCLASSIFICÁVEL, MAS, QUEM A COLOCOU LÁ ONDE NÃO DEVERIA ESTAR. Procurei, confesso sinceramente que procurei, em todo o meu vasto vocabulário um verbete, ou até uma expressão idiomática, para classificar esta coisa, e o mais plausível que encontrei, até porque mais ao nível dos que com ela comungam o tipo de sentimento que abriga, foi IMBECIL. Que me perdoem os pouco imbecis, pois não vai aqui nenhuma ofensa, até porque a coisa aí e EXTREMAMENTE IMBECIL. Isto não é um ser humano.

Coisa ridícula, vai caçar tua turma, vai!

Não sei se esta idiota vai perceber, mas o que ela reivindica em favor dos nossos filhos, de nós outros mesmo, digo de nós os negros não burros que vivem do trabalho, da dedicação a ideais, e não a ideologias, é absolutamente desnecessário aos que se esforçam por alcançar objetivos.

Tudo o que precisamos é o mesmo que os filhos dos brancos, cafuzos mamelucos, mulatos caboclos, índios, etc., estão reivindicando: seriedade desta corja, desta trupe de imbecis que tomou conta do nosso país para dar emprego a energúmenos do porte desta coisa imbecil que está ministra, mas, que tem por necessidade alimentar o que nós, os negros não recalcados, já extirpamos do nosso convívio com pessoas sérias de todos os matizes: uma maldita idiossincrasia negróíde exasperante.

Tudo o que precisamos, brancos e negros, mestiços ameríndios, cafuzos, mamelucos, mulatos,amarelos, mas, enfim, brasileiros, é que este bando de ladrões a que ela pertence, deixe de roubar nosso suor e faça funcionar o Estado paquidérmico (ou o abandone para que outros façam), proporcionando educação para todos, a começar pela escola do meu pequeno - (ele está cursando a alfabetização e eu, um negro, por culpa das cotas que ela quer implantar e que fará uma legião de babacas portarem diplomas sem lastro cultural, estou pagando R$230,00 (DUZENTOS E TRINTA REAIS) para que ele tenha educação de qualidade, pois os recursos do Estado que deveriam estar financiando um ensino de qualidade, conforme determina o texto constitucional, estão servindo para ela fazer proselitismo com a cor da minha pele.

Meu filho que nem sabe que seu colega é branco ou que o japonês é um amarelo, pois as cores que ele conhece estão no seu estojo de crayons (tu, imbecil, deve ter ficado horrorizada por que eu, um negro estou usando uma palavra do idioma dos “imperialistas”. Ah, vá para o Diabo, pois o computador que você está usando, também foi desenvolvido por eles, assim como todos os inventos de maior importância para a humanidade, ao posso que da “mama África” a única coisa que veio foram imbecis como tu que Deus na sua generosidade tenta contrabalançar enviando outros do meu nível sem preguiça para, trabalhando, mostrar como galgar posição de destaque independentemente da minha cor de pele).

Milhões de gerações passarão, mas, não conseguirão apagar comportamentos como o desta inclassificável, cujos discursos e trejeitos de mal fingida cultura, têm que ser verberados sob pena de retrocedermos aos mais sombrios períodos da humanidade.

Esta coisa precisa ser urgentemente defenestrada da cadeira que ocupa indevidamente.

Colho de uma publicação expressão atribuída à energúmena: “Ainda temos muito o que fazer”... de fato cretina, vocês têm muito o que fazer (em verdade tem tudo por fazer) e não fazem porque só se importam em roubar-nos os parcos recursos para saírem pelo mundo fazendo seminários de promoção de segregação de todas as formas e matizes, como se fossem capazes de alguma coisa senão de ruminar o ranço do recalque em que se refestelam e se lambuzam.

Meu negrinho (meu filho é um negro e continuará sendo, e eu o chamarei de negro porque ser negro não é crime, crime é tentar criminalizar um substantivo que designa um fato estampado na pele) será um homem culto, porque trabalharei incansavelmente para educá-lo, tirando-o do meio de negros falsificados como você.

Ele será um negro culto que não terá recalques, mas conhecimento de que a sua cor não é um distinção, senão para uma particularidade de sua personalidade, mas, não fará, isto eu prometo, proselitismo nem para mais nem para menos da sua condição de natural de negro, afinal, ser negro não é crime, crime é sendo negro, ver em cada ser de outro tom de pele um inimigo em potencial, e o pior, tentar incutir em descendentes esta mácula indelével da mais profunda ignorância.

Diga ao seu presidente que o meu filho não terá ódio de livros, nem permitirei que diga, ainda que por brincadeira que “ler dá uma preguiça disgramada”. Apesar de seu governo destrambelhado quere fazer com que pobres irmãos nosso adentrem uma faculdade pela janela, não me curvarei a esta cretinice: farei do meu filho um homem honrado, educado com dificuldade, mas com honra, muita honra sem cotas, afinal estas estão destinadas aos negros burros que não percebem ou não querem perceber , exatamente por serem preguiçosos que estão sendo chamados de incompetentes e terão que carregar esta mácula por todas as suas vidas.

Quero saber quando será promulgada a lei que determinará que um advogado, um médico, tem direito a uma cota de clientes, porque é isto que terá que ser feito para assegurar a um negro o direito de ter uma clientela. Sabendo-se que o ingresso de acadêmicos de medicina tem como uma das características a cor da pele antes que a competência, quem se arriscará a ser submetido a uma cirurgia sabendo que o anestesiologista é negro? Este negrão aqui não fará sequer a extração de uma unha.

Ministra, ser negro, não é defeito. Defeito é ser negro e ter uma mente tão retrógrada quanto a tua. São pessoas como tu que nos humilham, que nos dilaceram a dignidade de ser negro, mas, igual aos nossos irmãos brasileiros. Freqüentei escolas públicas no período indevidamente chamado de ditadura pelos seus colegas. As escolas funcionavam. Eu não tinha livros, porque meu pai era muito pobre, mas, os professores das escolas públicas, mormente aquelas em que se lecionava o ginásio e o científico (colegial), hoje conhecidos como ensino fundamental e secundário, tinham professores bem pagos e naquelas em que se lecionava do ginásio ao científico, os professores eram catedráticos.

Hoje há professores substitutos em todas as escolas e muito poucos têm a vocação para o magistério. Como dizia eu não podia comprar livros e estudava fazendo anotações nos meus cadernos de borrão, tendo todo o cuidado de transcrever para o caderno da disciplina ao fim do dia. Assim ,este negro foi formando seu caráter e galgando os degraus da vida sem a necessidade de cota nenhuma, mas, de muita dignidade e de muito caráter (nem adianta falar isto, tu não entenderás, pois a julgar pelo teu nível “cultural”, estás mais para a caverna que para a cátedra).

De tudo isto, só lamento uma coisa: amanhã os jornais estamparão que foi um mal entendido e tu continuarás a destilar o teu ódio racial do alto do teu cargo. Pobre país, pobre povo (branco e negro et ceteras).

Para fechar este comentário, interpretando o pensamento petista, só invocando Rui: " O brasileiro..., terá que testemunhar à descendência, com as cãs envergonhadas, uma longa página de amargura e vilipêndio, onde os olhos de nossos filhos buscarão debalde um ponto de refrigério em que espaireçam; um país opulento, inexaurível como a natureza mesma, e, todavia, física e moralmente estagnado na sua imensa amplidão como um vasto pântano..."

E como fecho o trecho do discurso do caso do satélite, inumeras vezes citado, mas, com profundas incorreções: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto..."
Postado às 11:28 PM

Leia mais artigos de REINALDO AZEVEDO no BOOTLEAD:

¤ Raposa/Serra do Sol - Aos ministros do Supremo

¤ Contra o falso óbvio 1 - É Raposa/Serra do Sol, mas pode chamar de Anta do Obscurantismo

¤ Depois daquela foto ou “O dever dos democratas”

¤ A Mídia do Contragolpe

¤ O ridículo dessa gente não conhece limites

¤ Revanchismo e mitologia esquerdopata querem rever Lei da Anistia

¤ Mais tentações totalitárias

¤ FAB mancha a sua história com as cinzas de 360 inocentes

¤ O bolivarianismo de Lula: como o PT pretende fazer da Rede Globo a sua RCTV

¤ Discursos delinqüentes. E chegou a hora de cobrar ingresso no Senado

¤ Universitário custa DEZ vezes mais do que aluno da escola fundamental em média. Aonde isso nos leva?

¤ Lula quer agora fundar uma religião

¤ O que não suportam na Igreja Católica? A liberdade e a consciência.

¤ STJ referenda madrassas do PT no jornalismo

¤ Foi um vexame: a "Síndrome Motorista de Táxi" derrubou Lula




 
Copyright © 2004-2019 Bootlead